








 







































Traduo 
Renato Motta 
 



Copyright 1998 by Nora Roberts 

Ttulo original: Holiday in Death 


Capa: Leonardo Carvalho 

Editorao: DFL 



2007 
Impresso no Brasil 
Printed in Brazil 



CIP-Brasil. Catalogao na fonte 
Sindicato Nacional dos Editores de Livros - RJ 

R545n            Robb.J. D., 1950- 
Natal mortal/Nora Roberts escrevendo como J. D. Robb;  
traduo Renato Motta.  Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007. 
392p. 

Traduo de: Holday in death  
1. Romance americano. I. Morta, Renato. II. Titulo. 



Todos os direitos reservados pela: 
EDITORA BERTRAND BRASIL LTDA. 
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20921-380 - Rio de Janeiro - RJ 
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Que fera grosseira, quando finalmente  chegada a 
Sua hora, se arrasta at Belm para nascer? 

 YEATS 






Ningum atira em Papai Noel. 

 ALFRED EMANUEL SMITH 
 


















E 
 








CAPTULO UM 








la sonhava com a morte.

A luz vermelha com aparncia de suja que vinha do anncio em
non pulsava de encontro  janela empoeirada como um corao
zangado. Seus reflexos transformavam as poas de sangue que brilhavam
no cho de claro em escuro, claro em escuro, fazendo o aposento imundo
surgir em ntidos contrastes para  ento  mergulh-lo  novamente  nas
sombras.
Ela se encolheu no canto, uma menina magrinha com cabelos casta-
nhos muito embaraados e olhos imensos da cor do usque que ele bebia
quando  conseguia  algum dinheiro.  A  dor e  o  choque  haviam feito  seus
olhos ficarem vidrados e sem vida, enquanto a sua pele adquiriu um tom
acinzentado tpico dos cadveres. A menina olhava, hipnotizada pela luz
piscante e pela forma com que ela rebatia nas paredes, no cho. . sobre o
corpo dele.
Ele,  esparramado  ali no  piso  arranhado,  parecendo  nadar no  pr-
prio sangue.
Pequenos sons primais retumbavam na garganta dela.
E em sua mo uma faca estava ensangentada at o cabo.
Ele estava morto. Ela sabia que ele estava morto. Dava para sentir o
cheiro forte e quente, o fedor do sangue que continuava a escorrer e en-
chia o ar abafado. Ela era uma criana, apenas uma criana, mas a poro
animal dentro dela reconhecia o cheiro e, ao mesmo tempo, se regozijava
com ele.





Sentia uma dor indescritvel no lugar em que ele lhe quebrara o osso
do brao. O espao entre suas pernas ardia e um lquido escorria ali de
dentro, devido ao ltimo estupro que sofrer. Nem todo o sangue espa
lhado  sua volta era dele.
Mas ele estava morto. Tudo acabara. Ela estava salva. 
Ento ele moveu a cabea lentamente, como a de uma marionete, e a 
dor dela se transformou em terror. 
Os olhos dele se fixaram nos dela, que tentou balbuciar algo e arras-
tou o corpo mais para trs, encolhendo-se no canto para onde se arrasta-
ra, tentando escapar dele. E ento a boca morta abriu um sorriso. 
Voc jamais vai se livrar de mim, garotinha. Sou uma parte de voc. 
Sempre serei. Estarei dentro de voc. Para sempre. E agora papai vai ter 
que castig-la mais uma vez. 
Ele ergueu o corpo e ficou de quatro no cho. O sangue vinha em go-
tas grossas que faziam barulho ao pingar do rosto e das costas, formando 
um filete repulsivo que escorria dos ferimentos e lhe descia pelos braos. 
Quando conseguiu se colocar em p e comeou a cambalear na direo da 
menina, deixando um rastro vermelho no cho, ela gritou. 
E ao gritar, acordou. 
Eve cobriu o rosto com as mos e em seguida apertou uma delas de 
encontro  boca para abafar os gritos desesperados que teimavam em lhe 
sair garganta afora como quentes cacos de vidro. Sua respirao ficou to 
pesada que a cada expirao ela franzia o cenho com a dor que lhe atra-
vessava o peito. 
O medo a envolveu e lanou um bafo gelado que lhe desceu espinha 
abaixo, mas ela o dominou. J no era mais uma criana  indefesa e sim
uma mulher adulta, uma policial que devia proteger e defender, mesmo 
quando a vtima era ela prpria.  
J no estava sozinha em um horrvel quarto de hotel, mas em sua 
prpria casa. A casa de Roarke. . Roarke. 
Ao se concentrar nele, s de pensar em seu nome, ela comeou a se 
acalmar. 
Decidira  dormir na  poltrona  reclinvel  do  escritrio  de  sua  casa 

~ 6 ~ 
 



porque ele estava fora do planeta. Ela jamais conseguia repousar direito 
na cama de casal, a no ser que ele estivesse ao seu lado. Os pesadelos
aconteciam raramente,  quase  nunca  na  verdade,  quando  ele  dormia  ao 
seu lado. Mas voltavam com freqncia quando ele no estava. 
Ela odiava essa rea de fraqueza e dependncia em sua vida, e esse 
dio era quase to grande quanto o amor que desenvolvera por Roarke. 
Virando-se  na  poltrona,  buscou conforto  pegando  o  gato  cinza  e 
gordo que estava encolhido ao seu lado, olhando para ela naquele instan-
te com olhos estreitos e bicolores. Galahad j se acostumara aos pesade-
los e parecia no se importar de ser acordado por eles s quatro da ma-
nh. 
 Desculpe  sussurrou ela, esfregando o rosto em seu plo macio. 
 Sou uma idiota mesmo. Ele morreu e nunca mais vai voltar. Os mortos
no voltam.  Suspirou e olhou para o breu.  Eu devia saber disso. 
Ela convivia com a morte, trabalhava com ela, rodeava seu mundo 
com ela, dia aps dia, noite aps noite. Em pleno ms de dezembro do ano 
2058, as armas j haviam sido banidas e a cincia aprendera a prolongar 
a vida muito alm dos cem anos. 
O homem, porm, ainda no deixara de matar seu semelhante. 
O trabalho dela era ficar ao lado dos mortos. 
Em vez de se arriscar a ter outro pesadelo, Eve preferiu se levantar 
da poltrona e ordenou s luzes que se acendessem. Suas pernas j esta-
vam mais firmes e  seu pulso  quase  voltara  ao  normal.  A  dor de cabea 
enjoada  que  sempre  surgia depois de  pesadelos como  aquele  ia  acabar
cedendo, lembrou a si mesma. 
Na esperana de um desjejum antecipado, Galahad pulou da poltro-
na junto com a dona e se entrelaou por suas pernas enquanto ela seguia 
em direo  cozinha. 
 Primeiro eu, meu chapa  avisou Eve, programando o AutoChef 
para que ele preparasse o caf automaticamente, enquanto ela colocava 
uma tigela de comida para gato no cho. O animal atacou o alimento com 
muita energia, como se aquela fosse a sua ltima refeio, e a deixou o-
lhando pensativa pela janela. 

~ 7 ~ 
 



A vista dali era uma imensa extenso de gramado, em vez da rua, e 
no havia trfego areo. Era como se ela estivesse sozinha na cidade. Pri-
vacidade e quietude eram ddivas que um homem com a fortuna de Ro-
arke podia comprar com facilidade. Ela sabia, no entanto, que alm dos 
lindos canteiros, do outro lado do alto muro de pedra, a vida corria. E a 
morte a seguia de forma implacvel. 
Aquele era o seu mundo, pensou naquele momento, enquanto sorvia 
o caf forte de boa qualidade e massageava o local de uma contuso re-
cente que sofrer no ombro e ainda causava certa rigidez. Assassinatos
mesquinhos, grandes esquemas, acordos desonestos e gritos de desespe-
ro. Ela conhecia mais sobre essas coisas do que sobre o colorido carrossel 
de dinheiro e poder que girava em torno do seu marido. 
Em momentos como aquele, em que se via sozinha e com o astral em
baixa, ela se perguntava como foi que eles acabaram ficando juntos  a
policial que era um exemplo de retido, uma devota firme das linhas de-
finidas pela lei e o seu exuberante irlands que se enrascara nessas mes-
mas linhas e as ultrapassara durante toda a sua vida. 
Um assassinato provocara o primeiro contato entre eles. Os dois e-
ram almas perdidas seguindo rotas diferentes para sobreviver; porm, a 
despeito da lgica e do bom senso, haviam encontrado uma a outra. 
 Nossa, eu estou com saudades dele. Isso  ridculo.  Aborrecida 
consigo mesma, saiu da janela pensando em tomar uma ducha e se vestir. 
A luz do  tele-link comeou a piscar, indicando uma chamada que estava 
sendo feita naquele exato momento, mas o aparelho no emitiu som al-
gum. Sem dvida a respeito de quem poderia estar chamando quela ho-
ra, Eve atendeu a ligao e desbloqueou a tecla mute.
O rosto de Roarke apareceu na tela. E que rosto, pensou ela, obser-
vando  uma  de  suas sobrancelhas se  erguer.  Ele  era  poeticamente  belo, 
com cabelos negros que lhe emolduravam o rosto, pendendo, pesados e 
lisos, quase at a altura do ombro. Sua boca era sagaz, perfeitamente es-
culpida, e as mas do rosto fortes sob os olhos muito azuis. 
Mesmo depois de quase um ano, a simples imagem daquele rosto fa-
zia o seu sangue acelerar. 

~ 8 ~ 
 



 Querida Eve. .  Sua voz era suave como usque irlands.  Por 
que no est dormindo? 
 Porque estou acordada. 
Ela sabia o que ele vira em seu rosto ao analis-lo. Ela no conseguia 
esconder quase nada de Roarke. Ele certamente j notara as olheiras de 
uma noite maldormida e a palidez do seu rosto. Sentindo-se desconfort-
vel, ela encolheu os ombros e passou a mo pelos cabelos curtos e des-
penteados. 
 Vou para a Central de Polcia mais cedo hoje  informou ela.  
Tenho muita papelada para organizar. 
Ele reparara em mais coisas do que ela supunha. Ao olhar para ela 
notara a sua fora, a sua coragem e a sua dor. Vira tambm na estrutura 
firme do seu corpo, na boca com lbios carnudos e nos olhos fixos cor de 
conhaque  um tipo  de  beleza  que  ela  obviamente  no  reconhecia  em si
mesma. E como tambm notou o ar de cansao que a envolvia, ele mudou
de planos. 
 Volto para casa hoje  noite. 
 Pensei que voc fosse ficar mais um ou dois dias a em cima. 
 Volto para casa hoje  noite  repetiu ele, sorrindo para ela.  
Estou com saudades, tenente. 
  ?. .    Embora considerasse uma tolice completa o calorzi-nho 
que sentiu ao ouvir isso, ela devolveu-lhe o sorriso.  Talvez eu consiga 
algum tempo para ficarmos juntos quando voc voltar. 
 Pois faa isso. 
 Foi por esse motivo que voc ligou? Para me avisar que ia voltar 
antes do previsto? 
Na verdade ele pretendia deixar uma mensagem para ela avisando-a
de que ainda ia demorar mais um ou dois dias, para em seguida tentar
convenc-la  a  se  juntar  a  ele  a  fim de  passarem o  fim de  semana  no 
Olympus Resort. Mas simplesmente sorriu para ela, completando: 
 S queria informar  minha esposa sobre meus planos de viagem. 
Volte para a cama, Eve. 
  Sim, talvez eu faa isso.    Ambos, porm, sabiam que tal coisa 

~ 9 ~ 
 



no aconteceria.  Vejo voc logo mais  noite. E. . Roarke? 
 Sim? 
 Eu tambm estou com saudades.  Ela ainda precisava respirar 
fundo antes de dizer coisas como aquela. Desligou e ficou com a imagem 
do  sorriso  dele  na  mente.  Sentindo-se  mais firme,  levou o  caf  com ela 
enquanto se preparava para mais um dia de trabalho. 



Eve no saiu exatamente de mansinho, mas tentou no fazer rudos. Ain-
da no eram nem cinco da manh, mas ela sabia que Summerset estava 
por ali, em algum lugar. Preferia, sempre que possvel, evitar o mordomo 
sargento que trabalhava na casa. Talvez no existisse termo melhor para 
descrever o homem que sabia de tudo o que acontecia na residncia, cui-
dava de tudo e metia o nariz comprido o tempo todo em todas as coisas
que Eve considerava assuntos pessoais. 
Desde que o ltimo caso que ela resolvera os colocara mais prxi-
mos do que qualquer um dos dois gostaria, Eve suspeitava que ele a esta-
va evitando tanto quanto ela a ele, e isso j estava acontecendo havia du-
as semanas. 
Lembrando  toda  a  histria,  esfregou a  mo  de  forma  distrada  em 
um ponto logo abaixo do ombro. O lugar ainda incomodava um pouco de 
manh ou depois de um longo dia de trabalho. Receber um golpe com a 
carga  mxima da  prpria arma  era  uma  experincia  que  no  pretendia
repetir nesta nem em qualquer outra vida.? Pior do que isso foi a forma 
com que Summerset enfiara remdios por sua goela abaixo, quando ela 
ainda estava fraca demais para dar um chute no traseiro dele. 
Eve fechou a porta atrs de si, respirou fundo, inalando o ar frio de 
dezembro, e em seguida praguejou com violncia. 
Ela havia deixado seu carro em frente  escadaria de entrada da ca-
sa, pois sabia que isso deixava Summerset profundamente irritado. Ele, 
por sua vez, o levara para a garagem porque sabia que isso a deixava re-


* Ver Vingana Mortal. (N.T.)
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voltada. Resmungando por no ter se lembrado de trazer o controle re-
moto para abrir a porta da garagem e mandar vir o carro, Eve caminhou
em volta da casa, com as botas esmagando a grama congelada. As pontas
das suas orelhas lhe provocavam fisgadas de frio e o nariz comeou a es-
correr. 
Eve trincou os dentes com fora e digitou o cdigo no painel da por-
ta com os dedos sem luvas, conseguindo ento entrar na garagem limps-
sima e maravilhosamente aquecida. 
Havia  dois nveis com veculos reluzentes,  bicicletas motorizadas, 
motos areas e at mesmo um helicptero muito pequeno para dois pas-
sageiros. Seu veculo verde-ervilha mais parecia um vira-latas pulguento 
no  meio  de  galgos bem cuidados.  Pelo  menos era  novo,  lembrou a  si
mesma, enquanto se instalava por trs do volante. Alm disso, tudo nele 
funcionava direito. 
O motor deu partida como que por mgica. O som era suave e est-
vel. Ao seu comando de voz, o calor comeou a sair com suavidade atra-
vs das grades frontais. O painel se acendeu, indicando a inspeo eletr-
nica de rotina, e em seguida uma voz suave comunicou a ela que todos os
sistemas estavam operando bem. 
Ela no contaria a ningum nem sob tortura, mas a verdade  que 
sentia falta dos caprichos e ranhetices do seu antigo carro. 
Em velocidade  baixa,  saiu da  garagem e  seguiu pela  alameda  em 
curva, na direo dos portes de ferro. Eles se abriram para ela de par em 
par, de forma suave e silenciosa. 
As ruas naquele bairro exclusivo eram limpas e sossegadas. As rvo-
res do grande parque estavam cobertas por uma fina camada de gelo bri-
lhante, como uma malha de diamantes. Por trs das sombras, traficantes 
de  drogas qumicas e  violentos cobradores de  dvidas deviam estar en-
cerrando  os trabalhos da  noite,  mas naquela  vizinhana  havia  apenas 
prdios de pedra, avenidas largas e a quietude que precede o amanhecer. 
Ela  j  estava  vrios quarteires longe de  casa  quando  o  primeiro 
anncio luminoso surgiu, lanando luzes brilhantes e movimentos na noi-
te. Papai Noel, com as bochechas vermelhas e um sorriso largo demais, o 

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que imediatamente a fez imaginar um elfo gigantesco com overdose de 
Zeus, seguia pelo cu, atrs de suas renas, soltando  ho-ho-hos escandalo-
sos, ao mesmo tempo que avisava a populao sobre quantos dias falta-
vam para o Natal. 
 Sei, sei, j ouvi, seu gordo sem-vergonha  disse e franziu o ce-
nho, parada em um sinal vermelho. Jamais, em toda a sua vida, precisara 
se preocupar com as festas de fim de ano. At agora. Nos anos anteriores, 
tudo o  que tinha a fazer era encontrar qualquer coi-sinha ridcula para 
Mavis e algo comestvel para Feeney. 
No havia mais ningum em sua vida para quem embrulhar presen-
tes. 
Agora, que diabos ela poderia comprar para um homem que no  a-
penas tinha todas as coisas, como tambm era dono da maioria das fbri-
cas e montadoras que as produziam? Para uma mulher que preferia rece-
ber um soco a tirar uma tarde para compras, aquilo era um srio dilema. 
O Natal, decidiu ela, enquanto Papai Noel continuava a apregoar a 
variedade  de  lojas e  opes dos  shoppings areos  da  BigApple, era  um 
saco! 
Mesmo assim, seu nimo melhorou um pouco logo que ela alcanou 
o  trfego  previsivelmente lento  da Broadway.  Vinte  e  quatro  horas por
dia, sete dias por semana, a festa parecia eterna ali. As passarelas rolan-
tes estavam lotadas de  pedestres,  muitos deles bbados,  drogados ou
ambos.  Carrocinhas flutuantes que  vendiam comida  pareciam tremular
no ar gelado em meio  fumaa de churrasquinhos diversos. Quando um 
ambulante  conseguia  um ponto  naquela  rea,  segurava-o  com unhas e 
dentes. 
Ela abriu a janela do carro um pouquinho e sentiu o aroma das cas-
tanhas cozidas, dos cachorros-quentes de carne de soja, de fumaa e da 
multido de pessoas. Algum repetia uma ladainha a respeito do fim do 
mundo que se aproximava. Um taxista apertava a buzina com fora, colo-
cando-se muitos decibis acima das leis antipoluio sonora, enquanto os
pedestres se despejavam sobre a pista diante dos faris do seu carro.  A-
cima do  nvel  da  rua,  os primeiros nibus areos  e  alguns dirigveis de 

~ 12 ~ 
 



propaganda anunciavam as muitas atraes da cidade. 
Eve reparou o momento exato em que uma briga feroz teve incio 
entre duas mulheres. Eram acompanhantes autorizadas, avaliou ela. Este 
era um eufemismo para o termo prostitutas e elas precisavam defender o 
seu territrio com a mesma ferocidade dos vendedores de comidas e be-
bidas. Eve pensou em dar uma parada e separ-las, mas a lourinha der-
rubou a ruiva alta com um soco e saiu correndo como um coelho assusta-
do, misturando-se com a multido. 
Muito bem, aprovou Eve, quando viu a ruiva novamente em p, ba-
lanando  a  cabea  ainda  meio  atordoada,  enquanto  despejava  criativas 
obscenidades. 
Tudo aquilo, pensou Eve com afeio, era Nova York. 
Saiu do fluxo principal e virou, com certa tristeza, na relativa calma 
da Stima Avenida, para seguir rumo ao centro. Ela precisava voltar   a-
o,  pensou.  As semanas em que  ficara  parada,  recuperando-se,  deixa-
ram-na irritada e sentindo-se intil. Fraca. Ela dispensara a ltima sema-
na de licena mdica e insistira em passar pelo exame que a liberaria pa-
ra trabalhar. 
Passou por pouco nos testes e tinha conscincia disso. 
O fato, porm,  que passara e estava de volta ao trabalho. Agora s 
faltava convencer o comandante a tir-la de trs da mesa e envi-la no-
vamente para as ruas. A, ento, seria uma mulher feliz. 
Quando uma mensagem de rdio chegou, ela tentou no prestar a-
teno. Afinal, seu turno s ia comear oficialmente dali a trs horas. 
Ateno unidades que estejam nas imediaes: um cdigo 1222 foi re-
gistrado na Stima Avenida, nmero 6.843, apartamento 18-B. Ainda no
h confirmao  da  ocorrncia. Procurar  o morador  do apartamento 2-A.
Ateno todas as unidades nas imediaes da... 
Eve atendeu antes mesmo de a emergncia repetir o chamado. 
 Emergncia, aqui  a tenente Eve Dallas. Estou a dois minutos do 
local da ocorrncia e respondendo ao chamado. 
Positivo,  tenente  Eve  Dallas. Favor  reportar-se  assim que  chegar  ao 
local. 

~ 13 ~ 
 



 Afirmativo. Cmbio final. 
Ela  parou junto  ao  meio-fio  e  deu uma  olhada  no  prdio  acin-
zentado, todo revestido de ao. Algumas janelas estavam acesas, mas ela 
notou que  o  dcimo  oitavo  andar estava  todo  s escuras.  Cdigo  1222 
significava denncia annima relatando briga domstica. 
Eve saiu do carro e apalpou a lateral da cintura, por instinto, para se 
certificar de que a arma estava ali.  No se importava de enfrentar pro-
blemas logo cedo, mas no havia um policial sequer, vivo ou morto, que 
no detestasse resolver rixas domsticas.  
Nada agradava mais a um marido, mulher ou companheiro do mes-
mo sexo do que cair de pau em cima de um policial, um pobre coitado que 
chegava em sua casa s para tentar impedi-los de se matarem um ao ou-
tro por causa do dinheiro do aluguel, por exemplo. 
O fato de ela se oferecer como voluntria para resolver uma encren-
ca como aquela era reflexo da sua insatisfao com o trabalho burocrti-
co que vinha realizando. 
Eve subiu com agilidade o pequeno lance de escadas e tocou no  a-
partamento 2-A. 
Exibiu seu distintivo  quando  um homem a  atendeu,  falando  pela 
fresta  da  porta,  e  quase  o  esfregou  nos olhos midos que  apareceram 
quando ele a abriu. 
 Algum problema por aqui?  perguntou ela. 
 No sei. A polcia ligou para c. Sou o sndico, mas no sei de na-
da. 
  D  para  notar.    Ele  fedia a  roupa  suja e,  inexplicavelmente, 
queijo.  O senhor poderia me levar at o apartamento 18-B? 
 Para qu? Vocs da polcia tm um carto mestre para abrir por-
tas, no tm? 
 Temos. Tudo bem.  Eve deu uma olhada nele rapidamente: bai-
xinho, magricela, fedorento e apavorado.   Que tal me dar pelo menos
algumas dicas a respeito dos ocupantes do apartamento? 
 Mora apenas uma pessoa l. Mulher, solteira. Divorciada ou algo 
assim. Discreta, est sempre na dela. 

~ 14 ~ 
 



 So todas assim  murmurou Eve.  Sabe o nome da moradora? 
 Marianna Hawley. Tem uns trinta, trinta e cinco anos. Muito boni-
ta. Mora aqui h uns seis anos. Nunca deu problemas. Escute, eu no ouvi
nada, no vi nada, no sei de nada. So cinco e meia da manh, droga. Se 
ela quebrou alguma coisa do apartamento, quero ser informado. Se no 
quebrou, o que ela fez no  da minha conta. 
 Certo. .  Eve nem teve tempo de dizer alguma coisa para a porta 
que se fechou na sua cara.  Volte para a sua toca, seu cara de fuinha.  
Eve mexeu os ombros, exercitando-os ligeiramente, e atravessou o corre-
dor na direo do elevador. Assim que entrou, pegou o comunicador.   
Aqui  a tenente Eve Dallas. Cheguei ao local da ocorrncia na Stima  A-
venida. O sndico do prdio  um  man e j tirou o corpo fora. Torno a 
ligar assim que  interrogar Marianna  Hawlev,  residente do apartamento
18-B. 
Precisa de reforo, tenente? 
 No momento no. Dallas desligando. 
Enfiando o comunicador no bolso de trs da cala, saiu no dcimo 
oitavo andar. Com uma rpida olhada para o alto, reparou que as cmeras
de segurana estavam no lugar e funcionando. O corredor parecia silen-
cioso como uma igreja. Pelo tipo de decorao e pela localizao do pr-
dio,  deduziu que  a  maioria  dos moradores trabalhava  em escritrios e 
pertencia  classe mdia. Poucos deles iriam se levantar da cama antes
das sete da manh. Tomariam o seu desjejum s pressas e sairiam cor-
rendo para pegar o primeiro nibus areo ou o primeiro vago de metr 
em que conseguissem entrar. Os mais afortunados simplesmente se co-
nectariam com o escritrio para trabalhar a partir de casa mesmo. 
Algumas mulheres levariam as crianas para  a  escola.  Outras se 
despediriam do marido com um beijo e ficariam  espera do amante. 
Vidas comuns em um lugar comum. 
Passou-lhe pela cabea que havia grandes possibilidades de Roarke 
ser o dono do prdio inteiro, mas no elaborou a idia, pois j estava di-
ante do apartamento 18-B. 
A  luz  de  segurana  estava  verde.  Desativada.  Por instinto,  saiu da 

~ 15 ~ 
 



frente da porta e esticou o brao para apertar a campainha. No ouviu o 
som abafado  que  esperava  e  percebeu  que  o  apartamento  devia  ser  
prova de som. O que acontecia l dentro ningum ficava sabendo do lado 
de fora. Levemente irritada, pegou o seu carto mestre e digitou um cdi-
go para destrancar a fechadura eletrnica. 
Antes de entrar, gritou bem alto para alertar quem estivesse em ca-
sa. Nada pior, pensou, do que acordar algum e v-lo aparecer diante de-
la, assustado e com uma faca de cozinha ou uma arma de atordoar casei-
ra. 
  Sra.  Hawley?  Aqui   a  polcia!  Algum ligou informando  sobre 
problemas neste local. Acenda as luzes!  ordenou, e as lmpadas da sala 
de estar iluminaram todo o aposento. 
O ambiente era bonito e discreto. Cores suaves, estilo simples. No te-
lo estava passando um filme antigo. Duas pessoas incrvelmente atraen-
tes rolavam nuas sobre uma cama coberta com ptalas de rosa, gemendo 
de forma teatral. 
Havia  uma         bonbonnire  sobre  a  mesa,  diante do  sof  verde-
acinzentado.  Estava  cheia  at  a  boca  com jujubas aucaradas.  Castiais
prateados com velas vermelhas de vrias alturas, todas acesas, estavam 
ao lado das balas, formando um belo conjunto. 
A sala toda cheirava a amora e pinho. 
Eve notou de onde vinha o cheiro. Um lindo pinheirinho estava tom-
bado de lado, diante da janela. Suas luzinhas piscantes e os rostinhos de 
anjo que serviam de enfeite estavam esmagados, e alguns galhos haviam
sido quebrados. 
Pelo  menos uma  dzia  de  caixas embrulhadas para  presente  esta-
vam igualmente amassadas sob a rvore. 
Eve pegou a arma e circulou pela sala, devagar. 
No havia outros sinais de violncia, pelo menos ali. O casal na tela 
alcanara o clmax ao mesmo tempo, lanando gemidos guturais anima-
lescos. Eve passou direto pelo telo onde eles estavam e parou para escu-
tar com toda a ateno. 
Ouviu msica. Calma, alegre, montona. No identificou o nome da 

~ 16 ~ 
 



cano, mas sabia que era uma das insidiosas musiquinhas de Natal que 
tocavam em toda parte nas ltimas semanas de dezembro. 
Levantou a arma na direo de um corredor curto. Duas portas ape-
nas, ambas abertas. Em um dos cmodos, viu uma pia, um vaso sanitrio 
e a borda de uma banheira, todos em loua branca muito brilhante. Man-
tendo  as costas grudadas na  parede,  deslizou devagar  rumo    segunda 
porta, onde a msica continuava a tocar sem parar. 
Foi quando sentiu o cheiro de morte recente. Um aroma amargo e 
levemente adocicado. Escancarando a porta, viu de onde vinha. 
Entrou no quarto balanando o corpo para a direita e para a esquer-
da, com os olhos abertos e os ouvidos atentos. Sabia, porm, que estava 
sozinha com o que restara de Marianna Hawley. Mesmo assim, verificou o 
closet, olhou atrs das cortinas e saiu do quarto para fazer uma busca pe-
lo resto do apartamento antes de baixar a guarda. 
S ento se aproximou da cama. 
O sndico do 2-A tinha razo, pensou. A mulher era muito atraente. 
No  deslumbrante,  de  parar o  trfego,  mas tinha  belas feies,  cabelos 
castanho-claros e olhos verde-escuros. A morte ainda  no tivera tempo 
de lhe roubar a beleza. 
Seus olhos estavam surpresos, esbugalhados, como era comum em
mortes violentas. Seu rosto plido estava cuidadosamente maquiado com
cores suaves.  Seus clios estavam pintados e  a  boca  exibia  tonalidade 
vermelho-cereja. Um ornamento estava preso ao seu cabelo, logo acima 
da orelha direita  uma rvorezinha brilhante com um pssaro emplu-
mado dourado, pousado em um dos seus galhos. 
Estava nua, a no ser pelo broche e pelo festo prateado artistica-
mente enrolado ao redor do seu corpo. Eve perguntou a si mesma, ao  a-
nalisar a marca roxa em volta do pescoo, se o festo fora usado para es-
trangul-la. 
Havia  outras marcas roxas nos pulsos e  nos tornozelos,  indicando 
que a vtima provavelmente fora amarrada e tivera algum tempo para se 
debater antes da morte. 
Na caixa de som instalada ao lado da cama, um cantor continuava a 

~ 17 ~ 
 



entoar a musiquinha, desejando a todos um feliz Natal. 
Dando um suspiro, Eve pegou o comunicador. 
  Emergncia,  aqui fala  a  tenente  Eve  Dallas.  Temos um caso  de 
homicdio. 



 Que jeito terrvel de comear o dia!  A policial Peabody disfarou um 
bocejo e analisou a vtima com olhos atentos e muita percia. Apesar de 
ainda  ser terrivelmente cedo, o uniforme de Peabody estava impecvel, 
muito bem passado, e seus cabelos castanhos cortados bem curtos e retos
estavam todos espantosamente no lugar. 
A nica coisa que indicava que ela fora rudemente arrancada da ca-
ma era o vinco do travesseiro na bochecha esquerda. 
 Que jeito terrvel de acabar o dia  murmurou Eve.  O exame 
preliminar determinou que a morte ocorrera exatamente  meia-noite.  
Moveu-se para o lado, a fim de deixar a equipe de legistas verificar os da-
dos.  Tudo indica que a causa da morte foi estrangulamento. A ausncia 
de  outros ferimentos nos leva  a  crer que  a  vtima no comeou a lutar 
para se defender at estar bem amarrada. 
Com cuidado, Eve levantou o tornozelo esquerdo da morta e exami-
nou a pele lacerada. 
 Leses vaginais e anais indicam que ela foi violentada sexualmen-
te antes de ser morta. O apartamento   prova de som. Ela deve ter se 
esgoelado. 
 Mas eu no vi nenhum sinal de entrada forada nem de luta na 
sala de estar, exceto pela rvore de Natal tombada. Ela parece ter deixado 
o assassino entrar deliberadamente. 
Eve concordou, lanando um olhar de aprovao para Peabody. 
 Bom olho o seu. V procurar o homem do apartamento 2-A, Pea-
body, e recolha os discos com as gravaes do sistema de segurana deste 
andar. Vamos ver quem veio visit-la. 
 Agora mesmo! 
 Coloque dois guardas para interrogar os vizinhos  acrescentou 

~ 18 ~ 
 



Eve enquanto se encaminhava para o  tele-link ao lado da cama.    E al-
gum, por favor, quer desligar essa droga de musiquinha? 
 Parece-me que o seu esprito de Natal j est desligado, senhora! 
 Peabody apertou o boto do som com fora, usando um dedo protegi-
do por spray selante. 
 Acho o Natal um p no saco! Vocs j acabaram aqui?  quis sa-
ber ela, dirigindo-se  equipe de legistas.  Vamos virar o corpo antes de 
ensac-lo. 
O sangue descera para a parte de trs do corpo e se acomodara nas 
ndegas, conferindo-lhes um tom doentio de vermelho. A bexiga e os in-
testinos haviam se  esvaziado com os estertores. Atravs da camada  se-
lante que cobria suas mos, Eve sentiu a textura tpica de boneco de cera 
que se instalara na pele. 
  Isso aqui parece bem recente    murmurou.    Peabody, grave 
esta  imagem antes  de  descer.    Eve  analisou a  brilhante  tatuagem na 
omoplata  direita  da  vtima,  enquanto  Peabody  chegava  a  cmera  bem 
perto para grav-la com detalhes. 
  Meu Verdadeiro  Amor.    Peabody apertou os lbios ao  ler a 
mensagem com tinta vermelha tatuada em letras que pareciam ter sido 
feitas  mo sobre a pele muito branca. 
  Acho  que    uma  tatuagem temporria.    Eve  se  inclinou mais, 
at o nariz quase encostar no ombro e cheirou o local.  Foi aplicada h 
bem pouco tempo. Vamos verificar que salo ela freqentava. 
 Uma perdiz numa pereira. 
 O qu?  Eve se empertigou e levantou uma sobrancelha ao  o-
lhar para sua auxiliar. 
 No cabelo da vtima, o prendedor colocado ali. No primeiro dia de 
Natal. .    cantarolou Peabody e,  ao  perceber que  Eve  continuava  sem
expresso  alguma  no  rosto,  informou:     uma  velha  cano  de  Natal, 
tenente. O nome  Os Doze Dias do Natal. O autor envia ao seu verda-
deiro amor um presente para cada dia, comeando com uma perdiz numa 
pereira. 
  Mas para que diabos algum vai se interessar por um presente 

~ 19 ~ 
 



desses? O que se faz com uma perdiz numa pereira? Que presente idiota! 
 Uma terrvel suspeita, porm, j se instalara em seu estmago.  Va-
mos torcer para que esta aqui seja o nico amor verdadeiro do assassino. 
Entregue-me essas gravaes e depois pode ensac-la  ordenou e ento 
foi novamente at o tele-link ao lado da cama. 
Enquanto o corpo era removido, Eve ordenou que aparecessem na 
tela  todas as transmisses feitas e  recebidas pelo  aparelho  nas ltimas 
vinte e quatro horas. 
A primeira fora feita daquele aparelho mesmo, logo depois das seis 
da tarde do dia anterior  um papo alegre entre a vtima e a sua me. Ao 
ouvir a conversa e analisar o rosto sorridente da me, Eve pensou como 
aquela mulher iria reagir ao receber a notcia de que a filha estava morta. 
A nica outra transmisso viera de fora. Um sujeito boa-pinta, avali-
ou Eve, olhando para o rosto que surgira na tela. Trinta e poucos anos, 
sorriso fcil, olhos castanhos sensveis e profundos. Jerry foi como a vti-
ma o chamou. Ou simplesmente Jer. Muitas insinuaes e trocadilhos de 
cunho sexual entre eles. Um amante talvez. Quem sabe o seu verdadeiro 
amor? 
Eve removeu o disco, lacrou-o e o guardou na bolsa. Localizou a  a-
genda eletrnica de Marianna, seu tele-link porttil e um caderninho de 
endereos guardado na escrivaninha que ficava embaixo da janela. Uma 
olhada entre os nomes anotados levou-a a um certo Jeremy Vandoren. . o 
tal Jerry. 
Sozinha no local do crime, Eve tornou a olhar para a cama. Os len-
is sujos e manchados de sangue estavam embolados ao p do mvel. As 
roupas que haviam sido retiradas da vtima com tanto cuidado estavam 
largadas no cho para serem recolhidas pelo pessoal da percia. O apar-
tamento estava em silncio total. 
Ela  deixou o  assassino  entrar,  avaliou Eve.  Abriu a  porta  para  ele. 
Ser que ela fora para o quarto com ele por livre e espontnea vontade ou 
ele a subjugara a fim de conseguir isso? O relatrio do exame toxicolgico 
iria revelar se havia alguma substncia ilegal em sua corrente sangnea. 
Depois que j estavam no quarto, ele a amarrou. Os ps e as mos, 

~ 20 ~ 
 



provavelmente prendendo as cordas nos quatro pilares no muito altos
da cama, deixando-a com os braos e as pernas abertos, como se fosse um 
banquete. 
S  ento  ele  retalhara  as suas roupas. Com todo  o  cuidado,  sem 
pressa. O ritual no ocorrera sob a ao de fria, nem fora um impulso de 
carncia desesperada. Foi calculado, planejado e executado de forma or-
denada.  Ento  ele  a  estuprou e  sodomizou,  porque  podia faz-lo.  Tinha 
todo o poder nas mos. 
Ela provavelmente lutara contra aquilo, gritara e implorara. Ele cur-
tiu tudo, porque se alimentava com esse tipo de coisa. Estupra-dores ge-
ramente eram assim, pensou, inspirando vrias vezes com fora para evi-
tar  ue a mente vagasse em direo ao prprio pai.  
Quando acabou de atac-la, ele a estrangulara, observando com toda 
a ateno os seus olhos saltarem das rbitas. Ento ele penteara os seus 
cabelos,  pintara  o  seu rosto  e  a  enfeitara  com o  alegre  fes-to  natalino 
prateado. Ser que ele trouxera o prendedor de cabelo com ele ou a pea 
pertencia  a  ela?  Ser  que  a  tatuagem fora  feita  anteriormente  a  mando 
dela, por diverso, ou o assassino lhe enfeitara o corpo pessoalmente? 
Caminhou at o banheiro junto ao quarto. Os azulejos brancos bri-
lhavam como gelo e dava para sentir no ar um leve cheiro de desinfetan-
te. 
Ele  se  limpara  ali depois que  acabou,  decidiu Eve.  Provavelmente 
tomara  at  um banho,  talvez  at  mesmo  se  enfeitara,  para  em seguida 
limpar o cho todo e deixar o lugar sem vestgio algum.  
De  qualquer modo,  ela  mandaria os  peritos examinarem tudo.  Um 
nico plo pubiano j serviria para incrimin-lo. 
A vtima tinha uma me que a amava, refletiu Eve. Uma me que ria 
com ela, fazia planos para as frias e falava de biscoitos caseiros. 
 Senhora? Tenente?  
Eve  olhou para  trs,  por sobre  o  ombro,  e  viu Peabody parada  no 
meio do corredor. 
 O que foi?  
 J peguei os discos da segurana. Dois policiais j comearam a 

~ 21 ~ 
 



interrogar os vizinhos.  
 Muito bem.  Eve passou as mos sobre o rosto.  Vamos aca-
bar de lacrar o local e levar tudo para a central. Preciso informar  me 
da vtima.  Colocou a bolsa no ombro e pegou o kit de servio, comple-
tando:  Voc tem razo, Peabody. Que jeito terrvel de comear o dia!  















































~ 22 ~ 
 


















??J 
 








CAPTULO DOIS 








 localizou o nmero do tele-linkdo namorado dela?  
 
  Sim, senhora. Jeremy Vandoren. Mora na Segunda  A-
venida  e  trabalha  como  analista  financeiro  na  firma  Foster, 
Bride & Rumsey, em Wall Street.  Peabody olhou para o notebook en-
quanto  transmitia o  resto  das informaes.    Divorciado,  atualmente 
solteiro, trinta e seis anos. Um espcime muito atraente do sexo masculi-
no. Senhora.  
 Hummm.  Eve colocou um dos discos da segurana para repro-
duzir no computador de sua mesa.  Vamos averiguar se esse atraente 
espcime masculino fez uma visitinha  namorada na noite passada. 
 Aceita um pouco de caf, tenente? 
 O qu? 
 Aceita um pouco de caf? 
 Se quer tomar caf, Peabody,  s dizer  resmungou Eve, estrei-
tando os olhos enquanto olhava o vdeo. 
Pelas costas de Eve, Peabody girou os olhos de irritao e disse: 
 Tenente, eu quero tomar caf. 
 Ora, sirva-se logo. . e j que voc vai pegar caf aproveite e traga 
um para mim tambm. Veja s, vtima entrando em casa s dezesseis e 
quarenta e cinco. Pausar disco!  ordenou Eve, para poder dar uma boa 
olhada em Marianna Hawley. 
 
 



Muito arrumada, bonita, jovem, os cabelos castanhos brilhantes co-
bertos por uma boina vermelha que combinava perfeitamente com o ca-
saco tambm vermelho e o brilho das botas elegantes e caras. 
 Ela voltava das compras  comentou Peabody, colocando a ca-
neca de caf ao lado do cotovelo de Eve. 
 Isso mesmo. E fez compras na Bloomingdales. Continuar o vdeo! 
 disse Eve, com a voz um pouco mais alta, observando Marianna trocar
as sacolas de mo e procurar pelo carto-chave. Sua boca se movia, per-
cebeu Eve. Falava sozinha. No, notou em seguida, Marianna estava can-
tando. Nesse momento a mulher jogou os cabelos para trs, trocou as sa-
colas de mo mais uma vez, entrou em casa e fechou a porta. 
A luz vermelha de segurana acima do portal imediatamente se  a-
cendeu, trancando a porta. 
Conforme o disco continuava a passar em velocidade acelerada, Eve 
viu outros vizinhos entrando e saindo, alguns sozinhos, outros acompa-
nhados. Vidas comuns que seguiam em frente. 
 Ela ficou em casa na hora do jantar  afirmou Eve, olhando ago-
ra para dentro do apartamento atravs da porta, com os olhos da imagi-
nao. 
Conseguia  ver Marianna  movimentando-se  despreocupada  por en-
tre os cmodos, usando a cala simples azul-marinho e o suter branco 
que mais tarde seria cortado e arrancado do seu corpo. 
Deve estar ligando o telo para no se sentir muito sozinha. Agora a-
bre o closet, pendura o casaco vermelho, guarda a boina em uma prateleira
e as botas na sapateira. Em seguida guarda as sacolas de compras. 
Era uma mulher organizada que gostava de coisas bonitas e se pre-
parava para uma noite sossegada em casa. 
 Preparou uma sopa exatamente s sete horas, de acordo com os 
registros do  AutoChef.    Eve  tamborilava  sobre  a  mesa  com as unhas
curtas e sem pintura enquanto continuava a observar o corredor do an-
dar.  Sua me ligou, e depois ela ligou para o namorado. 
Enquanto remontava na cabea a seqncia dos acontecimentos e o 
tempo  que  cada  um levara,  viu as portas do  elevador se  abrirem.  Suas

~ 24 ~ 
 



sobrancelhas se ergueram tanto, que quase sumiram por trs das pontas 
de franja do cabelo. 
 Ora, ora. Ho-ho-ho! O que temos aqui? 
 Papai Noel!  Sorrindo, Peabody se inclinou para a frente na di-
reo da tela, por trs de Eve.  E est trazendo um presente. 
O homem com roupa vermelha e barba muito branca trazia consigo 
uma caixa imensa embrulhada em papel prateado e arrematada com um 
elaborado lao dourado e verde. 
 Parar! Pausa! Ampliar do setor dez at o cinqenta em trinta por 
cento! 
A  tela  se  moveu.  A  seo  que  Eve  determinara  se  separou da  tela 
principal  e  se  ampliou em primeiro  plano.  Espetada  bem no  centro  do 
lao chamativo estava um prendedor de cabelo comprido com um pssa-
ro emplumado dourado pousado sobre uma rvore prateada. 
 Que filho-da-me! Veja s que filho-da-me, esse enfeite  o troo 
que estava preso no cabelo dela. 
 Mas..  ele  o Papai Noel! 
 Ei, se liga, Peabody. Continue a passar em cmera lenta. Ele est 
se encaminhando para a porta dela  murmurou Eve, acompanhando a 
sorridente figura que levava o pacote brilhante at ela chegar diante da 
porta  do  apartamento  de  Marianna.  Apertou a  campainha  com o  dedo 
enluvado,  esperou um segundo  e  ento  jogou a  cabea  para  trs e  deu
uma gargalhada. Quase no mesmo instante, Marianna abriu a porta, com 
o rosto radiante e os olhos brilhando de alegria. 
Ajeitou o cabelo para trs da orelha com uma  das mos e deu um 
passo para o lado, escancarando a porta por completo em um convite. 
Papai Noel virou a cabea rapidamente para o lado e olhou direto 
para  a  cmera  de  segurana.  Lanou um generoso  sorriso  e  piscou um
olho. 
  Congelar a  imagem!  Que  safado.  Um  canalha  metido  a  esperto. 
Imprimir essa imagem congelada!  ordenou  mquina enquanto estu-
dava o rosto redondo, as bochechas muito vermelhas e os olhos brilhan-



~ 25 ~ 
 



tes, profundos e azuis.  Ele sabia que assistiramos  gravao dos dis-
cos de segurana e o veramos. Est curtindo com a nossa cara. 
 Mas ele est vestido com a fantasia de Papai Noel.  Peabody se 
espantou e ficou com o queixo cado diante da imagem.  Isso  horrvel. 
Isso est. . muito errado. 
 O que est errado? Voc acha que tudo seria mais apropriado se 
ele estivesse vestido com fantasia de Diabo? 
 Sim..  no.  Peabody encolheu os ombros e girou o p, sem gra-
a.   que isso  simplesmente. . Puxa  realmente um ato doentio. 
 E tambm um ato muito esperto.  Com os olhos sem expresso, 
Eve esperou at a imagem acabar de ser impressa.    Quem  que tem
coragem de bater a porta na cara de Papai Noel? Continuar gravao! 
A porta foi fechada atrs deles e o corredor permaneceu vazio.  
O  relgio  que  corria  na  base  da  tela  marcava  vinte  e  uma  horas e 
trinta e trs minutos.  
Ento ele no tivera pressa, refletiu Eve. Levou quase duas horas e 
meia. A corda com que a amarrara e as outras coisas que poderia ter pre-
cisado deviam estar dentro do presente grande e enfeitado. 
s onze horas, um casal saiu do elevador rindo muito; os dois pare-
ciam meio altos por efeito de bebida e seguiram de braos dados, passan-
do direto pela porta de Marianna sem saber o que ocorria do lado de den-
tro. 
Medo e dor. 
Morte. 
A porta tornou a se abrir  meia-noite e meia. O homem com a fanta-
sia vermelha saiu, ainda carregando a caixa de presente prateada e exi-
bindo um sorriso largo, quase feroz, por entre as bochechas vermelhas. 
Novamente olhou direto para a cmera, mas agora um ar de loucura bri-
lhava em seus olhos. 
Seguiu danando por toda a extenso do corredor, at alcanar o e-
levador. 
 Fazer cpia do disco do arquivo Hawley. Caso nmero 25176-H. 
Quantos dias de Natal voc disse mesmo que eram, Peabody? Na cano? 

~ 26 ~ 
 



 Doze.  Peabody tentou aliviar sua garganta seca e dolorida com 
caf.  Doze dias. 
  Ento   melhor descobrirmos se  Marianna  Hawley  era  o  nico 
verdadeiro amor desse Papai Noel ou se havia outras onze  disse Eve e 
se levantou da cadeira.  Vamos conversar com o namorado dela. 



Jeremy Vandoren  trabalhava  em uma  pequena baia  entre  inmeras ou-
tras tantas que pareciam uma colmia. Seu cubculo tinha uma estao de 
trabalho grande o bastante apenas para acomodar o computador, um fo-
ne de comunicao e uma cadeira de trs ps com rodas. Presos nas pe-
quenas paredes estavam grficos da Bolsa de Valores, uma programao 
de teatro, um carto de Natal que mostrava uma mulher de seios fartos 
vestindo apenas flocos de neve estrategicamente colocados e uma foto-
grafia de Marianna Hawley. 
Ele mal levantou os olhos ao perceber que Eve entrara em seu espa-
o; levantou uma das mos para faz-la esperar e continuou a trabalhar
freneticamente no teclado do computador usando dedos geis ao mesmo 
tempo que falava sem parar a um microfone preso  cabea. 
 A Comstat est a 5.8; a Kenmart caiu trs pontos e trs quartos. 
No, as Indstrias Roarke acabam de dar um salto de seis pontos. Os ana-
listas apostam que vo subir mais dois at o final do prego. 
Eve levantou uma sobrancelha e enfiou as duas mos nos bolsos das 
calas. Ela estava ali parada, esperando para conversar sobre um assassi-
nato enquanto, naquele mesmo instante, Roarke ganhava milhes. 
Era meio esquisito. 
 Fechado!  Vandoren apertou uma tecla e uma srie de nmeros 
e  smbolos misteriosos subiu pela  tela.  Ela  o  deixou brincando  ali por
mais uns trinta segundos, e ento pegou o distintivo e o colocou diante do 
rosto dele. 
Ele piscou duas vezes e s ento se virou e focou os olhos no rosto 
dela. 



~ 27 ~ 
 



 J entendi. Est definido, ento. Com certeza. Obrigado.  despe-
diu-se ele pelo microfone.  Com um sorriso intrigado, ligeiramente ner-
voso nos cantos da boca, Vandoren arrancou o fone da cabea e o colocou 
sobre a mesa.  Ahn..  o que posso fazer pela senhora, tenente? 
 Voc  Jeremy Vandoren? 
  Sou.    Seus olhos castanhos passaram por ela,  seguiram em 
frente, analisando Peabody, e ento voltaram para o rosto de Eve.  Es-
tou em apuros? 
 O senhor fez algo ilegal, sr. Vandoren? 
  No  que  eu me  lembre.    Tentou sorrir  novamente,  formando 
uma covinha no canto da boca.  Ser que aquele chocolate que eu rou-
bei do armazm quando tinha oito anos voltou para assombrar a minha 
vida? 
 O senhor conhece Marianna Hawley? 
 Marianna? Claro. No me diga que foi ela que roubou chocolates 
de alguma loja.  Ento, de forma abrupta, como uma luz que se apaga, o 
sorriso desapareceu.  O que foi? Aconteceu alguma coisa? Ela est bem? 
De repente ele j se levantara da cadeira e lanava os olhos por cima 
dos outros cubculos em volta, como se esperasse v-la chegando. 
 Sr. Vandoren, eu sinto muito.  Eve jamais conseguira encontrar 
um jeito suave de dar uma notcia como aquela, por isso falou de forma 
direta:  A srta. Hawley est morta. 
 No, no. . claro que no   garantiu ele, tornando a focar os o-
lhos castanhos em Eve.    No  est  no!  Isso    um absurdo!  Conversei
com ela ontem  noite. Vamos nos encontrar para jantar hoje, s sete ho-
ras. Ela estava tima. Deve ter havido algum engano. 
 No  engano, senhor. Sinto muito   repetiu Eve, enquanto ele 
continuava a olhar para ela fixamente.  Marianna Hawley foi assassina-
da na noite passada, em seu apartamento. 
  Marianna?  Assassinada?    Continuou a  balanar a  cabea  lenta-
mente, com incredulidade, como se aquelas duas palavras tivessem sido 
ditas em outro idioma.  Isso  definitivamente um engano. Um engano. 



~ 28 ~ 
 



 Virou-se, transtornado, e tateou entre os papis da sua mesa em busca 
do tele-link.  Vou ligar para ela agora mesmo, ela est no trabalho. 
 Sr. Vandoren.  Eve colocou a mo com firmeza sobre o ombro de-
le e o obrigou a se sentar. Como no havia lugar onde ela tambm pudes-
se se sentar diante dele, contentou-se em apoiar o quadril na mesa para 
que seus rostos ficassem quase no mesmo nvel.   Escute. . Ela j foi i-
dentificada pelas digitais e pelo DNA. Eu gostaria que o senhor me acom-
panhasse agora para fazer o reconhecimento do corpo. 
  Reconhecimento  do  corpo. .    Ele  se  levantou da  cadeira,  como 
que impulsionado por uma mola, e seu cotovelo esbarrou de leve no om-
bro de Eve, provocando-lhe uma fisgada no local ainda dolorido.  Sim, 
eu vou acompanhar a senhora sim, pode ter certeza que vou! Porque no 
 ela. No  Marianna! 
O necrotrio no era um lugar festivo. O fato de algum muito otimista 
ou dotado de um macabro senso de humor ter espalhado 
um fino festo dourado e cheio de falhas s servia para acrescentar um ar
de deboche diante da morte.  
Eve ficou do lado de fora da sala, observando a cena atravs do vi-
dro,  como  j  fizera  tantas vezes.  E  sentiu,  como  sentira  outras vezes,  o 
duro golpe provocado pelo choque que atingiu o rapaz ao seu lado no ins-
tante em que ele viu Marianna Hawley deitada sobre uma mesa fria do 
outro lado do vidro. 
O lenol que a cobria at o queixo certamente fora jogado s pressas 
sobre o seu corpo para esconder dos amigos, da famlia e dos entes que-
ridos a pattica nudez dos mortos, as marcas da inciso em Y da autpsia 
e a etiqueta pendurada no dedo que dava ao corpo um nome e um n-
mero. 
 No.  Sentindo-se impotente, Vandoren pressionou o vidro com 
as duas mos espalmadas.  No, no, no pode ser. Marianna! 
Com carinho e cuidado, Eve pousou a mo em seu ombro. Ele tremia
violentamente por dentro; as mos sobre o vidro haviam se fechado com
fora e davam uma srie de pancadinhas na superfcie gelada. 



~ 29 ~ 
 



 Simplesmente acene com a cabea para a frente, caso tenha cer-
teza de que se trata de Marianna Hawley  pediu Eve. 
Ele acenou e, ento, comeou a chorar. 
 Peabody, procure uma sala vazia para ns e pegue um pouco d'-
gua  para  ele.    Enquanto  falava,  Eve  se  viu abraada  pelo  rapaz,  seus 
braos colocando-se em torno dela e seu rosto  largando-se sobre o seu 
ombro. O corpo dele estava curvado para a frente, totalmente apoiado no 
dela e pressionando-o com o peso da sua dor. 
Ela o deixou se apoiar nela, fazendo um sinal para que o tcnico por
trs do vidro acionasse a tela de privacidade que faria desaparecerem as
imagens do outro lado. 
 Vamos, Jerry, venha comigo agora.  Eve manteve um brao em 
torno  dele,  dando-lhe  apoio  e  imaginando  que  preferia  enfrentar uma 
arma de atordoar em fora mxima a lidar com o sentimento de luto. No 
havia consolo par os que eram deixados para trs. 
Nenhuma mgica nem cura. Mesmo assim ela murmurava alguma coisa 
para ele, enquanto o carregava ao longo do corredor de paredes azuleja-
das at o local onde Peabody aguardava.  
 Podemos usar esta sala aqui  avisou Peabody baixinho.  Vou 
pegar a gua. 
 Vamos nos sentar um pouco, sr. Vandoren.  Depois de ajud-lo 
a se sentar em uma cadeira, Eve pegou um leno no bolso da jaqueta e o 
colocou entre as mos dele.  Meus psames  disse ela, como sempre 
fazia. E sentiu a inadequao das palavras, como sempre sentia. 
 Marianna. Por que algum iria atacar Marianna? Por qu?! 
 O meu trabalho  descobrir isso. E vou faz-lo. 
Algo no tom das palavras de Eve o fez levantar a cabea na direo 
dela. Os olhos dele estavam muito vermelhos e desolados. Com evidente 
esforo, obrigou-se a respirar fundo, antes de afirmar: 
 Eu..  Ela era to especial.  Enfiou a mo no fundo do bolso e ti-
rou l de dentro uma caixinha de veludo.  Eu ia oferecer isto a ela hoje 
 noite. Havia planejado esperar at a vspera de Natal, porque Marianna 



~ 30 ~ 
 



adorava essa data, mas no consegui esperar. No dava mais para espe-
rar. 
Suas mos tremiam muito no momento em que abriu a caixinha pa-
ra mostrar a Eve o lindo diamante brilhante e muito bem lapidado sobre 
um anel de noivado. 
 Eu ia propor casamento a ela hoje  noite, e ela aceitaria. Ns nos 
amvamos. O que aconteceu foi..   Com todo o cuidado, tornou a fechar 
a caixa com a jia e a recolocou no bolso.  Foi um caso de roubo? 
 Acreditamos que no. H quanto tempo a conhecia? 
 Seis meses, quase sete.  Olhou para Peabody assim que ela en-
trou, estendendo-lhe um copo d'gua.  Obrigado. .  Ele pegou o copo, 
mas no bebeu.  Foram os seis meses mais felizes da minha vida. 
 Como vocs se conheceram? 
 Atravs da ntimo e Pessoal. Trata-se de uma agncia de encon-
tros. 
  O  senhor utiliza  os servios de  uma  agncia  de  encontros?   
perguntou Peabody, sem conseguir disfarar a surpresa. 
  Foi um impulso    confirmou ele, encolhendo os ombros e sol-
tando um suspiro.  Passo a maior parte do tempo no trabalho e no te-
nho muita chance de sair. Divorciei-me h dois anos e acho que me tornei
mais nervoso com as mulheres a partir da. A verdade  que nenhuma das
mulheres que  conheci desde  o  divrcio. .  nenhuma  delas me  provocou
aquele  clique.  Certa  noite  eu vi o  anncio  da  agncia  de  encontros e 
pensei: O que custa tentar? Mal no vai fazer. 
Nesse momento, ele bebeu um pouco dgua, apenas um gole que fez 
a sua garganta se aliviar. 
 Marianna foi a terceira das primeiras cinco escolhas que o siste-
ma apresentou. Eu sa com as duas primeiras. Tomamos alguns drinques, 
mas ficou apenas nisso. No encontrei nada nelas. Quando conheci Mari-
anna, porm, encontrei tudo. 
Ele fechou os olhos e lutou para manter o controle. 




~ 31 ~ 
 



 Ela  to. . maravilhosa  continuou.  Tem tanta energia e en-
tusiasmo. Adorava o trabalho, o seu apartamento, e se empolgava muito 
com o grupo de teatro que freqentava. Ela faz teatro amador, s vezes. 
Eve reparou no jeito com que ele alternava o verbo no tempo passa-
do e no tempo presente, indo e voltando. Sua mente estava tentando se 
acostumar com a  realidade,  mas ainda  no  estava  pronta  de  todo  para 
isso.  E ento vocs comearam a sair juntos  acrescentou Eve, incen-
tivando-o a falar. 
 Sim. Combinamos de nos encontrar para alguns drinques, apenas 
drinques, para nos conhecermos melhor. Acabamos indo jantar, continu-
amos juntos e depois emendamos com um caf, j quase de manh. Fala-
mos muito, durante muitas horas. Nenhum de ns reparou em mais nin-
gum durante toda a noite. Tudo se resumia a ns dois, apenas ns dois.  
 E ela se sentia do mesmo modo que voc? 
 Sim. Mas resolvemos ir devagar. Mais alguns jantares, idas ao tea-
tro.  Ns adorvamos teatro.  Comeamos a  passar as tardes de  sbado 
juntos. amos a uma matin, a um museu ou simplesmente dvamos uma 
caminhada. Fomos at a cidadezinha em que ela nasceu para eu conhecer 
a sua famlia. No feriado de Quatro de Julho ela conheceu a minha, pois a 
levei at l. Minha me nos preparou um jantar. 
Seus olhos saram de foco e se fixaram em algum ponto distante e 
indeterminado que s ele conseguia ver. 
 Ela no estava saindo com mais ningum durante esse perodo? 
 No. Havamos feito um trato a respeito disso. 
  Sabe dizer se algum a estava importunando, um ex-namorado, 
um antigo amante? O ex-marido? 
 No, tenho certeza de que ela teria me contado se isso estivesse 
acontecendo.  Conversvamos a  respeito  de  tudo,  o  tempo  todo.  No  t-
nhamos segredos um com o outro.   Seus olhos pareceram clarear um
pouco e o tom castanho deles se tornou duro como cristal.  Por que a 
senhora perguntou isso? Ela? Marianna. . o assassino a. . Deus do cu!  
Largada sobre o joelho, sua mo formou uma bola, com os punhos bem
fechados.  Ele a estuprou antes, no foi? O canalha filho-da-puta a estu-

~ 32 ~ 
 



prou. Eu devia estar com ela naquele momento.  Atirou o copo descar-
tvel longe com fria, fazendo com que a gua se espalhasse pelo cho, e 
ento se levantou subitamente.  Eu deveria estar com ela naquele mo-
mento. Nada disso jamais teria acontecido se eu estivesse com ela. 
 E onde voc estava, Jerry? 
 O qu?! 
 Onde estava ontem, entre nove e meia e meia-noite? 
 Acho que eu..   Parou de falar, levantando a mo em um gesto 
impotente e fechando os olhos em seguida. Por trs vezes inalou e exalou, 
de  forma  compassada.  Ento  tornou a  abrir os olhos,  que  continuavam 
lmpidos.  Est certo. A senhora precisa se certificar de que no fui eu, 
para poder ento descobrir quem foi. Tudo bem.  por ela. 
 Exato.  Observando-o com ateno, Eve sentiu uma nova onda 
de pena dele.  Como voc diz,  por ela. 
 Eu estava em casa, no meu apartamento. Trabalhei um pouco, fiz 
algumas ligaes pelo  tele-link, e ento fiz algumas compras de Natal on-
line. Tornei a confirmar as reservas para o jantar de hoje  noite porque 
estava nervoso. Queria. .  pigarreou para limpar a garganta.  Eu que-
ria que fosse uma noite perfeita. Depois liguei para a minha me.   Le-
vantando as mos, esfregou-as com fora sobre o rosto.  Precisava con-
tar as novidades para algum. Minha me adorou a notcia e ficou feliz, 
muito empolgada. Ela era louca por Marianna. Creio que j devia passar
de dez e meia a essa altura. A senhora pode verificar os registros do meu 
tele-link, mexer no meu computador, qualquer coisa que precise investi-
gar. 
 Certo, Jerry. 
 Tenente, a senhora j. . A famlia dela, eles j sabem? 
 Sim, eu falei com os pais dela. 
 Preciso ligar para eles. Provavelmente vo querer que ela v para 
casa.  Seus olhos tornaram a ficar rasos d'gua e transbordaram, mas 
ele continuou a olhar fixamente para Eve enquanto as lgrimas lhe desci-
am pelo rosto.  Vou lev-la para casa. 



~ 33 ~ 
 



 Vou providenciar para que ela seja liberada o mais depressa pos-
svel. Quer que entremos em contato com mais algum? 
 No. Tenho que dar a notcia aos meus pais. Preciso ir.  Ele se 
virou em direo  porta e pediu, sem olhar para trs:  Encontre quem
fez isso, tenente. Descubra quem a atacou dessa forma. 
 Farei isso. Ahn, Jerry, uma ltima pergunta. 
 Diga.  Acabou de enxugar o rosto com as mos e se virou na di-
reo de Eve. 
 Marianna tinha uma tatuagem? 
 Marianna?  Ele deu uma risada curta que mais pareceu um so-
luo  lhe  arranhando  a  garganta.    No.  Ela  era  do  tipo  conservadora. 
No usava nem mesmo tatuagens temporrias. 
 Tem certeza disso? 
  ramos amantes,  tenente.  Estvamos apaixonados.  Eu conhecia 
bem o corpo dela. Conhecia tambm a sua mente e o seu corao. 
 OK. Obrigada.  Esperou at que ele sasse, e no disse nada en-
quanto no ouviu a fechadura se fechar com um clique suave atrs dele. 
 Quais so as suas impresses, Peabody? 
 O pobrezinho est com o corao em frangalhos. 
 Concordo. S que tem gente que mata a pessoa que ama. Mesmo 
com os registros do tele-link, o libi dele no  dos melhores. 
 Ele no se parece nem um pouco com Papai Noel. 
Eve sorriu de leve. 
 Pois eu garanto, Peabody, que a pessoa que a matou tambm no 
vai se parecer com o bom velhinho. Se fosse esse o caso, garanto que ele 
no ficaria to feliz em posar para a cmera. Enchimentos na barriga, len-
tes de contato, maquiagem, barba e peruca. Coloque tudo isso e qualquer
um vai se parecer com Papai Noel.  No foi ele, avaliou Eve. No momen-
to, porm, ela s podia contar com a intuio.  Vamos verificar o lugar
onde ela trabalhava para encontrar os seus amigos e possveis inimigos. 

* * * 



~ 34 ~ 
 



Amigos, pensou Eve mais tarde, eram o que Marianna parecia possuir em 
grande quantidade. Inimigos, pelo visto, nenhum. 
A imagem que comeou a aparecer era a de uma mulher feliz, extro-
vertida, que gostava do trabalho e era muito chegada  famlia, embora 
curtisse o ritmo e a agitao da cidade grande.  
Tinha um grupo fechado de amigas, um fraco por compras e um pro-
fundo amor pelo teatro. De acordo com todas as fontes pesquisadas, tinha 
um relacionamento estvel, exclusivo e feliz com Jeremy Vandoren. 
Estava danando no ar de tanta felicidade. 
Todos que a conheciam a adoravam. 
Tinha um corao aberto e confiante. 
Enquanto dirigia de volta para casa, Eve deixou que as declaraes 
dos amigos e  colegas  ecoassem em  sua  cabea.  Ningum via  defeito  al-
gum em Marianna.  Nenhuma  das pessoas fizera  um comentrio  irnico 
ou insinuara  alegria pela  perda,  como  algumas vezes acontecia  com os 
vivos em relao aos mortos. 
No entanto, algum no concordava com nada daquilo, algum que a 
matara de forma fria e calculada, muito cuidado e, se o brilho nos olhos
do assassino servia de indicao, uma espcie de alegria tambm. 
Meu Verdadeiro Amor. 
Sim..  pelo visto, algum a amara tanto que a matara. Eve sabia que 
aquele tipo de amor existia, crescia e se inflamava, at supurar. Ela mes-
ma j recebera aquele tipo de sentimento de algum, essa emoo quente 
e distorcida. E sobrevivera quilo, lembrou a si mesma, ligando o tele-link. 
  J terminou o relatrio do exame toxicolgico de Marianna Ha-
wley, Dickie? 
O rosto com ar sofrido do chefe do laboratrio, to  familiar a Eve, 
encheu a tela. 
 Voc sabe como as coisas ficam congestionadas por aqui na poca 
das festas de fim de ano, Eve. Todo mundo se atropelando de um lado pa-
ra outro, inclusive os tcnicos, que ficam perambulando por a com essa 
histria de Natal e Chanuk, em vez de trabalhar. 



~ 35 ~ 
 



 Sei, estou morrendo de pena de voc, Dickie. Agora eu quero o re-
latrio. 
 E eu quero frias!  Resmungando, ele se virou de lado e digitou 
algo no computador.  Ela tomou um tranqilizante. Remdio meio fra-
co, desses que so vendidos sem receita. Considerando o seu peso, a dose 
no fez mais do que deix-la meio grogue por dez ou quinze minutos. 
 Tempo suficiente.  Murmurou Eve. 
 Tudo indica que a droga foi injetada por uma seringa de presso, 
na parte superior do brao direito. Provavelmente ela sentiu como se ti-
vesse tomado meia dzia de comprimidos de Zombie. O resultado foi ton-
teira, desorientao, possvel perda temporria da conscincia e fraqueza 
muscular. 
 Certo. Algum vestgio de smen? 
 No, nem um soldadinho sequer. Ou ele usou camisinha, ou o es-
permicida dela matou todos. Precisamos de outros exames para determi-
nar com certeza. O corpo foi coberto por um spray desinfetante. H traos 
da substncia em sua vagina tambm, o que ajudaria a matar alguns dos
soldadinhos. No havia nada do lado de fora. Ah, e tem mais um detalhe. . 
A maquiagem dela no foi feita com os produtos encontrados em sua ca-
sa. Ainda no estamos com o resultado final, mas o laudo preliminar indi-
ca que so produtos feitos unicamente com ingredientes naturais, o que 
significa que custam uma nota preta.  bem provvel que o assassino te-
nha levado a maquiagem com ele ao entrar no apartamento. 
  Consiga as  marcas  desses produtos para  mim  o  mais depressa 
que puder. Essa  uma boa pista. Bom trabalho, Dickie. 
 Sim, sim. Boas festas para voc. . 
 O mesmo para voc, Cabeo   murmurou ela depois de desli-
gar. Mexendo os ombros para aliviar a tenso que se instalara neles, se-
guiu em frente e entrou pelos portes de ferro de sua casa. 
Dava para ver as luzes das janelas brilhando atravs da escura noite 
de  inverno    janelas altas,  em arco,  ladeadas por torres grandes e  pe-
quenas  e tambm a escadaria em curva do primeiro andar. 



~ 36 ~ 
 



Lar, pensou ela. Aquele lugar se tornara o seu lar por causa do ho-
mem que era dono de tudo aquilo. O homem que a amava. O homem que 
colocara uma aliana no seu dedo    como Jeremy pretendia fazer com
Marianna. 
Girando  a  aliana  com o  polegar,  ela  estacionou o  carro  diante  da 
porta principal. 
Ela era tudo para ele, foi o que Jerry dissera. Menos de um ano atrs, 
ela no teria compreendido essa expresso. Agora compreendia. 
Continuou sentada no carro por um instante, e ento passou as duas
mos pelo cabelo j muito embaraado. A dor do rapaz a comovera. Aqui-
lo era um erro: no ajudaria em nada, e talvez at atrapalhasse as investi-
gaes. Eve precisava deixar a emoo de lado, bloquear da sua lembran-
a a devastao emocional que sentira por Jerry quando ele desmoronou
em seus braos. 
O amor nem sempre vencia, lembrou a si mesma. A justia, porm, 
poderia vencer, se ela fosse boa o bastante. 
Saltou do carro, deixou-o no mesmo lugar em que estacionara e co-
meou a subir os degraus da escadaria da frente. No minuto em que en-
trou, tirou o casaco de couro e o pendurou de forma displicente no ele-
gante pilar do primeiro degrau da escada em curva. 
Summerset surgiu das sombras e ficou parado, muito alto e magro, 
com os olhos escuros e um ar de desaprovao no rosto plido. 
 Tenente. .  cumprimentou ele. 
 Deixe meu carro exatamente onde eu o estacionei  avisou Eve e 
subiu as escadas. 
Ele fungou bem alto, fazendo com que uma grande quantidade de ar 
fosse sugada por suas narinas, antes de dizer: 
 A senhora recebeu vrias mensagens. 
 Isso pode esperar.  Continuou subindo os degraus e arquitetou 
uma fantasia onde entravam uma chuveirada bem quente, um clice de 
vinho e um cochilo de dez minutos. 
O mordomo tornou a chamar por ela, em voz alta, mas Eve se recu-
sou a responder. 

~ 37 ~ 
 



  No  enche    disse  baixinho,  com ar distrado,  e  ento  abriu a 
porta do quarto. 
Tudo o que parecia murcho dentro de Eve floresceu de repente. 
Roarke  estava  em p no  closet,  sem camisa, com os  maravilhosos 
msculos das costas largas flexionando-se com sutileza enquanto procu-
rava por uma camisa limpa. Ele se virou, e a imagem do seu rosto mscu-
lo atingiu-a em cheio. A boca curva de poeta sorriu e os olhos azuis em
tom muito forte se iluminaram quando ele lanou para trs a juba glorio-
sa de cabelos muito pretos. 
 Ol, tenente. 
 Eu achava que voc s iria chegar em casa daqui a umas duas ho-
ras. 
Ele largou de lado a camisa que pegara. Ela no andava dormindo 
bem, reparou. Dava para ver pela fadiga e pelas sombras sob os olhos. 
 A viagem foi bem rpida, sem incidentes. 
 Foi mesmo.  Nesse instante ela j estava indo na direo dele, 
movendo-se depressa, to rpido que no deu para perceber a sbita re-
ao de surpresa e a imensa expresso de satisfao em seus olhos. Os
braos dele j estavam abertos para receb-la quando ela chegou diante 
dele. 
Eve mergulhou fundo em seu perfume, percorreu-lhe as costas com 
as mos firmes e ento enterrou o rosto entre os cabelos dele, soltando
um longo e solitrio suspiro. 
 Voc estava realmente com saudades  murmurou ele. 
 Fique parado aqui s por um minuto, est bem? 
 O tempo que voc quiser. 
O  corpo  dela  encaixava  no  dele; de  algum modo eles se  completa-
vam,  como  duas peas de  um quebra-cabea  que  se  moldam e  ajustam
uma    outra,  formando  uma  imagem nica.  Naquele  instante  lembrou 
como Jeremy Vandoren mostrara a ela o anel que comprara e a cintilante 
promessa que havia nele. 




~ 38 ~ 
 



 Eu amo voc.  Foi um choque sentir as lgrimas presas na gar-
ganta, e ela teve de fazer um grande esforo para engoli-las de volta.  
Sinto muito no lhe dizer isso mais vezes. 
Ele percebeu que ela prendia o choro. Sua mo subiu lentamente pe-
las costas dela at a nuca e massagearam levemente o  ponto de tenso 
que sentiu ali. 
 O que aconteceu, Eve? 
 Depois eu conto.  Sentindo-se mais forte, ela se afastou e emol-
durou o rosto dele com as mos.  Estou to contente por ver voc. E to 
contente por voc estar em casa.    Os lbios dela se curvaram em um
sorriso e, ao mesmo tempo, inclinou a cabea e beijou-o. 
Eve  sentiu um calor,  uma  sensao  de  boas-vindas e  o  constante 
clima de paixo entre eles, que jamais parecia ser saciado. Por tudo isso, 
sentindo-se  protegida  por tais sentimentos,  ela  conseguiu afastar da 
mente todo o resto por algum tempo. 
  Voc  estava  trocando  de  roupa?    perguntou ela,  sussurrando 
junto aos lbios dele. 
 Estava, mas..  Hummm. Faa mais um pouquinho disso   pediu 
ele e mordeu de leve o lbio inferior dela, at senti-la estremecer. 
 Pois eu acho que mudar de roupa  uma perda de tempo.  Para 
provar seu ponto de vista, deixou a mo escorregar entre os dois e come-
ou a abrir as calas dele. 
 Voc est com toda a razo.  Abrindo a fivela do coldre que ela 
usava na lateral do trax, jogou-o longe.  Adoro desarmar voc, tenen-
te. 
Em um movimento gil, que fez a sobrancelha dele se erguer de sur-
presa, ela girou o corpo e o pressionou de encontro  porta do closet, a-
firmando: 
 No preciso de uma arma para subjugar voc, meu chapa. 
 Ento prove o que diz. 
Ele j estava totalmente excitado quando a mo dela envolveu-lhe o 
membro. O azul dos seus olhos adquiriu um tom mais profundo, e luzes
perigosas comearam a danar dentro deles. 

~ 39 ~ 
 



 Voc no anda usando as suas luvas. 
Ela sorriu e comeou a deslizar os dedos gelados para a frente e pa-
ra trs por todo o comprimento dele. 
 Isso  uma reclamao? 
 No, de jeito nenhum.  A respirao dele estava entrecortada. 
De todas as mulheres que conhecera, ela era a nica que o deixara sem
flego com to pouco esforo. Deslizou as mos ao longo do corpo dela, 
at cobrir-lhe os seios, e em seguida passou a ponta dos polegares de leve 
sobre os mamilos para s ento lhe abrir os botes da blusa. 
Ele a queria por baixo dele. 
 Venha para a cama  convidou-a. 
  Tem algo  errado  em ficarmos aqui?    Ela  abaixou a  cabea  e 
mordeu-lhe o ombro.  Tem algo errado em fazermos agora? 
 Por mim, no h nada errado.  Dessa vez ele se moveu mais de-
pressa, colocando o p atrs do dela e fazendo com que Eve perdesse o 
equilbrio; ento os dois tombaram  no  cho.    S  que  sou eu que  vou
subjugar voc e no o contrrio. 
Sua boca sugou-lhe um dos seios com sofreguido. As palavras dela 
ficaram presas em  sua  garganta,  imagens explodiram em seu crebro  e 
seus quadris se arquearam, buscando-o. 
Como  percebia  com freqncia,  ele  a  conhecia  melhor do  que  ela 
mesma.  Naquele  instante  ela  precisava  se  aquecer,  carecia  de  um fluxo 
potente  de  calor onde  pudesse  afogar o  que  estava  pertur-bando-a  por
dentro. Calor era algo que ele podia lhe fornecer, e ofereceria esse prazer
em grandes ondas, para ambos usufrurem. 
Eve era magra. O peso que perdeu durante o perodo de recupera-
o do ataque que sofrer fazia falta  sua silhueta e ela precisava recu-
perar cada  grama.  Porm,  ele  sabia  que  ela  no  desejava  gestos suaves
naquele momento. Ento, excitou-a de forma implacvel e incessante, at 
deix-la  sem ar,  com o  corao  martelando  contra  a  boca  errante  e  as
mos vidas. 




~ 40 ~ 
 



Ela  se  contorcia  por baixo  dele,  as mos agarrando-o  pelos cabei-
menso diamante em forma de gota que ele lhe dera mergulhado no pro-
fundo vale entre os montes que ele explorava com os lbios.  
Roarke comeou a lamb-la devagar e foi descendo pelo trax, sobre 
as costelas, sobre a barriga firme e reta, cravando os dentes nos quadris, 
fazendo-a corcovear. Arriou-lhe ainda mais as calas, expondo os suaves
plos encaracolados entre as coxas. 
Quando tornou a alcan-la, agora com a lngua, acariciando-a e pe-
netrando-a, o orgasmo dela veio como a fora de um raio. Seu sangue cir-
culava rpido, provocando um leve suor na pele, como que orvalho. Ela 
estava com metade do corpo dentro do closet, impregnada pelo perfume 
dele e presa em sua glria.  
Sentiu os dedos dele apertando-lhe os quadris com fora, elevando o 
seu corpo e parecendo invadi-lo. Seus gemidos fracos ecoaram no quarto 
quando ele comeou a excit-la novamente. Sentiu como se estivesse em 
pleno  vo  e  nada  mais lhe  restava  seno  a  necessidade  urgente  de  se 
mesclar em um s corpo com ele. 
Ela  se  lanou para  a  frente,  buscando-o,  sussurrando  o  seu nome, 
ofegante, enquanto as suas mos geis deslizavam dos seus ombros e  a-
pertavam-lhe as costas, ao mesmo tempo que as pernas se elevavam para 
enganch-lo pela cintura. 
Roarke deslizou lentamente para dentro dela, em um golpear suave. 
O  corpo  dele  estremeceu uma  vez,  quando  ela  apertou com fora  seu
membro, aprisionando-o ao mesmo tempo que se sentia igualmente pri-
sioneira.  Roarke  abocanhou os lbios de  Eve  com sofreguido,  alimen-
tando-se, enquanto ela movimentava os quadris para cima e para baixo, 
estimulando-o. 
Continuaram naquele ritmo rpido e feroz, com os olhos fixos um no 
outro. Para a frente, para trs e novamente para a frente, um respirando 
o ar do outro. Cada vez mais colados, sentindo o ritmo molhado de carne 
se esfregando em carne. 
Eve notou o instante em que os olhos dele pareceram ficar opacos, 
pouco antes de ele golpe-la por dentro uma ltima vez, com a fora de 

~ 41 ~ 
 



um arete,  fazendo-a  entrar em erupo  e  se  desfazer por  baixo  dele. 
Quando ele abaixou a cabea e apertou o rosto de encontro  sua gargan-
ta, ela mergulhou de cabea entre os seus cabelos, inspirando mais uma 
vez o seu cheiro viril. 
  bom estar em casa  murmurou ele. 



Ela tomou a sua ducha, o clice de vinho, e ento lanou-se ao que consi-
derava a ltima fase da decadncia total: jantar na cama em companhia 
do marido. 
 Conte-me tudo  pediu ele depois de esperar que ela acabasse 
de comer e relaxasse um pouco. Servindo-lhe mais um clice de vinho, ele 
percebeu o instante em que as sombras voltaram aos seus olhos. 
 No quero trazer o meu trabalho para dentro de casa. 
 Por que no?  Ele sorriu e completou o prprio clice.  Eu fa-
o isso. 
 Com voc  diferente. 
  Querida  Eve.    Ele  passou o  dedo  indicador pela  covinha  que 
havia em seu queixo.  Ns dois nos definimos pelo trabalho que reali-
zamos. Voc no quer nem pode deixar a sua vida do lado de fora, como 
eu tambm no posso, porque o nosso trabalho est dentro de ns. 
Ela se recostou nos travesseiros, olhou para cima, pela clarabia de 
vidro por onde se via o escuro cu de inverno. . E contou tudo a ele. 
 Foi cruel  disse ela quando terminou o relato.  A questo, po-
rm, no  essa. J vi coisas ainda mais cruis. Ela era uma jovem inocen-
te. .  Tive  essa  impresso  ao  ver a  decorao  de  sua  casa,  o  seu jeito  de 
caminhar, o seu rosto. No sei explicar, mas havia um ar de inocncia ne-
la.  Sei que  o  problema  tambm no    esse.  A  inocncia  muitas vezes  
destruda. Sei bem como  isso. . no ser mais inocente; eu nem me lem-
bro de ter sido inocente algum dia. Mas sei o que significa ser destruda. 
Praguejando baixinho, ela colocou o vinho de lado. 




~ 42 ~ 
 



 Eve.  Ele a tomou pela mo e esperou at que ela virasse os o-
lhos para ele.  Um estupro seguido de assassinato talvez no seja a me-
lhor maneira de voc retomar o seu trabalho. 
 Eu sei que poderia ter passado o caso para algum.  Sentia ver-
gonha por admitir isso, tanto que tornou a desviar o olhar.  Se eu sou-
besse, acho que nem mesmo teria respondido ao chamado. 
 De qualquer modo, voc ainda pode entregar o caso para outro 
investigador da sua diviso. Ningum a culparia por isso. 
 Eu me culparia. Agora eu j a vi. Agora eu a conheci.   Eve fe-
chou os olhos, mas s por um instante.    Ela agora  uma das minhas
mortas. No posso virar-lhe as costas. 
Eve pressionou as tmporas por entre os cabelos e se ordenou dis-
ciplina e foco, antes de continuar: 
 Ela pareceu to surpresa e feliz ao abrir a porta. Como uma crian-
a  numa  situao  dessas.  Puxa  vida, que  legal,  um presente!  Entende  o 
que eu quero dizer? 
 Sim. 
 E o jeito com que o canalha olhou para a cmera antes de entrar 
no apartamento. O sorriso largo, a piscadela de cumplicidade. E depois na 
sada, executando uma pequena dana da vitria rumo ao elevador. 
Seus olhos soltaram fagulhas quando ela descreveu a cena e o corpo 
se empinou, colocando-se reto e alerta sobre a cama. J no eram apenas
os olhos de uma policial agora, pensou Roarke, mas os de um anjo vinga-
dor. 
 No havia compaixo, s prazer em estado puro  acrescentou. 
Tornou a fechar os olhos, trazendo a imagem de volta de forma clara e, 
quando  tornou a  abri-los,  o  fogo  aumentara  e  se  mantivera  estvel,  ar-
dendo sem parar.  Fiquei enojada com aquilo. 
Aborrecida consigo  mesma,  tornou a  pegar o  clice  de  vinho  e  to-
mou mais um gole. 
 Tive que dar a notcia aos pais dela. Tive que olhar para os des-
pedaar, tentando entender o porqu de o seu mundo ter desabado  sua 
volta. Ela era uma mulher simptica, uma pessoa boa e simples que esta-

~ 43 ~ 
 



va feliz com a sua vida, prestes a ficar noiva, e abriu a porta para algum
que  o smbolo da inocncia. E agora est morta.  
Como Roarke a conhecia bem, tomou-lhe a mo e abriu o punho que 
ela cerrara, dizendo: 
 Voc no  uma policial de menos valor pelo fato de se comover 
com isso. 
 Muitas das vtimas nos comovem demais, e a distncia que deve-
mos manter acaba  desaparecendo.  s vezes eu sinto  como  se  estivesse 
chegando a um limite, sem ser mais capaz de ver outra pessoa morta na 
minha frente. 
  E  j  passou pela  sua  cabea  tirar uma  licena  do  trabalho?   
Quando as sobrancelhas dela se uniram em uma expresso de estranhe-
za,  ele  simplesmente  sorriu.   No,    claro  que  no.  Voc  vai elucidar
esse caso e tambm o prximo, porque esse  o seu trabalho. Essa  quem
voc . 
 Talvez eu enfrente outra vtima mais cedo do que gostaria.  En-
laando os dedos entre os dele, perguntou:   Ser que ela era a nica, 
Roarke? O amor verdadeiro dele? Ou existem mais onze pela frente? 


























~ 44 ~ 
 


















E 
 








CAPTULO TRS 








ve circulou pelo andar de estacionamento do shopping areo mais 
 
uma vez e rangeu os dentes.    Por que todas essas pessoas no 
esto no trabalho? Por que no tm vida prpria, em outro lugar?  
 Para muitos  disse Peabody, com ar solene , fazer compras  
viver. 
 Sei, sei...  Eve passou por uma rea onde os carros pareciam es-
tar empilhados, como fichas de pquer, seis veculos em cada coluna.   
Danem-se eles!  Dando um soco no volante, passou por entre os vecu-
los  empilhados nas estreitas  ranhuras,  quase  arranhando  a  pintura  do 
prprio carro ao passar a milmetros deles, o que fez Peabody fechar os 
olhos com fora.    No  consigo  entender.  As pessoas podem comprar 
tudo o que quiserem pela tela de um computador, na paz e na comodida-
de de seus lares. Por que vir at aqui? 
 Fazer compras pela Internet no d a mesma emoo.  Peabody 
se apoiou no painel no momento em que Eve freou o carro abruptamente 
na pista reservada para os bombeiros, bem na porta  da Bloomingdale's.
 Comprar em casa no nos d a chance de usarmos os cinco sentidos, 
nem os cotovelos para tentar abrir passagem no meio do povo. No  ne-
nhuma aventura comprar coisas pela Internet. 
Soltando uma risada de escrnio, Eve ligou o sinaleiro do carro, on-
de se lia a expresso  a servio e saltou. Imediatamente seus tmpanos fo-
ram quase  perfurados pelo  som estridente  de  uma  msica.  Canes de 
Natal poluam o ar, a todo o volume. Eve imaginou que as pessoas corri-
 
 



am para entrar o mais depressa possvel nas lojas, em meio a empurres
e prontas para comprar qualquer coisa s para poderem escapar do baru-
lho ali de fora. 
Embora a temperatura no ambiente controlado por computador es-
tivesse em agradveis vinte e dois graus, levssimos flocos de neve sint-
tica circulavam pelo ar, sob a enorme abbada. As vitrines da loja de de-
partamentos estavam cheias de  andrides fantasiados.  Papais Nois e 
duendes trabalhavam com afinco em uma oficina. Renas voavam ou dan-
avam sobre  telhados,  enquanto  crianas louras com rostos angelicais
abriam presentes embrulhados com papis coloridos. 
Dentro  de  outra  vitrine,  um adolescente  vestido  na  ltima moda, 
com macaco colante preto e camiso xadrez, executava manobras radi-
cais no novo skate areo Flyer 6000, o objeto de desejo dos jovens para 
aquele fim de ano. Ao apertar de um boto localizado ao lado da vitrine, o 
rapazinho comeava a declamar, com uma voz muito empolgada, as van-
tagens e opes do skate, bem como seu preo e onde encontr-lo na loja. 
  Adoraria  testar um desses   comentou Peabody baixinho,  en-
quanto seguia Eve em direo  porta principal da loja. 
 Voc no acha que j est meio grandinha para brinquedos desse 
tipo? 
 No  um brinquedo,  uma aventura  explicou Peabody, reci-
tando o slogan do produto. 
 Vamos resolver logo o que viemos fazer aqui. Detesto esses luga-
res. 
As portas se abriram com suavidade e uma voz animada as recebeu, 
garantindo: 
Seja bem-vindo  Bloomingdales. Para ns, voc  o cliente mais im-
portante. 
Dentro da loja a msica continuava a tocar, mas em um volume mais 
baixo.  O  burburinho  das vozes,  porm,  aumentou muitos decibis,  com
dezenas de pessoas falando ao mesmo tempo, em uma cacofonia que au-
mentava cada vez mais at ecoar no teto, onde anjos voavam em crculos 
graciosos. 

~ 46 ~ 
 



Era um templo construdo para o consumo, com mercadorias espa-
lhadas de forma tentadora por doze andares muito bem iluminados. 
Andrides e modelos vivos passeavam por entre a multido exibin-
do  roupas e  acessrios,  alm dos estilos mais variados e  modernos em
termos de modelagem de corpo e cabelos, servios que podiam ser con-
seguidos nos sales de beleza. Um mapa eletrnico logo na entrada guia-
va os clientes da loja para onde os seus coraes indicassem. 
Salas especiais preparadas para  receber crianas,  animais de  esti-
mao e idosos ficavam localizadas, de forma conveniente, no andar prin-
cipal,  para  as pessoas que  no  estavam dispostas a  fazer compras com 
Jnior, Rex ou o vov nos calcanhares. 
Carrinhos eltricos para transportar clientes, suas compras ou am-
bos estavam disponveis para aluguel durante o dia todo ou sendo cobra-
do por hora. 
Um andride com cabelos que mais pareciam cobras coloridas feitas 
de  cordas,  parecendo  a  Medusa,  aproximou-se  delas com uma  pequena 
garrafa de cristal. 
 Mantenha esse troo longe de mim!  exigiu Eve. 
 Eu gostaria de experimentar um pouco.  Mais cordata, Peabody 
virou o  pescoo  meio  de  lado  para  que  o  andride pudesse  lanar um
pouco do spray de perfume ao lado de sua garganta. 
 Essa fragrncia chama-se Pode Vir  informou o andride com 
voz aveludada.  Use-o e prepare-se para ser assediada. 
 Hummm.  Peabody virou o pescoo na direo de Eve.  O que 
acha do aroma, tenente? 
Eve inspirou com fora e balanou a cabea, sentenciando: 
 No combina com voc. 
 Eu posso fazer com que combine  resmungou Peabody, seguin-
do a sua superior. 
 Vamos tentar manter o foco no trabalho  ralhou Eve, pegando 
Peabody pelo brao ao ver que ela parar diante de um balco de cosm-
ticos, onde uma mulher estava tendo a cabea completamente pintada de 
dourado a partir do pescoo. 

~ 47 ~ 
 



  Vamos at  o  departamento  masculino  para  ver quem atendeu 
Marianna Hawley anteontem. Ela usou o carto de crdito; portanto, eles 
poderiam ter conseguido o endereo dela. 
  Acho  que  eu conseguiria  terminar de  fazer minhas compras de 
Natal em vinte minutos. 
 Terminar?  Eve olhou para trs no momento em que pisou na 
passarela que as levaria ao andar de cima. 
 Claro. Tem s algumas coisinhas que falta comprar.   Peabody 
apertou os lbios e, em seguida, mordeu a bochecha para segurar um sor-
riso.  Voc ainda nem comeou as suas compras de Natal, no ? 
 Ando pensando no assunto. 
 O que vai dar para Roarke? 
 Ando pensando no assunto  repetiu Eve, enfiando as mos nos
bolsos do casaco de couro. 
 Eles tm roupas fantsticas aqui  informou Peabody, acenando 
com a cabea para os andrides que se movimentavam atrs da vitrine, 
quando elas subiram na passarela que passava diante da seo de esporte 
fino. 
 Ele j tem um closet do tamanho do estado do Maine lotado de 
roupas. 
 Voc alguma vez lhe comprou alguma pea de vesturio? 
Eve curvou os ombros em posio defensiva, mas reagiu esticando a 
espinha enquanto respondia: 
 No sou me dele. 
Peabody parou ao lado de um andride que envergava uma camisa 
de seda em tom prateado fosco e calas pretas de couro. 
 Roarke ia ficar muito bem com uma roupa dessas.  Tocou o te-
cido da manga para avali-lo.     claro que um cara como Roarke fica 
bem usando qualquer coisa.  Deu um olhar sugestivo e balanou as so-
brancelhas.  Os homens adoram quando uma mulher lhes compra rou-
pas. 
 No sei comprar roupas para algum que no seja eu. Alis, mal 
sei comprar para mim mesma.  Ao se ver tentando imaginar o rosto de 

~ 48 ~ 
 



Roarke  e  o  seu corpo  no  lugar do  corpo  do  andride,  bufou com fora, 
informando:  No estamos aqui para fazer compras, Peabody. 
Com a cara amarrada, seguiu com passos firmes at o primeiro caixa 
na sada da loja e balanou o distintivo da polcia bem debaixo do seu na-
riz. 
Ele pigarreou e atirou os cabelos pretos e muito compridos para trs 
dos ombros, perguntando: 
 Posso fazer algo para ajud-la, policial? 
 Tenente. Vocs receberam uma cliente aqui h dois dias. Seu no-
me  Marianna Hawley. Quero saber quem a atendeu. 
 Creio que posso verificar isso para a senhora.  Em seguida, me-
xendo os olhos dourados, no tom da moda, de um lado para o outro, pe-
diu:  Tenente, ser que a senhora se incomodaria de guardar a sua  i-
dentificao e, quem sabe, fechar o casaco para esconder a arma? Creio 
que nossos clientes se sentiriam mais  vontade. 
Sem dizer nada, Eve guardou no bolso o distintivo que a identificava 
e fechou o casaco para esconder o coldre lateral. 
  Marianna  Hawley    continuou ele,  visivelmente  aliviado.    A
senhora  saberia  me  informar se  as  compras que  essa  cliente  fez  foram
pagas em dinheiro, carto de crdito ou contas exclusivas da nossa loja? 
  Carto  de  crdito.  Sei tambm que  ela  adquiriu duas camisas 
masculinas..  uma de seda e uma de algodo. . uma  suter de caxemira e 
um palet. 
 Sim.  Ele parou de procurar na lista do computador.  Eu me 
lembro dela. Fui eu mesmo que a atendi. Uma morena atraente, com cer-
ca de trinta anos. Estava escolhendo presentes para o namorado. Ahn..   
Fechou os olhos, tentando se lembrar.  Camisas nmero 3, mangas de 
comprimento mdio, suter e palet tamanho 42. 
 Boa memria  comentou Eve. 
 Esse  o meu trabalho  explicou ele, abrindo os olhos e sorrin-
do.    Lembrar-me dos clientes, seus gostos e necessidades. A srta. Ha-
wley tinha excelente gosto por sinal, e se preocupou em trazer um holo-



~ 49 ~ 
 



grama  na  carteira  com a  imagem  do  namorado,  para  que  pudssemos
programar as cores que combinavam melhor com ele.  
 E ela fez compras com mais algum alm de voc? 
 Neste departamento no. Eu lhe ofereci o meu tempo e a minha 
ateno com exclusividade.  
 Voc tem o endereo dela na ficha de clientes? 
 Sim, claro. Lembro que cheguei a perguntar-lhe se queria que en-
tregssemos tudo em domiclio, mas ela disse que queria levar as sacolas
pessoalmente.  Riu e  comentou que  carregar  as compras fazia  parte  da 
diverso. Parece que ficou muito satisfeita com o nosso atendimento.  
De repente seus olhos se turvaram.  Ela fez alguma reclamao? 
 No.  Eve olhou para o balconista fixamente e sentiu que estava 
perdendo tempo ali.  Ela no fez nenhuma reclamao. Voc por acaso 
no reparou se havia algum perto dela durante as compras? Algum que 
tenha falado com ela ou tenha ficado observando-a de longe? 
 No. Se bem que estvamos muito ocupados para reparar essas 
coisas. Espero que ela no tenha sido abordada por algum desagradvel 
no  estacionamento.  Tivemos alguns  casos desse  tipo  nas ltimas  sema-
nas. No sei o que h de errado com as pessoas. Afinal,  Natal. 
 . Vocs vendem fantasias de Papai Noel? 
  Fantasias de  Papai Noel?    Ele  piscou,  tentando  entender.   
Sim, mas isso s est disponvel na sesso de acessrios e novidades para 
festas. Sexto andar. 
 Obrigada. Peabody, v verificar l  ordenou Eve, j se virando 
para  ir embora.    Consiga o  nome  e  o  endereo  de  todo  mundo  que 
comprou ou alugou uma fantasia dessa nos ltimos trinta dias. Vou at a 
joalheria para ver se algum reconhece o prendedor de cabelo. Encontre-
me l. 
 Sim, senhora.  
Como conhecia a sua auxiliar, Eve a segurou pelo brao em um gesto
de advertncia e acrescentou: 
 Quinze minutos. Se levar mais tempo, rebaixo voc para o posto 
de segurana de shopping. 

~ 50 ~ 
 



Peabody deu de ombros assim que Eve saiu, a passos largos, e res-
mungou: 
 Ela  to durona. 



Ser obrigada a abrir caminho por meio de cotoveladas at o balco prin-
cipal do terceiro andar no ajudou muito a levantar o astral de Eve. Por 
baixo  do  vidro  havia  uma  infinidade  de  acessrios para  o  corpo,  desde 
simples brincos at  piercings de  mamilo.  Ouro,  prata,  pedras coloridas, 
formas elaboradas,  texturas variadas,  tudo  estava  exposto  e  chamava  a 
ateno. 
Roarke vivia comprando brincos e outros enfeites para Eve. Ela no 
compreendia a finalidade daquilo. Com ar distrado, passou os dedos pelo 
diamante sob a blusa. Roarke parecia apreciar quando ela usava as coisas
que ele escolhia exclusivamente para ela. 
Como  j  estava  ficando  sem pacincia  e  foi solenemente  ignorada 
pelos balconistas, Eve simplesmente se debruou sobre o balco, agarrou
um atendente pela gola e o puxou. 
 Madame!  Chocado, o rapaz a censurou com olhos azuis extre-
mamente irritados. 
 Madame no. Tenente!  corrigiu ela, exibindo o distintivo com a 
mo livre.  Agora eu vou conseguir um minutinho do seu tempo? 
 Claro!  Ele se mostrou mais simptico e ajeitou a estreita grava-
ta prateada.  Em que lhe posso ser til? 
  Vocs vendem objetos como este por aqui?    Abrindo a bolsa, 
pegou o prendedor de cabelos que estava no plstico lacrado. 
  No me parece um produto nosso.    Inclinou-se para a frente, 
at ficar com os olhos no mesmo nvel do objeto.  Lindo trabalho. Muito 
delicado.    Tornou a  esticar as costas.    No  poderemos aceitar isso 
como troca, a no ser que a senhora tenha a nota de compra. No reco-
nheo este prendedor como um dos itens do nosso catlogo. 
 No estou querendo troc-lo. Tem alguma idia de onde ele possa 
ter vindo? 

~ 51 ~ 
 



 Creio que de uma loja especializada. O trabalho de ourivesaria  
magnfico. Existem seis joalheiros aqui no shopping. Talvez um deles re-
conhea esta pea. 
 timo!  Colocando a jia novamente na bolsa, Eve expirou com
fora. 
 H algo mais que eu possa fazer pela senhora? 
Eve mudou o peso do corpo de um p para outro e olhou com aten-
o para o balco cheio de lindos produtos em exposio. Um colar com
trs correntes enfeitadas com pedras coloridas do tamanho de um pole-
gar atraiu a sua ateno. Era ridiculamente escandaloso, quase brega. E 
era a cara de Mavis. 
 Aquilo  disse ela, apontando para o colar. 
  Ah,  a  senhora  est  interessada  em um dos nossos ornamentos 
Heathen para o colo. Uma pea nica, muito. . 
 No estou interessada nem quero saber detalhes. Simplesmente 
vou lev-lo. Embrulhe para presente, e ande logo com isso! 
 Entendo.  O rapaz s no soltou uma gargalhada por causa do 
bom treinamento que recebera.  Como vai fazer o pagamento, senhora? 
Peabody chegou bem na hora em que Eve estava recebendo uma sa-
cola colorida, vermelha e prateada. 
 Voc fez compras!  exclamou Peabody, com ar acusador. 
 No, no, nada disso  reagiu Eve.  Adquiri um objeto. Isso 
outra coisa muito diferente. O prendedor no veio daqui. O rapaz parecia 
entender do riscado e foi muito categrico. No quero mais perder tempo 
nesta loja. 
 Pelo jeito, o seu tempo no foi perdido  murmurou Peabody. 
 Vamos pesquisar o prendedor pelo computador. Vou ver se Fee-
ney tem tempo para rastre-lo. 
 O que comprou? 
 Uma besteirinha para Mavis.  Eve percebeu o biquinho que Pe-
abody armou quando passaram pela porta de sada.  No se preocupe, 
Peabody. Vou comprar alguma coisa para voc tambm. 



~ 52 ~ 
 



 Srio?  Ela se animou na mesma hora.  Pois eu j comprei o 
seu presente. J est embrulhado e tudo! 
 Exibida! 
 Quer tentar adivinhar o que ?   props Peabody ao entrar no 
carro, um pouco mais animada. 
 No. 
 Ento vou lhe dar uma dica. 
 Ei, pare com isso, segure a sua onda! Comece a pesquisar os no-
mes das pessoas que compraram roupa de Papai Noel e veja se alguma 
delas tem ficha na polcia. 
 Sim, senhora. Para onde vamos agora?  
 Para a agncia ntimo e Pessoal.  Olhou meio de lado para Pea-
body.  E pode tirar o cavalinho da chuva, porque voc no vai fazer ne-
nhuma compra por l tambm. 
 Estraga-prazeres..   reagiu Peabody e acrescentou, respeitosa-
mente:  Senhora.  Em seguida, comeou a pesquisar os nomes em seu 
computador de mo. 



Bem no centro da cidade, em plena Quinta Avenida, o prdio de mrmore 
preto polido era um palcio voltado para o prazer. A parte externa pare-
cia uma lana, arrojada e elegante, com anis nos andares mais altos de 
onde se viam varandas douradas e passarelas prateadas. Tubos transpa-
rentes subiam e desciam pelos quatro lados do edifcio. 
Por dentro tinha sales para escultura corporal, locais especiais on-
de era possvel elevar o astral e outros onde havia opes sexuais. Sem
precisar deixar o  prdio,  um cliente  poderia  ser maquiado,  depilado, 
massageado,  remodelado  ou se  satisfazer sexualmente  da  maneira  que 
melhor lhe aprouvesse. 
Vrias academias de  ginstica  estavam equipadas com os mais a-
vanados aparelhos para aqueles que preferiam o velho mtodo do faa 
voc mesmo. Para os que escolhiam uma rota mais passiva para deixar o 
corpo em forma e mais bonito, consultores licenciados estavam  disposi-

~ 53 ~ 
 



o para manejar aparelhos a laser e tubos tonificadores, a fim de livrar
os clientes de alguns quilos ou centmetros extras. 
Um dos andares era dedicado a atividades holsticas, que incluam 
vrias opes, como equilibrar os chacras at enemas  base de caf. Ao 
analisar essas ofertas to peculiares, Eve no sabia ao certo se devia rir 
ou estremecer de pavor. 
Banhos de  lama,  abraso  atravs do  uso  de  algas,  injees de  pla-
centa de ovelhas criadas no satlite Alfa Seis, sesses tranqilizantes, vi-
agens em cmaras de  realidade  virtual,  balanceamento  da  viso,  lifting
facial, redues e modificaes mrficas, tudo isso podia ser feito nas de-
pendncias da agncia, e vrios pacotes estavam disponveis, com diver-
sas opes ao gosto do cliente. 
Depois que o corpo e a mente estivessem revigorados, cada cliente 
era  convidado  a  explorar a  possibilidade  de  encontrar  o  par que  mais
combinasse com o novo eu que nascera, sempre com a ajuda dos espe-
cialistas da ntimo e Pessoal. 
A  firma  ocupava  trs andares do  prdio  e  os funcionrios usavam 
uniformes compostos por palet preto com um corao vermelho borda-
do no peito. Como a empresa era localizada junto a um centro de esttica, 
rostos e corpos atraentes eram parte do uniforme. 
A  recepo  fora  decorada  como  um templo  grego,  com pequenas 
fontes musicais onde brilhavam peixinhos dourados. Colunas de mrmo-
re branco com parreiras serpenteantes separavam as diferentes sees. 
Os locais para  os clientes se  sentarem eram muito  baixos e  agrupados 
pouco acima do piso em lajotas, formando vrias ilhas agradveis e acon-
chegantes.  O  balco  de  atendimento  ficava  em um lugar discreto,  entre 
palmeiras de folhas largas. 
 Preciso de informaes a respeito de uma de suas clientes.  Eve 
exibiu o distintivo e viu  os olhos da recepcionista piscarem rpido, ner-
vosos. 
 No temos permisso para divulgar informaes sobre os nossos 
clientes.  A mulher mordeu o lbio inferior e passou o dedo sobre o pe-
queno  corao  tatuado  sob  o  olho  esquerdo,  como  uma  linda  lgrima 

~ 54 ~ 
 



vermelha.  Todos os nossos servios so absolutamente confidenciais. 
Fazemos questo de garantir a privacidade dos nossos clientes. 
 Pois uma das suas clientes no est mais preocupada em preser-
var a privacidade. Esse  um caso de polcia. Posso conseguir um manda-
do em cinco minutos ou voc pode me informar o que eu preciso saber e 
assim evitamos a trabalheira de verificarmos todos os seus arquivos. 
 Se a senhora puder esperar um momento, por favor.  A recep-
cionista  indicou uma  rea  prxima  onde  Eve  poderia  esperar.    Vou
chamar o gerente para a senhora. 
 timo!  Eve se virou enquanto a recepcionista colocava um fo-
ne discreto, com microfone, na cabea. 
 O cheirinho daqui  fantstico!  comentou Peabody.  O prdio 
do tem um cheiro muito bom.  Respirou fundo.  Eles devem colocar 
alguma fragrncia nas sadas de ar. Algo perfumado e tranqilizante.  
Sentando-se  em um dos almofades dourados que  ficavam ao  lado  de 
uma fonte onde as guas tilintavam, exclamou:  Ai, que delcia! Quero 
morar aqui! 
 Voc anda muito alegrinha esses dias, Peabody. Isso j est me ir-
ritando. 
 A proximidade das festas de fim de ano sempre me faz ficar as-
sim. Uau, olhe s aquilo!  Quase torceu o pescoo, os olhos apreciativos
e brilhantes acompanhando um homem de cabelos compridos, absoluta-
mente lisos e com mechas louras que passou junto delas.  Puxa, por que 
um cara com essa aparncia iria precisar dos servios de uma agncia de 
encontros? 
 Por que qualquer pessoa precisaria? Isso  esquisito! 
 Bem, acho que vir aqui economiza tempo, trabalho e desgaste.  
Peabody se inclinou para olhar melhor, desviando-se de Eve, a fim de no 
perder o homem de vista.  Talvez eu devesse me cadastrar aqui. Quem
sabe tenho sorte? 
 Ele no  o seu tipo. 
O brilho nos olhos de Peabody se apagou, exatamente como no mo-
mento em qu Eve rejeitou o perfume. 

~ 55 ~ 
 



 Se  assim  argumentou , por que razo eu gosto de olhar pa-
ra homens desse tipo? 
 Pode gostar, mas experimente puxar assunto com ele.  Eve en-
fiou as mos nos bolsos e balanou para a frente e para trs sobre os cal-
canhares.  O cara est apaixonado por si mesmo e acha que toda mu-
lher que pe os olhos nele tem obrigao de ficar com cara de idiota apai-
xonada, exatamente como voc est fazendo. Ele ia deixar voc morta de 
tdio em menos de dez minutos, porque s sabe falar de si prprio. . com
quem ele parece, o que faz, as coisas de que gosta. Voc seria apenas um
acessrio ao seu lado. 
Peabody considerou as palavras de  Eve,  sem deixar de  observar o 
Adnis com mechas douradas que estava encostado de forma sensual no 
balco. 
  Tudo  bem   disse  por fim.    No  fao  questo  de  conversar. 
Vamos apenas fazer sexo. 
 Ele deve ser ruim de cama. No ia dar a mnima para o fato de vo-
c ter alcanado o orgasmo ou no. 
 Mas eu j estou quase tendo um orgasmo s de olhar para ele!  
Soltou um longo  suspiro quando  ele  pegou um espelhinho  prateado  no 
bolso e examinou o prprio rosto com evidente prazer.  Tem horas em
que eu fico morrendo de raiva, e uma delas  quando voc est com a ra-
zo. 
 Olhe s aqueles dois  sussurrou Eve, olhando para o casal que 
se aproximava.  So to resplandecentes que acho que vou ter de colo-
car os culos escuros. 
 Ken e Barbie esto na rea.  Ao perceber o olhar sem expresso 
de Eve, Peabody soltou outro suspiro.  Puxa, tenente, a senhora nunca 
teve uma boneca Barbie no? Que tipo de infncia foi a sua? 
 Eu no tive infncia  afirmou Eve e se virou para cumprimentar 
o magnfico e dourado casal que chegava. 
A mulher tinha quadris estreitos e busto generoso, seguindo os mais 
recentes padres estticos. Seu cabelo louro platinado caa em fios retos
como uma cascata por sobre os ombros e roavam de leve os seios mara-

~ 56 ~ 
 



vilhosos enquanto ela caminhava. Seu rosto era liso e claro como alabas-
tro, com olhos profundos na cor-de-esmeralda, emoldurados por longos
clios tingidos no mesmo tom de verde das ris. Sua boca era cheia e ver-
melha e se curvava naquele instante em um educado sorriso de saudao. 
Seu companheiro era igualmente maravilhoso. Exibia um tom de pe-
le  idntico,  e  os cabelos quase  brancos de  to  louros estavam presos e 
desciam-lhe pelas costas, tranados com uma fita dourada. Seus ombros 
eram largos e suas pernas compridas. 
Diferentemente do resto da equipe, no estavam vestidos de preto e 
usavam macaces brancos e  justos.  A  mulher prendera  uma  echarpe 
vermelha transparente em volta dos quadris com muito charme. 
Foi ela quem falou primeiro, em um tom de voz to suave e  sedoso 
quanto a echarpe. 
 Meu nome  Piper e este  o meu scio, Rudy. Em que podemos
lhes ser teis? 
 Preciso de dados a respeito de uma de suas clientes.  Novamen-
te, Eve exibiu seu distintivo.  Estou investigando um homicdio. 
  Um homicdio?    A mulher colocou a mo sobre o corao.   
Que coisa terrvel. Foi uma das nossas clientes? O que acha, Rudy? 
  Certamente  vamos cooperar com a  senhora  em tudo  o  que  pu-
dermos  afirmou Rudy com um tom de voz denso, de bartono.  Acho 
que devemos discutir esse assunto l em cima, em particular. 
Apontou para  um elevador tubular  que  ficava  entre  dois enormes 
arbustos de azalias brancas. 
 A senhora tem certeza de que a vtima era uma de nossas clien-
tes, tenente? 
 O namorado dela a conheceu atravs dos servios de sua empre-
sa.  Eve caminhou diretamente para o centro da cabine cilndrica e ig-
norou a  vista  deslumbrante  enquanto  subiam com velocidade.  Lugares
altos no a atraam. 
  Entendo    suspirou Piper.    Temos um ndice excepcional de 
bons resultados em formar casais. Espero que no tenha sido uma briga 
entre amantes que terminou em tragdia. 

~ 57 ~ 
 



 Ainda no temos certeza do que aconteceu. 
 No consigo crer que possa ter sido algo desse tipo. Pesquisamos 
os nossos clientes com muito cuidado  garantiu Rudy, gesticulando na 
direo da porta do elevador, assim que parou. 
 Pesquisam como? 
 Estamos conectados com o ComTrack.  Enquanto falava, ele ia 
guiando-as ao  longo  de  um corredor totalmente  branco  enfeitado  com
aquarelas onricas em tons pastis com molduras douradas e generosos
buaus de  flores frescas em vasos transparentes.    Todo  candidato   
colocado no sistema. Analisamos o histrico civil, informaes cadastrais 
relacionadas com crdito, alm de possveis passagens pela polcia,  cla-
ro. Todos os candidatos devem se submeter tambm ao nosso teste pa-
dro para avaliao de personalidade. Qualquer tendncia  violncia faz 
com que o cliente seja rejeitado. Preferncias sexuais e desejos especfi-
cos so registrados, analisados e comparados. 
Rudy abriu uma porta que dava para um escritrio imenso decorado 
em branco ofuscante e vermelho berrante. A janela que tomava uma pa-
rede  inteira  estava  protegida  com filtros contra  a  luz  do  dia e  tambm
impedia por completo o barulho do trfego areo. 
 Qual  a sua porcentagem de tarados? 
A boca de Piper, muito bem delineada, transformou-se em uma linha 
fina. 
 No consideramos preferncias sexuais especficas como taras, a 
no ser que o parceiro, ou parceiros, faa alguma objeo a elas. 
 Bem, ento que tal usarmos a minha definio de tara para nos 
comunicarmos?    props Eve,  levantando  a  sobrancelha.    Fetiches 
tipo  servido  ou cativeiro,  sadismo  e  masoquismo?  Tem algum cliente 
por aqui que gosta de embonecar a parceira depois do sexo? 
Rudy pigarreou com discrio e foi para trs de um console largo e 
branco. 
 Tenente, certamente alguns clientes buscam pelo que chamamos 
de  experincias sexuais aventurescas.  Como  expliquei,  tais preferncias



~ 58 ~ 
 



sempre  so  combinadas com as de  outros candidatos que  apreciem as
mesmas coisas. 
  Qual  foi o  par  ideal  que  vocs encontraram para  Marianna  Ha-
wley? 
 Marianna Hawley?  Ele olhou para Piper. 
 Eu sou melhor com rostos do que com nomes  disse ela, viran-
do-se para um telo enquanto Rudy digitava o nome no computador. Em 
poucos segundos Marianna ocupava toda a tela, sorrindo, com os olhos
brilhantes cheios de vivacidade. 
  Ah,  sim,  agora  me  lembro  dela. Era  muito  charmosa.  Sim,  sim..  
gostei muito de trabalhar com ela. Recordo-me que estava  procura de 
algum divertido com quem pudesse compartilhar o seu amor pela arte. . 
no,  no,  era  teatro,  se  no  me  engano.    Bateu com a  ponta  da  unha 
muito bem cuidada no lbio inferior.    Ela era romntica e docemente 
conservadora. 
De repente Piper caiu em si, e a mo levantada caiu sem foras ao 
lado do corpo. 
 Ela foi assassinada?! Oh, Rudy! 
 Sente-se aqui, querida.  Ele saiu de trs do console com movi-
mentos elegantes e foi tomar a mo da scia, dando-lhe em seguida pe-
quenos tapinhas encorajadores, recostando-a no comprido sof lotado de 
convidativas almofadas de ar.  Piper sempre se envolve de forma muito 
pessoal com a clientela  informou a Eve.  Isso explica o fato de ser to 
maravilhosa em seu trabalho. Ela se importa com as pessoas. 
 Eu tambm me importo, Rudy  rebateu Eve. 
Embora o seu tom de voz fosse direto, os olhos dele se levantaram 
para encar-la e o que viu no rosto de Eve o fez concordar, dizendo: 
 Sim, tenho certeza de que a senhora se importa. Deve estar sus-
peitando de que algum possa t-la conhecido atravs dos nossos servi-
os e a tenha matado. 
 Estou investigando essa possibilidade. Preciso de nomes. 
 Passe para a tenente todas as informaes que ela precisar, Rudy. 
 Piper encostou os dedos de leve sob os olhos para enxugar as lgrimas. 

~ 59 ~ 
 



 Gostaria de fazer isso, querida, mas temos compromisso com os 
nossos clientes. Garantimos privacidade. 
 Marianna Hawley tinha direito a privacidade  afirmou Eve com 
poucas palavras.  Algum a estuprou, sodomizou e estrangulou. Eu di-
ria que isso  uma violao de privacidade. Dificilmente um dos seus cli-
entes gostaria de compartilhar essa mesma experincia. 
Rudy respirou fundo. Seu rosto estava muito mais plido agora, se  
que isso era possvel, e seus olhos estavam to vermelhos que pareciam
duas fogueiras ardendo sobre um campo branco brilhante. 
 Quero crer que a senhora ser discreta. 
  Pode crer que eu serei competente    retrucou Eve,  esperando 
enquanto ele listava uma relao de nomes.  




































~ 60 ~ 
 


















S 
 








CAPTULO QUATRO 








arabeth Greenbalm no  estava  tendo  um dia bom.  Para  comear, 
 
detestava  trabalhar no  turno  da  tarde  do  clube  Estao  Doura.  A 
clientela de meio-dia s cinco era composta basicamente de jovens 
executivos em busca de um almoo prolongado e emoes baratas. Com 
nfase no barato. Quem ainda estava nos primeiros degraus da ascen-
so profissional no tinha muito dinheiro para oferecer a danarinas de 
striptease. 
Gostava de ficar s olhando e assobiando. 
Cinco horas de trabalho duro haviam rendido menos de cem paus 
em dinheiro e fichas de crdito, alm de meia dzia de propostas. 
Nenhuma delas envolveu casamento. 
Casamento era o objetivo mximo da vida de Sarabeth. 
Ela no ia conseguir um marido rico no turno da tarde de uma boate 
de striptease, mesmo sendo um lugar de alta classe como o Estao Dou-
ra. O potencial estava todo nos horrios noturnos, quando os executivos e 
presidentes de grandes empresas apareciam trazendo clientes importan-
tes para uma ou duas horas de descontrao. Dava para ganhar mil dla-
res em uma hora, com facilidade, e, acrescentando uma ou outra rebolada 
no colo do cliente, esse valor podia dobrar. O melhor de tudo, porm, era 
colecionar os cartes de visita dos manda-chuvas. 
Mais cedo ou mais tarde um desses figures com ternos caros, sorri-
sos brancos imensos e mos geis muito bem cuidadas ia acabar colocan-
 
 



do uma aliana no dedo dela s pelo privilgio de poder apalp-la  hora 
que quisesse. 
Tudo  isso  era  parte  do  plano  que  ela  arquitetara  cuidadosamente 
quando sara de Allentown, na Pensilvnia, e fora direto para Nova York, 
cinco anos atrs. Fazer striptease em Allentown se transformara em um
beco sem sada e toda semana ela ganhava apenas o mnimo necessrio 
para no dormir na rua. Mesmo assim, ir para Nova York fora arriscado. A 
competio era muito maior. 
E a concorrncia era mais jovem do que ela. 
No primeiro ano ela fizera dois turnos por dia ou trs quando con-
seguia agentar. Trabalhara cada dia em um lugar, saindo de uma boate e 
indo  para  outra,  repassando  sempre  quarenta  por cento  de  tudo  o  que 
ganhava para os gerentes. Foi um ano muito difcil, mas ela fizera um p-
de-meia. 
No segundo ano ela se focara em conseguir um ponto regular em um 
clube de alta classe. Levara quase doze meses, mas conquistou seu espao 
no exclusivo Estao Doura. Durante o terceiro ano continuou na luta, 
dessa vez para conseguir o turno mais vantajoso, enquanto continuava a 
guardar dinheiro,  investindo-o  secretamente.  A  verdade    que  perdera 
quase seis meses decidindo se valia a pena aceitar uma oferta que rece-
bera: morar com o chefe da segurana do clube. 
Ia acabar aceitando o convite se o bonito no tivesse conseguido a 
faanha  de  ser esquartejado  em seis pedaos em uma  briga no  bar de 
uma espelunca na qual andava fazendo hora extra para agradar Sarabeth, 
que  j  avisara que  ele  ia  precisar ter muita  bala  na  agulha  para  faz-la 
passar a dormir s com ele. 
No fim, decidiu que ele ter sado de sua vida fora um golpe de sorte. 
Agora, no quarto ano em Nova York, ela j estava com quarenta e trs a-
nos, e o tempo continuava correndo. 
No se incomodava de danar nua. Afinal, era uma danarina fants-
tica, e seu corpo  concluiu, analisando-o com ateno diante do espelho
do quarto , o seu ganha-po. 



~ 62 ~ 
 



A Me Natureza fora generosa com ela, dotando-a de seios firmes e 
grandes que  no  precisavam ser turbinados.  At  aquele  momento  pelo 
menos. Um trax esbelto, pernas longas e traseiro firme. Sim, ela possua 
todas as armas necessrias. 
Precisara gastar um pouco de grana no rosto, mas considerara isso 
um bom investimento. Nascera com lbios finos, queixo curto e testa alta. 
Algumas visitas ao centro de aprimoramento esttico resolveram os pro-
blemas. Agora a sua boca era cheia e carnuda, o queixo se tornara arrebi-
tado e petulante, e as sobrancelhas estavam altas e bem delineadas. 
Sarabeth Greenbalm estava, na sua opinio, muito gostosa. 
O problema  que lhe haviam sobrado apenas quinhentos dlares, o 
aluguel estava vencido e um idiota mais empolgado do que devia na mul-
tido que fora  boate na hora do almoo arrebentara o seu melhor bi-
quni fio-dental, antes que ela conseguisse escapar dele. 
Tinha uma terrvel enxaqueca, seus ps doam, e ela continuava sol-
teira. 
Jamais deveria ter enterrado aqueles trs mil dlares na agncia n-
timo e Pessoal. Analisando de forma objetiva, o que ela considerara um
investimento inteligente na ocasio agora lhe parecia dinheiro jogado no 
lixo. S os perdedores usavam os servios de uma agncia de encontros, 
pensou, enquanto vestia um robe roxo, bem curto. E perdedores s atra-
am perdedores. 
Depois de ter se encontrado com os dois primeiros homens da lista 
que o sistema escolhera, tinha ido direto at a Quinta Avenida para exigir 
seu dinheiro de volta. A louraa com ar de rainha do gelo no fora to a-
migvel  naquele  dia, refletiu Sarabeth. No  ia  devolver a  grana  sob  ne-
nhuma hiptese. 
Dando de ombros, resignada, Sarabeth saiu do quarto para a cozinha 
 um trecho curto, pois o apartamento era pouco maior do que o cama-
rim comunitrio do Estao Doura. 
O dinheiro sumira naquele ato de desperdcio. Uma lio, porm, fo-
ra  aprendida: ela  no  contava  com  ningum  e  dependia  dela,  somente 
dela. 

~ 63 ~ 
 



Uma batida na porta interrompeu-a quando avaliava com esperana 
as limitadas ofertas do seu AutoChef. Com ar distrado, apertou o lao do 
robe e deu um soco na parede. O sujeito e a mulher do apartamento ao 
lado brigavam como gatos e trepavam como coelhos quase toda noite. A 
reclamao no ia diminuir o barulho em nem um decibel, mas fez com
que ela se sentisse melhor. 
Olhou meio desconfiada pelo olho mgico, e ento sorriu como uma 
garotinha.  Com um jeito  apressado,  destrancou a  porta  e  a  escancarou, 
saudando: 
 Oi, Papai Noel! 
 Feliz Natal, Sarabeth!  cumprimentou ele de volta, com os olhos 
brilhando  alegremente.  Balanou a  imensa caixa  prateada  que  trazia  e 
piscou para ela, perguntando:  Voc foi uma boa menina? 



O capito Ryan Feeney estava sentado na ponta da mesa de Eve e masti-
gava amndoas aucaradas. Tinha o rosto familiar e levemente carrancu-
do de um co bass, alm dos cabelos despenteados em um tom casta-
nho-avermelhado, onde se viam vrios fios brancos. Havia uma mancha 
cor-de-ferrugem na camisa amarrotada  vestgio da sopa de feijo que 
ele tomara no almoo  e um talho curto no queixo, provocado por um
corte ao se barbear de manh. 
Parecia inofensivo. 
Eve enfrentaria qualquer fogo cruzado com ele. Alis, isso j aconte-
cera. 
Ele a treinara e lhe ensinara tudo. Agora, no posto de capito da Di-
viso de Deteco Eletrnica, se tornara um recurso de valor inestimvel 
para ela. 
 Bem que eu gostaria de lhe dizer que o enfeitezinho era o nico 
do tipo  anunciou ele, colocando outra amndoa na boca , s que te-
mos mais de dez lojas na cidade que o vendem. 
 E quantas dessas lojas vamos ter que rastrear? 



~ 64 ~ 
 



 Quarenta e nove desses enfeites foram vendidos nas ltimas sete 
semanas.  Cocou o queixo, bem onde a ferida formara uma casquinha. 
 O prendedor de cabelo custa cerca de quinhentos dlares. Quarenta e 
oito deles foram vendidos no carto, s um foi comprado com dinheiro 
vivo. 
 Foi ele! 
 Muito provavelmente.  Feeney pegou sua agenda eletrnica e 
informou:  A venda em dinheiro aconteceu na loja Sals Gold and Silver, 
na rua 49. 
 Vou l verificar. Obrigada, Feeney. 
  De  nada.  Precisa  de  mais alguma  coisa?  McNab  est  louco  para 
colocar a mo na massa. 
 McNab? 
 Ele gostou muito de trabalhar com voc. O garoto  bom e voc 
podia jogar em cima dele a parte mais chata das investigaes. 
Eve lembrou a figura do jovem detetive com roupas extravagantes e 
coloridas, muito esperto e de lngua afiada, com quem j trabalhara.?
 Ele anda interessado em Peabody  informou Eve. 
 E voc no acha que Peabody consegue lidar com ele? 
  .   Eve  franziu o  cenho,  tamborilou na  mesa  com os dedos  e
deu de ombros.  Acho que sim. Ela j  grandinha e eu poderia usar os
talentos dele. Entrei em contato com o ex-marido de Marianna Hawley. 
Ele se transferiu para Atlanta. Seu libi para a noite do crime  bem sli-
do, mas no custa nada olhar mais de perto, ver se ele fez alguma viagem
para Nova York ou ligou para a vtima. 
 McNab pode descobrir de olhos fechados. 
 Diga-lhe para mant-los abertos e pesquisar isso.  Pegando um 
disco, entregou-o a Feeney.  Todos os dados que eu tenho sobre o ex 
dela esto aqui. Vou compar-los com os nomes escolhidos pelo sistema 
da ntimo e Pessoal e ento entrego tudo a ele, depois de ter dado uma 
olhada. 


* Ver Vingana Mortal. (N.T.) 
~ 65 ~ 
 



 No compreendo lugares como esse  comentou Feeney, balan-
ando a cabea.  No meu tempo os caras conheciam as mulheres de ou-
tra forma, em bares e boates. 
 Foi assim que voc conheceu a sua mulher?  perguntou Eve, le-
vantando uma sobrancelha. 
 O casamento deu certo, no deu?  sorriu ele, subitamente. 
 Vou passar o caso para McNab  disse enquanto se levantava. 
 Voc no est fora do horrio de servio, Dallas? 
  Sim, meu turno acabou ainda h pouco. Acho que vou dar uma 
pesquisada nesses nomes antes de ir para casa. 
 Divirta-se. Quanto a mim, vou cair fora daqui  disse e fez men-
o de sair pela porta, enfiando o saquinho de amndoas no bolso.  O-
lhe, estamos loucos para que chegue logo o dia da festa de Natal. 
 Que festa?  perguntou ela, j concentrada no computador e mal 
olhando para trs. 
 A festa na sua casa. 
 Ah, ?  Tentou se lembrar de algum plano a respeito, mas no 
foi bem-sucedida.  Puxa, que legal! 
 Voc no sabia de festa nenhuma, no ? 
 Claro que sabia.  Como era Feeney, ela sorriu.  Olhe, devo ter 
guardado  a  informao  em um arquivo  qualquer do  crebro.  Escute,  se 
encontrar Peabody na  sala  de  registros e  queixas,  diga-lhe  que ela est 
dispensada. 
 Tudo bem. 
Festa, pensou ela, com um suspiro. Era s ela virar para o lado e Ro-
arke j planejava dar uma festa ou arrast-la para uma. O prximo passo 
era Mavis, que ia chegar e buzinar em seus ouvidos que ela devia arrumar
o cabelo, cuidar da pele, embelezar o corpo e encomendar um novo vesti-
do desenhado por Leonardo, seu namorado estilista. 
Se ela era obrigada a ir a uma porcaria de festa, por que no podia ir
do jeito que estava? 




~ 66 ~ 
 



Porque era a esposa de Roarke, lembrou a si mesma. Como tal, espe-
rava-se que ela desempenhasse funes sociais e tivesse uma aparncia 
bem melhor do que a de uma policial com um assassinato na cabea. 
S que a festa ia acontecer sabe-se l quando, e o assassinato estava 
 sua frente naquele momento. 
 Computador, fornea a lista dos homens escolhidos pela agncia 
ntimo e Pessoal como par de Marianna Hawley. 
Processando... 
Primeiro de  uma lista de  cinco candidatos: Dorian Marcell, solteiro, 
branco, sexo masculino, trinta e dois anos. 
Enquanto o computador acabava de informar os seus dados, Eve  a-
valiou o rosto que surgiu na tela. Feies simpticas, com um ar de timi-
dez nos olhos. Dorian gostava de galerias de arte, teatro e filmes antigos;
garantia  ser um verdadeiro  romntico  em busca  da  alma  gmea.  Seus
hobbies eram fotografia e esquiar na neve. 
Nada de especial a respeito de Dorian, pensou, mas ela ia ter de veri-
ficar por onde ele andou na noite em que Marianna foi assassinada. 
Processando... 
Candidato nmero dois: Charles Monroe, solteiro, branco, sexo mascu-
lino... 
 Ei, ei, ei! Espere um instante. Pare!  Dando uma risadinha, Eve 
analisou a  imagem que  surgira  na  tela.    Ora,  ora,  Charles.  Engraado 
encontrar voc por aqui. 
Eve se lembrava bem do rosto amigvel que sorria de volta para ela. 
Conhecera Charles Monroe quase um ano atrs, quando investigava outro 
assassinato  alis, o caso que fez com que ela conhecesse Roarke.? Char-
les era  um acompanhante  autorizado,  sofisticado  e charmoso.  Afinal  de 
contas, perguntou Eve a  si mesma,  o que um acompanhante sofisticado 
bem estabelecido na profisso estava fazendo em uma agncia de encon-
tros? 
 Anda pescando por estas guas, Charlie? Pelo jeito voc e eu pre-
cisamos ter outra conversinha. Computador, v para o terceiro da lista. 

* Ver Nudez Mortal. (N.T.) 
~ 67 ~ 
 



Candidato nmero trs: Jeremy Vandoren, divorciado... 
 Tenente! 
 Pausar, computador! Sim?  Eve olhou para trs e viu a cabea 
de Peabody na porta entreaberta. 
 O capito Feeney me avisou de que a senhora j tinha me dispen-
sado por hoje. 
 Isso mesmo. Estou s verificando alguns nomes antes de ir para 
casa. 
 Ele, ahn. . mencionou que a senhora pretende utilizar os servios 
de McNab para investigaes eletrnicas. 
 Exato.  Eve virou a cabea meio de lado e recostou na cadeira, 
notando que Peabody tentava manter o rosto sem expresso.  Isso in-
comoda voc? 
 No. .  que. . Escute, Dallas, a ajuda dele no  necessria. O cara 
 um tremendo p no saco. 
 Pois comigo ele  timo.  Eve sorriu com ar alegre.  Voc pre-
cisa aprender a atur-lo, Peabody. De  qualquer modo, no se preocupe, 
porque a maior parte dos servios que vou querer dele vai ser feita na 
Diviso de Deteco Eletrnica. Ele no vai aparecer muito por aqui. 
 Ah, pois eu acho que ele vai arrumar um jeito  resmungou Pea-
body.  O cara adora se exibir. 
 Mas trabalha muito bem. De qualquer modo. .   Parou de falar
ao ouvir o comunicador tocar.  Droga, j devia ter dado o fora daqui.  
E atendeu:  Aqui fala a tenente Dallas. 
  Tenente    cumprimentou o  comandante  Whitney,  e  seu rosto 
largo e sisudo encheu a pequena tela. 
 Sim, senhor. 
 Temos um homicdio que parece ter ligao com o caso Hawley. 
Enviamos alguns policiais para a cena do crime. Quero voc como inves-
tigadora principal a partir de agora. V at a rua 112 Oeste, nmero 23-B, 
apartamento 5-D. Comunique-se comigo no escritrio de minha casa as-
sim que confirmar a ocorrncia. 



~ 68 ~ 
 



 Sim, senhor, j estou a caminho.  Lanou um olhar rpido para 
Peabody no momento em que se levantou e pegou o casaco, avisando:  
Voc est novamente de servio! 



A policial que montava guarda junto da porta de Sarabeth Greenbalm ti-
nha olhos de quem j vira cenas como a que se apresentava l dentro e
sabia que tornaria a v-las. 
 Policial Carmichael  chamou Eve, lendo o nome que aparecia no 
uniforme.  O que temos aqui? 
 Mulher branca, quarenta e poucos anos, morta no local. O apar-
tamento est em nome de Sarabeth Greenbalm. No h sinal de entrada 
forada nem de luta. O edifcio no dispe de cmeras de segurana, exce-
to as da entrada principal. Meu parceiro de ronda e eu estvamos circu-
lando pela rea quando a Emergncia deu o alarme, s dezoito e trinta e 
cinco. Havia uma denncia annima de cdigo 1222 para este endereo. 
Respondemos ao chamado de imediato e chegamos aqui s dezoito e qua-
renta e dois. A porta de entrada do edifcio estava destrancada, bem como 
a do apartamento. Entramos aqui e encontramos a vtima. Preservamos a 
cena do crime e informamos  Emergncia sobre suspeita no local. 
 Onde est seu parceiro de ronda, Carmichael? 
 Tentando localizar o sndico do prdio, senhora. 
 timo! Mantenha o corredor vazio e fique de guarda at ser dis-
pensada. 
  Sim,  senhora.    Carmichael  olhou meio  de  lado  para  Peabody 
quando as duas passaram por ela. Entre os policiais, Peabody tinha a fa-
ma de ser o bichinho de estimao da tenente, e esse fato era comentado 
com vrios nveis de inveja, ressentimento e espanto. 
Sentindo uma combinao desses trs sentimentos na policial Car-
michael, Peabody espremeu os ombros para passar por ela sem encostar, 
enquanto seguia Eve atravs da porta. 
 O gravador est ligado, Peabody? 
 Sim, senhora. 

~ 69 ~ 
 



 Tenente Dallas e auxiliar Peabody na cena do crime, rua 112 Oes-
te, nmero 23-B, apartamento de Sarabeth Greenbalm.  Enquanto fala-
va, Eve pegou uma lata de spray selante em seu estojo de servio e o bor-
rifou nas mos e botas, antes de entreg-lo a Peabody para que ela fizesse 
o mesmo.  A vtima, ainda a ser identificada,  branca, do sexo feminino. 
Aproximou-se do corpo. O quarto era pouco maior do que uma alco-
va que saa da sala, e a cama era estreita e dobrvel, podendo ser guarda-
da  em um  canto  para  fornecer mais espao  ao  ambiente.  Tinha  lenis
brancos lisos e um cobertor marrom muito gasto nas pontas. 
O assassino usara um festo vermelho dessa vez, enroscando-o em 
torno do corpo da vtima como se fosse uma serpente, desde o pescoo 
at  os tornozelos,  fazendo-a  parecer uma  mmia enfeitada.  Os cabelos, 
em um tom de violeta que Eve imaginou que agradaria Mavis, tinham si-
do cuidadosamente escovados, e algum fizera um penteado em forma de 
cone. 
Os lbios sem tonicidade por causa da morte estavam pintados em 
um tom forte  de  roxo,  e  as faces,  em rosa  suave.  Sombra  dourada  com 
muito brilho fora cuidadosamente aplicada em suas plpebras at a linha 
dos clios. 
Espetado no festo e exatamente sobre a garganta estava um broche 
verde com dois pssaros. Um era dourado, o outro prateado, e estavam
aninhados e unidos bico com bico. 
 Estes pssaros so rolinhas, certo?  perguntou Eve, analisando 
o broche.  Fui pesquisar a letra da cano. No segundo dia ele deu ao 
seu verdadeiro amor duas rolinhas.  Com muito cuidado, Eve passou a 
mo na face da vtima.  A maquiagem  recente. Aposto que faz menos
de uma hora que ele a matou. 
Dando um passo para trs, ela pegou o comunicador para entrar em
contato  com o  comandante  Whitney  e  solicitar que  fosse  enviada  uma 
equipe de peritos para a cena do crime. 

* * * 



~ 70 ~ 
 



Era quase meia-noite quando Eve chegou em casa. Seu ombro latejava um 
pouco. O que a incomodava mais era a sensao de fadiga. Isso era algo 
que andava aparecendo depressa e de forma muito intensa naqueles dias. 
Sabia  o  diagnstico  do  cutucador oficial  do  departamento  mdico: 
tempo de recuperao muito curto. Ela devia ter tirado, no mnimo, mais
dez dias de licena pelo ferimento que sofrer no caso anterior. Sua volta 
ao trabalho ocorrera muito cedo. 
Como  pensar nisso  baixava  o  seu astral,  bloqueou  mentalmente  o 
problema 
Havia se esquecido de comer e, no instante em que colocou o p no 
ambiente aquecido de sua casa, as primeiras fisgadas de fome  aparece-
ram.  Preciso apenas  de  uma  barra de  chocolate,  disse  a si mesma,  pas-
sando as mos pelo rosto antes de se virar para o scanner de localizao 
junto da porta. 
 Onde est Roarke? 
Roarke est no seu escritrio em casa. 
J imaginava, pensou ela, comeando a subir as escadas. Seu marido 
precisava de muito menos horas de sono do que os seres humanos nor-
mais.  Ela  desconfiou que  ia  encontr-lo  to  animado  e  desperto  como 
quando o deixara naquela manh, bem cedo. 
Ele deixara a porta do aposento aberta, portanto foi necessrio ape-
nas um olhar de  relance  para  confirmar suas suspeitas.  Roarke  estava 
sentado atrs de uma mesa larga e reluzente, monitorando telas e dando 
ordens para o  tele-link enquanto o seu fax a laser zumbia suavemente a-
trs dele. 
Era to atraente quanto o pecado. 
Eve  pensou que  se  lhe  restava  energia para  ingerir uma  barra  de 
chocolate. Ento tambm devia haver um pouco mais para saltar em cima 
dele. 
 Sua pilha nunca acaba?  quis saber ela quando entrou no escri-
trio. 
Ele olhou para trs, lanou-lhe um sorriso e voltou a ateno nova-
mente para o tele-link, que continuava a falar: 

~ 71 ~ 
 



 Muito bem ento, John, providencie para que todas essas altera-
es sejam feitas. Amanh as repassaremos com mais detalhes.  E des-
ligou. 
 No precisava parar de resolver os seus assuntos por minha cau-
sa  ela comeou a falar.  S queria avis-lo de que j estou em casa. 
 Estava apenas me distraindo um pouco, enquanto voc no che-
gava.    Virou a cabea meio de lado e analisou o seu rosto.    Aposto 
como voc se esqueceu de comer, no foi? 
 Estou a fim de uma barra de chocolate. Tem alguma por a? 
Ele se levantou e caminhou pelo piso que brilhava como espelho, di-
rigindo-se  ao  AutoChef.  Segundos depois,  tirou l  de  dentro  uma  tigela 
verde pesada, de onde fumegava uma sopa espessa. 
 Isso no  uma barra de chocolate. 
 A menina pode comer guloseimas depois que a mulher se alimen-
tar.  Colocou a sopa sobre a mesa e se serviu de um clice de conhaque. 
Ela foi at a mesa, cheirou a sopa e sentiu a boca cheia d'gua. Quase 
babou. 
 O cheiro est timo  decidiu, sentando-se para devor-la. Voc 
j comeu?  perguntou ela com a boca cheia e quase gemendo de alegria 
ao v-lo colocar uma travessa com pes quentinhos ao lado do prato.   
Voc precisa parar de fazer papel de bab. 
 Este  um dos meus pequenos prazeres  disse ele, sentando-se 
ao  lado  e  bebericando  o  conhaque  enquanto  observava  a  cor voltar ao 
rosto  dela  lentamente,  graas   comida  quente.    Respondendo  a  sua 
pergunta, eu j comi sim, mas at que aceitaria uma pontinha desse po. 
 Huumm.  Solcita, ela partiu um dos pezinhos ao meio e entre-
gou a ele. Aquela era uma cena aconchegante, percebeu Eve. Ela e Roarke 
compartilhando sopa e po depois de um dia cheio para ambos. 
Exatamente como as pessoas normais faziam. 
 E ento. . As aes das Indstrias Roarke subiram quanto no pre-
go de ontem..  oito pontos? 
 Oito pontos e trs quartos.  Suas sobrancelhas se ergueram.  
Anda interessada no mercado de aes, tenente? 

~ 72 ~ 
 



 Gosto de vigiar voc. Se as aes despencarem, talvez eu seja o-
brigada a larg-lo. 
 Ento vou mencionar esse assunto na prxima reunio de acio-
nistas. Quer um pouco de vinho? 
 Pode ser. Deixe que eu pego. 
 Fique sentada e coma. Ainda no acabei de cuidar de voc.  Ele 
se levantou e pegou uma garrafa que j estava aberta e guardada na uni-
dade de refrigerao do escritrio. 
Enquanto  ele  enchia  uma  taa  de  vinho,  ela  raspara  o  restinho  da 
sopa da  tigela,  e  por pouco  no  lambeu o  fundo.  Sentia-se  aquecida  e 
tranqilizada. Em casa. 
 Roarke, vamos dar uma festa? 
 Eu topo. Quando vai ser? 
 Sei l.  Um vinco vertical de estranheza surgiu-lhe entre as so-
brancelhas quando  ela  levantou a  cabea  para  olhar para  ele.    Se  eu
soubesse quando vai ser, no estaria perguntando.  que Feeney comen-
tou alguma coisa a respeito da nossa festa de Natal. 
 Vinte e trs de dezembro.  verdade, vamos dar uma festa. 
 Por qu? 
 Querida Eve.  Ele se inclinou e a beijou no alto da cabea antes 
de voltar a se sentar.  Estamos na poca do Natal. 
 E por que no me contou nada a respeito disso? 
 Acho que contei sim. 
 Eu no me lembro. 
 Est com a sua agenda eletrnica  mo?  
Resmungando, ela enfiou a mo no fundo do bolso, pegou o aparelho 
e digitou alguns dados. Apareceu ali, clara como cristal, a informao, se-
guida das iniciais que  provavam que  fora  ela  mesma  que  registrara  as 
informaes. 
 Ah, sim..   Foi a sua reao. 
 As rvores sero entregues amanh. 
 rvores? No plural? 



~ 73 ~ 
 



 Sim. Teremos uma rvore formal na sala de estar e vrias outras 
no salo de festas do andar de cima. S que eu resolvi tambm encomen-
dar uma menorzinha, mais ntima, para o nosso quarto. Essa ns vamos 
decorar juntos. 
 Voc quer decorar uma rvore de Natal?  perguntou ela com as 
sobrancelhas levantadas de espanto. 
 Sim, quero. 
 Mas eu no entendo nada a respeito dessas coisas. Nunca decorei 
uma rvore de Natal em toda a minha vida. 
 Nem eu, ou pelo menos no fao isso h muitos anos. Essa vai ser 
a nossa primeira rvore. 
O calor que a percorreu por dentro no tinha nada a ver com a sopa
quente nem com o vinho de safra especial. Seus lbios se abriram em um
sorriso. 
 Provavelmente vamos nos enrolar todos com essa tarefa. 
 Sem dvida.  Ele segurou a mo que ela lhe estendera.  Est 
melhor? 
 Muito melhor. 
 Quer me contar a respeito dessa noite? 
 Sim, quero.  Os dedos dela ficaram tensos sob os dele. Ela reti-
rou a mo e se levantou, porque conseguia pensar melhor quando cami-
nhava de um lado para outro. 
  Ele matou outra mulher   comeou ela.    Mesmo  modus ope-
randi. As cmeras externas do prdio o gravaram. Ele usou a mesma fan-
tasia de Papai Noel e a grande caixa prateada com um lao imenso. E dei-
xou um broche na vtima, dois pssaros em um crculo. 
 Rolinhas. 
 Isso mesmo ou algo assim. No sei direito como  a aparncia de 
uma porcaria de rolinha. No h sinais de entrada forada nem de luta. 
Imagino que o relatrio do exame toxicolgico ir mostrar que ela foi do-
pada. Dessa vez a vtima foi imobilizada e provavelmente amordaada, j 
que esse apartamento no era  prova de som. Havia fibras de tecido na 



~ 74 ~ 
 



lngua e dentro da boca da vtima, mas o assassino no deixou a mordaa 
no local do crime. 
 Ela foi violentada sexualmente? 
 Sim, exatamente como a primeira. Havia tambm uma tatuagem 
temporria  em seu seio  esquerdo.  Meu Verdadeiro Amor. Ele  a  enrolou
com um festo vermelho. Maquiou seu rosto e escovou-lhe os cabelos. O 
banheiro era o lugar mais limpo do apartamento. Aposto que o prprio 
criminoso fez uma faxina completa depois de se lavar. Ela estava morta 
h menos de uma hora quando cheguei l. A ligao annima foi feita de 
uma cabine que fica no mesmo quarteiro do prdio. 
Roarke conseguia ver o ar de frustrao que voltava ao rosto de Eve. 
Levantando-se, pegou a taa dela junto com a dele. 
 Quem era ela? 
 Uma danarina de boate. Fazia striptease no Estao Doura, um 
clube exclusivo, de alta classe, no West Side. 
 Sim, eu sei onde fica.  Quando notou que ela o encarava com os 
olhos semicerrados, entregou-lhe o vinho e completou:  Sim, por acaso 
eu sou o proprietrio do local. 
 Odeio quando isso acontece.  Ao ver que a reao dele foi ape-
nas um sorriso, Eve soprou com fora.  Ela trabalhava no turno da tar-
de e saiu pouco antes das cinco. Pelo que pudemos averiguar, foi direto 
para casa. O cardpio do seu AutoChef foi consultado s seis horas, bem
na hora em que a cmera pegou o canalha entrando no prdio. 
Eve olhou fixamente para o vinho antes de comentar: 
 Acho que ela tambm ficou sem jantar. 
 Ele est trabalhando muito depressa. 
 E est se divertindo  bea. Pelo visto, pretende alcanar a sua co-
ta antes do Ano-novo. Preciso investigar tudo na casa dela: seu tele-link,
registros financeiros, arquivos pessoais. E tenho que averiguar o broche. 
No estou indo a lugar nenhum com a fantasia de Papai Noel ou os fes-
tes. Qual a ligao que existe entre uma doce auxiliar administrativa e 
uma danarina de striptease? 



~ 75 ~ 
 



 Conheo esse tom de voz.   Dizendo isso, ele se virou e foi em 
direo ao seu console.  Vamos ver o que podemos descobrir. 
 No pedi para voc fazer pesquisa nenhuma para mim. 
 Eu sei, mas ficou implcito  afirmou ele, olhando na direo de-
la.  Qual  o nome da vtima? 
 No deixei nada implcito. O nome dela  Sarabeth Greenbalm.  
Foi at onde ele estava, junto ao console.  Eu estava apenas pensando 
em voz alta. O endereo  rua 112 Oeste, nmero 23-B. 
 Achei. O que quer que eu pesquise primeiro? 
 Posso verificar o  tele-link amanh de manh. V direto aos seus
arquivos pessoais e financeiros. 
  Os dados financeiros vo  nos exigir um pouco  mais de  tempo. 
Comecemos com eles. 
 Sem exibies, hein?  avisou Eve, e ento deu uma risada quan-
do Roarke a enlaou pela cintura e a puxou para perto de si. 
 Ora, mas  claro que eu vou me exibir para voc. Pesquisar Sara-
beth Greenbalm  ordenou ele ao sistema, e ento enterrou o nariz no 
pescoo de Eve.  O endereo  rua 112 Oeste, nmero 23-B.  Sua mo 
deslizou e cobriu um dos seios dela.  Quero todos os dados financeiros, 
a comear pelas transaes mais recentes. 
Processando... 
 Agora  murmurou ele, girando Eve e colando o corpo junto ao 
dela , acho que mal vamos ter tempo para. .  Sua boca se lanou con-
tra  a  dela e  a  fez  sentir-se  tonta,  como  se  ela  estivesse  girando  rapida-
mente pelo aposento e se elevando at o teto alto. 
Os dados esto disponveis. 
 Bem  disse ele, mordendo-lhe o lbio inferior.  Talvez no te-
nhamos tanto tempo assim, afinal. Aqui esto seus dados, tenente. 
 Nossa, voc  bom nisso!  exclamou, soltando o ar que lhe fica-
ra preso na garganta.    Muito bom mesmo.    E tornou a expirar com
fora. 




~ 76 ~ 
 



 Sei disso.  Vendo que ela estava com o corpo ligeiramente de-
sequilibrado, ele se recostou, puxando-a, at que ela despencou em seu
colo. 
 Ei, eu estou trabalhando! 
 Eu tambm.  Girando-a para coloc-la de costas para ele, come-
ou a mordiscar-lhe a nuca.  Eu trabalho aqui atrs e voc trabalha a 
na frente. 
  No  posso  fazer isso  com voc  me. .    Encolheu os ombros e 
prendeu o riso, tentando se concentrar nos dados que apareciam na tela. 
 O aluguel era a maior despesa fixa dela, seguida de perto por roupas. 
Registrava  a  maioria  dessas compras como  vesturio  profissional  para 
no pagar impostos. Pare com isso!   Deu-lhe uma palmada nos dedos
geis que j haviam desabotoado a sua blusa at o umbigo. 
 Voc no precisa de blusa para analisar esses dados  argumen-
tou ele e comeou a abaixar-lhe a roupa pelos ombros. 
 Pois escute aqui, meu chapa, ainda estou com o coldre aqui, com 
arma e  tudo,  portanto. .    De repente,  lanou-se para a frente com um 
salto,  fazendo-o  xingar  baixinho.    Merda,  merda!  Est  aqui.  Filho-da-
me! Achei a conexo entre as duas vtimas. 
 Onde?  perguntou ele, resignado, afastando os planos de sedu-
zi-la e voltando a ateno para a tela. 
 Aqui. Trs mil dlares transferidos eletronicamente para a conta 
da agncia de encontros ntimo e Pessoal seis semanas atrs. 
Seus olhos estavam mais acesos agora, no de paixo, mas de poder, 
no instante em que ela se virou para olhar para ele, continuando: 
 Ela e Marianna Hawley utilizavam os servios da mesma agncia 
de encontros. Isso no  uma coincidncia e sim uma ligao. Preciso co-
nhecer os candidatos que o sistema selecionou para Sarabeth  murmu-
rou e, quando percebeu o olhar inquisitivo de Roarke, balanou a cabea. 
 Dessa vez no. Vamos conseguir as coisas do modo correto, seguindo 
as regras. Vou at l amanh para solicitar os dados. 
 No me levaria muito tempo conseguir acesso ao sistema deles. 



~ 77 ~ 
 



 Isso  ilegal.  Ela lutou para manter o rosto srio quando o sor-
riso luminoso de Roarke a envolveu.  Alm do mais, isso no faz parte 
do seu trabalho. Obrigada pelo oferecimento mesmo assim. 
 O quanto voc est grata? 
Ela  ficou novamente  junto  dele  e  se  colocou entre  as suas pernas, 
olhando para baixo e respondendo: 
  O  bastante  para  deixar que  voc  acabe  de  cuidar de  mim.    E
sentou em seu colo com as pernas abertas.    Depois que eu acabar de 
cuidar de voc,  claro. 
 E que tal. .  props ele, agarrando-a pelos cabelos e puxando-a
pela cabea at suas bocas ficarem a centmetros uma da outra  se cui-
dssemos um do outro ao mesmo tempo? 
 Combinado!  


































~ 78 ~ 
 


















I 
 








CAPTULO CINCO 








nstalada em seu escritrio domstico, onde os dbeis raios do sol de 
 
inverno  infiltravam-se  pela  janela  s suas costas,  Eve  organizou  os 
dados que conseguira. Pretendia apresentar um relatrio ao coman-
dante at o meio da manh, mas ainda havia vrias lacunas que ela preci-
sava preencher antes. 
 Ligar computador!  ordenou ela.  Fornecer dados detalhados 
sobre a empresa de agenciamento de encontros registrada sob o nome de 
ntimo e Pessoal, localizada na Quinta Avenida, em Nova York. 
Processando... A  agncia ntimo e  Pessoal  foi  inaugurada  no ano  de 
2052, em um prdio da  Quinta Avenida. A  empresa   de  propriedade  de 
Rudy e Piper Hoffman e tambm administrada por eles. 
  Pare!  Apenas  para  confirmar,  os  donos  da  empresa  so  Rudy  e 
Piper Hoffman? 
Afirmativo. Rudy e Piper Hoffman so irmos gmeos e tm vinte e oi-
to anos. Residncia: Quinta Avenida, nmero 500. Deseja que o sistema con-
tinue a pesquisar afirma ntimo e Pessoal? 
 No, quero mais informaes a respeito dos proprietrios. Apre-
sente um relatrio com seus dados completos. 
Processando... 
Enquanto o computador fazia a varredura em seus chips, Eve se le-
vantou para pegar uma xcara de caf. Irmos gmeos, pensou, enquanto 
o AutoChef preparava o pedido. Irmo e irm. Ela achou que eles eram
amantes. Agora, porm, pensando melhor, lembrando o jeito com que se 
 
 



encostavam um no outro, se moviam em harmonia e os olhares que tro-
cavam, imaginava se tanto ela quanto o computador poderiam estar cer-
tos. 
Era uma idia meio difcil de digerir. 
Com o rabo do olho viu um movimento nas portas que davam para a 
sala ao lado da dela, e ento Roarke surgiu em seu campo de viso. 
 Bom-dia. Voc levantou cedo. 
  Quero  apresentar o  relatrio  preliminar para  o  comandante 
Whitney assim que chegar  central.  Pegou o caf no AutoChef e pas-
sou a mo pelos cabelos, lanando-os para trs.  Quer uma xcara? 
 Quero sim.  Ele pegou o caf dela e sorriu quando a viu franzir 
o cenho para ele.  Tenho um monte de reunies marcadas para hoje. 
 Grande novidade  murmurou ela enquanto programava o apa-
relho, pedindo outra xcara de caf. 
 Mas voc pode me interromper, se precisar. 
Ela resmungou alguma coisa e olhou para a tela do computador, que 
indicava que a pesquisa fora completada. 
 Muito bem. Olhe, eu consegui...  Gritou, surpresa, ao sentir que 
ele colocava a mo na frente de sua blusa, pressionando-a.  Ei, parar o 
sistema!  ordenou ela, afastando a mo do marido. 
 Adoro o seu cheirinho de manh cedo  informou ele, inclinan-
do-se na direo dela e cheirando-lhe o cabelo enquanto falava. 
  apenas sabonete. 
 Eu sei. 
  Segure  esse  teso    reclamou ela.  Mas que  droga. .  ele  fazia  o 
sangue dela correr mais depressa.  Tenho muito trabalho para hoje  
murmurou ao sentir que os braos dele a enlaavam. 
 Eu tambm. Estou com saudades, Eve.  Colocou a xcara de lado 
para poder envolv-la com os dois braos. 
 Acho que temos andado muito ocupados nas ltimas duas sema-
nas.  Seria to gostoso ficar ali encostada nele e deixar a coisa rolar.  
No posso deixar este caso de lado. 



~ 80 ~ 
 



 No espero que voc faa isso.  S pelo prazer que isso lhe da-
va, esfregou a face na dela.   Nem queria que fizesse isso.   Porm, o 
ltimo caso que Eve resolvera e o que acontecera com ela lhe pesava no 
corao e na conscincia.  Eu me satisfao com um ou outro momento 
roubado aqui e ali.  Afastou-se um pouco e roou os lbios sobre os de-
la.  Voc sabe que eu sempre fui bom em cometer pequenos delitos. 
  Voc  no  devia  ficar me  lembrando  dessas coisas.    Sorrindo, 
emoldurou o rosto dele com as mos. 
Parada no portal, Peabody os observava. Era tarde demais para vol-
tar atrs e ela no conseguiu dar um passo  frente. Embora os dois esti-
vessem simplesmente em p, um diante do outro, as mos dele sobre os
ombros de Eve e as dela em seu rosto, Peabody considerou a imagem um 
momento arrebatadoramente ntimo. Seu rosto se ruborizou e seu cora-
o suspirou de inveja. 
Meio perdida, fez a nica coisa que lhe ocorreu na hora e pigar-reou, 
lanando em seguida a tosse discreta e embaraada de algum que chega
em hora inadequada. 
Roarke  deixou que  suas mos deslizassem pelos braos de  Eve  e 
sorriu na direo da porta. 
 Bom-dia, Peabody  cumprimentou ele.  Quer caf? 
 Ahn..  Aceito sim. Obrigada. Ahn... Est um frio de rachar l fora. 
    mesmo?    espantou-se  Roarke,  enquanto  Eve  voltava    sua 
mesa. 
  Sim,  embora  a  temperatura  ainda  no  esteja  abaixo  de  zero.  A 
previso  de neve intermitente por toda a manh. 
 Que  isso? Voc se transformou em Servio de Meteorologia am-
bulante?  implicou Eve e deu uma boa olhada em sua ajudante. O rosto 
de Peabody estava afogueado e seus olhos exibiam um ar doce, enquanto 
as mos mexiam sem parar nos botes do  uniforme,  parecendo  muito 
ocupadas.  O que h de errado com voc? 
 Nada, tenente. Obrigada  agradeceu ela quando Roarke lhe en-
tregou uma xcara de caf. 
 De nada  disse ele.  Vou deix-las entregues ao trabalho. 

~ 81 ~ 
 



Quando ele passou pelas portas que ligavam o escritrio domstico 
de Eve com o dele e as fechou, Peabody exclamou com um suspiro: 
 No sei como consegue se lembrar do prprio nome quando ele
olha para voc daquele jeito. 
 Quando esqueo o meu nome, ele me chama e eu torno a lembrar. 
Embora percebesse o ar de ironia na voz de Eve, Peabody se apro-
ximou dela, intrigada: 
 Como  essa sensao? 
 Que sensao?  Levantando a cabea, Eve percebeu o olhar in-
tenso de sua auxiliar e encolheu os ombros, meio sem graa.  Peabody, 
temos muito trabalho pela frente. 
  Essa no  a resposta?    interrompeu Peabody.   O que voc 
tem em sua vida no  exatamente o que aquelas duas mulheres procura-
vam? 
Eve abriu a boca, mas no conseguiu pronunciar nem uma palavra. 
Olhou para as portas de ligao entre as duas salas e viu que Roarke as
fechara, mas deixara-as destrancadas. 
  mais do que voc possa imaginar  ouviu a si mesma dizer.  
Muda tudo na vida e conserta as coisas que realmente importam. Talvez 
voc nunca mais volte a ser a mesma, e em parte voc vai sempre temer
diante do que acontecera caso um dia... mas ele sempre vai estar ali. Tudo 
o que tem a fazer  esticar o brao e ele sempre estar ali. 
Surpresa consigo mesma, enfiou as mos nos bolsos e continuou: 
 Ser que  possvel alimentar um computador com dados e deix-
lo procurar por algum que tenha uma personalidade compatvel com a 
sua e o mesmo estilo de vida? No sei. Porm, temos aqui duas mulheres 
que pensavam que valia a pena tentar. Puxe uma cadeira, Peabody, e va-
mos ver o que conseguimos. 
 Sim, senhora. 
 Vamos comear com uma pesquisa completa sobre Jeremy Van-
doren. Intuio  parte, precisamos confirm-lo como suspeito ou elimi-
n-lo. Depois que tivermos os dados completos dos cinco candidatos da 
lista de Marianna Hawley, faremos outra visita  ntimo e Pessoal. 

~ 82 ~ 
 





voz. 
 



 Detetive McNab se apresentando para trabalhar  anunciou uma 

Eve olhou para trs e viu Ian McNab entrar no aposento com um jei-
 
to exibido. Tinha um sorriso largo e satisfeito pregado no rosto bonito e 
usava um casaco em um tom berrante de fcsia que ia at a altura dos
joelhos e cobria o macaco verde-Natal que usava por baixo, acompanha-
do  de  uma  fita  listrada  com as mesmas duas cores  que  lhe  prendia os
compridos cabelos dourados, muito brilhantes. 
Sentindo  que  Peabody ficou rgida  de  indignao  ao  seu lado,  Eve 
quase soltou um suspiro. 
 Como vai, McNab?  cumprimentou Eve. 
 Tudo na boa, tenente. Oi, Peabody!  exclamou ele, lanando-lhe 
uma piscadela marota para em seguida encostar o quadril na mesa.  O
capito Feeney me disse que voc pretende utilizar os meus servios no 
caso  do  Papai  Noel.  Estou me  apresentando  para  servi-la.  Tem alguma 
coisa para se comer por aqui? 
 Verifique as opes do AutoChef. 
 Como diz a Mavis, isso vai ser mais que demais. Trabalhar para 
voc, Dallas, traz benefcios paralelos muito irados.    Levantou e abai-
xou as sobrancelhas de forma sugestiva na direo de Peabody, e ento 
saiu em busca de um bom desjejum. 
 J que voc pretende mesmo usar esse idiota  murmurou Pea-
body, de forma quase inaudvel , por que ele no pode trabalhar em sua 
prpria sala na Diviso de Deteco Eletrnica? 
  Porque  a  minha  inteno  era  irritar voc,  Peabody.  Como  voc 
sabe, esse  o meu principal projeto de vida. J que est aqui, McNab   
continuou Eve, elevando a voz , voc pode comear a fazer pesquisas a 
partir dos dados que esto saindo. Peabody e eu precisamos ir para a rua, 
fazer trabalho de campo. 
 Deixe comigo  disse ele, dando uma dentada enorme num po 
doce com recheio de amora.  Vou botar pra quebrar! 




~ 83 ~ 
 
 



 Quando acabar de lambuzar a cara  disse Eve, com tom neutro 
, cruze os dados com o arquivo Hawley. Quero um levantamento com-
pleto. 
 Andei investigando o ex de Marianna Hawley na noite passada  
anunciou ele com a boca cheia.  At agora no consegui achar nenhuma 
brecha em seu libi. 
 Muito bem.  Ela apreciou a iniciativa do rapaz, mas decidiu no 
elogi-lo demais para no ter de aturar o bico de cime que Peabody ia 
armar pelo resto do dia.  Vou lhe enviar mais uma lista da rua. Pesquise 
os nomes que forem aparecendo e cruze-os com os das outras listas. D 
uma boa olhada nos gmeos Rudy e Piper. Quero saber de qualquer deta-
lhe extra que aparea. E corra atrs disto aqui tambm. 
Voltando-se para o computador, abriu a pasta de provas, copiou um 
holograma do segundo broche e deu mais instrues: 
 Quero saber quem fabricou esta pea, quantas foram feitas, onde, 
quantas foram vendidas e para quem. Cruze tudo isso com os dados do 
primeiro prendedor de cabelo, que foi encontrado no corpo de Marianna 
Hawley. Entendeu tudo, McNab? 
 Sim senhora.  Engoliu o resto do po doce com pressa e colocou 
o dedo indicador na testa.  Est tudo aqui dentro. 
 Se voc me conseguir um nome que esteja presente nas duas lis-
tas e tenha ligao com os enfeites e a maquiagem, providenciarei para 
que receba pes doces recheados todas as manhs pelo resto da sua vida. 
 Uau! Isso  que  incentivo  disse e flexionou os dedos para en-
trar em ao.  Mos  obra! 
 Vamos nessa, Peabody  chamou Eve, levantando-se e pegando 
a bolsa.  No incomode Roarke, McNab  avisou ela antes de sair. 
 Voc est com uma tima aparncia, Peabody  elogiou McNab 
no momento em que Peabody chegou  porta. Ela grunhiu com raiva, fe-
chou a cara, saiu do escritrio pisando duro e foi embora satisfeita consi-
go mesma. 
 A Diviso de Deteco Eletrnica tem um monte de detetives com 
classe,  sabia,  tenente?    reclamou  Peabody enquanto  elas desciam as

~ 84 ~ 
 



escadas.  Como  que ns acabamos em companhia do mais babaca de 
toda a corporao? 
 Pura sorte, eu acho.  Eve pegou o casaco de couro que deixara 
pendurado  no  pilar do primeiro  degrau da  escada  e  o  vestiu enquanto 
saam. 
 Nossa!  exclamou ela.  Est frio pra cacete aqui fora. 
 A senhora devia estar usando um casaco mais pesado, tenente, 
  J  estou acostumada  com  este  aqui.    Entrou no  carro  o  mais
depressa que conseguiu e ordenou:  Aquecimento, pelo amor de Deus. 
Vinte e quatro graus! 
 Adoro o seu carro novo  comentou Peabody, instalando-se no 
banco.  Tudo funciona. 
 , mas falta personalidade nele.  Mesmo assim, Eve olhou com
satisfao para o painel e viu o confivel sensor indicar que uma ligao 
chegava naquele momento pelo tele-link. Atenda o chamado, mas segu-
re o sinal de sada  ordenou a Peabodv enquanto saa pelos portes da 
casa.   uma mensagem com vdeo, mas coloque na caixa postal. 
 Dallas? Dallas? Mas que droga!  O rosto atraente e irritado de 
Nadine  Furst, a  competente  reprter do  Canal  75,  apareceu na  tela.   
No consegui peg-la em casa. Summerset disse que voc j estava a ca-
minho de algum lugar. Quer atender essa porcaria de tele-link, por favor?! 
 No conte com isso, Nadine. 
  um inferno! Esses tele-links dos carros da polcia nunca funcio-
nam direito mesmo    reclamou Nadine, imaginando que falava para si 
mesma. 
Peabody e Eve trocaram sorrisos de cumplicidade enquanto Nadine 
continuava resmungando, no ar. 
 Acho que ela j ouviu algum bochicho sobre o novo caso  disse 
Peabody. 
 Pode apostar  confirmou Eve.  Agora ela quer me cercar para 
ver se descobre alguma informao para o telejornal da manh, e vai me 
encher o saco para conseguir uma declarao exclusiva para ir ao ar na 
edio de meio-dia. 

~ 85 ~ 
 



  Dallas!    voltou Nadine na tela do  tele-link.   Preciso de mais 
dados a respeito dessas duas mulheres que foram assassinadas. Os dois
casos tm ligao um com o outro? Qual , Dallas, seja camarada comigo. 
Preciso de algum material antes da hora do almoo. 
  Eu no  disse?!    afirmou Eve,  com ar complacente,  enquanto 
costurava pelo trfego. 
 Entre em contato comigo, por favor. Quem sabe podemos marcar 
um flash exclusivo ao vivo, com voc, para a edio de meio-dia? Estou
com o prazo curto para editar e fechar a matria. 
  Estou quase  chorando  de  to  comovida.   Eve  bocejou ao  ver 
que Nadine desligara. 
 Eu gosto dela  comentou Peabody. 
 Eu tambm. Ela  uma profissional justa, imparcial e muito obje-
tiva.  tima em seu trabalho. Mas isso no quer dizer que eu vou perder
meu tempo s para os ndices de audincia dela entrarem em rbita. Se 
eu conseguir evit-la por um ou dois dias, ela vai comear a correr atrs
de  pistas por conta  prpria. Depois  disso  poderemos ter acesso ao  que 
ela conseguiu, e de graa. 
 A senhora  ardilosa, tenente. Gosto disso. Quanto a McNab, po-
rm..  
  melhor atur-lo, Peabody  sugeriu Eve, entrando em uma va-
ga no segundo nvel de um estacionamento areo sobre a Quinta Avenida. 
Ao entrar no prdio, Eve foi direto para o elevador panormico, en-
fiou as mos nos bolsos e tentou tolerar sem estresse a subida rpida at 
o andar onde funcionava a ntimo e Pessoal. 
Atendendo no balco da recepo estava um jovem Apolo com om-
bros largos, pele da cor de chocolate suo e olhos que pareciam antigas
moedas de ouro. 
 Pare de se agitar  murmurou Eve, e Peabody apenas gru-nhiu 
em resposta. Dirigindo-se ao recepcionista, pediu:  Avise Rudy e Piper 
de que a tenente Dallas e sua ajudante esto aqui. 
 Tenente  seu sorriso era sedutor e lento  , sinto muito, mas 
Rudy e Piper esto consultando um cliente neste exato momento. 

~ 86 ~ 
 



 Pois avise-os de nossa chegada mesmo assim  insistiu Eve.  E
diga-lhes tambm que acabam de perder outra cliente. 
 Sim, senhora.  Ele fez um gesto amplo em direo  sala de es-
pera    esquerda.    Por favor,  fiquem   vontade.  Se  desejarem,  podem
pedir algo para beber enquanto aguardam. 
 No me deixe esperando aqui por muito tempo. 
Ele no demorou nada. Em menos de cinco minutos, e antes de Pea-
body fraquejar e  pedir algo  chamado  Espuma  Cremosa  de  Framboesa, 
Rudy e Piper surgiram na recepo. 
Estavam de branco novamente, com tnicas  altura dos tornozelos. 
Piper colocara uma faixa azul de seda para deixar o modelo mais alegre. 
Ambos usavam uma argola de ouro pendurada na orelha direita, partes
de um mesmo par de brincos. 
Aquilo fez a pele de Eve se arrepiar toda. 
 Tenente  falou Rudy, mantendo a mo no ombro de Piper.   
Estamos com um pouco de pressa. Nossa agenda est lotada esta manh. 
  E  vai ficar mais  ainda.  Preferem  conversar aqui mesmo  ou em
particular? 
Um quase imperceptvel ar de irritao cintilou nos olhos exticos 
de Rudy, mas ele estendeu a mo de forma educada na direo do corre-
dor que levava  sua sala. 
 Sarabeth Greenbalm  informou Eve no instante em que a porta 
se fechou atrs de si.  Foi encontrada assassinada ontem. Era uma de 
suas clientes. 
  Por Deus,   meu Deus!    Nesse  exato  instante,  Piper  desabou 
sobre uma larga poltrona branca e cobriu o rosto com as mos. 
 Calma, calma. .  Rudy acariciou os cabelos de Piper e massage-
ou-lhe a nuca com os dedos.  A senhora tem certeza de que ela era cli-
ente nossa? 
 Sim. Quero o nome dos candidatos selecionados para ela. Qual de 
vocs dois a atendeu? 
 Fui eu.  Piper deixou as mos carem sem vida sobre o colo. Os
olhos muito verdes brilharam pela ao das lgrimas prestes a cair e sua 

~ 87 ~ 
 



boca pintada de ouro plido tremeu.  Sou eu quem trabalha com reque-
rentes do sexo feminino, e Rudy atende os homens, a no ser que o pr-
prio cliente solicite o contrrio. De modo geral, as pessoas se sentem mais
 vontade quando discutem suas necessidades romnticas e sexuais com
algum do mesmo sexo. 
 Certo.  Eve manteve os olhos grudados no rosto de Piper e ten-
tou no reparar no fato de que sua mo fora subindo de leve at ser en-
volvida pela do irmo. 
  Eu me lembro dela, tenente. Sarabeth. Lembro-me bem, porque 
ela no ficou satisfeita com os dois primeiros rapazes que selecionamos
como par ideal e queria o dinheiro de volta. 
 Conseguiu a devoluo do dinheiro? 
 Temos uma poltica muito rgida a respeito de devolues depois 
de  os clientes j  terem explorado  as possibilidades junto  aos parceiros
selecionados  informou Rudy, apertando a mo da irm com fora, em
um ato tranqilizador, para em seguida dirigir-se  sua mesa. 
 Entendo. Nenhum de vocs dois mencionou o fato de que so os
donos da companhia. 
 A senhora no perguntou  disse Rudy, em tom neutro, enquan-
to pesquisava os dados solicitados por Eve. 
 Quem alm de vocs dois poderia ter acesso a esses dados? 
 Temos trinta e seis colaboradores  explicou Rudy.  Depois do 
contato inicial, que  conduzido pessoalmente por mim ou por Piper, os
requerentes so encaminhados ao consultor mais adequado s suas ne-
cessidades. Devo  informar que todos os nossos consultores so selecio-
nados com rigor, treinados e licenciados, tenente. 
 Quero os nomes de todos, bem como os seus dados pessoais. 
  No  posso  concordar com isso.    Seus olhos se  fecharam um 
pouco,  tornando-se  glidos.    Esse  tipo  de  invaso  de  privacidade  em 
nossa equipe  um insulto. 
Eve jogou a cabea de leve para o lado enquanto o encarava e pediu: 
 Peabody, solicite um mandado de busca e apreenso de todos os 
registros e arquivos dos funcionrios e de todos os clientes da empresa 

~ 88 ~ 
 



ntimo e Pessoal. Compare e acrescente as fichas dos casos de Marianna 
Hawley  e  de  Sarabeth Greenbalm,  e  exija  que  o  mandado  seja  enviado 
diretamente para mim, via comunicador. Consiga tudo isso depressa! 
 Agora mesmo, tenente. 
 Rudy. .  Esfregando as mos, nervosa, Piper se levantou.  Isto 
 mesmo necessrio? 
 Creio que sim.  Estendeu a mo e pegou a dela quando ela se 
aproximou.  Se todos os nossos arquivos vo fazer parte de uma inves-
tigao  policial,  quero  que  esteja  tudo  bem documentado  oficialmente. 
Desculpe-me pelo que possa ter parecido falta de cooperao ou compai-
xo, mas tenho muitas pessoas s quais devo proteger. 
 Eu tambm.  Quando o comunicador apitou, Piper deu um pulo 
de susto.  Desculpe.  Eve deu as costas para eles e pegou o pequeno 
aparelho em seu bolso.  Dallas falando. . 
  Conseguimos identificar a  maquiagem usada  em Marianna  Ha-
wley  falou Dickie na tela, com cara emburrada.  A marca  Perfeio 
Natural. Papa-fina, material muito caro e sofisticado, como eu desconfia-
va. 
 Bom trabalho, Dickie. 
 Sim. Isso me custou vrias horas extras e ainda tenho compras de 
Natal para fazer. O exame preliminar indica que o troo usado em Sarabe-
th Greenbalm   da  mesma  marca.  S  d  para  conseguir esse  material 
comprando-o  em sales de  beleza exclusivos e  centros de  esttica.  No 
est  venda em lojas para o pblico em geral, nem mesmo nos lugares
mais sofisticados, e tambm no  vendido pela Internet. 
 timo, assim fica mais fcil de rastrear. Quem  o fabricante? 
 Renascena, Beleza e Sade, uma diviso da Kenbar, que por sua 
vez  um brao das Indstrias Roarke. Voc no sabe o que seu prprio 
marido fabrica, Dallas? 
 Droga  foi a reao de Eve assim que desligou e tornou a se vi-
rar.  Alguns dos sales de beleza deste prdio vendem os produtos da 
marca Perfeio Natural? 



~ 89 ~ 
 



 Sim.  Piper encostou o corpo junto ao de Rudy de um jeito que 
fez o estmago de Eve se contorcer.  Esta linha est nas vitrines do sa-
lo S Maravilhas, no dcimo andar. 
 E vocs tm ligao com o salo? 
 So empresas separadas, mas mantemos um bom relacionamento 
com todos os sales e lojas do edifcio.  Rudy foi at o console, abriu um
compartimento e selecionou um folheto colorido impresso em papel bri-
lhante de boa qualidade acompanhado  por um disco.  Alguns pacotes
incluindo aprimoramento esttico e vales-presente esto disponveis pa-
ra os clientes da agncia  informou a Eve, entregando-lhe o material. 
 A loja S Maravilhas  o salo de beleza mais exclusivo em todo o 
prdio  continuou ele.  Eles tambm oferecem pacotes que incluem
consultas conosco em um plano de servios denominado Dia do Diaman-
te. 
 Muito prtico. 
 E um bom negcio.  foi a resposta de Rudy. 
  Mandado  concedido,  tenente.    Peabody pegou novamente  o 
prprio comunicador e avisou:  A transmisso j est chegando. 



 Repasse todos os dados que chegaram para McNab, Peabody  orde-
nou Eve assim que entraram no elevador panormico. 
 Todos? 
Eve no se comoveu com os olhos arregalados de choque que Pea-
body exibiu. 
 Todos  confirmou.  Comece com os candidatos de Sarabeth 
Greenbalm e  depois envie  os dados dos funcionrios da  empresa.  Dali
siga pela lista de clientes de um ano para c. Tenho um pressentimento 
de que o nosso homem apareceu aqui na empresa h pouco tempo. 
 Isso vai levar uns vinte ou trinta minutos. 
  Ento  arranje  um cantinho  sossegado  para  ficar e  transmita  os 
dados de l. Vamos nos separar aqui. Encontre-me no salo de beleza de-
pois que acabar de receber e transmitir todos os dados. 

~ 90 ~ 
 



 Sim, senhora. 
  E  melhore  o  seu humor,  Peabody.  Ficar de  bico  no    nem  um 
pouco atraente. 
 No estou fazendo bico  reagiu Peabody com dignidade.  Es-
tou simplesmente rangendo os dentes.  Bufou com fora no instante em
que o elevador fechou com um rudo abafado. 
O andar em que o salo ficava cheirava a florestas e campinas. O sis-
tema de som lanava no ar melodias de liras e flautas. Sob os ps dava 
para sentir a textura especial do carpete, que simulava ptalas de rosas
sendo  esmagadas.  As paredes eram  em prata  fosco  e  por elas escorria
lentamente a gua que alimentava um estreito canal que, por sua vez, cir-
cundava o andar inteiro. Cisnes pequenos, com penugem em tons pastis, 
deslizavam majestosamente pela superfcie. 
Havia seis sales ao todo, cada um deles bastante extico, com por-
tais em arco  envidraados e  rodeados de  parreiras.  Eve  reconheceu e-
xemplares da flor-da-eternidade, velha conhecida sua, cujas hastes se es-
piralavam, formando uma curva fina e dourada que, por sua vez, formava 
um halo sobre a entrada da S Maravilhas. 
At que combina, pensou Eve. Aquela flor lhe trouxera muitos pro-
blemas alguns meses antes.?
As portas se abriram de par em par com elegncia e preciso  sua 
chegada. Do lado de dentro, o saguo era largo e suntuoso, havia poltro-
nas estofadas com almofades supermacios em tom de verde-claro. Insta-
lados em cada uma delas, uma pequena tela pessoal e um sistema de co-
municao. Ao redor havia vrios nus forjados em bronze. 
Pequenos andrides circulavam de um lado para outro levando re-
frescos, material para leitura, culos de realidade virtual e o que mais os 
clientes pedissem para passar o tempo enquanto eram esteticamente me-
lhorados. 
Duas das poltronas estavam ocupadas por mulheres que batiam pa-
po  e  sorviam algo  estranho,  que  parecia  espuma  de  algas,  enquanto  a-


* Ver Eternidade Mortal. (N.T.) 
~ 91 ~ 
 



guardavam para  serem atendidas.  Ambas usavam um roupo  felpudo 
salmo com o nome do estabelecimento discretamente bordado no peito. 
 Posso ajud-la, senhora?  A mulher atrs do balco em forma 
de U lanou um olhar longo de avaliao na direo do jeans surrado de 
Eve, as botas muito arranhadas e o cabelo em completo desalinho. Seus
olhos brilharam. A cor deles combinava com os cabelos modelados com
gel em formato de  S que serpenteavam at a nuca penteada de forma 
triangular e  pintada  de  magenta.    Imagino  que  a  senhora  esteja  em
busca do nosso pacote Mulher Completa. 
 Isso foi uma indireta para mim?  perguntou Eve com um sorri-
so agradvel. 
  O que quer dizer, senhora?    A mulher piscou os longos clios 
prateados. 
 Deixe pra l, maninha. Quero saber a respeito da sua linha Perfei-
o Natural. 
 Sim,  claro.  a melhor linha de cosmticos e aprimoramento es-
ttico que o dinheiro pode comprar. Ficarei feliz em solicitar uma consul-
tora de beleza para vir conversar com a senhora. Gostaria de marcar ho-
ra? 
 Sim.  Eve colocou o distintivo sobre o balco, estalando a ponta 
dele sobre a superfcie.  Este exato momento estaria timo para mim. 
 No compreendo... 
 J percebi isso. Chame o gerente. 
  Com licena, senhora.    A jovem virou-se de lado em seu ban-
quinho elevado e falou com suavidade na direo do  tele-link.  Simon, 
poderia vir aqui na recepo, por favor? 
Com os polegares enfiados nos bolsos da cala, Eve balanou para 
trs apoiada  nos calcanhares e  analisou os elegantes frascos e  embala-
gens na vitrine giratria atrs do balco. 
 O que so todas aquelas coisas?  quis saber. 
 Fragrncias personalizadas. Informamos dados a respeito da sua 
personalidade e aspecto fsico em um programa que cria um perfume que 



~ 92 ~ 
 



 unicamente seu. A embalagem  escolhida pela cliente. Cada fragrncia 
 nica e, uma vez selecionada, nunca mais ser fabricada. 
 Interessante. 
   uma coisa maravilhosa para dar de presente para algum.   
Arqueou uma das sobrancelhas finas e bem delineadas, decretando:  O
problema  que se trata de um produto exclusivo e terrivelmente caro. 
  mesmo?  Irritada pelo tom de sarcasmo da atendente, Eve a 
encarou fixamente com os olhos semicerrados.  Vou levar um. 
 Naturalmente o pagamento dever ser efetuado antes de a pro-
gramao do produto ser iniciada. 
Profundamente irritada, Eve se imaginou agarrando a moa pelo ca-
belo duro e modelado e esmagando aquele rostinho perfeito e o sorrisi-
nho de deboche contra o balco, com toda a fora. Chegou a dar um passo 
 frente, mas ouviu passinhos apressados que faziam toque-toque no piso 
muito liso atrs dela. 
 Yvette, qual  o problema por aqui? Estou atoladssimo no traba-
lho l atrs. 
 Ela  o problema  afirmou Yvette, com um leve sorriso. Eve se 
virou e recebeu o impacto de estar frente a frente com o magnfico Simon. 
Os olhos foram a primeira coisa que a impressionaram. Eram muito 
claros, em um azul quase translcido, emoldurados por clios escuros e 
espessos encimados por finas sobrancelhas negras como bano que qua-
se se juntavam no meio. Seus cabelos eram vermelhos, com um forte tom
de rubi, afastados da fronte e das tmporas e penteados para trs, caindo 
em cascatas encaracoladas que lhe desciam at o meio das costas. 
Sua  pele  exibia  o  brilho  dourado  tpico  das pessoas com herana 
multirracial, ou ento ele pintara toda a pele. Sua boca tinha um tom de 
bronze-escuro e sobre a ma esquerda do rosto, muito saliente e cheia 
de personalidade, via-se um unicrnio branco com cascos e chifre doura-
dos. 
Ajeitou o manto azul-rei que lhe cobria os ombros. Por baixo, usava 
um macaco colante amarelo-esverdeado com listras prateadas e um pro-
fundo decote. Um emaranhado de correntes de ouro rebrilhava contra o 

~ 93 ~ 
 



seu impressionante trax. Ele virou a cabea meio de lado, fazendo dan-
ar os numerosos pingentes que usava na orelha  guisa de brinco, e  a-
poiou uma das mos no quadril estreito, avaliando Eve de cima a baixo. 
 Em que posso ajud-la, queridinha? 
 Eu quero. . 
  Espere!  Espere!    Levantou as  duas mos espalmadas para  a 
frente,  revelando  uma  corrente  de flores e  coraes tatuados ali.    Eu
conheo voc.  Jogando a cabea para trs de forma dramtica, circulou
Eve, proporcionando-lhe uma amostra do seu perfume marcante. 
Ameixa, reconheceu Eve. Aquele cara tinha cheiro de ameixa. 
 Rostos  continuou ele, enquanto os olhos de Eve iam se estrei-
tando    so  a  minha  arte,  o  meu negcio,  a  minha  mercadoria,  o  meu
ofcio. E eu j vi o seu rosto. Ah, vi... Tenho certeza de que j a vi. 
De repente, ele agarrou a cabea de Eve entre as mos e se inclinou
na direo dela, at os dois ficarem com os rostos quase colados. 
 Escute aqui, meu chapa... 
 A esposa de Roarke!  guinchou ele, histrico, e plantou-lhe um 
beijo na boca, molhado e estalado, antes de dar um pulo  para trs, a fim
de escapar do murro que percebeu que viria em seguida.   voc! Que-
ee-riii-da!  cantarolou ele, cruzando as mos sobre o corao e dirigin-
do-se  recepcionista.  A esposa de Roarke em nosso humilde salo. 
 A esposa de Roarke?  Yvette ficou vermelha como um pimento 
para  em seguida empalidecer por  completo.    Oh..     murmurou ela 
com ar abatido e doente. 
 Sente-se aqui! Voc tem que sentar e me dizer tudo o que deseja. 
  Ele  pegou o  cotovelo  de  Eve,  com delicadeza,  encaminhando-a  para 
uma  das poltronas.    Yvette,  amada,  seja  um anjo  para  mim  e  cancele 
todas as minhas consultas de hoje.  Virou-se para Eve.  Minha dama 
adorada, sou todo seu. Por onde deseja comear? 
 Voc pode comear dando um passo para trs, meu chapa.  A-
fastou o brao dele e, com certa relutncia, sacou o distintivo em vez da 
arma.  Estou aqui para resolver um assunto policial. 



~ 94 ~ 
 



  meu Deus! Minha nossa!   Simon esbofeteou a si mesmo, de 
leve.  Como pude me esquecer? A esposa de Roarke  a melhor policial 
de Nova York. Perdo, queridinha. 
 Meu nome  Dallas..  tenente Dallas. 
  claro.  Lanou um sorriso doce.  Mil perdes, tenente. Meu
entusiasmo s vezes..  me emociona demais. V-la aqui me deixou meio 
desnorteado, entende? Como sabe, a senhora est na lista das minhas dez 
clientes de sonho, ao lado da primeira-dama e de Slinky LeMar..  a rainha 
do vdeo  acrescentou ao ver que os olhos de Eve continuavam semi-
cerrados.  Est em excelente companhia. 
 Que bom. Preciso da sua lista de clientes da linha Perfeio Natu-
ral. 
 Nossa lista de clientes?   Colocando a mo novamente sobre o 
corao, ele se sentou. Tocou a tela do monitor ao lado e, quando um car-
dpio apareceu, ele ordenou:  Um refrigerante de limo. Por favor, te-
nente, permita-me que eu lhe oferea algo para refresc-la. 
  No precisa, estou tima.   Como Simon parecia mais calmo e 
no mais prestes a pular novamente sobre ela, Eve se sentou diante dele. 
 Preciso dessa lista, Simon. 
 Tenho permisso de saber o motivo? 
 Estou investigando um homicdio. 
  Um assassinato    sussurrou ele, inclinando-se na direo dela. 
  Sei que  isso    terrvel,  mas tambm acho  tremendamente  excitante. 
Sou louco  por filmes de  mistrio  e  histrias de  detetive.    Lanou-lhe 
novamente o seu sorriso mais doce, e Eve, sem conseguir evitar, acabou
suavizando a voz. 
 Isso  um pouco diferente dos filmes, Simon. 
 Eu sei, eu sei. Foi horrvel isso que eu falei. Abominvel. Mas no 
posso imaginar como  que uma linha de produtos de beleza pode ter a 
ver com..   Seus olhos se arregalaram, muito brilhantes. 
 Veneno? Foi veneno? Algum acrescentou veneno na tintura labi-
al da vtima. A pobrezinha se preparou para a balada, pensando em arra-



~ 95 ~ 
 



sar na night... talvez tenha usado a nova tonalidade Vermelho Radical ou, 
no, no, Bronze Pegao, e ento. . 
 Segure a sua onda, Simon! 
Suas pestanas balanaram, ele ficou com o rosto muito brilhante e 
deu uma risada calorosa, afirmando: 
 Acho que eu merecia uma surra.  Sem olhar para cima, pegou o 
copo comprido e fino cheio de um lquido amarelo-claro que um garom
andride levara at ele.   claro que vamos cooperar, tenente, de todas
as formas que pudermos. Devo avis-la, apenas, de que a nossa lista de 
clientes  i-men-sa. Se a senhora pudesse me especificar que produto est 
investigando, isso limitaria muito os resultados e facilitaria o seu traba-
lho. 
 Por enquanto quero a lista completa, depois veremos o que fazer. 
 A senhora  quem manda.  Levantou-se, curvou-se diante dela 
e saiu deslizando em direo ao balco.  Yvette. . faa demonstraes e 
d amostras de alguns dos nossos produtos  querida tenente Dallas en-
quanto eu fao o que ela mandou. Obrigada, amada, voc  um doce de 
coco. 
  No  preciso  de  amostras.    Eve  sorriu,  de  leve,  na  direo  de 
Yvette.    Quero  apenas  a  fragrncia  exclusiva  sobre  a  qual  estvamos 
falando. 
 Claro.  A recepcionista quase se ajoelhou aos ps de Eve.  O
produto seria para a senhora mesma? 
 No.  um presente. 
 Um presente muito especial.  Yvette pegou um computador de 
mo de bolso.  Homem ou mulher? 
 Mulher. 
 Poderia me informar trs das caractersticas mais marcantes de 
sua personalidade? Corajosa, tmida, romntica etc? 
 Inteligente  respondeu Eve, de imediato, pensando na dra. Mi-
ra.  Compassiva. Integra. 
 Muito bem. E quanto a caractersticas fsicas? 



~ 96 ~ 
 



  Estatura  mediana,  porte  esbelto,  cabelos castanhos,  pele  clara, 
olhos azuis. 
 Isso est timo  disse Yvette. Para uma descrio criminal, pen-
sou consigo mesma, com pesar.  Qual o tom de castanho em seus cabe-
los? Que tipo de penteado ela usa? 
Eve  soltou o  ar devagar por entre  os dentes.  Aquela  histria  de 
compras natalinas no era moleza no. . Fazendo o melhor possvel, ela se 
concentrou e tentou descrever a psiquiatra e analista de perfis humanos
mais importante da cidade. 
Quando Peabody entrou, Eve j estava escolhendo o frasco enquanto 
esperava Simon trazer a lista. 
 Vejo que esteve fazendo compras novamente, tenente. 
 No, apenas adquiri outro produto. 
 Quer que entreguemos a mercadoria em sua casa ou no trabalho, 
tenente? 
 Em casa. 
 Quer que o embrulhemos para presente? 
  Droga...  Quero,  quero  sim,  embrulhe  tudo.  E  ento,  Simon,  essa 
lista sai ou no sai?  gritou. 
 Est saindo, tenente amada.   Ele levantou os olhos assim que 
voltou e sorriu de forma luminosa para ela.  Estou to feliz de ter podi-
do ajudar em alguma coisa.   Colocou a lista impressa e o disco com o 
arquivo eletrnico dentro de uma sacola de presentes dourada.  Acres-
centei algumas amostras dos produtos da Perfeio Natural. Creio que a 
senhora  vai ach-los perfeitos.  Naturalmente  perfeitos   brincou ele, 
rindo da prpria piada enquanto entregava a sacola a Eve.  Espero que 
me mantenha informado. Por favor, volte sempre que quiser e  hora que 
desejar.  Adoraria trabalhar um pouco com a senhora. 









~ 97 ~ 
 


















U 
 








CAPTULO SEIS 








m mar de  gente  inundava  a  Quinta  Avenida. As pessoas se  a-
 
glomeravam nas caladas, nas passarelas areas e se apertavam 
nos cruzamentos e  diante  das vitrines,  todas em um frenesi 
contagiante para entrar nas lojas e fazer compras. 
Alguns j  carregados como  mulas,  cheios de  embrulhos e  sacolas 
que transbordavam por todos os lados, abriam caminho entre cotovela-
das e empurres atravs das ondas de pedestres lutando para conseguir 
um txi vazio. 
Acima de suas cabeas, dirigveis de propaganda trombeteavam as 
novidades, encorajando as massas a continuar comprando e anunciando 
descontos em produtos sem os quais seria impossvel viver. 
  So  todos insanos   decidiu Eve  ao  acompanhar o  estouro  de 
uma multido que se lanou ferica na direo de um maxi-onibus que ia 
para o centro.  Todos eles so loucos. 
 Mas voc tambm comprou um produto vinte minutos atrs. 
 De um jeito civilizado e digno. 
 Pois eu gosto dessa confuso natalina  informou Peabody, dan-
do de ombros. 
 Ento voc vai ficar feliz com a notcia que eu vou lhe dar. Vamos 
saltar do carro agora. 
 Aqui? 
  o mais perto que vamos conseguir chegar de carro.  Eve se-
guiu lentamente com o carro no meio da multido e conseguiu parar jun-
 
 



to ao meio-fio na esquina da Quinta Avenida com a rua 51.  A joalheria 
fica a poucos quarteires daqui. Vai ser mais rpido irmos a p. 
Peabody forou a barra para sair e correu para acompanhar os pas-
sos largos de Eve, que j estava na esquina. O vento soprava pela rua  a-
baixo com a pressa de um rio no fundo de um desfiladeiro e fez o seu na-
riz ficar vermelho antes mesmo de caminharem uma quadra. 
 Odeio esta merda  resmungou Eve.  Metade dessas pessoas 
nem mesmo mora na cidade. Surgem de todos os lugares e vm do infer-
no at aqui s para entulhar nossas ruas a cada maldito dezembro. 
  E  injetam toneladas de  dinheiro  na  nossa  economia   rebateu 
Peabody. 
 Provocam atrasos, pequenos delitos, acidentes de trfego. Tente 
sair do centro s seis da tarde.  horrvel.  Franzindo o cenho, passou
ao  lado  de  um quiosque  de  churrasquinho,  sentindo  o  aroma  de  carne
grelhada. 
Um grito a fez desviar o olhar para a esquerda, a tempo de ver uma 
briga que se iniciava. Levantou uma sobrancelha, levemente interessada, 
quando um ladro de rua, em um skate areo, derrubou duas mulheres, 
agarrou suas bolsas e saiu correndo pela multido na direo de Eve. 
 Viu isso, senhora? 
 Sim, e j o tenho na mira.  Eve reparou no sorriso de triunfo do 
ladro enquanto ele ziguezagueava por entre as pessoas, ganhando velo-
cidade enquanto elas pulavam para o lado, saindo do caminho. 
Ele abaixou a cabea, girou o corpo, desviou e tentou passar  direita 
de Eve. Os olhos de ambos se encontraram por um breve segundo, os dele 
brilhantes de  empolgao,  os dela  frios e  precisos.  Ela  girou o  corpo  e 
deu-lhe um murro curto e direto que o derrubou. Se a multido no esti-
vesse  to  compacta,  ele  teria  voado  a  uns trs metros de  distncia.  Em
vez disso, despencou de barriga para baixo sobre um grupo de pessoas
distradas, com o skate areo ainda ligado virado para cima. 
O sangue  jorrava do seu nariz, e seus olhos reviraram, deixando  
mostra apenas a parte branca. 



~ 99 ~ 
 



 Veja se consegue um policial que esteja fazendo ronda por aqui 
para cuidar deste imbecil.  Eve flexionou os dedos, girou os ombros e 
colocou um dos ps na barriga do ladro, que se virar e gemia, retorcen-
do-se de dor.  Sabe de uma coisa, Peabody? Estou me sentindo muito 
melhor agora. 



Mais tarde, Eve chegou  concluso de que prender o ladro fora o ponto 
alto do seu dia. No conseguiu nada na joalheria. Nem o joalheiro nem o 
balconista com cara azeda se lembravam de nenhum cliente que tivesse 
pago em dinheiro por um prendedor de cabelo representando uma per-
diz. Era Natal, reclamou o joalheiro, enquanto o vendedor registrava ven-
das com a velocidade e preciso de um andride. Como  que ele poderia 
se lembrar de uma venda especfica? 
Eve sugeriu que ele tentasse se lembrar com mais calma e entrasse 
em contato com ela quando sua memria melhorasse. Acabou comprando 
um brinco  de  cobre  para  o  namorado  de  Mavis,  Leonardo,  atitude  que 
incomodou Peabody. 
  Por que no pega um  nibus para a minha casa e fica l traba-
lhando em companhia de McNab. Peabodv? 
 No seria melhor voc me dar um soco na cara, se deseja livrar-se 
de mim? 
 Agente firme, Peabody. Vou para a Central de Polcia agora. Pre-
ciso repassar ao comandante Whitney as ltimas novidades sobre o caso 
e quero tambm me encontrar com Mira, para que ela comece a  traar
um perfil do assassino. 
 E talvez pelo caminho voc compre mais alguns presentinhos de 
Natal. 
 Isso  sarcasmo?  quis saber Eve, parando ao lado do carro. 
 Acho que no. Foi direto demais para ser considerado sarcasmo. 
 Veja se encontra algum nome que esteja nas duas listas, Peabody,
seno vamos ter que comear a interrogar coraes solitrios. 



~ 100 ~ 
 



Eve deixou Peabody e a viu forando o caminho rumo  Sexta Ave-
nida, a fim de pegar um nibus para a rea residencial, onde Eve morava. 
Eve,  por sua  vez,  ligou o  tele-link enquanto  seguia  na  direo  oposta  e 
marcou duas reunies. 
Conferiu a lista de mensagens recebidas e, ao ouvir novamente a voz 
agitada de Nadine, resolveu dar uma colher de ch  reprter. 
 Pare de reclamar, Nadine  foi o seu cumprimento assim que ela 
atendeu. 
 Dallas, por Deus... Por onde tem andado? 
 Estou mantendo a cidade segura para voc e os seus. 
 Escute, est em cima da hora para eu fechar a matria, mas ainda 
d para encaixar alguma informao para a edio de meio-dia. Divulgue 
nem que seja uma notinha. 
 Muito bem. Acabei de prender um assaltante na Quinta Avenida. 
 No seja metida a engraada, Dallas, estou com as costas na pare-
de, aqui. Qual  a ligao entre os dois assassinatos? 
 Que dois assassinatos? Sabe como , aparece um monte de corpos
por aqui nessa  poca  do  ano.  O  Natal  traz    tona  o  esprito  festivo  das
pessoas ms tambm. 
  Marianna  Hawley  e  Sarabeth Greenbalm   respondeu Nadine, 
rangendo os dentes de raiva.  Qual  a sua, Dallas? Duas mulheres es-
tranguladas foi tudo  o que  consegui.  E  voc    a  investigadora  principal 
em ambos os casos. Soube que houve abuso sexual. Voc confirma isso? 
 O departamento no est autorizado a confirmar nem negar nada 
a essa altura das investigaes. 
 Estupro e sodomia. 
 Sem comentrios. 
 Droga, por que esse jogo duro comigo? 
 Estou sem tempo at para respirar, Nadine, correndo atrs para 
tentar deter um assassino, e no posso ficar me preocupando em melho-
rar os ndices de audincia do Canal 75. 
 Pensei que fssemos amigas. 



~ 101 ~ 
 



 E somos mesmo, e  por isso que, assim que eu conseguir algo de 
concreto, passo para voc. 
 Em primeira mo? Uma entrevista exclusiva?  Os olhos de Na-
dine brilharam. 
 Agora desocupe a linha do meu tele-link. 
 Entrevista ao vivo s eu e voc, Dallas. Deixe que eu arranjo tudo. 
Posso estar na Central de Polcia  uma hora da tarde. 
 No. Eu aviso quando e onde, mas hoje no tenho tempo para vo-
c.  E tempo, pensou Eve, era o fator mais importante no momento. Por
outro lado, ningum fazia pesquisas de campo to rpido e de forma to 
eficiente quanto a reprter Nadine Furst.   Voc no anda saindo com
ningum nos ltimos tempos, no , Nadine? 
 Saindo com algum como? Namorando ou dormindo com algum, 
 isso? No, no tenho ningum especial no momento. 
 E j tentou recorrer a uma dessas agncias de encontros? 
 Ora, por favor.  Os clios de Nadine balanaram com fora en-
quanto ela levantou uma das mos e ps-se a examinar as unhas.  Acho 
que consigo encontrar homens por meus prprios meios. 
 Foi s uma idia. Ouvi dizer que essas agncias andam muito po-
pulares.  Eve fez uma pausa e reparou quando os olhos de Nadine se 
estreitaram e emitiram um brilho mais acentuado.  Voc bem que po-
dia procurar uma delas. 
 Sim, talvez eu faa isso. Valeu, agora preciso desligar. Entro no ar
em cinco minutos. 
 S mais uma coisa. Voc est esperando que eu lhe d algum pre-
sente de Natal? 
 Claro que sim!  reagiu Nadine, levantando as sobrancelhas e e-
xibindo um sorriso largo. 
 Droga, era isso que eu temia.  Franzindo o cenho, Eve desligou 
e fez uma curva longa com o carro para entrar na garagem da Central de 
Polcia. 
A caminho da sala de Whitney, pegou uma barra de cereais e uma la-
ta de Coca-Cola da srie Extra-Zing em uma mquina automtica. Engoliu

~ 102 ~ 
 



a  barra  em poucas dentadas,  tomou o  refrigerante  s pressas e,  como 
conseqncia, sentiu-se levemente nauseada ao entrar na sala do coman-
dante. 
 Qual  a situao do caso, tenente? 
 McNab, da Diviso de Deteco Eletrnica, e a minha auxiliar es-
to trabalhando juntos no escritrio de minha casa, comandante. Temos
as listas dos candidatos que  foram entregues pela  agncia  s duas vti-
mas. Nossa esperana  achar um nome que esteja nas duas listas. Conti-
nuamos a investigar as jias que ele deixou pregadas nas vtimas e des-
cobrimos a marca e o possvel local de compra da maquiagem que usou. 
O  comandante  concordou com a  cabea.  Whitney  era  um homem
corpulento, olhos cansados e pele escura. Atravs da janela que ficava s 
costas dele, Eve podia ver a cidade e o constante fluxo de trfego areo 
em volta de edifcios que mais pareciam lanas; pessoas se moviam den-
tro de escritrios por trs de janelas largas. Sabia que se  olhasse para a 
rua dali de cima ela veria as caladas lotadas de pessoas do tamanho de 
formigas, andando apressadas de um lado para outro. Vidas que precisa-
vam ser protegidas. 
Como  sempre,  refletiu que  preferia  a  sua  sala  apertada,  naquele 
mesmo prdio, com uma janela minscula. 
  Dallas,  voc  sabe  quantos turistas e  consumidores de  fora  vm 
para esta cidade nas semanas que antecedem o Natal? 
 No, senhor. 
 Hoje de manh o prefeito me informou quais so as suas perspec-
tivas econmicas para este ano, quando ligou para me  comunicar que a 
cidade no pode se permitir ter um serial killer  solta, afugentando turis-
tas e os seus preciosos dlares reservados para compras natalinas.  Seu
sorriso ao dizer isso era sem vida e sem humor.  No me pareceu muito 
preocupado com o fato de moradores da cidade estarem sendo estupra-
dos e estrangulados, mas sim com os desastrosos efeitos colaterais que 
tais eventos podem provocar caso a mdia resolva explorar a histria do 
Papai Noel assassino. 
 A mdia ainda no sabe dessa histria. 

~ 103 ~ 
 



 E quanto tempo voc acha que vai levar para a informao vazar? 
 Whitney se recostou na cadeira e fixou os olhos em Eve. 
 Uns dois dias. O Canal 75 j recebeu a dica de que so homicdios 
decorrentes de estupro, mas os dados ainda esto incompletos. 
 Vamos tentar mant-los assim. Quando voc acha que ele vai tor-
nar a atacar?  
 Esta noite ou no mximo amanh.  No temos como impedi-lo, 
pensou, e viu pelo rosto de Whitney que ele a compreendeu. 
 A agncia de encontros  a nica ligao entre os casos at agora? 
 Sim, no momento  s o que temos, senhor. No temos indcios de 
que as vtimas se conhecessem. Moravam em bairros diferentes da cidade 
e seus crculos sociais no se misturavam. Elas nem tinham o mesmo tipo 
fsico. 
Eve fez uma pausa, esperando a vez de Whitney falar, mas ele no 
disse nada. 
 Vou consultar a dra. Mira  continuou Eve.  Em minha opinio, 
porm,  o  assassino  j  estabeleceu um padro  e um objetivo.  Quer doze 
mortes antes do fim do ano. Isso lhe d menos de duas semanas; portan-
to, ele vai ter que agir rpido. 
 E voc tambm. 
 Sim, senhor. A fonte das suas vtimas s pode ser a ntimo e Pes-
soal. J descobrimos a maquiagem usada nelas. Os lugares onde se pode 
comprar este tipo especfico de produto so limitados. Temos tambm as 
duas jias que ele deixou para trs, o prendedor de cabelo e o broche.  
Nesse ponto, Eve suspirou.  O assassino sabia que conseguiramos ras-
trear os cosmticos e, quanto s jias, ele as deixou deliberadamente no 
local  do  crime.  O  criminoso  se  acha  seguro.  Se  no  conseguirmos nada 
nas prximas vinte e quatro horas, nossa melhor defesa pode ser a mdia. 
  E  o  que  dizemos para  os reprteres?  Quem avistar um sujeito 
gordo com roupa vermelha deve chamar a polcia?  Empurrou a cadei-
ra para trs e se levantou.  Descubra mais alguma coisa, tenente. No 
quero doze corpos debaixo da minha rvore de Natal. 
Eve pegou o comunicador assim que saiu da sala de Whitney. 

~ 104 ~ 
 



 McNab, quero ouvir uma boa notcia. 
 Estou fazendo o melhor que posso, tenente.  Ele gesticulou na 
tela do comunicador com algo na mo que parecia ser uma fatia de pizza. 
 J eliminei o ex-marido da primeira vtima. Ele estava em um estdio 
de futebol em companhia de trs amigos na noite do primeiro assassina-
to. Peabody ainda vai confirmar isso com os trs companheiros dele, mas
est me parecendo que  verdade. Nenhuma passagem para Nova York
foi emitida em seu nome. Ele no vem  Costa Leste h mais de dois anos. 
 Menos um suspeito, ento  disse Eve, entrando em uma escada 
rolante.  O que mais conseguiu? 
 Nenhum dos nomes da lista de Marianna Hawley bate com os de 
Sarabeth Greenbalm, mas estou comparando impresses digitais e de voz 
para me certificar de que ningum tentou alguma armao. 
 Bem pensado. 
  Mais dois na  lista  de  Marianna  Hawley  tambm esto  limpos. 
Preciso confirmar, mas ambos tm bons libis. Agora eu estou comean-
do a trabalhar pessoalmente na lista de Sarabeth Greenbalm. 
 D prioridade  lista de nomes relacionados com os cosmticos. 
 Passou a mo pelos cabelos enquanto saa da escada rolante e entrava 
em um elevador.  Devo ir para casa daqui a umas duas horas. 
Saindo do elevador, Eve atravessou um pequeno saguo e entrou no 
consultrio da dra. Mira. No havia ningum na recepo e a porta da sala 
de Mira estava aberta. Colocando a cabea no portal, Eve viu a psiquiatra, 
que analisava o vdeo de um caso enquanto mordiscava um pequeno san-
duche. 
No era comum pegar Mira assim distrada, refletiu Eve. Aquela era 
uma mulher que estava sempre ligada e observava tudo. H algum tempo 
Eve descobrira que a doutora enxergava longe e via quase tudo. Via bem
at demais, especialmente as coisas que diziam respeito ao seu passado. 
Eve no sabia ao certo o que fizera com que a ligao entre elas se 
tornasse to forte. Respeitava as qualificaes de Mira, embora suas habi-
lidades, s vezes, a deixassem pouco  vontade. 



~ 105 ~ 
 



Mira era uma mulher de baixa estatura, mas tinha o corpo bem pro-
porcional e cabelos sedosos muito escuros que lhe emolduravam o rosto 
sereno  e  atraente.  Normalmente  vestia-se  com cores suaves.  Eve  reco-
nheceu que Mira representava tudo o que uma dama deveria ser: discre-
ta, elegante e comunicativa. 
Lidar com deficientes mentais, pessoas com tendncia  violncia e 
pervertidos diversos nunca alterava a sua serenidade ou compaixo. Seus
perfis de loucos e assassinos tinham um valor inestimvel para a polcia 
de Nova York e para a segurana pblica. 
Eve hesitou, parada na porta, e Mira sentiu a sua presena. A psiqui-
atra virou a cabea e seus olhos azuis se iluminaram ao encontrar os de 
Eve. 
 No queria interromp-la, doutora, mas a sua assistente no es-
tava na recepo. 
 Ela est no almoo. Eve, entre e feche a porta. Eu estava  sua es-
pera. 
 Mas estou interrompendo o seu almoo  disse Eve, olhando pa-
ra o sanduche. 
 Policiais e mdicos param para almoar quando conseguem e no 
quando querem. Deseja algo para comer? 
 No, obrigada.  A barra de cereais no lhe cara muito bem no 
estmago, o que a fez perguntar a si mesma h quanto tempo a mquina 
tinha sido reabastecida. 
Apesar da resposta negativa de Eve, Mira se levantou e programou 
ch no AutoChef. Aquele era um ritual que Eve aprendera a aceitar. Tudo 
bem, ela ia provar um pouco do ch feito de flores, mas no era obrigada 
a gostar do sabor. 
 J dei uma olhada nos dados que voc me transmitiu e tambm 
nas cpias dos relatrios.  Prometo-lhe  um perfil  completo  por escrito 
para amanh de manh. 
 E o que a senhora poderia me adiantar hoje?  
  Provavelmente  pouco  mais  do  que  voc  j  deve  ter descoberto 
por si mesma.  Mira recostou-se na cadeira azul similar s que havia no 

~ 106 ~ 
 



salo de beleza de Simon. Notou que o rosto de Eve estava plido demais
e ela parecia mais magra. Mira no tivera nenhum contato com Eve desde 
que ela sara de licena e seus olhos de mdica diagnosticaram que o re-
torno havia sido antecipado. 
Apesar de pensar assim, guardou a opinio para si mesma. 
 A pessoa que voc est procurando, Eve, provavelmente  do se-
xo masculino e tem entre trinta e cinqenta e cinco anos  comeou.  
 controlado, calculista e muito organizado. Adora aparecer e acha que 
merece ser o foco das atenes. Talvez tenha aspiraes  carreira de  a-
tor ou alguma coisa ligada  rea de interpretao. 
 Ele se exibiu para a cmera, brincou com ela. 
 Exato  concordou Mira, satisfeita.  Ele usa fantasias e acess-
rios de um personagem e, na minha opinio, no faz isso apenas pelo dis-
farce em si, mas por um talento natural, alm da ironia do ato. Pergunto-
me se ele tambm v a sua crueldade como uma ironia. 
Fez  uma  pausa,  respirou fundo,  descruzou as pernas e  sorveu um 
pouco  de  ch.  Se  acreditasse  que  Eve  realmente  ia  tomar toda  a  xcara 
que lhe foi servida, a doutora teria acrescentado algumas vitaminas. 
 Essa  uma possibilidade  continuou ela.  Para ele  como se 
estivesse em um palco, um espetculo. Ele gosta disso, e gosta muito. Cur-
te a preparao, os detalhes.  um covarde, mas  tambm muito meticu-
loso. 
  Todos eles so  covardes   afirmou Eve,  e  Mira  virou a cabea 
meio de lado. 
 Sim, essa  a sua viso, porque voc considera que tirar uma vida 
s  justificvel em defesa de outra. Para voc, homicdio  a forma mais
perfeita de covardia. Neste caso, no entanto, eu diria que ele reconhece os 
prprios medos. Droga as vtimas o mais depressa possvel   no para 
que no sintam dor, mas..  para evitar que lutem com ele. Ele as coloca na 
cama e as amarra antes de lhes arrancar as roupas. No as despe em um
acesso de raiva e se certifica de que esto bem amarradas antes de passar
 etapa seguinte. Elas se tornam indefesas e s ento passam a pertencer
a ele. 

~ 107 ~ 
 



 Ento ele as estupra. 
  Sim,  quando  esto  amarradas.  Nuas e  indefesas.  Se  estivessem
soltas, elas o rejeitariam. Ele sabe disso. J foi rejeitado antes. Agora, po-
rm, pode fazer como bem quiser. Precisa que elas estejam acordadas e 
conscientes, para que possam v-lo, para que saibam que o poder est em
suas mos e para que lutem, mas sem conseguir escapar. 
As palavras e imagens fizeram com que o estmago de Eve, j enjoa-
do, se contorcesse. Lembranas comearam a flutuar, muito prximas da 
superfcie. 
 Estupro  sempre uma questo de poder. 
 Sim.  Como a compreendia bem, Mira teve vontade de esticar o 
brao e segurar a mo de Eve, e pelo mesmo motivo no fez isso.  Ele as 
estrangula porque  um ato pessoal, uma extenso do ato sexual. Mos na 
garganta.  uma coisa ntima.  Mira exibiu um sorriso leve.  Quanto 
disso tudo voc j havia descoberto por conta prpria? 
 No importa. A senhora est confirmando minhas hipteses. 
 Muito bem, ento. O festo  apenas um adorno. Acessrios tea-
trais, mais uma vez, espetculo, ironia. So presentes que ele oferece a si
mesmo. A temtica de Natal pode ter algum significado para ele ou ser
apenas um simbolismo. 
 E quanto  destruio da rvore de Marianna Hawley e dos enfei-
tes?    Quando  Mira  simplesmente  ergueu uma  sobrancelha,  Eve  arris-
cou,  encolhendo  os ombros:   Significa  a  ruptura  com o  que  a  rvore 
simboliza.  a destruio da pureza representada pelos anjinhos nos en-
feites. 
 Isso combinaria com ele. 
 E quanto s jias e s tatuagens? 
 Ele  romntico. 
 Romntico?! 
 Sim, ele faz o tipo romntico. Ele as rotula como seu verdadeiro 
amor,  deixa-lhes um tributo e  gasta  o  seu tempo  e o  seu trabalho  para 
torn-las mais bonitas, antes de abandon-las. Qualquer coisa que beiras-
se a inferioridade faria das vtimas um presente indigno. 

~ 108 ~ 
 



 Ele as conhecia? 
 Sim, eu diria que sim. Se elas o conheciam, porm,  outra hist-
ria. Mas ele as acompanhava sim, e as observava. Ele as escolheu e, du-
rante o curto perodo em que lhe pertenceram, elas foram o seu verda-
deiro amor. Ele no as mutila  acrescentou a mdica, inclinando-se le-
vemente para a frente.    Ele as enfeita, torna-as mais bonitas. De uma 
forma artstica, talvez at amorosa. Mas depois que acaba com elas tudo 
termina junto. Ele limpa o cadver com desinfetante e tambm se limpa. 
Lava, esfrega, apaga os vestgios da vtima do seu prprio corpo. E ao sair
ele est jubilante. Venceu o jogo. Est na hora de se preparar para a pr-
xima partida. 
 Marianna Hawley e Sarabeth Greenbalm eram completamente di-
ferentes uma da outra, no apenas fisicamente, mas tambm em estilo de 
vida, hbitos e profisso. 
 Mas tinham uma coisa em comum  argumentou Mira.  Am-
bas, em um determinado momento, se sentiram solitrias demais, caren-
tes demais ou interessadas demais em encontrar um companheiro; esta-
vam at mesmo dispostas a pagar para conseguir ach-lo. 
 O seu verdadeiro amor.  Eve colocou o ch de lado sem sequer 
prov-lo.  Obrigada, doutora. 
 Espero que voc esteja bem, Eve.  Percebendo que Eve estava 
pronta para se levantar e ir embora, Mira tentou ret-la um pouco mais. 
 Tomara que j esteja recuperada dos ferimentos. 
 Estou bem. 
No est no, avaliou Mira. 
 Voc esteve afastada quanto tempo por licena mdica? Duas ou
trs semanas apenas? Para se recuperar de ferimentos graves? 
 Sinto-me melhor quando estou trabalhando. 
 Sim, acho que voc pensa assim.  Mira tornou a sorrir.  Est 
pronta para as festas de fim de ano? 
Eve  fez  fora  para  no  se  remexer  na  cadeira,  mas  bem que  teve 
vontade. Respondeu apenas: 
 J andei comprando alguns presentes. 

~ 109 ~ 
 



 Deve ser difcil escolher um presente para Roarke. 
 Nem queira saber! 
  Tenho certeza de que vai encontrar algo perfeito para ele. Nin-
gum o conhece to bem quanto voc. 
 s vezes sim, s vezes no.  Como aquilo a estava incomodan-
do, falou sem pensar:  Ele est curtindo todas essas baboseiras natali-
nas. Festas e rvores enfeitadas. Eu imaginei que fssemos apenas trocar 
uns presentinhos simples e pronto.  
 Nenhum de vocs dois tem lembranas natalinas de infncia, co-
mo  direito de todos..  a expectativa e o deslumbramento da manh de 
Natal, os presentes embrulhados em papel colorido e colocados sob a r-
vore. Acho que Roarke pretende dar incio s recordaes deste tipo para 
ambos.  Conhecendo-o  como  eu  o  conheo    acrescentou ela  com uma 
risada , no vo ser recordaes banais. 
 Acho que ele j encomendou um bosque de tantas rvores. 
 Permita-se ter a chance de curtir essa expectativa e esse deslum-
bramento, Eve, como um presente para vocs dois. 
 Com Roarke eu no tenho oportunidade de fazer de outro modo. 
 Dizendo isso, ela finalmente se levantou.  Obrigada pelo seu tempo, 
dra. Mira. 
 Mais uma coisa, Eve.  Mira se levantou da cadeira tambm.  
Neste momento, o assassino no  perigoso para ningum, a no ser para 
a pessoa na qual est focado. No me parece que ele v sair por a matan-
do gente sem objetivo ou planejamento. Mas no h garantias de que isso 
permanea assim, nem certeza de que algo, de repente, no possa fazer 
com que ele modifique o seu padro de comportamento. 
 J pensei a respeito disso. Vamos nos manter em contato. 



Peabody e McNab estavam se estranhando e discutiam quando Eve en-
trou no escritrio de sua casa. Estavam sentados lado a lado diante dos
monitores, rosnando um para o outro como dois buldogues disputando o 
mesmo osso. 

~ 110 ~ 
 



Normalmente Eve teria achado graa nisso, mas no momento uma 
briga como aquela s servia para lhe causar mais irritao. 
 Parem com isso!  ordenou de forma incisiva, o que fez com que 
os dois olhassem para ela com os rostos sombrios e ressentidos.  Ouero 
os relatrios! 
Quando  os dois comearam a  falar  exatamente  ao  mesmo  tempo, 
Eve sentiu-se enfurecida por aproximadamente cinco segundos, e ento 
arreganhou os dentes. Isso fez com que ambos se calassem. 
 Peabody? 
Arriscando-se  a  lanar um olhar de  soslaio  ao  seu oponente,  Pea-
body comeou: 
  Temos trs contatos que  conferem em relao  aos cosmticos. 
Dois da lista de Hawley e um da de Greenbalm. Cada um deles adquiriu a 
linha completa, desde cremes para a pele at rimei. Um dos caras da lista 
de Hawley comprou tambm lpis para as sobrancelhas e duas embala-
gens de pintura para lbios. Bate com a que foi usada na boca de Sarabeth
Greenbalm.  Coral  Cupido    o  nome  da  tonalidade  escolhida.  Todos trs 
levaram batom dessa cor. 
 O problema.  McNab levantou o dedo, pedindo permisso para 
falar, como um professor que detm um aluno muito entusiasmado  
que tanto a tonalidade Coral Cupido para lbios quanto a Musgo Marrom
para clios so normalmente fornecidas como amostras grtis nas lojas. 
Para  voc  ver como  so  comuns   continuou ele,  apontando  para  um
mvel onde estavam enfileirados os produtos que Eve recebera de brinde 
naquela manh , voc mesma ganhou amostras de ambos hoje de ma-
nh. 
  No  temos como  rastrear  cada uma  das amostras ridculas  que 
foram distribudas para um monte de gente  afirmou Peabody com um
ressentimento perigoso na voz.  Conseguimos trs nomes e isso  um 
ponto de partida. 
 A tonalidade Fog Londrino, usada em sombra para os olhos e en-
contrada em Marianna Hawley,  um dos produtos mais caros de toda a 
linha e no  distribudo como amostra   informou McNab.  Voc s 

~ 111 ~ 
 



pode  consegui-lo  comprando  o  produto  em separado  ou ento  quando 
adquire  o  pacote  completo  com a  linha  de  luxo.  Se  investigarmos essa 
sombra, chegaremos ao assassino. 
 E se o filho-da-me roubou a sombra da loja quando estava com-
prando os outros produtos?  quis saber Peabody, virando-se para Mc-
Nab.  Voc vai querer rastrear cada ladro de loja pela cidade inteira? 
 Pois esse  o nico produto que no conseguimos rastrear at a-
gora, e portanto  o que temos que achar. 
Um j estava quase com o nariz colado no do outro, em posio de 
ataque, quando Eve empurrou ambos, avisando: 
 O prximo que der um pio aqui dentro desta sala eu tiro do caso 
na mesma hora. Os dois tm razo. Devemos interrogar os compradores
do batom e depois samos em busca da porcaria para os olhos. Peabody,
anote os nomes, v at o meu carro e espere por mim l. 
Peabody nem precisou falar nada, pois a sua coluna ereta e os olhos 
flamejantes diziam mais que um livro inteiro. No instante em que ela saiu
da sala, McNab enfiou as mos nos bolsos. Quando abriu os lbios, porm, 
ensaiando um sorriso, percebeu o olhar duro de Eve e permaneceu srio. 
 Filtre os nomes da ntimo e Pessoal novamente. Quero tanto cli-
entes quanto funcionrios dessa vez. Descubra quem comprou essa som-
bra e veja quantos outros produtos usados nas vtimas podem ter vindo 
de l. Levantou as sobrancelhas e terminou:  Agora diga: Sim senhora, 
tenente Dallas! 
 Sim senhora, tenente Dallas!  soltou ele, com um suspiro. 
 Muito bem. J que est no embalo, McNab, veja se consegue xere-
tar nas compras pessoais e nos cartes de crdito de Piper e Rudy. Vamos
descobrir que  marca  de  cosmticos eles usam.    Esperou com as so-
brancelhas arqueadas. Percepo lenta era algo que McNab no tinha, e 
ele confirmou isso. 
 Sim senhora, tenente Dallas!  repetiu solcito. 
 E desfaa essa cara de quem comeu e no gostou  ordenou ao 
sair em passos largos. 



~ 112 ~ 
 



 Mulheres!  resmungou McNab por entre os dentes, e ento per-
cebeu um movimento com o canto do olho. Reparou que Roarke estava 
em p sob o portal que dividia os dois escritrios e sorria para ele. 
 Criaturas maravilhosas, no  mesmo?  Roarke disse ao entrar. 
 No quando analisadas pelo ngulo em que eu me encontro. 
 Ah, mas voc vai ser considerado um heri se conseguir ligar o 
produto ao nome certo do comprador, no vai?  Passeando em volta da 
mesa, Roarke analisou as listas e documentos, embora os dois soubessem 
que aquilo era material confidencial de uso da polcia e no lhe dizia res-
peito.  Acho que eu tenho uma ou duas horas livres. Quer uma ajudi-
nha? 
 Bem, eu..   McNab olhou com apreenso na direo da porta. 
 No se preocupe com a tenente  garantiu Roarke, j animado e
sentando-se diante do computador.  Sei lidar com ela. 



Donnie Ray Michael vestia um roupo marrom muito surrado e tinha um
piercing de prata com uma esmeralda polida no nariz. Seus olhos tinham 
um tom enevoado  de  avel  e  os cabelos eram da  cor de  manteiga.  Sua 
respirao parecia ofegante e furiosa. 
Observou com ateno o distintivo de Eve, soltando o ar em um bo-
cejo com bafo to forte de lcool que quase a nocauteou. Em seguida, co-
cou a axila. 
 Que foi? 
 Seu nome  Donnie Ray? Tem um minuto? 
 Sim, tenho muitos minutos, mas para qu? 
 Posso lhe comunicar assim que voc nos deixar entrar e depois 
que for gargarejar com um ou dois litros de enxaguatrio bucal. 
 Oh...  Ele se ruborizou ligeiramente e foi para os fundos.  Eu
estava dormindo. No esperava visitas. Nem a polcia.  Mas convidou-as
a entrar e desapareceu por um pequeno corredor. 
O  lugar era  uma  pocilga, com roupas espalhadas,  embalagens de 
comida  para  viagem vazias e  outras com restos misturados,  cinzeiros

~ 113 ~ 
 



transbordando e uma pilha de discos virgens, de computador espalhados
pelo cho. Em um canto ao lado de um sof muito pudo via-se um saxo-
fone imaculadamente limpo, bem cuidado e brilhante. 
Eve sentiu no ar o cheiro de cebolas velhas misturado com um leve 
aroma de substncias ilegais fumadas recentemente. 
 Se quisermos solicitar um mandado de busca e apreenso  co-
mentou Eve para Peabody , temos um bom motivo. 
 Qual? Guarda de lixo txico em domiclio? 
 Olhe ali.  Eve empurrou com a ponta do p o que parecia ser 
uma  cueca  usada.    Ele  anda consumindo  Zoner,  provavelmente  como 
sedativo, antes de dormir. D para sentir o cheiro. 
  S  consigo  identificar cheiro  de  doces e  cebola    fungou Pea-
body. 
 Mas est aqui sim. 
Donnie  Ray  voltou,  com os olhos um pouco  mais claros e  o  rosto 
vermelho e mido devido  gua quente. 
 Desculpem a baguna. A andride que faz a faxina est de folga h 
mais de um ano. O que desejam? 
 Voc conhece Marianna Hawley? 
 Marianna?  Seu cenho se franziu.  No sei. Devia conhec-la?
  Voc foi selecionado como um  possvel par para ela pela  agncia  de 
encontros ntimo e Pessoal. 
  Ah,  aquele  lance  da  agncia  de  namoro.    Chutando  algumas 
roupas sujas pelo caminho, largou-se sobre uma cadeira.  Sim, fiz uma 
tentativa dessas, h alguns meses. Estava a perigo.   Riu de leve, enco-
lhendo os ombros em seguida.  Marianna. . Era uma com cabelo ruivo, 
no ? No, no, essa era Tanya. At que a gente se entendeu bem e rolou
um lance, mas ela se mudou para bem longe, foi para Albuquerque.  mo-
le  um troo  desses?  Puxa,  o  que  acontece  de  interessante  em um lugar
como Albuquerque? 
  Estou falando  de  Marianna,  Donnie  Ray.  Morena,  magra.  Olhos
verdes. 



~ 114 ~ 
 



 Ah, sei, sei, lembrei. Um doce de menina. No rolou nenhum clima
entre ns, porque ela me pareceu assim meio. . como se fosse minha irm. 
Ela  foi at o  clube  onde  eu me  apresento  e  me  ouviu tocar.  Assistiu ao 
show e depois tomamos alguns drinques. Por que quer saber? 
 Voc nunca assiste aos noticirios nem l os jornais? 
 No quando estou com emprego fixo. Fui contratado por um clu-
be do centro, o Imprio. Estou fazendo o turno das dez da noite s quatro 
da manh h trs semanas. 
 Sete dias por semana?  
 No, cinco. Quem toca sete dias direto perde o corte, como uma 
faca muito usada. 
 E quanto s teras  noite? 
 Tera-feira  dia de folga. Teras e quartas eu estou livre.  Seus 
olhos se focaram e ele comeou a parecer desconfiado.  Qual foi o lan-
ce? 
 Marianna Hawley foi assassinada na tera-feira  noite. Voc tem
um libi para esse dia, entre nove e meia-noite? 
  Caraa! Merda. . merda! Assassinada. Minha nossa!    Ele se le-
vantou de um salto, derrubando tudo  sua volta ao andar.  Cara, ouvir
isso machuca a gente. Ela era uma menina doce. 
 Voc queria que ela fosse a sua namorada? O seu verdadeiro  a-
mor? 
Ele parou de caminhar. Eve achou interessante o fato de ele no ter 
se mostrado assustado nem zangado. Parecia pesaroso. 
 Escute  disse ele.  Tomei uns dois drinques com ela uma noi-
te.  Batemos um papinho,  tentei convenc-la  a  fumar um baseado  leve, 
mas ela no estava nessa. Gostei dela. Era impossvel no gostar. 
Ele cobriu os olhos com os dedos e depois os passou pelos cabelos. 
 Isso j faz, deixe ver  calculou ele , puxa, uns seis meses, tal-
vez mais. Nunca mais a vi. O que aconteceu com ela? 
 Tera-feira  noite, Donnie Ray. 




~ 115 ~ 
 



 Tera?  Tornou a passar as mos sobre o rosto.  Sei l. Como 
 que posso me lembrar? Provavelmente circulei por algumas boates, dei 
um rol por ai. Deixe eu pensar um pouco. . 
Fechando os olhos, expirou com fora algumas vezes. 
 Tera eu fui at o Crazy Charlies e conheci uma banda nova. 
 Voc foi at l em companhia de algum? 
 Um monte de gente comeou a noite junto. No sei quem acabou 
l no Crazy Charlies. Eu j estava doido a essa hora. 
 Conte-me, Donnie Ray, por que razo voc adquiriu a linha com-
pleta dos produtos Perfeio Natural? Voc no me parece o tipo de cara 
que usa maquiagem. 
 O qu?  Ele parecia confuso e se largou sobre a cadeira nova-
mente.  Que diabo  esse troo de Perfeio Natural? 
 Voc deveria saber. Gastou mais de dois mil dlares comprando 
todos os produtos dessa marca. So cosmticos, Donnie Ray. Maquiagem, 
loes e cremes de beleza. 
 Cosmticos?  Tornou a passar os dedos pela cabea, at que os 
puxou de repente, deixando os cabelos todos em p, de forma desorde-
nada.  Cacete, foi mesmo! Aquele troo todo colorido. Foi para eu dar 
de presente de aniversrio  minha me. Comprei a linha completa para 
ela. 
 Voc gastou dois mil dlares em um presente de aniversrio para 
a sua me?!  Com inequvoco ar de descrena, Eve olhou em volta do 
aposento sujo e bagunado. 
 Minha me  o mximo! Meu velho largou ns dois quando eu a-
inda era menino. Ela trabalhou como uma escrava para manter um teto 
sobre  as nossas cabeas e  pagar as minhas aulas de  msica.    Nesse 
momento, acenou com a cabea para o sax.    Ganho uma boa nota to-
cando. Sou bom pra cacete! Agora sou eu que estou ajudando a manter o 
telhado sobre ela, em Connecticut. Ela mora em uma casa decente, em um 
bairro muito bom. Isso aqui..   explicou ele, passeando com a mo e en-
globando todo o cmodo com o gesto  no representa coisa alguma pa-
ra mim. Mal fico aqui, s apareo para dormir. 

~ 116 ~ 
 



 E se eu resolver ligar neste exato momento para a sua me e per-
guntar a ela o que o seu querido filho Donnie Ray lhe enviou de presente 
no ltimo aniversrio? 
 Claro, v em frente.  Sem hesitar, apontou para o tele-link sobre 
uma mesa encostada na parede.  O nmero dela j est na memria do 
aparelho.  Peo-lhe  apenas  um favor: no  diga  a  ela  que  a  senhora    da 
polcia. Ela morre de preocupao comigo. Diga-lhe que  uma pesquisa 
ou algo assim. 
  Peabody,  tire  a  farda  para  no  parecer policial; fique  s  com a 
camiseta de baixo e ligue para a me de Donnie Ray.  Eve saiu da linha 
de viso da cmera e se sentou no brao de uma poltrona.  Foi Rudy, da 
agncia ntimo e Pessoal, que atendeu voc? 
 No. Isto , eu conversei primeiro com ele. Acho que todos os cli-
entes fazem o mesmo.  uma espcie de teste. Depois um idiota qualquer 
fez o cadastro. Perguntou o que eu fazia nas horas vagas, quais os meus 
sonhos, qual era a minha cor favorita. Depois fiz um exame mdico tam-
bm para eles terem certeza de que eu estava limpo. 
 E eles no encontraram vestgios de Zoner? 
  No.    Nesse momento ele fez a gentileza de parecer envergo-
nhado.  Eu estava limpo. 
 Aposto que a sua me ia preferir que voc continuasse daquele 
jeito. 
 A sra. Michael recebeu uma linha completa de cosmticos e pro-
dutos de beleza da marca Perfeio Natural. Foi um presente do filho pela 
passagem do seu aniversrio.  Peabody encolheu os ombros enquanto 
tornava a vestir a farda e lanou um sorriso para Donnie Ray.  Ela ficou
muito feliz com o presente. 
 Ela  linda, no ? 
 Sim,  linda mesmo. 
 Ela  o mximo! 
 Foi o que disse a respeito de voc tambm  contou Peabody. 
 Comprei brincos de brilhante para lhe dar no Natal. Bem, na ver-
dade os brilhantes so minsculos, mas ela vai adorar.  Ele observava 

~ 117 ~ 
 



Peabody com mais interesse, depois de v-la sem a farda pesada e rgida. 
 Voc alguma vez j foi ao Imprio? 
 Ainda no. 
 Devia passar por l uma hora dessas. A gente arrebenta! 
 Talvez eu faa isso.   Ao perceber o olhar de desaprovao de 
Eve, pigarreou e disse:  Obrigada pela sua cooperao, sr. Michael. 
  Faa um favor  sua me    aconselhou Eve, ao se encaminhar
para  a  porta.    Providencie  uma  faxina  nesse  lixo  espalhado  pela  sua 
casa e abandone o Zoner. 
  Sim, claro, tenente.    Donnie Ray deu uma piscadela sugestiva 
para Peabody antes de fechar a porta. 
 No  adequado flertar com suspeitos, policial Peabody. 
 Bem, ele no  exatamente um suspeito, tenente   argumentou 
Peabody, olhando para trs, por sobre o ombro.  E ele  um gato. 
  Ele   suspeito  at  confirmarmos  o  seu libi.  E  o  animal  certo   
porco. 
 Mas ele  um porquinho lindo. . senhora.  
  Temos  mais duas pessoas para interrogar, Peabody. Tente con-
trolar seus hormnios. 
 Eu controlo, Dallas, eu controlo.  Suspirou ao entrar no carro. 
 Mas  muito mais gostoso quando so eles que me controlam. 





















~ 118 ~ 
 


















P 
 








CAPTULO SETE 








assar o  dia  inteiro  fazendo  visitas  e  interrogando  pessoas sem 
 
conseguir avanar um milmetro  no  caso  no  deixou Eve  com o 
melhor dos astrais. Ao chegar em casa e constatar que McNab dera 
por encerrado o dia de trabalho e j fora embora fez seu humor piorar
ainda mais. 
Era aconselhvel para a sua integridade fsica que ele tivesse deixa-
do um relatrio completo para ela acompanhado de uma dica qualquer. 
Ol, tenente. Acabei os trabalhos de hoje s dezesseis horas e qua-
renta e cinco minutos. A lista de nomes e produtos relacionados est na 
pasta do caso, no subttulo E da Prova 2-A. Descobri coisas sobre o Casal 
Sensual que podem ser interessantes. Tanto Rudy como Piper usam som-
bra para os olhos da Perfeio Natural, e Piper a pintura para lbios. Ali-
s, os dois esto nadando em dinheiro. No so preo para Roarke, mas 
garanto que no sofrem por falta de grana. O lance interessante  que to-
dos os seus bens so conjuntos, at o ltimo centavo. O relatrio comple-
to tambm est na pasta  
Todos os bens do casal so conjuntos, refletiu Eve, avaliando os da-
dos. Sua impresso inicial fora a de que Rudy cuidava de toda a parte ad-
ministrativa. Afinal, ele tomara todas as decises durante o contato que 
tiveram e  foi pessoalmente  ao  console  para  pegar as informaes para 
Eve. 
Agora ela via que ele tambm gerenciava o fluxo financeiro da em-
presa. 
 
 



Tinha o controle de tudo. Tinha o poder. 
E tambm a oportunidade e o acesso irrestrito aos dados. 
Encontrei mais um cara no cruzamento de usurios de sombra para 
os olhos, continuou a voz de McNab. E dois usurios da pintura labial. 
Charles Monroe aparece como comprador dos dois produtos. Ele me es-
capou na primeira pesquisa porque informou um nome diferente na lista 
de clientes interessados em receber catlogos de novos produtos e ofer-
tas especiais. O histrico de Monroe est na pasta. 
Eve franziu o cenho ao acabar de ouvir o relatrio. Seus instintos a 
estavam levando na direo de Rudy, mas, pelo visto, ia acabar tendo de 
fazer uma visitinha a Charles Monroe. 
Olhando para o lado, viu que a luz atrs das portas do escritrio de 
Roarke estava acesa. J que ele estava ocupado, aquela era uma boa hora 
para ela tratar de um assunto pessoal. 
Movimentou-se  sorrateiramente  e  subiu as escadas,  em vez  de  to-
mar o  elevador,  mantendo  os olhos atentos para  evitar Summerset no 
instante em que entrou na biblioteca. 
As paredes do imenso salo de dois andares estavam cobertas de li-
vros do cho ao teto. Ela sempre ficara fascinada com o fato de que um 
homem com o poder de comprar um pequeno planeta com um estalar de 
dedos preferisse o peso e o volume de um livro em vez de ler a obra toda 
na tela de um monitor. 
Uma das esquisitices dele, sups, embora fosse compreensvel o fato 
de Roarke apreciar o rico aroma de couro que vinha das encadernaes
luxuosas e as lombadas brilhantes com letras douradas que se enfileira-
vam ao longo de prateleiras de mogno escuro. 
Havia duas reas agradveis para o usurio da biblioteca se sentar
com todo  o  conforto  e  tambm mais couro  no  estofamento  dos sofs e 
nas poltronas em madeira cor de vinho. Ao lado de cada assento, abajures
com cpulas de vidro colorido fosco haviam sido colocados junto de bri-
lhantes objetos de bronze que se espalhavam sobre gabinetes ricamente 
entalhados por artesos de outro sculo. 



~ 120 ~ 
 



As cortinas estavam abertas,  como  acontecia  todas as noites,  e  se 
espalhavam ao longo de uma janela de peitoril baixo e largo, onde almo-
fadas coloridas acompanhavam os tons das cpulas dos abajures. Enor-
mes e  antiqssimos tapetes exibiam padres em pontos elaborados,  e 
estavam espalhados sobre o piso de tbuas corridas largas de nogueira. 
Eve sabia que um sistema multimdia de ltima gerao estava es-
condido atrs do gabinete antigo. Tudo no aposento transmitia luxo, anti-
gidade e uma predileo por ambos. 
Ela no costumava entrar naquele cmodo da casa, mas sabia que 
Roarke ia ali com freqncia. Muitas vezes ela o encontrava sentado em
uma das poltronas de couro,  noite, com as pernas compridas esticadas e 
um livro nas mos. Ler era til para relax-lo, ele lhe contara uma vez. 
Eve sabia tambm que este hbito fora adquirido quando Roarke morava 
em uma favela de Dublin e, ainda menino, achara uma cpia muito gasta 
de um livro de Yeats. 
Atravessou o aposento, foi at o gabinete e abriu as portas do mvel 
com incrustaes de lpis-lazli e malaquita. 
 Ligar!  ordenou ela e olhou com cautela por sobre os ombros. 
 Pesquisar em todas as sees por obras de Yeats. 
Elizabeth Yeats ou William Butler Yeats? 
As sobrancelhas de  Eve  se  aproximaram,  denotando  estranheza,  e 
ela passou as mos pelos cabelos, murmurando: 
 Como  que eu vou saber?  um poeta irlands  informou. 
Confirmando o autor: William Butler Yeats. Pesquisando nas pratelei-
ras... As peregrinaes de Oisin,  Seo D, estante 5. A condessa de Cathle-
en, Seo D... 
 Espere!  ordenou Eve, apertando o alto do nariz com o polegar 
e o indicador.  Nova busca: informe quais os livros deste autor que no 
existem na biblioteca. 
Nova busca... Pesquisando... 
Ele provavelmente tinha a obra completa. Foi uma idia idiota, deci-
diu, enfiando as mos nos bolsos. 
 Tenente. 

~ 121 ~ 
 



Eve quase deu um pulo com o susto que levou. Virou o corpo e se viu
de cara com Summerset. 
 Que foi?! Droga, eu odeio quando voc faz isso. 
Ele simplesmente continuou a olhar para ela sem expresso. Sabia 
que Eve detestava quando ele chegava sem rudos e a pegava distrada.
Era um dos motivos de ele gostar tanto de fazer isso. 
  Ser  que  eu poderia  ajud-la  a  selecionar algum livro?  Embora 
jamais pudesse imaginar que a senhora lia outras coisas alm de relat-
rios criminais e,  eventualmente,  trabalhos sobre  comportamento  anor-
mal e aberraes. 
 Escute aqui, meu chapa, eu tenho todo o direito de estar neste lu-
gar.  O que no explicava o porqu de se sentir uma dissimulada por ter
sido pega na biblioteca.  No preciso da sua ajuda. 
Todas as obras do autor William Butler Yeats podem ser encontradas 
nesta biblioteca. Quer a localizao e os ttulos dos livros? 
 No, droga. Eu devia saber. 
 Yeats, tenente?  Curioso, Summerset entrou no salo, seguido 
de perto por Galahad, que veio em passos silenciosos at onde Eve estava, 
serpenteou de forma amigvel entre as suas pernas para em seguida a-
bandon-la e pular sobre o peitoril, onde ficou encarando a noite l fora 
como se ela lhe pertencesse. 
 Yeats sim. Qual  o problema? 
 A senhora est especificamente interessada em alguma das suas 
peas?    Ergueu as sobrancelhas.    Talvez  uma  antologia ou um dos
seus poemas em particular? 
 Qual  a sua? Voc  o patrulheiro da biblioteca? 
 Estes livros tm um valor inestimvel  disse ele com frieza.  
Muitos deles so primeiras edies e muito raros. A senhora poder en-
contrar todas as obras desse autor na biblioteca eletrnica tambm, em
arquivos de  texto.  Este  mtodo  certamente  lhe  seria  mais conveniente 
para leitura. 




~ 122 ~ 
 



 Eu no quero ler porcaria nenhuma. S queria ver se havia algum
livro que Roarke ainda no tem, o que  uma idia idiota, porque ele tem
tudo que algum possa imaginar. E agora o que  que eu fao? 
 A respeito de. .? 
 Natal, seu idiota.  Irritada, virou-se para o computador.  Des-
ligar o sistema. 
Summerset apertou os lbios e  tentou acompanhar o  pensamento 
de Eve. 
  A  senhora  deseja  adquirir um volume  de  Yeats para  oferecer a 
Roarke como presente de Natal? 
 A idia era essa, mas  totalmente furada. 
  Tenente    chamou ele  no  momento  em que  Eve  se  preparava 
para sair dali ventando. 
 O que foi agora?! 
Summerset ficava aborrecido quando ela falava ou fazia alguma coi-
sa que o comovia, mas no conseguia evitar essa emoo. Para piorar, ele 
lhe devia algo por ela ter se arriscado e quase morrido para salvar a sua 
vida. Esse fato, por si s, j trazia desconforto para os dois lados. Talvez 
ele pudesse equilibrar um pouco a balana da dvida para o seu lado. 
 Roarke no tem, pelo menos at o momento  informou o mor-
domo , um exemplar da primeira edio de O crepsculo celta. 
O olhar furioso desapareceu do rosto de Eve, embora um resto de 
desconfiana permanecesse. Cautelosa, perguntou: 
 O que  isso? 
 Uma coleo de textos em prosa. 
 E o autor  esse tal de Yeats? 
 Sim. 
Uma parte dela, uma parte mesquinha e desagradvel, teve vontade 
de se encolher e sair de fininho naquele momento. Porm, ela enfiou as
mos nos bolsos e permaneceu firme. 
 O sistema pesquisou e informou que ele j tinha tudo desse autor. 
 Sim, ele possui a obra, mas no a primeira edio. Yeats  um au-
tor particularmente importante para Roarke, imagino que a senhora no 

~ 123 ~ 
 



desconhece  este  fato.  Eu tenho  contato  com um comerciante  de  livros 
raros em Dublin. Poderia procur-lo para a senhora e ver se esse volume 
estaria disponvel para aquisio. 
 Para compra!  disse Eve com firmeza.  Quero o livro compra-
do  e  no  roubado.    Sorriu  de  leve  quando  viu Summerset empinar o 
corpo com dignidade.  Sei de algumas coisas a respeito dos seus conta-
tos. Quero manter tudo dentro da legalidade. 
 Jamais pretendi fazer as coisas de outra forma. Aviso-a, porm, de 
que no vai ser um presente barato.  Foi a vez de ele sorrir, de forma 
quase imperceptvel.  Alm disso haver, sem dvida, uma taxa de ur-
gncia para entrega antes do Natal, uma vez que a senhora deixou este 
assunto para a ltima hora. 
Ela no semicerrou os olhos de raiva, mas sentiu vontade de faz-lo. 
 Se o seu contato conseguir esse volume, eu quero compr-lo.  
Ento, como no tinha como evitar, encolheu os ombros e disse:  Obri-
gada. 
Ele acenou com a cabea, mantendo o corpo meio duro, e esperou-a
sair antes de abrir um sorriso. 
Era isso que estar apaixonado fazia com as pessoas, pensou Eve. Faz 
com que voc se torne aliado da pessoa que mais a incomoda. Agora, ava-
liou ela, com ar de amargura, enquanto pegava o elevador para o quarto, 
se o magricela filho-da-me conseguisse esse livro raro, ela iria ficar em
dbito com ele. 
Aquilo era humilhante. 
Quando as portas do elevador se abriram, l estava Roarke com um 
semi-sorriso no rosto de anjo perdido e os olhos em um tom impossvel 
de azul brilhando de prazer. 
O que era um pouco de humilhao diante daquilo? 
 No sabia que voc j havia chegado em casa. 
 , eu estava. . resolvendo umas coisas.  Ela virou a cabea meio 
de lado. Conhecia aquele olhar no rosto dele.  Por que est to satisfei-
to? 
Ele a tomou pela mo e a levou at o quarto. 

~ 124 ~ 
 



 O que acha?  perguntou-lhe, apontando para dentro. 
No centro do nicho que havia entre as janelas no fundo do quarto, 
atrs da plataforma onde ficava a cama de casal, estava uma rvore. Seus
galhos se abriam em forma de leque, em volta, e se elevavam; sua ponta 
quase encostava no teto. 
Ela piscou diante daquilo. 
  grande.  Foi s o que conseguiu dizer. 
 Obviamente voc ainda no viu a que est na sala de estar l em-
baixo.  duas vezes mais alta. 
Eve foi se aproximando, com cautela. A rvore devia ter quase trs 
metros de altura. Se aquilo tombasse durante a noite, enquanto eles esti-
vessem dormindo, avaliou, ia ser como uma pedra em cima da cama, es-
magando-os como duas formigas. 
 Espero que ela esteja bem presa.  Ela cheirou o ar.  O quarto 
est com cheiro de floresta. Suponho que a idia  ns dois prendermos 
um monte de enfeites nela. 
 Sim, esse  o meu plano.  Enlaou-a pela cintura, por trs, e a 
puxou para junto dele.  Mais tarde eu vou instalar as luzes. 
 Vai? 
  trabalho de homem  explicou ele, mordiscando-lhe a nuca.
 Quem  que disse? 
 As mulheres em geral, ao longo dos anos, sempre foram sensveis
o suficiente para no querer mexer com eletricidade. Voc est  fora do 
horrio de servio, tenente? 
 Pensei em comer alguma coisa e depois passar algumas hipteses 
pelo programa de probabilidades.    Roarke vinha subindo a boca pelo 
lbulo da orelha de Eve. Ela lembrou que Roarke era capaz de fazer as
coisas mais interessantes com um simples lbulo  da  orelha.    Pensei
tambm em verificar se a dra. Mira j enviou o perfil que me prometeu. 
Os olhos dela j estavam semicerrados no instante em que deixou a 
cabea tombar levemente para o lado, a fim de dar-lhe acesso livre  late-
ral  do pescoo. Quando as mos dele subiram e cobriram os seus seios, 
Eve sentiu a cabea maravilhosamente enevoada. 

~ 125 ~ 
 



 Depois de fazer tudo isso, ainda tenho um relatrio para preparar 
e enviar para o sistema.  Os polegares dele passavam de leve sobre os 
mamilos dela, lanando fisgadas de calor que lhe desciam at a parte bai-
xa do ventre. 
 Mesmo assim, talvez eu consiga uma hora livre  murmurou ela 
e, girando o corpo, enfiou as mos no meio dos cabelos dele e trouxe a 
sua boca mais para perto, colando-a na dela. 
Um som de prazer surgiu como um gemido da garganta dele e suas 
mos lhe apertaram as costas e foram descendo. 
 Venha comigo  convidou ele. 
 Para onde? 
 Para onde quer que eu a leve.  E mordeu-lhe o lbio inferior. 
Circundando-a, ele a encaminhou novamente para o elevador. 
 Salo hologrfico  ordenou ele, empurrando-a de costas na pa-
rede  do  elevador e  cortando  a  pergunta  que  ela  ia  fazer com um beijo 
longo e arrebatador. 
  O  que  tem de  errado  com o  velho  quarto?    quis saber ela, 
quando conseguiu respirar. 
 Tenho algo especial em mente.  Mantendo os olhos dentro dos 
dela, ele a puxou pela mo ao sair.  Ligar programa! 
A sala imensa e vazia, completamente negra e revestida de espelhos, 
estremeceu e  comeou a  se  modificar.  Ela  sentiu um  cheiro  de  fumaa 
antes, uma fragrncia forte, quase doce, com um leve toque de frutas, e 
ento  sentiu um acentuado  perfume  de  flores.  As luzes se  atenuaram e 
bruxulearam de leve. Imagens se formaram. 
Havia uma grande lareira acesa revestida de pedra. Atravs de uma 
janela gigantesca via-se uma cordilheira azul-acinzentada coberta de ne-
ve fofa que brilhava em um tom plido sob o luar. Tachos imensos de co-
bre batido transbordavam de flores brancas e em tom de ferrugem. Velas, 
centenas delas,  todas brancas como  neve  e  em  candelabros de  bronze, 
iluminavam o ambiente com chamas trmulas. 
Sob  os ps, Eve  sentiu que  o  piso  espelhado adquiria  a  textura  de 
madeira escura, quase negra, com um brilho suave. 

~ 126 ~ 
 



Dominando o quarto estava uma enorme cama com a cabeceira e os 
ps de bronze trabalhado em curvas suaves e espirais elaboradas. O col-
cho era coberto com um edredom em ouro velho, e era to espesso que 
daria para se afogar nele, entre dezenas de almofadas em tons de pedras
preciosas. 
Espalhadas em toda parte descansavam ptalas de rosas brancas. 
 Uau!  Eve tornou a olhar para a janela. A paisagem com picos 
estonteantes e o branco sem fim provocou-lhe uma sensao estranha na 
garganta.  Que montanhas so essas? 
  Os Alpes Suos, em simulao hologrfica.    Um dos prazeres 
de Roarke era apreciar a reao de Eve a algo novo. Primeiro vinha a des-
confiana prpria da policial, que lentamente se desabrochava no prazer
genuno da mulher que havia dentro dela.  Jamais consegui levar voc 
at l na vida real. Um chal hologrfico  quase a mesma coisa. 
Virando-se, ele pegou um robe que estava sobre uma poltrona e su-
geriu: 
 Por que no o veste? 
 O que  isso?  perguntou ela, pegando a roupa e franzindo o ce-
nho. 
 Um robe. 
 Eu sei que  um robe.  Ela lhe lanou um olhar doce.  Quero 
saber que material  este. Vison? 
 Zibelina.  Deu um passo  frente.  Quer que eu a ajude a vesti-
lo? 
 Voc est realmente a fim de algo especial, hein?   murmurou
ela quando ele comeou a desabotoar-lhe a blusa. 
As mos dele deslizaram com suavidade sobre os seus ombros nus e 
ele lanou a blusa longe. 
 Acho que voc tem razo. Estou com vontade de seduzir a minha 
mulher. Lentamente. 
  No  preciso  ser seduzida, Roarke.    A  carncia  dela  j  estava
vindo  tona e se espalhando por sua pele. 



~ 127 ~ 
 



 Pois eu sim.  Pousou os lbios sobre os seus ombros.  Sente-
se.  Ele a empurrou para trs, com suavidade, forando-a a se sentar, e 
comeou a descalar-lhe as botas. Ento, apoiando as mos nos braos da 
poltrona, lanou o corpo para a frente e beijou-a apaixonadamente mais 
uma vez. 
Boca na boca, de forma quente e ao mesmo tempo suave, teve incio 
um habilidoso bale de lbios e lnguas, acompanhado de um arranhar das
pontas dos dentes. Os msculos dela se retesaram para em seguida rela-
xar. Sentir a rendio dela era a verdadeira seduo dele. 
Colocando-a em p, ele abriu as calas dela. 
 Nunca consigo parar de desejar voc.   Seus dedos deslizaram 
ao longo dos quadris dela. As calas caram no cho, largadas em torno de 
seus ps.  Amar voc  uma emoo que nunca alcana um limite. H 
sempre mais. 
Comovida, ela  se  apoiou nele e  deixou o  rosto  mergulhar em seus 
cabelos. 
 Nada mais  o mesmo em minha vida desde que voc surgiu  
garantiu Eve. 
Ele a abraou por um momento, por simples prazer. Ento, pegando 
o robe, cobriu a pele suave dos ombros dela, afirmando: 
 Tudo mudou para ns dois. 
Nesse instante, Roarke pegou-a no colo para lev-la para a cama. 
Eve lanou os braos na direo dele, envolvendo-o. 
Ela  j  sabia  como  seriam os momentos seguintes.  Irresistveis,  jn-
quietantes. Gloriosos. Aprendera a identificar cada sensao que ele lhe 
proporcionava, e ansiava sentir o corpo dele contra o seu tanto quanto 
por gua ou ar. 
Sem atentar para a nsia, mas incapaz de sobreviver sem ela. 
No havia nada que ele no pudesse dar ou obter dela quando seus 
corpos se encontravam. Afundando as costas no que parecia um mar de 
plumas, ela buscou a boca de Roarke com sofreguido, deleitando-se no 
prprio sangue que fervia. Suspirando, atacou a camisa dele, ajudando-o
a arranc-la e jogando-a de lado para sentir a sua pele junto com a dele. O 

~ 128 ~ 
 



longo  e  apaixonante  deslizar de  uma  contra  a  outra.  Um  lento  rolar de 
corpos, um breve gemido. O toque sedoso das ptalas, o acetinado do e-
dredom, o retesamento dos msculos dele sob as mos dela   tudo en-
trelaado em um extico emaranhado de texturas. 
Seu corao batia cada vez mais acelerado. Um tremular gostoso, um
suspiro lento. O bruxulear da luz das velas, o derramar da lua, o cintilar
indeciso do fogo aumentando at se tornar um brilho ofuscante e suntuo-
so. 
Ela saboreou e se deixou ser saboreada. Tocou-o e se deixou ser to-
cada. Excitou e se deixou ser excitada. E sentiu-se escalando uma monta-
nha lisa como prata polida. 
Ele  a  sentiu inflar e  estremecer para  em seguida largar-se  langui-
damente mais uma vez. Suas pernas se enredaram enquanto os dois rola-
vam sobre a cama, tocando-se novamente e ajustando os corpos um ao 
outro. Ele ficou observando a luz refletir no rosto dela, nos seus cabelos e 
no tom dos seus olhos, denso como conhaque. Olhos que ele viu se torna-
rem vidrados quando comeou a penetr-la, centmetro por centmetro, 
at lev-la novamente s alturas. 
As mos dela, geis, capazes e maravilhosamente familiares, se mo-
viam sobre  ele,  apertando-o  e  fazendo-lhe  carcias.  Sons baixinhos de 
prazer brotaram-lhe da garganta, suspiraram dentro da boca dele para a 
seguir sussurrarem ao longo da sua pele. 
A respirao dele comeou a acelerar e a necessidade se converteu 
em um trovo dentro de seu sangue. O morno aconchego virou um calor
cintilante. 
Ento  ela  se  elevou na  direo  dele  com o  corpo  esbelto  tornado 
prateado pelo jogo de luz e sombras. Seu gemido foi longo, como um som 
rouco e gutural de pura Iuxria quando ela grudou as costas na cama sob 
ele,  envolvendo-o,  tomando-o  por completo.  Quando  os dedos dele  se 
cravaram nela,  em  torno  dos quadris,  ela  arqueou um pouco  as costas, 
formando uma curva reluzente, balan-ando-se lentamente para a frente 
e para trs com os olhos castanho-dourados semicerrados e a respirao 
lanando-se rouca por entre os lbios entreabertos. 

~ 129 ~ 
 



Ela se comprimiu ao redor dele quando o orgasmo a trespassou e se 
esmagou ainda mais contra o volume dentro dela no instante em que ele 
elevou o seu corpo e lanou a boca  para frente, abocanhando-lhe o seio 
com voracidade. 
Perdido agora, capturado, ele a lanou de leve para trs com uma es-
tocada que fez sua mente e o seu corpo girarem. E foi mais fundo, em gol-
pes selvagens,  um atrs do  outro,  com uma  avidez  sbita  que  pareceu
rasg-la por dentro. Os dedos dela apertaram a grade fina e trabalhada da 
cabeceira da cama, como se tentasse atracar o prprio corpo, e um grito 
de prazer incontido pareceu estrangular a sua garganta no instante em
que ele empurrou os joelhos para trs, a fim de penetrar ainda mais fun-
do. 
Quando sentiu o corpo dela se contrair por baixo dele, sua boca des-
ceu vida em busca da dela. E s ento ele se deixou transbordar. 
Ela  estava  coberta  de  ptalas de  rosa  e  nada  mais.  Seus msculos 
longos e  disciplinados estavam to  lassos quanto  a  cera  que  derretera 
entre fragrncias aos ps das velas brancas. 
Quando  sentiu que  a  respirao  dela  voltava  ao  normal,  Roarke 
mordiscou-lhe o ombro e, em seguida, se levantou para pegar o robe de 
pele e cobri-la com ele. 
A resposta de Eve foi um grunhido satisfeito. 
Recompensado e alegre por ver que aquele som era o melhor que 
ela conseguia fazer, ele foi at a outra ponta do quarto e ordenou que a 
banheira de hidromassagem se enchesse de gua a trinta e oito graus. Fez 
espocar a rolha de uma garrafa de champanhe e a colocou em um balde 
de gelo. Em seguida pegou a sua exausta companheira da cama, levantan-
do-a no colo. 
 Eu no estava dormindo  avisou ela, depressa, com um tom de 
voz arrastado que provava o contrrio. 
  Depois voc  vai colocar a  culpa em mim  se  eu deix-la  dormir 
sem rodar o programa de probabilidades.  Com isso, depositou-a com
gentileza dentro da gua quente j cheia de espuma. 
Ela deu um grito e, em seguida, gemeu baixinho de puro prazer. 

~ 130 ~ 
 



    Deus. Quero  ficar aqui,  exatamente  onde  estou,  dentro  dessa 
banheira, por pelo menos uma semana. 
  Consiga algum tempo  de  licena  em seu trabalho  e  podemos ir 
para os Alpes verdadeiros, onde voc poder ficar de molho em uma ba-
nheira dessas at virar uma imensa passa cor-de-rosa, toda enrugada por
ficar tanto tempo de molho. 
Isso era exatamente o que ele queria. . lev-la para longe dali, at se 
convencer de que ela estava completamente curada e recuperada. Porm, 
refletiu que a chance de conseguir fazer isso era a mesma de convenc-la 
a beijar Summerset na boca. 
S a idia o fez sorrir. 
 Lembrou uma piada?  perguntou ela. 
 Sim. Uma piada muito divertida.   Entregando-lhe uma taa de 
champanhe e em seguida pegando outra para si, entrou na banheira junto 
com ela. 
 Preciso trabalhar  avisou ela. 
 Eu sei.  Ele soltou o ar bem devagar.  S mais dez minutos. 
A combinao de gua quente e champanhe gelado era boa demais 
para recusar. 
 Sabe de uma coisa, Roarke? Antes de conhecer voc, meus inter-
valos durante o trabalho resumiam-se a uma xcara de caf ruim com... 
mais nada  revelou ela. 
 Sim, e eu sei que muitas vezes continua a ser assim. Esta  disse 
ele, deixando-se afundar um pouco mais   uma maneira muito melhor
de recarregar as baterias. 
  difcil rebater essa afirmao.  Levantando a perna, ela exa-
minou os dedos dos ps, sem motivo aparente.   Acho que ele no vai
me dar muito tempo antes de voltar a atacar, Roarke. Ele tem um prazo. 
 O que j descobriu?  
 No muito. Quase nada. 
 Voc vai conseguir mais. Nunca vi algum mais capaz em toda a 
polcia. E olhe que eu j conheci mais policiais do que gostaria. 



~ 131 ~ 
 



 Ele no age por raiva, pelo menos ainda no. No  por lucro. E 
nem, pelo que levantei at agora, por vingana. Ele seria bem mais fcil 
de rastrear se tivesse um motivo. 
 Amor. O verdadeiro amor. 
 O verdadeiro amor dele.  Ela praguejou baixinho.  Ningum
pode ter doze amores. 
 Voc est sendo racional. Est achando que um homem no pode 
amar mais de uma mulher com a mesma intensidade. Mas ele pode. 
 Claro, mas s se o corao dele estiver no pnis.  
Dando uma gargalhada, Roarke abriu um olho, afirmando: 
  Querida  Eve,  muitas  vezes   impossvel  separar as duas coisas. 
Para  alguns homens   acrescentou,  desconfiando  do  brilho  que  perce-
beu no olhar dela , a atrao fsica chega antes das emoes mais puras. 
O que voc est esquecendo  que ele pode muito bem estar achando que 
cada uma delas  o seu grande amor. E quando elas no concordam com
isso, a nica forma de convenc-las  tomar sua vida. 
 J pensei nisso, s que essa teoria no basta para me fornecer um 
quadro completo. Ele ama o que no consegue ter, e j que no consegue 
destri.  Deu de ombros, insatisfeita.  Odeio todo esse maldito simbo-
lismo. Ele deixa as coisas meio embaralhadas. 
  E voc tem que  lhe  dar crdito  pela  produo  teatral  que  ele 
monta. 
  Sim,  e  toro  para  que  isso  faa  com que  ele  cometa  um erro. 
Quando  isso  acontecer,  vou jogar esse  bom velhinho  no  fundo  de  uma 
cela. J est na hora  disse, e se levantou da gua. 
Eve mal acabara de pegar uma toalha em uma das prateleiras aque-
cidas quando ouviu o bipe surdo de seu comunicador. 
 Merda!  Ainda pingando, correu at o outro lado do quarto, on-
de estavam as suas calas, para pegar o aparelho no bolso. 
 Bloquear vdeo  murmurou.  Aqui  a tenente Dailas. 
 Emergncia para a tenente Eve Dailas. Cdigo MNL na rua Hous-
ton, nmero 432, apartamento 6-E. Dirija-se ao local imediatamente co-
mo investigadora principal. 

~ 132 ~ 
 



 Entendido.  Passou a mo pelo cabelo mido e ordenou.  En-
tre em contato com a minha auxiliar, policial Delia Peabody. 
 Afirmativo. Cmbio final. 
 MNL?  Roarke pegou o robe para tornar a cobri-la. 
  Morto  no  local.    Colocando  a  toalha  de  lado  e  dispensando  o 
robe, comeou a vestir as calas.  Droga, droga!  o endereo de Donnie 
Ray. Eu o interroguei hoje. 



Donnie Ray adorava a me. Essa foi a primeira coisa que veio  cabea de 
Eve ao olhar para ele. 
O rapaz estava sobre a cama, envolto em um festo verde com dou-
rado. Seus cabelos oleosos haviam sido cuidadosamente arrumados para 
ficarem espalhados sobre o travesseiro. Seus olhos estavam fechados e os
clios, alongados e tingidos com um tom de ouro velho, contrastavam com
as bochechas.  Os lbios estavam pintados no  mesmo  tom.  Em torno  de 
seu pulso direito, sobre a pele quase arrancada, estava um bracelete de 
ouro onde se viam trs aves gravadas. 
 Trs aves  explicou Peabody, atrs dela.  Merda, Dallas! 
  Ele  trocou o  sexo,  mas manteve  o  padro.    A  voz  de  Eve  era 
firme enquanto saa da frente da cmera para no atrapalhar a gravao. 
 Deve haver uma tatuagem nele e provveis sinais de abuso sexual. H 
marcas de cordas nas mos e nos ps, como no caso das vtimas anterio-
res. Precisamos dos discos de segurana do corredor e da parte externa
do prdio. 
 Ele era um cara legal  murmurou Peabody. 
 Agora  um cara morto. Vamos ao trabalho. 
Peabody retesou o corpo, movendo ligeiramente os ombros que fi-
caram duros e retos como uma tbua. 
 Sim, senhora  foi s o que disse. 
Encontraram a tatuagem na ndega esquerda. Se a imagem daquilo 
acompanhada por sinais claros de sodomia a afetou, Eve no deu a per-
ceber. Fez os exames preliminares, assegurou-se de que a cena do crime 

~ 133 ~ 
 



ficaria intacta, ordenou o interrogatrio inicial de porta em porta e emba-
lou o corpo para transporte. 
 Vamos verificar o tele-link  disse a Peabody.  Pegue a agenda 
eletrnica dele e qualquer dado que voc encontre a respeito da ntimo e 
Pessoal.  Quero os legistas agora mesmo aqui no local do crime. 
Seguiu pelo curto corredor at o banheiro e empurrou a porta que 
estava apenas encostada. Paredes, piso e louas brilhavam de to limpos. 
 Podemos supor que foi o nosso homem que fez essa faxina. Don-
nie Ray no era muito chegado a limpeza. 
 Ele no merecia morrer desse jeito. 
 Ningum merece morrer assim.  Eve deu um passo para trs e 
se virou.  Voc gostou dele. Eu tambm. Agora deixe esse sentimento 
de lado, porque no vai ajud-lo em nada. Ele se foi e precisamos usar o 
que  encontrarmos aqui para  tentar  chegar    vtima nmero  4 antes de 
perd-la. 
 Sei disso, mas no consigo deixar o sentimento de lado. Puxa, Dal-
las,  estvamos aqui conversando com ele  h  poucas horas,  no consigo 
colocar o sentimento de lado  repetiu e sussurrou furiosa:  No sou
como voc. 
 E voc acha que ele daria alguma importncia ao que est sentin-
do agora? Ele quer justia, no tristeza, e muito menos pena.   Eve se-
guiu a passos largos at a sala de estar, chutando copos e sapatos espa-
lhados para descarregar um pouco da frustrao. 
 Voc acha que ele se importa com o fato de eu estar pau da vida? 
 gritou Eve, com olhos furiosos.   Ficar revoltada no vai fazer nada 
em benefcio dele, alm de atrapalhar a minha investigao. O que estou 
deixando  de  enxergar?  O  que  no  estou conseguindo  ver direito  aqui? 
Qual o detalhe que me escapou? Ele deixa tudo aqui, na minha cara, o fi-
lho-da-me. 
Peabody no disse nada por um momento. Aquela no era a primei-
ra vez, lembrou, que confundia o frio profissionalismo de Eve com falta 
de sentimento. Depois de tantos meses trabalhando juntas, compreendeu
que devia conhec-la melhor. Suspirou profundamente. 

~ 134 ~ 
 



 Talvez ele esteja nos fornecendo informaes demais e isso esteja 
atrapalhando o nosso foco. 
Os olhos de Eve se estreitaram e os punhos que enfiara nos bolsos se 
relaxaram um pouco. 
 Isso  bom  completou ela.  Muito bom. Muitos ngulos, mui-
tos dados. Precisamos escolher um desses canais e focar nele. Comece a 
busca aqui, Peabody  ordenou pegando o comunicador.  Temos uma 
longa noite pela frente. 



Ela chegou em casa sentindo-se um bagao, s quatro da manh, susten-
tada apenas pela cafena de alta octanagem e baixa qualidade do caf da 
Central  de  Polcia.  Seus olhos pareciam pesados e  seu estmago  estava 
vazio, mas o pensamento continuava afiado como nunca para o trabalho. 
Mesmo assim, colocou a mo na arma, por instinto, quando Roarke 
entrou no seu escritrio de casa, logo atrs dela. 
 Que diabos voc est fazendo acordado at esta hora?  quis sa-
ber ela. 
 Eu lhe fao a mesma pergunta, tenente. 
 Pois eu estou trabalhando. 
Ele levantou uma sobrancelha e pegou o queixo dela entre as mos,
a fim de avaliar o seu rosto. 
 Trabalhando demais  corrigiu ele. 
 O caf natural do meu AutoChef acabou e eu fui obrigada a beber 
aquela gua suja que eles preparam na polcia. Com dois goles de um caf
decente eu ficarei bem. 
 Com algumas horas de sono ficaria melhor ainda. 
Embora se sentisse tentada a fazer isso, no afastou a mo que ele 
lhe ofereceu e respondeu apenas:  
 Tenho uma reunio s oito. Preciso me preparar. 
 Eve.  Ele lanou-lhe um olhar de advertncia quando ela resis-
tiu, mas logo em seguida colocou as mos com toda a calma em seus om-



~ 135 ~ 
 



bros.    No  vou interferir na  sua  vida profissional,  mas devo  lembrar
que voc no vai trabalhar direito se estiver dormindo em p. 
 Posso tomar um estimulante. 
 Voc?!  Ele sorriu ao dizer isso, o que a fez apertar os lbios. 
 Vou acabar sendo obrigada a tomar alguma droga das que cons-
tam na lista aprovada pelo departamento antes de esse caso ser encerra-
do. Ele no est me dando nenhum tempo entre um ataque e outro, Roar-
ke. 
 Deixe-me ajud-la. 
 No posso recorrer a voc a cada vez que a coisa fica difcil. 
  Por qu?    Suas mos comearam a  massage-Ia,  aliviando  a 
tenso em seus ombros.   pelo fato de eu no estar na lista aprovada 
pelo departamento? 
 Esse  um dos motivos.  A massagem nos ombros a estava dei-
xando relaxada demais. Sentiu a mente vagar e j no conseguia racioci-
nar com clareza.  Vou tirar duas horas para dar um cochilo, depois mais
duas me preparando para a reunio devem ser suficientes. Vou despen-
car aqui mesmo. 
 Boa idia.  Foi fcil gui-la at a poltrona automtica. Os ossos 
dela pareciam feitos de borracha. Ele deslizou, deitando ao lado dela,  e 
ordenou que a poltrona se reclinasse por completo. 
 Voc devia ir para a cama  murmurou ela, mas aninhou o corpo 
junto ao dele. 
 Prefiro dormir em companhia da minha mulher sempre que sur-
ge uma oportunidade. 
 Duas horas..  Acho que j descobri um ngulo por onde analisar o 
caso. 
  Duas horas,  ento    concordou ele,  mas s  fechou  os olhos 
quando a sentiu completamente relaxada. 








~ 136 ~ 
 


















?T 
 








CAPTULO OITO 








em uma coisa que eu preciso lhe contar.  Roarke esperou 
 
at Eve dar a ltima garfada na omelete feita s com claras e 
sorriu  ao  v-la  se  servir de  mais caf.      a  respeito  dos 
produtos de beleza Perfeio Natural. 
  Voc    o  dono  da  companhia.    Afirmou ela,  olhando  para  ele 
enquanto engolia a omelete. 
 Trata-se de uma linha de produtos que pertence a uma organiza-
o que, por sua vez,  um ramo das Indstrias Roarke.  E sorriu nova-
mente enquanto tomava o seu caf.  Portanto, em outras palavras, voc 
est certa. 
 Eu j sabia.  Ela levantou um dos ombros, sentindo uma certa 
satisfao ao notar as sobrancelhas dele se erguerem diante do seu pou-
co-caso.    Chego  a  imaginar se  um dia  resolverei um caso  com o qual 
voc no tenha nenhuma ligao. 
  Tente  superar essa  idia,  querida  Eve.  E,  j  que  sou o  dono  da 
companhia  continuou enquanto ela rangia os dentes , talvez eu pos-
sa ajud-la a rastrear os produtos usados nas vtimas. 
  Estamos sem rumo  quanto  a  isso.    Afastando-se  da  pequena 
mesa, seguiu em direo  sua mesa de trabalho.  Logicamente os pro-
dutos foram comprados no mesmo lugar em que as vtimas foram esco-
lhidas. Seguindo esse raciocnio, d para diminuir as possibilidades. Alis, 
esses produtos de beleza so to caros que chega a ser indecente. 
 O que  bom  caro  explicou Roarke com descontrao. 
 
 



  Um  batom que  custa  duzentas fichas de  crdito?  Pelo  amor de 
Deus!  Estreitou os olhos com um ar fulminante.  Voc devia ter ver-
gonha. 
 No sou eu quem determina o preo final  defendeu-se Roarke, 
sorrindo.  Apenas gerencio os lucros. 
Duas horas de sono e uma refeio quente a deixaram recuperada, 
notou ele. No estava plida como antes, nem sonolenta. Levantando-se, 
foi at junto dela e passou os polegares sobre as leves olheiras que ainda 
resistiam debaixo dos seus olhos, 
 Quer participar da prxima reunio com a mesa diretora da em-
presa e propor um ajuste de preos? 
 R-r. .  Quando ele roou os lbios sobre os dela, Eve lutou pa-
ra se manter firme.  Caia fora agora, porque eu preciso me concentrar. 
 Daqui a pouco.  Ele tornou a beij-la, fazendo-a suspirar.  Por 
que no me conta tudo? Pensar em voz alta pode ajudar voc. 
Ela tornou a suspirar, recostou-se nos braos dele por um instante e, 
por fim, se desvencilhou. 
 Tem uma aberrao nessa histria, porque ele est usando obje-
tos que simbolizam a esperana e a inocncia. O rapaz de ontem  noite. . 
droga, Roarke, ele era inofensivo. 
 E as outras vtimas eram mulheres. Para voc, o que isso signifi-
ca? 
 Que ele  bissexual. Significa que a sua idia de amor verdadeiro 
no depende de seu objeto de desejo ser um homem ou uma mulher. O 
rapaz foi estuprado, da mesma forma que as mulheres, ele tambm o  a-
marrou, tatuou a sua pele e o maquiou depois de t-lo violentado. 
Eve se afastou e ficou balanando a xcara de caf na mo, antes de 
continuar: 
 Ele escolhe as vtimas atravs da agncia ntimo e Pessoal, obvi-
amente depois de analisar os seus vdeos e dados pessoais. Talvez tenha 
se  encontrado  com as mulheres,  mas no  com Donnie  Ray.  Donnie  era 
heterossexual. Essa mudana me leva a achar que ele no chegou a se en-



~ 138 ~ 
 



contrar pessoalmente com as vtimas, pelo menos no de forma romnti-
ca.  tudo fantasia. 
 Ele escolhe pessoas que moram sozinhas. 
    um  covarde.  No  quer um confronto  verdadeiro.  Aplica  um
tranqilizante nas vtimas logo que chega e as imobiliza.  o nico modo 
de se certificar de que ter o poder e o controle da situao. 
Seus pensamentos vagaram e se fixaram na imagem de Rudy. Pou-
sando a xcara na mesa, passou a mo novamente pelos cabelos. 
  Ele  inteligente e obsessivo    acrescentou ela.    Chega a ser 
previsvel em vrios nveis.  por isso que eu vou agarr-lo. 
 Voc disse que ia explorar um determinado ngulo. 
 Tenho algumas idias, mas para p-las em prtica eu preciso da 
autorizao do comandante. Tenho tambm que escapar de Nadine, por
enquanto. No posso contar a ela sobre a roupa de Papai Noel. Teramos
centenas de Papais Nois levando porrada em cada esquina e loja da ci-
dade. 
 Consigo at ouvir a chamada  murmurou Roarke.  Papai Noel 
  um        serial killer que  estrangula  solteiros..   mais detalhes na  edio  de 
meio-dia. Nadine ia adorar isso. 
 Pois ela no vai ter esse gostinho. A no ser que no me reste ou-
tra escolha. Enquanto isso, estou pensando em deixar escapar para ela o 
nome da ntimo e Pessoal. Isso a manter fora do meu caminho e vai ser-
vir de alerta a qualquer um que utilize os servios da empresa. Rudy e 
Piper vo reclamar de prejuzo de imagem.  Seu sorriso se ampliou de 
forma lenta e maldosa.  Vai valer a pena. Aqueles dois arrogantes com
jeito de andrides impecveis bem que precisam de uma sacudidela. 
 Voc no gosta deles. 
 Eles me do calafrios. Sei que trepam um com o outro. Isso  do-
entio. 
 Voc no aprova o relacionamento deles? 
 Eles so irmos. Gmeos, por sinal. 




~ 139 ~ 
 



 Ah, agora entendo.  Embora tivesse a cabea muito aberta, Ro-
arke sentiu a mesma reao de Eve.  Isso  realmente uma idia. . desa-
gradvel. 
 Com certeza!  S de pensar naquilo, Eve perdeu o apetite e dei-
xou uns maravilhosos croissants de lado.  Ele  quem dirige o show e 
comanda a irm. Nesse instante est no topo da minha lista de suspeitos. 
Ele tem acesso aos arquivos de todos os clientes e, se eu conseguir provar
o  incesto,  acrescentaremos   mistura  essa  tendncia  a  comportamento 
sexual aberrante. Preciso de algum que esteja dentro da agncia.  Ins-
pirou fundo ao ouvir passos pelo corredor.  E aqui est ela. 
Tanto Eve quanto Roarke se viraram ao mesmo tempo para ver Pe-
abody entrar. Ela olhou para um e para o outro e sacudiu os ombros, co-
mo se tentasse se livrar de algum peso incmodo. 
 H algo errado? 
 No, entre.  Eve apontou para a cadeira.   Vamos comear o 
trabalho. 
 Quer caf?  ofereceu Roarke. J percebera o que Eve tinha em 
mente para a ajudante. 
 Aceito sim, obrigada. McNab ainda no chegou? 
 No. Vou colocar voc a par dos ltimos desdobramentos, antes
de ele chegar.  Eve lanou um olhar para Roarke e esperou calada. 
 Bem, vou deixar o caminho livre para vocs duas trabalharem.  
Entregou uma xcara de caf para Peabody e virou-se para Eve, beijando-
a, apesar ou possivelmente pelo fato de ela ter feito cara feia; em seguida
foi para o escritrio contguo e fechou a porta. 
 Ele sempre  assim de manh cedo?  quis saber Peabody. 
 Ele sempre  assim, ponto. 
 Tem certeza de que Roarke  humano?  suspirou Peabody. 
 Nem sempre.  Encostando o quadril na ponta de sua mesa, ana-
lisou Peabody com cuidado.  Est a fim de conhecer alguns rapazes? 
 Hein? 
 Deseja ampliar o seu crculo social e conhecer alguns homens que 
compartilhem os mesmos interesses que voc? 

~ 140 ~ 
 



Certa de que Eve estava brincando com ela, Peabody sorriu, respon-
dendo: 
 E no foi exatamente para isso que eu entrei para a polcia? 
 Policiais so pssimos maridos. O que voc precisa, Peabody,  de 
um servio como o da ntimo e Pessoal. 
 No.  Provando o caf, Peabody balanou a cabea.  Procurei 
uma agncia de encontros alguns anos atrs, logo que cheguei a esta ci-
dade.  tudo muito rgido. Prefiro escolher homens nas baladas, em bares 
e boates.  Quando viu que Eve continuava a olhar fixamente para ela, 
Peabody abaixou lentamente a xcara.  -. .  exclamou, percebendo 
tudo.  - mesmo! 
  Primeiro  eu preciso  pedir permisso  ao  comandante  Whitney. 
No posso infiltrar uma policial dentro da agncia sob disfarce sem a  a-
provao dele. E antes que concorde quero que saiba exatamente no que 
estar se metendo. 
 Sob disfarce.  Embora Peabody j fosse policial h algum tempo 
e soubesse como as coisas realmente eram, a idia lhe evocou imagens de 
aventuras empolgantes e glamourosas. 
 Apague esse brilho do olhar, Peabody. Puxa vida.  Eve endirei-
tou o  corpo  e  passou as duas mos  pelos cabelos.    Estou falando  em 
colocar o seu traseiro na reta, usando-a como isca, e voc sorri como se 
tivesse acabado de ganhar um presente. 
  que voc me considera boa o suficiente para um trabalho des-
ses. E confia em mim a ponto de me colocar nessa misso. Isso  um tre-
mendo presente. 
 Sim, acho voc boa o suficiente  disse Eve, dando o brao a tor-
cer.  E acho que voc pode se sair bem pelo fato de saber seguir ordens. 
 isso o que espero. Que siga as ordens ao p da letra. Nada de querer a-
parecer. Se eu conseguir a permisso e a verba para pagar a consulta ab-
surda daquele lugar, voc se cadastra como cliente. 
 E quanto a Rudy e Piper? Eles no esto fora da lista de suspeitos
e j me viram em sua companhia. 



~ 141 ~ 
 



  Viram uma  ajudante  uniformizada.  Gente  como  eles no  presta 
ateno a quem est dentro de uma farda. Vamos chamar Mavis e Trina 
para prepararem voc. 
 Que legal! 
 No comece a se empolgar, Peabody. Vamos providenciar um dis-
farce e uma identidade falsa para voc. J pesquisei os vdeos das vtimas
e analisei seus dados pessoais. Vamos pesquisar os pontos em comum e, a 
partir deles, construir um perfil para voc. A idia  adapt-la ao papel de 
vtima. 
 Isso  uma idiotice. 
McNab estava parado na porta. Seu rosto mostrava-se vermelho de 
raiva, os olhos brilhavam e as mos estavam fechadas ao lado do corpo. 
 Isso  a maior idiotice que eu j ouvi  repetiu ele. 
  Detetive    disse Eve com a voz suave.    Sua opinio foi devi-
damente registrada. 
 Voc pretende espet-la em um anzol e jog-la no lago? Que dro-
ga, Dallas! Ela no foi treinada para trabalhar sob disfarce. 
 Cuide da sua vida  reagiu Peabody, levantando-se com rapidez. 
 Sei cuidar de mim mesma. 
 Voc no sabe nada sobre disfarces.  McNab entrou enfurecido 
no escritrio e se colocou diante dela, nariz com nariz.   apenas uma 
auxiliar, s sabe cumprir ordens,  quase uma andride. 
Eve notou a inteno do olhar de Peabody e conseguiu se enfiar en-
tre  os dois auxiliares antes de  a  sua  ajudante  dar um  soco  no  nariz  de 
McNab. 
 Chega!  gritou Eve.  J ouvi a sua opinio, McNab, agora cale a
boca. 
 No posso deixar esse filho-da-me escapar inteiro depois de me 
chamar de andride. 
 Fique fria, Peabody  avisou Eve , e sente-se. Alis, vocs dois, 
grudem a bunda na cadeira e tentem se lembrar de quem  que manda 
aqui, antes que eu faa uma queixa formal no meu relatrio. Se h uma 



~ 142 ~ 
 



coisa  da  qual  no  preciso    de  dois auxiliares esquentadinhos.  Se  no 
conseguem manter a calma, caiam fora! 
 No precisamos de um banco de dados em forma de detetive   
reclamou Peabody. 
 Precisamos do que eu decidir. Nesse instante precisamos de in-
formaes l de dentro e tambm de uma isca. Alis, iscas  acrescentou, 
desviando  o  olhar para  McNab  e  encarando-o  por alguns instantes.   
Iscas para os dois sexos. Est preparado para isso, McNab? 
 Ei, ei, espere um instante.  Peabody tornou a se levantar da ca-
deira e estava agitada de um jeito que Eve jamais vira.  Voc quer que 
ele trabalhe sob disfarce tambm? Junto comigo? 
  Sim,  estou preparado,  tenente.    McNab  lanou um risinho  na 
direo  de  Peabody, ao  mesmo  tempo  que  concordava.  Aquela  seria  a 
maneira perfeita de ficar de olho nela, a fim de mant-la a salvo de pro-
blemas. 



 Uau! Isso vai ser mais que demais!  Mavis Freestone danava no es-
critrio, em volta de Eve, usando botas que iam at a coxa. O material era 
liso e agarrado  pele, moldando-lhe as pernas e exibindo-as, ao mesmo 
tempo que a elevava nos saltos vermelhos de dez centmetros de altura 
em um tom berrante. Os saltos combinavam com o vestido que lhe mol-
dava as formas sinuosas e mal se encontrava com a borda das botas. 
Os cabelos exibiam o mesmo tom natalino de vermelho, muito cha-
mativo,  e  lhe caam pelos ombros em cachos e  tentculos que  a  faziam 
parecer uma medusa. Tinha uma minscula tatuagem em forma de cora-
o acima da sobrancelha esquerda. 
 Voc acaba de entrar na lista dos fornecedores de servios para a 
polcia, Mavis  anunciou Eve, sabendo que lembrar  amiga que aquele 
era um assunto oficial era pura perda de tempo. Mesmo assim, sentiu-se 
na obrigao de enfatizar isso ao ver o jeito com que Mavis sorriu para 
Peabody com os olhos em um novo e escandaloso tom de verde. 



~ 143 ~ 
 



 Uma merreca de grana, por sinal  comentou Trina. A linda este-
ticista  circulou em volta  de  Peabody  como  um escultor que  analisa  um
bloco de mrmore defeituoso. . com interesse, cuidado e um leve menos-
prezo. 
Trina colocara piercings nos superclios, e Eve se encolheu toda ao 
olhar de perto para as argolas de ouro que estavam fixadas nas pontas
das sobrancelhas.  Seus cabelos,  em  tom de  roxo-batata,  formavam um
cone de trinta centmetros. A roupa que escolhera para aquele dia era um
macaco  colante  preto,  quase  discreto,  estampado  com pequenas ima-
gens de papais-nois nus que pareciam danar sobre seus seios. 
Essas, pensou Eve, apertando os olhos com os dedos, eram as duas 
malucas que ela convencera Whitney a incluir na verba destinada ao caso. 
  Quero  que  faam algo  simples   avisou ela.    No  quero  que 
Peabody fique parecendo uma policial. 
  O que acha, Trina?    Mavis se inclinou sobre o ombro de Pea-
body e colocou um dos cachos vermelhos junto de sua bochecha.  Essa 
cor contrasta bem com a pele clara dela, acho que vai arrebentar!  festi-
va, no acha? Bem no clima do Natal. E espere s para ver as roupas que 
convenci Leonardo a nos emprestar.  Ajeitou o corpo, rindo de orelha a 
orelha.  Tem um colante transparente que  a sua cara, Peabody. 
  Colante?    Peabody empalideceu,  pensando  nas  gordurinhas
que iam aparecer.  Tenente. . 
 Algo bem simples  repetiu Eve, pronta para abandonar a aju-
dante  prpria sorte. 
 O que voc costuma passar na pele, garota?   perguntou Trina 
segurando o queixo de Peabody com firmeza.  Lixa? 
 Ahn..  
 Seus poros mais parecem as crateras da lua, amiga. Voc precisa 
de um tratamento facial completo. Vamos comear com um peeling. 
 Ai, minha nossa!  Em pnico, Peabody tentou libertar o queixo 
das garras de Trina.  Escute. . 
 Esses peitos so seus ou  silicone? 



~ 144 ~ 
 



  So  meus.   Na  mesma  hora,  Peabody cruzou os braos e  os 
prendeu com fora sobre os seios, antes que Trina os alcanasse.   So 
meus, de verdade, e estou muito satisfeita com eles. 
 So peitos bem decentes. Muito bem, tire a roupa! Vamos olh-los 
com ateno e analisar o resto. 
 Tirar a roupa?  Peabody virou a cabea at que seus olhos ater-
rorizados se encontraram com os de Eve.  Dallas..  tenente. . senhora. .? 
 Voc disse que conseguia encarar essa misso sob disfarce, Pea-
body.  Estremecendo de leve, sentindo-se quase solidria, Eve virou as
costas e se preparou para sair.  Vocs tm duas horas para prepar-la. 
 Preciso de trs horas  afirmou Trina.  Sou uma artista e no 
trabalho s pressas. 
 Pois tem apenas duas horas  repetiu Eve com firmeza, fechando 
a porta para no ouvir os gritos de Peabody. 
Era melhor para todos, pensou Eve, se ela permanecesse o mais lon-
ge possvel do que ia acontecer com a sua ajudante. Enquanto isso, deci-
diu fazer uma visita a um velho amigo. 
Charles Monroe era um acompanhante autorizado, um prostituto e-
legante e muito atraente que Eve conhecera dentro e fora do trabalho. Ele 
a ajudara certa vez em um caso e, em seguida, ofereceu-lhe os seus servi-
os profissionais de graa. 
Eve agradeceu a ajuda e recusou os servios oferecidos com toda a 
educao.?
Agora ali estava ela, apertando a campainha do elegante apartamen-
to situado em um prdio muito caro do centro da cidade. Um edifcio que 
pertencia a Roarke, lembrou ela, girando os olhos com impacincia. 
Quando  a  luz  de  segurana  ficou verde,  ela  levantou uma  das so-
brancelhas e olhou fixamente para o olho mgico, exibindo o seu distinti-
vo para o caso de Charles ter se esquecido dela. 
Assim que ele abriu a porta, Eve percebeu que no havia razo para 
ela se preocupar com a sua memria. 


* Ver Nudez Mortal. (N.T.) 
~ 145 ~ 
 



 Tenente Docinho!  Ele a pegou desprevenida e sapecou-lhe um 
beijo acompanhado de um abrao apertado e ntimo demais para a situa-
o. 
 Tire as mos de mim, meu chapa! 
  No  tive  chance  de  beijar a  noiva.    E  deu uma  piscada  insi-
nuante. Charles Monroe era um homem muito bonito com olhos langui-
dos e um rosto elegante.  E ento? Que tal  estar casada com o homem
mais rico de todo o universo? 
 S continuo casada com ele por causa do caf. 
Charles inclinou a cabea de lado, analisando-a, e sentenciou: 
 Est perdidamente apaixonada por ele. Isso  timo para voc. De 
vez em quando eu vejo Roarke e Eve, o casal total, nas colunas sociais e 
nos programas de  fofoca.  Geralmente  em algum evento  absurdamente 
glamouroso. Ficava me perguntando como  que voc estaria passando. 
Agora estou vendo ao vivo, e aposto que voc no est aqui para aceitar a 
oferta que eu lhe fiz alguns meses atrs. 
 Precisamos conversar, Charles. 
  Certo, pode entrar.    Ele deu um passo para trs e estendeu a 
mo  de  forma  convidativa.  Usava  uma  roupa  em pea  nica  que  exibia 
corpo sarado e muito bem proporcionado.   Quer beber alguma coisa? 
Duvido muito que a marca de caf que eu uso seja superior  de Roarke. 
Que tal uma Pepsi? 
 Aceito, uma Pepsi est timo. 
Eve se lembrava da cozinha do apartamento de Charles. Arrumada, 
espartana  e  minimalista.  Muito  parecida com o  locatrio.  Ela  se  sentou
enquanto ele pegava duas latas na unidade refrigerada e as servia em co-
pos altos. Amassou as latas, colocou-as na ranhura do sistema de recicla-
gem e se sentou diante de Eve. 
 Poderamos brindar aos velhos tempos, Dallas, mas eles no so 
grande coisa. 
    verdade. Bem,  Charles, tenho novidades para voc, e tambm 
no  so  nada  boas.  Primeiro eu gostaria  de  saber  por que  um acompa-
nhante autorizado bem-sucedido como voc precisa de uma agncia de 

~ 146 ~ 
 



encontros. Alis, antes que responda  continuou ela, levantando o copo 
, devo lembrar a voc que usar servios desse tipo para conseguir cli-
entes  ilegal. 
Ele enrubesceu. Eve no achou que isso poderia ser possvel, mas a 
verdade  que o seu rosto marcante e muito bonito ficou vermelho como 
um pimento. Ele abaixou o copo e disse: 
 Puxa, Dallas, como  que voc pode saber tudo o que acontece? 
 Se eu soubesse tudo, como voc diz, conheceria a resposta para a 
pergunta que lhe fiz. Por que voc mesmo no me esclarece isso? 
  assunto particular  murmurou ele. 
 Eu no estaria aqui se fosse particular. Por que voc se cadastrou 
na agncia ntimo e Pessoal para encontrar um par? 
 Porque preciso de uma mulher na minha vida  respondeu ele 
de  imediato.  Levantou a  cabea  e  de  repente seus olhos se  tornaram
sombrios e zangados.  Uma mulher de verdade, entende? No uma que 
queira me comprar, pagar pelos meus servios. Quero um relacionamen-
to de verdade, droga, o que h de errado com isso? Em minha profisso 
isso nunca acontece por conta prpria. Fao o que me pagam para fazer, e 
fao bem feito. Gosto do meu trabalho, mas quero uma vida prpria. No 
 ilegal algum desejar uma vida pessoal. 
 No  confirmou Eve baixinho.  No . 
 Muito bem, eu reconheo: menti a respeito da profisso quando 
preenchi o  formulrio.    Movimentou os ombros  de  forma  agitada.   
No  queria  que  me  arrumassem uma  mulher que  estivesse  apenas  em
busca de emoes fortes em um encontro com um acompanhante autori-
zado. E agora? Voc vai me prender por eu ter mentido em uma droga de 
vdeo para encontros amorosos? 
 No.  Eve sentiu sinceramente o fato de t-lo deixado sem gra-
a.    Voc  foi um dos homens escolhidos para  encontrar uma  mulher
chamada Marianna Hawley. Voc se lembra dela? 
 Marianna. .  Charles fez um esforo para recuperar a pose, to-
mando alguns goles da bebida gelada.  Lembro-me do vdeo dela. Uma 
linda mulher, muito doce. Chegamos a entrar em contato, mas ela j havia 

~ 147 ~ 
 



encontrado algum.    Nesse momento, exibiu um sorriso de ironia.   
Que m sorte a minha, hein, tenente? Ela era exatamente o tipo de mulher
que eu procurava. 
 Ento voc no chegou a se encontrar com ela? 
 No. Conheci as outras quatro mulheres da minha primeira lista. 
Cheguei a engrenar um namoro com uma delas, e nos encontramos du-
rante algumas semanas.  Soltou um suspiro audvel.  Decidi que para 
haver alguma chance de o relacionamento ir em frente eu precisava con-
tar a ela qual era a minha profisso verdadeira. E isso  completou ele, 
levantando um brinde na direo de Eve  foi o fim de tudo. 
 Sinto muito. 
 Tudo bem, tem outras mulheres por a.  Mas o sorriso arrogan-
te que exibiu no alcanou os olhos.  Foi uma pena Roarke ter tornado 
voc indisponvel. 
 Charles, Marianna est morta. 
 O qu?  
 Voc no tem visto o noticirio? 
 No. Ultimamente no tenho assistido a nada. Morta?  Ento os 
seus olhos se aguaram, focando-se nos de Eve.  Assassinada. Voc no
estaria aqui se ela tivesse morrido tranqilamente enquanto dormia. Ela 
foi assassinada. Eu sou suspeito? 
 Sim,   Eve disse isso por gostar de Charles o bastante para ser 
direta com ele.  Vou precisar interrog-lo formalmente, s para manter
o procedimento oficial. Antes, porm, quero que me diga: voc tem algum
libi para tera-feira  noite, para quarta e para ontem  noite? 
Ele a encarou por um longo tempo, exibindo  um ar horrorizado no 
olhar. 
 Como consegue trabalhar nisso? Dia aps dia? 
 Eu poderia lhe fazer essa mesma pergunta, Charles  reagiu Eve 
sem desviar o olhar.  Vamos deixar de lado a anlise das nossas carrei-
ras. Voc tem libis para esses dias? 
 Vou olhar na minha agenda  respondeu ele, olhando para outra 
coisa qualquer enquanto se levantava da mesa. 

~ 148 ~ 
 



Eve o deixou sair da sala sem se preocupar, sabendo que podia con-
fiar em seus instintos. Ele no era o tipo de homem com assassinato na 
alma. 
Voltou carregando  uma  pequena  e  elegante  agenda  eletrnica.  A-
brindo-a, digitou as datas indagadas por Eve. 
 Na tera-feira uma cliente passou a noite aqui. Cliente regular, e 
isso pode ser confirmado. Ontem  noite fui ao teatro e depois seguiu-se 
uma ceia acompanhada de seduo aqui em casa. A cliente saiu s duas e 
meia da manh. Fiquei trinta minutos a mais com ela, e ela me recompen-
sou com um pagamento extra. E ainda me deu uma boa gorjeta. Na noite 
de quarta-feira fiquei aqui em casa, sozinho.  Passou a agenda para Eve 
por sobre a mesa. 
 Pode anotar os nomes para confirmao. 
Eve no disse nada, simplesmente digitou os nomes em sua agenda.
Por fim perguntou:  
 Sarabeth Greenbalm..  Donnie Ray Michael. . J ouviu algum des-
ses nomes? 
 No. 
 Nunca vi voc de maquiagem  disse ela com firmeza.  Por que 
comprou pintura labial e sombra da marca Perfeio Natural na  loja S 
Maravilhas? 
 Pintura labial?  Ele olhou sem expresso por um momento, mas
logo em seguida confirmou com a cabea.  Ah, j lembrei..  comprei es-
ses produtos para  a  mulher com quem eu estava  saindo.  Ela  me  enco-
mendou algumas coisas,  j  que  eu ia  ao  salo  para  usar os  servios de 
embelezamento  corporal que  faziam parte  do  pacote  da  agncia  de  en-
contros. 
Obviamente confuso, ele sorriu de leve e perguntou: 
 Tenente Docinho, qual a razo desse seu interesse sbito pelo fa-
to de eu usar ou no pintura labial? 
 S mais um detalhe, Charles. Voc me fez um favor uma vez e a-
gora  eu estou retribuindo.  Trs pessoas que  utilizavam os servios da 



~ 149 ~ 
 



agncia  ntimo e Pessoal esto mortas, assassinadas da mesma forma e 
pelas mesmas mos. 
 Trs? Minha nossa! 
 Em menos de uma semana  acrescentou ela.  No posso lhe 
dar maiores detalhes, e o que estou lhe contando no pode ser divulgado, 
mas na minha opinio o assassino est usando os dados da Intimo e Pes-
soal para selecionar as vtimas. 
 E ele j matou trs mulheres em menos de uma semana? 
 No exatamente.  Eve manteve os olhos nele.  A ltima vtima 
foi um homem.  melhor ter cuidado, Charles. 
 Voc acha que eu posso ser um alvo?  Ao compreender isso, o 
ar de ressentimento se desvaneceu. 
 Acho que qualquer pessoa que estiver no banco de dados da n-
timo e Pessoal pode ser um alvo. No momento estou me concentrando na 
lista de parceiros selecionados para cada vtima. E estou avisando-o para 
no deixar ningum que voc no conhea entrar em seu apartamento. 
Ningum!  Eve respirou fundo.  O assassino se veste de Papai Noel e 
traz uma caixa imensa embrulhada para presente. 
 O qu?  Ele tornou a pousar o copo que acabara de levantar da 
mesa.  Isso  alguma piada sua? 
 Trs pessoas esto mortas. No acho nada engraado. De algum
modo ele convence a vtima a abrir-lhe a porta. Em seguida ele as droga, 
amarra e mata. 
 Nossa!  Charles passou as mos no rosto.  Que coisa bizarra! 
  Se  esse  cara  aparecer na  sua  porta,  mantenha-a  trancada  e  me 
chame na mesma hora. Procure mant-lo aqui, se puder, mas se no con-
seguir fazer isso  deixe-o  ir embora.  Sob  nenhuma  circunstncia  abra  a 
porta. Ele  esperto, est bem preparado e  letal. 
 Pode deixar que eu no abro a porta. Quanto  mulher com quem 
eu estava namorando. . a que me foi apresentada atravs da agncia? Vou
ter que avis-la. 




~ 150 ~ 
 



 Estou com a lista das pessoas escolhidas para voc. Pode deixar 
que  eu mesma  a  aviso.  Preciso  deixar essa  histria  fora  da  mdia  por
quanto tempo eu conseguir. 
  Pode deixar que a imprensa no vai saber da histria por meio 
deste solitrio acompanhante autorizado.  Fez uma careta.  Pode avi-
s-la logo, tenente? O nome  Darla McMullen. Ela mora sozinha e  mui-
to. . ingnua. Se Papai Noel tocar a sua campainha,  capaz de abrir a por-
ta e ainda lhe oferecer leite com biscoitinhos. 
 Ela me parece uma mulher legal. 
 Sim.  Seus olhos ficaram sem expresso.  Ela . 
 Vou visit-la, ento.  Eve se levantou.  Quem sabe ela aceita 
tornar a sair com voc? 
  No ia adiantar nada.    Ele se levantou e abriu um sorriso.   
Mas quero ser o primeiro a ficar sabendo, caso voc decida dispensar Ro-
arke de sua vida, Tenente Docinho. E essa oferta  por tempo ilimitado. 



O corao, refletiu Eve enquanto dirigia depois da visita que fez a Darla, 
era um rgo estranho que s vezes trabalhava demais. Era difcil fazer
uma  ligao  entre  um acompanhante  autorizado  bonito,  sofisticado  e 
com boa lbia como Charles e a mulher sossegada, com ares de intelectu-
al que acabara de conhecer. No entanto, a no ser que seus instintos esti-
vessem enferrujados, Darla McMullen e Charles Monroe estavam a meio 
caminho de se apaixonarem. 
O problema  que no sabiam o que fazer com esse sentimento. 
Nesse ponto, tinham a sua total simpatia. Na metade do tempo ela 
prpria no sabia o que fazer com os sentimentos impossveis que nutria 
por seu marido. 
Na volta para o escritrio, interrogou mais trs pessoas das listas de 
contato e as advertiu com instrues que ela mesmo redigira e viu serem
aprovadas pelo comandante. 
Se Donnie Ray tivesse sido avisado com antecedncia, refletiu, talvez 
ainda estivesse vivo. 

~ 151 ~ 
 



Quem seria o prximo da lista? Algum com quem conversara ou al-
guma pessoa que deixara escapar? Levada por essa possibilidade, acele-
rou o  carro  e  passou pelos portes  de  sua  casa.  Queria  que  Peabody e 
McNab se inscrevessem como clientes da  ntimo e Pessoal e estivessem
com os seus perfis completos ainda naquele dia. 
Notou o carro de Feeney estacionado na frente da casa. Isso a fez ter
esperanas de que a campanha para adicion-lo ao time de investigado-
res tivesse dado bons resultados. Com Feeney e McNab cuidando da parte 
eletrnica do trabalho, ela estaria livre para percorrer as ruas. 
Foi direto para o escritrio, estremecendo ao ouvir uma rajada de 
msica  se  que aquilo podia ser chamado de msica  que sacudiu o 
ar da casa. 
Mavis colocara um dos seus videoclipes para passar no telo. Canta-
va acompanhando a prpria imagem, berrando uma letra que tinha algo a 
ver com explodir a alma de tanto amar. Feeney estava sentado atrs da 
mesa de Eve, parecendo estupefato e ligeiramente desesperado. Roarke 
estava em p atrs de uma poltrona, sentindo-se muito  vontade e com 
ar de ateno e cortesia. 
Sabendo que as chances de sua voz ser ouvida no meio da balbrdia 
eram nulas, Eve esperou at que as ltimas notas da cano soassem, e 
Mavis, ruborizada devido ao esforo e ao prazer da apresentao, desse 
risadinhas e apresentasse algumas reverncias de agradecimento ao p-
blico. 
 Queria que voc visse o material pr-editado antes de todo mun-
do  disse a Roarke. 
 Acho que vai ser um sucesso. 
 Srio?  Obviamente deleitada, Mavis se lanou na direo dele, 
lanou os braos em volta do seu pescoo e o abraou com fora.  Nem
posso  acreditar que  isso  est  acontecendo  comigo  de  verdade.  Euzinha 
gravando um disco para a maior companhia fonogrfica do planeta. 
 E vai me trazer toneladas de dinheiro com o seu trabalho.  Ro-
arke a beijou na testa. 



~ 152 ~ 
 



 Quero que d tudo certo. Quero que as coisas funcionem direiti-
nho.  Ao avistar Eve, Mavis abriu um sorriso.  Oi! Ouviu a nova mixa-
gem da minha cano? 
 S o finalzinho. Estava timo.  Como era Mavis, Eve falava aqui-
lo de corao.  E voc, Feeney, vai trabalhar conosco, afinal? 
 Fui designado oficialmente para este caso.  Recostou-se na ca-
deira.  McNab j est se apresentando como cliente da ntimo e Pessoal. 
O perfil que construmos para ele foi o de um nerd da informtica em uma 
das empresas de Roarke. Seus dados foram registrados na companhia e 
ele recebeu uma carteira de identidade nova. 
 Empresa de Roarke? 
  Pareceu-me  o  mais lgico  a  fazer,  e  muito  plausvel.    Feeney 
sorriu para ela.    Quando temos pessoas influentes do nosso lado, de-
vemos utiliz-las. Obrigado pela sua ajuda, garoto. 
 De nada, estou sempre  disposio  garantiu-lhe Roarke, e en-
to sorriu para a sua mulher.  Adiantamos um pouco o expediente, j 
que voc tem pressa. Peabody foi designada como segurana em um dos
meus edifcios. Feeney achou que seria mais simples manter os perfis sin-
tonizados com a realidade, na medida do possvel. 
  Ah,  claro,  vamos manter tudo  bem simples.    Expirando  com 
fora, concordou.  Est timo. Voc  dono de metade da cidade mesmo 
e ningum vai questionar nada nem encontrar furos nos arquivos pesso-
ais deles, j que sua mo est por trs disso. 
 Exato. 
 Onde est Peabody? 
 Trina est acabando de prepar-la. 
 Preciso dela agora. Ela tem que vir at aqui para ouvir as instru-
es antes de ir se inscrever na agncia. Peabody tem uma boa aparncia, 
pelo amor de Deus! Quanto tempo leva para dar uma melhorada em sua 
maquiagem e escolher algumas roupas? 
 Trina teve algumas daquelas idias mais-que-demais dela  in-
formou Mavis, com tanto entusiasmo que o sangue de Eve quase conge-
lou.    Espere  s  para  ver. Ah,  e  mais uma  coisa. .  Trina  quer que  voc 

~ 153 ~ 
 



marque uma hora com ela antes da festa. Quer colocar voc maravilhosa 
e pronta para os festejos de fim de ano. 
Eve simplesmente grunhiu alguma coisa. No tinha inteno de ficar
maravilhosa, nem agora nem nunca. 
 T bom, tudo bem  concordou.  Mas, afinal, onde  que. .  
No completou a frase ao perceber que elas estavam chegando. Virou-se 
na direo da porta, piscou com fora e sentiu o queixo cair. 
  Temos que  reconhecer   anunciou Trina  ,  eu sou apenas  o 
mximo! 
Peabody olhou para ela com desdm, em seguida ficou vermelha e, 
por fim, exibiu um sorriso hesitante. 
 E ento. . Acham que eu vou convencer na entrevista da agncia? 
Seu cabelo cortado no formato de cuia estava com alguns fios claros, 
muitos reflexos,  e  fora  afofado  para  parecer um halo  escuro.  Seu rosto 
brilhava  com cores fortes aplicadas  em torno  dos olhos,  que  pareciam 
realar seu formato  e  tamanho,  seus lbios foram tingidos em um tom
suave de coral rosado. 
Seu corpo, que parecia to cheinho dentro da farda, adquiriu curvas 
mais exuberantes e femininas em um arrebatador vestido verde-escuro 
que ia at o tornozelo. Vrias correntes coloridas envolviam-lhe o pesco-
o. Aparecendo no busto, debaixo do colar, notava-se a imagem de uma 
fada pequena e romntica, com asas douradas. 
A prpria Peabody escolhera a figura, depois que Trina a colocara 
no esprito da roupa. Nem piscara quando as mos rpidas e capazes da 
esteticista envolveram o seu seio esquerdo para aplicar a tatuagem tem-
porria. A essa altura ela j estava curtindo a sensao de ser reinventa-
da. 
Agora,  porm,  diante do  olhar fixo  de  Eve,  Peabody comeou a  se 
sentir sem graa, mudando de um p para outro. . ps que, por sua vez, 
estavam,  calados com sapatos de  salto  agulha  que  combinavam com a 
tatuagem mstica. 
 . . E ento? No ficou bom? 



~ 154 ~ 
 





Eve. 
 



  Bem,  certamente  voc  no  est  com cara  de  policial    decidiu 

  Voc  est  linda!    Divertindo-se  com a  reao  de  sua  mulher, 
 
Roarke deu alguns passos  frente e segurou as duas mos de Peabody, 
exclamando:  Absolutamente deliciosa!  Ao falar, beijou-lhe os dedos 
e fez o inseguro corao de Peabody estremecer. 
 Acha mesmo? Uau! 
 Esquea esse cara, garota  aconselhou Eve,  Feeney, voc tem 
vinte  minutos para  lhe  explicar tudo  sobre  o  seu perfil.  Peabody, onde 
est a sua arma de atordoar e o comunicador? 
  Aqui.    Ainda ruborizada, Peabody enfiou a mo em um bolso 
oculto no quadril do vestido.  Prtico, no acha? 
 Sim, mas no creio que v substituir os uniformes  disse Eve, 
apontando para uma poltrona.  Voc vai ter que decorar os dados que 
Feeney vai lhe passar. Grave o que ele vai dizer e v ouvindo novamente 
pelo caminho, no carro. No podemos pisar na bola. Voc tem que estar
cadastrada na agncia at o final do dia e quero uma lista de pretenden-
tes at amanh, no mximo. 
 Sim, senhora.  Peabody passou por Eve alisando o vestido com 
ar sonhador e foi se instalar ao lado de Feeney. 
 Voc  a prxima  avisou Trina, passando os dedos geis pelos
cabelos de Eve. 
 No tenho tempo para tratamentos de beleza agora  reagiu E-
ve.  Alm disso, voc me fez um tratamento completo h algumas se-
manas. 
 E se eu no der retoques regulares, vou ter todo o meu trabalho 
arruinado. Se ela no arranjar algum tempo antes da festa eu no me res-
ponsabilizo pela sua aparncia  advertiu, olhando para Roarke. 
 Ela vai arrumar um tempinho   garantiu ele. E, para aplac-la, 
foi guiando Trina para fora da sala com toda a gentileza, enquanto conti-
nuava a elogiar o brilhante trabalho que fizera com Peabody. 




~ 155 ~ 
 
 


















E 
 








CAPTULO NOVE 








ncontrar Nadine Furst lixando as unhas com toda a calma do mun-
 
do, e ainda por cima sentada  sua mesa, no era a cena que Eve 
esperava ao chegar  Central de Polcia.  
 Levante a bunda da minha cadeira! 
Nadine  simplesmente  sorriu  com doura,  guardou a  lixa  de  unhas 
em sua enorme bolsa de couro e descruzou as pernas bem torneadas. 
 Oi, Dallas. Que bom ver voc tambm. J soube que anda traba-
lhando muito no escritrio de casa por esses dias. No posso culp-la.  
Levantando-se, Nadine lanou os penetrantes olhos de gata em volta do 
ambiente entulhado, mal-ajambrado e cheio de poeira.  Afinal, esta sala 
 um lixo. 
Sem dizer nada, Eve foi direto at o computador, verificou a ltima 
entrada registrada no sistema e fez o mesmo com o comunicador. 
  No toquei em nada    avisou Nadine, acrescentando  voz um 
leve tom de insultada, suave o bastante para Eve desconfiar que a idia 
lhe passara pela cabea. 
  Estou ocupada, Nadine. No tenho tempo para atender a mdia. 
V perseguir uma ambulncia por a ou perturbar o pessoal da recepo 
em busca de notcias. 
 Acho que voc devia me dar um pouco da sua ateno.   Ainda 
sorrindo, Nadine se sentou na nica cadeira para visitantes que havia na 
sala e tornou a cruzar as pernas.  A no ser que queira que eu jogue no 
ar as coisas que descobri. 
 
 



Eve sacudiu um dos ombros. Descobriu que a sua musculatura esta-
va tensa no momento em que se sentou. Esticou as pernas vestidas com a 
velha cala jeans e cruzou as botas muito gastas  altura dos tornozelos. 
 E o que foi que voc descobriu, Nadine? 
 Solteiros em busca de romance encontram morte violenta. ntimo 
e Pessoal: agncia para promover encontros ou assassinatos? A melhor 
tenente de homicdios da cidade, Eve Dallas, j est investigando. 
Nadine ficou olhando para o rosto de Eve enquanto falava. Reconhe-
ceu que ela segurou todas as emoes que pudesse ter sentido, pois seus
olhos nem mesmo piscaram. Sabia, porm, que conseguira chamar a sua 
ateno. 
 Quer que eu continue a notcia, informando que a investigadora 
oficial do caso no tem nada a declarar no momento? 
  A  investigao  prossegue.  Uma  fora-tarefa  foi criada.  A  polcia 
de Nova York est  cata de todas as pistas. 
Nadine se inclinou para a frente e enfiou a mo dentro da bolsa, sor-
rateiramente, para ligar o gravador. 
 Ento a tenente Dallas confirma que os assassinatos tm relao 
uns com os outros? 
 No com o seu gravador ligado  respondeu Dallas. 
Um ar de irritao surgiu no rosto bonito e triangular de Nadine. 
 Droga, Dallas, me d um espao para trabalhar! 
  Desligue o gravador, coloque-o em cima de minha mesa, bem 
vista, e eu lhe ofereo alguma coisa. Alias, vou confiscar esse aparelho e 
qualquer outro que voc esteja carregando pra cima e pra baixo a dentro 
dessa bolsa imensa.  proibido entrar com equipamentos de gravao na 
Central de Polcia sem autorizao especfica.  
 Nossa, voc  toda certinha!  Zangada, tirou o minigravador da 
bolsa, colocou-o sobre a mesa e deixou a bolsa de lado.  Muito bem. O 
que tem para mim extra-oficialmente? 
  Extra-oficialmente.    Como  Nadine  empregara  essas palavras, 
Eve concordou com a cabea. A reprter do Canal 75 podia ser irritante, 
determinada e, de um modo geral, um p no saco, mas tinha integridade. 

~ 157 ~ 
 



No havia necessidade de revistar a bolsa em busca de outro gravador.  
Os homicdios que esto sob a minha investigao foram cometidos pela 
mesma pessoa. A agncia de encontros ntimo e Pessoal parece ser a ori-
gem das vtimas. Pode jogar isso no ar. 
  Ento  tudo  tem  realmente  ligao  com a  agncia?    Todos os
traos de irritao desapareceram no instante em que Nadine sorriu.  A 
dica  sutil  que  Eve  lhe oferecera  no  incio  a  levara  a  pesquisar todos os
servios de encontros da cidade. Seria capaz de relacionar os dados e fa-
zer uma reportagem completa s com o apertar de alguns botes. 
 Exato  confirmou Eve. 
 E o que mais voc pode me dar? 
 A maior parte das minhas anotaes est no escritrio de casa.  
Nadine, porm, j pegara o seu computador porttil e puxou alguns da-
dos.  Ento voc j deve ter recolhido todos os dados bsicos: quem so 
os donos da agncia, o tempo que esto no mercado, as exigncias para os
clientes.  Eles so  clientes da  nossa  emissora  e  produzem uns anncios
muito sofisticados. Gastaram, deixe-me ver..  mais de dois milhes no ano 
passado  s  em propaganda  conosco.  O  departamento  de  crdito  desco-
briu que eles podem gastar essa quantia, pois ela representa apenas dez 
por cento do faturamento bruto deles. 
 Romance  lucrativo. 
  mesmo. Fiz um levantamento informal s em nossa emissora. 
Quinze por cento dos funcionrios j usaram esse tipo de servio. Passar
o  dia atrs de  informaes para  o  pblico  produz  um grave  efeito  em
nossa vida pessoal  acrescentou com ar descontrado. 
 Algum que voc conhece usa os servios da ntimo e Pessoal? 
 Provavelmente.  Nadine colocou a cabea meio de lado.  Co-
nheo um monte de gente, pois sou uma pessoa alegre e socivel. Devo 
comear a me preocupar com eles? 
 As trs vtimas utilizavam os servios da agncia, e dois se conhe-
ceram por acaso atravs dela. Ainda no encontramos nenhuma ligao 
entre elas. 



~ 158 ~ 
 



 Ento. . o seu assassino mira as solitrias.   Esse seria um tre-
mendo chamado para a vinheta do programa, decidiu Nadine, j maqui-
nando o texto na cabea. 
 Nossa suspeita  de que a agncia ntimo e Pessoal  a fonte onde 
o criminoso bebe.  Eve queria que isso ficasse bem claro, mas no pre-
tendia oferecer mais do que isso  reprter.  Uma fora-tarefa foi mon-
tada hoje e est empenhada em seguir todas as linhas de investigao. 
 H pistas? 
  Elas esto  sendo  investigadas.  No  posso  lhe  fornecer detalhes 
com relao a isso, Nadine. 
 H suspeitos?  insistiu a reprter. 
 Os interrogatrios j tiveram incio. 
 Motivo dos crimes? 
Eve analisou a pergunta. 
 So crimes de cunho sexual  informou por fim. 
 Ah..  Bem, isso combina. Ento voc tem um assassino bissexual? 
Das trs vtimas, uma era homem e as outras duas, mulheres. 
 No posso confirmar nem negar as preferncias sexuais do assas-
sino.  Pensou em Donnie Ray e sentiu uma fisgada de culpa na boca do 
estmaeo.    Sei apenas  que  as vtimas receberam espontaneamente  o 
assassino em suas residncias. No encontramos sinais de entrada fora-
da em nenhum dos locais. 
 Quer dizer que eles abriram a porta para o tarado? Eles o conhe-
ciam, ento? 
 Pensavam conhecer. Pode alertar os telespectadores de que eles 
no devem abrir a porta para algum que no conheam em nvel pesso-
al. No posso informar mais nada sem comprometer a investigao. 
 Quer dizer ento que ele j matou trs vezes em menos de uma 
semana. Parece estar com pressa. 
 Ele tem uma programao para os assassinatos  confirmou Eve. 
 Mas isso no  para ser divulgado, entendeu? Ele tem uma escala, um
padro, e  por isso que ns vamos agarr-lo. 



~ 159 ~ 
 



  Faa  uma  entrevista  exclusiva  comigo,  Dallas,  uma  rapidinha. 
Posso mandar vir uma cmera em menos de dez minutos. 
 No. Ainda no  acrescentou antes de Nadine comear a recla-
mar.    Voc j conseguiu mais informaes do que qualquer outro re-
prter. Pegue o presente e sinta-se grata. Quanto  entrevista exclusiva, 
eu gravo se puder e quando puder. Estarei mais inclinada a fazer isso se, 
depois de encurralar Piper e Rudy, voc vier me contar o que descobriu. 
 Toma-l-d-c, no ?  Nadine ergueu uma sobrancelha.  Tu-
do  bem.  Estou indo  para  l  agora  mesmo.  Depois que  eu..     Parou de 
falar na mesma hora e ficou de queixo cado ao ver Peabody entrar pela 
porta, afobada e dizendo: 
 Dallas, voc no vai acreditar, eu..  Oi, Nadine! 
 Essa  realmente voc, Peabody? 
Embora Peabody tenha lutado para manter um ar casual, seus lbios 
sorriram. 
 . . Dei uma ajeitadinha no visual. 
 Uma ajeitadinha? Voc est deslumbrante. Esse  um dos modeli-
tos do  Leonardo?  Voc  est  absolutamente  fabulosa.    Levantou-se  e 
comeou a rodear Peabody. 
 Sim,  um dos modelos dele. Ficou bem em mim, no acha? 
 Peabody, voc est arrebentando Rindo muito, Nadine deu um 
passo para trs. De repente seu sorriso comeou a se aguar e seus olhos
se estreitaram.  Est deixando a sua auxiliar brincar de ser modelo em
meio a uma investigao de assassinato, Dallas?  continuou ela, desvi-
ando o olhar para Eve.  A tem coisa! Acho que o que temos aqui  um
exemplo  muito  sofisticado  de  disfarce.  Vai experimentar  as maravilhas
dos encontros arranjados pelo computador, Peabody? 
  Feche a porta, Peabody!    Ao comando firme de Eve, Peabody 
entrou na sala apertada e fechou a porta atrs de si.   Nadine, se voc 
deixar vazar essa informao, corto a sua garganta. Voc vai virar carta 
fora do baralho. Vou ajeitar para que ningum aqui da Central de Polcia 
informe a voc nem mesmo em que dia estamos e muito menos passe di-
cas sobre algum caso. Pode ter certeza de que isso vai me tirar do srio. 

~ 160 ~ 
 



O sorriso matreiro de Nadine desapareceu. Seus olhos se tornaram 
duros e sombrios. 
 Voc acha mesmo que eu iria trair a sua investigao? Acha mes-
mo que eu poderia espalhar uma informao que colocaria Peabody nu-
ma furada? V para o inferno, Dallas!  Agarrou a bolsa e foi em direo 
 porta, mas Eve foi mais rpida: 
  Fui eu  que  coloquei o  traseiro  dela  na  reta.    Furiosa  consigo 
mesma, Eve arrancou a bolsa das mos de Nadine e a atirou longe.  Fiz 
a minha jogada e, se algo sair errado, a culpa vai ser minha. 
 Dallas..  
 Cale a boca!   ordenou a Peabody.  Se ficou ofendidinha por 
descobrir at onde eu iria para proteger Peabody e este caso, Nadine,  
uma pena para voc. 
 Certo.  Nadine respirou fundo e segurou a prpria raiva. Era al-
go raro, em sua experincia, detectar uma sombra de medo que fosse no 
olhar de Eve.    Certo    repetiu.    Quero que voc se lembre apenas
que Peabody  minha amiga. Como voc tambm . 
Nadine agachou-se para pegar a bolsa que cara no cho e a pendu-
rou no ombro. 
  Seu cabelo  ficou lindo,  Peabody    elogiou ela  antes de  abrir a 
porta e sair. 
 Droga!  Foi a nica palavra que passou pela cabea de Eve. Gi-
rando o corpo, foi at a janela minscula e ficou observando o engarrafa-
do trfego areo l fora. 
 Sei como cuidar de mim, Dallas. 
Eve olhou fixamente para um nibus areo que acabara de desviar 
de um dirigvel publicitrio no ltimo segundo antes da coliso. 
 No teria metido voc nisto se achasse que no saberia se cuidar. 
Mas o fato  que a pessoa que inventou essa histria fui eu. Voc no tem 
nenhuma  experincia  em desempenhar misses secretas ou trabalhar
sob disfarce. 




~ 161 ~ 
 



 Voc est me dando a oportunidade de conseguir alguma experi-
ncia.  Quero  me  tornar detetive  e  jamais vou conseguir isso  sem uma 
misso secreta sob disfarce em meu currculo. Voc sabe disso. 
 Sim.  Eve enfiou as mos nos bolsos de trs da cala.  Eu sei
disso. 
 Ahn..  Reconheo que a minha bunda  um pouco maior do que 
deveria, e ando malhando muito para diminu-la, mas a verdade  que, no 
momento, no sei como disfar-la melhor. 
Sorrindo de leve, Eve se voltou na direo dela. 
 Sua bunda est tima, Peabody. Por que no senta em cima dela 
agora e me faz o relatrio? 
 Tudo correu muito bem.  Sorrindo, Peabody se largou na cadei-
ra.  s mil maravilhas mesmo. Eles no desconfiaram nem por um mo-
mento que eu era a mesma tira que estivera l h poucos dias. Deram-me 
um tratamento de princesa.  Balanou os clios recm-tingidos e alon-
gados. 
 Se j curtiu bastante a sua nova onda, policial  Eve inclinou a 
cabea ara o lado , gostaria de ouvir o relatrio. 
 Sim, senhora.  Peabody empertigou-se toda na cadeira e assu-
miu um ar sbrio.  Conforme as ordens, eu me dirigi ao local determi-
nado e solicitei uma consulta. Depois de uma breve entrevista fui enca-
minhada a um salo onde Piper assumiu pessoalmente os trabalhos. Os 
dados que eu lhe dei foram registrados em seu computador de mo e em
seguida ela me ofereceu algo para beber.   Um brilho divertido surgiu
em seus olhos.  Eu aceitei o oferecimento, pois achei que seria mais na-
tural  no  meu papel.  Dallas,  eles tm chocolate  quente  l!  Chocolate  de 
verdade  e  biscoitinhos cobertos de  acar e  com motivos natalinos. 
Quando me dei conta j tinha comido trs renas. 
 Continue assim e vai precisar de uma tenda para acomodar a sua 
bunda. 
  mesmo.  Peabody suspirou ao se lembrar disso.  Dei a en-
tender que  queria  marcar um encontro  o  mais depressa  possvel.  Falei
algo como no quero passar o Natal sozinha. Ela foi super-simptica e 

~ 162 ~ 
 



encantadora em nvel pessoal. D para entender por que as pessoas que 
entram l  saem confiantes de  que  ela  vai encontrar algum para  elas. 
Nesse momento ela tentou me passar para uma assistente, mas eu colo-
quei p firme. Disse que me sentia mais  vontade com ela e que essa his-
tria de agncia de encontros era algo que me dava desconforto. Ofereci
lhe pagar mais, se fosse preciso, para t-la trabalhando diretamente co-
migo. 
 Bem pensado. 
  Ela  foi um doce  em tudo.  Deu tapinhas consoladores na  minha 
mo, serviu de diretora para a gravao do meu vdeo e at me treinou
um pouco para eu ficar mais  vontade durante a apresentao. Rudy en-
trou no  finalzinho,  porque  ela  precisava  ir a  uma  reunio.  Ele  tambm 
no me reconheceu. At flertou comigo! 
 Flertou como? 
 De um jeito bem natural. Acho que era apenas parte do trabalho 
dele, para falar a verdade. Sorriu, me cumprimentou alegremente e segu-
rou a minha mo. Ele est muito longe de ser o meu tipo de homem  
acrescentou , mas levei a coisa em frente. Ele me ofereceu mais choco-
late quente, mas eu consegui resistir. Levou-me para conhecer as instala-
es, mostrou um clube onde os candidatos tm a chance de se encontrar
caso se sintam pouco  vontade para fazer isso l fora. O tal clube  lindo, 
de bom gosto, tudo muito elegante. Eles tm uma pequena cafeteria tam-
bm para os mesmos propsitos.  um ambiente informal. Havia vrios
casais espalhados por l.  Nesse momento, torceu o nariz.  Vi McNab 
fazendo o tour dele bem na hora em que eu fazia o meu. 
  Ento conseguimos entrar e estamos cumprindo o cronograma. 
Quando sai a sua lista de candidatos? 
 Amanh de manh j posso peg-la. Eles preferem que a pessoa 
volte l pessoalmente em vez de enviar a primeira lista. Eles me investi-
garam por cerca de uma hora. Os dados que Roarke colocou no sistema 
funcionaram direitinho, e, pelo que percebi, pesquisaram a minha vida a 
fundo.  Se  eu estivesse  embarcando  nessa  histria  de  verdade,  iria  me 
sentir bem segura. 

~ 163 ~ 
 



 Muito bem. Pegue a lista e siga a rotina deles. Quero apenas que 
marque seus encontros em locais fora de l.  Considerou a idia por um
momento antes de continuar.  Podemos usar um dos lugares que per-
tencem a Roarke. . um clube de porte mdio ou um bar. Colocaremos al-
guns tiras l dentro. Eu vou ter que ficar de fora, porque se Rudy e Piper 
estiverem envolvidos vo me reconhecer. Vou requisitar um veculo para 
ficar de  tocaia.  Quero  que  voc  marque  pelo  menos dois encontros,  de 
preferncia trs, para amanh mesmo. No podemos perder tempo. 
Olhou para seu relgio de pulso e tamborilou com os dedos sobre a 
mesa, dizendo: 
 Vamos ver se conseguimos uma sala de reunies que esteja vazia. 
Preciso convocar Feeney e McNab para uma atualizao do caso. Quero 
que tudo prossiga sem problemas de percurso. 
 Se McNab fizer alguma piadinha comigo, eu soco o nariz dele. 
 Espere at resolvermos o caso  aconselhou Eve.  Depois dis-
so pode socar o nariz dele  vontade. 



Deu para enxergar as luzes acesas na outra ponta da longa alameda assim
que Eve passou pelos portes. A princpio, Eve pensou que a casa estives-
se em chamas de to iluminada e brilhante. Ao se aproximar com o carro, 
viu o contorno da rvore na larga janela do salo da frente. Parecia viva 
com tantas luzes brancas cintilando e piscando, como se fossem peque-
nas chamas saindo dos ramos pesados por conta das bolas vermelhas e 
douradas. 
Deslumbrada, Eve parou o carro ao p da escada e subiu os degraus 
quase correndo. Seguindo direto na direo do salo, parou sob o portal e 
olhou extasiada. A rvore devia ter mais de seis metros de altura e quase 
um metro e meio de largura. Quilmetros de festo prateado haviam sido 
colocados em volta dela com esmero e ajudavam a prender as centenas 
de bolas coloridas. Na ponta da rvore, quase tocando o teto, fora fixada 
uma estrela de cristal, e cada uma das suas pontas cintilava em uma cor 
diferente. Por toda a volta fora colocado um festo de tecido branco dra-

~ 164 ~ 
 



peado  guisa de neve. Incontveis presentes haviam sido maravilhosa-
mente embrulhados e empilhados em volta dela. 
 Minha nossa, Roarke! 
 Ficou linda, no ficou? 
Ele chegara por trs dela sem fazer barulho algum. Eve deu um pulo 
ao ouvir a voz dele, mas logo se virou e balanou a cabea, perguntando: 
 Onde conseguiu uma rvore como essa? 
 No Oregon. Ela tem um sistema especial para manter as razes vi-
vas. Vamos do-la para um parque depois do Ano-novo.  Enlaou a cin-
tura dela com os braos.  Melhor dizendo, vamos doar todas. 
 Todas? Tem outras como essa? 
 Instalei uma um pouquinho maior no salo de baile. 
  Maior?    Eve  conseguiu perguntar depois de  um momento  de 
espanto. 
 Tem mais uma no apartamento de Summerset, alm da que est 
no nosso quarto. 
 Leva dias para enfeitar uma rvore desse tamanho. 
 Bem, para enfeitar esta aqui a equipe que eu contratei levou qua-
tro horas.  Ele riu.  A do nosso quarto vai ser mais fcil.   Virou a 
cabea  e  roou os lbios na  testa  de  Eve.    Preciso  compartilhar esse 
momento de curtio com voc. 
 No entendo dessas coisas. 
 Vamos aprender juntos. 
Eve olhou para a rvore e no conseguiu identificar o que a deixou
nervosa. 
 Tenho trabalho a fazer  afirmou e teria conseguido escapar se 
ele no tivesse se movido mais depressa e colocado as mos em seus om-
bros at ela olhar para ele. 
 No pretendo atrapalhar o seu trabalho, Eve, mas ns temos di-
reito a uma vida. A nossa vida. Quero uma noite para passar com a minha 
esposa. 
  Voc  sabe  o  quanto  eu odeio  quando  voc  fala  minha  esposa 
nesse tom de voz  disse ela, franzindo o cenho. 

~ 165 ~ 
 



 E por que voc acha que eu uso esse tom?  Ele riu quando ela 
tentou se  desvencilhar das mos dele.    Peguei voc,  tenente,  e  vou
mant-la comigo.    Sabendo o quanto os movimentos dela eram geis, 
levantou-a a um palmo do cho.     melhor se acostumar com isso   
aconselhou. 
 Voc vai acabar me deixando pau da vida. 
 timo, mas primeiro vamos transar.   uma espcie de aventura 
fazermos amor quando eu sei que voc est irritada comigo. 
 No quero transar.  Talvez at quisesse, pensou ela, a contra-
gosto, se ele no exibisse aquela cara de presunoso. 
 Ora, um desafio acompanhando a aventura. A coisa est ficando 
cada vez melhor. 
 Ponha-me no cho, seu bobalho, ou vou ser obrigada a machucar 
voc. 
 E agora ameaas..  Estou comeando a ficar realmente excitado. 
Ela se recusou a rir. E quando ele entrou no quarto com ela ainda no 
colo, Eve estava decidida a entrar em confronto. Mais tarde, iria descobrir
que Roarke conhecia o seu jeito de pensar, e bem demais at. . 
Ele  a  colocou em cima da  cama  e  mergulhou sobre  ela,  antes que 
pudesse  armar uma  postura  ofensiva.  Com apenas  uma  das mos ele 
prendeu os dois pulsos dela acima da cabea. 
Ela lanou-lhe um olhar furioso, estreitando os olhos e avisando: 
 No desisto assim to fcil no, meu chapa. 
 Puxa, tomara que no. 
Ela aplicou-lhe uma tesoura com as duas pernas, apertando-o pela 
cintura, e conseguiu lanar o corpo para a frente at que os dois rolaram 
e tombaram do outro lado da cama. Galahad, que estava tirando um co-
chilo, mostrou-se irritado e caiu fora. 
  Viu s  o  que  voc  fez?!    grunhiu Eve  no  instante  em que  ele 
conseguiu rolar de novo e se colocou por cima dela.  Assustou o gato. 
 Ele que v procurar uma gata por a  murmurou Roarke e es-
magou sua boca contra a de Eve. 



~ 166 ~ 
 



Sentiu ento o latejar dos pulsos dela, em golpes curtos e fortes, e 
percebeu o  tremor que  a  percorreu dos ps   cabea  por baixo  dele;
mesmo assim, Eve no cedeu, ainda no estava pronta para ceder. Con-
forme ele sabia muito bem, havia momentos em que Eve apreciava uma 
luta violenta e rpida. 
E ele sentiu que tambm estava com disposio para um bom com-
bate. 
Mordeu o lbio inferior dela, sentindo uma sensao de triunfo ao 
notar que ela no conseguiu engolir de todo o gemido que lhe surgiu na 
garganta. Com a mo livre ele desafivelou o seu coldre e tirou a correia do 
ombro dela. Em seguida, s por poder faz-lo e tambm por sentir que o 
calor j emanava do corpo dela em ondas, enganchou a mo na abertura 
da blusa e a rasgou com toda a fora, at a cintura. 
Agora o corpo dela estava estirado diante dele, pulsando na sua di-
reo, exigente, audaz, apesar de se retorcer por baixo dele em uma ten-
tativa intil de escapar e readquirir o controle da situao. 
  Puxa,  como  eu desejo  voc!  Jamais consigo  t-la  o  bastante.   
Sua boca lanou-se com fora e se prendeu com firmeza em um dos seus 
seios. 
No, nunca era o bastante, foi o ltimo pensamento claro de Eve. Ela 
gritou e deixou que o corpo forte se arqueasse na direo dele, como se 
os apertes e puxes ferozes em seu seio vibrassem e se espalhassem por 
dentro dela com o ritmo violento de uma msica selvagem. 
O calor parecia sair rugindo em raios divergentes a partir do centro
do seu corpo. 
Libertada, por fim, as mos dela agarraram a camisa dele, rasgando 
a seda, at que sentiu a pele com os dedos, sob a boca, entre os dentes. 
Rolando para o lado mais uma vez, eles arrancaram todas as roupas 
um do  outro  e  atormentaram-se  mutuamente  com belisces famintos, 
cravando os dedos na pele. Quando ela tateou com a mo e conseguiu a-
garr-lo, apertou-o e o sentiu duro como ferro, mas liso como seda. 
 Agora, agora, agora!  Arqueando ainda mais os quadris, sentiu 
o primeiro orgasmo no exato instante em que ele a penetrou. 

~ 167 ~ 
 



Ele  se  manteve  l  dentro,  enterrado  profundamente,  ofegante  en-
quanto piscava depressa, tentando focar os olhos nela. O fogo que ardia 
na  lareira  do  outro  lado  do  quarto  lanava  clares e  sombras no  rosto 
que estava sob o dele, fazia brilhar os cabelos dela e se refletia em seus
olhos,  que  de  repente pareceram escurecer e  apagar sob  a  enegia que 
trocavam. 
 Sou eu que tenho voc  afirmou ele, retrocedendo e empurran-
do-se novamente at o fundo dela.  Sempre.  Movendo-se para trs, 
levantou os quadris dela com as mos.  Venha c novamente!  exigiu 
ele, puxando-a e comeando a possu-la com estocadas longas e mais for-
tes. 
Ela agarrou os lenis como se precisasse de uma ncora.  luz do 
fogo ela conseguia v-lo em cima dela, seus cabelos pretos reluzindo, os
olhos azuis demais para ser verdade, os msculos lisos, a pele dourada e 
orvalhada de suor. 
A  necessidade  foi aumentando  com  a  fora  de  uma  inundao  e  o 
prazer a fez submergir. Sua viso se enevoou, transformando-o em uma 
sombra com bordas douradas. De repente, Eve ouviu Roarke balbuciar o 
seu nome ao sentir o corpo estremecer de prazer. 
 De novo!  Ele a penetrou com mais fora, enquanto invadia a 
sua boca com a lngua dele e entrelaava os dedos com os dela, tornando
a golpe-la.    Mais uma vez    ele conseguiu sussurrar, com o sangue 
desenfreado em suas veias.  Venha comigo. 
E foi Eve  a nica palavra que ele conseguiu expirar no momento 
em que se esvaziou dentro dela. 



Eve perdeu a noo do tempo que ficou por baixo dele, vendo a luz do 
fogo danar no teto. Perguntou-se vagamente se seria normal necessitar
tanto assim de um homem e am-lo a ponto de sentir dor. 
Logo ele virou a cabea, seus cabelos roaram em sua face e seus l-
bios acariciaram seu pescoo. E ela resolveu que no era importante sa-
ber a resposta. 

~ 168 ~ 
 



  Espero  que  esteja  satisfeito    disse  ela  em um murmrio  que 
no saiu to cortante quanto planejara e se viu acariciando as costas dele 
com a mo. 
 Humm..  acho que estou.  Ele esfregou a ponta do nariz em seu 
pescoo antes de levantar a cabea e olhar diretamente para ela.  E pa-
rece-me que a satisfao foi mtua. 
 Deixei voc ganhar. 
 Ah, eu sei! 
O brilho nos olhos dele a fez reclamar: 
 Agora saia de cima de mim, voc  muito pesado. 
 OK.  Ele atendeu o pedido dela, mas logo em seguida tornou a 
agarr-la.    Vamos tomar banho juntos e depois poderemos enfeitar a 
rvore. 
 Que fixao  essa por rvores, hein?! 
 No enfeito uma rvore h muitos anos..  desde a poca em que 
ainda morava em Dublin com Summerset. Quero ver se ainda consigo fa-
zer um bom trabalho.  Ele entrou debaixo do chuveiro com ela. Nesse 
momento,  Eve  tapou a  boca  de  Roarke  com a  mo,  sabendo  de  sua  in-
compreensvel preferncia por duchas geladas. 
 gua a trinta e oito graus!  ordenou ela, depressa. 
 Isso  quente demais  balbuciou ele entre os dedos dela. 
 Agente firme.  Suspirou longa e profundamente quando a  -
gua comeou a pulsar em jatos constantes vindo de todas as direes.  
Nossa, isso  muito bom! 
Quinze minutos depois ela j estava saindo do tubo para secagem a 
ar, e sentiu os msculos relaxados, flexveis, a mente clara e alerta. 
Roarke se secava esfregando a toalha nas costas, outro dos seus h-
bitos que era incompreensvel para ela. Por que perder tempo esfregando 
o corpo com uma toalha de algodo quando alguns pulos e giros dentro 
do tubo com ar deixavam a pele completamente seca? Esticou a mo para 
pegar o  roupo  quando  reparou que  no  era  o  mesmo  que  ela  deixara 
pendurado naquele mesmo dia, de manh. 



~ 169 ~ 
 



 O que  isto?  perguntou ela, tirando do gancho o longo roupo 
escarlate, muito macio. 
 Caxemira. Voc vai gostar. 
 Voc j me comprou um milho de roupes. No sei qual  a dife. . 
 Mas sua voz se calou ao vesti-lo.  Puxa. .  Odiava quando se deixa-
va  impressionar  por coisas superficiais,  como  a  textura  de  uma  roupa. 
Aquela, porm, era suave como uma nuvem e quente como um abrao.  
 muito confortvel. 
Ele  sorriu  enquanto  amarrava  o  cordo  do  seu roupo,  feito  do 
mesmo material. 
 Combina com voc  comentou ele.  Venha comigo e me conte 
tudo a respeito do caso enquanto eu instalo as lmpadas da rvore. 
 Peabody e McNab conseguiram entrar. Vo pegar a lista de can-
didatos amanh  de  manh.    Circulando  pelo  quarto,  ela  reparou no 
balde de prata com gelo onde repousava uma garrafa de champanhe; uma 
bandeja tambm de prata estava ao lado, cheia de canaps. Ah, tudo bem, 
decidiu ela com ar indulgente enquanto provava algo maravilhoso e ser-
via duas taas.  Os dados falsos que voc arrumou para os dois resisti-
ram  investigao que foi feita. 
  claro.  Em uma caixa grande, Roarke pegou um longo pisca-
pisca. 
 No seja convencido, temos muita coisa pela frente. Nadine j es-
tava na minha sala na Central de Polcia quando eu cheguei l   acres-
centou Eve, colocando uma taa de champanhe para Roarke sobre a me-
sinha-de-cabeceira.  Ela viu Peabody chegar toda produzida e eu acabei
sendo obrigada a contar-lhe mais do que pretendia. Confidencialmente,  
claro. 
 Nadine  uma dessas raras reprteres em quem se pode confiar. 
 Roarke analisou a rvore, as lmpadas e resolveu colocar mos  obra. 
 No vai divulgar dados perigosos. 
 Sim, eu sei. Abordamos o assunto.  Franzindo o cenho, Eve co-
meou a caminhar em volta da rvore enquanto Roarke trabalhava. Tinha 
dvidas sobre ele saber o que estava fazendo.  Se Piper e Rudy no ti-

~ 170 ~ 
 



vessem me visto, eu mesma iria me apresentar na agncia para fazer a 
investigao sob disfarce. 
Roarke levantou uma sobrancelha quando acabou de prender o pis-
ca-pisca e pegou outro, avisando: 
 Eu faria certas objees se soubesse que a minha mulher anda sa-
indo Dor a com estranhos. 
Eve foi at a bandeja de canaps e provou mais um, escolhido ao a-
caso. 
  No se preocupe que eu no iria dormir com nenhum deles..  a 
no ser que o trabalho exigisse.  Sorriu para ele.  Mesmo assim, pro-
meto que ia ficar pensando em voc o tempo todo. 
 No levaria muito tempo, j que eu ia cap-lo e entregar o mate-
rial para voc analisar.    Continuou instalando o pisca-pisca enquanto 
ela quase se engasgava com o champanhe. 
 Nossa, Roarke, estou s brincando. 
  H-h. .  Eu tambm,  querida.  Pegue  mais um  pisca-pisca  para 
mim, por favor. 
Sem ter muita certeza disso, Eve pegou o que ele pedira e pergun-
tou: 
 Quantas dessas pretende usar? 
 Quantas forem necessrias. 
 Sei.  Soltou o ar pela boca, com fora.  O que eu estava que-
rendo dizer  que. . eu preferia ter realizado essa misso, porque j traba-
lhei sob disfarce antes. Peabody nunca passou por isso. 
  Mas teve um bom treinamento.  Voc devia confiar mais nela. E 
em voc. 
 McNab ainda est revoltado comigo por causa dessa histria. 
  que ele  louco por ela. 
 Ele realmente. . O qu?! 
 Ele  louco por ela.  Roarke deu um passo para trs e apertou 
os lbios.  Ligar as luzes da rvore  disse ele em tom de comando e 
balanou a cabea para a frente, satisfeito ao ver os pequenos pontos lu-
minosos comearem a piscar.  Sim, vai ficar bonito. 

~ 171 ~ 
 



 O que quer dizer com louco por ela? Tipo assim ele est a fim
dela? McNab? Nem pensar! 
 Ele no tem certeza quanto a gostar, mas se sente muito atrado. 
  Como  queria  ver o  trabalho  que  realizara  por outro  ngulo,  Roarke 
atravessou o  cmodo,  pegou o  champanhe  e  tomou um gole  enquanto 
avaliava a rvore acesa.  Agora vamos aos enfeites. 
 Ele a deixa profundamente irritada. 
 Acho que voc tambm se sentia do mesmo modo com relao a 
mim no comeo.  Brindou  lembrana, levantando a taa em direo a 
sua mulher, que brilhava sob as luzes da rvore e da lareira.   Veja s 
onde ns dois acabamos. 
Eve olhou para ele fixamente por uns dez segundos at que, por fim, 
sentou-se na beira da cama, exclamando: 
 Que maravilha! Essa  tima! Agora ficou perfeito! No posso co-
locar os dois trabalhando juntos em um caso como este se estiver rolando 
alguma coisa entre eles. Com irritao eu me garanto, mas com o teso 
dos outros no sei como lidar. 
  s vezes  preciso deixar as crianas seguirem o prprio cami-
nho, querida Eve.  Abriu outra caixa e escolheu um anjo antigo, feito de 
porcelana.    Voc  prende  o  primeiro  enfeite.  Vai ser a  nossa  pequena 
tradio. 
  Se alguma coisa acontecer com Peabody...    Eve ficou olhando 
fixamente para o enfeite. 
 Voc no vai deixar que nada lhe acontea. 
 No.  Suspirando, ela se levantou.  No, no vou deixar, mas 
vou precisar da sua ajuda. 
 Voc j a tem.  Ele esticou a mo e acariciou com o pole-gar a 
covinha de seu queixo. 
 Eu amo voc.  Ela se virou, pegou um dos galhos e pendurou o 
anjo nele.  Acho que isso tambm est se tornando uma pequena tradi-
o nossa. 
 E  a minha favorita. 



~ 172 ~ 
 



* * * 

Tarde  da  noite,  bem mais tarde,  quando  as luzes da  rvore  j  estavam
apagadas e o fogo da lareira quase se extinguira, Eve ainda estava acor-
dada. Ser que ele estava l fora naquele exato momento? Ser que o seu 
tele-link ia tocar dali a instantes anunciando outro corpo encontrado, ou-
tra alma perdida por ela estar tantos passos atrs dele? A quem ser que 
ele amava agora? 










































~ 173 ~ 
 


















A 
 








CAPTULO DEZ 








neve  comeou a  cair ao  amanhecer.  No  era  uma  neve  bonita, 
 
daquelas de  carto-postal,  e  sim agulhas medianas  e finas que 
assobiavam de forma desagradvel ao cair nas caladas. Quando 
Eve chegou a sua sala na Central de Polcia, j havia uma feia camada es-
corregadia e cinzenta cobrindo as ruas da cidade, bem como os pavimen-
tos e passarelas areas, o que certamente daria muito trabalho aos para-
mdicos e guardas de trnsito. 
Do lado de fora da sua sala, dois helicpteros de monitoramento do 
trfego, pertencentes a emissoras rivais, duelavam em uma guerra para 
ver quem transmitia primeiro as ms notcias aos telespectadores, not-
cias essas que  iam desde  os mais recentes acidentes  entre  veculos at 
engarrafamentos e quedas de pedestres. 
No eram necessrios, pensou Eve, com mau humor, pois bastava as 
pessoas abrirem a porta de suas casas e verem o caos por si mesmas. 
Aquele ia ser um dia pavoroso. 
Colocando-se de costas para a estreita moldura na parede que insis-
tiam em chamar de  janela,  comeou a  alimentar  o  sistema  com dados, 
embora tivesse poucas esperanas de obter um resultado de probabilida-
des decente. 
 Computador, ligar o programa de probabilidades. Utilizar os da-
dos conhecidos e  os recm-informados.  Quero  anlise  e  clculos.  Listar
em ordem de  probabilidade  quais os nomes que  se  enquadram como 
 
 



possveis vtimas em potencial para o assassino denominado Amor Ver-
dadeiro. 
Processando... 
  Sim,  faa  isso    resmungou ela.  Enquanto  a  mquina  rangia e 
soltava assobios agudos, Eve pegou cpias das fotos confiscadas na  nti-
mo e Pessoal e, levantando-se da cadeira, fixou-as em um quadro acima
da sua mesa. 
Marianna Hawley, Sarabeth Greenbalm e Donnie Ray Michael. Ros-
tos sorridentes que irradiavam esperana, exibindo o melhor de si. Pes-
soas solitrias em busca de amor. 
A recepcionista, a danarina e o saxofonista. Estilos de vida diferen-
tes,  objetivos de  vida diferentes,  necessidades diferentes.  O  que  eles ti-
nham em comum? O que ela estava deixando escapar e era o elo entre o 
assassino e eles? 
O assassino notou algo ao olhar para aqueles rostos? Algo que o fez 
se sentir atrado ou furioso? Era gente comum vivendo vidas comuns. 
Probabilidades idnticas para todos os nomes analisados. 
Eve olhou para a mquina e reclamou: 
 No me venha com esse papo! Tem que haver alguma coisa em 
comum. 
Informaes insuficientes para anlise mais aprofundada. Pelos dados 
atuais, o padro de escolha  aleatrio. 
 Mas como, diabos, eu posso proteger duas mil pessoas, quer me 
dizer?  Fechou os olhos e tentou controlar a raiva.  Computador, eli-
minar todas as pessoas listadas que moram com algum acompanhante ou 
membro da famlia. Comparar os nomes restantes. 
Processando... Tarefa concluda. 
 OK.  Passando as mos pelo rosto, ela concordou com a cabea. 
As trs vtimas eram brancas, pensou.  Eliminar agora todas as pessoas
listadas que no tenham pele branca. Comparar com os nomes restantes. 
Processando... Tarefa concluda. 
 Quantos sobraram? 
Seiscentos e vinte e quatro nomes continuam na lista... 

~ 175 ~ 
 



 Merda!  Ela recuou para avaliar as fotos.  Eliminar todas as
pessoas acima de quarenta e cinco anos e abaixo de vinte e um. 
Processando... Tarefa concluda. 
 Muito bem.  Ela comeou a andar de um lado para outro na sala 
mindscula,  avaliando  o  caso  por todos os ngulos.  Pegando  a  lista  im-
pressa, vasculhou os outros papis que havia sobre a mesa.  Todos trs 
eram candidatos recentes  murmurou para si mesma.  Todos haviam
ido at l pela primeira vez. Computador, eliminar todos os nomes com
mais de uma consulta na ntimo e Pessoal. Listar os nomes restantes. 
Processando... 
Dessa vez a mquina engasgou e sacudiu. Eve deu-lhe um golpe im-
paciente com a base da mo. 
 Sua lata velha. .  resmungou e arreganhou os dentes ao ver que 
a mquina tornou a ranger. 
Tarefa... concluda. 
 No comece a gaguejar quando fala comigo. Total de pessoas res-
tantes? 
Duzentos e seis nomes continuam na lista. 
  Agora est melhor, bem melhor. Imprimir os nomes desses du-
zentos e seis! 
Enquanto a mquina mastigava e cuspia dados, Eve se virou para o 
tele-link e entrou em contato com a Diviso de Deteco Eletrnica. 
 Feeney, tenho um total de duzentos e seis nomes e preciso verifi-
car dados de todos eles. Voc pode fazer isso para mim? Veja quantos sa-
ram da cidade, quantos se casaram, ou foram morar com algum, ou mor-
reram dormindo ou esto passando as frias no planeta Disney.  
 Pode mandar que eu pesquiso  disse ele. 
 Obrigada.  Levantou a cabea ao ouvir uma algazarra com as-
sobios e gritos vindos da sala de registros policiais.  Isso  prioritrio, 
Feeney  avisou ela e desligou a tempo de ver o rosto afogueado e muito 
vermelho de Peabody surgir na porta. 




~ 176 ~ 
 



 Nossa, at parece que esses idiotas nunca me viram sem farda an-
tes. Henderson acaba de me dizer que seria capaz de abandonar a mulher 
e os filhos por uma semana comigo em Barbados. 
Pelo  brilho  em seus olhos,  Peabody no  parecia  muito  aborrecida 
com o furor que causara. 
Eve franziu o cenho. O rosto de sua ajudante estava maquiado, res-
plandecente, e seus cabelos balanavam suavemente. As pernas estavam 
de  fora,  usando  uma  saia  curta  muito  justa  e  valorizada  por botas com 
salto agulha, tudo em tom framboesa. 
 Como  que voc consegue andar com esses saltos?  quis saber
Eve. 
 Andei treinando. 
Eve respirou fundo e depois soltou o ar pela boca, dizendo: 
 Sente a e vamos repassar o plano. 
 Certo, mas leva um tempinho at eu conseguir sentar, por causa 
da saia.  Cautelosa, Peabody apoiou as mos na borda da mesa e come-
ou a se abaixar lentamente. 
 Como , voc vai ficar agachada em cima da cadeira? Por que no 
senta de uma vez? 
 S um instantinho.  Ela sugou o ar com fora e encolheu a bar-
riga.  A roupa est meio apertada na cintura.  Finalmente conseguiu
se ajeitar e sentou. 
 Voc devia ter pensado nos seus rgos internos antes de entrar 
nesse  troo.  Temos uma  hora  antes  de  voc  ir para  a  ntimo e  Pessoal. 
Quero que voc. . 
 Que diabos voc est fazendo vestida desse jeito?  McNab esta-
va  parado  na  porta,  com os olhos esbugalhados,  olhando  com ateno 
para as pernas de Peabody. 
 Estou trabalhando  disse ela, fungando de leve. 
  Voc est  pedindo para ser atacada por algum tarado. Dallas, 
faa Peabody usar outra roupa. 
 No sou consultora de moda, McNab, e se fosse. .  Eve levou al-
guns segundos avaliando a cala baggy dele em vermelho berrante e lis-

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tras brancas, acompanhada de uma blusa de gola rul amarelo-canrio  
teria algo a dizer a respeito das suas opes de vesturio tambm. 
Peabody deu uma risadinha e Eve estreitou os olhos. 
 Muito bem, crianas. Como devem lembrar, estamos com um caso 
de homicdios mltiplos nas mos. Se no conseguirem acertar os pontei-
ros um com o outro, vou proibi-los de brincar no playground  tarde. 
Peabody imediatamente  ajeitou o  corpo,  colocou os  ombros para 
trs e, apesar de lanar um olhar zombeteiro para McNab, foi sbia o bas-
tante para no dizer nada. Peabody, quero que voc convena Piper a 
ficar junto de voc durante todo o processo. McNab, voc fica com Rudy. 
Depois que pegarem a lista de contatos, podem circular pela rea de lojas. 
Faam-se notar. 
 Temos verba para fazer algumas compras?  quis saber McNab 
e, ao se deparar com o olhar fixo de Eve, encolheu os ombros e enfiou as
mos nos bolsos largos da cala.  Ficaria mais natural se comprssemos 
algumas coisas e batssemos papo com os balconistas. 
 Temos duzentas fichas de crdito para cada um, retiradas dos re-
cursos pblicos. Se a compra passar disso, a diferena ficar por conta de 
vocs. McNab, sabemos que Donnie Ray usou o salo de beleza da agncia 
para comprar os cosmticos para a me. No se esquea de passar algum
tempo l. 
  Por mim  ele  pode  ficar um ms    disse  Peabody, baixinho,  fe 
sorriu com cara de inocente quando Eve lanou-lhe um olhar de repro-
vao. 
 Peabody, Marianna Hawley fez compras no salo e gastou algum 
dinheiro  na  Desejo  Feminino,  loja  especializada  em  lingerie  que  fica  no 
andar de cima. D uma passada na loja. 
 Sim, senhora. 
 Vocs dois vo precisar se encontrar com o mximo de pessoas 
que  conseguirem,  dentre  as que  esto  em suas listas de  contatos.  Mar-
quem esses encontros. Quero que comecem esta noite mesmo.  Estamos
acertando as coisas para que tais encontros se realizem no clube Nova, na 
rua  53.  Quanto  mais cedo  marcarem,  melhor vai ser para  comearmos

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logo. Tentem marcar o primeiro encontro para as quatro da tarde e de-
pois agendem os demais com uma hora de diferena entre eles. Marquem
o mximo de encontros que conseguirem. No sabemos se ele vai atacar
esta noite. Talvez tenhamos sorte, mas o fato  que ele no vai esperar. 
Olhando para as fotos, continuou: 
 Vamos ter tiras por toda parte. Feeney e eu estaremos na rua, em 
contato direto. Vocs dois vo usar microfones ocultos. Nenhum dos dois
deve sair com ningum. Se quiserem ir ao banheiro, faam um sinal, e um 
dos tiras infiltrados no lugar segue vocs.  
 Ele no costuma atacar em local pblico  lembrou Peabody.  
No  o seu padro. 
 No corro riscos com o meu pessoal. Sigam as ordens. Se um dos
dois mijar fora do penico, est fora do caso. Enviem as listas de contatos
para mim e para Feeney assim que as pegarem. Se algum funcionrio da 
ntimo e Pessoal ou de uma das lojas mostrar interesse por vocs, quero 
que me relatem o fato na mesma hora. Alguma pergunta? 
Ao ver que ambos balanaram a cabea, Eve levantou as sobrance-
lhas. 
 Vamos nessa!  Eve no riu quando Peabody se levantou da ca-
deira com certa dificuldade, mas bem que teve vontade. MacNab girou os
olhos e exibiu os dentes superiores quando ela saiu da sala na frente dele. 
 Ela  muito inexperiente  disse a Eve. 
 Ela  muito boa  respondeu Eve. 
 Pode ser, mas vou ficar de olho nela. 
 D para perceber  resmungou Eve depois que ele saiu. 
Voltou a examinar as fotos. Aqueles trs rostos pareciam assombr-
la. A lembrana do que acontecera com eles se retorcia lentamente den-
tro dela e se recusava a ir embora. 
Estou me envolvendo demais, lembrou a si mesma. Estou muito fo-
cada no que aconteceu e pouco concentrada no motivo. 
Fechou  os olhos  por  um momento e  os esfregou como  se  tentasse 
apagar as imagens de seu prprio passado. 



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Por que aqueles trs especificamente?, perguntou a si mesma mais 
uma vez, aproximando-se mais para estudar o rosto sorridente de Mari-
anna Hawley. 
Escrituraria, refletiu, tentando colocar em prtica o mesmo sistema 
que  usara  para  escolher o  perfume  de  Mira.  Confivel,  romntica,  uma 
jovem   moda  antiga.  Sua  beleza  era  do  tipo  agradvel,  mas quase  co-
mum. Estreitos laos de famlia. Gostava de teatro. Uma mulher organiza-
da que gostava de se cercar de coisas belas. 
Enfiando os polegares no bolso da frente da cala, fixou os olhos em
Sarabeth Greenbalm. A danarina de striptease. Uma mulher solitria que 
se mostrava cuidadosa com o dinheiro e colecionava cartes de empres-
rios. Confivel, tambm, na carreira que escolhera. Vivia frugalmente,  e-
conomizava  o  dinheiro  do  salrio  e  vivia  quase  que  somente    base  de 
gorjetas. No tinha hobbies, nem amigos, nem familiares. 
E Donnie Ray, avaliou, o rapaz que amava a me e tocava sax. Vivia 
como  um porco  e  tinha  um sorriso  de  anjo.  Cheirava  Zoner de  vez  em
quando, mas jamais faltou a uma apresentao. 
Subitamente ela notou um ponto em comum ao olhar para os trs 
rostos que jamais haviam se encontrado. 
O teatro. 
  isso! Computador, pesquisar nos arquivos da ntimo e Pessoal 
os dados de Marianna Hawley, Sarabeth Greenbalm e Donnie Ray. Mos-
trar dados no monitor e realar as informaes sobre profisses, hobbies
e outros interesses. 
Processando... Na tela os  dados solicitados. Marianna Hawley, assis-
tente administrativa na empresa Foster-Brinke. Hobbies e interesses pesso-
ais: teatro. Membro da comunidade de atores do West Side. Outros interes-
ses... 
 Pare! Passar para o prximo. Sarabeth Greenbalm, danarina... 
 Pare! E Donnie Ray, saxofonista.  Levou um minuto, processan-
do ela mesma as informaes.  Computador, rodar o programa de pro-
babilidades considerando  a  chance  de  o  assassino  ter escolhido  essas



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pessoas devido a ligaes comuns a todas elas na rea de teatro e entre-
tenimento. 
Processando... A  partir  dos  dados informados, a  probabilidade    de 
93,2%. 
 Bom, muito bom!  Expirando com fora, ela atendeu ao comu-
nicador que tocava:  Aqui  a tenente Dallas. 
 Emergncia, tenente Dallas. Visitar casal no apartamento n 3 da 
rua 18 Oeste, nmero 341. Possvel tentativa de agresso. A probabilida-
de de este incidente estar ligado  sua atual investigao de homicdios  
de 98,8%. 
Eve j estava em p, pegando o casaco de couro. 
 Estou a caminho. Dallas desligando. . 



 Foi uma coisa muito estranha  afirmou a mulher de porte mido e 
to delicada quanto as fadas que danavam na pequena rvore de Natal 
de cristal colocada sobre o peitoril da larga janela do apartamento refor-
mado.  Jacko fica todo agitado com certas coisas. 
 Eu sei muito bem o que digo. Aquele sujeito tinha algo de estra-
nho, Cissy.  Jacko franziu o cenho ao abraar a mulher pelo ombro. Era 
quatro vezes maior do que ela. Sua altura passava de um e noventa, ava-
liou Eve, e devia pesar mais de cento e vinte quilos. Tinha corpo de joga-
dor de  futebol  americano  e  o  rosto  spero  como  rocha,  com cicatrizes
profundas no maxilar e na sobrancelha direita. 
A mulher era plida como um raio de luar, e ele, escuro como a noi-
te. A imensa mo dele engolia a da mulher. 
O apartamento se dividia em trs reas principais. Eve deu uma o-
lhada discreta nos mveis da sute atravs das portas duplas de vidro ca-
nelado que estavam entreabertas. A cama era enorme e estava desfeita. 
Na  sala  de  estar,  um sof  comprido  em forma  de  U  daria  para 
comportar vinte pessoas comodamente sentadas. Jacko sozinho ocupava 
o espao de trs indivduos. 



~ 181 ~ 
 



Pelo que Eve reparou, ali havia conforto financeiro, gosto feminino e 
comodidades masculinas. 
 Por favor, contem-me o que aconteceu  pediu Eve. 
 J contamos para o guarda, na noite passada.  Cissy sorriu, mas 
seus olhos pareciam perturbados com alguma coisa.  Jacko insistiu em
chamar a polcia. Foi apenas um idiota metido a engraadinho. 
 Voc  que pensa! Escute, dona. .  Ele se inclinou na direo de 
Eve e os cachos de seus cabelos balanaram ligeiramente.  Um sujeito 
bate na porta. Est fantasiado de Papai Noel e carrega uma caixa imensa
amarrada com fita de presente. Faz ho-ho-ho e vem com aquela histria 
de Feliz Natal. 
A expectativa fez o estmago de Eve se retorcer, mas ela perguntou 
com a voz bem calma: 
 Quem abriu a porta? 
 Fui eu.  Cissy balanou as mos.  Meu pai mora no Wisconsin. 
Geralmente  me  envia  alguma  coisa  engraada  no  Natal,  quando  eu no 
posso viajar para l no fim do ano. Este ano, por  exemplo, eu no conse-
gui ir, ento acho que ele contratou algum para visit-la fantasiado de 
Papai Noel. Ainda penso que. . 
 Aquele cara no veio a mando do seu pai no  teimou Jacko.  
Ela j ia deix-lo entrar. Eu estava na cozinha e, quando a ouvi dar uma
risada e prestei ateno na voz do cara. . 
 Jacko  muito ciumento. Isso atrapalha o nosso relacionamento. 
 Bobagem, Cissy. Ser que s consegue ver que um cara est a fim
de voc quando ele enfia a mo por baixo da sua saia? Puxa vida!  Visi-
velmente contrariado, Jacko expirou com fora.  Ele j estava se jogan-
do em cima dela quando eu cheguei na sala. 
 Se jogando em cima dela?  repetiu Eve enquanto Cissy amarra-
va a cara. 
  Sim,  dava  para  notar.  Ele  estava  se  preparando  para  agarr-la 
com aquele sorriso imenso e um fulgor esquisito no olhar. 
  Era  brilho.    resmungou Cissy.    Os olhos de  Papai Noel  so 
muito brilhantes, ora bolas. Pelo amor de Deus, Jacko! 

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 Pois o brilho se apagou na mesma hora, assim que ele me viu. Fi-
cou petrificado como uma esttua, parado ali, olhando para mim de boca 
aberta   Eu deixei o  ho-ho-ho  dele  apavorado,  pode  crer.  Ento,  de  re-
pente, saiu correndo porta afora, como um coelho assustado. 
 Voc gritou com ele. 
 No at ele comear a correr.  Jacko levantou as enormes mos 
em sinal de frustrao.  Reconheo, gritei mesmo e corri atrs dele. Te-
ria conseguido agarr-lo se Cissy no tivesse ficado no caminho. Quando 
consegui tir-la da minha frente e alcancei a rua, ele tinha sumido. 
 O policial que recebeu a chamada de vocs levou os discos com a 
gravao do sistema de segurana? 
 Levou, disse que esse era o procedimento de rotina. 
 Isso mesmo. Como era a voz dele? 
 A voz?  Cissv pisou. 
 Sim, sua voz. Descreva-a para mim. 
 Ahn..  era uma voz alegre. 
 Minha nossa, Cissy, isso  treinamento para ficar burra? Era fin-
gido  garantiu Jacko a Eve enquanto Cissy, sentindo-se obviamente in-
sultada, pulou da cadeira e marchou, no havia outra palavra para des-
crever o ato, para a cozinha.  Sabe aquele cumprimento fingido? Grave, 
pesado. Ele disse algo como: Voc foi uma boa menina? Trouxe um pre-
sente para voc. S para voc. Foi quando eu apareci e ele ficou com cara 
de quem viu um fantasma. 
 Voc no o reconheceu?  perguntou Eve a Cissy.  No havia 
nada nele por baixo da fantasia ou da maquiagem que lhe parecesse fami-
liar? Nada em sua voz ou no jeito de andar? 
  No.    Ela  voltara  da  cozinha  ignorando  Jacko  abertamente  e 
bebendo um pouco de gua gasosa.   que foi tudo muito rpido. 
 Quero que assista aos discos e analise com ateno quando am-
pliarmos e melhorarmos as imagens. Se reconhecer algo familiar, quero 
que me diga. 
 Isso tudo no  preocupao demais para uma brincadeira to to-
la? 

~ 183 ~ 
 



 Acho que no. H quanto tempo vocs dois esto juntos? 
 Estamos com o namoro indo e voltando h uns dois anos. 
 Ultimamente estamos mais indo. .  resmungou Jacko. 
  Se  voc  no  fosse  to  possessivo  e  no  agredisse  todo  homem 
que olha para mim, mesmo com o rabo do olho. .  comeou Cissy. 
 Cissy?  interrompeu Eve, levantando a mo em uma tentativa 
de acabar com a briga.  Em que voc trabalha? 
 Sou uma atriz. . e ensino interpretao quando no consigo algum
papel por a. 
Bingo, pensou Eve. 
 Ela  fantstica.  Com orgulho bvio e assumido, Jacko sorriu 
para Cissy.  Est ensaiando para uma pea fora da Broadway agora. 
  Bem longe da  Broadway,  por sinal    comentou Cissy,  mas se 
chegou junto de Jacko com um sorriso e se sentou ao lado dele. 
 Pois vai ser um tremendo sucesso.  Ele beijou uma das mozi-
nhas delicadas dela.  Cissy derrotou vinte outras concorrentes nos tes-
tes. Essa vai ser a sua grande oportunidade. 
 Vou querer assistir  disse Eve.  Cissy, voc j utilizou os ser-
vios da ntimo e Pessoal? 
 Anh..   Seu olhar se desviou de Eve.  No. 
 Cissy.  Eve usou a voz e a pose de tira, e se inclinou para a fren-
te.  Voc sabe qual  a pena por mentir para uma policial? 
 Bem, se quer saber, eu acho que isso no  da sua conta. 
 Que lugar  esse, ntimo e Pessoal?  quis saber Jacko. 
  uma agncia de encontros programados por computador. 
 Ah, pelo amor de Deus, Cissy, pelo amor de Deus!  Furioso, Jac-
ko se levantou do sof, balanando os cachos enquanto andava pela sala 
de um lado para outro.  O que diabo est acontecendo com voc? 
 Ns terminamos!  Subitamente a pequena fada estava falando 
no mesmo tom que o gigante.  Eu estava pau da vida com voc. Achei 
que  seria  divertido.  Achei que  isso  iria  lhe  servir de  lio,  seu bundo. 
Tenho todo o direito de me encontrar com quem eu quiser quando ns
no estivermos morando juntos. 

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 Ento  melhor rever esse hbito, boneca  lanou ele de volta, 
com os olhos flamejando. 
 Viu s? Viu s?  Cissy apontou um dedo acusador para ele en-
quanto se voltava para Eve com ar de splica. O doce ar de seduo em
seus olhos tornou-se duro como pedra.   isso que eu sou obrigada a 
aturar! 
 Ei, vocs dois, acalmem-se. Sentem a!  ordenou Eve.  Quando 
fez a sua consulta na agncia, Cissy? 
 Tem umas seis semanas  murmurou.  Cheguei a me encon-
trar com uns caras..  
 Que caras?  Quis saber Jacko. 
 Uns caras..   repetiu, ignorando-o.  Ento Jacko voltou. Trou-
xe-me flores. Violetas. Eu cedi. S que estou pensando em voltar atrs. 
 Aceit-lo de volta pode ter salvado a sua vida  afirmou Eve. 
  Como  assim?    Por instinto,  Cissy  se  aproximou de  Jacko,  que 
voltou a colocar o brao sobre o seu ombro. 
 O incidente da noite passada confere com o padro de uma srie 
de homicdios que vm ocorrendo. Nos outros casos, a vtima estava so-
zinha.  Eve olhou para Jacko.  Sorte sua no ter sido o seu caso. 
 Minha nossa, mas..  , Jacko! 
 No se preocupe, benzinho, no se preocupe. Estou aqui.  Ele s 
faltou engoli-la com o seu peito largo  enquanto olhava  para  Eve.    Eu
sabia que aquele cara era estranho. Qual  a dele, afinal? 
 Vou contar a vocs tudo o que puder. Depois preciso que vo  
Central de Polcia para assistir  gravao e quero que me faam um rela-
trio,  contando  tudo  o  que  conseguirem lembrar.  Cissy,  quero  tambm
que  voc  me  conte  tudo  o  que  aconteceu durante  a  sua  experincia  na 
agncia ntimo e Pessoal. 



 As testemunhas esto dando toda a colaborao  nossa investigao. 
 Eve estava em p diante do comandante Whitney em sua sala. Agitada 



~ 185 ~ 
 



demais para se sentar, mal conseguia se manter parada enquanto relata-
va o que acontecera. 
 A mulher est abalada e no consegue nos dar mais informaes 
para seguirmos em frente  continuou ela.  Nada no aspecto do trans-
gressor lhes  familiar, tampouco. Interroguei os dois homens com quem
Cissy Peterman se encontrou. Ambos tm libis comprovados para a hora 
de pelo menos um dos assassinatos. Para mim, esto limpos. 
Lbios apertados,  Whitney  concordou com a  cabea  e  comeou a 
analisar a cpia impressa do relatrio aue Eve lhe entregara. 
 Jacko Gonzales? Trata-se do famoso Jacko Gonzales? Camisa n-
mero 26 do time dos Brawlers? 
 Ele  jogador profissional e trata-se dessa pessoa sim, senhor. 
 Ora, ora.  Whitney revelou um dos seus raros sorrisos.  Pode 
acreditar em mim, tenente, esse rapaz joga muito!  um gigante em cam-
po. Marcou trs gols na ltima partida e desarmou dois bloqueios defen-
sivos.  Pigarreou, constrangido, ao ver que Eve olhava fixamente para 
ele.   que o meu neto  f dele. 
 Sim, senhor. 
 Foi uma pena Gonzales no ter conseguido colocar as mos nesse 
cara. Garanto que se isso tivesse acontecido o criminoso no estaria nem 
podendo andar a essa hora. 
 Tambm tenho essa impresso, senhor. 
 A sra. Peterman  uma mulher de muita sorte. 
 Sim, senhor, mas a prxima vtima talvez no seja. Isso atrasou o 
cronograma do assassino. Ele vai tornar a atacar. Esta noite. Consultei a 
dra. Mira a respeito.  Na opinio dela, ele deve estar zangado e emocio-
nalmente desestruturado. Para mim isso pode torn-lo descuidado. Mc-
Nab e Peabody marcaram, cada um, trs encontros para hoje  noite. Tu-
do est armado. J peguei as listas deles e os seus horrios. 
Depois de hesitar por um instante, Eve resolveu dizer o que pensa-
va: 




~ 186 ~ 
 



  Comandante,  o  que  estamos preparando  para  esta  noite    um 
passo necessrio, mas pode ser que ele esteja l fora enquanto ns esti-
vermos ocupados com nossa tocaia. E ele vai agir. 
 A no ser que voc tenha uma bola de cristal, Dallas, no h outro 
caminho a seguir. 
 Consegui uma lista com mais de duzentas vtimas em potencial. 
Creio ter descoberto outra ligao, o teatro, e isso pode baixar ainda mais
esse nmero. Espero que Feeney com os novos dados consiga nos forne-
cer uma lista ainda mais curta de vtimas em potencial. Elas orecisam ser
protegidas, senhor. 
  Protegidas como?    Whitney  espalmou as        mos.   Voc  sabe 
to  bem quanto  eu que  o  departamento  no  dispe  de  tantos policiais
assim. 
 Mas se Feeney diminusse a lista para digamos..  
 Mesmo que ela chegue  quarta parte desse nmero, no posso 
direcionar tantos homens para isso. 
 Uma dessas pessoas vai morrer esta noite.  Eve deu um passo  
frente.  Elas precisam ser avisadas. Se jogarmos a informao na mdia 
e divulgarmos um alerta, pode ser que o prximo alvo no abra a maldita 
porta. 
  Se formos a pblico com esta informao    argumentou Whit-
ney, com frieza , vamos dar incio a uma onda de pnico. Quantos Pa-
pais Nos pacficos que esto balanando seus sininhos em busca de do-
aes pelas esquinas da cidade sero agredidos como resultado disso? Ou
mortos? No podemos trocar uma vtima por outra, Dallas. Alm do mais 
 acrescentou ele antes de ela ter chance de retrucar , se tornarmos a 
informao pblica, correremos o risco de amedront-lo. Se ele se escon-
der, pode ser que nunca mais o encontremos. Trs pessoas j morreram e 
elas merecem justia. 
Ele tinha razo, mas saber disso no diminuiu as fisgadas em seu es-
tmago. 




~ 187 ~ 
 



  Caso Feeney consiga reduzir a lista a um nmero razovel, ns
poderemos entrar em contato com cada um dos nomes. Posso organizar
uma equipe para fazer as ligaes de alerta. 
 Isso vai acabar vazando, tenente, e estaremos de volta  situao 
de pnico. 
 Mas no podemos simplesmente deix-los expostos desse jeito. O 
prximo que ele matar ser por culpa nossa.  Culpa minha, pensou, mas 
achou melhor no falar desse modo.  Se no fizermos nada para avisar 
a vtima, a culpa ser nossa. Ele sabe que ns conhecemos o seu padro. 
Sabe que temos os nomes dos alvos. E sabe que no podemos fazer nada, 
a no ser malabarismo com os nomes, enquanto esperamos que ele torne 
a  atacar.  Ele  adora  isso.  Atuou para  a  cmera  no  apartamento  de  Cissv 
Peterman. Ficou ali parado, no corredor, posando para a cmera, antes de 
tocar a campainha. Se ontem  noite Jacko Gonzales estivesse em campo 
fazendo seus lindos gols, ela estaria morta. Foram quatro em uma semana 
e esse nmero  inaceitvel. 
Whitney a ouviu com o rosto sereno e decidido. 
    muito  mais  fcil  avaliar de  onde  voc  est,  tenente.  Pode  ser 
que voc no pense assim, mas  bem mais fcil ficar de fora desta mesa. 
No posso lhe dar o que quer. Nem permitir que se coloque diante de ca-
da vtima e receba o golpe, como fez quando ficou na frente do mordomo 
de Roarke h algumas semanas.?
  Isso no tem nada a ver com este assunto.    Lutando contra a 
frustrao e a ira, Eve rangeu os dentes.  Aquele caso foi resolvido, co-
mandante. E agora a minha investigao est num beco sem sada. Algu-
mas informaes j esto vazando para a mdia. Se outra pessoa morrer, a 
bomba vai estourar na nossa cara. 
 Quanto disso voc j passou para Nadine Furst?    Os olhos de 
Whitney se tornaram frios. 
  No  mais do  que  era  necessrio,  e  quase  tudo  de  forma  extra-
oficial, Ela vai segurar as informaes. S que no  a nica reprter da 
cidade com um bom faro, e nem todos possuem a sua integridade. 

* Ver Vingana Mortal. (N.T.) 
~ 188 ~ 
 



 Conversarei sobre este assunto com o secretrio de Segurana.  
o mximo que eu posso fazer. Consiga-me a lista reduzida que Feeney vai
pesquisar e eu pedirei a ele um grupo para fazer contatos com as pessoas. 
No posso conceder verba para esse tipo de operao, Dallas, porque isso 
est alm da minha autoridade. 
Recostando-se na cadeira, olhou para Eve e completou: 
 Consiga alguma coisa na ao de hoje  noite, Dallas. Vamos dar 
um fim a essas mortes. 



Eve encontrou Feeney pesquisando alguma coisa no monitor de sua sala. 
 Foi timo voc ter aparecido. Vai me poupar uma ida  Diviso de 
Deteco Eletrnica. 
  Ouvi dizer que Jacko Gonzales estava aqui.    Olhou com espe-
rana por cima do ombro dela.  Acho que ele j foi embora, no? 
 Pode deixar que eu consigo um holograma dele autografado, Fee-
ney. 
 Srio mesmo? Eu adoraria. 
 Preciso que voc pesquise esses nomes e dados  disse ela en-
tregando-lhe  uma  cpia  do  disco.    Meu computador est  engasgando 
novamente e vai levar tempo demais. Preciso que voc consiga o maior
nmero possvel de vtimas em potencial.  Abriu uma gaveta e apalpou
l dentro em busca de algo, tentando ignorar a dor de cabea que come-
ava a sentir por trs dos olhos.  Separe os cinqenta mais provveis, 
OK? Com esse nmero d para forar a barra com Whitney e pedir alertas
individuais. Que Deus ajude os outros. Onde, diabos, est a minha barra 
de chocolate? 
 Eu no roubei  defendeu-se Feeney, balanando o saquinho de 
amndoas aucaradas.   Mas sei que McNab esteve aqui e ele  um fa-
moso ladro de chocolate. 
  Filho-da-me!    Desesperada  em conseguir algo  para  comer, 
Dallas atacou o saquinho de amndoas de Feeney, colocando algumas na 
boca.  Mandei a gravao do sistema de segurana do prdio de Cissy 

~ 189 ~ 
 



Peterman para ter a imagem ampliada e melhorada, mas acho que voc 
consegue fazer melhor. Quero uma imagem dele no momento em que es-
t mais vulnervel, bem na hora em que se vira para sair correndo. D 
para ver o pnico em seus olhos. 
Eve digitou um pedido de caf no AutoChef, com a esperana de que 
a bebida quente a ajudasse a engolir as amndoas. 
 Tenho fotos das listas de contatos e dos funcionrios da ntimo e 
Pessoal.  Pegue  o  scanner e  veja  quantos deles voc  consegue  associar
com as feies do  assassino,  o  formato  dos olhos,  esse  tipo  de  coisa. 
Mesmo com a maquiagem, alguma coisa deve aparecer. Grande parte de 
sua boca est oculta pela barba. 
  D  para  fazer simulaes e  comparar feies se  tivermos uma 
imagem bsica de boa qualidade. 
  Sim.  Pelo  fsico  talvez  no  d  para  descobrir,  mas a  altura  dele 
pode  ser calculada.  Veja  a  altura  mais aproximada  que  voc  consegue. 
Pelas imagens os saltos da bota no parecem muito altos, ento eu acho 
que d para fazermos uma estimativa. Quanto s mos, as luvas escon-
dem o formato delas. 
Tomou o caf e fechou os olhos. 
 Orelhas!  lembrou de repente.  Ser que ele se deu ao traba-
lho de disfar-las? Quanto delas aparece nas imagens? 
Sentando-se com um pulo diante do computador, abriu o programa, 
os arquivos e as imagens. 
 Droga, droga, no d para ver nada. Aqui!  Passando quadro a 
quadro,  encontrou uma  imagem de  perfil.    Essa  est  boa.  Muito  boa. 
Pode trabalhar com ela? 
Feeney mordiscou uma amndoa, avaliando a foto. 
  Sim, talvez    disse por fim.   O gorro est cobrindo o alto da 
cabea, mas talvez eu consiga alguma coisa. Boa sacada, Dallas. Essa eu
teria deixado passar. Vamos trabalhar com os traos faciais, um de cada 
vez, para ver o que pinta. S que no vai ser rpido. Algo dessa magnitude 
pode levar dias. Talvez uma semana. 



~ 190 ~ 
 



 Preciso do rosto do canalha.  Eve fechou os olhos, concentran-
do-se.  Vamos voltar e trabalhar sobre as jias novamente, o desinfe-
tante, os cosmticos. As tatuagens so em estilo  free-hand. Talvez encon-
tremos alguma coisa seguindo esse rumo. 
 Dallas, dois teros dos sales de beleza e clubes da cidade tm ta-
tuadores que trabalham  mo livre. 
 E talvez um deles reconhea esse tipo de letra   sussurrou ela, 
soltando o ar com fora.  Temos duas horas antes de nos encontrarmos
no clube Nova. Vamos correr atrs do que for possvel. 









































~ 191 ~ 
 


















A 
 








CAPTULO ONZE 








coisa que mais irritou Peabody foi ver que McNab apareceu na 
 
sua lista de candidatos. No importava o fato de que tanto o seu 
perfil quanto o dele haviam sido alterados para combinar com
os das vtimas. Aquilo simplesmente a irritava. 
Ela no gostava de trabalhar com McNab, especialmente por causa 
das roupas ridculas que usava, os risinhos debochados que lanava e sua 
atitude de sabe-tudo. Pelo visto, porm, ia ter que aturar a situao en-
quanto Eve continuasse a ach-lo competente. 
No havia ningum em toda a fora policial que Peabody admirasse 
tanto quanto Eve Dallas, mas ela decidiu que at mesmo a mais esperta 
das tiras pode cometer um erro de avaliao. O de Eve, na opinio de Pe-
abody, era McNab. 
Podia v-lo sentado no outro lado do bar pequeno e sofisticado. Ele 
e a loura com mais de um metro e oitenta com quem conversava. Esta-
vam diretamente em sua linha de viso. Um local escolhido de propsito 
por McNab, imaginou Peabody, certamente para irrit-la em plena ao. 
Se ele no estivesse no mesmo ambiente, talvez ela conseguisse cur-
tir mais a atmosfera aconchegante e elegante do lugar. O bar tinha mesas 
de metal, cabines privativas em azul-claro e lindas gravuras exibindo ce-
nas urbanas de Nova York que decoravam as paredes amarelas. 
Um  lugar de  classe,  pensou Peabody, olhando  ao  longo  do  balco 
comprido  e  reluzente  decorado  com espelhos brilhantes e  garons de 
 
 



smoking. Era de esperar um lugar com muita classe, pois o clube perten-
cia a Roarke. 
A cadeira acolchoada na qual estava sentada fora projetada para o-
ferecer conforto.  Os drinques eram  gloriosos.  A  mesa  possua  um equi-
pamento com msicas e videoclipes s centenas, e havia fones individuais
caso o cliente quisesse se distrair enquanto esperava por um amigo ou
apreciava, solitrio, uma bebida. 
Peabody estava  profundamente  tentada  a  experimentar  os fones, 
pois o seu primeiro encontro estava sendo um tdio total. O nome do cara 
era Oscar, um professor de fsica em cursos on-line. At agora ele s mos-
trara interesse em beber sem parar e meter o pau na ex-mulher, a qual, 
segundo ele informou logo que chegara, era uma megera egocntrica que 
no o  apoiava em nada e era ruim de cama. Depois de quinze minutos, 
Peabody j estava incondicionalmente do lado dela. 
Mesmo assim levou o jogo em frente, sorrindo e batendo papo, ao 
mesmo tempo que cortava Oscar da lista de suspeitos. O sujeito tinha um 
problema  srio  de  alcoolismo,  e  o  criminoso  que  eles procuravam era 
muito esperto para perder tempo com as possveis ressacas provocadas
por tantos drinques. 
Do  outro  lado  do  bar,  McNab  soltou uma  gargalhada  gostosa  que 
correu pelos nervos de Peabody como uma lmina de barbear cega. En-
quanto Oscar entornava o terceiro drinque ela olhou na direo do riso e 
pegou McNab erguendo e abaixando as sobrancelhas para ela rapidamen-
te. 
Isso lhe deu a vontade de fazer algo tranqilo e maduro. Como mos-
trar a lngua para ele, por exemplo. 
Com grande alvio ela se despediu de Oscar, fazendo planos vagos de 
tornar a entrar em contato com ele. 
 No dia em que venderem drinques gelados no inferno  murmu-
rou para si mesma e contraiu o rosto ao ouvir a voz de Eve no pequeno 
fone que levava. 
 Controle-se, Peabody  aconselhou Eve. 



~ 193 ~ 
 



  Sim,  senhora    concordou baixinho,  encobrindo  a  boca  com o 
drinque  que  pedira  e  que  continuava  intocado.  Em seguida soltou um 
suspiro, reparando em seu relgio de pulso que ainda tinha dez minutos
antes do prximo encontro. 
 Droga! 
Peabody deu um pulo ao ouvir o grito de Eve que explodira em seu
ouvido. 
 O que foi, senhora?  perguntou, quase engasgada. 
 Que diabos ele est fazendo a? Mas que droga!  
Assustada, Peabody deixou a mo deslizar disfaradamente para o 
lugar onde a arma estava oculta, em sua bota esquerda, e olhou em volta. 
E se pegou sorrindo ao ver que era Roarke que vinha entrando. 
  Este  sim   o  melhor partido  que  os cus podiam me  enviar  
murmurou Peabody.  Por que ser que eu no consigo um homem des-
ses? 
 No fale com ele!   ordenou Eve com voz contrariada.  Voc 
no o conhece. 
 Tudo bem, ento. Vou ficar s olhando e babando, como todas as 
outras mulheres do  lugar.    Deu uma  risadinha  diante da  onda  de  re-
clamaes e pragas de Eve. Quando o casal na mesa ao lado olhou para 
ela com estranheza, Peabody pigarreou, levantou o drinque novamente e 
se recostou para admirar o marido da tenente. 
Roarke caminhou ao longo do balco e os rapazes que serviam bebi-
das ficaram em estado de alerta, como soldados enfileirados para o gene-
ral. Ele parou por um breve momento ao lado de uma mesa e conversou 
com um casal. Inclinou-se para beijar a mulher no rosto e seguiu ao longo 
do balco para colocar a mo sobre o ombro de um amigo. 
Peabody perguntou a si mesma se ele exibia a mesma desenvoltura 
na  cama,  e  ento  enrubesceu.  Ainda  bem que  o  microfone  no  podia 
transmitir seus pensamentos para a van que estava de tocaia. 

* * * 



~ 194 ~ 
 



Do lado de fora, Eve torcia o nariz para a tela que projetava a imagem ob-
tida pela microcmera instalada no boto da blusa de Peabody. Viu Roar-
ke circular pelo clube com jeito casual e muito  vontade e jurou nocaute-
-lo na primeira oportunidade. 
 Ele no tinha nada que se intrometer em uma operao policial 
 reclamou Eve, olhando para Feeney. 
 O lugar pertence a ele  argumentou Feeney, encolhendo os om-
bros em um ato de defesa automtica contra a desavena conjugai. 
 Sei..  Ele deve ter ido at l s para verificar o estoque de bebidas. 
Droga!  Passando as duas mos pelos cabelos, fez sons estranhos com a 
garganta ao ver que Roarke se dirigia  mesa de Peabody. 
 Est apreciando o seu drinque, senhorita?  perguntou ele. 
 Ahn..  Sim, eu... Merda, Roarke.  Foi tudo o que conseguiu cochi-
char. 
Ele sorriu, se inclinou de leve na direo dela e disse: 
 Diga  sua tenente para parar de me xingar. No vou atrapalhar o 
trabalho dela. 
Os olhos de Peabody piscaram de nervoso ao sentir a voz de Eve ex-
plodindo em seu ouvido. 
 Ahn..  Ela est sugerindo que voc tire o seu lindo traseiro deste 
lugar e. . ahn..  avisa que vai chut-lo mais tarde. 
 Mal posso esperar por esse momento.  Ainda sorrindo, ele le-
vantou a mo de Peabody e a beijou de forma galante.  Voc est linda 
  disse-lhe baixinho e se afastou da mesa no instante em que  os equi-
pamentos da van registravam um salto na presso arterial e na pulsao 
de Peabody. 
 Controle-se, Peabody  Eve tornou a aconselhar. 
 No posso controlar uma reao fsica involuntria a um estmulo 
externo    sussurrou Peabody.  Ele tem um traseiro realmente lindo. 
Com todo o respeito, senhora. 
 O contato nmero 2 est chegando. Recomponha-se, Peabody. 
 Estou pronta. 



~ 195 ~ 
 



Olhou na direo da porta com um sorriso estampado no rosto. Um 
dos bnus da operao, no que lhe dizia respeito, acabara de entrar. Ela 
se lembrava dele da primeira vez que fora  ntimo e Pessoal. Era o deus
bronzeado de corpo sarado que atrara a sua ateno. Deu uma conferida 
discreta em seu espelho de bolso. 
Ele ia ser um colrio para os seus olhos por toda a hora seguinte. 
O rapaz posou de bonito na porta de entrada, com a cabea erguida 
e  voltada  para  o  outro  lado  do  clube,  procurando  algum pelas mesas. 
Seus olhos, em um tom dourado que combinava com os cabelos, piscaram 
e em seguida se fixaram em Peabody. Sua boca se abriu em um sorriso 
rpido e ele lanou a cabea para trs em um gesto de reconhecimento, 
fazendo os cabelos danarem. Foi direto para a mesa dela. 
 Voc deve ser Delilah. 
 Sim.  Que voz, pensou ela, suspirando levemente. Ele era me-
lhor em pessoa do que no vdeo de apresentao.  E voc  Brent. 
Do outro lado do salo, foi a vez de McNab franzir a testa com um ar 
de  estranheza.  O  sujeito  metido  a  gal  que  abordara  Peabody  era  todo 
feito de plstico, pensou; devia estar coberto por uma camada de spray 
embelezador. Provavelmente era o tipo de homem que a atraa. 
O imbecil tinha a cara esculpida, decidiu. E o corpo tambm. McNab 
era capaz de apostar que nem um centmetro do sujeito era natural. 
E olha s! Olha s o jeito com que ela est se derretendo toda para e-
le!, analisou McNab, enjoado e ao mesmo tempo corroendo-se de cime. 
Peabody estava quase babando em cima de cada palavra que o idiota sol-
tava atravs dos lbios siliconados. 
As mulheres realmente eram ridiculamente previsveis. 
Seu olhar s se desviou dela no instante em que Roarke parou ao la-
do de sua mesa. 
 Ela est extremamente atraente esta noite, no acha? 
 . Tem homens que acham atraente uma mulher colocar metade 
dos peitos de fora. 




~ 196 ~ 
 



Roarke riu, achando aquilo divertido. Os olhos de McNab soltavam 
fagulhas, e seus dedos tamborilavam de modo rpido e zangado sobre a 
mesa. 
  Voc  provavelmente  est  acima  desses sentimentos machistas, 
no , McNab? 
 Bem que eu gostaria  resmungou McNab quando Roarke se a-
fastou.  A verdade  que ela tem peitos fantsticos. 
 Tire os olhos dos peitos de Peabody  ordenou Eve.  Seu se-
gundo contato da noite est na porta. 
 Sei.  McNab olhou para trs e avistou uma ruiva mida usando 
um macaco colante coberto de lantejoulas.  J saquei. 
Dentro da van, Eve franziu o cenho diante da tela. 
 Feeney, quero a descrio do cara que est com Peabody. Tem al-
go de estranho nele. 
 Brent Holloway, trabalha como modelo em comerciais.  funcio-
nrio da Cliburn-Willis, empresa de marketing. Trinta e oito anos, divor-
ciado duas vezes, sem filhos. 
  Modelo?    Os olhos de  Eve  se  estreitaram.    Ele  aparece  em 
anncios..  Essa atividade pertence  rea de diverso e lazer, no ? 
 Puxa, Eve, voc no tem visto muitos anncios ultimamente, no 
?  No  h  nada  de  divertido  neles,  se  quer a  minha  opinio.  Esse  cara 
nasceu em Morristown,  Nova  Jersey.  Mora  em Nova  York desde  2049. 
Reside atualmente no Central Park West. Ganha cerca de oitenta mil por
ano  e  no  tem antecedentes criminais nem prises.  Em compensao, 
tem uma montanha de multas de trnsito. 
 Ns o vimos, Peabody e eu, na ntimo e Pessoal, na primeira vez 
que fomos l. Quantas consultas ele j marcou na agncia? 
 Esse  o quarto grupo de contatos dele s este ano. 
 Ora, por que ser que um sujeito bonito como ele, com dinheiro, 
uma carreira slida e um endereo de alta classe se tornou um viciado em 
encontros arranjados por uma agncia? Quatro grupos de contato s nes-
te ano, cinco pessoas por grupo, num total de vinte mulheres, e nenhuma 
serviu? O que h de errado com ele, Feeney? 

~ 197 ~ 
 



Feeney apertou os lbios observando a tela e declarou: 
 Na minha opinio ele parece um babaca presunoso. 
 Sim, mas muitas mulheres no ligariam para isso. O cara  boa-
pinta e tem grana. Algum j devia t-lo agarrado.  Tamborilou os de-
dos no console estreito.  Algum fez queixa dele para a agncia? 
 No, sua ficha na agncia de encontros  impecvel. 
 Tem algo errado com ele  repetiu Eve um segundo antes de ver
sua ajudante tomar impulso para trs e em seguida dar um soco no nariz 
perfeito de Brent Holloway.  Minha nossa, Feeney, voc viu aquilo?!. . 
 Peabody arrebentou a cara dele  avaliou Feeney, tranqilamen-
te, ao ver o sangue que jorrava em abundncia.  Um soco curto de direi-
ta. 
 Que diabos ela est pensando? Que diabos est acontecendo? Pe-
abody, voc pirou de vez?! 
 O filho-da-me enfiou a mo em mim por baixo da mesa.  Com
o rosto vermelho e furiosa, Peabody j estava em p, com os punhos cer-
rados.  O canalha estava conversando tranqilamente sobre uma nova 
pea que est em cartaz no teatro Universo e, de repente, enfiou a mo 
entre as minhas pernas. Tarado. Ei, seu tarado, levante-se! 
 McNab, fique exatamente onde est!  berrou Eve ao notar que 
ele se levantara da mesa com um olhar assassino.  Fique parado, seno 
voc est fora do caso. Isto  uma ordem! Quanto a voc, Peabody, pelo 
amor de Deus, deixe esse cara em paz! 
Enquanto Eve arrancava os cabelos de desespero, Peabody levantou 
Brent do cho e tornou a golpe-lo. Ela preparou um terceiro soco, mes-
mo tendo notado que os seus olhos haviam revirado e s se via a parte 
branca,  mas Roarke  surgiu em meio    multido  agitada  e  puxou Brent 
Holloway, que j estava com as pernas bambas, a fim de salv-lo. 
  Este homem a est importunando, senhorita?   Com tranqili-
dade, Roarke tirou Holloway do seu alcance, mantendo os olhos no mes-
mo nvel dos olhos brilhantes de Peabody.  Sinto muitssimo. Vou cui-
dar do caso. Por favor, permita-me que eu lhe oferea outro drinque por
conta  da  casa.    Com uma  mo  em Holloway,  levantou o  drinque  que 

~ 198 ~ 
 



Peabody tomava  com a  outra  e  cheirou:   Um  Bombardeio  puro,  com 
gelo!  ordenou e os trs atendentes do bar correram para atender Ro-
arke, que arrastava Holloway j agitado a essa altura. 
 Tira a porra da mo de cima de mim! Aquela piranha quebrou o 
meu nariz. Meu rosto  o meu ganha-po, pelo amor de Deus. Puta idiota! 
Vou processar essa vadia. Vou denunci-la e depois..  
No instante em que se viu do lado de fora, Roarke o atirou com toda 
a fora contra a parede do prdio. A cabea de Holloway bateu contra os
tijolos, emitindo um som de bolas de bilhar quando recebem a primeira 
tacada. 
Os olhos dourados giraram outra vez, revelando a parte branca. 
 Deixe que eu lhe d uma dica do que est rolando aqui: eu sou o 
dono deste lugar.  Para ressaltar a informao, Roarke bateu a cabea 
de Holloway mais uma vez contra os tijolos da parede  enquanto, vendo 
tudo da van, Eve s podia assistir e xingar.  Ningum apalpa uma mu-
lher no meu estabelecimento e consegue sair daqui andando. Portanto, a 
no ser que deseje se arrastar pela rua com o seu pau mole e pattico em 
sua mo, v mexendo a sua bunda e agradea a Deus por s o seu nariz 
estar quebrado. 
 A safada estava pedindo por aquilo. 
 Ora, dessa vez voc escolheu a frase errada para falar. Totalmen-
te errada. 
  O sotaque irlands de Roarke aparece quando ele fica zangado. 
Oua s essa melodia  comentou Feeney com ar sentimental enquanto 
Eve continuava a emitir sons violentos com a garganta. 
Com um leve suspiro de impacincia, Roarke arremeteu um soco no 
estmago de Holloway, ao mesmo tempo que lhe dava uma joelhada cer-
teira entre as pernas, deixando-o escorregar para o cho em seguida. 
Deu uma olhada na direo da van, exibindo o que certamente era 
um sorriso maldoso e rpido, e ento voltou para o clube. 
 Belo trabalho  decidiu Feeney. 
 Vamos chamar uma patrulha para socorrer este canalha idiota e 
lev-lo para um ambulatrio.  Eve esfregou os olhos.  Esse episdio 

~ 199 ~ 
 



vai ficar lindo no relatrio. McNab e Peabody, mantenham as suas posi-
es. No abandonem, repito, no abandonem a misso. Nossa. . Quando a 
festinha acabar por a, dirijam-se ao meu escritrio em casa para ver se 
d para salvarmos alguma coisa da noite. 



Pouco depois das nove da noite, Eve estava andando de um lado para ou-
tro no escritrio de sua casa. Ningum falava. Eles eram espertos. Roarke, 
porm, massageava, solidrio, o ombro de Peabody. 
 Conseguimos seis contatos, somando o resultado dos dois. Isso j 
 alguma coisa. Os dois ltimos, um para cada um de vocs, est marcado 
para amanh ao meio-dia. Peabody, voc vai relatar a Piper amanh de 
manh, com indignao, o. . incidente ocorrido com o contato nmero 2. 
Pode ter um chilique. Quero ver como eles lidam com uma situao desse 
tipo. A ficha do tarado na agncia era imaculada at agora. Temos grava-
es de todos os encontros, mas quero que cada um de vocs faa um re-
latrio. Quando acabarmos esta reunio, os dois devem ir para casa e fi-
car l,  mantendo  os comunicadores  abertos o  tempo  todo.  Feeney  e  eu
vamos ficar monitorando. 
 Sim, senhora. Tenente. .  Abraando o prprio corpo, Peabody 
se  levantou.  Engoliu em seco,  mas manteve  o  queixo  erguido.    Peo 
desculpas pela minha reao intempestiva durante a operao. Compre-
endo que o meu comportamento poderia comprometer a investigao. 
 Qual , que papo  esse?  explodiu McNab, indignado, levantan-
do-se da cadeira.  Voc devia  ter quebrado as duas pernas do filho-
da-puta. Aquele anormal bem que merecia. . 
 McNab  disse Eve com a voz branda. 
 O que ela disse no tem nada a ver, Dallas. O canalha teve o que 
merecia. Ns devamos at. . 
  Detetive  McNab!    Eve  lanou as palavras com fora  e  foi at 
onde ele estava, at os dois se encontrarem face a face.  No me lembro 
de  ter solicitado  sua  opinio  a  respeito  desse  assunto.  Est  dispensado 



~ 200 ~ 
 



por hoje. V para casa e se acalme. Ns nos vemos na minha sala na cen-
tral amanh, s nove da manh. 
Eve esperou e notou a luta interior que ele travava entre o treina-
mento  recebido  e  os instintos.  Por fim,  girou nos calcanhares e saiu da 
sala ventando, sem pronunciar uma palavra a mais. 
 Roarke, Feeney  pediu Eve.  Poderiam me deixar um momen-
to a ss com a minha auxiliar? 
 Claro, com todo o prazer  disse Feeney baixinho, feliz por estar 
abandonando o campo de batalha.  Voc tem algum usque irlands por 
aqui, Roarke? Tivemos um longo dia. 
 Talvez encontremos o restinho de uma garrafa em algum lugar. 
 Lanou um olhar suave para Eve antes de conduzir Feeney para fora 
do aposento. 
 Sente-se, Peabody. 
 Senhora. .  Peabody balanou a cabea.  Sei que a decepcio-
nei.  Garanti que  saberia  lidar com a  misso  e  a  responsabilidade  que a 
senhora me ofereceu. E estraguei tudo logo de cara. Compreendo que a 
senhora tem todo o direito e razo para me afastar da investigao, pelo 
menos da parte do trabalho relacionada com disfarces, mas gostaria de 
solicitar mais uma chance, com todo o respeito. 
Eve  no  disse  nada  e  ficou esperando  que  Peabody  se  acalmasse. 
Sua ajudante continuava plida como uma folha de papel, mas as mos 
estavam firmes e os ombros, erguidos. 
 No me lembro de ter mencionado planos para deslig-la das o-
peraes sob  disfarce  que  vem desempenhando,  policial.  Lembro-me  a-
penas  de  t-la  mandado  sentar.  Portanto,  sente-se,  Peabody   repetiu
Eve,  com mais delicadeza  na  voz,  e  se  dirigiu a  um armrio  para  pegar
uma garrafa de vinho. 
 Sei muito bem que quando estamos trabalhando sob disfarce de-
vemos manter o personagem e lidar com os problemas inesperados sem
estragar o papel, tenente. 
 Peabody, eu no vi voc estragar o seu papel, s o nariz daquele 
babaca. 

~ 201 ~ 
 



 No pensei direito na hora. Simplesmente reagi. Sei que em uma 
operao desse tipo temos que pensar duas vezes o tempo todo. 
 Peabody, at mesmo uma acompanhante autorizada tem todo o 
direito  de  protestar quando  um imbecil  enfia  os dedos entre  as pernas 
dela em um local pblico. Tome, beba um pouco de vinho. 
 Ele enfiou os dedos dentro de mim.  Sua mo tremeu quando 
Eve empurrou o copo para ela segur-lo.  Estvamos bem ali, sentados, 
conversando numa boa, e de repente eu senti os dedos dele me apalpan-
do, tentando me violar. Sei que eu estava flertando, e deixei que ele desse 
uma boa olhada nos meus seios; ento talvez eu tenha merecido. . 
 Pare com isso!  O controle de Eve estremeceu o bastante para 
faz-la  colocar as mos nos ombros de  Peabodv e  forc-la  a  sentar em 
uma cadeira.  Voc no mereceu nada e fico revoltada por ouvi-la dizer
isso.  O  filho-da-puta  no  tinha  direito  algum de  tocar em voc  daquele 
jeito. 
Nem de dominar voc, nem de amarrar as suas mos, nem de empur-
rar o corpo dele dentro do seu at voc comear a implorar que ele pare.
Isso di, di, di muito. 
Uma  sensao  de  enjo  subiu-lhe  pela  garganta,  deixando-a  quase 
engasgada, e ento ela se virou, colocou as mos espalmadas sobre a me-
sa e se ordenou a respirar compassadamente. 
 Agora no  murmurou ela.  Pelo amor de Deus. 
 Dallas? 
 No foi nada.  Mas ela teve que permanecer onde estava e colo-
cou os braos em volta do corpo por mais um instante.  Sinto muito por 
ter colocado voc em uma situao desconfortvel como essa. Assim que 
ele entrou, percebi que havia algo de esquisito ali. 
Peabody levantou o clice com as duas mos. Ainda sentia o choque 
inesperado dos dedos de Brent Holloway entrando dentro dela e violan-
do-a. 
 Ele passou pela investigao completa que a agncia faz ao rece-
ber um novo cliente. 



~ 202 ~ 
 



 E agora ns sabemos que essa investigao no  to boa quanto 
eles afirmam.    Respirou fundo  e,  mais calma,  virou-se  de  frente  para 
Peabody.   Quero que voc v com tudo em cima de Piper amanh de 
manh, pessoalmente. Entre l e exija v-la. Um pouco de histeria no vai
fazer mal; ameace process-los e denunci-los  imprensa. Quero que ela 
oua tudo isso de voc, cara a cara, Vamos ver se a sacudimos. Consegue 
fazer isso? 
 Sim.  Apavorada por se ver  beira das lgrimas, Peabody fun-
gou.  Posso sim. Do jeito que estou me sentindo, vai ser at fcil. 
 Deixe o comunicador aberto durante a conversa. No vamos po-
der usar nada do que conseguirmos em um tribunal, mas quero que man-
tenha contato o tempo todo. Pode atrasar a apresentao do seu relatrio 
sobre a operao de hoje  noite at amanh de manh. Vou pedir a Fee-
ney para levar voc para casa, OK? 
 Sim.  
 Peabody...  disse Eve, depois de alguns segundos. 
 Sim, senhora? 
 Belo soco. S que da prxima vez aplique outro no saco logo em 
seguida.  preciso neutralizar o sujeito, e no apenas irrit-lo. 
Peabody soltou um longo suspiro, mas em seguida conseguiu armar 
um pequeno sorriso. 
 Entendido, senhora. 



Como queria uma posio de comando, Eve se sentou atrs da mesa e es-
perou por Roarke. Sabia que ele levaria Feeney e Peabody at a porta, se 
despediria  deles com educao  e  daria  mais algumas palmadinhas no 
ombro de Peabody para confort-la. Como Eve conhecia bem a sua aju-
dante, sabia que isto certamente provocaria sonhos erticos na pobrezi-
nha. 
Mas era  melhor,  pensou,  do  que  ter pesadelos terrveis com mos 
invasoras e desamparo. 



~ 203 ~ 
 



Isso,  compreendeu,  era  parte  do  seu problema  com aquele  caso. 
Homicdios aps estupro, mos amarradas, o tipo de crueldade que pare-
ce trazer alegria em nome do amor. Perto demais dela. Perto demais do 
passado do qual ela fugira durante grande parte de sua vida. 
Agora aquilo a estava atingindo em cheio. Cada vez  que Eve olhava 
para uma vtima, era a imagem dela que via. 
Odiava essa situao. 
 Supere isso!  ordenou a si mesma.  E encontre-o! 
Olhou para trs quando Roarke entrou e manteve os olhos nele en-
quanto o via atravessar o escritrio. Ele encheu dois clices com o vinho 
que ela pegara para Peabody e colocou um deles sobre a mesa de Eve. Em
seguida pegou o outro, ficou segurando-o e, por fim, se sentou na cadeira 
diante dela. 
Provou a bebida, pegou um dos cigarros que fumava cada vez menos 
e o acendeu, dizendo apenas: 
 Ento?  E calou-se. 
 Que diabos voc achou que estava fazendo? 
 Em que momento exatamente?  Tragou devagar e exalou uma 
fumaa tnue e fragrante. 
 No faa papel de engraadinho comigo, Roarke. 
 Mas eu sei desempenhar esse papel to bem. Calma, tenente.  
Levantou o clice e fez um brinde a ela quando a ouviu grunhir alguma 
coisa.  Eu no interferi na sua operao. 
 A questo  que voc no tinha nada que estar presente no bar, 
para comeo de conversa. 
 Desculpe-me, mas eu sou o proprietrio do lugar.  Havia ousa-
dia em seu tom de voz.   comum eu dar uma passadinha nos lugares
de minha propriedade. Mantm os empregados ligados e atentos. 
 Roarke. . 
 Eve, este caso est sufocando voc. Acha que eu no enxergo is-
so?    Seu ar de  serenidade  desapareceu.  Ele  se  levantou e  comeou a 
andar de um lado para outro. 



~ 204 ~ 
 



Feeney tem razo, pensou Eve na mesma hora. O sotaque irlands 
aparece quando ele fica pau da vida com alguma coisa. 
 Isso est perturbando o seu sono  continuou , quando voc 
se permite dormir. Esse caso est assombrando o seu olhar. Eu sei as coi-
sas pelas quais voc  passou.    Virou-se  na  direo  dela  com a  fria 
transparecendo nos olhos maravilhosamente azuis.  Nossa, eu a admi-
ro, Eve, de verdade. Mas voc no pode achar que vou ficar quieto num 
canto, fingindo no estar vendo, fingindo no estar sacando as coisas ou
que no vou fazer tudo o que puder para aliviar esse peso dos seus om-
bros. 
 No se trata de mim. No posso me deixar envolver. Trata-se de 
pessoas mortas. 
 Elas assombram voc tambm.  Atravessou a sala de volta e se 
sentou na beira damesa, junto dela.   por essa razo que voc  a me-
lhor tira que eu encontrei na vida. Essa gente no representa apenas no-
mes e nmeros. Voc as v como pessoas. E voc tem o dom, ou a maldi-
o, de conseguir imaginar muito bem o que elas viram, sentiram e reza-
ram em seus ltimos minutos de vida. Eu no vou me manter afastado! 
Inclinando-se para a frente, segurou o queixo dela em um movimen-
to rpido, completando: 
 Droga! Eu no vou me manter afastado do que voc  ou do que 
faz. Voc vai ter que me aceitar, Eve, desse jeito, do mesmo jeito que eu
aceito voc por completo. 
Ela se sentou muito quieta, absorvendo as palavras dele e olhando 
para os seus olhos. No conseguia resistir s coisas que descobria naque-
les olhos. 
 No inverno passado  comeou ela, falando devagar , voc en-
trou  fora em minha vida. No pedi por isso. No queria voc. 
A sobrancelha dele se ergueu, em um gesto irritado de desafio. 
 Graas a Deus voc no deu a mnima para o que eu pedi ou para 
o que eu queria  murmurou ela, e viu o ar de desafio se transformar em
um sorriso. 
 Eu tambm no pedi por voc. A ghra. 

~ 205 ~ 
 



Meu amor. Ela sabia o significado daquela palavra em sua lngua na-
tal e no podia deixar de abrir o corao diante daquilo. Diante dele. 
  Desde o dia em que o conheci, naquele inverno, raramente tive 
um caso no qual voc no tenha se envolvido de um jeito ou de outro. No 
queria que as coisas fossem desse jeito. Eu usei voc sempre que me foi
conveniente, e isso me incomoda. 
 Pois o mesmo fato que a incomoda me agrada. 
 Eu sei.  Suspirando, levantou a mo e apertou o pulso dele de 
leve. Sentiu a sua pulsao forte e constante.    Voc alcana partes de 
mim para as quais no gosto de olhar, mas acabo no tendo alternativa 
seno encar-la de frente. 
  Voc as encararia comigo ou sem mim, Eve. Talvez comigo elas 
no a machuquem tanto. Eu tambm olho para trs   afirmou Roarke, 
surpreendendo-a tanto, que seus olhos se elevaram e se fixaram nos dele. 
  E desde que voc  surgiu, esses momentos se tornaram mais f-
ceis de suportar. No me pea nem espere que eu me afaste quando as
suas ms lembranas do passado a atormentam.  
Ela se levantou, pegou o vinho e se afastou. Ele tinha razo, concluiu.
O que ela tantas vezes via como dependncia poderia ser aceito como u-
nidade.  
E ela podia se abrir com ele. 
  Eu sei o que eles sentiram. Conheo tudo por que passaram..  o 
medo, a dor, a humilhao.  Cada um deles ali, indefesos e  despidos en-
quanto ele os violentava. Sei o que os seus corpos sentiram e o que as su-
as mentes pensaram. No quero me lembrar decomo  me sentir usada 
dessa maneira. Destroada, invadida. Mas eu me lembro. Ento, voc vem
e me toca.  
Ela  se  virou na  direo  dele,  compreendendo  que  nunca  lhe  dera 
crdito por isso.  
 Ento voc me toca, Roarke, e eu no sinto nada daquilo. No me 
lembro de nada daquilo.  simples assim.  unicamente. .  voc. 
 Eu amo voc  murmurou ele.  De maneira absurda. 



~ 206 ~ 
 



  por isso que fica aqui em volta de mim, quando devia estar fora 
do planeta, cuidando dos negcios.  Balanou a cabea antes de ele ter
chance de inventar alguma desculpa delicada, porque o conhecia bem.  
Voc  ficou l  esta  noite,  Roarke,  mesmo  sabendo  que  isso  ia  me  deixar 
irritada, simplesmente porque achou que eu poderia precisar de sua aju-
da. E agora est aqui na minha frente, pronto para discutir comigo s pa-
ra  afastar a  minha  mente  do  que  a est  perturbando.  Eu conheo voc, 
droga. Afinal, sou uma tira. E muito boa quando se trata de avaliar as pes-
soas. 
 Nessa voc me pegou.  Ele simplesmente sorriu.  E da.. ? 
 Da que. . Obrigada. Apesar disso, saiba que j estou na polcia h 
onze anos e sei cuidar de mim mesma. Por outro lado. .  Olhou com a-
teno para o vinho e tomou um gole, bem devagar.  Pode ter certeza 
de  que  me  senti tima ao  ver voc  acabar de  arrebentar aquele  tarado 
que atacou Peabody. Tive que ficar dentro da maldita van. No podia me 
arriscar a ir l para faz-lo lamber a calada, porque isso iria estragar to-
da a operao. Ento eu me senti tima ao ver voc fazer aquilo por mim. 
 Ora, mas o prazer foi todo meu. Peabody ficou bem? 
 Vai ficar. Ele a deixou abalada, afinal ela  humana. Mas vai tomar 
uma ducha quente, depois um tranqilizante, se for esperta, e esquecer
tudo enquanto dorme. A sua poro tira vai mant-la em p.  uma boa 
policial. 
  uma tira melhor por causa de voc. 
 No, no tenho esse mrito. Ela  o que  por si mesma.   Sen-
tindo-se pouco  vontade com aquele assunto, lanou-lhe um olhar frio. 
 Aposto que voc a abraou, fez cafun em sua cabea e lhe deu um bei-
jinho de boa-noite. 
A sobrancelha dele tornou a se erguer, desafiadora. 
 E se eu tiver feito tudo isso? 
 O corao dela deve estar disparado at agora, o que me parece 
normal. Ela tem uma quedinha por voc. 
 Srio?  Ele sorriu com vontade.  Que coisa. . interessante. 



~ 207 ~ 
 



  No brinque com a minha ajudante. Preciso que ela permanea 
focada. 
 E que tal voc ficar um pouco desfocada agora, s por alguns ins-
tantes, para eu ver se consigo fazer o seu corao disparar tambm? 
  No  sei no. .    Ela  passou a  lngua  sobre  os dentes.    Estou 
com a cabea muito cheia. Voc teria um trabalho. 
 Eu adoro trabalhar.  Com os olhos nos dela, apagou o cigarro e 
pousou o clice.  Alm do mais, sou muito bom em tudo o que fao.  



Eve estava de bruos na cama, nua e com o corpo ainda vibrando quando 
o tele-link tocou.  Resmungou alguma  coisa,  bloqueou o  sinal  de vdeo e 
atendeu. Trinta segundos depois j estava em p, catando as roupas espa-
lhadas e vestindo-as. A polcia havia recebido uma ligao annima de-
nunciando uma briga domstica. O endereco lhe era bem familiar. 
 Esse  o apartamento de Brent Holloway. Tenho certeza de que 
no se trata de um verdadeiro cdigo 1222. Ele est morto. O padro  o 
mesmo. 
 Vou com voc.  Roarke j estava fora da cama, procurando pela 
cala. 
Ela comeou a protestar, mas desistiu. 
  Tudo  bem   concordou.    Preciso  convocar Peabody e  talvez 
ela no aceite muito bem a situao. Conto com voc para sacudi-la, se for 
preciso, pois vou ser obrigada a mant-la na linha. 
 No invejo o seu trabalho, tenente   afirmou Roarke enquanto 
se vestia no escuro. 
 Nesse momento, nem eu.  Pegou o comunicador e chamou Pea-
body.  









~ 208 ~ 
 


















B 
 








CAPTULO DOZE 








rent Holloway vivera bem e morrera mal. A moblia de seu apar-
 
tamento mostrava um homem que pautava a vida pelas tendn-
cias da moda e pelo conforto que elas proporcionavam. Um sof 
gigantesco dominava a sala de estar e era enfeitado com almofades tri-
angulares pretos que pareciam midos quando tocados. Um telo estava 
embutido no teto. Em um gabinete com a forma de uma mulher de medi-
das generosas, representada do pescoo at o joelho, estavam guardados
muitos discos porns, alguns legais e outros pirateados. 
Um bar prateado se estendia ao longo de uma parede e exibia um
bom estoque de bebidas caras e drogas baratas e ilegais. 
A  cozinha  era  completamente  automatizada,  sem personalidade,  e 
parecia ser raramente usada. Havia um escritrio onde se via um sistema 
de computadores de ltima gerao, um capacete hologrfico e um salo 
de jogos equipado com aparelhos de realidade virtual e um tubo de rela-
xamento.  Um  criado  robtico  estava  parado  em um canto,  desligado  e 
com os olhos sem expresso. 
Brent Holloway  estava  na  sute  principal,  esparramado  sobre  um
colcho  de  gua,  enfixado  por u festo  prateado  muito brilhante; fitava 
com um olhar esgazeado o seu prprio reflexo no dossel espelhado. A ta-
tuagem fora pintada na barriga, pouco abaixo do umbigo, e quatro pssa-
ros de  ouro  estavam pendurados em uma  corrente  do  mesmo  material 
em volta do seu pescoo.  
 
 



 Parece que ele esteve em um centro mdico  comentou Eve. O 
nariz  da  vtima estava  apenas  um pouco  inchado.  As marcas roxas que 
deveriam estar ali haviam sido profissionalmente ocultadas por cosmti-
cos. 
Roarke ficou do lado de fora, pois sabia que no era permitido a nin-
gum entrar no quarto. Ele j vira Eve trabalhar. Competente, meticulosa, 
com uma  espcie  de  carinho  por  trs dos movimentos profissionais
quando cuidava dos mortos. 
Viu-a rodar um programa que havia em seu kit de servio para esta-
belecer a hora exata da morte e gravou a cena do crime em vdeo pesso-
almente, enquanto Peabody e os peritos do laboratrio no chegavam. 
  Marcas de  cordas nos pulsos e  nos tornozelos indicam  que  a 
1vtima foi amarrada antes da morte. O bito ocorreu s vinte e trs ho-
ras e quinze minutos. Marcas na garganta indicam que a causa da morte 
foi estrangulamento.  
Levantou a cabea ao ouvir a campainha da porta. 
 Vou receb-la  avisou Roarke. 
 Certo. Roarke. .?  Eve hesitou por um breve instante. Ele estava 
ali, afinal, e era competente.  Ser que voc conseguiria reativar o an-
dride? D para invadir o sistema dele, anular os comandos programados 
e tornar a lig-lo? 
 Acho que posso lidar com isso. 
 Claro.  Havia poucas coisas que ele no sabia fazer quando se 
tratava de invadir sistemas. Eve entregou-lhe uma lata de spray selante. 
 Cubra as mos com isso. As suas digitais no devem aparecer aqui. 
Ele lanou-lhe um olhar de leve desagrado, mas aceitou.  
Eve voltou-se para o corpo, prosseguindo com o trabalho. Dava para 
ouvir a conversa em tom baixo na sala da frente. Roarke falando com Pe-
abody. Eve foi at a porta do quarto para esperar a ajudante. 
Peabody estava novamente de farda, com o minigravador preso na 
lapela  e  os cabelos implacavelmente  alisados em torno  da  cabea,  no 
formato usual de cuia. Seu rosto estava plido e os olhos horrorizados. 
 Que droga, Dallas. 

~ 210 ~ 
 



 Avise-me caso ache que no consegue lidar com a situao. Preci-
so saber com certeza antes de deix-la entrar. 
Peabody fizera a mesma pergunta a si mesma sem parar desde que 
recebera o chamado. Como ainda no sabia a resposta, manteve os olhos
fixos em Eve e disse: 
 Minha obrigao  lidar com a situao, eu sei disso. 
 Eu lhe digo qual  a sua obrigao. Tem um andride que servia 
de criado. Voc pode trabalhar com ele. Pode tambm verificar os regis-
tros dos tele-links, os discos da segurana ou comear a interrogar os vi-
zinhos. 
Tudo aquilo era uma forma de escapar. Peabody se odiou por sentir 
uma  leve  tentao  de  agarrar essa chance.  Queria  fazer qualquer coisa, 
menos entrar no quarto. Porm, disse: 
 Prefiro trabalhar na cena do crime, senhora. 
Eve a avaliou por um momento e por fim concordou. 
  Ligue  o  seu gravador.    Virou-se  e  foi andando  at  a  beira  da 
cama.  A vtima  Brent Holloway e sua identidade foi estabelecida pela 
investigadora  oficial  do  caso.  As imagens preliminares do  corpo  foram 
gravadas pela  tenente  Eve  Dallas.  Gravao  subseqente  efetuada  pela 
policial Delia Peabody. Horrio e causa aparente da morte j estabeleci-
dos. 
O estmago de Peabody deu um pequeno salto no instante em que 
ela se forou a olhar para o corpo. 
 Aconteceu exatamente como com os outros, senhora. 
 Aparentemente, sim. O estupro ainda no foi confirmado, nem foi
feito um teste toxicolgico na vtima para identificar drogas em seu orga-
nismo. A parte exposta da  pele mostra sinais do uso de desinfetante.  O 
cheiro ainda presente. 
Pegou um visor especial no seu kit de servio e o colocou sobre a 
cabea, ajustando o foco das lentes. 
 Os peritos esto demorando  murmurou.  Apagar as luzes do 
ambiente!  comandou, e os pontos de luz que se lanavam sobre a cama 
se apagaram.  Sim, ele foi coberto por um spray desinfetante. Os traos

~ 211 ~ 
 



da  tatuagem coincidem com os encontrados nas outras vtimas.   uma 
tatuagem  mo livre feita com um trao muito bom e firme  acrescen-
tou com o nariz quase encostado na barriga de Holloway.  O que  isso 
aqui?  Pegue uma pina para mim, Peabody. Achei uma fibra ou fio de 
cabelo aqui. 
Sem olhar para trs, Eve esticou o brao e sentiu a pequena pea de 
metal que Peabody colocou em sua mo. 
 O fio  branco e no parece artificial.  Segurando o objeto com a 
ponta da pina, estudou-o pela lente especial que usava.  H vrios fios 
desses, por aqui. Preciso de um saquinho para guardar e lacrar isto.   
Nem acabara de pronunciar a frase e Peabody j estava lhe estendendo o 
que  pedira.    Aposto  que  a  barba  do  Papai Noel  est  comeando  a  se 
desmanchar, e dessa vez ele no foi to cuidadoso com a limpeza posteri-
or. 
Com delicadeza, Eve arrancou os fios brancos que haviam ficado co-
lados ao corpo e os colocou no saquinho. 
 Ele acaba de cometer o seu primeiro erro. Pegue o visor  disse 
Eve,  tirando-o  da  cabea  e  entregando-o  para  Peabody. Verifique  o  ba-
nheiro, cada canto. Examine o fundo dos ralos e recolha o que encontrar. 
 Acender luzes!  acrescentou.  Perder Cissy ontem  noite o deixou 
abalado, Peabody. Ele est ficando descuidado. 



No  momento  em que  Eve liberou o  quarto  para  a equipe de  peritos do 
laboratrio,  j  encontrara  mais de  doze  fios,  alm de  minsculos frag-
mentos de fibra. Exibia um olhar sombrio e determinado quando se en-
controu com Roarke e o andride no salo de jogos. 
  Conseguiu ativ-lo? 
 Claro.  Sentado confortavelmente em uma poltrona que se ade-
quava ao corpo que a usava, apontou para o rob, apresentando:  
 Rodney, esta  a tenente Dallas. 




~ 212 ~ 
 



 Como vai, tenente?  O andride era baixinho e atarracado, com 
um rosto pouco atraente e uma voz entrecortada. Pelo visto, Brent Hol-
loway no queria competio com os criados nem mesmo na aparncia. 
 A que horas voc foi desligado, na noite passada? 
 s vinte e duas horas e trs minutos, pouco depois de o sr. Hol-
loway chegar em casa. Ele prefere que eu permanea desligado, a no ser
que necessite de meus servios. 
 Ento ele no precisou dos seus servios ontem  noite. 
 Aparentemente no. 
 Ele recebeu algum visitante entre a hora em que voltou para casa 
e o momento em que voc foi desligado? 
  No.  Devo  assinalar que  o  sr. Holloway  no  parecia  estar com 
humor para companhia na noite passada. 
 Como assim? 
  Ele  parecia  aborrecido    afirmou o  andride, e  ento  selou os 
lbios. 
 Rodney, esta  uma investigao policial. Voc deve responder s 
minhas perguntas sem esconder nada. 
  Polcia?  No  compreendo.  Algum arrombou  o  apartamento? 
Houve um roubo? 
 No. Seu patro est morto. Algum tocou a campainha antes de 
ele chegar em casa? 
 Entendo.  Rodney ficou calado por um momento, como se esti-
vesse  ajustando  os circuitos para  a  notcia  que  acabara  de  receber.   
No, tenente, no tivemos visitas na noite passada. O sr. Holloway tinha 
um compromisso com algum. Voltou para casa s nove e trinta. Estava 
muito zangado. Xingou-me de diversos nomes. Reparei que havia marcas 
roxas em seu rosto e perguntei-lhe se poderia ser til em alguma coisa. 
Ele sugeriu que eu fosse me foder, mas esta  uma funo que no estou
programado para executar. Em seguida, ordenou que eu fosse para o in-
ferno, o que igualmente no foi possvel. Por fim, revogou todas essas or-
dens e me mandou vir para este aposento e me desligar durante a noite 



~ 213 ~ 
 



inteira. Fui programado para me religar automaticamente s sete da ma-
nh. 
Com o rabo de olho, Eve reparou que Roarke estava rindo. Resolveu 
ignor-lo. 
  Rodney,  seu patro  tem drogas  ilegais e  material  pornogrfico 
neste apartamento. 
 No fui programado para tecer comentrios a respeito desses as-
suntos. 
 Ele recebia parceiros sexuais aqui? 
 Sim. 
 Homens ou mulheres? 
 Ambos, ocasionalmente ao mesmo tempo. 
 Estou  procura de um homem com aproximadamente um metro 
e oitenta. Ele tem mos grandes e dedos compridos. Provavelmente tem a 
pele branca. Tem mais de trinta anos, mas no deve ter mais de cinqen-
ta. Possui algum talento artstico e se interessa por teatro. 
 Desculpe, tenente  Rodney inclinou a cabea para a frente, de 
forma educada.  Esses dados so insuficientes. 
 Eu j imaginava  resmungou Eve. 



Eve esperou at que o corpo fosse ensacado e removido para o necrot-
rio. 
 H mais coisas nesse sujeito do que temos em nossos registros  
disse ela a Roarke.  Olhando em volta, d para ver. Ele tinha dinheiro e 
apreciava gast-lo para melhorar o rosto e o corpo. E tambm gostava de 
olhar para si mesmo.  Girou a cabea pela sala, assinalando os espelhos
que  havia  em praticamente  todas as paredes.    Usava  os servios de 
uma agncia de encontros e afirmou no cadastro que era heterossexual, 
mas seu criado andride acaba de afirmar que ele era bissexual. As agn-
cias que promovem encontros fazem uma investigao sobre a vida pre-
gressa dos clientes que  maior do que a da Comisso de Investigao de 
candidatos ao governo americano, em Washington, mas eles no desco-

~ 214 ~ 
 



briram nada do que vemos aqui. A vtima tentou atacar Peabody sexual-
mente logo no primeiro encontro. Se fez isso com ela,  porque j deve ter
feito antes com outras pessoas, mas sempre conseguiu escapar numa boa. 
Comeou a andar de um lado para outro na sala de estar, enquanto 
Roarke  permanecia  calado.  Sabia  que  no  era  preciso  dizer nada.  Ela  o 
estava usando apenas como reflexo para os prprios pensamentos. 
  Talvez ele tenha ligao com Rudy e Piper    continuou ela.   
Um amante. Talvez ele esteja ajudando a bancar a agncia. Ou sabia al-
guma coisa deles e, por isso, sempre o deixaram escapar ileso. Esse cara 
no  era  uma  pessoa  solitria.  Era  um pervertido.  Rudy  e  Piper  deviam
saber disso. Pelo menos um dos dois devia saber. 
Parou do lado da estante, vazia agora que todos os discos pornogr-
ficos tinham sido levados para averiguao. 
  Alguns daqueles vdeos eram caseiros.  Fico  me  perguntando 
quem vamos encontrar fazendo coisas obscenas com Brent Holloway.  
Ela tornou a olhar para Roarke. Os dois estavam a ss naquele momento, 
mas Peabody estava para chegar na sala a qualquer momento. Eve relu-
tou um pouco em ficar, mas ento se lembrou dos quatro corpos ensaca-
dos.  Preciso seguir em frente com a investigao. No sei a que horas
vou voltar para casa, Roarke. 
Ele  a  conhecia  muito  bem.  Chegou junto  dela  e  colocou a  mo  em
seu rosto, perguntando: 
 Voc quer me pedir para ajudar em alguma coisa ou prefere que 
eu simplesmente faa pesquisas por minha conta e lhe conte os resulta-
dos? 
 Vou pedir  afirmou ela, expirando com fora, enfiando as mos 
nos bolsos enquanto  o  fazia.    Voc  saber  como  cavar por baixo  das
coisas que Holloway declarou no cadastro. Voc tem condio de desco-
brir em poucas horas o que Feeney levaria dias para conseguir. Ele no 
pode tomar atalhos como voc. E eu no posso ficar esperando durante 
dias. No quero que este canalha me entregue outro corpo para ser ensa-
cado. 
 Ligo para voc assim que descobrir alguma coisa.  

~ 215 ~ 
 



Roarke fazia com que as coisas parecessem simples, e isso piorava 
tudo. 
  Transmito  o  arquivo  completo  de  Brent Holloway,  com tudo  o 
que  temos sobre  ele,  assim que  eu chegar    central    props ela,  mas
fechou a boca ao v-lo sorrir. 
 No h razo para perdermos tempo com isso quando eu posso 
conseguir tudo por conta prpria.  Inclinando-se na direo dela, bei-
jou-a.  Adoro ajudar voc. 
 O que voc adora  bancar o hacker e enganar o Compuguard, in-
vadindo-o atravs de programas ilegais. 
  Sim, de fato existe esse bnus.   Colocou as mos nos ombros 
dela e os massageou de leve para dissolver a tenso que sentiu.  Se vo-
c trabalhar direto at cair dura, eu vou ficar muito revoltado. 
 Ainda estou em p, no estou? Vou precisar do carro e no terei 
tempo de levar voc em casa. 
 Acho que eu consigo chegar l sozinho.  Tornou a beij-la antes 
de partir em direo  porta.  Ah, a propsito, tenente. . No se esquea 
de que voc tem hora marcada com Trina logo mais, s seis da tarde. Ela e
Mavis vo passar l em casa. 
 Ah, pelo amor de Deus. 
 Posso distra-las, caso voc se atrase um pouco.  Ignorando os
xingamentos, saiu de fininho. 
Eve soltou um silvo agudo, recolheu seu kit de servio, chamou Pea-
body para ir embora e lacrou a cena do crime. 
 Quero levar os fios de cabelo e as fibras direto para o laboratrio 
e quem sabe acender uma fogueira debaixo da bunda de Cabeo para ele 
trabalhar mais depressa    comentou ao entrar no carro.    Vamos ter
que apressar o legista tambm, embora eu ache que no vamos encontrar
nada no laudo da autpsia que j no saibamos. 



Eve lanou um olhar meio de lado para a sua ajudante enquanto dirigia. 



~ 216 ~ 
 



 Vamos ter um longo dia amanh, Peabody. Talvez seja melhor vo-
c  tomar um dos estimulantes  aprovados pelo  departamento.  Requisite 
alguns comprimidos de Alert-All. 
 Eu estou bem. 
 Preciso que esteja muito alerta e esperta. E quero v-la transfor-
mada e muito bem produzida s nove em ponto. Lembre-se de que voc 
tem que desfiar as suas reclamaes para Piper. Vamos segurar a divul-
gao do nome de Holloway o mais que pudermos. 
 Sei o que fazer.  Peabody olhou para fora do carro, observando 
a  noite.  Havia  uma carrocinha  vendendo  churrasquinhos na  esquina  da 
Nona Avenida, e o vendedor se aquecia junto ao vapor que subia da gre-
lha. 
 No senti arrependimento por ter quebrado o nariz dele  disse 
Peabody de repente.  Achei que ia me sentir arrependida. Pensei que 
quando o encontrasse morto e visse o que haviam feito com ele iria la-
mentar o que fizera ontem. 
 Uma coisa no tem nada a ver com a outra. 
 Eu achei que poderia ter. Achei que deveria ter. Estava temerosa 
de colocar os ps naquele quarto. Depois que entrei, porm, e fiz o meu
trabalho, no senti nada daquilo que imaginei. 
 Voc  uma policial. Uma boa policial. 
 No quero ser do tipo que deixa de ter sentimentos.  Virou-se 
para Eve, analisando-a de perfil.  Voce no  assim. As vtimas no so 
apenas objetos para voc, so pessoas. Eu no quero deixar de lembrar
que elas so pessoas. 
 No estaria trabalhando comigo se eu achasse que voc se esque-
ceria  disso.    Eve  olhou para  a  direita  e  para  a  esquerda  enquanto  se 
aproximavam de um sinal vermelho e, vendo que o caminho estava livre, 
passou direto. 
 Obrigada.  Peabody respirou fundo, bem devagar, e sentiu o es-
tmago acalmar. 




~ 217 ~ 
 



 J que voc est to grata assim, entre em contato com o Cabeo. 
Avise que eu quero aquele rabo magro dele sentado diante do microsc-
pio em menos de uma hora. 
 No sei se estou grata a esse ponto.  Peabody fez uma careta e 
se remexeu no banco. 
 Ligue logo para ele, Peabody. Se ele soltar os cachorros, eu pego o 
fone e o suborno com uma caixa de uma daquelas cervejas irlandesas do 
estoque de Roarke. Cabeo tem um fraco por elas. 
Foram necessrias duas caixas e mais a ameaa de dar duas voltas 
com a lngua dele em torno do pescoo, mas s trs da manh Dickie j 
estava no laboratrio analisando as fibras e os fios de cabelo. 
Eve andava de um lado para outro no laboratrio, por trs dele, la-
drando  no  comunicador em altos brados,  com o  legista assistente  que 
alegava que eles j estavam em recesso natalino e haviam cancelado as
autpsias. 
 Escute aqui, seu bundo, eu posso ligar para o comandante Whit-
ney e faz-lo colocar o seu pescoo a prmio. Este caso  Prioridade Um. 
Quer que  eu deixe  vazar para  a  imprensa  que  a  minha  investigao  foi 
atrasada porque um assistente de legista queria abrir os cartes de Natal 
que recebeu em vez de abrir a barriga de uma vtima? 
  Ah,  qual  ,  Dallas?!  Estou trabalhando  em turnos duplos.  Estou
com cadveres empilhados como tijolinhos nas gavetas do necrotrio. 
 Pois coloque o novo tijolinho que estou lhe enviando em cima da 
mesa se no quiser ganhar uma tijolada. Envie o relatrio para mim at 
as seis da manh ou voc vai descobrir como  sentir o bisturi na prpria 
pana. 
Desligando, virou-se para Dickie, ordenando: 
 Deixe-me feliz, Dickie. 
 No me apresse, Dallas. No tenho medo de voc. E no vejo eti-
queta nenhuma que indique Prioridade Um neste material. 
 Pois vai v-la s nove da manh.  Eve foi at onde ele estava e 
deu-lhe um tapa na orelha.  Voc ainda no me ofereceu um cafezinho, 
Dickie. No me deixe mais irritada do que j estou. 

~ 218 ~ 
 



 Eu, hein. . Sirva-se voc mesma.  Por trs das lentes de aumento 
seus olhos pareciam grandes como os de uma coruja.  Estou examinan-
do a droga dos fios, no estou? Voc quer um trabalho rpido ou bem-
feito? 
 Os dois.  Como estava desesperada, foi at o AutoChef, ordenou 
uma  xcara  da  gosma  escura  que  o  pessoal  do  laboratrio  chamava  de 
caf e forou o primeiro gole a descer pela garganta. 
 O cabelo  humano  gritou ele.  Foi tratado com fixador de 
salo e um desinfetante com cheiro de ervas. 
Isso aguou a curiosidade de Eve, fazendo-a tomar mais um gole ao 
se aproximar dele. 
 Que tipo de fixador e para que serve isso 
 Para preservar a cor e a textura dos fios. Ele mantm os cabelos 
brancos sedosos e evita que fiquem amarelados. Duas das amostras que 
voc trouxe tm restos de adesivo em uma das pontas. Esses fios prova-
velmente vieram de uma peruca. Uma peruca de boa qualidade e muito 
cara. Estamos lidando com cabelo humano aqui, e isso prova a sofistica-
o  do  produto.  Vou ter que  trabalhar mais para  determinar o  adesivo 
usado. Talvez eu tambm consiga descobrir a marca do fixador, depois de 
mais alguns testes. 
 E quanto s fibras e quele troo que Peabody pegou nos ralos? 
 Ainda no cheguei l. Puxa, Eve, eu no sou um rob! 
 Certo.  Ela pressionou os olhos com os dedos.  Preciso ir ao 
necrotrio para ver se Brent Holloway j est sobre a mesa da autpsia. 
Dickie...  Colocou a mo no ombro dele. O tcnico-chefe era um p no 
saco,  mas Eve  sabia  que  ele  era o  melhor.    Preciso  de  tudo  que  voc 
conseguir descobrir, e bem depressa. Esse cara j matou quatro e est  
procura do quinto. 
 Vou trabalhar bem mais rpido se voc parar de fungar no meu 
cangote. 
 J estou saindo. Vamos, Peabody. 




~ 219 ~ 
 



 Sim, senhora.  Peabody acordou do cochilo que tirava, sentada 
em uma das cadeiras do laboratrio, e piscou duas vezes sem enxergar
nada. 
 J estamos indo  disse Eve, falando depressa.   Dickie, estou 
contando com voc. 
 Sei, sei..  Por falar nisso, Eve, acho que ainda no recebi o convite 
para  a  grande  festa  que  vai rolar na  sua  casa  amanh.    E  sorriu com
simpatia.  Deve ter extraviado. 
 Vou ver se consigo achar esse convite. Depois que voc me der o 
que pedi. 
 Combinado.  Satisfeito, ele tornou a se virar e se inclinou sobre 
a mesa. 
 Espertinho. Tome, Peabody.  Eve colocou um copo de caf na 
mo  da  auxiliar enquanto  caminhavam de  volta  para  o  carro.    Beba! 
Isso vai deixar voc ligadona ou talvez a mate. 
Eve perturbou o legista assistente at ele confirmar a causa da mor-
te. Ficou nas costas dele at ele liberar o relatrio toxicolgico onde afir-
mava haver vestgios de um tranqilizante de venda liberada na corrente 
sangnea da vtima. 
De volta  Central de Polcia, ordenou que Peabody fosse direto ao 
aposento apertado conhecido por todos como  resort. O cmodo era ape-
nas um quarto escuro com trs beliches. 
Enquanto sua auxiliar dormia, Eve foi para a sua sala e fez os relato-
rios. Trnasmitiu as cpias necessrias e se encheu de mais caf, acompa-
nhado de algo com aspecto de rosquinha de amora, obtido na mquina de 
lanches. 
O amanhecer mal se insinuava quando o tele-link de sua sala tocou e 
o rosto de Roarke apareceu na tela. 
 Tenente, voc parece to plida que chega a estar transparente. 
 Ainda estou bem firme. 
 Encontrei algo. 
O corao dela deu um pulo. Sabia que ele no ia dizer mais nada em 
uma linha monitorada. 

~ 220 ~ 
 



 Vou tentar ir logo para casa. Peabody ainda vai dormir por mais 
duas horas. 
 Voc tambm precisa descansar um pouco. 
 Eu sei. Estou quase acabando aqui. J estou indo. . 
 Vou esperar por voc acordado. 
Eve desligou e deixou um recado para Peabody, caso ela acordasse 
antes de sua volta. Ao entrar no carro e sair para a rua, tornou a ligar pa-
ra o laboratrio. 
 Pintou mais alguma coisa, Dickie? 
 Nossa, Eve, voc  incansvel, hein? Descobri a origem das fibras. 
 um fio sinttico, mescla de polister da marca Wulstrong. L artificial, 
normalmente usada em casacos e suteres. Esta aqui foi tingida de ver-
melho. 
 Como em uma roupa de Papai Noel? 
 Sim, mas no um desses Papais Nois que andam pelas ruas pe-
dindo donativos e tocando sininhos. Esses pobres coitados no tm con-
dio de comprar uma roupa assim to cara. O material que voc reco-
lheu  troo bom, o melhor possvel depois da l verdadeira. Alis, os fa-
bricantes afirmam que ele   at  melhor,  mais quente,  mais resistente e 
blablabl.  Tolices,    claro,  j  que  nada  se  compara    l  de  verdade.  De 
qualquer modo, o produto  de boa qualidade e muito caro. Como o cabe-
lo. O homem que voc procura no se preocupa em poupar dinheiro.  
 timo. Bom trabalho. Dickie. 
 Achou o meu convite, Dallas? 
 Achei. Tinha cado atrs da minha mesa. 
 Sim, essas coisas acontecem. 
 Acabe de analisar o material do ralo, Dickie, e eu mando algum 
levar o convite para voc em mos.  Seguiu em frente, acompanhando o 
flerte entre a alvorada e o cu do leste enquanto ia para casa. 



Sabia onde achar Roarke. Ele estava em uma sala que nem deveria existir, 
pilotando  um equipamento  que  ela  nem deveria  conhecer.  Ignorando a 

~ 221 ~ 
 



reao  instintiva  que  sentia  ao  pensar nisso,  uma  reao  tpica  de  tira, 
aproximou-se da sala e colocou a palma da mo no sensor. 
 Tenente Eve Dallas!  afirmou. 
A palma de sua mo e a sua voz foram analisadas rapidamente e ela 
conseguiu acesso. 
Ele deixara as cortinas do janelo completamente abertas. O vidro 
era tratado. Ningum enxergava o que se passava ali dentro. A  sala era 
ampla, o piso de mrmore caro e as paredes exibiam lindos quadros, com
exceo de uma, que estava coberta de telas e monitores. 
Todas as telas estavam em branco, menos uma. Nela, Roarke anali-
sava  as cotaes da Bolsa  de  Valores,  por trs do brilhante console  em
forma de U, ao mesmo tempo em que brincava com o computador no 
registrado. 
 Voc foi mais rpido do eu imaginei  elogiou ela. 
 No havia muitas camadas ocultando os dados.  Gesticulou pa-
ra uma cadeira ao seu lado.  Sente-se, Eve. 
 Essas camadas so superficiais o bastante para eu passar por e-
las? Vou poder afirmar que descobri tudo sozinha sem estar mentindo? 
A sua tira, pensou Roarke, com carinho, sempre se preocupava com 
essas sutilezas. 
 Se eu soubesse exatamente onde cavar e o que questionar, o que 
imagino que ia acabar acontecendo em mais um ou dois dias, podemos
dizer que sim. Sente-se  repetiu, mas dessa vez a tomou pela mo e a 
puxou para a cadeira junto da dele. 
Ele amarrara os cabelos para trs, o que sempre a fazia ter vontade 
de soltar a fina tira de couro que os prendia. Tambm havia arregaado 
as mangas  do  suter preto.  Ela  se  viu olhando  fixamente  para  as mos
dele, pensando nelas e imaginando-as em ao. Eram mos lindas e geis. 
De repente sentiu que estava com a cabea pendendo para a frente e se 
obrigou a levant-la. 
Quando piscou com fora para afastar o sono, o rosto dele j estava 
colado  ao  dela  e  uma  daquelas mos lindas e  geis a  seguravam pelo 
queixo, com o polegar acariciando a covinha que havia ali. 

~ 222 ~ 
 



 Voc deu uma cochilada, no foi? 
 Estava apenas. . pensando. 
  Humm..   sei..   pensando.  Vou fazer um trato  com voc,  tenente. 
Vou lhe passar tudo o que descobri e, em troca, voc vai estar aqui em
casa logo mais s seis da tarde. Vai tomar um tranqilizante e depois..  
 Ei, eu no vim at aqui para barganhar informaes. 
 Veio sim, a no ser que no as queira. Posso apagar tudo.  Esti-
cou a mo e deixou-a parada em cima de alguns controles que ela no sa-
bia para que serviam.  Voc vai chegar aqui s seis horas, vai tomar um 
tranqilizante e depois vai deixar Trina lhe fazer um tratamento comple-
to. 
 No tenho tempo para um estpido corte de cabelo. 
No era no corte de cabelo que ele estava pensando, mas na sesso 
de massagem e relaxamento que ia providenciar para ela. 
 O trato  esse, tenente.  pegar ou largar. 
 Estou com quatro assassinatos em cima da minha mesa. 
 No momento eu estou pouco ligando se eles so quatro ou qua-
trocentos. No importam as suas prioridades, a minha  voc. Meu preo 
 este. Voc quer os dados? 
 Voc  um pentelho maior do que o Cabeo. 
 Como  que ? 
Ela prendeu o riso ao sentir o ar magoado na voz dele e em seguida
passou as mos no rosto. Detestava reconhecer que ele tinha razo. Ela 
estava caindo pelas tabelas de cansao. 
 Tudo bem, eu aceito o trato. O que encontrou? 
Ele franziu o cenho por um momento, olhando para ela. Em seguida, 
baixou a mo e ligou o telo. 
  Salvar os dados da tela 4 e fechar o arquivo. Jogar os dados de 
Brent Holloway em todas as telas. Nosso amigo pagou por uma carssima 
mudana  de  identidade  h  quatro  anos.  Se  formos procurar  sob  o  seu
nome verdadeiro. . 
 John B. Boyd. Caramba!  Eve se levantou da cadeira, foi andan-
do at junto da tela e comeou a ler de perto o primeiro dos vrios relat-

~ 223 ~ 
 



rios policiais:  Transgressor sexual com vrias queixas de estupro, al-
gumas delas retiradas posteriormente pelas prprias vtimas. Condenado 
por crimes de violncia sexual. Passou seis meses em tratamento psiqui-
trico e prestou alguns servios voluntrios para a comunidade. Me enga-
na que eu gosto. . Foi fichado por posse de drogas e brinquedos sexuais, e 
liberado sob fiana. Apresentou-se para tratamento voluntrio, a fim de 
se curar de obsesses sexuais. O tratamento foi bem-sucedido.  At pa-
rece. . Esse cara  um pervertido de carteirinha e o sistema o deixou es-
capar. 
 Ele tinha dinheiro  explicou Roarke.   fcil comprar a pr-
pria sada da cadeia quando as acusaes so leves e de cunho sexual. Ele 
escapou limpo e se livrou de uma condenao sria, para no fim acabar
sodomizado e estrangulado. Ironia do destino ou justia, Eve? 
 A justia deveria ser obtida nos tribunais!  reagiu ela.  No li-
go a mnima para ironias desse tipo. Ser que a ntimo e Pessoal conse-
guiu descobrir tudo isso na pesquisa que fez, ao aceit-lo como cliente? 
 Eu teria descoberto.  Encolheu os ombros.  Isso depende a-
penas da profundidade em que eles pesquisaram, mas como eu disse, es-
tava  poucas camadas abaixo  da  superfcie.  Qualquer empresa  que  lida 
com segurana conseguiria desencavar esse histrico. Os registros ocul-
tos e  a  antiga identidade  s  no  aparecem em pesquisas trabalhistas e 
consultas de crdito. 
 E voc conseguiu dados financeiros dele? 
 Claro. Apresentar extratos financeiros na tela 6. D para ver como 
ele ganhava bem com o seu trabalho. E tinha ainda um bom gerente de 
investimentos. Gostava de esbanjar, mas tinha dinheiro para isso. Entre-
tanto, existem vrios depsitos relativamente elevados que esto acima 
do nvel dos seus honorrios e dividendos de investimentos. Dez mil de-
positados a cada trs meses h mais de dois anos. 
  Sim.    Eve  chegou ainda  mais perto  da  tela.    Estou vendo. 
Conseguiu rastrear esse dinheiro? 
  No  sei  por que  fico  aqui tolerando  esses insultos.    Roarke 
simplesmente suspirou quando viu Eve se virar para trs e fazer-lhe uma 

~ 224 ~ 
 



careta.   claro que consegui! Eram transferncias eletrnicas que vi-
nham de vrios lugares em uma tentativa at razovel de ocultar a fonte 
original. Entretanto, todas elas brotavam da mesma localizao. 
 ntimo e Pessoal  completou Eve, concordando com a cabea. 
 Voc  uma detetive excelente. 
 Quer dizer ento que Holloway os estava chantageando. Ou pelo 
menos fazia  isso  com um deles.  Voc  conseguiu as iniciais do  nome  de 
quem autorizava as transferncias? 
 A conta est no nome de ambos. Pode ter sido tanto Piper quanto 
Rudy. A conta deles utiliza apenas senhas e no tem registro de assinatu-
ras. 
 Certo, isso j me d o bastante para traz-los para interrogatrio 
e cozinh-los em fogo brando.  Soltou um longo suspiro.  Primeiro eu
vou deixar Peabody entrar em contato com eles e rodar a baiana pelo que 
aconteceu com ela. Logo depois eu entro em cena. 
 O importante  voc no se esquecer de estar de volta s seis da 
tarde. 
Impaciente, ela se virou para ele. O dia estava raiando e a luz se infil-
trava com suavidade pelo vidro tratado, acentuando as suas faces plidas
e as olheiras profundas. 
 Eu fiz o trato  concordou ela.  Vou honr-lo. 
  claro que vai.  Nem que ele tivesse de ir at a Central de Pol-
cia para traz-la para casa pessoalmente.  


















~ 225 ~ 
 


















E 
 








CAPTULO TREZE 








ve decidiu que a melhor estratgia seria atingir os oponentes com
 
golpes fortes e rpidos assim que eles cassem no cho. Se Peabody 
desempenhasse bem o seu papel de cliente furiosa, Rudy e Piper 
ficariam abalados, topando qualquer coisa para evitar publicidade nega-
tiva e o potencial processo de uma cliente ofendida. 
Assim que Peabody sasse, planejou Eve, ela entraria. s nove e meia 
ela j estava no salo de beleza, mostrando a foto de Brent Holloway para 
a  recepcionista.  Se  tudo  corresse  conforme  o  planejado,  estaria  termi-
nando a sua cena no momento em que Peabody estivesse saindo, e ela lhe 
daria o sinal para ir em frente. 
 Claro, eu conheo o sr. Holloway. Ele se consulta conosco uma vez 
por semana, alm de ter um horrio fixo especial a cada ms. 
 Ele vem aqui uma vez por semana fazer o qu? 
  Tratar do cabelo, da pele e das unhas, fazer massagens e curtir 
uma sesso de aromaterapia.  Yvette, mais amigvel e cooperativa des-
sa  vez,  inclinou-se  para  a  frente  em cima do  balco  e  deu um pequeno 
suspiro  enquanto  olhava  novamente  para  a  foto  de  Brent  Holloway.   
Nossa, ele tem um corpo escultural e sabe como mant-lo. Uma vez por 
ms faz  um tratamento  completo  e  fica  o  dia todo  aprimorando  ainda 
mais o visual aqui conosco. 
 E  atendido sempre pela mesma pessoa? 
 Ah, claro que sim, ele no aceita mais ningum, a no ser Simon. 
Alguns meses atrs, Simon estava de frias. O sr. Holloway deu uma escu-
 
 



lhambao  geral  bem aqui na  recepo.  Tivemos que  lhe  oferecer uma 
sesso extra no tubo de relaxamento e depois um O-deluxe para acalm-
lo. 
 O-deluxe? perguntou Eve, sem entender. 
 O de orgasmo, querida. . Sala privativa, com escolha de cenrio 
em realidade virtual, projees hologrficas e acompanhante autorizada. . 
uma andride, naturalmente. Nosso alvar no permite que forneamos
acompanhantes autorizadas humanas, mas oferecemos todas as alterna-
tivas. O O-deluxe que ele ganhou de brinde nos custou mais de quinhentos 
paus, mas valeu a pena, pois conseguimos esfriar a sua cabea. Sabe como 
. . nesse ramo, temos que manter os clientes sempre satisfeitos. Especi-
almente um cliente como o sr. Holloway, que gasta mais de cinco mil por
ms aqui s em servios, sem contar os produtos que adquire em nossas
lojas. 
 Sim, nada melhor do que o O-deluxe para manter um cliente satis-
feito  concordou Eve. 
  isso a!  Yvette riu, agradecida ao ver que Eve no guardara 
rancor dela.  E quanto ao sr. Holloway? Ele fez algo de errado? 
 Podemos dizer que sim, mas posso afirmar com certeza que no 
tornar a faz-lo. Simon est por aqui? 
 Est atendendo um cliente no Estdio 3, mas a senhora no vai 
at l, vai?  perguntou, alarmada, ao ver que Eve lhe deu as costas. 
 Vou sim.  
Eve entrou por um pequeno corredor com paredes de vidro fosco ja-
teado, atrs das quais dava para ver formas humanas perfeitas. 
Havia tambm vozes baixas e msica ao fundo, murmurantes sons 
de  gua  correndo,  passarinhos cantando  e  uma  brisa  leve  que  soprava 
vindo de algum lugar. Eve percebeu no ar aromas de eucalipto, rosas e 
almscar. 
Portas em tons pastis se alinhavam dos dois lados. Atravs de uma 
delas que estava aberta, ela viu uma mesa comprida, acolchoada, ladeada 
por equipamentos complicados, tubos, espelhos e um pequeno terminal 



~ 227 ~ 
 



de computador. Tudo aquilo lembrava um centro mdico, e isso lhe cau-
sou um certo desconforto. 
Seguindo  em frente,  outra  porta  se  abriu e  surgiu  uma  consultora 
vestida  com um jaleco  branco.  Acompanhava  uma  mulher coberta  por
uma pasta pegajosa verde dos ps  cabea e a encaminhava para outra 
sala. 
 Onde fica o Estdio 3, por favor? 
 No prximo corredor,  esquerda. Tem uma placa na porta. 
 H-h. .  agradeceu Eve, observando o momento em que a con-
sultora entrou em outra sala com a cliente, garantindo-lhe que dez minu-
tos na Sala do Deserto a transformariam em uma nova mulher. 
Eve teve de se segurar para no estremecer. 
Quando  o  corredor se  dividiu,  ela  viu um enorme  ofur  com gua 
borbulhante cercado de bonsais de cerejeiras. Trs mulheres relaxavam 
dentro dele e seus seios balanavam felizes em meio  espuma rosada. 
Outra mulher estava solta, desacompanhada, submersa at o queixo 
no gel verde-escuro de um tubo sensorial. Um pouco adiante, em um lu-
gar que Eve acreditou ser uma rea de lazer, havia uma piscina estreita, 
batizada  de  Imerso  Total,  onde  a  gua  muito  azul  era  mantida a  uma 
temperatura constante de apenas dois graus. S de olhar, Eve comeou a 
bater o queixo. 
Virou  esquerda. Depois de uma leve batida na porta azul-beb on-
de  estava  marcado  um imenso  nmero  3,  entrou.  Foi difcil  descobrir 
quem teve a maior surpresa, se ela, Simon ou McNab, que estava confor-
tavelmente instalado em uma poltrona reclinvel e tinha o rosto coberto 
com o que parecia ser lama preta. 
 X, x!. .  Abanando as mos para enxot-la dali, Simon correu
para bloquear-lhe a passagem.  A senhora no pode entrar aqui, estou 
em consulta com um cliente. Fora, fora, fora!. . 
 Preciso falar com voc. Vai levar apenas dois minutos. 
 Estou trabalhando  explicou Simon, abrindo as mos e fazendo 
voar alguns respingos de lama. 



~ 228 ~ 
 



 Dois minutos  repetiu ela, e teve que fazer um esforo extra pa-
ra segurar o riso ao ver McNab girando os olhos de forma teatral s cos-
tas de Simon. 
  Fora, fora    exigiu ele de novo, balanando uma toalha.    Mil 
desculpas   pediu a  McNab.    De  qualquer modo,  a  sua  mscara  tem
que descansar por alguns minutos para penetrar na pele. Por favor, rela-
xe e deixe sua mente flutuar. Volto j, j. . 
 Tudo bem  balbuciou McNab. 
  No,  no,  shhh..     Com um sorriso  benigno,  Simon  colocou os 
dedos de leve sobre os lbios de McNab.  No tente falar. O seu rosto 
deve relaxar por inteiro, deixe a mente fluir. Esse  o seu momento. Feche 
os olhos e visualize todas as impurezas saindo pelos poros. Vou l fora s 
um instantinho. 
Seu sorriso desapareceu no instante em que fechou a porta e olhou
para Eve. 
 Tenente, no posso aceitar a senhora vir at aqui para perturbar
os meus clientes. 
 Desculpe, mas  que um dos seus clientes foi perturbado de ver-
dade na noite passada. Ele nem vai poder mais vir at aqui para fazer o 
seu tratamento mensal. 
 Do que est falando? 
 Holloway. Brent Holloway. Ele est morto. 
 Morto? Brent?!  Simon encostou-se  parede brilhante e  colo-
cou a mo no muito limpa sobre o corao.  Mas eu o vi h poucos di-
as. Deve haver algum engano. 
 E eu o vi hoje de manh em uma gaveta do necrotrio. No h en-
gano. 
 No consigo. . respirar.  Com o manto branco esvoaando atrs 
de si, Simon saiu em disparada pelo corredor afora. Eve o encontrou em 
uma pequena sala de estar muito aconchegante, largado sobre um sof de 
seda com a cabea entre os joelhos. 
 Eu no sabia que voc e o morto eram to chegados, Simon. 



~ 229 ~ 
 



 Eu sou..  era o seu consultor pessoal de beleza. Ningum  mais
ntimo do que isso, nem mesmo marido e mulher. 
Eve tentou pensar no grau de intimidade que tinha com Trina e pre-
cisou se esforar para bloquear outro tremor. 
 Meus psames por sua perda, Simon. Quer tomar alguma coisa?. . 
gua? 
 Sim. No.  meu Deus!  Levantou a cabea e esticou a mo tr-
mula para digitar um pedido de bebida em um monitor que ficava na me-
sinha ao lado do sof. Seu rosto adquirira um doentio tom acinzentado 
em contraste com o exuberante vermelho dos cabelos.  Preciso de algo 
que me acalme os nervos. Camomila, bem gelada!  ordenou ao sistema. 
Em seguida, recostou-se no sof e fechou os olhos.  Como isso aconte-
ceu? 
 Estamos investigando. Fale-me dele, diga-me com quem andava 
se envolvendo. 
 Ele era um homem muito exigente e eu respeitava isso. Sabia exa-
tamente como queria a sua aparncia e dedicava-se muito a manter o seu
rosto e o seu corpo. .  meu Deus!   No mesmo instante em que o an-
dride entrou, ele agarrou o copo fino e alto que lhe era servido.  Des-
culpe, amada. D-me s um minutinho. 
Ele  bebeu bem devagar,  respirando  fundo  e  de  forma  compassada 
entre um gole e outro. Um pouco da cor que lhe fora drenada do rosto por
completo voltou aos poucos. 
  Brent nunca  deixava  de  comparecer a  uma  sesso  que  fosse  e 
forneceu boas referncias minhas a vrios clientes. Apreciava o meu tra-
balho. 
 Ele se relacionava em nvel pessoal com algum aqui de dentro? 
Estilistas, consultores, outros clientes? 
 No  permitido que os funcionrios se encontrem com algum 
da clientela. Quanto aos outros freqentadores, no me lembro de ele ter 
mencionado ningum. Brent gostava de mulheres e tinha uma vida sexual 
muito agitada e satisfatria. 
 Ele lhe contou isso? 

~ 230 ~ 
 



 O que  falado entre um consultor e um cliente  absolutamente 
sagrado.  Simon fungou uma vez, e ento colocou o copo vazio de lado. 
 E ele topava sair com homens tambm? 
  Ele  nunca  mencionou interesse  por relaes com pessoas do 
mesmo sexo.  Os lbios de Simon se apertaram.  No me sinto  von-
tade respondendo a essas perguntas, tenente. 
 Bem, Holloway tambm no est nem um pouco  vontade agora. 
 Esperou um segundo, viu Simon hesitar, captar o que ela dissera e, por 
fim, concordar com a cabea, afirmando: 
  A  senhora  tem razo.    claro  que  tem razo.  Peo  desculpas.   
que o choque  muito grande. 
 Algum entre os funcionrios ou funcionrias demonstrava inte-
resse por ele, romntico ou sexual? 
  No.  Pelo  menos..   Eu,  falando  honestamente,  nunca  percebi si-
nais ou vibraes desse tipo, se  que me entende. Tal comportamento  
sabidamente desencorajado aqui. Somos profissionais. 
 Certo. Quem na equipe do salo faz tatuagens do tipo free-hand? 
 Temos vrios consultores aqui que so excelentes tatuadores fre-
e-hand.  Ele soltou um suspiro longo e audvel. 
 Eu quero nomes, Simon. 
 Pergunte  Yvette na recepo. Ela poder inform-la do que pre-
cisa saber. Agora tenho que voltar ao meu cliente.  Apertou dois dedos 
sobre  os olhos.    No  posso  permitir que  meus sentimentos pessoais
interfiram com o meu trabalho. Tenente. .  Simon pousou novamente a 
mo sobre o peito, e seus olhos estavam sombrios e midos.  Brent no 
tinha famlia. O que vai acontecer com o seu..  O que acontecer com ele? 
 O governo municipal vai cuidar dele, se no houver ningum. 
 Ora, mas isso no est certo.  Apertou os lbios com fora e en-
to se levantou de repente.   Gostaria de fazer os preparativos de seu 
funeral, se isso for permitido. Seria a ltima coisa que eu faria por ele. 
 Podemos providenciar isso. Voc vai ter que ir at o necrotrio e 
assinar a papelada. 



~ 231 ~ 
 



  Vou ter que  ir ao. .    Seus lbios tremeram,  mas ele  respirou 
fundo e concordou:  Sim, eu irei. 
  Vou avis-los da sua chegada.    Por notar o quanto ele estava 
arrasado, acrescentou:  Voc no vai precisar v-lo, Simon. J fizemos a 
identificao oficial do corpo. Simplesmente preencha os formulrios e o 
corpo ser liberado para a funerria ou o local de velrio que escolher. 
  Oh,  muitssimo  obrigado,  tenente.    Sua  respirao  ficou mais 
apressada.  Meu cliente est esperando  comentou, sem animao na 
voz.    Ele  anda  descuidando  da  pele.  Felizmente    jovem,  ento  ainda 
posso  ajud-lo  bastante.    nossa  obrigao  apresentar uma  aparncia 
atraente. A beleza tranqiliza a alma. 
 Sim. V cuidar do seu cliente, Simon. Vamos manter contato. 
Eve  foi at  a  recepo  e  estava  pegando  uma  lista  de  nomes com 
Yvette quando Peabody apareceu. Parecia indignada e exibia olhos fun-
dos. Mas fez um aceno quase imperceptvel com a cabea para Eve antes
de se dirigir  recepcionista. 
  Tenho um vale emitido pela ntimo e Pessoal    anunciou Pea-
body.  Para o plano de servios Dia do Diamante. 
  Uau! Esse  o nosso melhor plano    sorriu Yvette.    Querida, 
voc parece exausta. Esse brinde  exatamente o que precisava. Vou mar-
car j, j. 
 Obrigada.  Saiu de lado, aparentemente para analisar a  vtrine 
chea de frascos colordos que garantiam beleza e vitalidade atravs do uso 
constante. Entre cochichos, fez um relatrio rpido para Eve: 
 Eles pareceram muito abalados e tentaram cobrir o sol com a pe-
neira. Tentaram me convencer de que eu interpretei mal.  Deu um riso
de deboche.  Entraram no estilo papo para apaziguar cliente, como se 
fosse uma coisa programada. Prometeram averiguar o caso de imediato, 
me ofereceram uma segunda consulta grtis e me deram o vale para o Dia 
do Diamante. Olhe aqui o folheto. O Dia do Diamante custa cinco mil paus, 
tenente, mas eu no dei mole no.  Disse que ia aceitar o presente para 
tentar me acalmar, antes de entrar em contato com o meu advogado. 



~ 232 ~ 
 



 Bom trabalho. Converse com o mximo de consultores que con-
seguir enquanto  estiver sendo  esfregada  e  embebida naquelas gosmas. 
Cite o nome de Brent Holloway. Assegure-se de conversar com pessoas
do sexo masculino tambm.  
 Fao qualquer coisa pelo trabalho, senhora. 
 Srta. Peabody...? 
Peabody se virou e sentiu o queixo despencar no cho ao dar de cara 
com um deus dourado de pele brilhante. 
 Ahn..  Pois no? 
 Sou Anton. Vou ser o seu assistente na sesso de desintoxicao 
com ervas. Gostaria de me acompanhar? 
 Oh, sim, gostaria. .  Peabody ainda conseguiu olhar de lado para 
Eve e girar os olhos na direo dela antes de Anton tom-la pela mo e 
conduzi-la com gentileza e cortesia.  
Sabendo que o momento mais interessante do dia ainda estava por 
acontecer, Eve guardou o folheto na bolsa e seguiu para o andar onde fi-
cavam as salas da ntimo e Pessoal. 
 Rudy e Piper no esto disponveis no momento.   A recepcio-
nista anunciou isto com um tom de desafio to bvio que Eve se encres-
pou toda. 
 Pois eu acho que eles vo se colocar disponveis para mim agora 
mesmo.    Colocou o  distintivo  no  balco  fazendo  estalar a  ponta  dele 
sobre o vidro.  Pode crer que sim. 
 Sei muito bem quem a senhora , tenence. O fato  que Rudy e Pi-
per realmente no esto atendendo ningum.  Se quiser uma entrevista, 
ficarei feliz em marcar uma hora para a senhora. 
 Voc j ouviu falar na expresso  obstruo da justia?  per-
guntou Eve, inclinando-se com um jeito camarada sobre o balco. 
 Estou apenas cumprindo ordens.  Seus olhos se mostraram in-
decisos. 
 Ento vamos combinar uma coisa: voc me leva aos seus patres 
neste instante ou eu reboco o seu traseiro para a Central de Polcia, onde 
voc vai ser acusada de obstruo da justia, tentativa de intimidao a 

~ 233 ~ 
 



uma policial e, para aproveitar a viagem, tambm por ser idiota. Voc tem 
dez segundos para me informar o que decidiu. 
 Desculpe.  A mulher se virou de lado, ligou o fone discreto em
sua orelha e murmurou algumas palavras. Seu rosto estava rgido quando 
voltou a olhar para Eve.  Pode entrar, tenente. 
 Viu s? No foi to difcil decidir, foi?  Colocando o distintivo no 
bolso, Eve passou pelas portas de vidro e encontrou Rudy e Piper na en-
trada do seu escritrio. 
  Foi necessrio  intimidar a  nossa  recepcionista?    quis saber 
Rudy. 
 Sim. Vocs tm alguma razo especial para me evitar? 
 Estamos muito ocupados. 
 Pois vo ficar mais ocupados ainda. Vo ter que vir comigo. 
 Ir com a senhora?  Piper colocou a mo no brao de Rudy.  
Por qu? Para onde? 
 Para a Central de Polcia. Brent Holloway foi assassinado na noite 
passada e ns temos muitas coisas para conversar. 
 Assassinado?  Piper sentiu-se tonta e teria desfalecido caso o 
brao de Rudy no tivesse se movido a tempo de ampar-la.   Deus!  
meu bom Deus! Como os outros? Foi como os outros? Rudy. . 
 Calma, no fale. .  Puxando a irm para junto de si, encarou Eve 
com firmeza.  No  necessria a nossa ida at a Central de Polcia. 
  Bem,  nesse  ponto  ns discordamos.  Vocs tm a  escolha  de  vir 
por livre e espontnea vontade ou eu posso chamar alguns guardas para 
escolt-los. 
 A senhora no tem motivos para prender nenhum de ns. 
 Vocs no esto sendo presos nem acusados de nada neste mo-
mento. Esto apenas sendo convidados para uma entrevista formal. 
 Vou entrar em contato com os nossos advogados  reagiu Rudy, 
expirando profundamente ao sentir o corpo de Piper tremer contra o de-
le. 
 Vocs podem fazer isso de l. 



~ 234 ~ 
 



* * * 

 Muito bem, vamos mant-los em salas separadas  Eve props a Fee-
ney  enquanto  observava  Piper  pelo  vidro.  Ela  estava  sentada  diante da 
mesinha muito arranhada da Sala de Interrogatrio A, balanando-se pa-
ra a frente e para trs enquanto um dos advogados sussurrava coisas em
seu ouvido.  Podamos trabalhar em dupla, mas acho que vamos conse-
guir mais coisas se  os pegarmos separadamente.  Quer ficar com ela ou
com Rudy? 
 Vou comear com ele  decidiu Feeney, apertando os lbios en-
quanto considerava o assunto.  Separados, temos mais chance de des-
norte-los antes de se acostumarem com o ritmo das perguntas.  Se um
dos dois se abalar o bastante, atacamos em dupla. 
 timo. McNab j voltou? 
 Acabou de chegar. Terminou as investigaes no salo de beleza. 
Vai entregar o relatrio antes de acabarmos o interrogatrio. 
 Avise a ele para ficar de prontido. Se houver motivos suficientes, 
talvez consigamos um mandado para xeretar no computador da firma e, 
se trabalharmos bem, quem sabe desenterramos alguma coisa. 
Se no desse certo, pensou, iria ter de pedir a Roarke que fizesse ou-
tra das suas mgicas. 
 Avise quando quiser trocar de alvo, Feeney. 
 O mesmo para voc. 
Eve abriu a porta da sala de interrogatrio e entrou. O advogado i-
mediatamente se colocou em p, estufou o peito e executou o bal espe-
rado. 
  Tenente, isto   um ultraje! Minha cliente est transtornada e  e-
mocionalmente arrasada. A senhora no tem motivos para submet-la a 
um interrogatrio neste momento. 
  Se  quiser me  impedir,  consiga uma  ordem judicial.  Gravando. . 
Entrevistadora: tenente  Eve  Dallas,  identificao  5347BQ; entrevistada: 
Piper Hoffman. Sesso inicial nesta data e hora. A entrevistada exigiu a 
presena de um representante. O advogado escolhido est presente e to-

~ 235 ~ 
 



dos os procedimentos esto sendo gravados. A srta. Hoffman j ouviu o 
texto  atualizado  sobre  os direitos  e  obrigaes para  pessoas interroga-
das. A senhorita compreendeu quais sos os seus direitos e obrigaes,
srta. Hoffman? 
Piper olhou para o advogado e esperou por sua aquiescncia. 
 Sim. 
 A senhorita conhecia Brent Holloway?  
Ela fez que sim com a cabea. 
 Que fique registrado que a entrevistada confirmou com um sinal 
afirmativo. Ele era cliente de sua empresa de prestao de servios, a n-
timo e Pessoal? 
 Sim. 
 Por meio desses servios a senhorita marcava encontros entre o 
falecido e clientes do sexo feminino? 
 Isso. . Bem, esse  o objetivo da empresa, reunir casais com inte-
resses e objetivos em comum, a fim de lhes proporcionar oportunidade 
de se encontrarem e explorar um possvel relacionamento. 
 Um relacionamento romntico e/ou sexual? 
 O tom da relao fica a critrio de cada casal ou indivduo. 
 E os clientes so investigados antes de o cadastro ser aceito, an-
tes do pagamento dos honorrios e antes da liberao de qualquer lista 
de contatos? 
 Sim, cuidadosamente investigados.  Piper pareceu ligeiramente 
mais relaxada devido ao rumo que as perguntas estavam tomando. Endi-
reitou o corpo e ajeitou os cabelos platinados com os dedos longos.  A
nossa  responsabilidade    providenciar para  que  os  clientes tenham um 
padro excepcional de atendimento. 
 Esse padro excepcional inclui a aceitao de criminosos sexuais? 
Criminosos sexuais condenados pela justia? 
  Certamente  que  no.    Ergueu  o  queixo,  levantou a  cabea  e 
manteve a boca firme. 
 Esta, ento,  a poltica da sua empresa? 
 Sim, e a seguimos com severidade. 

~ 236 ~ 
 



 Mas a senhorita abriu uma exceo no caso de Brent Holloway. 
 Eu...  Piper, que havia cruzado as mos sobre a mesa, apertou-
as com tanta fora que as juntas dos dedos ficaram brancas.  No sei 
sobre o que a senhora. .  Parou de falar e olhou aflita para o advogado. 
 Minha cliente j explicou detalhadamente qual  a poltica da em-
presa nessa rea, tenente. Por favor, prossiga. 
 Brent Holloway foi condenado por violncia sexual e acusado v-
rias vezes de  assdio  sexual,  comportamento  ofensivo  e  perverso.   
Eve falava com um tom agressivo enquanto via o sangue de Piper desapa-
recer por completo de seu rosto.    A senhorita acabou de afirmar que 
sua clientela  investigada cuidadosamente e explicou a poltica de nor-
mas da empresa nessa rea. Agora eu pergunto por que dispensou Brent
Holloway dessas normas. 
 Ns..  eu..  ns no. .  Comeou a torcer as mos de nervoso e al-
go semelhante a medo invadiu os seus olhos.    No temos registro al-
gum de informaes desse tipo contra Brent Holloway. 
 Talvez a senhorita reconhea o nome John B. Boyd.   Como os 
seus olhos estavam fixos nos de Piper, Eve notou. Viu a piscada de reco-
nhecimento e a sombra da culpa.  O sistema informatizado de sua em-
presa    considerado  o  melhor do  ramo.  A  senhorita  acabou de  afirmar 
isso.  Era  responsabilidade  sua  buscar este  tipo  de  informao  antes de 
receber um cliente. Afinal, a sua empresa  irresponsvel ou incompeten-
te, srta. Hoffman? 
 No gostei do tom dessa pergunta  protestou o advogado. 
 Sua observao foi devidamente registrada, doutor. Qual  a sua 
resposta, srta. Piper? 
 No sei o que pode ter acontecido.  Sua respirao estava ofe-
gante agora e as duas mos estavam cruzadas sobre os lindos seios.   
Simplesmente no sei. 
Sabe sim, pensou Eve. Sabe e isso a deixa apavorada. 
 Quatro clientes da sua agncia de encontros esto mortos. Qua-
tro. Cada um deles procurou a senhorita, e cada um foi aterrorizado, vio-
lentado e estrangulado. 

~ 237 ~ 
 



  uma coincidncia terrvel, realmente terrvel. Mas  apenas co-
incidncia.  Piper comeou a tremer, respirando em golfadas curtas e 
ofegantes.  Rudy me garantiu isso. 
 Mas a senhorita no acredita nessa histria.  Eve repetiu com 
suavidade enquanto se inclinava na direo dela.    A senhorita no  a-
credita nisso nem por um segundo. Eles esto mortos.  De forma ines-
perada e brutal, Eve jogou sobre a mesa quatro fotos. As imagens eram
vividas e  cruis.    Essas mortes no  parecem uma  coincidncia,  pare-
cem? 
  Deus...  meu Deus!  Ela cobriu o rosto com as mos.  No, 
no, por favor. Assim eu vou passar mal. 
 Isso no era necessrio, tenente.  Vermelho de fria, o advoga-
do pulou como uma mola. 
 Os assassinatos  que no eram necessrios.  Recolhendo as fo-
tos, Eve se levantou.   Vou dar cinco minutos  sua cliente para ela se 
recompor. Interromper a gravao!  Virou as costas e saiu. 
Enquanto observava pelo vidro do lado de fora, chamou Feeney pelo 
comunicador. 
 Ela est nas ltimas  disse a ele quando os dois se encontraram. 
  s dar uma empurradinha de leve. Seja suave, tranqilo e simptico 
como um tio boa-praa. 
 Voc sempre pega a parte do tira mau  reclamou Feeney. 
 Sou melhor nesse papel. D palmadinhas na mo dela e pergunte-
lhe  por que  eles estavam dando  dinheiro  para  Holloway.  Eu ainda  no 
toquei nesse assunto. 
 Certo. Rudy est se segurando bem. Exibiu uma atitude imperti-
nente, na minha opinio.  um idiota metido a arrogante. 
 Que bom! Estou no clima certo para chutar o traseiro de um idio-
ta.  J que estava ali, Eve atacou o saquinho de amndoas aucaradas de 
Feeney e jogou algumas na boca.  Ela alega que no sabia a respeito da 
ficha  policial  de  Holloway.  Est  mentindo,  mas isso  talvez  nos garanta 
acesso  ao  sistema  deles.  Vou tentar conseguir um mandado  de  busca  e 
apreenso antes de atacar Rudy. 

~ 238 ~ 
 



Eve levou mais alguns minutos fazendo isso e tomando mais uma x-
cara de caf antes de entrar na Sala de Interrogatrio B. 
 Ligar o gravador!  ordenou.  Tenente Eve Dallas dando con-
tinuidade  entrevista. Iniciar a marcao de data e horrio. 
Sentando-se, sorriu para Rudy e para o advogado ao seu lado. 
 Muito bem, rapazes, vamos comear. 
Eve  repetiu  com ele  a  mesma  linha  de  questionamento  que  usara 
com Piper. Em vez de empalidecer e tremer, porm, Rudy pareceu se tor-
nar mais arrogante e inacessvel. 
  Eu gostaria  de  ver a  minha  irm    disse  abruptamente,  inter-
rompendo o ritmo de Eve. 
 Sua irm est sendo interrogada. 
  Ela  delicada. Suas emoes esto sempre  flor da pele. Toda 
essa horrvel confuso vai acabar prejudicando-a. 
 Pois h quatro pessoas que acabaram muito mais prejudicadas do 
que ela, meu caro. Est preocupado com as coisas que Piper possa estar 
contando l? Acabei de conversar com ela agora h pouco.  Por instinto, 
Eve se afastou um pouco da mesa, encolhendo os ombros.  Ela realmen-
te  no  est  suportando  tudo  isso  muito  bem.  Vai se  sair melhor depois 
que voc esclarecer as coisas. 
Eve  observou o  momento  em que  as mos dele  se  transformaram 
em dois punhos cerrados e se perguntou o que Mira veria naquela poten-
cial demonstrao de violncia. 
 Vocs deviam deix-la descansar um pouco.  Ele quase cuspia 
as palavras e seus exticos olhos verdes no exibiam expresso alguma, 
como os de um gato.    Ela devia tomar um tranqilizante e fazer uma 
pausa para poder refletir um pouco. 
 Ns aqui no somos muito bons nessa histria de pausas para re-
flexo, no. E ela est com um advogado l dentro, do mesmo modo que 
voc est com o seu. Creio que vocs dois so muito chegados, j que so 
gmeos. 
 Naturalmente. 
 Holloway deu em cima dela? 

~ 239 ~ 
 



  claro que no.  A boca de Rudy se tornou um trao fino e reto 
no rosto. 
 Deu em cima de voc, talvez. 
 No.  Pegou o copo dgua com a mo firme. 
 Por que vocs estavam dando dinheiro a ele? 
A gua balanou dentro do copo quando ele o colocou de forma  a-
pressada sobre a mesa, afirmando: 
 No sei do que est falando. 
 Pagamentos regulares, dez mil de cada vez, durante os dois lti-
mos anos. O que ele sabia a respeito de voc, Rudy? 
Com olhos furiosos, ele girou o corpo na direo do advogado, ques-
tionando: 
 Eles no tm o direito de invadir registros financeiros, tm? 
 Certamente que no.  O advogado colocou os ombros para trs, 
enganchou a mo na lapela de forma pomposa e fez tilintar alguns meda-
lhes que prendera no peito, seguindo a moda.  Tenente, se a senhora 
vasculhou os dados financeiros do meu cliente sem motivos plausveis e 
sem o devido mandado. . 
 Eu disse isso?  Eve sorriu.  No preciso explicar como conse-
gui certas informaes pertinentes  a  este  caso,  e  voc  no  encontrar 
quaisquer sinais de busca feita pelo departamento de dados financeiros. 
O fato, porm,  que voc dava dinheiro a ele,  no  verdade, Rudy?   
balanou o corpo para trs, atacando com golpes curtos e rpidos.  Vo-
c deu grana todas as vezes que ele pediu, permitiu que o chantageasse e 
o colocou nas listas de contatos, mesmo sabendo que Holloway apresen-
tava desvios sexuais. Quantos clientes voc foi obrigado a aplacar, pagar
ou intimidar para colocar panos quentes sobre essa histria? 
 No sei do que a senhora est falando.  Sua mo, porm, j no 
parecia to firme agora ao pegar o copo diante de si. Sua pele branca co-
mo leite comeou a exibir pontos vermelhos devido ao sobressalto. 
Eve sabia que se ele estivesse ligado ao polgrafo de um detector de 
mentiras o grfico iria pular para fora da tela. 



~ 240 ~ 
 



 Voc sabe do que estou falando sim. E aposto que no seria muito 
difcil descobrir algumas clientes sobre as quais Holloway deu o bote em
um dos encontros romnticos que  voc  recomenda.  E  quando  eu fizer
isso vou poder acusar voc e sua irm de intimidao, fraude e cumplici-
dade  em vrios tipos de  crime  sexual.    Olhou para  o  advogado.    O
doutor aqui sabe que  possvel conseguir que pelo menos algumas des-
sas acusaes sejam aceitas pela promotoria pblica; isso vai ser o sufici-
ente para o seu negcio escorrer pelo ralo e tambm para colocar o seu 
rosto e o de Piper em todas as telas da cidade, entre os destaques do dia. 
  No  podemos ser considerados  responsveis por nada.  Minha 
irm no pode ser responsabilizada por nada do que aquele. . aquele ta-
rado aprontou. 
 Rudy. .  O advogado levantou a mo e a colocou sobre o ombro 
dele.  Gostaria de um momento a ss com o meu cliente, tenente. 
 Por mim, tudo bem. Interromper gravao! Vocs tm cinco mi-
nutos  advertiu-os, deixando-os sozinhos. 
Com os olhos grudados neles pelo lado de fora do vidro, Eve pegou o 
comunicador. 
 McNab! 
Enquanto aguardava resposta, ficou balanando o corpo para a fren-
te e para trs sobre os calcanhares, analisando a lnguagem corporal dos 
dois homens atrs do  vidro  espelhado.  Rudy  estava  com os  braos  fir-
memente cruzados e os dedos pareciam estar enterrados sobre os bceps. 
O advogado estava curvado sobre ele, falando muito depressa. 
 McNab falando. . j estou indo para a, Dallas. 
  Segure  a  onda  por mais um tempinho.  Estou aguardando  um 
mandado de busca para poder colocar voc dentro do sistema da ntimo e 
Pessoal. Fique esperando o meu sinal. 
 Posso tirar uns oito ou dez minutos para comer alguma coisa ou 
encomendar um almoo? 
 Passe por um vendedor de churrasquinhos quando vier para c. 
Quero que esteja aqui no momento em que a autorizao chegar.   Ou-



~ 241 ~ 
 



viu o suspiro que ele soltou e sorriu de leve.  Como foi o peeling facial, 
McNab? 
 Fantstico. Minha cara ficou mais macia que bunda de beb. E a-
inda consegui ver Peabody nua. Isto , quase. . Estava coberta dos ps  
cabea  com aquela  gosma  verde,  mas deu para  apreciar o  contorno  de 
tudo. 
 Pois agora tire essa imagem da cabea para poder cair dentro do 
trabalho. 
 D para fazer as duas coisas. Alis, foi uma viso e tanto. E ela fi-
cou pra l de furiosa quando percebeu que eu a vi. 
Eve fez um esforo para no rir e desligou antes que no conseguis-
se mais se segurar. 
 Fim do recreio, meu chapa  murmurou ao entrar na sala de in-
terrogatrio.  Depois de  ligar o  gravador,  sentou-se  e  levantou uma  so-
brancelha. s vezes o silncio dava melhor resultado com um suspeito do 
que martelar sem parar. 
 Meu cliente deseja fazer uma declarao  anunciou o advogado. 
 Ora, mas  para isso que estamos aqui. Ento, o que tem a dizer, 
Rudy? 
 Brent Holloway vinha extorquindo dinheiro da empresa, atravs 
de mim. Fiz o que pude para proteger minhas clientes, mas ele continuou 
a me chantagear e parte de sua exigncia era ter consultas regulares e a 
colocao do seu nome em listas de contatos. Ele era, na minha opinio, 
uma pessoa difcil e irritante, mas no perigoso para as mulheres que co-
locvamos em sua lista. 
 Essa  a sua opinio profissional? 
  Sim,  .  Aconselhamos todos os nossos clientes a  marcarem en-
contros com as pessoas da lista de  contatos em lugares pblicos. Se al-
gum concordou em ir v-lo  em um lugar privado  depois da  primeira 
conversa, foi por escolha pessoal. Todos os clientes assinam uma declara-
o afirmando isso. 
 H-h. . ento voc acha que isso tira o seu traseiro da reta, eti-
camente falando. Tenho certeza de que os tribunais vo ter uma percep-

~ 242 ~ 
 



o diferente, mas, antes de falar disso, vamos ao principal. O que ele ti-
nha contra voc? 
 No  relevante. 
 Ora, mas claro que ! 
  uma coisa relacionada com a minha vida pessoal. 
  uma coisa relacionada com homicdio, Rudy. Se no quiser falar 
comigo a esse respeito, eu vou voltar na outra sala para conversar com a 
sua irm.  Comeou a se levantar, mas Rudy estendeu a mo e agarrou-
a pelo brao. 
 Deixe-a em paz. Ela  delicada. 
 Um dos dois vai ter que me contar. A escolha  sua. 
Os dedos dele se enterraram ainda mais no brao de Eve, mas por
fim ele a soltou e tornou a se sentar. 
  Piper  e  eu temos um relacionamento  nico,  muito  especial.  So-
mos gmeos. Estamos conectados.  Os olhos dele no baixaram.  So-
mos um casal. 
 Voc e a sua irm tm um relacionamento sexual. 
 No cabe a voc julgar  reagiu.  Nem eu espero que compre-
enda  os laos que  nos unem.  Ningum consegue  entender.  E  embora  o 
que faamos juntos no seja estritamente ilegal, a sociedade no aprova. 
 Incesto no  uma palavra bonita, Rudy.  A imagem do seu pai, 
com a cara vermelha do esforo e os olhos duros e determinados surgiu
subitamente em sua mente. Sob a mesa ela fechou as mos, transforman-
do-as em punhos cerrados, e forou a imagem e a nusea que ela trazia 
para trs. 
 Somos um casal  repetiu ele.  Durante quase toda a vida nos 
recusamos a  agir  de  acordo  com o  que  sentamos em nossos coraes. 
Tentamos conhecer outras pessoas e levar vidas separadas. E nos torna-
mos profundamente infelizes. Somos obrigados a abrir mo da felicidade, 
sentindo-nos fracassados, s porque pessoas como voc dizem que isso 
errado? 
 O que eu digo ou o que eu penso no vem ao caso aqui. Como Hol-
loway descobriu? 

~ 243 ~ 
 



 Foi no Caribe. Piper e eu havamos tirado frias. Fomos cuidado-
sos. Somos discretos. Sabamos que perderamos clientes se algum des-
cobrisse. Fomos para um lugar onde pudssemos curtir algum tempo so-
zinhos,  nos sentirmos livres para  ficarmos juntos abertamente,  como 
qualquer casal. Holloway estava l. No nos conhecia, nem ns a ele. Ha-
vamos nos registrado no hotel com nomes diferentes. 
Fez uma pausa e tomou um pouco dgua. 
 Alguns meses depois ele apareceu na agncia para uma consulta 
 continuou.  Foi o destino. . Eu nem mesmo o reconheci a princpio. 
Depois da  investigao  inicial,  porm,  quando  os dados a  respeito  dele 
surgiram e ele foi recusado, ele nos lembrou de onde nos conhecera e em
que circunstncias.  
Rudy ficou olhando fixamente para a gua e trocou o copo de uma 
para a outra mo. 
 Ele foi muito claro a respeito de como ia lidar com aquilo e o que 
queria.  Piper  desmoronou,  ficou aterrorizada.  Ns acreditamos firme-
mente  nos servios que  prestamos.  Sabemos o  que  significa  encontrar
algum que  preencha  a  sua  vida e  faa  diferena.  Ns nos dedicamos a 
ajudar os outros a encontrarem o que temos. 
  A  dedicao  de  vocs rendeu uma  polpuda carteira  de  investi-
mentos. 
 Lucrar com os nossos servios no desvaloriza o trabalho que e-
xecutamos. A senhora vive com conforto, tenente  afirmou baixinho.  
Isso, por acaso, nega o valor do seu casamento? 
Nessa ele me pegou, disse Eve para si mesma, mas simplesmente le-
vantou as sobrancelhas, propondo: 
 Falemos de vocs e de como lidaram com Holloway. 
 Eu quis enfrent-lo, mas Piper no conseguiu.  Fechou os olhos. 
 Ele conseguiu se encontrar com ela a ss e a ameaou. Chegou a tentar
induzi-la a. . 
Tornou a abrir os olhos e eles estavam inundados de fria. 
  Ele a desejava    afirmou.   Gente desse tipo sempre deseja o 
que  pertence  a  outra  pessoa.  Por fim,  ns demos dinheiro  a ele e  cum-

~ 244 ~ 
 



primos as suas exigncias. Mesmo assim, quando ele a encontrava sozi-
nha, tentava toc-la. 
 Voc deve t-lo odiado por isso. 
  Sim,  verdade, eu o odiei por isso. Por todo o resto tambm,  
claro, mas acima de tudo por isso. 
 O bastante para mat-lo, Rudy? 
 Sim  assentiu com firmeza antes de o advogado conseguir im-
pedi-lo.  O bastante para mat-lo. 










































~ 245 ~ 
 








CAPTULO QUATORZE 
 







?N 
 








o temos o suficiente para acus-lo de nada. Eve sabia dis-
 
so. Droga, ela sabia, mas tinha que brigar com a promotora 
assistente mesmo assim. 
 Ele tinha os meios, a oportunidade e Deus sabe que tambm tinha 
os motivos  argumentou Eve.  Ele tinha acesso aos cosmticos usados
nas quatro vtimas  continuou sem deixar a promotora Rollins falar.  
Ele conhecia todas as vtimas. 
  Tenente,  no  temos  nem mesmo  uma  boa  prova  circunstancial 
contra ele.  Carla Rollins manteve sua posio. Tinha cerca de um me-
tro e sessenta, mesmo com os saltos plataforma que normalmente usava. 
Seus olhos eram da cor de amoras silvestres e exoticamente puxados em 
um rosto redondo. Sua pele era aveludada e lisa, seu corpo era bem pro-
porcionado e seus cabelos, muito lisos e pretos, desciam at poucos cen-
tmetros acima dos ombros magros. 
Sua fala era mansa e ela parecia uma profissional especializada em 
crianas,  mas tinha  o  corao  duro  como  uma  rocha  lunar.  Gostava  de 
ganhar. E no via possibilidade de vitria em O Estado versus Hoffman. 
 Quer que eu o pegue apenas no momento em que ele estiver com 
as mos em torno do pescoo da prxima vtima? 
  Seria bem conveniente    disse Carla Rollins, sem se abalar.   
Fora isso, s com uma confisso assinada. 
Eve andava de um lado para outro na sala do comandante Whitney. 
 
 



 No posso lhe conseguir essa confisso se o deixarmos escapar  
afirmou. 
 At agora ele s  culpado de transar com a irm  disse Rollins 
com a voz branda e doce.  E de dar dinheiro para um chantagista. Pode-
ramos tentar acus-lo de agente de prostituio ilegal ou no licenciada, 
j que sabia das preferncias de Holloway, mas seria forar um pouco a 
barra. No posso lhe dar uma acusao de assassinato, Dallas, a no ser
que surja uma prova ou confisso. 
 Ento preciso faz-lo suar mais um pouco. 
  O  advogado  dele  pediu uma  pausa,  por questes humanitrias. 
No podemos segur-lo por mais tempo hoje  acrescentou ao ver que 
Eve fez um ar de deboche.  Pode tornar a peg-lo amanh, depois das
doze horas de intervalo previstas em lei. 
 Quero colocar um bracelete nele. 
 Dallas, no h razo para ordenarmos a colocao de uma pulsei-
ra  de  rastreamento  nele  nesse  momento.    Dessa  vez  foi Carla  Rollins
que suspirou.  Ele  apenas um suspeito e nem temos algo slido. So 
permitidos a ele, perante a lei, a privacidade e o direito de ir e vir. 
 Puxa, me d alguma coisa.  Eve passou as duas mos pelos ca-
belos. Seus olhos ardiam devido  falta de sono e o seu estmago doa por 
ao da cafena. O ferimento ainda  no completamente curado latejava. 
  Quero que ele seja testado, e quero um perfil psicolgico dele. Feito 
pela dra. Mira. 
  Mas isso  tem que  ser um ato  voluntrio.    Rollins levantou a 
mo com delicadeza antes que Eve comeasse a soltar palavres.  Estava 
acostumada a ser xingada por tiras e isso no a incomodava. S que esta-
va pensando e no queria ser interrompida.  Talvez eu consiga conven-
cer o advogado dele que isso  para o bem do cliente. A cooperao dele 
nesse caso iria influenciar a promotoria a no acus-lo de agenciamento 
ilegal. 
Satisfeita com a prpria idia, Rollins se levantou e props: 
 Prepare o terreno com Mira e eu vejo o que posso fazer. Mas libe-
re-o, Dallas, em mais uma hora, no mximo. 

~ 247 ~ 
 



Whitney esperou at Carla Rollins sair para se mexer na cadeira. 
 Sente-se, tenente  convidou ele. 
 Comandante. . 
 Sente-se  repetiu, apontando o dedo para a cadeira diante de 
sua mesa.  Estou preocupado  afirmou quando ela se sentou. 
 Preciso de mais tempo para pression-lo. McNab est trabalhan-
do nos arquivos da Intimo e Pessoal. Talvez consigamos alguma coisa at 
o fim do dia. 
 Minha preocupao  com voc, tenente.  Recostou-se na cadei-
ra quando Eve franziu o cenho.  Voc est trabalhando neste caso vinte 
e quatro horas por dia h mais de uma semana. 
 E o assassino tambm. 
  pouco provvel que o assassino esteja se recuperando de gra-
ves leses recebidas no cumprimento do dever. 
 Os exames de sade que fiz revelaram que estou bem.  Eve per-
cebeu a ponta de ressentimento na prpria voz e respirou fundo para se 
acalmar. Se no conseguisse manter a calma diante de Whitney, s estaria 
dando razo a ele.  Agradeo a sua preocupao, comandante, mas ela  
desnecessria. 
 Acha mesmo?  Levantou as sobrancelhas e seus olhos argutos 
analisaram o seu rosto. Ela estava plida, abatida e  beira da exausto, 
foi a sua concluso.  Est disposta a ir at o ambulatrio para se sub-
meter a um exame fsico? 
O ressentimento voltou, fazendo seus dedos vibrarem, e ela teve de 
fazer um esforo para no fech-los com fora. 
 Isto  uma ordem, comandante Whitney? 
Ele podia dizer que sim. 
 Vou lhe dar uma escolha, Dallas. Faa um exame fsico e cumpra 
as ordens mdicas que lhe forem dadas ou tire o resto do dia de folga e s 
volte amanh s nove da manh. 
  No  considero  nenhuma  dessas opes vivel  no  momento,  se-
nhor. 
 Uma ou outra, seno eu tiro voc do caso. 

~ 248 ~ 
 



Ela quase saltou da cadeira. Ele a viu esticar o corpo, depois se ajei-
tar na cadeira e estremecer. Mas continuou sentada. Seu rosto ficou ver-
melho, mas no por muito tempo. 
  Ele  j  matou  quatro  vezes,  senhor,  e  eu sou a  pessoa  que  est 
mais perto de saber quem ele . Se o senhor me afastar do caso, vamos
perder tempo. E vamos perder vidas. 
 A escolha  sua, Dallas. V para casa  aconselhou ele com a voz 
mais calma.  Faa uma refeio decente e durma um pouco. 
 E enquanto eu fao isso, Rudy sai calmamente daqui. 
  No  posso  segur-lo  na  Central de  Polcia  e  tambm no  posso 
colocar uma pulseira de rastreamento em seu pulso. Mas isso no signifi-
ca que no possa mandar segui-lo.  Whitney sorriu ligeiramente.  Ele 
vai ser vigiado. E amanh vamos dar uma entrevista coletiva. Em um pon-
to voc tem razo, Dallas. O prefeito e o secretrio de Segurana vo levar
os piores golpes, mas pode sobrar para voc. 
 Consigo lidar com isso. 
 Eu sei. Vamos liberar o mximo de detalhes possveis para alertar 
as pessoas.  Levantando a mo, massageou a nuca.  Paz na Terra aos
homens de boa vontade.  Soltou uma risada curta.  V para casa, Dal-
las. Voc precisa estar nova em folha amanh de manh. 
Ela  seguiu a  ordem porque  as alternativas eram inaceitveis.  No 
queria ser afastada do caso e tambm no podia se arriscar a um exame 
fsico. Embora no dissesse a ningum, desconfiava que seria reprovada 
nos testes mdicos. 
Seu corpo inteiro doa a ponto de da reconhecer que ia ter de tomar
um analgsico. O pior  que no conseguia nem focar os olhos direito e 
prestar ateno na direo j a caminho de casa. Sua cabea insistia em 
flutuar para algum ponto acima dos ombros. 
Depois de quase bater em uma carrocinha de churrasquinhos na es-
quina com a avenida Madison, ligou o piloto automtico do veculo e dei-
xou o sistema lev-la em segurana atravs do trfego. 




~ 249 ~ 
 



Certo, talvez ela estivesse mesmo precisando de um cochilo e de um 
pouco de comida. Mas tirar a noite de folga no significava que ela no 
poderia trabalhar por sua conta a partir do escritrio domstico. 
Precisava de mais caf e algo slido no estmago, apenas isso. 
Sua cabea quase pendeu para a frente no momento em que o carro 
deslizou pelos portes e seguiu pela alameda em direo  casa. 
As luzes nas janelas brilhavam em contraste com o escuro da noite e 
ela abriu os olhos. Sua cabea latejava ao som de uma das canes mais
entusiasmadas do repertrio de Mavis. Seus ombros estremeceram com o 
ritmo. 
Ao  saltar do  carro,  suas pernas pareciam feitas de  borracha,  des-
conectadas do corpo. Pelo fato de se sentir fraca, ficou de mau humor no
momento em que entrou pela magnfica porta principal. 
Ali estava Summerset. 
 Seus convidados j chegaram  anunciou ele.  A senhora est 
sendo aguardada h mais de vinte minutos. 
 V lamber sabo!  foi a sugesto que deu a ele enquanto despia 
o casaco de couro e o pendurava de propsito no pilar da escada. 
 Essa sugesto no me parece atraente, senhora. Entretanto, gos-
taria de alguns segundos do seu tempo, tenente.    E se colocou diante 
dela, impedindo-a de subir as escadas. 
 A vida  curta demais para eu desperdiar alguns segundos com 
voc. Saia da minha frente ou eu vou passar atropelando. 
Ela parecia doente, reparou Summerset, e a sua ameaa no tinha o 
vigor usual. 
 O livro que a senhora solicitou para Roarke foi localizado  avi-
sou ele, com o corpo ereto, estreitando os olhos para analisar o seu rosto 
com mais cuidado. 
 Ah, ?. .  Ela colocou a mo no pilar enquanto tentava penetrar 
na nvoa que tomara conta do seu crebro.  Que bom. Est bem. 
 Devo confirmar o pedido? 
 Sim, sim. Essa  a idia. 



~ 250 ~ 
 



 A senhora precisa transferir o valor da compra e mais o frete pa-
ra a conta do livreiro. Como ele me conhece, concordou em enviar o livro 
de imediato, na confiana de que a senhora ir depositar o valor apropri-
ado nas prximas vinte e quatro horas. Enviei por e-mail  senhora todos
os detalhes da transao. 
 Certo. timo. Vou cuidar disso.  Eve foi obrigada a engolir o or-
gulho.  Obrigada.  Preparou-se para subir a escada. Olhou para cima. 
Aqueles degraus interminveis pareceram-lhe uma montanha a ser esca-
lada, mas ela no poderia pisar mais no seu orgulho pegando o elevador
diante do mordomo. 
 De nada, senhora  murmurou ele, afastando-se para o interior 
da casa, a fim de falar com o patro enquanto ela subia a escadaria. 
 Roarke  avisou Summerset.  A tenente acabou de chegar e es-
t subindo a escada.  Hesitou por um segundo, e ento suspirou.  Ela 
no me pareceu nada bem..  
Eve  pretendia tomar uma  ducha  quente,  comer  alguma  coisa  e  se 
lanar ao trabalho. Calculou que poderia pelo menos rodar um programa 
de probabilidades sobre Rudy com os dados que juntara. Se funcionasse, 
talvez fosse possvel pressionar a promotoria a colocar uma pulseira de 
rastreamento nele. 
Quando colocou o p no quarto, porm, Roarke j a esperava. 
 Chegou tarde. 
 Peguei um engarrafamento  disse desafivelando o coldre. 
 Dispa-se. 
Eia estava meio confusa, mas percebeu a sugesto. 
 Puxa, Roarke, isso  muito romntico, mas eu..  
 Dispa-se!  repetiu ele, pegando um roupo.  E vista isto. Tri-
na j est com tudo pronto ao lado da piscina coberta. 
 Ah, pelo amor de Deus.  Passou as mos pelos cabelos.  Estou 
com cara de quem est a fim de um tratamento de beleza? 
 No, est com cara de quem est a fim de um tratamento hospita-
lar.    Controlando o mau humor, jogou o roupo na direo dela.   
melhor se cuidar, seno  para onde voc vai. 

~ 251 ~ 
 



Os olhos dela se tornaram sombrios e perigosos. 
 No force a barra comigo. Voc  meu marido e no meu anjo da 
guarda. 
  de um anjo da guarda que voc precisa mesmo.  Ele a agarrou
pelo brao e, como os seus reflexos estavam lentos, conseguiu jog-la so-
bre uma cadeira.  Fique quieta a!  advertiu com um tom de voz que 
mal disfarava a fria.  Seno eu vou amarr-la. 
Ela enterrou os dedos nos braos da cadeira enquanto ele se enca-
minhava, a passos largos, at o AutoChef embutido em um nicho da sute. 
 Que bicho te mordeu?  reagiu ela. 
 Voc me mordeu! Tem olhado para o seu rosto no espelho? Voc 
j  examinou cadveres com o  rosto  mais rosado  que  o  seu.  Seus olhos 
esto to empapuados que d para algum se esconder debaixo deles. E 
est toda dolorida.  Foi perceber isso que o deixara descontrolado.  
Acha que eu no consigo enxergar isso? 
Voltou com um copo alto cheio de um lquido mbar e ordenou: 
 Beba isto. 
 Voc no vai me dar tranqilizantes. 
 Posso enfiar este troo pela sua goela abaixo se eu quiser. J fiz 
isso antes.  Ele se inclinou na direo dela at os seus rostos ficarem
bem prximos um do outro, e a fria intensa que Eve percebeu em seus
olhos a fez ter vontade de se encolher.  No vou permitir que voc aca-
be  ficando  doente,  Eve.  Beba  e  faa  udo  o que  estou mandando  ou vou
obrig-la. Ns dois sabemos que voc est esgotada demais para me im-
pedir. 
Eve  arrancou o copo  da  mo  dele, embora  achasse que  atir-lo  de 
encontro  parede iria lhe proporcionar uma imensa satisfao, reconhe-
ceu que no estaria em condies de arcar com as conseqncias. Seus
olhos soltaram fagulhas por cima da borda enquanto ela tomava tudo. 
 Pronto. Est feliz agora? 
  Mais tarde  voc  ingere  algo  slido.    Agachou-se  para  tirar as 
suas botas. 
 Ei, eu sei me despir sozinha. 

~ 252 ~ 
 



 Cale a boca, Eve. 
S de pirraa ela tentou puxar o p para trs, mas ele simplesmente 
segurou sua perna com fora e arrancou-lhe a bota. 
  Quero  s  tomar uma  ducha  e  comer alguma coisa,  e quero  que 
voc me deixe sozinha. 
Ele arrancou a outra bota e comeou a desabotoar-lhe a blusa. 
  Voc  me  ouviu?  Eu disse  que  quero  ficar sozinha.    O  fato  de 
perceber o tom petulante da prpria voz s serviu para acrescentar um
pouco de depresso  exausto. 
 Nem nesta e em nenhuma outra vida. 
 No gosto de ser paparicada. Isso me irrita. 
 Ento se prepare para ficar irritada por um bom tempo. 
 Vivo irritada desde que conheci voc.  Fechou os olhos ao dizer 
isso, mas pensou ter visto a sombra de um sorriso no rosto dele. 
Ele a despiu com rapidez e eficincia, e ento a enrolou no roupo. 
Ao sentir que os msculos dela haviam afrouxado, percebeu que o anal-
gsico que acrescentara  bebida nutritiva j estava fazendo efeito. O su-
ave tranqilizante que colocara na mistura normalmente mal conseguia 
relax-la,  mas em seu estado  atual  a  colocaria  inconsciente  em  poucos 
instantes. 
Melhor assm. 
Apesar disso, ela lhe deu uns tapas quando ele a pegou nos braos. 
 No me carregue no colo! 
 Detesto ter que ficar repetindo, mas cale a boca, Eve.  Dirigiu-se 
at o elevador e entrou com ela. 
 No quero me sentir como um beb.  Sua cabea girou uma vez, 
fazendo um longo e rtmico crculo que a fez tombar sobre um dos om-
bros.  Que diabo foi aquilo que eu tomei? 
 Tinha de tudo um pouco. Relaxe. 
 Voc sabe que eu detesto tranqilizantes. 
 Sei.  Virando a cabea para o lado, acariciou-lhe os cabelos com 
os lbios.  Amanh voc pode me dar uma esculhambao. 



~ 253 ~ 
 



 E vou mesmo. Se eu deixar voc me dominar, vai acabar se acos-
tumando. Vou s descansar por um minuto. 
  Isso mesmo!    Sentiu a cabea dela tombar para trs; o brao 
que  estava  enganchado  no  ombro  dele  escorregou e  estava  meio  solto 
quando ele entrou na rea da piscina coberta. 
Mavis surgiu de trs das folhas largas de uma palmeira que balana-
vam. 
 Nossa, Roarke, ela est ferida? 
 No, eu lhe dei um sedativo.  Moveu-se por entre as plantas lu-
xuriantes, rodeou as guas cheias de reflexos da piscina e colocou a sua 
mulher na mesa comprida e acolchoada que Trina j havia preparado. 
 Olhe, ela vai subir nas tamancas de tanta revolta quando acordar 
 avisou Mavis. 
 Imagino que sim.  Com gentileza, passou as pontas dos dedos
pelos cabelos em desalinho de Eve que se espalhavam sobre a testa.   
Agora no est to durona, no , tenente?   Debruando-se sobre ela, 
beijou-lhe os lbios com carinho.  No se preocupe com o glamour, Tri-
na. Ela precisa realmente  de uma terapia de relaxamento. 
 Deixe comigo.  Trina, vestida com um macaco colante cor da 
pele e um avental roxo. Esfregou as mos de contentamento.  J que ela 
est apagada mesmo, por que no fazemos um servio completo? Ela vive 
reclamando dos tratamentos. Pegando-a assim vai ser mais fcil. Ela vai
estar mais cordata, e bem quietinha. 
Roarke  levantou uma  sobrancelha  ao  perceber um brilho  peculiar 
nos olhos de Trina e colocou uma das mos em cima do ombro de Eve, de 
forma protetora. 
  Vamos manter as coisas bem simples.    Depois,  lembrando-se 
de  com quem estava  lidando,  pigarreou para  limpar a  garganta.  No  se 
importava  de  enfrentar a  ira  de  sua  mulher,  mas jamais por concordar
em pintarem o seu cabelo de rosa-choque, por exemplo.  Vou providen-
ciar alguns drinques para todos  ofereceu ele  e depois vou ficar aqui 
para acompanhar tudo. 



~ 254 ~ 
 



* * * 

Ela  ouviu vozes e  risos.  Tudo  muito  distante  e  meio  desconectado.  Em 
algum lugar da  sua  mente,  Eve  sabia  que  estava  apagada  por efeito  de 
alguma droga. Roarke ia pagar caro por aquilo. 
Queria que ele a abraasse de novo, simplesmente a envolvesse em
seus braos do jeito que sabia, fazendo com que tudo dentro dela se ex-
pandisse e se excitasse. 
Algum estava massageando as suas costas e os seus ombros. O ge-
mido de prazer ficou preso em sua mente e no conseguiu sair, mas foi
um gemido longo e gostoso. 
Ela sentiu o aroma de Roarke, um sopro filtrado pelo ar que ela sa-
bia que era o cheiro dele. 
Logo sentiu gua quente borbulhando ao seu redor e formando re-
demoinhos. Ela estava flutuando, sem peso nem preocupaes, como um
feto  no  tero.  Sentia-se    deriva,  de  forma  constante,  sentindo  apenas 
paz. 
Ento, um ponto de calor em seu ombro. Um choque. Algum cho-
ramingava baixinho em sua cabea. Depois ela se viu envolvida por um
lquido gelado, uma sensao de frescor em cima do calor, calmante como 
um beijo. 
E deslizou para o fundo novamente, descendo, descendo, at que en-
curvou o corpo ao alcanar o fundo macio e aconchegou-se ali, dormindo 
profundamente. 



Quando voltou  superfcie, j estava escuro. Desorientada, ficou parada, 
quietinha,  sentindo  o  ritmo  compassado  da  prpria respirao.  Estava 
com o  corpo  quente,  nua,  deitada  de  barriga  para  baixo  sob  as nuvens 
volumosas do edredom. 
Estava em casa e na cama, percebeu, sentindo que as ltimas horas 
pareciam entrar e sair de foco em suas lembranas. Tentando se lembrar



~ 255 ~ 
 



de tudo com mais clareza, virou de lado, e as suas pernas se embaraa-
ram com as de Roarke. 
 Voc j est acordada?  perguntou ele. 
 O qu?. .  A voz dele parecia alerta, uma pequena caracterstica 
sua que lhe provocava leve irritao. 
 J  quase de manh. 
Ela realmente se sentia aquecida e nua, sua pele parecia suave como 
ptalas orvalhadas, graas a Trina, e seu corpo  cheirava como pssegos
frescos. 
 Como se sente?  perguntou ele. 
Ela no tinha certeza ainda. Tudo dentro dela parecia frouxo e rela-
xado. 
 Estou bem  respondeu de forma automtica. 
 timo. Ento est pronta para a fase final do seu programa de re-
laxamento. 
A boca de Roarke tomou a dela em um sussurro suave, sua lngua j 
pronta para entrelaar-se com a dela. Sua mente, que comeava a clarear, 
tornou a ficar nublada, desta vez pelo efeito do desejo puro e saudvel. 
 Espere um instante, eu ainda no estou..  
  Deixe-me provar voc.    Sua boca desceu pelo pescoo dela  a-
baixo, mordiscando e invadndo.  Deixe-me tocar voc.  Sua mo des-
lizou at o quadril, foi mais para baixo e abriu as suas pernas.  Deixe-
me ter voc. 
Quando ele se deixou escorregar para dentro dela, a penetrao foi 
lenta e ela j estava quente e pronta para receb-lo. 
Ela no conseguia ver o rosto dele. A luz pr-amanhecer era tnue e 
embaada. Ele era uma sombra movendo-se acima, e sua fora pulsante e 
gloriosa  se  agitava  dentro  dela.  Ela  sentiu-se  tropear no  primeiro  or-
gasmo antes mesmo de conseguir encontrar o ritmo. 
Com estocadas suaves, longas e torturantes, ele inundava a ambos 
de prazer. A respirao dela se tornou mais ofegante at alcanar a dele, e 
seus quadris se elevaram e retraram at alcanar o ritmo dos dele. Ento 
as duas bocas se encontraram e engoliram os gemidos uma da outra. 

~ 256 ~ 
 



Ondas quentes e suaves de estremecimento a embalaram para em 
seguida dispers-la para cima e para baixo de cristas espumantes e sedo-
sas.  Ao  senti-lo  mais rijo  dentro  dela,  apertou-o  com mais fora,  envol-
vendo-o e dando as boas-vindas ao impulso final que os levou ao clmax 
ao mesmo tempo. 
Ele enterrou o rosto em seu cabelo e sentiu o perfume dela. 
 Voc realmente est melhor  murmurou ele com a respirao 
ofegante junto de sua pele, fazendo-a sorrir. 
E sua mente clareou de vez. 
 Droga! 
 -. .  Rindo, ele girou o corpo de lado, carregando-a junto, at 
que o corpo dela pareceu cavalgar o dele. 
 Voc acha isso muito engraado, no ?  Lanando-se para trs, 
soprou as pontas do cabelo para cima, enquanto se sentava.    Deve a-
char que  uma piada, no ? Me empurrar por a e me intimidar a tomar
tranqilizantes. 
 Eu no conseguiria empurr-la nem intimid-la se voc j no es-
tivesse mais pra l do que pra c.  Ele se sentou tambm.  Ligar lu-
zes..  Claridade a dez por cento!   Sob suas ordens o quarto se encheu
com um brilho suave.  Voc parece tima  disse depois de avaliar por 
um momento o seu rosto furioso, porm descansado.  Apesar de seus
gostos extravagantes, Trina sabe o que fica bem em voc. 
O jeito com que o queixo dela caiu e os seus olhos se esbugalharam
obrigou Roarke a fazer um esforo para no soltar uma gargalhada trove-
jante. 
 Voc a deixou fazer coisas comigo enquanto eu estava apagada? 
Seu filho-da-me sdico e traioeiro!  Ela poderia saltar em cima dele, 
mas j pulava da cama e corria em direo ao espelho. 
O alvio que sentiu ao perceber que tudo nela parecia estar normal, 
mais ou menos do jeito que ela se via todo dia, no foi o bastante para 
diminuir a sua fria. 
 Devia colocar vocs dois em uma cela s por isso. 



~ 257 ~ 
 



 Mavis tambm tomou parte na histria  informou ele com ale-
gria. H muitos dias Eve no se mostrava to leve e gil. E estava sem o-
lheiras.  Ah, e Summerset tambm participou..  
Diante do choque disso ela no teve outra escolha seno sentar. Pa-
receu cambalear de  volta  para  a  cama  e  quase  despencou na  ponta  do 
colcho. 
 Summerset..   foi o grasnar horrorizado que lanou. 
  Ele trabalhou no  seu ombro, depois que eu a examinei e lhe fiz 
um breve relato da situao. Seus msculos estavam inflamados. Por que 
diabos voc no toma as medidas normais para lidar com a dor e o des-
conforto? 
 Summerset..   era tudo o que ela conseguia balbuciar. 
  Ele  tem formao  mdica,  como  sabe.  Simplesmente  tratou do 
seu ombro. Como  que ele est? 
Sem dor pela primeira vez em muitos dias. Talvez seu corpo todo es-
tivesse se sentindo maravilhosamente energizado e fresco. Isso, porm, 
no tornava os mtodos de Roarke aceitveis. 
Levantou-se da cama, agarrou o roupo que estava pousado sobre 
uma cadeira e o vestiu. 
 Vou dar um chute na sua bunda. 
 timo.  Levantou-se, satisfeito, e pegou um roupo para ele.  
Vai ser uma luta mais justa que a de ontem  noite. Quer me pegar aqui e 
agora ou devemos ir para o salo de ginstica? 
Antes de Roarke conseguir completar a frase ela se lanou em um 
vo baixo em sua direo. Ele tentou girar o corpo, mas no conseguiu e 
acabou esparramado  de  costas  na  cama,  tendo  a  sua  mulher por cima 
com um dos joelhos plantados com firmeza e de forma preocupante entre 
as suas pernas. 
 Ora, vejo que voltou  sua boa forma, tenente. 
 Tem razo. E agora eu devia pegar as suas bolas e prend-las ca-
da uma atrs de uma orelha.  
 Bem, pelo menos tivemos a chance de utiliz-las uma ltima vez. 
 Sorriu ele, arriscando-se a um grave dano. De repente esticou o brao 

~ 258 ~ 
 



e apertou-lhe a bochecha com fora. Isso a distraiu o suficiente para ele 
armar um contragolpe, pular para cima dela e sujeit-la sob ele.  Agora 
escute bem!. .  O sorriso desaparecera.  O que for preciso  o que eu 
vou fazer. Quando for preciso,  o momento em que o farei. Voc no  
obrigada a gostar, mas vai ter que aceitar. 
Afastando-se, ficou de p apoiado nos calcanhares e ajeitou o roupo 
enquanto a via estreitar os olhos com determinao. Por fim, soltou um 
suspiro e enfiou as mos nos bolsos, dizendo: 
 Maldio! Eu amo voc! 
Ela se preparara para pular. Aquelas palavras, porm, ditas com i-
guais parcelas de frustrao e cansao, flecharam-lhe o corao. Ali esta-
va ele em p, diante dela, com os cabelos revoltos pela ao do sono, do 
sexo e da luta, os olhos profundamente azuis cheios de irritao e amor. 
Tudo dentro dela mudou e se acomodou em um padro ao qual ela 
parecia estar fadada. 
 Eu sei. Desculpe. Voc estava com a razo.  Passou as mos pe-
los cabelos, to distrada que no notou o ar de surpresa nos olhos dele. 
 Eu no gosto dos seus mtodos, mas voc estava com a  razo. Andei
forando demais a barra sem estar me sentindo cem por cento. Voc vivia 
me dizendo para eu descansar e recarregar as baterias h vrios dias, e 
eu no queria ouvir. 
 Por qu? 
  Porque  estava  apavorada,  Roarke.    Era  duro  admitir aquilo, 
mesmo para um homem a quem podia contar todos os segredos. 
 Apavorada?  Ele correu at junto dela, sentou-se ao seu lado e 
pegou a sua mo.  Apavorada com o qu? 
 Com a possibilidade de no conseguir voltar  antiga forma, pelo 
menos no de todo. Achei que talvez no fosse mais me sentir bem o bas-
tante, ou com os sentidos aguados o suficiente para voltar ao trabalho 
com fora total. E se eu no conseguisse fazer isso. .  Apertou os olhos. 
 Eu preciso ser uma tira, uma boa tira. Tenho que me sentir capaz de 
fazer o meu trabalho, seno eu me sinto perdida. 
 Voc poderia ter conversado comigo a respeito disso. 

~ 259 ~ 
 



  Eu no  queria  falar nem comigo  mesma  sobre  esse  assunto.   
Passou os dedos sobre os olhos, irritada ao sentir lgrimas que teimavam
em brotar.  Desde que voltei  ao, vinha fazendo s trabalhos buro-
crticos, lidando com um monte de papelada e marcando datas de audi-
ncias no tribunal. Este  o meu primeiro caso de homicdio desde que 
voltei da licena mdica. Se no conseguir lidar bem com ele. . 
 Mas voc vem lidando muito bem com o caso. 
 Whitney me ordenou que viesse para casa ontem  noite. Ou eu
obedecia, ou ele me tirava do caso. Depois cheguei aqui e voc ameaou
me enfiar drogas goela abaixo. 
 Bem..   Roarke deu um aperto de solidariedade em sua mo.  
Talvez o momento tenha sido mal escolhido. No entanto eu creio que, nos
dois casos, foi uma questo de querer que voc descansasse e no uma 
crtica  sua capacidade profissional. 
Ele pegou o queixo dela com a mo e passou o polegar pela covinha. 
 Eve  continuou ele , h momentos em que voc parece no 
ter conscincia de si mesma, e isso  assombroso. Voc mergulha de ca-
bea em todos os casos que investiga. A nica diferena deste  que voc 
estava debilitada desde o incio. Mas  a mesma policial que eu conheci
no ltimo inverno. De vez em quando essa  uma constatao que me as-
susta. 
 Sim, espero que sim.  Ela estudou as mos de ambos, unidas.  
A verdade, porm,  que eu no sou a mesma pessoa que era no ltimo 
inverno.  Mantendo os dedos entrelaados aos dele, levantou a cabea e 
encarou fixamente os seus olhos.    No quero ser mais aquela pessoa. 
Gosto de quem sou agora. Gosto de quem ns dois somos agora. 
 timo.  Ele se inclinou e a beijou.  Porque estamos grudados 
um no outro. 
Ela passou as mos pelos cabelos dele para aprofundar o beijo. 
 At que foi um acordo muito bom para ambos. Mas..   acrescen-
tou ela, mordendo o lbio inferior dele com tanta fora que o fez gritar de 
surpresa e dor.  Se alguma vez voc tornar a deixar Summerset colocar
as mos em mim quando eu estiver dormindo. .  Levantou-se e respirou 

~ 260 ~ 
 



fundo at se sentir convincente.  Vou passar mquina zero no seu cabe-
lo  e  deixar voc  completamente  careca.   Subitamente,  completou:  
Estou morrendo de fome. Vamos tomar caf? 
Ele a avaliou por um momento, e ento passou a mo nos cabelos, 
preocupado. Ainda bem que ele tinha um sono muito leve. 















































~ 261 ~ 
 


















M 
 








CAPTULO QUINZE 








unida com os resultados do programa de probabilidades que 
 
rodara para analisar Rudy, Eve andava de um lado para outro 
na recepo da sala da dra. Mira. 
Precisava que Mira lhe fizesse um perfil completo do suspeito, pois 
isso pesaria a favor de Eve quando ela requisitasse a sua volta  sala de 
interrogatrio e, se possvel,  sua priso. 
O  tempo  estava  passando.  Com ou sem vigilncia,  sabia  que  ele  ia 
atacar a vtima nmero 5 naquela noite. 
 Ela sabe que estou aqui?  perguntou Eve  assistente de Mira. 
Acostumada  impacincia dos policiais, a jovem nem se deu ao tra-
balho de levantar a cabea ao responder: 
  Ela  est  em sesso  com uma  paciente.  Vai receb-la o  mais de-
pressa possvel. 
Sentindo-se renovada e energizada, Eve foi at o outro lado da re-
cepo e ficou olhando para uma aquarela que representava uma cidade 
costeira. Voltou ao centro da saleta e olhou para o mini-AutoChef. Sabia 
que no estaria abastecido com caf. Mira preferia que seus clientes e a-
migos bebessem apenas bebidas relaxantes e chs. 
No instante em que a porta  se abriu, Eve girou o corpo e avanou 
rapidamente. 
 Dra. Mira. .  comeou, mas parou na mesma hora ao ver Nadine 
Furst. 
 
 



A reprter enrubesceu, mas logo endireitou os ombros e encarou o 
olhar visivelmente irritado de Eve. 
 Se voc comear a perturbar a psicloga da polcia em busca de 
um perfil do assassino ou de dados para as suas reportagens, Nadine, vai
acabar sem informante algum em toda a polcia, e ainda vai ser processa-
da, minha cara. 
 Estou aqui por assuntos pessoais  disse Nadine com firmeza. 
 Guarde esse papo furado para seus telespectadores. 
 J disse que estou aqui por motivos pessoais.  Nadine levantou 
a mo antes que Mira tivesse chance de intervir.   A dra. Mira tem me 
atendido  profissionalmente  desde  o. .  incidente da  ltima  primavera.?
Voc me salvou a vida, Dallas, mas foi ela quem manteve a minha sanida-
de. De vez em quando ainda preciso de uma fora, apenas isso. Agora, se 
quiser sair da minha frente, por favor..  
 Desculpe.  Eve no sabia ao certo se estava mais surpresa ou 
envergonhada, mas nenhuma das sensaes lhe caiu muito bem.    Fui
grossa com voc. Sei muito bem o que  andar pela vida carregando ms 
recordaes. Sinto muito, Nadine. 
  Tudo bem.    A reprter ergueu um dos ombros e saiu rapida-
mente. O som dos saltos altos de seus sapatos batendo no piso de lajotas
continuou ecoando ao longe. 
 Entre, por favor  convidou Mira com o rosto sem expresso en-
quanto dava um passo atrs para Eve entrar e fechava a porta em segui-
da, com cuidado. 
 J sei. Explodi com ela e no devia ter feito isso.  Eve enfiou as
mos nos bolsos para no se encolher do ar de desaprovao que Mira 
conseguiu transmitir com o olhar reservado.   que ela anda me ataza-
nando por causa desse caso, e estou com uma entrevista coletiva marcada 
para daqui a duas horas. Achei que ela estava querendo pegar um atalho. 
 Voc tem dificuldade para confiar nas pessoas mesmo depois de 
provas de confiana lhe terem sido oferecidas  disse Mira, quase como 
um comentrio, enquanto alisava a saia.  Por outro lado, foi bem rpida 

* Ver Glria Mortal. (N.T.) 
~ 263 ~ 
 



e apresentou um pedido de desculpas sincero. Como sempre, Eve, voc  
um mar de contradies. 
 Eu no vim aqui para discutir assuntos pessoais.  O tom de Eve 
foi direto e desdenhoso, mas ela se viu olhando para a porta que se fecha-
ra com olhos preocupados.  Ela est bem? 
 Nadine  uma mulher forte e determinada. . traos que voc deve 
reconhecer. No posso discutir esse assunto com voc, Eve.  confidenci-
al. 
 Sim.  Ela expirou com fora.  Nadine ficou pau da vida comi-
go. Vou lhe oferecer uma entrevista exclusiva para limpar a minha barra. 
  Ela  valoriza  a  sua  amizade  em si,  e  no  apenas  as informaes 
que voc lhe passa. No vai se sentar? Pode deixar que no pretendo cen-
surar voc. 
Eve fez uma careta desconcertada, mas logo pigarreou e entregou  
psicloga o arquivo que trazia. 
 Rodei o programa estatstico com o nome de Rudy. Utilizando os 
dados atuais, ele alcanou 86,6% de probabilidade de culpa. Isso  o bas-
tante para perturb-lo novamente, mas s posso apertar mais o lao de-
pois que a senhora realizar os testes psicolgicos, doutora. A promotora 
Rollins disse que o advogado de Rudy insistiu nesse ponto. 
 Sim, j marquei um horrio hoje  tarde para ele, j que voc re-
gistrou o assunto como Prioridade Um. 
 Preciso conhecer a cabea dele e o seu potencial para atos violen-
tos, a fim de deix-lo fora de circulao o tempo suficienre para conseguir
provas. No creio que ele v desmoronar nem entrar em acordo comigo. 
Se a irm souber de alguma coisa, posso arrancar dela. Piper vai acabar 
cedendo. 
 Eu lhe entrego o que conseguir o mais rpido que puder. Entendo 
a presso que voc e a sua equipe esto sofrendo. Apesar disso  acres-
centou, inclinando a cabea , voc me parece bem. Est mais descansa-
da. Na ltima vez em que a vi fiquei um pouco preocupada. Continuo a-
chando que voc voltou com fora total para o trabalho mais cedo do que 
devia. 

~ 264 ~ 
 



 A senhora e todo mundo.  Eve encolheu os ombros.  Eu me 
sinto bem. Muito melhor, para falar a verdade. Fui submetida a uma tera-
pia de relaxamento de alto nvel ontem  noite, e depois dormi por dez 
horas seguidas. 
  Srio?    Os lbios de  Mira  formaram um sorriso.    Como  foi 
que Roarke conseguiu essa faanha? 
 Ele me drogou.  Diante da gargalhada inesperada que Mira sol-
tou, Eve fez cara de poucos amigos.  Estou vendo que a senhora tam-
bm est do lado dele. 
 Ora, certamente. Vocs combinam um com o outro de forma ma-
ravilhosa,  Eve.    um prazer observar o  que  cresce  cada  vez  mais entre 
vocs dois. Mal posso esperar para v-los juntos hoje  noite. 
  A festa, claro.    Fantstico, pensou, demonstrando irritao ao 
ver que Mira tornava a rir.  Consiga-me esse perfil e talvez eu entre em 
clima de festa. 



Mas Eve no estava com o astral muito alto quando entrou em sua sala e 
encontrou McNab remexendo em suas gavetas. 
 No guardo mais os meus chocolates na gaveta no, espertinho. 
Ele se empertigou to rpido que bateu com o quadril na gaveta e a 
fechou com os dedos l dentro. Seu grito de dor serviu para  melhorar o 
humor de Eve. 
 Puxa, Dallas!  Formando um bico de insatisfao, soprou os de-
dos que latejavam.  Voc quase me matou de susto! 
  Eu devia era lhe dar uns tapas. Roubar a barra de chocolate de 
uma oficial superior  uma ofensa grave, McNab. Eu necessito de minha 
dose diria de doces. 
 Certo, certo.  Tentando se mostrar arrependido, ele abriu um
sorriso e puxou a cadeira para ela.  Est com tima aparncia esta ma-
nh, Dallas. 




~ 265 ~ 
 



  Deixe  de  ser puxa-saco,  McNab.  Isso    pattico!    Jogou-se  na 
cadeira e esticou as pernas, o que fez com que as botas batessem na pa-
rede.  Se quiser marcar pontos comigo,  melhor me dar boas notcias. 
 Verifiquei os dados financeiros e achei oito fichas de reclamao 
contra Holloway escondidas no arquivo F. 
 Arquivo F? 
 Sim, o popular arquivo Fodeu!  explicou ele, com um sorriso 
rpido.      onde  as pessoas enfiam os pepinos do  trabalho  e  outras 
merdas nas quais ningum tem a  inteno  de  mexer.  Eles ofereceram 
presentes extras a oito mulheres, como fizeram com Peabody. Tratamen-
tos completos no salo, listas de contatos grtis e vales-presente nas lojas
do prdio. 
 Quem autorizou? 
 Os dois, dependendo do caso. Piper sabia o que andava rolando, 
pode ter certeza. Encontrei as iniciais dela em trs das reclamaes. 
 Muito bem, isso a coloca dentro do lance, mas no nos serve de 
nada. Posso usar essa informao apenas para pression-la um pouco. 
  Tem outra  coisa  bem interessante    disse  ele,  sentando-se  na 
ponta da mesa. 
  interessante o bastante para me impedir de chutar a sua bunda 
para fora da minha mesa?  perguntou Eve com um olhar ameaador. 
 Bem, vamos ver. Encontrei um memorando a respeito de Donnie 
Ray com data de seis meses atrs e atualizao no dia 1 de dezembro. 
 Que tipo de memorando?  quis saber Eve, com uma fisgada de 
empolgao. 
  De Rudy para a equipe  de consultores. Donnie Ray no deveria 
ter contato com Piper. Rudy avisava que ia realizar todas as suas consul-
tas pessoalmente  ou ento  supervision-las.  A  atualizao  era  uma  pe-
quena bronca, repetindo a ordem da primeira e repreendendo um bun-
do que no a cumprira. 
 Isso  muito interessante. Quer dizer que ele no queria Donnie 
Ray  circulando  perto  de  Piper?  D  para  aproveitar essa  informao.  A-
chou algo mais relacionado com as outras duas vtimas? 

~ 266 ~ 
 



 No pintou nada. 
  Registros mdicos?  Tratamentos  fsicos ou mentais?    insistiu
ela, tamborilando na mesa com os dedos. 
 Os dois foram castrados.  McNab se encolheu todo s de pensar 
na lngua fria do laser circulando pelos seus rgos genitais.  Optaram 
por sair do  mercado  de  auto-reproduo  aproximadamente  cinco  anos 
atrs. 
 Isso faz sentido. 
 Piper faz terapia todas as semanas na clnica Equilbrio Interior 
desde que abriram a firma. No ano passado ela passou um ms em um 
dos retiros da clnica, localizado no satlite Optima II. Ouvi dizer que eles
formam colnias,  dormem em tubos de  relaxamento  e  comem apenas 
macarro feito com trigo integral. 
 Um programo! Descobriu algo mais a respeito dele? 
 Nada. 
 Bem, ele vai fazer terapia hoje  tarde. Bom trabalho, McNab.   
Olhou para Peabody, que vinha entrando.    Chegou em boa hora, Pea-
body. Vocs dois tratem de pesquisar aquela ltima jia. Quero saber on-
de foi que ele comprou o pingente com os quatro pssaros. Ele se mos-
trou meio descuidado no local do crime, talvez tenha pisado na bola com
a jia tambm. 
  Mas,  senhora. .    comeou Peabody,  tentando  no  olhar para 
McNab. 
  Vou pressionar Piper  e  no  posso  lev-la comigo.  Se  sarem do 
prdio, saiam em dupla.   Levantou-se.  Se ele ainda no escolheu a 
vtima nmero 5, deve estar fazendo isso agora. Quero vocs dois debaixo 
da minha vista. 
 Pode relaxar, Peabody  zombou McNab.  Sou um profissional. 
 Isso, pode pegar no meu p, seu man... 
Bem que Eve tentou segurar o riso ao ouvir Peabody usar a sua res-
posta-padro para quem a incomodava, mas no conseguiu ao ouvir Mc-
Nab responder, alegremente: 
 Pegar no seu p? Qual dos dois? 

~ 267 ~ 
 





* * * 

Eve calculou bem o tempo. Se o advogado de Rudy tinha algo no crebro, 
devia estar trancado com o cliente em alguma sala, ensaiando as respos-
tas para o teste psicolgico ao qual ele ia se submeter. Eve tinha, pelos 
seus clculos, uma hora para sacudir Piper, antes de voltar para a central 
e enfrentar a entrevista coletiva. 
Dessa vez a recepcionista no se deu ao trabalho de dificultar a sua 
entrada e, simplesmente, a fez passar. 
 Tenente. .  Plida e com olhos fundos, Piper se colocou  porta 
da sala para receber Eve.  Meu advogado me informou que eu no te-
nho obrigao nenhuma de conversar com a senhora, e inclusive me  a-
conselhou a  no  faz-lo,  a  no  ser em caso  de  interrogatrio  formal,  e 
mesmo assim com orientao e acompanhamento jurdico no local. 
 A coisa pode rolar desse jeito se preferir, Piper. Podemos ir para 
a central agora mesmo ou podemos ficar aqui, confortavelmente instala-
das, enquanto voc me conta por que Rudy no queria que voc tivesse 
contato com Donnie Ray Michael. 
 Aquilo no foi nada.  Um ar de agonia fez a sua voz estremecer 
e ela cruzou as mos.   No teve significado algum, em absoluto. A se-
nhora no pode imaginar que haja algo de errado neste fato isolado. 
 Certo. Ento, por que no me explica essa histria direitinho para 
podermos tir-la do caminho? 
Sem esperar por um convite,  Eve  entrou na  sala  e  se  instalou em
uma poltrona. Ficou ali aguardando, sem dizer nada, esperando o bvio 
conflito interno que se instalou em Piper se dissolver de todo. 
  que Donnie Ray tinha uma paixonite por mim. Apenas isso. No 
foi nada. Era algo inofensivo. 
 Ento, qual o motivo dos memorandos para a equipe? 
 Uma simples precauo. Para evitar algo. . desagradvel. 
  comum acontecerem coisas desagradveis por aqui? 



~ 268 ~ 
 



 No!  Piper fechou a porta e correu para junto de Eve. Surgiram 
pontos rosados em seu rosto, provocados pela agitao. O cabelo quase 
prateado  estava  preso  na  nuca,  acrescentando  ao  rosto  sem moldura  o 
contraste entre a sofisticao e a fragilidade.  No, definitivamente. Ns 
nos dedicamos a ajudar as pessoas a encontrarem satisfao no compa-
nheirismo, a descobrirem o romance e muitas vezes o casamento. Tenen-
te. .  Sentou-se, juntou as palmas das mos como em orao e cruzou os
dedos em seguida , eu poderia lhe mostrar dezenas de declaraes de 
agradecimento feitas por clientes satisfeitos. Pessoas que ns ajudamos a 
encontrar umas s outras. Amor, o amor verdadeiro, importa muito para 
ns. 
  E  voc  acredita no  amor verdadeiro,  Piper?    Eve  manteve  os
olhos no mesmo nvel que os dela. 
 Sim, de forma absoluta e completa. 
 E o que voc seria capaz de fazer pelo seu amor verdadeiro, a fim
de mant-lo? 
 O que fosse necessrio fazer. 
 Fale-me de Donnie Ray. 
 Ele me convidou algumas vezes para sair. Queria que eu fosse v-
lo tocar sax.  Suspirou e ento pareceu se derreter sobre uma cadeira. 
 Era apenas um rapazinho, tenente. No era. . no era como Holloway. 
Rudy achou, porm, e acertadamente, que a fim de cumprirmos a nossa 
obrigao com ele, como cliente, seria melhor se o contato comigo fosse 
cortado. 
 E voc tinha algum interesse em ir ouvir Donnie Ray tocar sax? 
 Talvez sim, se a coisa parasse por a.   Um sorriso se insinuou
no  canto  da  boca.    Mas estava  claro  que  ele  tinha  esperana  de  algo 
mais e eu no quis ferir os seus sentimentos. No suporto ver um corao 
despedaado. 
  E quanto ao seu? Como fica o seu corao quanto ao relaciona-
mento que tem com o seu irmo? 
  No  posso. .  e  no  vou discutir esse  assunto  com a  senhora.   
Endireitou o corpo novamente e cruzou as mos. 

~ 269 ~ 
 



 Quem tomou a deciso para que voc se submetesse a um proce-
dimento de esterilizao, Piper? 
 A senhora est indo longe demais. 
 Estou? Voc tem apenas vinte e oito anos..   Eve forou a barra 
ao ver os lbios de Piper comearem a tremer.  Eliminou a possibilida-
de de ter filhos porque no poderia se arriscar a conceber uma criana do 
seu prprio irmo. Faz terapia h anos. Foi negada a voc a oportunidade 
de tentar um relacionamento com outro homem. Vocs escondem de to-
dos a sua relao conjugal e pagaram a um chantagista para que isso con-
tinuasse oculto porque sabem que o incesto  um segredo sombrio e ver-
gonhoso. 
 Voc jamais conseguiria entender. 
 Ora, mas eu consigo entender sim.  A diferena  que ela fora 
obrigada, lembrou Eve a si mesma. E era apenas uma criana. No teve 
escolha.  Conheo bem o que voc est passando. 
 Eu o amo! Seja errado, vergonhoso ou desprezvel, isso no muda 
as coisas. Ele  a minha vida. 
  Ento  do  que  tem medo?    Eve  se  inclinou ligeiramente  para 
frente.  Por que voc tem tanto medo que est disposta a acobert-lo 
mesmo se perguntando, no fundo, se ele  um assassino? Qualquer coisa  
vlida pelo verdadeiro amor? Voc permitiu que Holloway atacasse suas
clientes, e isso a torna to baixa quanto a cafetina de uma prostituta no 
autorizada. 
 No. Fizemos o possvel para que Holloway se encontrasse com
mulheres que tinham as mesmas afinidades dele. 
 E quando elas no conseguiram e reclamaram voc pagou o seu 
silncio com brindes e vales  completou Eve.  Essa idia foi sua ou de 
Rudy? 
 Foi um assunto de negcios. Rudy entende de negcios melhor do 
que eu. 
  assim que voc v isso? Ou nenhum de vocs estava mais acei-
tando essa histria? Rudy estava com voc na noite em que Donnie Ray 



~ 270 ~ 
 



foi morto? Voc consegue olhar para mim e jurar que ele esteve em sua 
companhia a noite inteira? 
 Rudy no conseguiria matar ningum. Simplesmente no conse-
guiria. 
 E voc est to certa disso a ponto de se arriscar a outra morte? 
Se no acontecer hoje, talvez amanh? 
 Quem quer que esteja assassinando essas pessoas  louco. . br-
baro,  cruel.  Se  eu achasse  que  poderia  ser Rudy,  no  conseguiria  mais
viver. Somos parte um do outro, e o mal estaria em mim, do mesmo modo 
que nele. Eu no poderia mais viver.   Cobriu o rosto com as mos.  
No  agento  mais isto.  No  quero  mais conversar.  Se  a  senhora  acusa 
Rudy, tambm me acusa, tenente, e eu no vou mais conversar com a se-
nhora. 
Eve se levantou, mas ficou parada ao lado da poltrona por um ins-
tante. 
 Voc no  a metade de uma laranja, Piper, no importa o que ele 
tenha dito. Se quiser uma sada, conheo algum que pode ajud-la. 
Embora achasse que aquilo no serviria de nada, Eve pegou um dos 
seus cartes, anotou o nome e o telefone da dra. Mira atrs, colocou-o so-
bre o brao da poltrona e foi embora. 



Suas emoes estavam a mil por hora quando chegou ao carro. Parou um
momento para se acalmar e olhou para o relgio. No tinha muito tempo, 
mas era o suficiente.  
Pegou o tele-link pessoal no bolso, em vez de usar o do veculo, e li-
gou para Nadine. 
 O que quer de mim, Dallas? Estou no maior sufoco aqui. A entre-
vista coletiva  daqui a uma hora. 
 Encontre-me na boate Baixaria e leve a sua equipe de gravao. 
Quinze minutos. 
 Eu no posso. . 
 Pode sim!  Eve desligou e rumou para o centro. 

~ 271 ~ 
 



Escolhera a boate Baixaria em parte por motivos sentimentais e em 
parte porque seria um local discreto para um encontro  tarde em um dia
no meio de semana. Alm do mais, o dono do lugar era seu amigo e pro-
videnciaria para que elas no fossem incomodadas. 
 Ora, o que est fazendo por aqui, branquela?  Crack, com seus 
quase dois metros de altura, sorriu para ela. Seu rosto era negro e amig-
vel  e  a  cabea  fora  recentemente  raspada  e  coberta  de  leo  at  brilhar
como um espelho. Envergava uma roupa de couro enfeitada com penas 
de pavo e to apertada que Eve refletiu que o seu saco devia estar esma-
gado. Completando a roupa, usava botas da cor cereja que iam at a cane-
la. 
 Tenho uma reunio  informou-lhe Eve, dando uma boa olhada 
em torno do salo. O lugar estava praticamente vazio, a no ser pelas seis
danarinas que se contorciam de forma montona sobre o palco e meia 
dzia de gatos pingados que, sendo quem eram, perceberam que Eve era 
tira em menos tempo do que levavam para bater a carteira de um turista 
em Times Square. 
Eve imaginou que muitos gramas de diversas substncias ilegais es-
tariam sendo lanados, dali a poucos minutos, no sistema de esgotos da 
cidade de Nova York. 
 Voc vai trazer outros tiras para a minha boate, vai?   pergun-
tou Crack, olhando para os dois traficantes magricelas que correram dire-
to para o baneiro.  Assim, aqueles caras vo ter prejuzo. 
 No vim aqui para dar uma batida. So alguns amigos jornalistas 
que esto vindo a. Voc tem uma cabine privativa que possamos usar? 
 Nadine vem a? Gosto muito dela. Use a cabine 3, favinho de mel. 
Pode deixar que eu fico de olho aqui fora. 
 Obrigada.  Olhou por cima do ombro ao ver que a porta se  a-
briu, deixando entrar o sol, Nadine e um operador de cmera.  No va-
mos levar muito tempo. 
Eve apontou na direo da cabine e caminhou para l a passos lar-
gos, sem esperar por Nadine. 



~ 272 ~ 
 



 Voc freqenta lugares to interessantes, Eve.  Torcendo o na-
riz, Nadine olhou com ateno para as paredes manchadas e a cama de-
sarrumada, por sinal a nica pea de moblia que cabia no exguo espao. 
 Pelo que eu me lembro, voc gostou muito daqui..  tanto que ficou 
s de calcinha e suti e subiu para danar no palco. 
  Eu  devia estar mentalmente incapacitada naquele dia?    repli-
cou Nadine, tentando manter a dignidade ao perceber que o seu operador
de cmera soltou uma risadinha.  Cale a boca, Mike. 
 Voc tem cinco minutos  informou Eve, sentando-se na beira da 
cama.  Pode escolher entre me encher de perguntas ou gravar uma de-
clarao minha. No vou lhe adiantar mais do que ser divulgado na cole-
tiva para a imprensa, mas voc vai saber das coisas uns bons vinte minu-
tos antes de  qualquer outro  reprter.  Vou lhe  dar tambm  sinal  verde 
para usar os dados sobre os quais j conversamos. 
 Por qu? 
 Ora, porque sim  disse Eve baixinho.  Somos amigas. 
  Saia  um minutinho,  por favor,  Mike.   Nadine  esperou at  ele 
parar de reclamar e fechar a porta atrs de si.  No preciso de favores 
s por voc estar com pena de mim. 
 No se trata de pena. Voc manteve o acordo e segurou as infor-
maes at  eu liber-las.  Estou fazendo  a  minha  parte.    uma  questo 
profissional. Confio em voc para relatar a verdade. Isso tambm  uma 
questo profissional. Gosto de voc, mesmo quando  irritante, o que  a-
contece de vez em quando. Isso  pessoal. E agora, vai querer a entrevista 
ou no? 
  Sim, vou querer.    Nadine abriu um sorriso largo.    Tambm 
gosto de voc, Dallas, mesmo voc sendo irritante o tempo todo. 
 Agora me faa um resumo do que descobriu sobre Rudy e Piper. 
 So absolutamente charmosos. Sabem declamar as maravilhas da 
empresa como ningum. Em todos os botes que eu apertei eles reagiram
de forma perfeita. Foram bem programados. 
 Quem est  frente de tudo? 

* Ver Eternidade Mortal. (N.T.) 
~ 273 ~ 
 



 Ora,  ele, sem dvida. Eu o achei um pouco superprotetor com
relao  irm, se quer saber. E  meio arrepiante o jeito como os dois se 
vestem absolutamente iguais, at na cor da pintura labial. Deve ter algu-
ma coisa a ver com serem gmeos. 
 Voc conversou com algum da equipe? 
  Claro,  escolhi alguns deles,  aleatoriamente.  Tudo  funciona  com 
perfeio ali. 
 Fofocas a respeito dos donos da empresa? 
 Nada a no ser elogios. No consegui arrancar uma alfinetada se-
quer de  ningum.    Levantou uma  sobrancelha.    Era  isso  que  voc 
queria ouvir? 
 Estou  procura de um assassino  respondeu Eve, sem expres-
so.  Vamos comear a gravar a entrevista. 
 timo.  Nadine deu um passo atrs e bateu na porta para cha-
mar Mike de volta.  Declarao formal seguida de perguntas? 
 Ou uma coisa ou outra. 
 No seja to irritante. Vamos comear com a declarao. Nadine 
olhou para a cama, imaginando a variedade de fluidos corporais que po-
deriam estar espalhados por ali e optou por permanecer em p.  



Uma  hora  depois,  Eve  ouviu o  chefe  de  polcia  e  tambm secretrio  de 
Segurana Tibble fazer quase a mesma declarao que ela apresentara a 
Nadine. Ele usou um estilo de mais impacto do que o dela, refletiu Eve, 
tremendo ligeiramente por causa do frio, mas isso era devido ao fato de 
ter escolhido  fazer o  comunicado    imprensa  na  escadaria  principal  da 
Torre, como era conhecida a Secretaria de Segurana Pblica, e em cujo 
ltimo andar ficava a sua sala. 
O  trfego  areo  havia  sido  remanejado  durante  o  evento  de  trinta 
minutos, de modo que apenas algumas cmeras areas e helicpteros do 
Departamento de Trnsito cruzavam o cu acima deles. 
Eve tinha certeza de que ele j sabia da entrevista que ela conce-;
dera a Nadine, e poderia repreend-la por isso. Como, porm, ela no re-

~ 274 ~ 
 



cebera ordens oficiais para no se manifestar antes do secretrio, seu de-
sagrado seria um desperdcio de tempo. 
Eve sabia que o secretrio Tibble raramente desperdiava algo. 
Ela o respeitava, ainda mais ao ver que ele conseguira oferecer uma 
declarao  formal  completa  sem colocar em risco  informaes vitais a 
respeito do caso, informaes essas que seriam importantes para os tri-
bunais. 
Quando a rajada de perguntas vindo da multido de reprteres o a-
tingiu, ele levantou as duas mos e informou: 
 Vou repassar as perguntas para a investigadora principal do caso, 
a tenente Eve Dallas. 
Virando-se, cochichou ao ouvido de Eve: 
  Cinco minutos apenas e no lhes entregue nada alm do que j 
receberam. E da prxima vez, Dallas, vista um agasalho apropriado. 
Ela se encolheu no leve casaco de couro e deu um passo  frente. 
 J existe algum suspeito? 
Eve  no  suspirou,  mas quis faz-lo.  Odiava  enfrentar os meios de 
comunicao. 
 Estamos interrogando vrias pessoas que tm ligao com o caso. 
 As vitimas foram violentadas sexualmente? 
 Os casos esto sendo encarados como estupro seguido de homi-
cdio. 
 Qual a ligao entre os crimes? As vtimas se conheciam? 
 No estou autorizada a discutir este aspecto da investigao no 
momento.  Levantou a mo para cortar as furiosas reaes.  Estamos, 
entretanto,  tratando  os casos  como  ligados uns aos outros.  Conforme o 
secretrio Tibble declarou, a investigao aponta, at o presente momen-
to, para um nico assassino. 
  Papai Noel  est  chegando    cidade    gritou um engraadinho, 
provocando risos generalizados. 
 Sim, faam piadinhas.  Eve sentiu o sangue ferver e isso a fez 
esquecer que suas mos estavam congelando.   fcil rir de longe sem 
ter visto o que ele deixa atrs de si.  fcil rir quando no foram vocs

~ 275 ~ 
 



que comunicaram s mes das vtimas e a seus companheiros que a pes-
soa que amavam est morta. 
A multido fez um silncio to absoluto que foi possvel ouvir o zu-
nir das hlices dos helicpteros acima deles. 
 Imagino  continuou Eve  que a pessoa responsvel por toda 
esta tragdia e por todas essas mortes vai adorar estar servindo de diver-
so para os meios de comunicao. Vo em frente e dem ao assassino o 
que ele espera. Tornem o assassinato de quatro pessoas uma questo pe-
quena e tola, e transformem esse homem em estrela da mdia. Mas lem-
brem-se de que na Central de Polcia sabemos bem o que ele . Sabemos
que ele  uma figura pattica, mais at do que vocs. No tenho mais nada 
a declarar. 
Ela virou as costas, ignorando os gritos, e quase se chocou com Tib-
ble. 
  Entre  aqui um momento,  tenente.    Ele  a  segurou pelo  brao, 
conduzindo-a rapidamente por entre os guardas at se verem atrs das 
portas reforadas.  Muito bem  disse falando depressa. 
 Agora que terminamos este espetculo desagradvel, tenho que 
brincar de poltica com o prefeito. V em frente, faa o seu trabalho, Dal-
las, e pegue este filho-da-puta. 
 Sim. Senhor. 
 E consiga um par de luvas para voc, pelo amor de Deus  acres-
centou ao sair. 
Eve enfiou uma das mos no bolso para aquec-la e pegou o comu-
nicador com a outra. Tentou falar primeiro com Mira, mas lhe disseram 
que a psicloga ainda estava analisando o suspeito. Em seguida, ligou pa-
ra Peabody. 
 Conseguiu alguma coisa com o colar? 
 Temos uma possibilidade. Baubles and Bangles, na Quinta Aveni-
da. O joalheiro deles foi o responsvel pelo design do colar. Foi uma jia 
nica, feita por encomenda. Esto verificando nos arquivos, mas a vende-
dora disse que se lembra de o cliente ter ido pessoalmente pegar a pea. 
E eles tm cmeras de segurana na loja. 

~ 276 ~ 
 



 Encontre-me na joalheria, estou indo para l. 
 Tenente?  Eve ouviu algum cham-la. Olhou para trs e viu os 
olhos fundos de Jerry Vandoren. 
 Jerry, o que est fazendo aqui? 
 Soube da entrevista coletiva. Eu queria. .  Levantou as mos e 
em seguida as deixou cair, indefesas.  Precisava ouvir o que a senhora 
tinha a dizer. Acompanhei tudo. Quero lhe agradecer..   Parou de falar, 
mais uma  vez  olhando  em volta  como  se  tivesse  virado  uma  esquina  e 
reparasse que estava em outro planeta. 
 Jerry.  Ela o pegou pelo brao, levando-o para longe dali, antes
que os reprteres sentissem o cheiro de carne fresca e o atacassem.   
Voc devia ir para casa. 
 No consigo dormir. No consigo comer. Sonho com isso todas as 
noites. Marianna no est morta quando eu sonho com ela.  Ele inspi-
rou e seu corpo estremeceu ao fazer isso.   Ento eu acordo e entendo 
que ela se foi. Todos dizem que eu preciso de orientao psicolgica para 
lidar com a dor da perda. Mas eu no quero deixar de senti-la, tenente. 
No quero deixar de vivenciar o que sentia por ela. 
Dallas se viu fora do seu elemento ao encarar a dor de um homem 
desesperado em busca de uma resposta dela. Ao mesmo  tempo, no po-
dia virar as costas para ele. 
 Marianna no gostaria de ver voc sofrer tanto assim. Ela o ama-
va demais para isso. 
 Mas quando eu parar de sentir dor significar que ela foi embora 
de verdade.  Fechou os olhos, apertou-os com fora e tornou a abri-los. 
 Eu queria. . queria apenas lhe dizer que gostei muito do que a senhora 
disse agora h pouco. Que no ia deix-los transformar isso em uma pia-
da. Sei que o deter.  Um ar de splica nadava em seus olhos.  A se-
nhora vai det-lo, no vai? 
 Sim, eu vou det-lo. Venha comigo  Gentilmente, ela o encami-
nhou at uma porta lateral.   Vou chamar um txi para voc. Onde foi
mesmo que voc disse que a sua me morava? 
 Minha me? 

~ 277 ~ 
 



 Sim, v visitar a sua me, Jerry. V ficar em companhia dela por 
algum tempo. 
 Estamos quase no Natal  comentou ele, piscando por efeito da 
luz do dia quando eles saram para a rua. 
 .  Eve fez sinal para um policial fardado que estava encostado 
em uma viatura de patrulha e pediu que ele levasse Jerry para casa. Era 
melhor do que chamar um txi.   V passar o Natal com a sua famlia, 
Jerry. Marianna gostaria que voc fizesse isso. 



Eve forou-se a afastar Jerry Vandoren e seu pesar para fora da mente e 
se focar no prximo passo. Depois de enfrentar um engarrafamento, esta-
cionou em um local proibido na porta da joalheria, ativou o sinaleiro do 
carro para informar que estava de servio e se lanou atravs da multi-
do que lotava a calada. 
Imaginou que aquele era o tipo de lugar onde Roarke poderia entrar 
com descontrao, ter o seu olhar atrado por alguns brilhantes expostos
e gastar centenas de milhares de dlares em poucos minutos. 
A loja era toda em rosa e dourado, como o interior de uma concha 
marinha. Msica do tipo calmo e profundo que a fazia pensar em igrejas 
soava oelo ar de forma discreta. 
As flores eram frescas, o tapete muito felpudo, e o guarda na porta 
estava discretamente armado. 
Ao  notar que  ele  lanara  um olhar de  desdm para  seu casaco  de 
couro e para as botas surradas, esticou o distintivo diante do seu rosto. 
Sentiu uma pontada de satisfao ao ver que o seu ar de desprezo desa-
pareceu como por encanto. 
Passou por ele, as botas gastas silenciosas no tapete rosa-beb. Uma 
rpida olhada em torno mostrou uma mulher envolta em quilmetros de 
vison e confortaveimente instalada em uma  chaise longue acolchoada, es-
colhendo entre diamantes e rubis; um homem alto de cabelos grisalhos
com um casaco impecavelmente dobrado sobre um dos braos analisava 
relgios de ouro; adiante havia mais dois guardas; uma loura que no pa-

~ 278 ~ 
 



rava de dar risadinhas circulava em um frenesi consumista acompanhada 
por um homem velho o bastante para ser seu av. Ele obviamente tinha 
mais dinheiro do que bom senso. 
Avistou as cmeras de segurana, muito bem disfaradas e embuti-
das na madeira entalhada que revestia o teto. Uma espiral fluida formada 
por degraus elegantes se lanava para o andar de cima. Porm, se as ma-
dames estivessem cansadas de carregar tantos quilos de ouro e pedras de 
um lado para outro da loja, seriam incentivadas a usar o brilhante eleva-
dor revestido de bronze. 
S o peso do imenso diamante que Eve trazia pendurado ao pescoo 
a impediu de lanar um olhar de desdm para tudo aquilo. Era levemente 
embaraoso  saber que  Roarke  poderia  comprar todas as jias expostas 
ali e mais o prdio onde a loja funcionava. 
Aproximou-se  de  uma  vitrine  em cristal  bisotado  onde  braceletes 
cravejados de pedras preciosas estavam artisticamente expostos e olhou
para o atendente atrs do balco. Ele no aparentou muita empolgao ao 
olhar para a sua figura. Estava to enfeitado quanto os artigos que vendia,
mas sua  boca  estava  apertada  e  seus olhos exibiam um ar de  tdio  no 
momento em que perguntou, com a voz embebida de sarcasmo: 
 Posso ajud-la em alguma coisa, senhora? 
 Sim. Chame o gerente. 
  H  algum problema?    Ele  bufou,  inclinando  a  cabea  de  um 
modo que fez as luzes refletirem em seu cabelo dourado. 
 Depende da rapidez com que voc me levar ao gerente. 
Sua boca se contorceu, como se ele tivesse acabado de saborear al-
gum alimento estragado. 
  Um  momento,  por favor.  E,  por favor,  no  toque  na  vitrine.  Ela 
acaba de ser limpa. 
Babaquinha, pensou Eve, sem muito rancor, pois j conseguira colo-
car meia dzia de impresses digitais na superfcie reluzente no momen-
to em que ele voltou com uma morena magra e atraente. 
 Boa-tarde. Sou a sra. Kates, a gerente. Em que posso ajud-la? 



~ 279 ~ 
 



  Tenente  Dallas,  do  Departamento  de  Polcia  da  cidade  de  Nova 
York.  Como o sorriso da mulher era muito mais caloroso do que o do 
balconista,  Eve  manteve  o  distintivo  pouco  acima do  balco  e  fora  do 
campo de viso da clientela s suas costas.  Minha ajudante ligou ainda 
h pouco para falar a respeito de um colar. 
 Sim, sim, eu falei com ela. Podemos conversar em minha sala? 
 timo.  Ao olhar em volta, percebeu que Peabody e McNab ha-
viam acabado de chegar. Sem dar uma palavra, sinalizou para que a se-
guissem. 
 Lembro-me do colar perfeitamente  comentou a sra. Kates en-
quanto os encaminhava para a sua sala, pequena e feminina. Gesticulou
na direo de duas cadeiras de espaldar alto antes de se instalar atrs da 
mesa.  Meu marido foi o responsvel pelo design da jia, feito sob en-
comenda. No consegui me comunicar com ele, mas creio que posso lhe 
fornecer qualquer informao de que necessite. 
 A senhora tem os registros e recibos da venda? 
 Sim. Pesquisei em nossos arquivos e j mandei imprimir uma c-
pia.  Com muita eficincia, abriu uma pasta, confrmou o contedo e a 
passou para Eve.  O colar foi feito em ouro de quatorze quilates, com 
corrente tranada e uma placa mais larga representando quatro pssaros
estilizados. Uma pea encantadora. 
No lhe parecera encantadora, refletiu Eve, em volta do pescoo ro-
xo de Brent Holloway. 
 Nicolau Noel  murmurou lendo o nome do cliente. Ele prova-
velmente achara aquilo muito engraado.  A senhora anotou o nmero 
de sua identidade? 
 No foi necessrio. A transao foi feita em dinheiro vivo, sendo 
que  o  cliente  pagou  vinte  por  cento  no  ato  da  encomenda  e  o  restante 
quando veio peg-la.  A sra. Kates cruzou as mos.  Reconheci o seu
rosto, tenente. Devo imaginar que este colar  parte de uma investigao 
de assassinato? 
 Sim, pode imaginar. Este sr. Noel veio at aqui pessoalmente? 



~ 280 ~ 
 



 Sim, trs vezes pelo que eu me lembro.  A sra. Kates levantou a 
mo e bateu com as pontas dos dedos sobre os lbios, e em seguida tor-
nou a  baix-los.    Falei pessoalmente  com ele  durante  a  sua  primeira 
visita. Tem altura mediana, talvez um pouco mais para alto. Esbelto, mas
no magro. Elegante  disse depois de pensar por um momento.  Uma 
bela figura. Cabelos escuros, um pouco longos, realados por mechas pra-
teadas. Lembro-me dele por sua elegncia, educao impecvel e a preci-
so com que definiu o que queria. 
 Como era a voz dele? 
 A voz?  Kates piscou por um momento.  Acho que. . a voz de 
algum culto, eu diria. Com um leve sotaque. Europeu, imagino. Uma voz 
calma.  Tenho  certeza  de  que  a  reconheceria  se  a  ouvisse  novamente. 
Lembro-me de ter atendido a uma ligao sua e reconheci a sua voz no 
instante em que falou. 
 Ele ligou para c? 
  Uma ou duas vezes, creio, para saber como estava a criao do 
colar. 
 Vou precisar dos seus discos de segurana e das gravaes do te-
le-linh. 
  Vou peg-los para  a  senhora.    Levantou-se  de  imediato.  -
Talvez leve algum tempo. 
 McNab, d uma mozinha  sra. Kates com a parte de eletrnica. 
 Sim, senhora. 
 Ele sabia que viramos at aqui para verificar  disse Eve a Pea-
body quando as duas ficaram sozinhas na sala. 
  Talvez  ele  no  imaginasse  que  encontraramos o  lugar to  de-
pressa, nem que a sra. Kates tivesse uma memria to boa. 
 No.  Insatisfeita, Eve se levantou.  Ele sabia. Este  o lugar
aonde queria que vissemos.  outro dos shows dele. Veio at aqui para 
desempenhar um papel,  e  certamente  ele  se  parece  com o  homem que 
vamos ver tanto quanto se parece com Papai Noel. 
Andou pela sala de um lado para outro e voltou. 



~ 281 ~ 
 



 Ele usou roupas diferentes, outros apetrechos e um palco novo, 
mas continua comandando o show  continuou Eve.  Tenho certeza de 
que tomou todas as precaues, Peabody, mas ele no  to esperto quan-
to se acha. O registro de voz das gravaes do tele-link vai servir para in-
crimin-lo. 















































~ 282 ~ 
 


















?C 
 








CAPTULO DEZESSEIS 








aramba,  Dallas.    Feeney  encolheu  o  ombro  sobre  o  qual 
 
Eve estava debruada.  Pare de cheirar o meu cangote! 
 Desculpe.  Ela recuou alguns mseros centmetros. 
 Quanto tempo leva para programar a impresso de voz nessa mqui-
na? 
 O dobro do tempo, se voc continuar me perturbando. 
 Certo, certo.  Ela se afastou e foi at a janela da sala de confe-
rncias.  Est caindo uma garoa misturada com neve  comentou mais
para si mesma do que para ele.  O trfego vai ficar horrvel mais tarde. 
 O trfego  sempre terrvel nesta poca do ano. Os malditos turis-
tas chegam em ondas. Tentei fazer umas comprinhas ontem  noite. Mi-
nha mulher quer uma suter. As pessoas esto como lobos sobre um cer-
vo morto l fora. Eu no volto l de jeito nenhum. 
 Compras on-line so mais prticas. 
 Eu sei, mas os sistemas andam muito lentos. Todo mundo, e mais
um punhado de gente, est navegando on-line, em busca de pechinchas. O 
pior   que  se  eu no  aparecer com  uns dez  presentes em caixas lindas
para  colocar embaixo  da  rvore  vou ter que  dormir no  escritrio  at a 
primavera. 
 Dez presentes?  Ligeiramente aterrorizada, Eve continuou cir-
culando  em volta  dele.    Voc  tem  que  comprar mais de  um presente 
para a sua mulher? 
 
 



 Puxa, Dallas, voc  mesmo inexperiente nessa histria de casa-
mento, hein?  debochou Feeney, trabalhando manualmente na progra-
mao.  Um presente s no d nem para a sada. O lance  quantidade, 
garota. Pense sempre em quantidade. 
 timo, adorei saber. Agora estou ferrada. 
 Voc ainda tem dois dias pela frente. Pronto, acabei de instalar.  
O dilema a respeito das compras desapareceu de sua cabea e ela foi 
correndo at o computador. 
 Rode logo! 
  o que estou fazendo. Aqui est o nosso homem, no tele-link. 
Eu poderia falar com o sr. ou com a sra. Kates? 
 Eu cortei as outras vozes, por isso  que est com pausas  ex-
plicou Feeney. 
Bom dia, sra. Kates. Aqui  Nicolau Noel. Gostaria de saber como vai o 
projeto do colar que encomendei. 
  Posso  rodar o  resto,  mas isso  j   o  suficiente  para  fazer uma 
comparao. 
 O sotaque  indefinido   avaliou Eve  e ele est disfarando. 
Muito esperto. J pegou a voz de Rudy? 
 Estou jogando no sistema. Peguei algumas frases da fita do inter-
rogatrio. S a voz dele. 
Aconselhamos todos os nossos clientes a marcarem encontros com as 
pessoas da lista de contatos em lugares pblicos. Se algum concordou em
ir v-lo em um lugar privado depois da primeira conversa, foi por escolha
pessoal. 
  Agora  comparamos.  Essa  beleza  considera  tudo: tons graves e 
agudos, inflexo, cadncia, qualidade do tom. No adianta nada disfarar
a voz.  to confivel quanto impresses digitais e exame de DNA. No d 
para falsificar. Mudar para campo A e comparar estilo em tela e em udio. 
Processando... 
Eve ouviu a ligao com o som gravado do  tele-link, viu quando as 
linhas coloridas se movimentaram e saltaram na tela. 



~ 284 ~ 
 



 Divida a tela ao meio  pediu ela.  Coloque a gravao do in-
terrogatrio embaixo dela. 
 Espere um instante.  Feeney ordenou que o computador execu-
tasse a ordem, e ento apertou os lbios.  Pintou um problema. 
 Que foi? O que est acontecendo? 
 Mostrar os dois grficos na tela!  ordenou e soltou um suspiro 
ao ver que os picos e vales no se sobrepunham.  Elas no batem uma 
com a outra, Dallas. No esto nem perto disso. Voc tem duas vozes dife-
rentes aqui. 
  Merda.    Ela  passou os dedos pelos cabelos.  Confirmou por si 
mesma e sentiu o estmago comear a arder.  Deixe-me pensar..  Muito 
bem, e se ele usou um aparelho para alterar a voz para falar no  tele-link
que usava? 
 Ele poderia embaralhar um pouco as coisas, mas ainda teramos 
pontos em comum. O melhor que posso fazer  pesquisar algum disfarce 
eletrnico  e  limp-lo,  caso  encontre.  Mas j  vi muitos casos como  esse 
para saber que estamos diante de dois caras diferentes. 
Tornou a  suspirar e  lanou-lhe  um  de  seus olhares pesarosos,  di-
zendo: 
 Desculpe, Dallas. Sei que isso vai atrasar um pouco as coisas. 
  ...   esfregou os olhos.    Mesmo  assim pesquise  o  disfarce, 
sim, Feeney? E quanto  pesquisa trao por trao das feies dele em v-
deo? 
 Est sendo feita. . lentamente. Posso comparar o formato das ore-
lhas e dos olhos de Rudy com o do assassino. 
  Vamos seguir essa  trilha  tambm.  Vou verificar com Mira  para 
ver se o perfil dele est pronto. 
Para ganhar tempo, Eve ligou para o consultrio de Mira. A mdica 
j fora embora, mas um relatrio preliminar fora transmitido para o tele-
link da sala de Eve. Ela foi direto para l, refletindo sobre o exame de voz 
enquanto caminhava. 
Esse cara  muito esperto, avaliou. Talvez tenha imaginado que ns
faramos uma  anlise  eletrnica  da  sua  voz.  Antecipou-se  a  ns e  arru-

~ 285 ~ 
 



mou um jeito de burlar o sistema. Quem sabe ele no pedira a algum que 
ligasse para a joalheria por ele? 
Isso j era forar a barra, admitiu. Mas no era impossvel. 
Ouviu o que jurava ser uma risadinha tola vindo de sua sala e, quan-
do entrou, viu Peabody batendo o maior papo com Charles Monroe. 
 Peabody? 
 Sim, senhora.  Peabody se colocou em p na mesma hora, em 
estado de alerta.  Charles..  ahn, o sr. Monroe, tem algumas..  ahn... ele 
queria. . 
 Controle os seus hormnios, policial. Charles? 
 Ol, Dallas.  Sorriu ele, levantando-se do brao da cadeira soli-
tria de Eve, onde se sentara.  Sua auxiliar me fez companhia enquanto 
eu esperava por voc, e de forma charmosa, devo acrescentar. 
 Aposto que sim. Qual  o lance? 
 Pode no ser nada, mas..   Encolheu os ombros.  Uma das mu-
lheres da minha lista de contatos ligou h duas horas. Parece que o can-
didato com quem combinara de sair para um fim de semana acabou fu-
rando com ela. Como estava s, pensou que talvez eu aceitasse substitu-
lo, embora no tivssemos nos encontrado ainda. 
  Essa  histria    fascinante,  Charles.    Impaciente  para  tocar o 
trabalho em frente, Eve se jogou sobre a cadeira.  S que eu no me sin-
to qualificada para lhe dar conselhos a respeito da sua vida social. 
 Pode deixar que eu sei lidar bem com essa parte.  Para provar o 
que  dissera,  deu uma  piscada  marota  para  Peabody, o  que  serviu para 
deix-la vermelha de satisfao.  Cheguei a considerar a idia de aceitar
o convite dela, mas sabendo como andam as coisas resolvi puxar assunto 
e bater um bom papo antes para testar o terreno. 
 H alguma coisa de importante nessa histria? 
 Gosto de meu momento ao sol, Tenente Docinho.   Inclinou-se 
na direo dela. Ambos ignoraram o riso que Peabody tentou prender.  
Dei corda e ela comeou a se abrir. Teve uma briga feia com o cara com 
quem vinha saindo e abriu o corao comigo. Ela o pegou no flagra  com



~ 286 ~ 
 



uma ruiva. Depois me contou que ele tentara limpar a barra com ela pe-
dindo a Papai Noel que lhe levasse um presente, ontem  noite. 
Eve se levantou devagar e focou os olhos nele. 
 V falando, Charles..  
 Sabia que voc ia se interessar pela minha histria.  Satisfeito, 
Charles inclinou o corpo ligeiramente para trs.  Ela contou que a cam-
painha tocou mais ou menos s dez horas de ontem  noite e, quando ela 
foi ver pelo olho mgico, Papai Noel estava no corredor com uma imensa 
caixa prateada na mo.  Ele balanou a cabea.  Pode crer, tenente. . 
sabendo o que eu sei, meu corao quase parou. Mas ela continuou con-
tando o caso, dizendo que no ia dar ao traidor safado a satisfao de  a-
brir a porta e receber o presente. Resumindo: escapou da triste maquia-
gem que ele ia fazer nela. 
 Ela no o deixou entrar, ento. .  murmurou Eve. 
 E s por isso ficou viva para me ligar e desabafar um pouco. 
 Sabe o que ela faz para viver? 
 Sei.  bailarina clssica. 
  Sim,  isso  combina    murmurou Eve.    Preciso  do  nome  e  do 
endereo dela. Peabody? 
 Estou pronta, tenente. 
 Cheryl Zapatta, mora na rua 28 Oeste  informou Charles.  Is-
so foi tudo o que consegui. 
 Vamos encontr-la. 
 Escute, eu no sei se fiz a coisa certa, mas contei tudo a ela. Sua 
entrevista com Nadine Furst tinha acabado de passar no noticirio, ento 
eu achei que j no era mais segredo. Disse para ela assistir s ltimas
notcias e coloquei-a a par de tudo.  Soltou o ar com fora.  Ela entrou
em pnico. De verdade. Disse que ia sumir da cidade. No sei se vocs vo 
conseguir encontr-la. 
 Mesmo que ela tenha cado fora, podemos conseguir um manda-
do para entrar e vasculhar a sua casa. Voc fez a coisa certa, Charles  
disse Eve depois de um momento.  Se no lhe tivesse contado a hist-



~ 287 ~ 
 



ria, seria bem capaz de ela mudar de idia e abrir a porta, caso ele voltas-
se. Obrigada por ter vindo me relatar tudo isso.  
 Fao qualquer coisa por voc, Tenente Docinho.  Ele se levan-
tou.  Voc pode me contar as novidades? 
 Veja tudo pelo telo de sua casa  aconselhou Eve. 
 Claro. Ahn..  importa-se de me mostrar o caminho para sair daqui, 
policial?  Lanou um sorriso de derreter coraes para Peabody.  Es-
tou meio perdido aqui dentro. 
 Claro. Posso, tenente? 
 V em frente. Dispensou-os com um aceno de mo e mergulhou 
de  cabea  no  relatrio  de  Mira.  Absorvida pela  leitura  e  frustrada,  no 
reparou que Peabody levou vinte minutos para mostrar a Charlie o cami-
nho para a passarela externa ou o elevador. 
 Ela livrou a cara do filho-da-me.  Eve se recostou na cadeira e 
estava passando as mos no rosto quando Peabody voltou. No tenho 
nada para poder acus-lo. 
 Rudy? 
  Seu perfil de personalidade no se encaixa com o do assassino. 
Sua capacidade de praticar atos violentos tambm est l embaixo na es-
cala. Ele tem desvios comportamentais,  inteligente, obsessivo, possessi-
vo  e  sexualmente  limitado,  mas,  na  opinio  da  doutora,  no    o  nosso 
homem. Droga! Se o advogado dele conseguir uma copia disso, no con-
seguirei nem mesmo tocar no safado. 
 Continua achando que ele  suspeito?  
 Nem sei mais o que estou achando.  Tentou manter as idias e 
o mau humor sob controle.  Vamos voltar atrs e comear tudo de no-
vo,  desde  o  princpio.    Vamos tornar a  falar com as pessoas,  desde  a 
primeira vtima. 



s quinze para as nove da noite, Eve estava subindo os degraus de casa. 
J estava irritada quando Summerset a saudou no saguo com seu olhar
bilioso usual, acompanhado do comentrio de que ela tinha exatamente 

~ 288 ~ 
 



quinze  minutos para  se  tornar apresentvel  diante dos convidados que 
estavam para chegar. 
No ajudou muito ela correr para o quarto e encontrar Roarke j de 
banho tomado e vestido. 
 Vou conseguir!  garantiu ela, correndo para o banheiro. 
  uma festa, querida, no um teste de velocidade.  Ele foi cami-
nhando com toda a calma atrs dela, s pelo prazer de v-la tirar a roupa. 
 No precisa se apressar. 
 Sei..  At parece que eu vou me atrasar e permitir que aquele ca-
ra-de-bunda tenha mais um motivo para reclamar de mim. Ducha, ligar
todas as sadas de gua a trinta e oito graus! 
 Voc no precisa da aprovao de Summerset.  Encostou-se na 
parede de forma descontrada para observ-la; ela era rpida e se movia 
com eficincia, sem desperdiar movimentos.  De qualquer modo, por
tradio, as pessoas nunca chegam exatamente na hora marcada em fes-
tas como esta. 
 Estou s um pouco atrasada.  Reclamou quando um pouco de 
xampu entrou em seus olhos,  fazendo-os arder.    Perdi meu principal 
suspeito e vou ter que recomear tudo da estaca zero.  Saindo do boxe, 
deu um passo na direo do tubo secador, mas parou.  Droga, eu tenho 
que passar aquele troo gosmento no cabelo antes ou depois de sec-lo? 
Como Roarke tinha uma idia aproximada a respeito do produto ao 
qual ela estava se referindo, pegou um frasco da prateleira e colocou um 
pouco na palma da mo. 
 Pronto, aqui est  mostrou ele.  Permita-me. . 
O jeito com que as mos dele massagearam-lhe os cabelos a deixou 
com vontade de ronronar, mas, em vez disso, virou-se para ele e estreitou
os olhos. 
  No  se  faa  de  espertinho  comigo  no,  meu chapa.  No  tenho 
tempo para isso agora. 
  No  tenho  idia  de  sobre  o  que  est  falando.    Divertindo-se 
com aquilo, pegou outro frasco e derramou uma quantidade generosa de 
loo para o corpo nas mos.  Estou simplesmente ajudando voc a se 

~ 289 ~ 
 



aprontar  explicou ele, passando as mos escorregadias sobre  os om-
bros e  os seios dela  , j que me  parece to atrapalhada  por causa do 
horrio. 
 Escute aqui..   Ela fechou os olhos e suspirou quando as mos 
dele deslizaram pelo corpo dela at a cintura e acariciaram suas ndegas. 
 Acho que voc deixou um pedacinho de pele sem loo. 
 Puxa, isso foi um descuido.  Abaixando a cabea, ele cheirou o 
pescoo dela e deu-lhe uma mordida.  Quer aproveitar o momento para 
ficar muito atrasada logo de uma vez? 
 Quero. Mas no vou fazer isso.  Ela se desvencilhou dele e pu-
lou no tubo para secar o corpo.  S no quero que voc se esquea do 
ponto em que parou. 
 Foi uma pena voc no ter chegado uns vinte minutos mais cedo. 
 Depois de reconhecer que ficar ali olhando para ela no ia fazer o seu 
sangue esfriar, Roarke voltou para o quarto. 
 Agora eu preciso apenas passar uma pintura, rapidinho.  Sain-
do do tubo, correu para o espelho sem se preocupar em vestir o roupo. 
 Que tipo de roupa  adequada para uma ocasio como a de hoje? 
 Use isto. 
Ela parou de passar o rimel  de forma desajeitada e olhou para ele 
com cara feia, perguntando: 
 Por acaso eu o ajudo a escolher a sua roupa? 
 Eve, por favor..  
  Tudo bem, reconheo que foi um mau exemplo, mas estou sem
tempo para pensar em outro.  Ela teve que rir. Resolveu o problema do 
penteado passando os dedos rapidamente pelos cabelos, virou-se na di-
reo do quarto e viu Roarke avaliando algo nas mos que algumas pes-
soas talvez chamassem de vestido. 
 Ah, qual ?! No vou vestir isso! 
  Mavis o trouxe uma noite dessas. Leonardo o desenhou especi-
almente em sua homenagem. Vai ficar muito bonito em voc. 
Ela  franziu o  cenho  analisando  as fluidas tiras de  tecido  prateado 
que  se  encontravam nos lados do  corpo,  presas por finas correntes de 

~ 290 ~ 
 



strass. As correntinhas de strass se repetiam nos ombros, recolhendo um 
pedao de tecido drapeado na frente e outro atrs, sendo que o decote de 
trs era mais baixo. Muito mais baixo. 
 Por que no apareo logo nua e poupamos tempo? 
 Primeiro vamos ver como ele fica. 
 O que se veste por baixo disso? 
  Voc  j  est  vestindo    explicou ele,  empurrando  a  bochecha 
com a lngua. 
 Minha nossa!  De forma meio desajeitada, ela entrou na roupa e 
rebolou um pouco para faz-la subir. 
O material era suave como uma cascata e colava no corpo como um
amante. As sedutoras aberturas laterais expunham a pele lisa e as curvas
suaves do seu corpo. 
 Querida Eve.  Ele a tomou pelo brao, a fez girar e esfregou a 
ponta do nariz na palma de sua mo, em um dos gestos que costumava 
usar para deix-la com as pernas bambas.  s vezes voc me deixa sem
flego. Tome, experimente isso agora. 
Pegou um par de brincos de diamantes em forma de gota em cima 
da penteadeira e o entregou a ela. 
 Esses brincos j eram meus ou so um presente? 
 Voc os ganhou h vrios meses.   Ele sorriu.  Nada de pre-
sentes novos at o Natal. 
Ela  os prendeu e  decidiu aceitar numa  boa  quando  ele  comeou a 
escolher sapatos para ela. 
 No h lugar nessa roupa para enfiar o meu comunicador e eu es-
tou de servio. 
  Tome.    Ele ofereceu-lhe uma bolsinha de noite ridiculamente 
pequena que combinava com os sapatos. 
 Mais alguma coisa? 
 No, voc est perfeita.  Sorriu ao ouvir o bipe do porto e viu 
que os primeiros convidados j estavam chegando de carro.  E bem na 
hora! Agora vamos descer para que eu possa exibir a todos a minha linda 
mulher. 

~ 291 ~ 
 



 No sou um poodle  resmungou ela, fazendo-o rir. 



Uma hora depois, a casa j estava cheia de gente, msica e luzes. Olhando 
em volta do salo de festas, Eve se sentiu grata pelo fato de Roarke jamais 
esperar que ela participasse dos preparativos. 
Havia imensas mesas que pareciam se envergar sob o peso de tra-
vessas de prata cheias de comida: presunto coberto de mel vindo da Vir-
gnia,  um pato  de  pele  brilhante  originrio  da  Frana,  carne nobre  de 
Montana, lagosta, salmo, ostras colhidas nos ricos leitos do satlite Silas
I,  uma  imensa quantidade  de  legumes colhidos naquela  manh  e  habil-
mente apresentados em padres elaborados. Sobremesas capazes de fa-
zer cair em tentao um prisioneiro poltico em greve de fome rodeavam 
uma  rvore  com quase  um metro  de  altura  feita  de  tortas cobertas de 
creme e cheias de enfeites pendurados, pequenas imagens esculpidas em 
marzip. 
Eve percebeu que nunca deixava de se maravilhar diante das elabo-
radas produes que o homem com o qual se casou conseguia organizar. 
Dois pinheiros muito altos decorados com milhares de luzes brancas 
e estrelinhas prateadas haviam sido instalados nos dois lados do salo de 
baile. As janelas,  que iam do cho ao teto, no mostravam a neve fraca 
misturada com chuva fina que continuava a cair, e sim o holograma de 
uma  paisagem nevada  de  sonho  onde  casais esquiavam juntos por um
monte com suave declive, sobre reluzentes esquis vermelhos. 
Apresentar algo com tantos detalhes assim s podia ser, realmente, 
coisa de Roarke. 
 Oi, doura. Voc est sozinha no meio deste palcio?  
Eve  levantou uma  sobrancelha  quando  sentiu a  mo  de  algum a-
pertando-lhe o traseiro. Virou o rosto lentamente at ficar de cara com 
McNab. 
Ele ficou vermelho, depois empalideceu por completo e, em seguida, 
tornou a enrubescer. 
 Caraca!. . Tenente. . Isso . . senhora! 

~ 292 ~ 
 



 Sua mo est na minha bunda, McNab. No acho que voc deseje 
que ela permanea aqui. 
Ele tirou a mo depressa, como se tivesse levado um choque. 
 Caraca! Puxa, eu..  Merda. Peo desculpas. Eu no reconheci a se-
nhora, isto . .  Apertou a mo dela, torcendo para que Eve o deixasse 
com a mo inteira para ele poder enfi-la no bolso.  No sabia que era a 
senhora. . A senhora parece to. .  As palavras lhe faltaram. 
 Acho que o detetive McNab est tentando elogi-la, Eve.  Roar-
ke surgiu de repente e, como no dava para resistir, encarou fixamente os
olhos apavorados de McNab.  No foi isso, Ian? 
 Sim. Isto ..  
 Se eu suspeitasse que ele sabia que era a sua bunda que estava 
apertando, eu seria obrigado a mat-lo. Aqui mesmo. .    Roarke esten-
deu a mo e ajeitou a chamativa gravata-borboleta vermelha de McNab 
 e neste instante. 
  Ora,  mas eu mesma  j  teria  cuidado  disso    interveio  Eve,  de 
forma seca.  Acho que voc precisa de um drinque, detetive. 
 Sim, senhora, preciso mesmo. 
 Roarke, por que no toma conta dele? Mira acabou de chegar e eu 
quero falar com ela. 
 Seria um prazer.  Roarke passou a mo sobre o ombro de Mc-
Nab e o apertou com um pouco mais de fora do que seria confortvel. 
Atravessar o  salo  at  o  outro  lado  levou mais tempo  do  que  Eve 
planejara. Ela se sentia surpresa ao ver o quanto as pessoas gostavam de 
falar em festas. E sobre nenhum assunto em particular, diga-se de passa-
gem. Isso a atrasou bastante, mas de repente avistou Peabody, que pare-
cia muito diferente da policial que ela via todos os dias. Vestia roupa de 
gala, calas largas em tom de ouro fosco e uma jaqueta curta sem mangas. 
Seu brao estava pendurado de forma confortvel no de Charles Monroe. 
Eve decidiu que Mira podia esperar um pouco. 
 Ol, Peabody. 
 Oi, Dallas. Uau! Este lugar est lindo! 



~ 293 ~ 
 



 Est sim.  Eve desviou um olhar zangado para Charles.  Como 
vai, sr. Monroe? 
 Parabns por sua casa fabulosa, tenente. 
 No me lembro de ter visto o seu nome na lista de convidados. 
Peabody ficou vermelha de raiva e empinou o corpo, dizendo: 
 O convite dizia que era permitido vir acompanhado. 
  isso ento que est acontecendo?  perguntou Eve a Peabody,
mantendo os olhos em Charles.  Ele  o seu acompanhante? 
 Sim.  Charles baixou a voz, e um lampejo de mgoa surgiu em
seus olhos.  Delia j sabe a respeito da minha profisso. 
 E voc vai oferecer a ela o desconto-padro para policiais? 
 Dallas!  Horrorizada, Peabody deu um passo  frente. 
 Est tudo bem  acudiu Charles, puxando-a para trs.  No es-
tou aqui a trabalho, Dallas, e tinha a esperana de passar uma noite agra-
dvel junto de uma mulher cuja companhia me faz bem. A casa  sua. Se 
preferir que eu me retire, tudo bem.  voc quem manda. 
 Ela j  uma menina grandinha. 
 Sim, ela  mesmo  murmurou Peabody.  Espere um minuti-
nho, Charles  acrescentou, e ento segurou Eve pelo brao e a puxou de 
lado. 
 Ei!  reagiu Eve. 
 No, ei digo eu!  Com a voz borbulhando de fria, Peabody le-
vou Eve para um canto.  No sou obrigada a informar a voc a respeito 
do que fao em minhas horas vagas, nem sobre os meus relacionamentos, 
e  voc  no  tem o  direito  de  me  deixar envergonhada  diante de  meu a-
companhante. 
 Espere um instante. . 
 Ainda no acabei!  Mais tarde, Peabody ia lembrar o ar de cho-
que no rosto de Eve, que ficara muda, mas naquele instante estava revol-
tada demais para notar a sua reao.  O que fao quando no estou de 
servio no tem nada a ver com o trabalho. Se eu quiser subir na mesa de 
uma  boate  para  danar nas horas vagas    assunto  meu.  Se  eu resolver 
pagar seis acompanhantes autorizados para  treparem comigo  todos os

~ 294 ~ 
 



domingos  assunto meu. E se eu quiser sair com um homem interessante 
e atraente que, por algum motivo, tambm topa sair comigo, tambm  
assunto meu. 
 Mas eu estava apenas. . 
 Ainda no acabei!  disse Peabody entre dentes.  No trabalho, 
voc manda. Mas  s l. Se no quiser me receber em sua casa com Char-
les, vamos embora. 
Quando  Peabody girou sobre  os calcanhares,  Eve  a  agarrou pelo 
pulso. 
  No  quero  que  vocs vo  embora.    Sua  voz  estava  tranqila, 
controlada e dura como uma tbua petrificada.  Peo desculpas por me 
intrometer em sua vida pessoal. Espero que isso no estrague a sua noite. 
Perdoe-me. 
Magoada,  terrivelmente  magoada  consigo  mesma,  Eve  se  afastou 
devagar. Seu estmago ainda estava dando voltas quando encontrou Mi-
ra. 
 No quero afast-la da festa, doutora, mas preciso de alguns mi-
nutos do seu tempo. Em particular. 
 Claro.  Preocupada ao ver o olhar sombrio e o rosto plido da 
anfitri, Mira lhe estendeu a mo.  O que aconteceu, Eve? 
  particular  repetiu ela, ordenando a si mesma que sepultasse 
os sentimentos enquanto  mostrava  o  caminho    mdica.    Podemos
conversar na biblioteca? 
  Oh!    No  instante  em que  entrou,  Mira  levou as mos   boca, 
com ar de puro prazer.  Que lugar maravilhoso! Que tesouros incrveis! 
Pouca  gente  aprecia  a  sensao  e  o  aroma  de  um livro  de  verdade  nas 
mos.  A  delcia  que    enroscar-se em uma  poltrona  com o  calor de  um 
livro tradicional em vez da fria eficincia de um arquivo de texto em dis-
co. 
 Roarke curte livros  explicou Eve, com simplicidade, e fechou a 
porta.  Quanto aos testes de Rudy, doutora. . eu questiono algumas das
suas concluses. 



~ 295 ~ 
 



 Sim, imaginei que o faria.  Mira circulou pelo aposento, admi-
rando tudo, at que por fim se acomodou em uma poltrona de couro ma-
cio, alisando a saia de seu elegante conjunto rosa.  Ele no  o assassino 
que procura, Eve, nem o monstro que voc quer que ele seja. 
 Isso no tem nada a ver com o que eu quero. 
 O relacionamento dele com a irm incomoda voc profundamen-
te,  em nvel  pessoal.  Ela,  porm,  no    como  voc.  No    uma  menina, 
nem  indefesa, e, apesar de eu achar que ele a controla em demasia, ela 
no est sendo forada a nada. 
 Ele a usa. 
 Sim, e ela a ele.  mtuo. Concordo que ele  obsessivo com rela-
o  a  ela.    sexualmente  imaturo. O  detalhe  que  o  elimina  de  sua  lista, 
porm, Eve,  o fato de que eu acredito que ele  impotente com qualquer 
outra pessoa que no seja a sua irm. 
  Mas ele  estava  sendo  chantageado,  e  o  chantagista est  morto. 
Um cliente estava dando em cima de sua irm e tambm morreu. 
 Sim, e admito que foi com esses dados em mente que eu me pre-
parei para  ach-lo  capaz  de  cometer esses assassinatos.  Mas ele  no  . 
Apresenta  algum potencial  para  violncia  fsica  quando  o  provocam ou
quando  ameaado, mas  uma coisa rpida e momentnea. No est no 
seu temperamento planejar, orquestrar e executar o tipo de assassinatos
com os quais voc est lidando. 
 Ento simplesmente o descartamos?  Eve se afastou.  Vamos 
deix-lo escapar? 
 Incesto  contra a lei, mas temos que provar que houve coero. 
No  o caso aqui. Compreendo a sua necessidade de puni-lo e tambm, 
na sua cabea, de libertar a irm do seu jugo. 
 Isso no tem nada a ver comigo. 
 Eu sei disso, Eve.  Como lhe doa o corao olhar para ela, Mira 
esticou o brao e pegou a mo de Eve, a fim de acalm-la.  No fique se 
punindo. 
  Eu me  foquei nele  por causa  disso.  Sei que  sim.    Sentindo-se 
subitamente cansada, Eve pareceu murchar ao lado de Mira.    Por ter

~ 296 ~ 
 



agido desse modo, talvez tenha deixado de perceber alguma coisa, algum
detalhe que poderia levar ao assassino. 
 Voc seguiu passo a passo os caminhos mais lgicos e concretos. 
Ele precisava ser eliminado da lista. 
 Mas levei tempo demais para fazer isso. E sempre que a minha in-
tuio  dizia  que  eu estava  olhando  para  o  homem errado,  a  ignorava. 
Porque continuava a ver a mim mesma. Olhava para ela e imaginava, l 
no fundo: ela poderia ser eu. Se eu no tivesse matado aquele filho-da-me, 
eu hoje seria o que ela . 
Ela abaixou a cabea, colocou-a entre as mos e em seguida passou 
os dedos pelos cabelos, desabafando: 
 Nossa, eu estou estragando as coisas com todo mundo. 
 Como assim? 
 No importa, no adianta tocar nesse assunto. 
 Como assim?  insistiu Mira, acariciando o cabelo de Eve. 
 Eu no consigo lidar nem mesmo com uma festividade absoluta-
mente normal como o Natal. S de pensar o que devo fazer, o que com-
prar e como agir j faz o meu estmago arder. 
 Oh, Eve.  Rindo de leve, Mira balanou a cabea.  Essa poca 
de Natal leva quase todo mundo  loucura, e com esses mesmos proble-
mas.  completamente normal. 
  No,  para  mim  no  .  Nunca  precisei me  preocupar com essas 
coisas antes. No havia tantas pessoas na minha vida. 
  Pois agora  voc  as tem.    Mira  sorriu,  permitindo-se  acariciar 
novamente a cabea de Eve.  De quem, exatamente, voc acha que quer 
se livrar? 
 Acho que acabei de chutar Peabody para fora de campo.   Des-
gostosa consigo mesma, Eve tornou a se levantar.  Ela veio  festa com 
um acompanhante licenciado. Tudo bem que ele  uma pessoa legal, mas 
 um tremendo prostituto, embora seja tambm um cara extremamente 
atraente, elegante e divertido. 




~ 297 ~ 
 



 Isso incomoda voc  sugeriu Mira.  Voc se incomoda com o 
fato de gostar dele, por um lado, e por outro desprez-lo pela forma como 
ganha a vida. 
 No se trata de mim, trata-se de Peabody. Ele diz que quer um re-
lacionamento srio; ela fica babando enquanto olha para ele e ficou mor-
talmente ofendida por eu ter reclamado disso. 
 A vida  complicada mesmo, Eve, e eu acho que voc conseguiu 
criar uma vida prpria, com todos os conflitos, problemas e sentimentos
de mgoas que isso implica. Se ela ficou zangada com voc,  devido ao 
fato de no haver ningum no mundo que ela admire ou respeite mais. 
 Puxa vida!. . 
 Ser querido  uma responsabilidade pesada. Vocs vo acabar a-
certando os ponteiros porque ela  importante para voc. 
  Estou terrivelmente  cercada  de  gente  que    importante  para 
mim. 
O monitor instalado na biblioteca piscou e acendeu sozinho. O rosto 
incomodado de Summerset encheu a tela. 
 Tenente, os seus convidados esto perguntando pela senhora. 
  Ei,  caia  fora  da!    Eve  sorriu  de  leve  ao ver que  Mira engoliu 
uma gargalhada.  Pelo menos existe uma pessoa com a qual eu no pre-
ciso me incomodar sobre saber lidar ou no. Eu no devia ter estragado a 
sua festa. 
 Voc no fez isso. Gosto muito quando conversamos. 
 Bem..   Eve pensou em colocar as mos nos bolsos, mas se lem-
brou de que no havia nenhum em sua roupa e suspirou.  A senhora se 
incomodaria de esperar por mim aqui s mais um instantinho? Tem algo 
que preciso pegar no escritrio. 
 Certamente. Posso dar uma olhada nos livros? 
 Claro que sim, fique  vontade.  Como no queria perder tempo 
para sair e dar a volta, a fim de descer pelas escadas, Eve pegou o eleva-
dor. Voltou em menos de trs minutos, mas Mira j estava bem instalada 
em uma poltrona com um livro nas mos. 



~ 298 ~ 
 



  Jane Eyre.   Suspirou,  colocando  o  livro  de  lado.    No  o  leio 
desde que era menina.  to arrebatadoramente romntico. . 
  Pode peg-lo emprestado, se quiser. Roarke no vai se incomo-
dar. 
  Eu tenho  um exemplar.  S  no  tenho  tempo  de  l-lo.  Obrigada 
mesmo assim. 
 Queria lhe dar isto. Faltam dois dias para o Natal, mas..  pode ser
que eu no a veja pessoalmente.  Sentindo-se ridcula naquela situao, 
entregou-lhe uma caixa de presente elegantemente embrulhada. 
 Ora, mas que gentileza a sua. .  Com bvia satisfao, Mira se-
gurou a caixa.  Posso abri-lo agora mesmo? 
 Claro, essa  a idia, no ?  Ela se afastou meio de lado e girou 
os olhos para cima com impacincia ao ver Mira desfazer com todo o cui-
dado o lao elaborado e abrir o embrulho com delicadeza e calma, desdo-
brando os cantos do papel. 
 Isso deixa a minha famlia louca tambm  disse, rindo.  No 
consigo rasgar tudo; o pior  que eu guardo os papis usados e os laos, 
como um ratinho de sto. Tenho um armrio cheio de papis de presen-
te dobrados, mas acabo no reaproveitando nada. Mas..   Emudeceu ao 
abrir a tampa da caixa e ver um frasco de perfume l dentro.  Ora, mas
isso  adorvel, Eve. E tem o meu nome gravado no vidro. 
    um perfume  personalizado.  O  cliente  descreve  para  o  per-
fumista as caractersticas fsicas da pessoa, fala um pouco da sua perso-
nalidade e ele cria uma fragrncia individual. 
 Charlotte  murmurou Mira.  No sabia que voc conhecia o 
meu primeiro nome. 
 Acho que ouvi em algum lugar. 
 Foi muita considerao sua.  Mira piscou para conter as lgri-
mas, colocou o frasco de lado e se virou para abraar Eve com fora.   
Obrigada. 
Tomada de embarao e afeto, Eve se deixou abraar. 
  Alegra-me  muito  que  tenha  gostado,  doutora.  Sou novata  nesse 
tipo de coisa. 

~ 299 ~ 
 



 Pois voc se saiu muito bem.  Mira afastou-se, mas manteve o 
rosto de Eve entre as mos.  Estou muito orgulhosa de voc. Agora pre-
ciso ir ao toalete para retocar a maquiagem, porque uma das minhas tra-
dies  chorar ao receber presentes de Natal. Pode deixar que eu sei on-
de      acrescentou dando  tapinhas carinhosos no  rosto  de  Eve.    V 
danar com o  seu marido  e  exagere  discretamente  no  champanhe.  O 
mundo l fora vai continuar no mesmo lugar amanh. 
 Preciso impedi-lo. 
 E vai conseguir. Hoje, porm, voc precisa curtir a vida. V procu-
rar Roarke e aproveite a noite.  







































~ 300 ~ 
 


















E 
 








CAPTULO DEZESSETE 








ve fez o que a mdica ordenou. At que no foi um mau conselho, 
 
decidiu, sentindo-se com a cabea meio leve enquanto se balana-
va nos braos de Roarke ao som de uma msica suave e romntica, 
em um salo cheio de cores, fragrncias e luzes. 
 Acho que consigo suportar  murmurou. 
 Hein? 
Ela sorriu e colocou os lbios perto do ouvido de Roarke. 
  Acho  que  consigo  suportar   repetiu,  afastando-se  para  olhar 
para ele.  Estou falando dessa produo toda, tpica de Roarke. 
 Bem..   Suas mos deslizaram pelas costas dela acima e depois
tornaram a descer.   bom saber disso. 
 Voc tem um monte de coisas bem produzidas, Roarke. 
  Realmente  eu tenho  um monte de  coisas bem produzidas.   E
uma  esposa,  pensou,  com um brilho  divertido  nos olhos,  que  estava  de 
pilequinho. 
 s vezes isso me assusta. Mas no hoje. Isso est muito gostoso. 
 Suspirando, esfregou o rosto no dele.  Que tipo de msica  essa? 
 Voc gosta? 
 Sim.  sexy. 
 Sculo vinte, basicamente dcada de 1940. Era um gnero conhe-
cido  como  Big Band.  Aquele  holograma  representa  a  orquestra  de 
Tommy Dorsey interpretando este pequeno nmero  Moonlight Serena-
de. 
 
 



 Nossa, mas isso faz um milho de anos que aconteceu. 
 Quase. 
 Como  que voc sabe dessas coisas todas? 
 Talvez eu tenha nascido na poca errada. 
 No, voc est no tempo certo.  Suspirou nos braos dele e sen-
tiu a msica aumentar de volume. Inclinou a cabea no seu ombro para 
observar melhor o salo em volta.  Todos parecem felizes. Feeney est 
danando com a mulher. Mavis est sentada no colo de Leonardo ali no 
canto, e l est Mira com o marido. Esto todos rindo. McNab continua 
dando em cima de todas as mulheres da festa, mas no afasta o olho de 
Peabody nem tira o bico do seu usque escocs, Roarke. 
Olhando descontrado, Roarke se virou para trs e levantou uma so-
brancelha, avisando: 
 Trina resolveu atac-lo. Nossa, ela vai comer o menino vivo. 
 Pois ele no me parece preocupado com isso.   Voltou a se en-
costar nele.  A festa est tima. 
A msica mudou e, quando uma batida marcante comeou a soar, o 
queixo de Eve caiu. 
 Caramba, olhe s o maluco do Cabeo. O que ele est fazendo? 
Rindo muito, Roarke enlaou Eve pela cintura, colocando-se ao lado 
dela. 
 Acho que o nome dessa dana  jitterbug. 
Atordoada com a cena, Eve viu o chefe do laboratrio rodar e circu-
lar com Nadine Furst por todo o salo, girando-a, atirando-a para cima e 
pegando-a de volta. 
 Puxa, d para entender o porqu desse nome agitado. Jamais con-
sigo que ele se mexa assim to depressa no laboratrio. Uau!   Seus o-
lhos se  arregalaram quando  Dickie pegou Nadine  pelas pernas.  Ela  deu 
uma gargalhada quando seus ps voltaram ao  cho e a multido soltou
gritos de aprovao. 
  Parece  divertido.    Eve  se  viu rindo,  encostada  de  forma  cari-
nhosa em Roarke. 
 Quer tentar? 

~ 302 ~ 
 



 No, no.  Mas ela riu mais e comeou a mexer com os i ps, no 
compasso da msica.  S olhar j est bom. 
 Isso no  mais que demais?  perguntou Mavis, trazendo Leo-
nardo  pela  mo.    Quem diria que  Nadine  sabia  danar daquele  jeito, 
hein? A festa est demais mesmo, Roarke. Dessa vez voc se superou! 
 Obrigado. Voc est com uma aparncia muito festiva, Mavis. 
 Sim.  a minha indumentria alegre.  Riu e deu uma voltinha 
para  exibir os pedaos de  tecido  multicolorido  que  a cobriam do  busto 
at o tornozelo. Com o movimento do corpo eles se separavam, revelando 
parcialmente a pele coberta de tinta dourada, combinando com o cabelo, 
que parecia se lanar para o alto como se estivesse saindo de uma fonte a
partir de um coque selvagem. 
 Leonardo achou que o seu vestido deveria ser um pouco mais so-
fisticado  contou a Eve. 
  Ningum faz  com que  as  minhas criaes resplandeam tanto 
quanto  voc  e  Mavis,  Eve.    Com estatura  muito  mais elevada  do  que 
todos eles, Leonardo exibiu seu sorriso magnfico.  Feliz Natal, Dallas. 
  Inclinou-se  para  beij-la  no  rosto.    Trouxemos uma  coisinha  para 
vocs. O presente  para os dois. 
Pegou um pacote que trazia escondido atrs das costas e o colocou 
nas mos de Eve. 
 Mavis e eu vamos passar o nosso primeiro Natal juntos e deve-
mos isso em grande parte a vocs dois.?  Seus olhos em tom dourado 
brilharam rasos dgua. 
Como no conseguiu pensar em nada para dizer, Eve colocou o pa-
cote sobre uma das mesas dos convidados e comeou a desembrulh-lo. 
Dentro havia uma caixa de madeira entalhada e polida com brilhan-
tes dobradias de cobre. 
  linda!  foi a reao de Eve. 
 Abra  incentivou Mavis, quase pulando.  Diga a eles para que 
serve, Leonardo. 


* Ver Eternidade Mortal. (N.T.) 
~ 303 ~ 
 



 A madeira representa a amizade, o metal representa o amor.   
Esperou at Eve abrir a tampa para revelar dois compartimentos forra-
dos de seda.  Um lado  para as suas lembranas. O outro  para os seus
desejos. 
 Foi Leonardo quem escolheu.  Mavis apertou a mo gigantesca 
do namorado.  Ele no  mais que demais? 
 .  Eve conseguiu concordar com a cabea.  O presente  lin-
do, realmente lindo. 
Como  compreendia bem a  prpria  mulher,  Roarke  tocou em seu
ombro com uma das mos e deu um passo  frente, a fim de  estender a 
outra para Leonardo. 
  um presente encantador. Perfeito. Obrigado.  Com um sorri-
so, beijou Mavis.  Obrigado aos dois. 
 Agora vocs vo poder fazer um pedido juntos na noite de Natal. 
 Deliciada, Mavis lanou os braos ao redor de Eve, abraando-a com
fora, mas logo voltou para junto de Leonardo e props:  Vamos dan-
ar? 
  Assim eu vou acabar chorando    murmurou Eve  quando  seus 
amigos se afastaram. 
  a poca certa para isso.  Levantando o queixo dela, ele sorriu 
ao ver seus olhos marejados.  Adoro ver voc comovida. 
Cheia de emoo, Eve passou a mo ao redor da nuca de Roarke e 
puxou a sua boca na direo da dela. Foi um beijo longo e quente que a-
calmou mais do que excitou. 
Ela ainda sorria quando se afastou dele e anunciou: 
 Essa  a primeira lembrana para a nossa caixa. 
 Tenente! 
Eve se virou, limpando a garganta ao se ver diante de Whitney. Sen-
tiu-se embaraada ao imaginar que ele a flagrara com os olhos midos e a 
boca amaciada pelo contato com a de Roarke. 
 Sim, senhor. 




~ 304 ~ 
 



  Desculpe por interromper   disse ele, lanando um ar de des-
culpas para Roarke.  Acabamos de ser informados que Piper Hoffman 
foi atacada. 
 O senhor sabe onde ela est?  perguntou Eve, deixando a poli-
cial assumir o controle das emoes. 
  Est  a  caminho  do  Hospital  Hayes Memorial.  No  sabemos das 
suas condies no momento. Tem um lugar reservado onde eu possa pas-
sar as informaes que temos para voc e para a sua equipe? 
 O meu escritrio. 
 Pode deixar que eu levo o comandante at l  ofereceu Roarke. 
 Rena o seu pessoal. 



  Ela foi atacada no prprio apartamento, no andar acima da  ntimo e 
Pessoal  comeou Whitney. Pela fora do hbito, ele se colocou atrs da 
mesa do escritrio, mas no se sentou.  Achamos que ela estava sozi-
nha quando o fato aconteceu. O policial que atendeu ao chamado relatou
que,  ao  que  parece,  o  irmo  dela  chegou em casa  na  hora  do ataque.  O 
atacante fugiu. 
  A  testemunha  conseguiu fazer a  identificao  do  agressor?   
quis saber Eve. 
 Ainda no. Ele est no hospital, acompanhando a irm. A cena do 
crime foi preservada. Ordenei aos policiais que deixassem o lugar intoca-
do at a sua chegada. 
 Vou levar Feeney. Vamos ao hospital primeiro.   Percebendo o 
sobressalto de Peabody ao ouvir isso, Eve manteve os olhos em Whitney 
e  completou:   No  quero  revelar  o  disfarce  de  Peabody e  McNab  no 
momento. Prefiro que eles permaneam aqui, mantendo contato, at eu 
chegar ao local do crime. 
 Voc  quem manda  disse Whitney, confirmando que estava de 
acordo com aquilo. 
 Temos uma testemunha dessa vez e o assassino est procurando 
um lugar para se esconder. Ficou apavorado. No tem certeza sobre ter 

~ 305 ~ 
 



sido ou no identificado. Se Piper sobreviver, vai ser a terceira falha dele. 
 Virou-se para a sua equipe e disse:  Preciso trocar esta roupa. Fee-
ney, deso em cinco minutos. Peabody, entre em contato com o hospital e 
veja se descobre o estado da vtima. McNab, vou enviar os discos de segu-
rana para voc. Quero-os investigados antes de voltarmos. 
 Dallas  disse Whitney enquanto caminhava ao lado dela rumo 
ao elevador , vamos prender este canalha. 



 Ser que um dia eu ainda vou conseguir sair de uma das suas festas em
companhia da minha mulher?    perguntou Feeney enquanto caminha-
vam pelo corredor do hospital. 
 Alegre-se, Feeney. Talvez agora tenhamos a oportunidade de fe-
char este caso de uma vez, e voc ter um Natal calmo e aconchegante. 
 Sim, vamos torcer.  Algum gemeu atrs de uma porta aberta 
bem na hora em que eles passaram e Feeney encolheu os ombros.  Tem
muita gente quebrada por aqui para o meu gosto. Do jeito que as estradas
esto cheias, provavelmente vai chegar gente acidentada a noite toda. 
 Que pensamento alegre  zombou Eve.  L est Rudy. Eu o in-
terrogo. Veja se consegue encontrar o mdico responsvel pelo caso para 
sabermos como ela est. 
Um olhar de relance para o homem desabado em uma cadeira com a 
cabea entre as mos foi o suficiente para deixar Feeney feliz por sair da-
li. 
 Ele  todo seu, garota. 
Os dois se separaram, e Eve foi direto em frente at parar diante de 
Rudy. 
Ele abaixou as mos lentamente, olhando primeiro para as botas ela, 
para  s  ento  levantar bem devagar a  cabea,  mostrando  um sto  triste 
com os olhos devastados. 
 Ele a estuprou. Ele a estuprou e a feriu. Ele a amarrou. Ouvi s gri-
tos dela. Ouvi quando ela chorou e implorou por sua vida. 
 Quem era ele?  perguntou Eve, sentando-se ao lado dele. 

~ 306 ~ 
 



 No sei. No o vi. Acho que. . acho que ele me ouviu chegar. Deve 
ter ouvido. Corri para o quarto e a vi. Meu Deus, meu Deus, meu Deus! 
 Pare!  Lanando a ordem com firmeza, ela o agarrou pelos ul-
sos e puxou suas mos, impedindo-o de recoloc-las sobre o rosto.  Isso 
no vai ajud-la. Voc entrou em casa e a ouviu gritar? Onde havia esta-
do? 
  Fui fazer compras.  Compras de  Natal.    Uma  lgrima solitaria 
escorreu pela sua face.  Um dia desses ela tinha visto uma escultura da 
qual gostou muito, representando uma fada em um lago. Deixou pistas de 
que a queria de presente por todo o apartamento. Fez um pequeno dese-
nho da pea e escreveu o endereo da galeria. Tudo tem estado to confu-
so que eu no tive oportunidade de compr-la, at esta noite. Jamais de-
veria t-la deixado sozinha. 
Seria possvel confirmar com a galeria tanto a compra quanto a ho-
ra, pensou Eve, para ela se certificar de que o homem que fizera com que 
Piper acabasse no hospital no estava sentado ao seu lado. Ela sabia mui-
to bem que no deveria abrir a porta para ningum. Por que teria deixado 
o homem que a atacou entrar? 
 A porta estava trancada quando voc voltou para casa? 
 Sim. Eu digitei o meu cdigo para entrar. Foi quando a ouvi cho-
rando  e  gritando.    Sua  respirao  ficou mais ofegante.  Ele  fechou os
olhos e cerrou os punhos.  Eu a vi na cama. Estava nua. Com as mos e 
os ps amarrados. Eu acho. . no estou bem certo. . mas acho que vi al-
gum com o rabo do olho. Um movimento. Talvez tenha apenas sentido. 
De repente algum me empurrou, eu ca e bati com a cabeca. 
De forma distrada, levantou a mo e a levou at a parte lateral da 
cabea. 
 Devo ter batido em algo, na plataforma dos ps da cama, talvez, 
no sei..  Devo ter ficado inconsciente por alguns segundos. No pode ter 
sido mais tempo, porque eu o ouvi indo embora. No fui atrs dele. Deve-
ria ter ido, mas ela estava deitada ali e eu no conseguia pensar em mais
nada a no ser nela. J no chorava mais. Eu pensei... pensei que ela esti-
vesse morta. 

~ 307 ~ 
 



 E ento ligou para os paramdicos, chamou uma ambulncia? 
 Primeiro eu a desamarrei e a cobri. Tinha que fazer isso. No po-
dia agentar..  S ento chamei a ambulncia. No consegui acord-la, no 
consegui..  Ela no acordou. E agora eles no querem me deixar v-la. 
Dessa vez, quando ele cobriu o rosto com as mos, Eve o deixou cho-
rar. Vendo que Feeney vinha vindo, ela se levantou e foi at ele. 
 Ela est em coma  informou ele.  Os mdicos acham que  um
caso de choque extremo, e no apenas fsico. Ela foi estuprada e sodomi-
zada. Os pulsos e os tornozelos esto lesionados. Apresenta algumas con-
tuses. Fizeram um teste toxicolgico. Ela foi sedada com a mesma subs-
tncia  vendida  sem receita  encontrada  nas outras vtimas.  A  tatuagem
est em sua coxa direita. 
 Eles tm um prognstico para o estado dela? 
  Afirmaram que  no  podem fazer nada.  Usaram um monte  de 
termos mdicos, mas, resumindo, ela se fechou dentro de si mesma. Vai
acordar quando quiser e somente se quiser. 
 Certo, ento no temos mais nada a fazer por aqui. Vamos colocar 
um policial de guarda na porta e outro colado no irmo. 
 Voc ainda acha que foi ele, Dallas? 
Ela olhou para trs e o viu soluar. A onda de compaixo que sentiu 
a deixou surpresa. 
  No    respondeu.    Mesmo  assim vamos deixar algum de 
guarda junto dele. 
Pegou o  comunicador e  comeou a enviar ordens enquanto  se  en-
caminhavam para o elevador. 
 O cara est completamente arrasado  comentou Feeney.  Fi-
co me perguntando se est chorando pela irm ou pela amante. 
 Sim,  um mistrio mesmo.  Ao entrar no elevador, Eve pediu o 
andar trreo.  E ento, como foi que o nosso homem descobriu que ela 
estaria sozinha hoje  noite? Ele no a teria atacado se achasse que Rudy 
estava com ela, no  o seu estilo. Ele sabia que ela estava s. 
 Pode ser algum que ela conhecesse. Quem sabe estivesse vigian-
do o lugar. Talvez tenha ligado para se certificar. 

~ 308 ~ 
 



 Sim, ele a conhecia  concordou Eve.  Conhecia os dois. E eu 
no acho que ela seja um dos verdadeiros amores dele.   Ao saltar no 
saguo, seguiu rumo  porta.  O caso dela  uma quebra de padro. Pi-
per no estava em nenhuma das listas de contatos da empresa. Ele a ata-
cou para nos manter focados em Rudy. S assim a coisa faz sentido para 
mim. 
Eve parou de falar enquanto entravam no carro e sentou-se ao vo-
lante. 
 Ele sabe que levamos Rudy para interrogatrio e que eu suspei-
tava dele nos outros homicdios. Precisa compensar as duas vtimas que o 
atrasaram, j que no conseguiu atacar Cissy nem a bailarina. Mas  es-
perto  o  bastante  para  saber que  se  conseguisse  eliminar Piper  iramos
nos voltar para Rudy novamente. Isso faz sentido. Esse crime no aconte-
ceu por amor, foi s para ele se garantir. 
Feeney se recostou no banco do carro e levou a mo ao bolso para 
pegar o saquinho de amndoas, e s ento se lembrou de que sua mulher 
no o deixara carreg-lo para a festa. Bufou uma vez e disse: 
 Ele a conhece, mas ela tambm o conhece. Talvez por isso  que 
tenha conseguido entrar. 
 Ela no teria aberto a porta para um estranho, e muito menos pa-
ra um sujeito vestido de Papai Noel. Precisamos que McNab analise todos
os discos com as gravaes da segurana. 
 Sabe o que estou pensando, Dallas? Acho que no vamos encon-
trar disco nenhum.  



Feeney  acertou em cheio.  O  policial  na  cena  do  crime  informou que  as 
cmeras de segurana haviam sido desligadas a partir do controle princi-
pal s nove e cinqenta da noite. 
 No h sinais de que algum tenha forado a entrada  disse Eve 
depois de examinar as fechaduras e as placas de identificao palmar.  
Ela foi at a porta, olhou l fora e viu um rosto familiar. Abriu-a na hora. 
No vamos encontrar nenhum dos discos de segurana internos tambm. 

~ 309 ~ 
 



Entrou no apartamento. Uma rvore branca enfeitada com bolas de 
cristal e festes estava bem diante das janelas que davam para a Quinta 
Avenida. Havia  pilhas de  presentes lindamente  embrulhados embaixo 
dela, e uma solitria pomba branca servia de ponteira onde pessoas con-
servadoras teriam colocado uma estrela ou um anjo. 
Havia sacolas de compras espalhadas a partir do lado de dentro da 
porta de entrada at o primeiro arco que saa da sala principal,  direita. 
Ela  quase  conseguia  ver Rudy  entrando,  ouvindo  a  irm  e  largando  as
compras pelo caminho enquanto corria para acudi-la. Seguindo a trilha, 
atravessou o macio carpete branco e foi em frente atravs de um segundo 
ambiente social, montado para servir de sala de vdeo. 
Mais branco. Macias poltronas em linho cru e mesas com superfcies
brilhantes na cor marfim. Tigelas e vasilhas claras transbordavam de flo-
res brancas. 
Era como passear em uma nuvem, pensou Eve. 
Sufocante. 
Depois da sala de vdeo havia um salo de ginstica, equipado com 
uma banheira de hidromassagem, pesos pressurizados, um tubo de rela-
xamento e uma esteira eletrnica multiestilo. 
 Os quartos ficam l no fundo  assinalou ela.  Mesmo corren-
do,  Rudy  levaria  vrios segundos para  alcan-los,  a  partir da  porta  da 
frente. 
Eve  virou e  entrou no  amplo  quarto.  A  tela  de  privacidade  estava 
baixada    frente  da  janela,  permitindo  que  a  noite  entrasse  ao  mesmo 
tempo que impedia olhares curiosos. 
Ao longo de uma das paredes havia uma enorme penteadeira onde 
uma infinidade de frascos coloridos, potes e garrafas havia sido arruma-
da. A rainha das vaidades, refletiu Eve, observando o espelho triplo rode-
ado de pequenas lmpadas. Havia ainda duas cadeiras estofadas, notou, 
colocadas lado a lado. 
Eles at mesmo se maquiavam juntos. 
A cama tinha o formato de corao, o que fez Eve ter vontade de gi-
rar os olhos diante da frescura. Tubos cromados a contornavam, como se 

~ 310 ~ 
 



o mvel fosse um bolo com a borda confetada. Grossas cordas pendiam
de quatro pontos em volta da cama. 
 Ele no levou os brinquedinhos com ele dessa vez.  Eve se aga-
chou para examinar a caixa prateada que fora largada aberta no cho.  
Temos de tudo aqui, Feeney. Olhe s. . essa  a seringa de presso.   A-
pontou ela, com a mo selada por spray.  Temos tambm os apetrechos
para tatuagem, e isto aqui  muito especial. 
Havia uma caixa dentro da outra. Imitao de madeira, com uns ses-
senta centmetros de comprimento. Quando abriu a tampa, trs bandejas
embutidas se lanaram para fora em nveis diferentes, exibindo uma li-
nha completa de produtos Perfeio Natural. 
 Eu no manjo muito desse troo, mas no parece coisa de consu-
midor comum no. Est me parecendo equipamento profissional. 
 Ho-ho-ho.  Feeney se agachou e pegou uma barba postia bran-
ca.  Talvez ele tenha trazido a fantasia, afinal. 
  Acho  que  ele  a  deixou apagada  e  depois se  fantasiou.  Fora  do 
hbito.  Eve se balanou para a frente e para trs sobre os calcanhares. 
 Ele entrou e aplicou o tranqilizante nela. Depois de traz-la para c e 
a amarrar, comeou a se aprontar com toda a calma. Aplicou a tatuagem, 
maquiou o rosto dela do jeito que deseja e depois guardou tudo direiti-
nho no lugar. Nada de baguna. Quando ela acordou e tentou descobrir o 
que estava acontecendo. . 
Os olhos de Eve se apertaram ao olhar para a cama, recriando a cena 
em sua cabeca. 
 Ela acordou  continuou.  Estava desorientada, meio confusa. 
Lutou para se soltar. Ela sabia quem ele era. Isso a deixou chocada e apa-
vorada, porque sabia o que ele ia fazer em seguida. Talvez ele tenha at 
conversado com ela enquanto cortava as suas roupas. 
 Isso aqui parece ser um pedao de roupo.  Feeney levantou ti-
ras de um material branco translcido. 
 Sim, ela estava em casa, vestida  vontade, pronta para se deitar. 
Provavelmente se sentia empolgada, pois sabia que o irmo sara para lhe 
comprar o  presente.  Agora  ela  est  ali,  nua,  aterrorizada,  olhando  fixa-

~ 311 ~ 
 



mente para um rosto que conhecia bem. No queria acreditar que aquilo 
estivesse acontecendo. A pessoa nunca quer acreditar. 
Mas aconteceu,  pensou,  sentindo  um suor pegajoso  brotar da  sua 
pele. No pde ser evitado. 
 Ento ele tirou as prprias roupas. Aposto que as dobrou com to-
do o cuidado. Tirou a barba tambm. No precisava de disfarces para ela. 
Desse modo ela poderia ver o seu rosto distorcido e seus olhos fla-
mejantes. 
 Ele ficou excitado. O fato de ela saber quem ele era o deixou ainda 
mais estimulado. Ele no precisava do disfarce, nem o queria. Talvez ima-
ginasse que a amava de verdade a essa altura. Ela pertencia a ele. Estava 
indefesa. Ele tinha todo o poder nas mos. Sentiu-se ainda mais poderoso 
quando ela o chamou pelo nome e implorou para ele parar. Mas ele no 
parou. No queria parar. Seguiu em frente, lanando-se com fora e im-
pulsionando-se sobre ela, rasgando-a por dentro, forando-se dentro dela 
sem parar. 
 Ei, ei.  Abalado, Feeney se agachou e colocou as mos sobre os 
ombros de Eve. Os olhos dela estavam vidrados e a sua respirao, pesa-
da e irregular.  Vamos l, garota. 
 Desculpe.  Ela fechou os olhos. 
 Tudo bem.  Deu umas palmadinhas no ombro de Eve, de forma 
desajeitada.  Sabia  o  que  acontecera  com ela,  em criana; sabia,  porque 
Roarke lhe contara. Mas no tinha certeza se Eve tinha conscincia de que 
ele sabia. Era melhor para ambos que ele fingisse no saber de nada.  
que s vezes voc se envolve demais, s isso. 
 Sim.  Ela teve de enxugar a boca com as costas da mo. Dava 
para sentir o cheiro ranoso de sexo, de suor. E, pensou Eve, de impoten-
te terror feminino. 
 Voc quer, ahn..  beber um pouco dgua? 
 No, Feeney, estou legal.  s que. . odeio crimes sexuais como es-
te. Vamos ensacar tudo e acabar de investigar. Quem sabe temos sorte e 
conseguimos achar  alguma  impresso  digital  por aqui?    Sentindo-se 
mais firme, levantou-se.  Vamos ver o que os peritos descobrem. Espe-

~ 312 ~ 
 



re!    Abruptamente,  colocou a  mo  no  brao  de  Feeney.    Tem uma 
coisa faltando aqui. 
 O qu? 
 Cinco. . cinco o que mesmo?  Ela repassou a letra da cano na 
cabea.  Onde esto os cinco anis de ouro? 
Ela fez uma busca minuciosa em todos os cmodos, mas no achou 
nada que seguisse o padro das jias deixadas na cena do crime. O sangue 
de Eve gelou. 
 Ele levou a jia com ele. Precisa completar ainda o crime nmero 
5.  Mas no  tem mais  seus apetrechos.  Vou verificar  no  salo  de  beleza, 
aqui embaixo, para ver se ele foi at l se reabastecer. Voc termina aqui
e chama os peritos? 
 Sim. Tenha cuidado, Dallas. 
 Ele j foi embora, Feeney. Voltou para a toca. 
Mesmo assim tomou todo o cuidado enquanto descia para o andar 
onde  funcionava  o  salo.  No  viu nenhum sinal  de  arromba-mento  nas
elegantes portas de vidro. L dentro tudo estava escuro. 
Seguindo os instintos, usou o carto mestre para destrancar as por-
tas e sacou a arma. 
 Acender luzes!  ordenou ela, e piscou duas vezes diante da s-
bita claridade. 
Quando seus olhos se ajustaram  luminosidade, reparou que a ga-
veta para dinheiro e fichas de crdito por trs do balco estava aberta. E 
vazia. 
 Ora, ora. . Voc deu uma passadinha aqui, ento. 
Revistou a recepo antes de tudo, com os olhos alertas e a arma em
punho, e em seguida foi andando de lado em direo s vitrines. O vidro 
estava intacto, e ela no viu nenhum espao vazio entre as ordenadas li-
nhas de produtos. Movendo-se para a esquerda, foi em direo s salas de 
tratamento. 
Todas estavam vazias e limpas como salas de cirurgia. 
Usou o  carto  mestre  para  abrir outra  porta  e  entrou na  sala  dos 
funcionrios, onde tambm ficavam os armrios. Tudo estava, como nos

~ 313 ~ 
 



outros lugares, escrupulosamente limpo, de forma quase obsessiva, repa-
rou, sentindo o sangue comear a acelerar. 
Examinou os armrios por fora, desejando ter a habilidade de Roar-
ke para lidar com cadeados manuais. Sua chave mestra no conseguia lhe 
dar acesso aos compartimentos. Ela ia precisar de um mandado para ar-
romb-los. 
O  lugar que vinha  em seguida  era um almoxarifado.  Ali a  rigorosa 
organizao fora quebrada. As caixas de produtos estavam abertas, garra-
fas e  tubos espalhados.  Eve  imaginou que ele  passara  correndo  por ali, 
desesperado para se reabastecer e furioso por ter entrado em pnico, o 
que o levou a esquecer a caixa no andar de cima. 
Ele abrira rapidamente as caixas, pegando o que queria e enfiando 
tudo em uma sacola ou em outra caixa. 
Com mais rapidez agora, foi revistar a estao de trabalho de cada 
consultor. Apenas uma estava desarrumada e as gavetas do balco bran-
co brilhante haviam sido arrancadas e reviradas. Um pouco de lquido se 
derramara sobre o tampo e se espalhara em volta, at solidificar. 
Embora  j  soubesse  de  quem era  aquela  estao  de  trabalho,  Eve 
seguiu a  rotina  e  procurou pelo  registro  do  estilista,  que  devia  estar  
mostra  em algum lugar junto  do  balco.  Quando  o  encontrou,  estudou
atentamente a foto. 
 No manteve a sua rea de trabalho to limpa dessa vez, no foi, 
Simon? E agora eu peguei voc de jeito. 
Pegou o  comunicador,  voltando  com rapidez  em direo  s portas 
de entrada, e lacrou o local, a fim de resguard-lo. 
 Emergncia, aqui fala a tenente Eve Dallas. Envie todos os carros 
disponveis para  a  residncia  de  Simon  Lastrobe.  O  endereo    rua  63
Leste, nmero 4530, apartamento 35. O suspeito pode estar armado e  
perigoso.  Sua  foto  ser  transmitida  de  imediato.  Prendam este  homem 
por estupros seguidos de homicdios em primeiro grau. 
Emergncia. Mensagem recebida e autorizao para ao concedida. 
  Feeney    chamou Eve  pelo  comunicador enquanto  tornava  a 
trancar as portas e interditava a cena do crime com uma etiqueta que pe-

~ 314 ~ 
 



gara em seu estojo de servio.  O local aqui est resguardado. Vou cha-
mar Peabody para lidar com os peritos. Temos que correr. 



 Ento o nosso homem  um maquiador. Brincadeira, hein?  Feeney 
balanava a cabea, desgostoso, enquanto Dallas fazia o carro correr co-
mo uma bala pelas ruas.  A que ponto chegamos, Dallas..  por Deus! 
 Sim, ele maquiava os rostos deles, tratava dos seus corpos, brin-
cava com os seus cabelos, ouvia as suas histrias pessoais, aprendia tudo 
sobre as suas vidas, se apaixonava e os matava por isso. 
 Voc acha que ele tratou de todos eles no salo de beleza? 
 Talvez, mas, se no fez pessoalmente, certamente os via por l e 
os escolheu. Conseguia ter acesso s listas de contatos com facilidade e 
pegava os dados todos por ali. 
 Mas isso no explica o fetiche com coisas de Natal. 
 Isso vai aparecer depois que o prendermos.  Parou de repente, 
cantando os pneus, atrs de dois veculos de patrulha que bloqueavam a 
rua. Seu distintivo j estava na mo no instante em que saltou. 
 Vocs j subiram l?  gritou no meio do vento e da neve fina. 
 Sim, senhora. Ningum atendeu. Os homens esto colocados aqui 
e  na  sada dos fundos.  As janelas  esto  s escuras.  No  detectamos ne-
nhum movimento. 
 Feeney, o mandado para invadirmos j chegou? 
 Ainda no. 
 Vamos arrombar, que se dane o mandado.  Caminhou com de-
terminao, empurrando as portas gradeadas do prdio. 
  Voc  vai melar tudo  se  entrar l  sem mandado    lembrou-lhe 
Feeney, reclamando quando ela tomou as escadas em vez de esperar pelo 
elevador. 
 Eu posso ter encontrado a porta destrancada  argumentou ela, 
lanando um olhar por cima do ombro na direo de Feeney, que  corria 
atrs dela.  No posso? 



~ 315 ~ 
 



 Droga, Dallas, me d pelo menos cinco minutos. Vou esquentar o 
rabo do pessoal que libera os mandados. 
Ele  mostrou-se  um pouco  ofegante  ao  chegar  ao  terceiro  andar,  e 
sua cara enrugada estava brilhante e rosada. Mas conseguiu ultrapass-la 
e se lanou diante dela, na frente da porta do apartamento 35. 
 Droga, Dallas, segure a sua onda! Vamos seguir os procedimentos. 
Voc conhece as regras. 
Ela  tentou argumentar,  queria  ter a  satisfao  fsica  de  colocar a 
porta abaixo. Sentiu que estava levando a coisa para o lado pessoal e per-
cebeu os ossos vibrando sob os msculos tensos. 
Queria  colocar as mos nele,  queria  que  ele  se  sentisse  indefeso, 
queria que ele experimentasse o medo e a dor. Queria muito tudo aquilo, 
reconheceu, em um sobressalto doloroso. 
 Certo.  Com muito esforo, ela se controlou.  Quando arrom-
barmos a porta, e se o encontrarmos, voc  que deve imobiliz-lo, Fee-
ney. 
 Mas a deteno  sua, garota. 
 Sim, mas  melhor voc det-lo. No garanto que ser um servio 
limpo caso seja eu a faz-lo. 
Ele analisou o rosto dela, viu a tenso que se instalara ali e concor-
dou: 
 Tudo bem, eu o prendo ento, Dallas.  Pegou o comunicador as-
sim que ouviu um bipe.  Pronto, j temos o mandado eletrnico. Esta-
mos autorizados a invadir. Prefere atacar por cima ou por baixo? 
 Voc sempre preferia atacar por cima nos velhos tempos.  Ela 
sorriu, embora sem humor. 
  Continuo  preferindo.  Entrar por baixo  acaba  com os meus joe-
lhos.  Os dois se viraram de frente para a porta ao mesmo tempo, como 
em um bale ensaiado, respirando depressa e no mesmo compasso, e en-
to arrombaram a porta. Quando as dobradias se soltaram, Eve j abai-
xara o corpo, agachando-se sob o brao de Feeney com a arma apontada 
para a frente. 



~ 316 ~ 
 



Protegendo  um ao  outro,  fizeram uma  inspeo  completa  na  sala 
fracamente iluminada pelas luzes da rua. 
  Tudo  arrumado  como  uma  igreja    sussurrou Feeney.    E  o 
cheiro  de hospital. 
  desinfetante. Vou mandar acender as luzes  sussurrou ela  
e seguir pela esquerda. 
 Pode ir em frente. 
  Acender luzes!    ordenou em voz alta e se moveu para o lado 
esquerdo.    Simon? Aqui  a polcia. Estamos armados e temos ordem
para  prender voc.  Todas as sadas  esto  bloqueadas.    Gesticulou na 
direo de uma porta e recebeu o sinal de Feeney para ir em frente. 
Com a arma a laser diante do corpo na ponta dos braos esticados 
ela entrou, empurrando a porta com fora e fazendo-a bater na parede. 
 Ele esteve aqui  disse a Feeney, observando o quarto em com-
pleta desordem.  Recolheu tudo o que conseguiu e tornou a sumir. 































~ 317 ~ 
 


















?V 
 








CAPTULO DEZOITO 








ou fazer um resumo do que temos  comeou Eve diante 
 
da equipe reunida no escritrio de sua casa.    Ele  bom 
em disfarces. Podemos entregar sua foto para a mdia e pe-
dir que a divulguem a cada meia hora,  mas ele no vai nem se parecer
com a foto. Suspeitamos que esteja com muito dinheiro, fichas de crdito 
avulsas e  talvez  uma  identidade  falsa  para  poder viajar livremente.  Di-
vulgaremos seus traos fsicos, mas a probabilidade de o encontrarmos
dessa forma  mnima. 
Esfregou os olhos cansados e ingeriu mais cafena. 
 Quero um laudo de Mira, mas a minha opinio  que o fato de ele 
ter sido  interrompido  esta  noite,  depois do  estupro,  deve  t-lo  deixado 
sexualmente frustrado, no limite, e muito abalado.  um indivduo obses-
sivamente organizado, mas deixou o seu espao de trabalho e a sua resi-
dncia de cabea para baixo na pressa de pegar as coisas de que precisa-
va para fugir. 
 Tenente. .  Embora no tenha levantado o brao, a fim de pedir 
permisso para falar, Peabody sentiu como se devesse t-lo feito. De uma 
policial  para  outra,  apenas,  sem outro  envolvimento,  ela  perguntou, 
quando Eve olhou em sua direo:  A senhora acha que ele ainda est 
na cidade? 
 Os dados que conseguimos levantar at o momento indicam que 
ele nasceu e foi criado aqui. Morou nesta cidade durante toda a sua vida e
 pouco provvel que v procurar abrigo em outro lugar. O capito Fee-
 
 



ney  e  o  detetive  McNab  continuaro  a  busca  por mais dados pessoais, 
mas no momento supomos que ele ainda est na rea. 
 Ele no possui veculo prprio  interveio Feeney  e nunca ti-
rou carteira de motorista. Deve depender de transporte pblico para se 
movimentar. 
 E transporte pblico, tanto dentro quanto fora e em torno da ci-
dade, est catico nessa poca.  Isso foi lembrado por McNab, que mal 
levantava os olhos do computador.  O nico modo de ele sair da cidade, 
caso no tenha reservado passagem,  abrir as asas e sair voando. 
 Concordo. Alm disso, os seus outros alvos esto aqui. Todas as 
vtimas anteriores foram na  cidade.  Assustado  ou no,  ele  vai se  sentir 
compelido a atacar a vtima nmero cinco. As festas de Natal servem para 
acion-lo. 
Eve foi at o telo. 
 Executar o disco recolhido como prova, cdigo Simon 1-H!  or-
denou.  Confiscamos dezenas de discos de vdeo em seu apartamento, 
todos com temas natalinos  explicou ela quando a primeira cena apare-
ceu na tela.  Esse aqui  antigo. Parece um filme do sculo 20. 
 A Felicidade No se Compra  reconheceu Roarke, encostado no 
portal.  Estrelando James Stewart e Donna Reed.  Ele sorriu de forma 
simptica diante do olhar carrancudo de Eve.  Estou interrompendo. .? 
 Isso  assunto policial  avisou Eve. Puxa, o cara nunca dormia? 
Ignorando o comentrio da sua mulher, Roarke entrou, sentou-se no 
brao da cadeira de Peaobody e ofereceu: 
 Vocs todos tiveram uma longa noite. Querem que eu lhes mande 
servir algo para comer? 
 Roarke. . 
 Nossa, eu estou morrendo de fome  afirmou McNab, cortando 
as objees que Eve ia fazer. 
 Existem vrios outros vdeos desse tipo  continuou, virando-se 
novamente em direo  tela quando Roarke se levantou e seguiu para a 
cozinha.  Ele os colecionava, bem como arquivos clssicos de texto, co-
mo  Um Conto de Natal. Alm disso,  encontramos grande  quantidade  de 

~ 319 ~ 
 



material pornogrfico, tanto impresso como em vdeo, todos abordando 
este tema. Executar o disco com cdigo Simon 68-A para termos um e-
xemplo  disse ela, de forma seca, fazendo a tela voltar a se iluminar. 
Roarke voltou bem a tempo de ver uma mulher completamente nua, 
 exceo dos chifres que usava na cabea e uma cauda presa  cintura. 
Sou uma das renas..  Meu nome  Dancer, apresentou-se ela, para logo 
em seguida meter na boca o pnis ereto de Papai Noel. 
 Ora, isso  que  diverso  comentou Roarke. 
 H mais uns dez desses filmes e outros tantos em verso pirata 
de ttulos antigos, no to divertidos. Mas o vencedor  este aqui. Rodar 
disco com o cdigo Simon 72! 
Eve lanou um olhar para Roarke e depois se afastou. 
Na  tela,  Marianna  Hawley  lutava  desesperadamente  para  escapar 
das cordas que a prendiam. Sua cabea se lanava para a direita e para a 
esquerda. Estava chorando. Simon entrou em cena, ainda usando a barba 
falsa e a roupa vermelha. 
Olhou para a cmera e ento sorriu para a mulher deitada na cama. 
Voc se comportou bem este ano, garotinha?, perguntou. 
Fique quieta, garotinha. O  cheiro  de  bala  em seu hlito  misturado 
com o de bebida. Papai vai lhe dar um presente. 
A voz veio  sua lembrana como um sussurro no ouvido. Mas Eve 
forou as mos a permanecerem firmes e manteve os olhos na tela. 
Ora, eu acho que voc tem sido uma menina m, muito, muito m, 
mas mesmo assim vou lhe dar um presente legal  
Virou-se para a cmera e fez um striptease cheio de estilo. Deixou a 
peruca e a barba no lugar e comeou a se acariciar. 
Hoje  o primeiro dia do Natal  Meu verdadeiro amor  
Ele a estuprou. Foi rpido e brutal. Enquanto os gritos dela ecoavam 
pela sala, Eve pegou um caf. Embora o gosto fosse de algo amargo e sujo 
ao descer pela garganta, ela o engoliu. 
Em seguida, ele  a  sodomizou.  Ela  parou de  gritar e  simplesmente 
choramingou como uma criana. 



~ 320 ~ 
 



Os olhos dele estavam vidrados ao acabar e seu trax musculoso se 
elevava e abaixava. Pegou algo na caixa de maquiagem e o engoliu. 
 Acreditamos que ele ingere um comprimido de ervas e produtos 
qumicos misturados com Extica para manter a ereo.  A voz de Eve 
era sem expresso e seus olhos continuaram fixos na tela. Aquilo era uma 
responsabilidade diante das vtimas e um desafio diante de si mesma. Ela 
ia assistir a tudo e sobreviveria quilo. 
Marianna no lutou mais ao ser estuprada uma segunda vez. Estava 
longe dali, Eve sabia. Bem longe, em um lugar onde ele no podia mais 
machuc-la. Profundamente s, na escurido de si mesma. 
Ela no reagiu quando Simon comeou a chorar e xing-la de puta, 
ao mesmo tempo que envolvia o lindo festo em volta do seu pescoo e o 
apertava com fora, at que arrebentou e ele teve de usar as mos. 
 Meu Deus!. .   O sussurro entrecortado de McNab estava cheio 
de horror e pena.  J no vimos o bastante? 
  Agora ele  a  enfeita    continuou  Eve,  com a  mesma  voz  mono-
crdica.  Maquia o seu rosto, penteia o seu cabelo e a cobre com o fes-
to.  Podem ver quando  ele  a  levanta,  nesta  cena,  que  a  tatuagem j  foi
aplicada. Ele deixa a cmera fixa no corpo dela. Gosta disso. Deseja poder
rever esta cena repetidas vezes, quando estiver sozinho. V-la como ele a 
deixou. Como ele a criou. 
A tela apagou. 
 Ele no precisou registrar a limpeza. Esta gravao tem trinta e 
trs minutos e doze segundos. Foi o tempo que ele levou para alcanar
essa parte do seu objetivo. Existem outros discos com a gravao dos as-
sassinatos subseqentes. Todos seguem o mesmo padro. Ele  um sujei-
to de hbitos rgidos e muita disciplina. Vai achar um lugar confortvel na 
cidade, um lugar que ele j conhea e onde poder se recuperar e se es-
conder. No vai para uma espelunca, mas para um bom hotel ou para ou-
tro apartamento. 
 Reservar um quarto nesta poca do ano no vai ser fcil   afir-
mou Feeney. 



~ 321 ~ 
 



 No, mas  onde precisamos procurar. Vamos comear pela parte 
norte da cidade. Perguntaremos aos seus amigos e colegas se eles sabem 
de algum lugar assim que chegarem para trabalhar amanh. Talvez con-
sigamos uma  dica  do lugar para  onde  ele foi.  Peabody,  encontre-me  no 
salo s nove da manh, uniformizada. 
 Sim, senhora. 
 O melhor a fazer  dormirmos um pouco neste resto de noite. 
 Dallas, posso ficar aqui por mais uma hora. Alis, se eu pudesse 
acampar por aqui esta noite, poderia voltar s pesquisas logo cedo. 
 Tudo bem, McNab. Vamos parar por agora, ento. 
 Estou de acordo  disse Feeney, levantando-se.  Posso lhe dar 
uma carona para casa, Peabody. 
  No brinque com os meus aparelhinhos, McNab    acrescentou 
Eve ao sair do escritrio.  Isso me deixa pau da vida. 
  Voc precisa de uma ajudinha para dormir   disse Roarke, to-
mando-a pelo brao a caminho do quarto. 
 No comece. 
  Voc  no  precisa  de  sonhos esta  noite.  Precisa  se  desligar por 
completo, durante algumas horas, se no por si mesma, pela mulher que 
vimos ser violentada. 
 Consigo fazer o meu trabalho.  Eve comeou a se despir no ins-
tante em que entraram no quarto, tirando as roupas com muita pressa. 
Precisava  de  uma  ducha  com a  gua  escaldante  para  poder arrancar a-
quele fedor da pele. 
Deixou a roupa amontoada  no cho, entrou direto no boxe e orde-
nou que a gua sasse pelando. 
Ele simplesmente a esperou fora do banheiro. Ela precisava, sabia-o
bem, lutar um pouco antes. Precisava lutar at mesmo contra ele e a sua 
oferta de conforto. A concha espinhenta e resistente com a qual ela se co-
bria era apenas um dos aspectos de Eve que o fascinava. 
E sabia, como se estivesse dentro de sua cabea e dentro do seu co-
rao, o que ela passara ao assistir quele vdeo. 



~ 322 ~ 
 



Assim, no momento em que ela saiu, envolta em um roupo, com os 
olhos sombrios e o rosto plido demais, ele simplesmente abriu os braos
e a aconchegou. 
  Deus, meu Deus!  Ela o abraou com fora e os dedos aperta-
ram-lhe as costas.  Dava para sentir o cheiro dele em cima de mim. Da-
va para sentir o cheiro dele. 
Roarke  se  sentiu arrasado  ao  v-la  naquele  estado,  ao  senti-la  es-
tremecer e ao sentir o seu corao disparado de encontro ao dele. 
 Ele nunca mais vai poder atingir voc, querida. 
 Mas ele me atinge.  Ela enterrou o rosto no ombro de Roarke e 
se deixou envolver pelo seu cheiro.  Cada vez que entra em meus pen-
samentos, ele me atinge. No consigo impedi-lo. 
 Pois eu consigo.  Ele a pegou no colo, sentou-se na beira da ca-
ma e a embalou.  No pense em mais nada agora, Eve. Apenas fique a-
qui, quietinha, me abraando. 
 Eu consigo fazer o meu trabalho. 
 Eu sei. Mas a que preo?  perguntou-se ele, ninando-a como a 
uma criana. 
 No quero tomar nada para dormir. Quero s voc. Voc  o bas-
tante para mim. 
 Ento durma. Deixe tudo de lado.  Virou a cabea para beijar-
lhe o cabelo.  Durma. 
 No v embora.  Ela se chegou mais para perto dele e deu um 
suspiro longo e profundo.  Preciso de voc. Preciso demais. 
 Demais no. No pode ser demais. 
Ela colocara uma recordao na caixa que eles ganharam, refletiu e-
le. Agora ele colocava um pedido ali. Por uma noite ou pelas poucas horas 
que ainda restavam, ela ia dormir em paz. 
Assim, abraou-a at sentir que ela deslizou para um sono sem so-
nhos. 
E ainda a abraava quando ela acordou. 




~ 323 ~ 
 



Estavam agarrados um ao outro e a cabea dela estava aninhada na 
curva do ombro dele. Em algum momento durante a noite ele se despira e 
deitara ao lado dela na cama. 
Ela ficou ali sem se mover por alguns instantes, estudando o rosto 
dele. Parecia incrivelmente bonito  luz suave da madrugada. Linhas for-
tes, pestanas grossas e largas e a boca de poeta sonhador. Sentiu vontade 
de fazer-lhe um cafun e sentir os seus cabelos pesados e sedosos, mas
seus braos estavam presos. 
Em vez disso, ela o beijou de leve, no s para lhe agradecer, mas
tambm a fim de despert-lo o suficiente para conseguir se soltar. Mas o 
abrao dele a apertou ainda mais. 
 Humm..  S mais um minuto  pediu ele. 
As sobrancelhas dela se ergueram. A voz dele estava espessa, pasto-
sa, e seus olhos continuavam fechados. 
 Voc est cansado. 
 Nossa, e como! 
 Voc nunca fica cansado  disse ela, apertando os lbios. 
 Pois agora estou. Fique quietinha. 
Aquilo a fez dar uma risada, pois sentiu uma pontinha de irritao 
sonolenta em seu tom de voz. 
 Fique na cama mais um pouco  props ela. 
 Vou ficar mesmo. 
 Preciso me levantar.  Conseguindo libertar um dos braos, fez 
um carinho em seu cabelo.  Volte a dormir. 
 Voltaria, se voc calasse a boca.  
Ela riu e conseguiu se livrar de vez. 
 Roarke. .? 
 Ai, cacete!  Ele rolou para o lado com ar defensivo, enterrou o 
rosto no travesseiro e perguntou:  Que foi?! 
 Eu amo voc. 
Ele virou a cabea para olhar para ela, com os olhos ainda pesados 
entreabertos e com um brilho preguioso que comeou a excit-la. Essa, 



~ 324 ~ 
 



pensou Eve,  era  a  magia dele.  A  capacidade  de  faz-la  pensar em sexo 
mesmo depois de ter visto o que vira e ter passado pelo que passara. 
 Ora, ento volte aqui. Talvez eu consiga me manter acordado pelo 
tempo suficiente. 
 Mais tarde. 
A resposta de Roarke foi um grunhido e ele tornou a enfiar a cara no 
travesseiro. 
Decidida a no se sentir ofendida, ela se vestiu, ordenou caf e colo-
cou o coldre. Roarke no movera um msculo sequer quando ela deixou o 
quarto. 
Decidiu verificar McNab antes de sair e o encontrou esparramado na 
poltrona reclinvel do escritrio com Galahad aninhado em torno da ca-
bea, como um gorro que lhe descia at as orelhas. Ambos roncavam. 
Ao sentir a aproximao de Eve, o gato entreabriu um olho, lanou-
lhe um olhar entediado e lhe ofereceu um miado de irritao. 
 McNab!  Como ele no respondeu, Eve girou os olhos com im-
pacincia  e  deu-lhe  uma  sacudida no  ombro.  Ele  simplesmente  bufou e 
virou a cabea de lado. 
O movimento de sua cabea fez o gato se inclinar, e a resposta do bi-
chano a isso foi se segurar com as garras. McNab tornou a bufar e armou
um sorriso afetado, dizendo: 
 Cuidado com as unhas, gatinha. 
 Ei!  Eve deu-lhe um soco no ombro.  Nada de sonhos erticos
na minha poltrona, meu chapa! 
 Hein? Ah, qual , gatinha.  Seus olhos se abriram, vitrificados e 
pesados, e ento focalizaram Eve.  Ahn? Dallas? Que foi? Onde?  Le-
vantou a mo, sentiu o peso nos ombros e, apalpando, segurou a cabea 
de Galahad.  Quem? 
 Voc esqueceu do por qu, mas no precisa nem perguntar. Re-
componha-se! 
 T. . T. . Puxa. .  Tornou a virar o rosto at ficar cara a cara com 
Galahad.  Esse gato  seu? 



~ 325 ~ 
 



 Ele mora aqui. Est acordado o bastante para me dar uma atuali-
zao? 
 Certo, claro.  Lutando para conseguir se sentar, passou a lngua 
sobre os dentes.  Caf! Estou implorando! 
Como tambm era viciada em caf, Eve foi at a cozinha, solcita, e 
ordenou uma dose dupla da bebida, bem forte e quente; em seguida, le-
vou a caneca para ele. 
O gato estava no colo de McNab quando ela voltou, apertando as su-
as coxas e olhando para ele como se o desafiasse a protestar. McNab pe-
gou a caneca de caf com as duas mos e bebeu mais da metade de uma 
vez s. 
 Obrigado. Uau! Sonhei que estava fora do planeta, em um resort, 
transando com uma mutante incrivelmente bonita que tinha plos em vez 
de pele.  Olhou para Galahad novamente e fez uma careta.  Nossa! 
  No perguntei por detalhes de suas fantasias libidinosas. O que 
conseguiu? 
 Certo. Verifiquei em todos os hotis cinco estrelas da cidade. Ne-
nhum homem sozinho reservou quarto ontem  noite. Procurei nos ho-
tis de quatro e trs estrelas e o resultado foi o mesmo. Consegui os da-
dos pessoais dele. O disco est sobre a sua mesa, devidamente etiqueta-
do. 
  Informe  os achados mais importantes   pediu ela,  pegando  o 
disco e guardando-o na bolsa. 
 Nosso homem tem quarenta e sete anos, nasceu aqui na cidade de 
Nova York. Os pais se divorciaram quando ele tinha doze anos. A me fi-
cou com a guarda do filho.  Abriu a boca em um bocejo to grande que 
o maxilar estalou.  Desculpe. Ela jamais se casou. Trabalhou como atriz 
em produes baratas. Tem um histrico de problemas mentais. Esteve 
internada em clnicas psiquitricas vrias vezes, na maioria delas por de-
presso. O tratamento no funcionou porque ela se matou no ano passa-
do. Adivinhe em que dia? 
 No Natal. 



~ 326 ~ 
 



 Acertou na mosca, tenente. Quanto a Simon, tem um bom nvel de 
instruo  e  se  especializou em duas reas.  Teatro  e  cosmetologia.  For-
mou-se em ambas. Trabalhou algum tempo como maquiador em peas de 
teatro e shows. Assumiu o salo h dois anos. Nunca se casou e morou 
todo esse tempo com a me. 
Fez uma pausa para tomar um pouco mais de caf. 
 No est em dificuldades financeiras  continuou McNab , mas 
o tratamento de sua me custou uma grana preta. No tem ficha criminal. 
Quanto  sua sade, no achei nada, a no ser exames de rotina e check-
ups; nenhum problema mental. 
 Mande uma cpia dos dados pessoais para Mira e tente desenca-
var alguma informao sobre o pai. Continue a verificar as reservas dos
hotis. Ele tem que ter ido para algum lugar. 
 Posso tomar o caf-da-manh aqui? 
 Voc sabe onde fica a cozinha. Vou para a rua. Mantenha-me a-
tualizada. 
 Certo. Ahn..  Dallas, voc e Peabody esto bem? 
 E por que no estaramos?  perguntou ela, erguendo as sobran-
celhas. 
  que eu senti um clima estranho entre vocs. 
 Mantenha-me atualizada  repetiu ela e o deixou bebendo caf, 
acariciando as orelhas do gato e matutando sobre alguma coisa. 



Eve decidiu que das duas, uma: ou a sua auxiliar dormira sobre uma t-
bua, ou passara goma demais no uniforme, pois estava dura e seca como 
uma torrada queimada. 
Mas foi pontual.  Trocando  acenos de  cabea,  em vez  de  palavras, 
caminharam juntas at a entrada do salo. Yvette j estava atrs do bal-
co e parecia muito ocupada, consultando a agenda do dia em seu moni-
tor. 
 A senhora est virando uma cliente assdua  disse a Eve.  De-
via aproveitar e fazer suas unhas na manicure ou algo desse tipo. 

~ 327 ~ 
 



 Tem alguma sala de tratamento que esteja vazia? 
  Temos duas salas, mas nossos consultores s estaro livres de-
pois das duas da tarde. 
 Tire cinco minutos de folga, Yvette. 
 Como assim? 
 Quero cinco minutos do seu tempo. Precisamos conversar. Vamos 
usar uma das salas vazias. 
 Olhe, tenente, eu realmente estou muito ocupada no momento. 
 Pode ser aqui ou na Central de Polcia. Vamos. 
 Ora, mas pelo amor de Deus!   Bufando de irritao, Yvette se 
levantou do banco alto em que trabalhava.  Deixe-me ligar uma andri-
de e coloc-la no meu lugar. Estamos sem funcionrios disponveis. 
Ela foi at a ponta do balco e digitou um cdigo na porta de um ar-
mrio alto. A andride guardada l dentro estava muito bem arrumada e 
penteada, vestia um colante elegante cor de pele que combinava com o 
tom dourado  de  sua  pele  e  com os cabelos ruivos muito  marcantes. 
Quando Yvette a ligou, a andride abriu os olhos grandes e incrivelmente 
azuis, piscou duas vezes, balanando os clios grossos e pesados, e sorriu, 
perguntando: 
 Posso ajud-la em alguma coisa? 
 Assuma o balco da recepo. 
 Fico feliz em servi-la. Voc est linda hoje. 
  T legal.    Obviamente irritada, Yvette deu as costas para a  a-
tendente robtica.  Ela diria isso mesmo que eu tivesse a cara coberta 
de verrugas. Esse  o problema com os andrides. Espero que a conversa 
seja  rpida,  tenente    acrescentou saindo  apressada  em direo  aos
fundos do salo.  Simon no gosta que deixemos nossos lugares, a no 
ser nos intervalos determinados. 
 Ele no vai reclamar.  Eve entrou na sala de tratamento vazia e 
desejou que o lugar no se parecesse tanto com uma sala de autpsia.  
Quando falou com Simon pela ltima vez? 
  Ontem.    J  que  estava  ali,  Yvette  pegou uma  luva  massa-
geadora, enfiou-a na mo e a ligou. O aparelho zumbiu baixinho e ela co-

~ 328 ~ 
 



meou a massagear o pescoo e os ombros.  Tivemos um levantamento 
de busto s quatro da tarde e a sesso s acabou s seis. Se precisa falar
com Simon, ele deve chegar a qualquer instante. Na verdade, ele j devia 
estar aqui desde a hora em que abrimos.  vspera de Natal e estamos
atolados de clientes. 
 Eu no o esperaria hoje se fosse voc. 
Yvette piscou, a luva massageadora pareceu engasgar e fez sua mo 
sacudir. 
 H algo errado com Simon? Ele sofreu algum acidente? 
 Sim, h algo errado com Simon, mas ele no sofreu nenhum aci-
dente. Simplesmente ele atacou Piper Hoffman ontem  noite. 
 Atacou? Simon?  Yvette deu uma gargalhada.  A senhora deve
estar com a cabea fora de rbita, tenente. 
  Ele  assassinou quatro  pessoas,  estuprou-as e  estrangulou-as,  e 
quase fez o mesmo com Piper na noite passada. Agora desapareceu. Sabe 
para onde pode ter ido? 
 No, a senhora est enganada.   Yvette balanou a cabea com 
determinao enquanto arrancava a luva massageadora.  S pode estar 
errada. Simon  gentil e doce. No poderia magoar algum. 
 H quanto tempo voc o conhece? 
 Eu..  faz uns dois anos, desde que ele assumiu o controle do salo. 
A senhora s pode estar enganada.  Yvette levantou as mos e as colo-
cou sobre as bochechas.  Piper? A senhora disse que Piper foi atacada? 
Ela est ferida? Onde ela est? 
 Est em coma no hospital. Simon foi interrompido antes de aca-
bar com ela e fugiu. Voltou ao seu apartamento, mas no est l agora. 
Para onde pode ter ido? 
 No sei. No consigo acreditar nessa histria. A senhora tem cer-
teza? 
 Sim, tenho certeza.  Eve manteve os olhos fixos nela. 
  Mas ele  adorava  Piper.  Era  o  consultor de  beleza  pessoal  dela, 
mas no s dela, de Rudy tambm. Fazia todos os tratamentos neles. Si-
mon os chamava de Anjos Gmeos. 

~ 329 ~ 
 



 Com quem mais ele tem intimidade aqui? Com quem conversa a 
respeito da sua vida pessoal? Ou a respeito da sua me? 
 Sua me? Ela faleceu no ano passado. Ele ficou arrasado. Ela so-
freu um acidente fatal. 
 Ele contou que a morte dela foi por acidente? 
 Sim, parece que ela desmaiou ou algo assim dentro da banheira. 
Afogou-se. Foi horrvel. Eles eram muito chegados, ela e o filho. 
 Ele falou com voc a respeito dela? 
 Sim, trabalhvamos juntos, passvamos muitas horas em compa-
nhia um do outro aqui dentro. ramos amigos.  Seus olhos se encheram
d'gua.  No posso acreditar no que a senhora est me contando. 
 Pois trate de acreditar, para sua prpria segurana. Para onde ele 
iria, Yvette, se estivesse apavorado e no pudesse ir para casa? Deve ha-
ver um lugar onde ele pudesse se esconder. 
 No sei. Sua vida se resumia nisto aqui, no salo, especialmente 
depois que a sua me morreu. Acho que ele no tinha nenhum outro pa-
rente. Seu pai morreu quando ele era menino. Ele no ligou para mim on-
tem  noite. Juro que no ligou. 
 Se ligar, quero que voc entre em contato comigo imediatamente. 
No se arrisque. No v se encontrar com ele. No abra a porta de casa se 
ele aparecer l. Agora eu preciso verificar o armrio dele, e depois quero 
interrogar os outros funcionrios. 
 Certo. Vou providenciar isso. Ele no andava agindo de forma es-
tranha nem nada. Yvette enxugou uma lgrima presa nos clios e se le-
vantou.  Estava todo empolgado por causa do Natal. Ele  muito senti-
mental, entende? Perder a me foi uma nuvem negra nas festas do ano 
passado para ele. 
 Sim. Bem, parece que ele est tirando o atraso neste ano.  Eve 
entrou na sala dos funcionrios e olhou de relance para um consultor ro-
busto que tomava um copo de bebida energtica verde-hortel. 
 Ele trocou a senha  informou Yvette.  O armrio est tranca-
do. No consigo abri-lo sem a nova senha. 
 Quem  o responsvel pelo sistema quando ele no est aqui? 

~ 330 ~ 
 



 Sou eu  disse Yvette, soltando o ar dos pulmes com fora.  
Eve pegou a arma, inclinou a cabea e disse: 
 Posso abrir o armrio com o auxlio disso aqui, mas voc tem que 
me dar autorizao para arromb-lo. 
 Tudo bem, v em frente.  Yvette fechou os olhos. 
 Gravou o que ela disse, Peabody? 
 Sim, senhora. 
Eve ajustou a mira, apontou e disparou contra a fechadura. A arma 
soltou uma rajada rouca e emitiu fascas. A fechadura de metal arreben-
tou e caiu no cho. 
  Nossa,  Yvette,  mas que  diabos est  acontecendo?    quis saber 
uma voz atrs delas. 
 Isso  assunto da polcia, Stevie.  Yvette abanou a mo para o 
consultor assustado.    Voc  tem uma  sesso  de  relaxamento  marcada 
para as nove e meia. V preparar a sala. 
 Simon vai ficar pau da vida com essa histria  avisou ele balan-
cando a cabea ao sair. 
Dando um passo para o lado, a fim de permitir um ngulo melhor 
para Peabody gravar, Eve segurou o puxador da porta. 
 Merda!  exclamou, puxando a mo de volta e assoprando-a de-
pressa.  Est quente demais. 
 Use isto.  Peabody pegou um leno impecvel, em seu bolso e o 
estendeu para Eve. Os olhos das duas se encontraram por um breve ins-
tante. 
 Obrigada.  Usando o leno, Eve cobriu o puxador com ele e a-
briu a porta do armrio.  Ora, ora. . Papai Noel saiu apressado  mur-
murou. 
A roupa vermelha fora embolada e jogada dentro do armrio. Botas 
altas pretas e brilhantes estavam em cima dela. Inclinando-se para baixo, 
Eve pegou uma lata de spray selante e cobriu as mos com ele. 
 Vamos ver o que mais encontramos por aqui. 
Havia duas latas de desinfetante, meia caixa de sabonetes de ervas, 
tubos de creme protetor e um aparelhinho de venda livre que prometia 

~ 331 ~ 
 



matar todos os germes  emitindo  ondas sonoras de  alta  freqncia.  Eve 
encontrou outra  caixa  de  equipamento  de  tatuagem e  tambm moldes
para vrios desenhos mais complicados. 
 Isso o incrimina.  Eve pegou uma placa fina com letras estiliza-
das: 

MEU VERDADEIRO AMOR 

  Guarde  tudo  nas embalagens de  provas,  Peabody, e  consiga al-
gum para lev-las. Quero isso no laboratrio em uma hora, no mximo. 
Vou ficar na sala de tratamento vazia, interrogando o pessoal do salo. 
Eve no conseguiu mais nenhuma informao da equipe. Simon era 
admirado  e  querido  pelos funcionrios.  Eve  ouviu at  mesmo  palavras 
como compassivo, generoso e solidrio. 
E  se  lembrou do  horror e  da  dor que  vira  nos olhos de  Marianna 
Hawley. 
A viagem at o hospital, para verificar o estado de Piper, foi feita em 
silncio.  Embora  o  aquecimento  do  novo  veculo  fornecesse  um calor
constante, o ar parecia muito frio. 
Tudo bem, pensou Eve. Por ela estava timo. Se Peabody queria ficar 
andando  por a com um cabo  de  vassoura  espetado  na bunda,  era  pro-
blema dela. Isso no afetaria o trabalho. 
 Faa uma ligao para McNab  ordenou Eve ao entrar no eleva-
dor, sem olhar para o lado.  Veja se ele descobriu outros possveis es-
conderijos para Simon. Depois verifique se Mira recebeu os dados pesso-
ais. 
 Sim, senhora. 
 E se tornar a dizer sim, senhora com essa cara de quem comeu
e no gostou eu vou lhe dar uma surra de cinto.  Dizendo isso, Eve mar-
chou para fora do elevador e deixou Peabody fazendo caretas atrs dela. 
 Quero saber o estado de Piper  disse Eve, colocando o distinti-
vo com fora sobre o balco do posto de enfermagem. 
 A paciente est sedada. 

~ 332 ~ 
 



 Como assim, sedada? Ela j saiu do coma? 
A  enfermeira,  que  usava  uma  tnica  colorida  cheia  de  flores pri-
maveris, expressou irritao e informou: 
  A srta. Piper recuperou a conscincia cerca de vinte minutos a-
trs. 
 E por que no me comunicaram esse fato? A ordem estava clara-
mente especificada em sua prancheta. 
 Sim, realmente estava, tenente. Mas a paciente recobrou a cons-
cincia a plenos pulmes. Apresentou-se incoerente, histrica e violenta. 
Fomos forados a imobiliz-la e, em seguida, lhe aplicamos um tranqili-
zante, por ordens do mdico e com autorizao do parente mais prximo. 
 E onde est o parente mais prximo? 
 Est no quarto, ao lado dela, onde, alis, passou a noite toda. 
 Chame o mdico que a atendeu e mande-o vir at aqui.  Giran-
do o corpo, Eve saiu a passos largos pelo corredor em direo ao quarto 
de Piper. 
Ela parecia uma fada adormecida. Plida, loura e linda. Sombras de-
licadas estavam sob os seus olhos, e um leve tom rosado provocado pelos
medicamentos realava-lhe as mas do rosto. 
Perto da cama, os monitores zumbiam suavemente. O quarto em si 
era decorado como a sala de visitas de uma sute em hotel de classe. Os
pacientes com boas condies financeiras podiam se  curar cercados de 
sofisticao e conforto. 
A primeira lembrana que Eve tinha de um tratamento mdico era 
um quarto estreito e horrvel onde se enfileiravam camas estreitas e hor-
rveis em cima das quais mulheres e meninas gemiam de dor. As paredes 
eram cinza, as janelas, pretas, e o ar fedia a urina. 
Tinha oito anos, estava destroada e sozinha, e no tinha nem mes-
mo a lembrana do prprio nome para consol-la. 
Piper, porm, no enfrentaria nenhum desses desconfortos. Seu ir-
mo estava ao lado de sua cama, segurando sua mo com carinho e deli-
cadeza, para ela no se quebrar como vidro frgil, caso ele a pressionasse 
um pouco mais. 

~ 333 ~ 
 



Havia ramalhetes e grandes braadas de flores em cestas, recipien-
tes diversos e vasos altos e elegantes. Uma msica melodiosa e tranqili-
zadora, executada por instrumentos de corda, tocava baixinho. 
 Ela acordou gritando.  Ele no olhou para trs e manteve os o-
lhos fundos no  rosto  da  irm.    Gritou pedindo  a  minha ajuda.  Emitiu
sons que nem mesmo pareciam humanos. 
Levantou a mo estreita e comprida e a passou pelo prprio rosto. 
 Ela no me reconheceu; tentou bater em mim e nas enfermeiras. 
No sabia quem eu era nem onde estava. Ela pensou que ainda estivesse. . 
Achou que ele ainda estava por perto. 
 Ela disse alguma coisa, Rudy? Ela falou o nome dele? 
 Ela guinchou o nome dele em uivos desesperados.  O rosto dele 
pareceu perder a textura e a cor no instante em que levantou a cabea. 
Estava sem expresso, como se fosse de cera.  Sim, ela disse o seu no-
me. Por favor, meu Deus, ela disse, Simon, no, no faa isso no!. ., e 
repetiu a mesma coisa sem parar. 
Um sentimento de compaixo por ambos fez o corao de Eve se a-
pertar. 
 Rudy, eu tenho que conversar com ela. 
 Ela precisa dormir. Precisa esquecer.  Levantou a outra mo e 
acariciou os cabelos de Piper.  Quando ela estiver melhor, quando esti-
ver em condies, vou lev-la daqui. Vamos para algum lugar quente, en-
solarado e cheio de flores. Ela vai se curar l, longe de tudo isso. Sei muito 
bem o que a senhora pensa de mim. De ns. Eu no ligo. 
 No importa o que eu penso de vocs.  ela que importa.   Eve 
chegou mais perto, at ficar frente a frente com ele, do outro lado da ca-
ma.  Ser que a cura no vai ser mais completa, Rudy, se ela souber que 
o homem que fez isso est preso? Preciso falar com ela. 
 Piper no deve ser forada a falar disso. A senhora no pode en-
tender como ela vai se sentir nem o que isso vai representar para ela. 
 Posso entender sim. Sei exatamente pelo que ela passou  disse 
Eve, marcando bem as palavras enquanto Rudy estudava o seu rosto.  



~ 334 ~ 
 



No vou feri-la mais. Quero agarrar esse homem, Rudy, antes que ele faa 
o mesmo que fez a ela e at pior a outra pessoa. 
 Eu vou ficar aqui  disse ele depois de um longo silncio.  Ela 
vai precisar de mim aqui..  e do mdico tambm. O mdico vai ter que fi-
car. Se ela ficar muito agitada, quero que ele torne a lhe aplicar um seda-
tivo. 
 Tudo bem. Mas voc vai ter que me deixar fazer o meu trabalho. 
Ele assentiu com a cabea e voltou os olhos para o rosto de Piper. 
 Ela vai..  Quanto tempo..  Se a senhora sabe como ela est se sen-
tindo, quanto tempo levar para ela esquecer? 
 Deus, pensou Eve. 
 Ela nunca esquecer  disse Eve, sem expresso.  Mas vai con-
seguir viver com isso.  


































~ 335 ~ 
 


















?I 
 








CAPTULO DEZENOVE 








sto vai traz-la de volta gradualmente.  O mdico era jovem e 
 
tinha olhos que ainda exibiam compaixo e devoo  sua arte. 
Injetou pessoalmente  a  medicao  ao  soro  em vez  de  delegar 
essa  tarefa  incmoda  a  uma  enfermeira  ou assistente.    Vou mant-la 
um pouco abaixo da conscincia total para que no se agite demais. 
 Preciso que ela esteja consciente  avisou Eve, e o mdico lan-
ou um olhar suave, com olhos castanhos, para ela. 
 Sei que precisa, tenente. Normalmente eu nem mesmo concorda-
ria  em diminuir o  nvel  de  sedao  de  uma  paciente  nessas condies. 
Mas compreendo a necessidade disso diante das circunstncias. Agora eu 
quero  que  a  senhora  entenda  que  ela  precisa  se  manter o  mais calma 
possvel. 
Desviou a ateno para os monitores, ao mesmo tempo que manti-
nha os dedos sobre o pulso de Piper. 
 Ela est estvel  disse o mdico, e ento olhou novamente para 
Eve.  A recuperao tanto fsica quanto emocional, em um trauma des-
se tipo,  uma jornada muito difcil. 
 O senhor conhece as enfermarias especializadas em caso de estu-
pro em Alphabet City? 
 No h nenhuma enfermaria desse tipo naquela rea. 
 Mas tinha, at uns cinco anos atrs, quando o governo modificou 
as exigncias para licenciamento  e tambm tabelou os servios para  as 
acompanhantes licenciadas que trabalham nas ruas. Muitos dos pacientes
 
 



nas enfermarias eram prostitutas e  prostitutos de  rua,  e  eram os mais
jovens tambm.  Rapazinhos e  moas recm-chegados de  regies rurais 
que no sabiam lidar com clientes turbinados por Zeus e Extica. Traba-
lhei l durante seis meses miserveis. Sei muito bem o que estou fazendo 
aqui. 
O mdico assentiu com a cabea e levantou a plpebra da paciente. 
 Ela est acordando  informou.  Rudy, deixe que ela veja voc 
primeiro. Converse com ela, tranqilize-a. Mantenha a voz baixa e calma. 
 Piper.  Rudy colocou no rosto uma fraca imitao de sorriso e 
se inclinou sobre a cama.  Querida,  o Rudy que est falando. Voc est 
bem. Est comigo. Est completamente a salvo. Est comigo. Pode me ou-
vir? 
 Rudy?  ela falou com a voz meio engrolada, mantendo os olhos 
fechados, mas virando o rosto na direo da voz.  Rudy, o que aconte-
ceu? O que aconteceu? Onde voc estava? 
 Estou aqui agora.  Uma lgrima desceu lentamente pela sua fa-
ce.  E vou ficar aqui com voc. 
 Simon, ele est me machucando. No consigo me mexer. 
 Ele j foi embora. Voc est salva. 
 Piper.  Eve percebeu o pnico que surgiu em seus olhos, apesar 
da medicao, assim que ela os abriu e piscou.  Voc se lembra de mim? 
  Polcia. A tenente. A senhora queria que eu dissesse coisas ms 
sobre Rudy. 
  No,  queria  apenas  que  voc  me  dissesse  a  verdade.  Rudy  est 
aqui. Vai ficar ao seu lado o tempo todo, enquanto voc conversa comigo. 
Conte-me o que aconteceu com voc. Fale-me de Simon. 
 Simon.  As luzes do monitor se agitaram.  Onde est ele? 
 No est aqui. Ele no pode mais machuc-la.  De forma gentil, 
Eve pegou a mo que Piper estendeu, como para se defender de um gol-
pe.   Ningum  vai machuc-la.  Vou mant-lo  bem longe de  voc,  mas
precisa me ajudar. Tem que me dizer o que ele fez. 
 Ele bateu na porta.  Os olhos dela se fecharam, mas Eve podia 
ver os movimentos  rpidos por trs das plpebras delicadas.    Fiquei

~ 337 ~ 
 



feliz em v-lo. Eu tinha um presente de Natal para ele, e ele trazia uma 
caixa  embrulhada  em papel  prateado.  Um  presente.  Simon  trouxe  um
presente para mim e para Rudy, pensei. Ento eu lhe disse que Rudy no 
estava. Ele j sabia. .  No, ele no est, voc est sozinha. Sozinha comigo.
Ele sorriu para mim e. . colocou a mo sobre o meu ombro. 
Ento  eu me  senti tonta,  murmurou   Fiquei to  tonta  que  no 
conseguia mais enxergar direito. Tive que me deitar, me senti to estra-
nha. . Eu o ouvia, ouvia quando ele falava comigo, mas no compreendia 
direito. No conseguia me mover, no conseguia abrir os olhos. No con-
seguia pensar  
 Lembra alguma coisa que ele tenha dito? Qualquer coisa? 
  Disse  que  eu era  linda.  Disse  que  sabia  como  me  tornar ainda 
mais bonita. Senti algo gelado na minha perna, fazendo ccegas na coxa, 
mas ele continuou falando comigo. Disse que me amava, apenas a mim. 
Era um amor verdadeiro e ele queria que eu fosse o seu verdadeiro amor. 
Eu no era, mas poderia ser. As outras no importavam. Apenas eu. Ele 
continuou falando, mas eu no conseguia mais responder. Todos os ou-
tros amores estavam mortos porque  no  eram verdadeiros.  No  eram
puros, no eram inocentes. No!  De repente ela tirou a mo de Eve e 
tentou rolar para o lado. 
 Est tudo bem. Voc est a salvo. Sei que ele a machucou, Piper. 
Sei o quanto a machucou, e sei o quanto voc teve medo. Mas no precisa 
mais ter medo.    Com firmeza,  Eve  segurou-lhe  a  mo.    Olhe  para 
mim, fale comigo. Eu no vou mais deix-lo machuc-la. 
 Ele me amarrou.  Lgrimas comearam a lhe escorrer pela face. 
 Ele me amarrou na cama. Arrancou as minhas roupas. Implorei para 
que ele no fizesse aquilo. Ele era meu amigo. Ele se fantasiou. Foi horr-
vel. Havia uma cmera. Ele posou na frente dela, sorriu e disse que eu ti-
nha sido uma menina m. Seus olhos..  havia alguma coisa errada com os
seus olhos. Eu gritava, mas ningum me ouvia. Onde est Rudy? 
 Estou aqui.  Ele quase se engasgou com as palavras, beijou-lhe 
as sobrancelhas e a testa.  Estou aqui. 



~ 338 ~ 
 



  Ele fez coisas comigo. Ele me estuprou, e doeu muito. Ele disse
que eu era uma puta. Disse que a maioria das mulheres  puta, que so 
apenas atrizes que fingem ser diferentes, mas no fundo so apenas putas. 
Disse que a maioria dos homens as usa e depois as abandona. Disse que 
eu era  uma  puta  e  ele  poderia  fazer comigo  o que  bem quisesse.  E  fez, 
continuou me  machucando.  Rudy,  eu chamava  por voc,  pedindo  para 
que o fizesse parar. Faa-o parar! 
 Rudy chegou  disse-lhe Eve.  Rudy chegou e o fez parar. 
 Rudy chegou? 
 Sim, ele a ouviu, chegou e tomou conta de voc. 
 Ele parou. Sim, ele parou.  Tornou a fechar os olhos.  Houve 
gritos,  barulhos e  algum comeou  a  gritar muito  alto,  chamando  pela 
me. No me lembro de mais nada. 
 OK. Voc foi muito bem, Piper. 
 A senhora no vai deixar que ele volte?  Seus dedos apertaram 
os de Eve.  No vai deixar que ele me encontre? 
 No, no vou deixar que ele volte. 
 Ele colocou alguma coisa na minha pele  lembrou Piper.  Pas-
sou um spray em todo o meu corpo.  Piper mordeu o lbio.  Dentro 
de  mim  tambm.  Seu corpo  estava  todo  depilado.  No  havia  um fio  de 
cabelo sequer. Ele tem uma tatuagem no quadril. 
Aquilo  era  novidade,  refletiu Eve.  Ele  no  tinha  tatuagem alguma 
nos vdeos que ela investigara. 
 Voc se lembra de como era essa tatuagem? 
 Estava escrito Meu Verdadeiro Amor. Ele me mostrou a tatuagem, 
queria que eu a visse com ateno. Explicou que era nova, uma tatuagem
permanente e no temporria. Disse que estava cansado de ser tempor-
rio para todos aqueles a quem amava. Eu estava chorando e lhe disse que 
jamais o  magoara.  Ento  ele  chorou tambm.  Afirmou que  sabia  disso, 
sentia muito e no sabia mais o que fazer. 
 Consegue se lembrar de mais alguma coisa? 
 Ele me disse que eu ia sempre am-lo, porque ele seria o meu l-
timo homem. E que ele ia sempre se lembrar de mim, porque eu fora a-

~ 339 ~ 
 



miga dele.  O brilho desaparecera dos seus olhos. Agora eles pareciam 
simplesmente cansados.  Ele ia me matar. No era mais Simon, tenente. 
O homem que fez isso comigo. . eu no o conheo. Ele se transformou em
outra  pessoa  naquele  momento.  Acho  que  isso  o  assustou quase  tanto 
quanto assustou a mim. 
 No precisa mais ter medo, eu lhe asseguro.  Dando um passo 
para trs, Eve olhou para Rudy.  Vamos l fora um minuto, deixe o m-
dico examinar a sua irm. 
  J volto.    Ele beijou os dedos de Piper.    Estou bem aqui na 
porta.  No  quero  deix-la  sozinha    disse  a  Eve  assim que  a  porta  do
quarto se fechou atrs deles. 
 Ela vai precisar falar com algum. 
 J falou muito por hoje. Ela lhe contou tudo, tenente, pelo amor
de Deus... 
 Ela vai precisar de acompanhamento psicoterpico  interrom-
peu Eve.  Precisa de tratamento. Lev-la para longe daqui no vai aju-
d-la a lidar com o que houve. Eu lhe dei um carto, h  alguns dias, um 
carto meu com um nome e um numero atrs.  Entre em contato com a 
dra. Mira, Rudy. Deixe que ela ajude a sua irm. 
Ele abriu a boca para falar alguma coisa, mas no disse nada. Pare-
ceu estar fazendo um grande esforo para se controlar. 
 A senhora foi muito gentil l dentro, tenente. Muito boa. Quando 
ouvi Piper descrever o que lhe aconteceu, percebi por que a senhora no 
foi boa nem gentil comigo, pois acreditava que eu era o responsvel pelo. . 
pelo que aconteceu com os outros. Eu lhe sou grato, tenente. 
 Deixe para ser grato quando eu o apanhar.  Ela se balanou pa-
ra trs sobre os calcanhares.  Voc o conhece bem, no conhece? 
 Pensei que sim. 
 Para onde ele iria? H algum lugar ou algum? 
 Eu imaginava que ele procuraria por mim ou por Piper no caso de 
haver algum problema.  Passvamos  grande  parte  do  tempo em compa-
nhia uns dos outros, em nvel profissional e pessoal.  Fechou os olhos. 
 Isso explica a facilidade que ele teve para acessar as listas de contatos. 

~ 340 ~ 
 



Ningum na empresa o questionaria se o visse fazendo isso. Se eu tivesse 
lhe contado isso, se eu tivesse aberto as portas para a senhora, em vez de 
tentar proteger a mim mesmo e a minha empresa, talvez tivesse evitado 
tudo isso. 
 Pois abra essas portas agora. Fale-me dele, conte-me da sua me. 
 Ela cometeu suicdio. No sei se mais algum sabe disso alm de 
mim.    Em um gesto  distrado,  Rudy apertou a  parte  alta  do  nariz.   
Certa noite ele estava transtornado e me contou tudo. Ela era uma mu-
lher problemtica, mentalmente instvel. Ele culpava o pai por isso. O pai 
e a me se divorciaram quando ele ainda era criana, e a sua me nunca 
superou o problema. Tinha certeza de que o marido ia voltar um dia. 
 O verdadeiro amor dela? 
  meu Deus.  Nesse momento ele cobriu o rosto.   Sim, sim, 
suponho  que  sim.  Ela  era  uma  atriz  sem muito  sucesso,  embora  Simon 
garantisse que ela era maravilhosa e estonteante de to bela. Ele a idola-
trava. S que muitas vezes se preocupava com o seu comportamento. Ela 
se deixava enredar em perodos de depresso, e tambm havia homens. 
Ela usava os homens para fortalecer seu nimo. Simon era o mais toleran-
te dos homens, mas com relao a isso ele tinha uma cabea muito fecha-
da. Achava que ela era me dele e no tinha o direito de se dar a ningum 
sexualmente. Ele falou a respeito disso comigo apenas uma vez, logo aps 
a morte da me, quando estava aturdido pela dor da perda. Ela se enfor-
cou. Ele a encontrou na manh de Natal. 



 Tudo combina.  Peabody se sentou rigidamente no banco do carona 
enquanto Eve lutava com o trfego.  Ele tem um complexo por causa da 
me e a est substituindo, punindo-a e amando-a cada vez que pega uma 
vtima.  Os  dois homens representam o  pai  ou a  sua  preferncia  sexual 
predominante. 
 Obrigada pelo boletim  disse Eve de forma seca. Em seguida ba-
teu com fora no volante com a base da mo ao se ver presa novamente 
por todos os lados.  Essas porcarias de festejos natalinos! No  de es-

~ 341 ~ 
 



tranhar que os hospitais e clnicas de doenas mentais encham os bolsos
nesta poca do ano. 
 Hoje  vspera de Natal. 
 Sei muito bem que dia  hoje, droga.  Jogou o controle para a 
posio de ascenso vertical imediata, virou bruscamente para a esquer-
da e seguiu como um foguete por cima do mar de carros engarrafados. 
 Ahn..  cuidado com o maxinibus  avisou Peabody. 
 Eu tenho olhos!  Eve passou raspando pelo nibus areo. 
 Aquele txi expresso vai..   Peabody se encolheu no banco e fe-
chou os olhos ao ver que um taxista, obviamente com o mesmo humor de 
Eve, saiu subitamente da fila interminvel, exatamente na frente delas. 
Eve o xingou, deu um golpe de direo, bateu nele de leve e ligou a 
sirene do veculo no volume mximo. 
  Aterrisse, seu filho-da-me!    Ela se inclinou, apertou-se entre 
dois veculos e parou o carro com duas rodas na pista e duas na calada, 
diante da massa de pedestres irritados. 
Eve bateu a porta com fora e saiu a passos largos na direo do txi. 
O taxista, por sua vez, bateu a porta do seu carro e saiu a passos largos na 
direo de Eve. Peabody poderia t-lo avisado de que, se estava disposto 
a enfrentar uma tira cara a cara, escolhera a tira errada. 
Por outro lado, pensou, enquanto saa do carro e abria caminho no 
meio da multido, talvez dar uns chutes no traseiro de um motorista de 
txi levantasse o seu astral. 
 Eu fiz sinal de que ia subir. Tenho direito a pegar uma pista verti-
cal tanto quanto a senhora, dona. . Alm do mais, as suas luzes no esta-
vam ligadas, nem a sirene, no  verdade? Agora no  a prefeitura que 
vai pagar pelo amassado no pra-choque do meu carro, certo? Vocs, ti-
ras, no so os donos da rua no, sabia? Eu  que no vou ficar no preju-
zo, irmzinha! 
 Irmzinha? 
Peabody quase estremeceu ao ouvir o tom cortante de Eve. Atrs de-
la, balanou a cabea com pena do motorista de txi e pegou o seu codifi-
cador de infraes. 

~ 342 ~ 
 



 Deixe que eu lhe explique uma coisa, meu irmozinho. A primeira 
coisa que voc deve fazer  dar um passo atrs e ficar pianinho, antes que 
eu o fiche por agresso a uma policial. 
 Ei, mas eu nem encostei a mo em. . 
 Eu mandei dar um passo atrs! Vamos ver com que rapidez voc 
cumpre a ordem que lhe dei. 
 Puxa, foi s um amassozinho de nada no pra-choque. 
 Vai resistir  minha ordem? 
 No.  Resmungando baixinho, ele se virou, abriu as pernas e co-
locou as mos sobre o teto do txi.   Qual , dona,  vspera de Natal. 
Vamos deixar esse jogo empatado, hein? O que me diz disso? 
 Digo que  melhor voc aprender a ter um pouco mais de respei-
to pelos tiras. 
  Dona, eu tenho um primo que  tira da quadragsima primeira 
DP. 
Com os dentes cerrados, Eve pegou o distintivo e s faltou esfreg-lo 
na cara do oponente. 
 Ento veja isto. Aqui diz tenente e no irmzinha. Nem dona. Po-
de confirmar com o seu primo que  tira da quadragsima primeira DP. 
 Brinkleman  murmurou ele.  Sargento Brinkleman. 
 Pois ento diga ao sargento Brinkleman da quadragsima primei-
ra DP para ele entrar em contato com a tenente Dallas, do Departamento 
de  Homicdios da  Central  de  Polcia,  a  fim  de  explicar por que  tem  um
primo to babaca. Se ele conseguir explicar este fenmeno de forma acei-
tvel, eu no apreendo a sua carteira nem conto que voc cortou uma via-
tura da polcia em pleno ar. Sacou tudo o que eu disse? 
 Sim, saquei..  tenente. 
 Agora tire o seu traseiro da minha frente. 
Devidamente repreendido, o taxista entrou no seu carro, curvou-se 
sobre o volante e esperou pacientemente por uma brecha no trfego para 
sair. Como continuava revoltada com tudo e com todos, Eve girou o cor-
po, levantou um dedo e quase o encostou no nariz de Peabody. 



~ 343 ~ 
 



 Quanto a voc, se quiser continuar a passear de carro comigo,  
melhor tirar esse cabo de vassoura da bunda. 
 Com todo o respeito, tenente, no reparei que havia algum objeto 
estranho nessa regio da minha anatomia. 
 Sua tentativa de fazer humor no foi apreciada, policial Peabody. 
Se no est satisfeita com a sua posio como minha assistente, pode so-
licitar transferncia. 
O corao de Peabody pareceu parar na garganta. 
 Eu no desejo ser transferida, senhora. No estou insatisfeita com
a minha posio atual. 
Mal conseguindo conter um grito de irritao, Eve virou para o ou-
tro lado e se lanou contra a massa de pedestres vindo em direo con-
trria, o que lhe valeu alguns empurres e xingamentos, mas voltou logo 
em seguida. 
  Mais uma  coisa,  Peabody: se  voc  continuar usando  esse tom 
formal ao falar comigo, a coisa vai piorar ainda mais. 
 Voc acabou de me dispensar, Dallas. 
 No fiz nada disso. Simplesmente lhe ofereci a opo de se trans-
ferir para outro lugar. 
A voz de Peabody falhou e ela tentou control-la. 
  que eu senti..  e ainda sinto, que voc ultrapassou os limites on-
tem  noite, no que se refere ao meu relacionamento com Charles Monro-
e. 
 Sim, voc deixou isso bem claro na hora. 
  Foi um comportamento  inapropriado  para  uma  oficial  superior 
criticar a escolha do meu acompanhante. Isso  um assunto pessoal e eu..  
 Voc est certa,  um assunto pessoal.  Os olhos de Eve se tor-
naram sombrios, mas no de raiva, e, ao notar isso, Peabody ficou choca-
da. Havia tristeza neles.  Eu no estava falando como sua oficial superi-
or na noite passada. Nem por um momento achei que estivesse conver-
sando com a minha assistente. Pensei que estava falando com uma amiga. 
Um sentimento de vergonha cobriu Peabody dos ps  cabea. 
 Dallas..  

~ 344 ~ 
 



 Uma amiga  interrompeu ela , que estava se derretendo toda 
para um acompanhante licenciado. O qual, por falar nisso,  suspeito em
um caso ainda sob investigao. 
 Mas Charles no. . 
 Ele est no final da lista  insistiu Eve , mas ainda no saiu de-
la, j que teve ligao com uma das vtimas e tambm com um dos crimes. 
 Voc jamais considerou a idia de que Charles pudesse ser o as-
sassino. 
 No, eu acreditava que fosse Rudy e estava enganada. Poderia es-
tar enganada a respeito de Charles Monroe tambm.    A possibilidade 
disso  a  incomodava.    Leve o  carro  de  volta  para  a  central.  Coloque o 
capito Feeney e o comandante Whitney a par dos ltimos dados relacio-
nados com o caso. Avise-os de que estou fazendo trabalho de campo, na 
rua. 
 Mas..  
 Leve a droga da viatura para a central!  repetiu Eve.  Isto 
uma ordem de uma oficial superior para a sua auxiliar.  Virou-se e tor-
nou a forar passagem por entre a multido. Dessa vez no voltou. 
 Ai, merda!  Peabody se apoiou com as duas mos no capo do 
carro, ignorando as buzinas mal-humoradas e a exploso de msicas na-
talinas que continuava a inundar a rua, vindo da loja no outro lado da cal-
ada igualmente entulhada de gente.  Peabody, voc  uma idiota. 
Peabody fungou com fora e levou a mo ao bolso para pegar seu 
leno, e ento se lembrou de que Eve no o devolvera. Limpando o nariz 
que escorria com as costas da mo, entrou no carro e se preparou para 
cumprir as ordens. 



Quando Eve alcanou a esquina da rua 41, j havia se acalmado o sufici-
ente para perceber que no poderia caminhar mais trinta quarteires at 
o laboratrio, a fim de apressar Dickie. 




~ 345 ~ 
 



Uma olhada na quantidade de gente  sua volta se acotovelando por 
todo lado, inclusive nas passarelas areas, a convenceu de que tampouco 
daria para ir por cima. 
Uma nova onda de pedestres a empurrou por trs e a foi carregando 
por mais meio quarteiro, antes que ela conseguisse abaixar a cabea e 
empurrar o povo para conseguir passar. Quase se engasgou com a fumaa 
lanada  pela  carrocinha  de  cachorros-quentes de  carne de  soja  e  chur-
rasquinhos que  faturava  como  nunca  naquela  manh.  Piscando  muito 
para se livrar das lgrimas que a fumaa lhe provocara, pegou o distinti-
vo. 
Conseguiu forar a  barra,  chegou ao  meio-fio  e  arriscou a  prpria 
vida ou, pelo menos, os braos e as pernas ao se lanar diretamente na 
rua  e  parar o  primeiro  txi que  apareceu,  batendo  com  o  distintivo  no 
pra-brisa. 
Entrando no veculo, tentou tirar a expresso estressada que a aven-
tura dos ltimos minutos atravs das ruas lhe colocara no rosto, mas aca-
bou jogando  as mos no  colo  ao  olhar para a  frente  e encarar  os olhos
arrasados do motorista pelo espelho retrovisor. 
Reconhecendo  o  primo  do  detetive  Brinkleman,  da  quadragsima 
primeira DP, soltou uma gargalhada ruidosa, afirmando: 
 S podia ser voc, no ? 
 Eu tambm comecei o dia com o p esquerdo para fora da cama 
 resmungou ele de volta. 
 Eu odeio o Natal. 
 Eu tambm no estou curtindo nem um pouco neste momento. 
 Leve-me at a rua 18. De l eu sigo a p. 
 A p a senhora vai chegar mais depressa. 
Eve deu mais uma olhada para as caladas apinhadas de gente. 
 Pois pode colocar o p na tbua. Se voc for multado, eu converso 
com o pessoal do Departamento de Trnsito e eles retiram a multa. 
 A senhora manda, tenente. 
Ele deu a partida e saiu com a velocidade de um raio enquanto Eve 
fechava os olhos e, finalmente, admitia para si mesma que a dor de cabe-

~ 346 ~ 
 



a que j estava se espalhando para as tmporas no ia abandonar os re-
cantos do seu crebro sem o empurraozinho qumico proporcionado por
um analgsico. 
 Voc vai ter algum problema por causa do pra-choque amassa-
do?  perguntou ela. 
  Do jeito que os carros como o meu vivem batendo uns nos ou-
tros? No, est limpo.  Ele virou na esquina da rua 18  Eu no devia 
ter desrespeitado a senhora, tenente.  que esse trfego enlouquecedor
na poca das festas de fim de ano me deixa muito estressado. 
  . .    Pegando algumas fichas de crdito, passou-as para ele  a-
travs da ranhura.  Vamos considerar o jogo empatado, como voc su-
geriu. 
 Obrigado. De qualquer modo, um monstruoso feliz Natal para a 
senhora. 
  Sim,  o  mesmo  para  voc.    O  riso  de  Eve  j  estava  mais solto 
quando ela saiu do carro. 
O nmero de pedestres era menor na parte da cidade onde ficavam 
o laboratrio, o necrotrio e a carceragem. No havia nada para comprar
por ali, refletiu, enquanto seguia a p pelo meio quarteiro que faltava. 
Entrou no feio prdio de ao que representava o conceito vivo de al-
gum arquiteto idiota sobre baixos custos de construo  high-tech, cruzou 
o saguo sem encontrar viva alma e passou pelo portal da segurana. 
O  andride de  servio  acenou com a  cabea  quando  ela  colocou a 
palma da mo na placa identificadora, recitou seu nome, posto, cdigo e 
destino. Liberada, pegou a escada rolante que descia e franziu o cenho ao 
ver todas as salas e escritrios vazios. Aquele era um dia til em meio de 
semana, no meio da tarde, pensou. Onde estava todo mundo? 
Entrou na sala principal do laboratrio. E encontrou uma festa ro-
lando solta. 
A msica explodia acima das risadas selvagens. Algum colocou um 
copo com um suspeito fluido verde na sua mo. Uma mulher vestida ape-
nas com um guarda-p e culos especiais para microscpio passou dan-
ando. Eve conseguiu agarr-la pela manga e perguntou: 

~ 347 ~ 
 



 Onde est Dickie? 
 Sei l! Deve estar por a. Quero reabastecer meu copo. 
 Tome.  Eve entregou-lhe o copo que tinha na mo e tentou for-
ar passagem entre as pessoas e o equipamento. Avistou Dickie sentado 
em cima de uma mesa para amostras, enfiando a mo por baixo da saia 
de uma tcnica bbada. 
Pelo  menos Eve  imaginou que  a  mulher estivesse  bbada.  De  que 
outra  forma  ela  poderia  agentar aqueles dedos esquelticos entre  as
suas pernas? 
 Venha, Dallas, entre nessa festa. No  to classuda quanto a que 
voc ofereceu na noite passada, mas a gente faz o que pode. 
  Onde  est  a  droga do  meu relatrio?  Onde  esto  os resultados 
que eu pedi? Que porra  essa acontecendo aqui dentro? 
 Ei,  vspera de Natal. V se desencana e se anima um pouco. A 
mo dela voou na direo dele com raiva, agarrou-o pela gola e o arran-
cou de cima da mesa. 
 Estou com quatro corpos no necrotrio e uma mulher no hospi-
tal. No me venha com esse papo de se anime um pouco, seu vesgo fi-
lho-da-me. Quero os resultados dos meus testes de laboratrio! 
 O expediente acaba s duas da tarde na vspera de Natal.   Ele 
tentou afastar a mo dela, mas no conseguiu.  Isso  oficial. E j passa 
das trs, sabichona. 
 Pelo amor de Deus, Dickie, o cara est solto nas ruas! Voc viu o 
que ele fez com as pessoas que atacou? Quer que eu lhe mostre a porra do 
vdeo  que  ele  gravou enquanto  cometia  aquelas barbaridades?  Quer a-
cordar amanh de manh e descobrir que ele tornou a atacar porque vo-
c no fez o seu trabalho? Vai conseguir engolir o  seu peru de Natal de-
pois disso? 
 Droga, Dallas. No tenho quase nada para trabalhar. Me larga!  
Com uma surpreendente dignidade, alisou a camisa quando Eve o soltou. 
 Vamos dar uma olhada no laboratrio secundrio. No precisamos es-
tragar a festa dos outros. 



~ 348 ~ 
 



Ele se esgueirou atravs da multido e destrancou a porta de um la-
boratrio que ficava ao lado da sala principal. 
 Porra, Feinstein, j falei que voc no pode transar com ela aqui 
dentro! Leve-a para o depsito, como todo mundo faz. 
Eve apertou os olhos doloridos com as pontas dos dedos enquanto 
um agitado casal que estava em plena transa se separou e comeou a ga-
guejar enquanto  agarrava  as roupas espalhadas.  Ser  que  todo  mundo 
pirava nesta poca do ano?, perguntou a si mesma quando os dois saram
correndo dali, rindo como idiotas. 
 Preparamos umas batidas espertas  explicou Dickie.  Usamos 
s substncias legalizadas, mas a birita ficou turbinada.  Deixou o cor-
po cair diante do computador e abriu o arquivo. 
 Conseguimos impresses digitais dessa vez, mas disso voc j sa-
bia. No h dvidas quanto  identificao. O mesmo desinfetan-te foi u-
sado na cena desse ltimo ataque. Os cosmticos deixados para trs ba-
tem com os das outras vtimas. A fantasia e os apetrechos que voc man-
dou batem com as fibras identificadas anteriormente. Voc pegou o cara, 
Dallas. Quando isso tudo for apresentado no tribunal, ele estar frito. 
  E a percia no local? Preciso de algo que me ajude a localiz-lo, 
Dickie. 
 A percia no mostrou nada alm do esperado. A que foi feita no 
apartamento dele tambm no apresentou novidades. O cara  fantico 
por limpeza. Tudo foi lavado, escovado e aspirado. Mas encontramos al-
gumas fibras que  combinam com a  fantasia,  alm de  uns  dois cabelos 
brancos que batem com os encontrados no ltimo assassinato e com os
da barba que ele abandonou na cena do crime ontem  noite. Agora  s 
peg-lo e lev-lo a julgamento, porque tenho muita coisa para ajud-la a
mant-lo preso. Isso  tudo o que posso lhe oferecer. 
 Certo. Quero que voc envie tudo isso para o meu computador na 
central, com cpia para Feeney. 
Como ambos sabiam que aquilo j havia sido feito, Dickie simples-
mente encolheu os ombros. 
 Desculpe ter tirado voc da festa. 

~ 349 ~ 
 



 A cidade toda vai fechar as portas em mais uma ou duas horas, 
Eve. As pessoas precisam curtir o feriado. Elas tm esse direito. 
 ..  E eu tenho uma mulher que vai passar o Natal em uma cama 
de hospital. Ela tinha direito ao feriado tambm. 
Saiu dali,  deixou que  o  ar gelado  lhe  clareasse  as idias e  se  arre-
pendeu por no ter pedido a Dickie algum analgsico potente o bastante 
para acabar com o latejar que sentia atrs dos olhos. A noite comeava a 
cair, percebeu ela. Aquela era a temporada das noites mais longas do es-
curo ms de dezembro, quando a luz do dia mal aparecia no meio da ma-
nh e tornava a desaparecer antes do fim da tarde. 
Pegou o tele-link porttil e ligou para casa. 
 Voc est trabalhando   percebeu Eve assim que Roarke aten-
deu a linha privativa e ela viu um fax a laser vomitando papel atrs dele. 
 S mais um pouquinho. 
 Ainda tenho algumas coisas para resolver. Acho que s vou poder 
ir para casa daqui a umas duas horas. 
 Para onde est indo agora?   perguntou Roarke, percebendo a
dor de cabea que ela sentia. 
 Quero dar mais uma olhada no apartamento de Simon. No visto-
riei o local pessoalmente. Talvez a equipe tenha deixado passar alguma 
coisa. Preciso ir l olhar, Roarke. 
 Eu sei. 
 Escute, eu dispensei Peabody e o carro, mas o apartamento dele  
pertinho a de casa. Voc poderia mandar um carro para me apanhar l 
ou algo assim? 
 Claro. 
 Obrigada. Pode deixar que eu ligo quando tiver acabado, para vo-
c saber que j estou chegando. 
 Faa o que tiver que fazer, mas tome um remdio para essa dor 
de cabea, Eve. 
 No estou com dor de cabea.  Ela riu para ele.  Vamos beber 
litros de vinho depois que eu chegar em casa, combinado? E fazer amor
como dois animais. 

~ 350 ~ 
 



 Bem, eu havia planejado uma noite sossegada, jogando xadrez em 
3-D, mas se  isso o que voc realmente quer fazer..  
Ela se sentia maravilhosamente bem, pensou Eve ao desligar. Seria 
timo rir um pouco, de verdade. 
No  se  surpreendeu ao  ver no  apenas um carro    sua  espera  ao 
chegar ao apartamento de Simon, mas Roarke em pessoa. 
 Voc poderia ter mandado um andride para me apanhar aqui. 
 E voc achou que eu faria isso? 
 No.  Ela passou a mo pelo cabelo.  E aposto que voc no 
vai concordar com a idia de me esperar aqui no carro at eu acabar l 
em cima. 
 Viu s como ns nos conhecemos bem?  Ele colocou a mo no 
bolso do seu elegante casaco longo, pegou uma caixinha esmaltada e tirou
l de dentro uma minscula plula azul.  Abra a boca. 
Quando a viu franzir o cenho e apertar a boca com pirraa, levantou 
uma sobrancelha. 
  apenas um analgsico, Eve. Voc vai conseguir raciocinar me-
lhor sem a dor de cabea. 
 Nenhum troo estranho? 
 Nenhum. Abra a boca.  Ele segurou-lhe o queixo no instante em
que ela abriu a boca e usou a mo para tornar a fech-la depois de jogar a 
plula l dentro.  Engula! Pronto, boa garota. 
 Isso, pode pegar no meu p, seu man... 
 Querida, no pensei em outra coisa o dia todo. Trouxe o seu kit 
reserva de servio. 
 Bem, pelo menos um de ns dois est pensando com clareza. O-
brigada  agradeceu quando ele o pegou no carro.  Simon est no pa-
po  acrescentou quando se dirigiam  entrada do prdio.   Consegui
provas fsicas,  testemunhas,  motivos,  oportunidade,  tudo  o  que  ele  tem 
direito. 
 Pode acrescentar o fato de que a caixa de maquiagem que ele dei-
xou no  apartamento  de  Piper  Hoffman    personalizada.  Ele  a  comprou 
por encomenda.  Roarke passou a mo na nuca de Eve, massageando-a

~ 351 ~ 
 



de leve para ajudar o analgsico a fazer efeito mais depressa.    Minha 
companhia oferece essa opo para esteticistas profissionais. 
 timo! Agora tudo o que eu tenho a fazer  encontr-lo. 
 Ele no se hospedou em nenhum hotel  disse Roarke, sorrindo 
para ela.  McNab anda mais ocupado do que nunca. Nenhum hotel, nem
pousada,  nem penso.  Pelo  menos nenhuma  na  qual  tenha  conseguido 
vaga em um dia em que ningum quer trabalhar. 
 Eu que o diga. Acabei de dar de cara com uma orgia rolando no 
laboratrio. 
 E nem nos convidaram? Isso  insultante. 
 Tenho o pressentimento de que um convite desses ia incluir o ra-
ro bnus de ver Cabeo pelado.  Pegou o carto mestre e digitou um
cdigo para passar pelo bloqueio eletrnico que a percia deixara na por-
ta do apartamento 35.  Ver aquele cara nu  uma coisa que eu no dese-
jo para o Natal. Voc vai ter que passar spray selante se for entrar comi-
go. 
Roarke olhou para a lata de spray e deu um longo suspiro. 
  O  seu departamento  no  poderia  usar um produto  com cheiro 
mais agradvel?  Mesmo assim cobriu as mos e os sapatos e esperou
enquanto Eve fazia o mesmo. 
  Gravador ligado.  Aqui   a  tenente  Eve  Dallas entrando  na  resi-
dncia  do  suspeito  Simon  Lastrobe  no  dia 24 de  dezembro,  s dezoito 
horas e doze minutos. A investigadora oficial do caso est acompanhada 
por Roarke, civil designado como auxiliar temporrio. 
Ela entrou, ordenou que as luzes se acendessem e ento ficou sim-
plesmente  ali,  em p, analisando  a  sala.  J  no  estava  to  arrumada.  O 
Departamento de Pesquisa Informatizada terminara o trabalho ali e dei-
xara uma fina camada brilhante nas superfcies, em busca de impresses 
digitais e provas. Os peritos que vieram em seguida haviam deixado toda 
a moblia fora do lugar, em seguida reviraram os almofades dos estofa-
dos e,  por fim,  retiraram todos os quadros  das paredes.  O  tele-link fora 
desconectado e levado para anlise. 



~ 352 ~ 
 



 J que voc est aqui  disse Eve para Roarke , d uma olhada 
por a. Se achar alguma coisa estranha, me chame. Vou at o quarto. 
Ela  mal  comeara  a  revistar o  closet quando  Roarke  entrou segu-
rando um disco entre o polegar e o indicador. 
 Isso me pareceu estranho, tenente. 
 Onde encontrou esse troo? Eles deviam ter levado todos os dis-
cos para anlise. 
 Esse pessoal contratado para trabalhar apenas na poca de festas 
 meio descuidado. O disco estava lacrado atrs da moldura de um holo-
grama.  Imagino  que  a  mulher retratada  seja  a  me  dele.  Pareceu-me  o 
lugar ideal para guardar lembranas de valor sentimental. 
 No tenho como rodar isso para ver o que tem dentro. Eles carre-
garam todos os aparelhos eletrnicos. Vou precisar ir at a central para. . 
Parou de falar de repente ao ver que Roarke pegava uma caixa preta 
em seu bolso, levantava a tampa e revelava uma tela porttil. 
  Brinquedinho  novo    explicou ele  ao  v-la  franzir o  cenho.   
No conseguimos resolver todos os bugs a tempo de lanar para o Natal, 
mas vai estar pronto para venda no feriado do Dia do Presidente. 
 Isso  seguro? No posso correr o risco de danificar o disco. 
  Eu trabalhei pessoalmente neste aparelho.  uma pequena jia. 
  Enfiou o  disco  na  ranhura  e  levantou novamente  a  sobrancelha.   
Posso? 
 Sim, vamos ver o que tem a.  


















~ 353 ~ 
 


















O 
 








CAPTULO VINTE 








arquivo era uma espcie de dirio confuso e triste. Documenta-
 
va um ano na vida de um homem a partir do momento em que 
sua vida se despedaara e se desviara muito do rumo.  
Eve imaginava que Mira nomearia aquilo  pedido de socorro. 
Ele se referia  me mais de dez vezes em vrias tomadas de vdeo. 
Ela era o seu verdadeiro amor, a quem ele canonizava, para transform-la 
em vil na tomada seguinte. 
Ela era uma santa. Ela era uma prostituta. 
A nica coisa certa de que Eve tinha certeza no fim de tudo  que ela 
fora um fardo do qual Simon jamais se esquivou, mas nunca compreen-
deu. 
A cada Natal ela tornava a embrulhar o bracelete que comprara para 
o marido, onde mandara gravar as palavras Meu Verdadeiro Amor, e em
seguida o colocava sob a rvore, para o homem que abandonara a ela e o 
filho pequeno. E a cada ano garantia ao filho que o seu pai estaria ali na 
manh de Natal. 
Por muito tempo ele acreditou nela. 
Por mais tempo ainda ele deixou que ela acreditasse naquilo. 
Ento, na vspera do Natal do ano anterior, cansado daquilo e revol-
tado pelos homens que ela deixava que a usassem, ele amassara a caixa e 
destrura a sua iluso. 
E ela se enforcara com o lindo festo que seu filho usara para enfei-
tar a rvore. 
 
 



 No  uma histria natalina das mais alegres  murmurou Roar-
ke.  Pobre infeliz. 
 Uma infncia trgica no  desculpa para estuprar e assassinar. 
  No,  no  ,  mas   uma  raiz.  Criamos o  nosso  prprio  caminho, 
Eve, e uma escolha leva a outra. 
  Mas somos responsveis pelas escolhas que  fazemos.    Pegou 
um saco prprio para guardar provas e o abriu. Depois de um instante, 
Roarke ejetou o disco e o colocou ali dentro. 
Pegando o comunicador, Eve ligou para McNab. 
 No consegui descobrir a toca dele, Dallas. Rastreei o paradeiro 
do pai. Ele se mudou para a estao espacial Nexus quase trinta anos a-
trs.  Casou-se  novamente,  tem dois  filhos e  netos.  Estou com os dados 
dele, caso voc queira contat-lo. 
 De que vai adiantar?  murmurou.  Achei um dirio gravado 
no apartamento de Simon. Os tcnicos que vistoriaram o lugar comeram 
mosca, e os peritos tambm. Vou transmitir a gravao para o Departa-
mento de Deteco Eletrnica. V at l e arquive a prova, certo, McNab? 
Depois pode se considerar dispensado por hoje. Transmita a mesma or-
dem para Peabody. Vocs dois devem permanecer em alerta enquanto o 
suspeito estiver  solta. 
 Positivo, tenente. Olhe, ele vai ter que sair do esconderijo em al-
gum momento, Dallas, e ento poderemos agarr-lo. 
    isso  a..   V  colocar o  seu sapatinho  na  janela,  McNab.  Vamos 
torcer para  que  todos ns consigamos o  que  pedimos de  Natal.  Dallas
desligando. 
Roarke a viu guardar o comunicador. 
 Voc  muito dura consigo mesma, Eve. 
 Ele vai ter que fazer algum movimento esta noite. Ele vai ter que 
se mexer, mas  o nico que sabe onde atacar. E quem.  Voltou ao clo-
set.  Ele tem as roupas todas organizadas..  por cor e por tecido. A ob-
sesso dele com isso  maior at do que a sua. 
 No considero uma obsesso organizar o guarda-roupa. 



~ 355 ~ 
 



 T. . especialmente sabendo que voc tem duzentas camisas pre-
tas de seda. No vai querer vestir a errada e dar mancada na hora de se 
apresentar. 
 Acho que isso significa que voc no comprou uma camisa preta 
de seda para me dar no Natal. 
  Acho que meti os ps pelas mos nessa histria de compras de 
Natal  disse ela olhando por cima do ombro e fazendo uma careta.   
No  entendi como  era  o  lance  at  Feeney  comentar que  a  pessoa  deve 
comprar um monte de presentes de Natal para o marido ou para a mu-
lher. Eu comprei s uma coisinha. 
 E vai me dar uma dica do que ?   perguntou ele, colocando a 
lngua na bochecha. 
 No, voc  muito bom em matar charadas.  Olhou de volta pa-
ra  o  closet.    Tente  decifrar esta. .  Temos camisas e  calas aqui,  das
brancas at o areia, ou sei l que cor  essa. 
 Eu diria que  gelo. 
 Certo. Depois temos roupas azuis e verdes. Todas elas pendura-
das em ordem, por cor. De repente temos um espao vazio, e em seguida
continuamos com marrom e cinza at o preto. Qual a cor que voc acha 
que est faltando? 
 Meu palpite  vermelho. 
  Adivinho.  No  temos vermelho  aqui.  Talvez  ele  use  vermelho 
apenas em ocasies especiais. Ele tinha uma roupa de Papai Noel de re-
serva, mas a levou com ele. E tem mais uma coisa que os peritos no a-
charam. O resto das jias. Na cano, o presente seguinte so seis gansos 
e assim por diante. Ele j os tem. Deve estar pronto para comear o show. 
Mas onde foi que ele enfiou tudo isso? Onde est escondendo essas coi-
sas?. . E se escondendo? 
No h volta para ele agora, continuou Eve, circulando pelo quar-
to. Ele  sabe  disso.  Arriscou-se  a  voltar aqui porque  precisa  terminar o 
que comeou, e no pode terminar sem as suas ferramentas, a fantasia e 
os apetrechos. S que ele  esperto demais, organizado demais e centrado 
demais em si mesmo para no ter um lugar para onde ir  

~ 356 ~ 
 



 A vida dele era aqui, com a me e as lembranas  assinalou Ro-
arke.  Aqui e no seu trabalho. 
 Minha nossa!  Eve fechou os olhos, e a ficha caiu.  Ele voltou
ao prdio onde ficam a agncia e o salo. Ele est naquele prdio. 
 Ento vamos at l peg-lo. 



O trfego estava terrvel e perigoso, com as ruas cobertas por uma fina 
camada de gelo que a massa de pedestres reduzira a filetes molhados. As
pessoas quase corriam pelas caladas, com pressa de chegar em casa ou 
na casa de amigos. Os atrasados, desesperados por um presente de ltima 
hora, entulhavam as poucas lojas ainda abertas. 
As luzes da rua piscavam e se refletiam em mil poas luminosas. Eve 
olhou para um outdoor onde um Papai Noel em animao digital voava 
com o seu tren e desejava feliz Natal para todos. 
E comeou a cair uma geada. 
Perfeito. 
Quando Roarke estacionou junto ao meio-fio, Eve saltou correndo, 
pegou o carto mestre e, ento, hesitou. Depois de um breve debate in-
terno se agachou e pegou uma arma no coldre do tornozelo. 
 Fique com a minha arma-reserva s para garantir. 
Eles enfrentaram o frio intenso rumo s luzes da segurana do pr-
dio. 
 Houve gente entrando e saindo do salo de beleza, das lojas e das
academias o dia inteiro. Ele ia precisar de privacidade. Deve haver salas
vazias e podemos verificar isso logo de cara para ganhar tempo, mas meu
palpite  que ele foi para o apartamento de Piper. Deve saber que ela est 
no hospital, e sabe tambm que Rudy no sairia do lado dela nem para ir
at em casa. L  um lugar seguro e tranqilo. No h razo para a polcia 
voltar depois da liberao pela percia. 
Apertando o boto do elevador, xingou. 
 Est desligado. 
 Gostaria que eu o reativasse para voc, tenente? 

~ 357 ~ 
 



 No se meta a espertinho. 
  Vou tomar isso como um sim.    Guardando a arma, pegou um 
pequeno jogo de ferramentas no bolso.  Vai levar s um segundinho.  
Removendo a placa, Roarke pressionou alguns botes na placa-me com
os dedos geis. Ouviu-se um zumbido baixo e logo as luzes das portas de 
vidro se acenderam. 
 Trabalhinho brilhante. . para um homem de negcios. 
  Obrigado.    Ele  gesticulou de  forma  cavalheiresca  e  entrou na 
cabine logo atrs dela.  Apartamento dos Hoffman. 
Sinto muito. Este andar s  possvel de ser acessado atravs de uma 
chave eletrnica ou de uma autorizao especial. 
Eve  rangeu  os dentes e  comeou a  procurar novamente  o  carto 
mestre, mas Roarke j retirara a placa dos controles. 
  Desse jeito  mais rpido    explicou e, em segundos, anulou o 
bloqueio. 
O elevador subiu de modo rpido e suave. Quando comeou a desa-
celerar, Eve virou o corpo meio de lado, posicionando-se entre a porta e 
Roarke. 
Ele estreitou os olhos, atrs dela, e esperou. Assim que as portas se 
abriram, ele a empurrou de lado, saiu do elevador girando o corpo e vas-
culhou o saguo com a arma. 
 Nunca mais faa isso!  exclamou ela, entre dentes, pulando para 
lhe dar cobertura. 
 E voc nunca mais use o prprio corpo para servir de escudo pa-
ra mim. Eu diria que aqui o campo est limpo. Pronta para ir at a porta? 
Eve ainda estava tremendo de raiva. Aquilo era algo que ela ia ter 
que resolver com ele mais tarde. 
 Eu vou por baixo  murmurou ela, abrindo a fechadura.   o 
jeito que eu prefiro. 
 Certo. No trs, ento. Um. . dois..   Eles empurraram a porta ao 
mesmo tempo, como se tivessem treinado o movimento. 




~ 358 ~ 
 



L dentro as luzes estavam acesas e o sistema de som tocava agita-
das melodias natalinas. Embora as telas de privacidade estivessem desci-
das sobre as janelas, a rvore de Natal brilhava diante do vidro. 
Eve apontou para a esquerda. A caminho do quarto, notou pequenas 
coisas. As manchas e a sujeira que os peritos deviam ter deixado para trs
haviam sido limpas e tudo brilhava. O ar cheirava a flores e a desinfetan-
te. 
Havia uma suave nvoa sobre a banheira de hidromassagem; e a -
gua ainda estava morna. 
O quarto se mostrou impecvel. A cama estava feita e os respingos 
que haviam cado, enxutos. 
Eve levantou a ponta da colcha e xingou baixinho. 
 Ele trocou os lenis. O canalha dormiu na mesma cama em que a 
estuprou.    Com uma fria crescente que lhe subiu pelo estmago, es-
cancarou o closet. Ali, em meio s roupas leves que Rudy e Piper preferi-
am, vrias camisas e calas estavam penduradas. 
 Ele se instalou como se estivesse em sua prpria casa.  Eve se 
agachou e abriu a mala preta que estava no cho do closet.  Aqui esto 
os seus outros apetrechos.  Com o corao martelando, procurou entre 
as jias, murmurando os nmeros e a letra da cano.    Todos os que 
faltam esto aqui, at o doze. . este prendedor de cabelos com doze sujei-
tos tocando tambor. Esto todos aqui, Roarke, com exceo do nmero 5. 
Ele o levou.  Eve se levantou.  O canalha tomou um banho relaxante, 
vestiu a sua fantasia, guardou o equipamento e saiu. Mas planeja voltar. 
 Ento esperamos por ele. 
Eve quis concordar. Mais do que conseguia admitir, queria ser aque-
la que ia prend-lo e olhar para  ele cara a cara nesse momento.  Queria 
saber que vencera a ele e aquela parte de si mesma que enfrentava nos
pesadelos. 
 Vou dar o alarme. Tem sempre uns pobres coitados que ficam de 
planto na vspera de Natal. Vou precisar de alguns homens em volta do 
prdio e de alguns no lado de dentro. Vai levar uma hora, mais ou menos, 
para organizar tudo, e depois vamos para casa. 

~ 359 ~ 
 



 Voc no fundo no est querendo transferir o desfecho  do caso 
para algum, est, Eve? 
 No, no estou. Talvez exatamente por isso eu deva faz-lo. E. .  
Virando-se para ele, Eve lembrou as palavras de Mira.   Eu tenho o di-
reito de curtir a vida que comecei a montar a partir de mim mesma. Com 
voc. 
 Ento d o alarme.  Ele esticou a mo e tocou o rosto dela.  
Depois vamos para casa. 



Peabody acabou de  preencher a  papelada,  soltou  um longo  suspiro  de 
autocompaixo e de repente viu McNab parado na porta. 
 O que foi? 
 Estava s passando. J avisei voc de que Dallas a dispensou por 
hoje. 
  S  vou  ser dispensada  quando  todos os meus relatrios estive-
rem prontos e arquivados. 
Ele sorriu de leve ao ouvir o sinal do computador, avisando que o 
arquivo estava completo. 
  Pronto,  acho  que  agora  est  dispensada.  Vai ter  um encontro 
quente com o Sr. Gostoso? 
 Voc  mesmo um ignorante, sabia, McNab?  Peabody se afas-
tou da mesa.  Ningum passa a vspera de Natal com algum que s viu 
uma vez.  Alm do mais, pensou, Charles j estava agendado para pas-
sar a noite com outra pessoa. 
 Sua famlia no  daqui, ? 
 No.  Tentando escapar dele e ao mesmo tempo torcendo para 
que fosse embora, ela comeou a arrumar coisas sobre a mesa. 
 No conseguiu folga para ir visit-los no Natal? 
 Este ano no. 
 Eu tambm no. Esse caso est acabando com a minha vida social. 
Estou sem planos para hoje  noite tambm.  Enganchou os polegares



~ 360 ~ 
 



nos bolsos da cala.   Peabody, o que me diz de  fazermos uma trgua, 
tipo assim um indulto de Natal 
 No estou em guerra com voc.  Ela se virou para pegar o casa-
co da farda em um cabide. 
 Voc parece meio pra baixo. 
  que hoje foi um dia puxado. 
 Bem, se no vai passar a vspera de Natal com o Sr. Gostoso, por 
que  no  passa  com um colega de  trabalho?    uma  noite  pssima para 
passar sozinha. Deixe-me convid-la para um drinque ou um jantar. 
Ela manteve a cabea baixa enquanto acabava de abotoar o casaco. 
Passar a  vspera  de  Natal  sozinha ou algumas horas em companhia  de 
McNab? Nenhuma das duas opes era muito atraente, mas ela chegou  
concluso de que sozinha seria pior. 
 No gosto de voc o bastante para aceitar que me pague um jan-
tar.  Levantou os olhos e encolheu os ombros.  Mas, se me deixar pa-
gar a minha parte, eu topo. 
 Combinado. 



Ela  no  esperava  curtir tanto  a  noite,  mas depois de  uns dois drinques
Noel Especial decidiu que estava at gostando muito. Pelo menos conver-
sar sobre o trabalho era uma forma de passar algumas horas. 
Provou alguns nuggets de frango, embora soubesse que eles iam se 
acomodar direto no seu traseiro. Ah, a dieta que fosse para o inferno. 
  Como    que  voc  consegue  comer desse  jeito?    perguntou a 
McNab, observando com dio, e inveja, o jeito com que ele atacava uma 
pizza famlia com beirada crocante e cobertura completa, com tudo a que 
tinha direito.  Como  que voc no  gordo como um porco? 
 Metabolismo  disse ele com a boca cheia.  O meu est sempre 
a todo vapor. Quer um pouquinho? 
Ela sabia que no devia. Lutar contra os pneuzinhos era uma batalha 
pessoal constante. Mesmo assim, pegou meia fatia e curtiu sem culpa. 
 Voc e Dallas j acertaram os ponteiros? 

~ 361 ~ 
 



 Ela falou alguma coisa com voc a respeito disso?   perguntou
Peabody, engolindo com dificuldade e olhando para ele com raiva. 
 Ei, sou um detetive. Eu saco as coisas. 
Os dois drinques destravaram a sua lngua e ela confirmou: 
 Dallas est muito pau da vida comigo. 
 Foi voc quem pisou na bola? 
 Acho que sim. Mas ela tambm  disse Peabody, franzindo o ce-
nho.  S que eu acho que a minha pisada foi pior. No sei se vou conse-
guir acertar as coisas. 
 Quando a gente tem algum capaz de enfrentar um tiroteio por 
ns e voc pisa na bola, vai l depois e conserta tudo. Na minha famlia a 
gente grita, se xinga, depois matuta muito a respeito do assunto e pede 
desculpas. 
 Isso no  famlia. 
Ele riu. 
  claro que !  Sorriu para ela.  Voc vai comer todos esses 
nuggets? 
Ela sentiu alguma coisa afrouxar em volta do corao. O cara podia
ser um p no saco, pensou, mas quando tinha razo tinha mesmo. 
 Troco seis nuggets por outra fatia de pizza  props ela. 



Eve fez um esforo para tirar da cabea a operao de tocaia que organi-
zara.  Colocara  policiais experientes  e  confiveis no  lugar,  e  cmeras de 
varredura eletrnicas tinham sido instaladas em um raio de quatro quar-
teires. No instante em que Simon entrasse no permetro, seria pego. 
Ela  no  podia ficar imaginando  ou questionando  onde  ele  poderia 
estar,  nem o  que  estaria  fazendo,  ou se  mais algum iria  morrer.  Eram 
coisas que estavam fora do seu controle. 
Antes de a noite acabar eles colocariam as mos nele. O caso era s-
lido e ele ia direto para a cadeia. Para nunca mais sair. A certeza disso 
teria que bastar para ela. 
 Voc comentou alguma coisa a respeito de vinho  disse Roarke. 

~ 362 ~ 
 



 Sim, comentei.  Sorrir estava sendo mais fcil do que ela espe-
rava, e pegar o clice que Roarke lhe ofereceu foi ainda mais tranqilo. 
 Falou tambm sobre fazermos amor como dois animais. 
 Sim, acho que me lembro de ter sugerido isso. 
E foi mais simples do que nunca deixar o vinho de lado e pular em 
cima dele. 



Peabody ficou mais tempo do que planejara e curtiu mais do que imagi-
nara.  claro, pensou, enquanto subia os degraus para o seu apartamento 
com jeito claudicante, que aquilo era provavelmente o resultado da bebi-
da e no da companhia. 
Embora fosse obrigada a admitir que McNab no tinha sido to ba-
baca quanto normalmente. 
Agora que j estava devidamente calibrada, pensava apenas em se 
enfiar no seu roupo velho, ligar as luzes da rvore de Natal e se encolher
toda na cama para assistir a algum especial ou filme natalino antigo e to-
lo. Quando batesse meia-noite, ligaria para seus pais e se permitiria ser
boba e sentimental. 
Afinal, at que fora uma vspera de Natal quase decente. 
Ao chegar ao topo da escada, cantarolou alguma coisa e seguiu em 
direo  porta. 
Papai Noel apareceu no canto do corredor, carregando uma imensa 
caixa de presente embrulhada em papel prateado e sorrindo com olhos 
esbugalhados. 
 Ol, garotinha! Voc chegou tarde. Estava com medo de que no 
recebesse o seu presente de Natal. 
Ai,  pensou Peabody, que  sufoco!  Ela  tinha  um dcimo  de  segundo 
para fazer alguma coisa. Correr ou ficar ali. Sua arma de atordoar estava 
no bolso de dentro do casaco, que ainda por cima estava abotoado. O co-
municador, porm, estava no bolso externo, ao alcance da mo. 
Ela optou por ficar. Esforando-se para sorrir, deixou a mo deslizar
para o bolso, bem devagar, e ligou o aparelho. 

~ 363 ~ 
 



  Uau!  Papai Noel!  Nunca  esperei  que  fosse  encontrar o  senhor 
bem na porta do meu apartamento! Trazendo um presente ainda por ci-
ma!. . E olhe que eu nem tenho chamin. 
Ele jogou a cabea para trs e soltou uma gargalhada. 



Eve  gemeu baixinho,  virou de  lado  e  esticou o  corpo.  Eles no  haviam
conseguido chegar  cama e tinham arrancado as roupas um do outro no 
cho mesmo. Ela se sentia doda, consumida e fabulosa. 
 Isso foi muito bom como preliminar. 
Ao lado dela, Roarke deu uma risada e fez deslizar a ponta de um
dedo por um dos seus seios quentes e ainda midos. 
  Eu estava  pensando  a  mesma  coisa,  querida.  Mas,  antes,  quero 
abrir o meu presente de Natal. 
  U, no  foi isso que  acabamos de  fazer?    Ela  riu, se  sentou e 
passou as mos pelo cabelo.  Prometo que no ano que vem..  
Parou de falar ao ouvir a voz de Peabody, que vinha de um monte de 
roupas largadas: 
Uau! Papai Noel! Nunca esperei que fosse encontrar o senhor bem na 
porta do meu apartamento! 
 Meu Deus,  meu Deus!  Ela j estava em p, pegando as roupas 
e enfiando as calas.  Alerta geral, alerta geral! Policial precisa de aju-
da! Meu Deus, Roarke. 
Ele estava enfiando a cala com uma das mos e pegando o tele-link 
porttil com a outra. 
 Vamos embora! Rpido! Confirmamos o chamado pelo caminho! 



 Eu estava esperando por voc  disse-lhe Simon.  Tenho um pre-
sente muito especial. 
Enrole um pouco, enrole, enrole. 
 O senhor pode me dar uma dica? 



~ 364 ~ 
 



 Algum que ama voc escolheu algo s para lhe dar.  Ele foi em 
direo a ela, e Peabody tentou manter o sorriso no rosto ao mesmo tem-
po que tentava, freneticamente, abrir os botes do casaco. 
  mesmo?  perguntou ela.  E quem  que me ama? 
 Papai Noel ama voc, Delia. Linda Delia. 
Peabody viu o brao dele subir e vislumbrou a seringa de presso na 
palma de sua mo. Girando o corpo, levantou o cotovelo para bloque-lo, 
enquanto continuava apalpando a l do casaco em busca da arma. 
 Menina levada!  A respirao dele ficou ofegante quando ele a 
empurrou contra  a  parede.  Ela  contra-atacou,  dando-lhe  um soco,  mas
acertou na caixa. Ento sentiu que a arma estava presa entre o seu corpo 
e a parede. 
 Saia de cima de mim, seu filho-da-me!  Esquivou-se e colocou 
o p atrs do tornozelo dele, tentando empurr-lo para trs e se xingando 
por ter bebido aquele ltimo drinque. Sentiu a rpida picada no pescoo 
ao mesmo tempo que o viu tombar de costas no cho. 
 Droga, droga!  ela conseguiu dizer enquanto dava dois passos 
para o lado e sentiu-se escorregar pela parede como se no tivesse osso 
algum. 
 Veja o que voc fez! Veja s isso!  Ralhando com ela, ele abriu a 
sua bolsa em busca do carto para abrir a porta.   Voc pode ter que-
brado alguma coisa. Vou ficar muito zangado se voc tiver quebrado al-
guma das minhas coisas. Agora seja uma boa menina e vamos entrar. 
Ele a pegou do cho, arrastou-a at a porta, abriu a fechadura e sim-
plesmente a deixou tombar. 
Peabody sentiu o baque, mas era uma sensao distante, como se o 
seu corpo estivesse envolto por uma camada de espuma. Sua mente gri-
tava para que ela se movesse e a mensagem era to alta dentro de sua
cabea que ela se imaginava saltando como uma mola, mas na verdade 
nem sentia as pernas. 
Ouviu, como se fosse a distncia, quando ele entrou e fechou a porta. 




~ 365 ~ 
 



  Agora  vou levar voc  para  a  cama.  Tenho  muito  trabalho  pela 
frente. J est quase na hora do Natal, sabia? Meu amor..   murmurou e 
carregou-a para o quarto como se ela fosse uma boneca de pano. 



 No quero nem saber dessa histria de pouca gente de planto nem de 
veculos indisponveis   berrou Eve  no  tele-link.   A  policial  Peabody 
est em perigo! Em perigo, sua andride de merda! 
Palavres so inaceitveis nesta freqncia, tenente Eve Dallas. Esta 
ofensa est registrada.  As viaturas vo ser  enviadas para o  local. Tempo 
estimado de chegada: doze minutos. 
 Ela no tem doze minutos! Se ela ficar ferida, sua babaca metli-
ca, eu vou pessoalmente at a para arrancar cada um dos seus circuitos. 
 Bateu com fora no  tele-link.  Andrides! Eles colocaram andrides
para atender as emergncias, e tambm na recepo, e em toda parte, por 
causa do Natal. Meu Deus, Roarke, voc no consegue que isso aqui voe 
mais depressa no? 
Ele j estava a cento e oitenta por hora, zunindo atravs da cerrada 
cortina de geada. Mesmo assim, acelerou ainda mais. 
 Estamos quase l, Eve. Vamos chegar a tempo. 
Ela estava sofrendo uma agonia terrvel, ouvindo a voz de Simon pe-
lo comunicador. Conseguia imaginar a cena claramente. 
Ele estava amarrando-a e cortando com todo o cuidado as suas rou-
pas. 
A boca de Eve ficou seca. 
Ele estava passando spray no corpo dela para deix-la limpa e per-
feita. 
Eve saiu do carro antes mesmo de ele parar de todo. Suas botas es-
corregaram no piso gelado e ela patinou de leve, mas retomou o equil-
brio de imediato e correu para o porto. Como suas mos estavam tre-
mendo, precisou de duas tentativas para abrir a fechadura. 
Quando subiu as escadas correndo, Roarke estava ao lado dela. 
Finalmente, a distncia, ouviu o barulho das sirenes. 

~ 366 ~ 
 



Eve enfiou o carto mestre na fechadura e empurrou a porta. 
 Polcia!  Com a arma na mo, correu para o quarto. 
Os olhos de  Peabody estavam arregalados,  mas ela  parecia  tonta. 
Nua e amarrada, tremia violentamente com o ar gelado que entrava pela 
janela aberta. 
 Ele fugiu pela escada de incndio  avisou ela.  Escapou pela 
janela. Eu estou bem. 
Eve hesitou por um dcimo de segundo, e ento correu para a janela. 
 Fique com ela  gritou para Roarke. 
 No, no!  Balanando a cabea freneticamente, Peabody ten-
tou se soltar das cordas.  Ela vai mat-lo, Roarke. Ela est a fim de ma-
t-lo. Tente impedi-la. 
 Agente firme a.  Roarke pegou um cobertor no cho, atirou-o
em cima de Peabody e saiu pela janela atrs de Eve. 



Seus tornozelos doeram quando  ela  saltou os dois ltimos degraus da 
escada e seus ps escorregaram no cho liso. Ela caiu em cima de um dos 
joelhos, mas se levantou depressa. Podia v-lo correndo para leste, meio 
desengonado, com a roupa vermelha brilhando na noite como um farol. 
 Polcia! Pare onde est!  Mas Eve j estava correndo atrs dele, 
sabendo que dar aquela ordem era perda de tempo. 
Havia milhares de abelhas zunindo em seus ouvidos e muitas delas 
lhe pinicavam a pele. Em sua barriga girava uma bola de dio to dura e 
amarga  que  chegava  a  doer.  Em um movimento  deliberado,  prendeu a 
arma no cinto. Queria derrub-lo com as prprias mos. 
Pulou sobre ele como um tigre em plena caa, lanou-o no cho com 
fora,  de  barriga para  baixo,  e  fez  o  rosto  dele  arrastar na  calada  en-
quanto escorregava. 
Ento comeou a soc-lo violentamente, em golpes constantes, em-
bora nem conseguisse senti-los. Xingava-o em meio a rugidos roucos que 
tambm no podia ouvir. 



~ 367 ~ 
 



E de repente, colocando-o de costas no cho, pegou a arma e a en-
costou em sua garganta. 
 Eve.  Roarke parou onde estava, a meio metro dela, e manteve 
a voz calma. 
 Eu lhe disse para cuidar dela. Fique fora disso!  Olhou para o 
rosto ensangentado e choroso que estava a centmetros do seu. E que 
Deus a ajudasse, pois o rosto que viu foi o de seu pai. 
Sua arma de atordoar estava regulada para carga mxima..  no letal. 
A no ser que ela pressionasse o gatilho continuamente. Ela encostou o 
cano com mais fora ainda junto da garganta dele. Queria apertar, ansiava 
por isso. 
 Voc o venceu. Voc o impediu.  Sofrendo com ela, Roarke che-
gou bem devagar, agachou-se ao seu lado e olhou para os seus olhos.  
Fazer o que pretende no  o seu estilo. Voc no  assim. 
Seu dedo tremeu no gatilho. Pequenos filetes gelados se quebravam 
do cho congelado e lhe furavam a pele. 
 Mas poderia ser  disse ela. 
 No.  Ele passou a mo com carinho sobre o cabelo dela.  No 
mais. 
 No  ela estremeceu e desviou a arma.  No mais.  
Enquanto o homem embaixo dela chorava chamando pela me, ela 
se levantou. Na calada, Simon curvou o corpo e se colocou em posio 
fetal. Lgrimas quentes lhe escorriam pelo rosto muito pintado. 
E o tornavam digno de pena. 
Arrasado, pensou Eve. Destrudo. Acabado. 
 Preciso que voc v buscar um policial  disse a Roarke.  No 
estou com as minhas algemas. 
 Eu estou com as minhas  disse Feeney, pisando na calada com 
cuidado para no escorregar.    Mantive o meu comunicador ligado na 
freqncia  de  Peabody e  de  McNab.  O  garoto  e  eu chegamos aqui logo 
depois de vocs.  Olhou fixamente para ela por um momento.   Bom
trabalho, Dallas. Pode deixar que eu o levo. V cuidar da sua auxiliar. 



~ 368 ~ 
 



 Sim, est bem.  Ela enxugou sangue do rosto, sem saber ao cer-
to se era de Simon ou dela mesma.  Obrigada, Feeney. 
Roarke passou o brao sobre o seu ombro. Nenhum dos dois se lem-
brara de vestir um casaco. A blusa de Eve estava encharcada e ela come-
ou a tiritar de frio. 
 Vamos para a frente do prdio ou voltamos pela escada de incn-
dio?  perguntou Roarke. 
  Pela escada.    Eve olhou para o alto, para os degraus de ferro 
que estavam bem acima de sua cabea.   mais rpido. Voc me d um 
empurrozinho e eu puxo voc depois. 
Ele uniu as mos, levantou-a assim que ela pisou no degrau de ferro 
e ficou olhando quando ela impulsionou o corpo com agilidade e alcanou
a pequena plataforma. 
 Vou esperar por voc na entrada   disse-lhe ele.  Voc deve 
estar querendo um momento a ss com ela. 
 Sim, estou mesmo.  Eve ficou ali ajoelhada, ao vento. Seu nariz 
estava comeando a escorrer por causa do frio e do turbilho de emoes
que continuavam a agit-la por dentro.  No consegui apertar o gatilho, 
Roarke.  Me  perguntava  o  tempo  todo  se  conseguiria.  Temia que  conse-
guisse, mas na hora H no pude faz-lo. 
 Eu sei. Voc cresceu ao seu modo, Eve.    Ele esticou o brao e 
apertou com fora a mo que ela lhe estendia.  Agora entre que voc 
est congelando. Vou esperar no carro. 
Fora mais fcil, percebeu Eve, sair pela janela do que se convencer a 
voltar por ela. Teve de respirar fundo duas vezes, mas levantou a esqua-
dria e passou a perna por sobre o peitoril. 
Peabody estava sentada na cama, enrolada no cobertor e com o bra-
o de McNab, que estava branco como papel, em volta do ombro. 
 Ela est bem  avisou ele depressa.   Ele no conseguiu..  Ela 
est apenas abalada. Mandei os policiais ficarem ali fora. 
 timo! Est tudo sob controle aqui, McNab. V para casa e des-
canse um pouco. 
 Eu. . eu posso dormir no sof, se voc quiser  disse a Peabody. 

~ 369 ~ 
 



 No. Obrigada. Srio, eu estou bem. 
 Ento eu vou...  Ele no tinha a mnima idia do que fazer nem
de como faz-lo, e se levantou de forma desajeitada.  Devo me apresen-
tar s amanh cedo, ento, para fazer o relatrio? 
  Pode  deixar para  depois de  amanh.  Curta  o  seu Natal,  McNab. 
Voc merece. 
Ele conseguiu dar um sorriso curto para Eve. 
 Sim  concordou.  Acho que todos ns merecemos. Vejo vocs 
depois de amanh, ento. 
 Ele foi muito legal comigo.  Peabody soltou um longo suspiro 
depois que ele saiu do quarto.  Manteve todo mundo l fora, me soltou
e  me  ajudou a  sentar.  Depois fechou a  janela  porque  estava  frio.  Muito 
frio. Nossa!  Cobriu o rosto com as mos. 
 Voc quer que eu a leve a um hospital? 
 No, estou legal. S um pouco zonza ainda. O pior foi eu ter toma-
do alguns drinques antes de vir para casa. Voc o pegou, no pegou? 
 Sim, eu o peguei. 
Peabody deixou as mos carem no colo. Fez um esforo para man-
ter o rosto sem expresso e calmo, mas seus olhos pareciam muito srios. 
 Ele est vivo? 
 Sim. 
 Que bom. Eu achei que. . 
 Eu tambm. Mas no fiz isso. 
Subitamente,  as lgrimas comearam a  descer pelo  rosto  de  Pea-
body. 
 Droga, puxa vida! Vai comear a choradeira  disse, olhando pa-
ra Eve. 
 Pode chorar.  Eve se sentou ao seu lado na cama, abraou-a e a 
manteve junto de si enquanto as lgrimas desciam. 
 Eu fiquei to apavorada, to apavorada! No imaginei que ele fos-
se to forte. No consegui sacar a minha arma. 
 Devia ter fugido. 



~ 370 ~ 
 



 Voc teria feito isso?  Ela prendeu o ar por um momento, ainda 
soluando, e o soltou em seguida. Elas duas sabiam a resposta para aque-
la  pergunta.    Eu sabia  que  voc  vinha  correndo  para  me  salvar,  mas
quando voltei a mim vi que estava amarrada e. . pensei que voc no fos-
se chegar a tempo. 
 Voc agiu muito bem. Puxou assunto com ele, o atrasou por tem-
po suficiente.  Eve queria continuar abraando Peabody, agarrando-se 
quela fora que ela desprendia. Em vez disso se levantou. 
 Quer um calmante ou algo assim? Voc pode tomar um indutor 
de sono, se quiser. Ele s usa calmantes leves. 
 No,  melhor no. lcool misturado com calmantes j faz um es-
trago suficiente e no quero piorar as coisas com um remdio para dor-
mir. 
 Vou liberar os guardas que esto na sua porta. Quer que eu cha-
me algum para lhe fazer companhia durante a noite? 
 No.  A distncia entre elas j estava se formando novamente, 
notou Peabody. Pouco a pouco.  Dallas, eu sinto muito pelo que aconte-
ceu ontem  noite. 
 Essa no  uma boa hora para conversarmos a respeito disso. 
Peabody manteve-se  firme  e  balanou o  cobertor,  abrindo-o  e  fe-
chando-o. 
  No estou de farda, portanto no  a ajudante que est falando 
com a oficial superior. Isso significa que eu posso dizer o que bem enten-
der. No gostei das coisas que voc disse, Dallas. Continuo no gostando. 
Mas fico feliz por voc se importar tanto comigo a ponto de diz-las. No 
estou arrependida por ter reclamado na hora, mas sinto muito o fato de 
no ter visto aquilo como a preocupao de uma amiga. 
Eve esperou um instante e disse: 
 Tudo bem, mas se um dia voc contratar doze acompanhantes li-
cenciados e transar at ficar vesga, vou querer saber dos detalhes. 
Peabody fungou e conseguiu exibir um sorriso aguado. 




~ 371 ~ 
 



 Essa  apenas uma pequena fantasia minha. No ganho tanto para 
contratar doze  de  uma  vez  s.  Mas  a  minha  outra  pequena  fantasia  foi 
realizada esta noite. Roarke me viu nua. 
 Eu, hein, Peabody!  Dando uma risada trmula, Eve a abraou 
novamente, e dessa vez manteve o abrao.  Est tudo bem agora. 



Ela parecia to firme, pensou Roarke ao v-la sair. To responsvel e com 
o controle de tudo enquanto ficava ali parada em meio ao vento glido 
com a blusa empapada, sem casaco, dando ordens aos policiais na porta 
do edifcio. 
Havia  sangue  em suas mos.  Ele  duvidava  muito  que  ela  tivesse 
conscincia disso. 
Uma onda de amor o atingiu em cheio no instante em que ela passou
uma das mos manchadas pelo cabelo e comeou a caminhar em direo 
ao carro. 
 Voc quer ficar aqui com ela? 
 No, ela est bem  disse Eve, acomodando-se no calor do carro. 
  uma boa tira. 
 Voc tambm .  Ele levantou-lhe o rosto e levou os lbios at 
os dela em um beijo suave, doce e comovente. 
Ela piscou e colocou a mo sobre a dele, perguntando: 
 Que horas so? 
 Quase meia-noite. 
 Ento torne a me beijar.  Ela juntou a sua boca  dele, acomo-
dou-se e suspirou de leve, dizendo: 
 Esta  mais uma lembrana para colocarmos na nossa caixa. . e o 
comeo de uma tradio. Feliz Natal! 









~ 372 ~ 
 




xxx


























Digitalizao: Sayuri
Reviso: barbyepatty
 



Sonhou com a morte.
A acidentada luz vermelha do sinal de non palpitava contra a imunda janela 
como um corao furioso. Seu brilho se movia ao redor do atoleiro de sangue que 
reluzia no cho, de escuro a brilhante, escuro a brilhante, dividindo o pequeno e srdido 
quarto em um tosco alvio, logo condenando-o s sombras.
Em uma esquina, estava acurrucada uma moa ossuda com enredado cabelo 
castanho e enormes olhos da cor do usque que ele bebia quando tinha o dinheiro para 
faz-lo. A dor e o medo haviam tornado esses olhos vtreos e cegos e sua pele da cor 
cinza ceroso dos cadveres. Olhava fixamente, hipnotizada pela luz que piscava, o 
modo em que golpeava sobre as paredes, no cho. Sobre ele.
Ele, estendido no estou acostumado a gretado, nadando em seu prprio sangue.
Pequenos sons, selvagens retumbavam na garganta dela.
E em sua mo estava a faca, ensangentado at a manga.
Estava morto. Sabia que estava morto. Podia cheirar o fedor forte e quente que 
emanava dele para sujar o ar. Era um menina, apenas uma menina, mas o animal dentro 
dela reconheceu o aroma... tanto temendo como regozijando-se por isso.
Seu brao gritava onde lhe tinha quebrado o osso. O lugar entre suas pernas 
queimava e chorou por essa ltima violao. No tudo o sangue salpicado sobre ela era 
dela.
Mas ele estava morto. Tinha terminado. Estava segura.
Logo ele girou sua cabea, devagar, como uma marionete em uma corda, e a 
dor se transformou em terror.
Seus olhos se fixaram nos seus enquanto balbuciava, internando-se mais 
profundamente no rinco onde se arrastou para escapar. E a boca morta sorriu 
abertamente.
Nunca te liberar de mim, menina. Sou tua parte. Sempre. dentro de ti. para 
sempre. Agora Papai vai ter que te castigar outra vez.
Ele se ajoelhou. O sangue caa em grosas, ruidosas gotas de sua cara, de suas 
costas, deslizando-se grotescamente dos cortes em seus braos. Quando se levantou e 
comeou a andar arrastando os ps pelo fluxo de sangue para ela, gritou.
E gritando, despertou.
Eve se cobriu a cara com as mos, apertou-as sobre sua boca para conter os 
obstinados gemidos que rasgavam sua garganta como partes de cristal quente. Seu 
flego subiu e baixou to dolorosamente em seu peito que se estremeceu com cada 
exalao.
O medo a seguiu, um sopro frio desceu por sua coluna, mas o fez retroceder. J 
no era mais uma menina indefesa, era uma mulher adulta, um policial, que sabia 
proteger e defender. Inclusive quando a vtima era ela mesma.
No estava sozinha em algum pequeno e horrvel quarto de hotel, a no ser em 
sua prpria casa. A casa do Roarke. Roarke.
E concentrando-se nele, s em seu nome, comeou a acalmar-se outra vez.
Tinha eleito a cadeira de sonho de seu escritrio porque ele estava fora do 
planeta. Nunca tinha sido capaz de descansar em sua cama a menos que ele estivesse 
com ela. Os sonhos raramente vinham quando ele dormia a seu lado, e muito 
freqentemente a perseguiam quando no o fazia.
Odiava aquela rea de debilidade, de dependncia, quase tanto como amava ao 
homem.
Dando volta na cadeira, consolou-se recolhendo ao gordo gato cinza enroscado 
a seu lado, que a olhava com seus olhos bicolores. Galahad estava acostumado a seus 
pesadelos, mas no gostava de ser despertado por elas s quatro da manh.
Sinto-o resmungou quando esfregou sua cara contra sua pele.  to 
malditamente estpido. Ele est morto, e no voltar. Os mortos no voltam. Suspirou 
e olhou fixamente na escurido. Deveria sab-lo.
Ela vivia com a morte, trabalhava com ela, caminhava com ela, dia detrs dia, 
noite detrs noite. A fins de 2058, as armas estavam proibidas, e a cincia mdica tinha 
aprendido a prolongar a vida muito alm da marca do sculo.
E o homem ainda tinha que deter os assassinos.
Era seu trabalho defender aos mortos.
Melhor que arriscar-se a outro viaje aos pesadelos, ordenou que se acendessem 
as luzes e se levantou da cadeira. Suas pernas estavam bastante estveis, e seu pulso se 
nivelou quase ao normal. A doentia dor de cabea que marcava o final de seus pesadelos 
remeteria, recordou-se.
Esperando um caf da manh cedo, Galahad saltou detrs dela, logo se 
entrecruzou por suas pernas enquanto se movia para a cozinha.
Eu primeiro, amigo. Programou o AutoChef por caf, logo ps um tigela 
de kibble no cho. O gato o atacou como se fosse sua ltima comida, e ela o deixou para 
olhar pela janela.
Sua vista era uma larga extenso de grama mais que a rua, e o cu estava vazio 
de trfico. Poderia ter estado sozinha na cidade. A intimidade e a tranqilidade eram 
presentes que um homem da riqueza do Roarke podia comprar facilmente. Mas sabia 
que alm dos formosos terrenos, sobre o muro de pedra alta, a vida pulsava. E a morte a 
seguia avariciosamente.
Era seu mundo, pensou agora enquanto bebia a sorvos o potente caf e 
trabalhava a rigidez de uma ferida ainda no aliviada de seu ombro. Pequenos 
assassinatos, magnficos esquemas, entendimentos desonestos, e gritos de desespero. 
Ela conhecia mais disso que do redemoinho vistoso de dinheiro e poder que rodeava a 
seu marido.
Em momentos como este, quando estava sozinha, e seu estado de nimo era 
baixo,  perguntava-se como tinham chegado a estar juntos... a correta polcia, quem 
acreditava firmemente nas linhas da lei, e o hbil irlands que se enredou com e sobre 
aquelas linhas toda sua vida.
O assassinato os tinha reunido, duas almas perdas que tinham tomado rotas de 
escapamentos diferentes para sobreviver e, apesar da lgica e o sentido comum, 
encontraram-se o um ao outro.
Cristo, o sinto falta de.  ridculo. Zangada consigo mesma, girou-se, com 
a inteno de tomar banho e vestir-se. A luz lhe pisquem em sua televiso-comunicador 
assinalou uma entrada silenciosa. Sem duvidar sobre quem transmitia, saltou para ele e 
desbloqueou o cdigo silencioso.
A cara do Roarke alagou a tela. Semelhante cara, pensou, olhando-o enquanto 
ele arqueava uma sobrancelha escura. Poeticamente formoso, com cabelo negro 
comprido e grosso. A boca inteligente, perfeitamente esculpida, os ossos fortes, a lhe 
impactem intensidade de seus brilhantes olhos azuis.
depois de quase um ano, s a vista daquela cara podia fazer que seu sangue se 
excitasse.
Querida Eve. Sua voz era como a nata sobre o forte usque irlands. por 
que no est dormida?
Porque estou acordada.
Sabia o que ele veria enquanto a estudava. Havia to pouco dela que podia lhe 
esconder. Veria as sombras de uma m noite acossando seus olhos, a palidez de sua 
pele. Incmoda, encolheu-se de ombros e se passou uma mo por seu cabelo curto, 
desordenado. 
Entro cedo  Central de Polcia. Tenho que me pr ao dia com a papelada.
Ele via mais do que ela chegava a compreender. Quando a olhou, viu a fora, a 
coragem, a dor. E uma beleza -naqueles ossos afiados, a boca generosa, aqueles srios 
olhos cor brandy- da que era deliciosamente inconsciente. Como tambm viu o cansao, 
trocou seus planos.
Estarei em casa esta noite.
Pensei que necessitava mais de um par de dias l encima.
Estarei em casa esta noite repetiu e lhe sorriu. Sinto saudades, Tenente.
Sim? Por insensata que considerasse essa morna emoo, lhe sorriu 
abertamente. Adivinho que terei que te fazer um pouco de tempo quando chegar.
Faz-o.
 por isso o que chamava... para me avisar que estaria de volta cedo?
Em realidade, tinha tido a inteno de lhe deixar a mensagem de que se 
atrasaria outro dia ou dois... e tratar de convencer a de unir-se a ele para o fim de 
semana no Complexo Olimpo. Mas s lhe sorriu. 
S quis informar a minha esposa de meus planos de viagem. Volta a dormir, 
Eve.
Sim, talvez. Mas ambos sabiam que no o faria. Te verei esta noite. Uh, 
Roarke?
Sim?
Ela teve que tranqilizar-se tomando um tonificante flego antes de lhe dizer. 
Tambm sinto saudades. Cortou a transmisso justo quando lhe sorria. 
Mais acalmada, tomou seu caf enquanto saa a preparar-se para o dia.
* * * * *
No saiu exatamente de forma sigilosa da casa, mas o fez em silncio. Talvez 
fossem s as cinco da manh, mas no duvidava que Summerset estivesse ao redor em 
alguma parte. Ela preferia, sempre que era possvel, evitar ao mordomo do Roarke -ou 
qualquer trmino que algum usasse para um homem que sabia tudo, fazia tudo, e 
colocava seu nariz ossudo no que Eve considerava seus assuntos privados muito 
freqentemente.
J que seu ltimo caso os tinha aproximado dos dois mais do que era cmodo 
para um ou outro, suspeitou que ele tinha estado evitando-a to cuidadosamente como 
ela a ele no ltimo par de semanas.
Recordando, esfregou-se uma mo distradamente por debaixo de seu ombro. 
Ainda lhe incomodava um pouco pela manh, ou depois de um comprido dia. Receber 
uma rajada completa de sua prpria arma era uma experincia que no desejava repetir 
nesta ou em qualquer outra vida. De algum modo tinha sido pior a maneira em que 
Summerset lhe tinha vertido medicamentos por sua garganta mais tarde, quando tinha 
estado muito fraco para lhe chutar o culo. 
Fechou a porta detrs dela, respirou profundamente o frio ar de dezembro, e 
logo amaldioou desenfrenadamente.
Tinha deixado seu veculo ao p das escadas principalmente porque isso 
voltava louco ao Summerset. E ele o tinha movido porque isso a enfurecia. 
Resmungando por no haver-se incomodado em trazer o controle remoto para a porta da 
garagem ou seu veculo, caminhou atropeladamente ao redor da casa, as botas fazendo 
ranger a grama coberta de geada. As pontas das orelhas lhe comearam a picar pelo frio, 
e seu nariz a gotejar.
Apertou os dentes e teclou o cdigo com seus dedos sem luvas, logo entrou na 
antiga e felizmente morna garagem.
Havia dois nveis reluzentes de carros, motos, aerodeslizadores, inclusive um 
mini helicptero veculo de dois lugares. O veculo verde com o que a provia a cidade  
parecia um co guia de ruas entre sabujos finos. Mas era novo, recordou quando se 
deslizou atrs do volante. E tudo funcionava.
Arrancou como um sonho. O motor ronronou. A sua ordem, o calor comeou a 
zumbir brandamente atravs do conduto. A cabine brilhou com as luzes indicadoras do 
controle inicial, logo a suave voz da gravao assegurou que todos os sistemas estavam 
em ordem operacional.
Teria sofrido as torturas do inferno antes de admitir que sentia saudades os 
caprichos e excentricidades de sua velha unidade.
Brandamente, deslizou-se fora da garagem tomando a curva para as portas de 
ferro, que  se separaram suave e silenciosamente, para ela.
As ruas nessa exclusiva vizinhana eram tranqilas, e podas. As rvores ao 
bordo do grande parque estavam talheres com um magro reflexo de geada que brilhava 
como um skinsuit de p de diamante. Profundamente dentro de suas sombras, os chefes 
da droga e seus valentes podiam estar finalizando seu sero, mas aqui s havia 
edifcios de pedra polida, largas avenidas e a escura quietude que precede ao 
amanhecer.
Tinha avanado s umas quadras antes de que a primeira cerca publicitria 
surgisse, cuspindo luz grit e movimento na noite.  Santa, com bochechas coradas e um 
sorriso manaco que lhe fez pensar em um enorme elfo saturado do Zeus, montava  
atravs do cu detrs de seu esquadro de renas e soltava seus ho, ho, hos, advertindo  
cidade que s ficavam uns quantos dias para as compras Natalinas.
Sim, sim, ouo-te. Gordo filho de puta. Franziu o cenho quando freou em 
um semforo. Nunca tinha tido que preocupar-se com as festas antes. Terminava sendo 
uma questo de encontrar algo ridculo para o Mavis, e talvez algo comestvel para o 
Feeney.
No houve ningum mais em sua vida aos que lhes envolver presentes.
E que demnios comprava para um homem que no s tinha tudo, mas tambm 
possua a maior parte das novelo e indstrias que o fabricavam? Para uma mulher que 
preferiria um golpe com um instrumento contundente a passar uma tarde de compras, 
era um srio dilema.
O Natal, decidiu, enquanto Santa comeava a oferecer a variedade de lojas e 
selees no  Mall Big Apple Sky, era uma dor no culo.
De todos os modos, seu humor melhorou quando entrou no previsvel trfico na 
Broadway. Vinte e quatro horas ao dia, sete dias  semana, havia uma festa continua. Os 
escorregadores estavam lotados com pedestres, a maior parte bebidos, intoxicados, ou 
ambos. Os operadores dos assadores guias de ruas tremiam de frio enquanto suas 
churrasqueiras fumegavam. Se um vendedor tinha um posto nessa rua, mantinha-o bem 
agarrado, e com o punho preparado.
Baixou sua janela um pouco, captando o aroma de castanhas assadas, ces 
quentes de soja, fumaa, e humanidade. Algum vozeava em uma estridente monotonia 
sobre o fim do mundo. Um taxista fez ressonar sua buzina bem por cima do permitido 
pelas leis de contaminao acstica quando com o semforo a seu favor os pedestres 
cruzavam a rua. Acima os madrugadores aerobuses expulsavam gases alegremente, e os 
primeiros pequenos dirigveis publicitrios comeavam a apregoar seus artigos pela 
cidade.
Viu uma briga a murros estalar entre duas mulheres. Acompanhantes 
profissionais guias de ruas, refletiu Eve. Os companheiros autorizados tinham que 
proteger seu territrio aqui to ferozmente como os vendedores de alimento e bebida. 
Pensou sair e as separar, mas a pequena loira derrubou de um golpe  ruiva grande, 
afastando-se logo por entre a multido como um coelho.
Bem pensado, pensou com aprovao, quando a ruiva j se levantou, sacudindo 
sua cabea e gritando originais obscenidades.
Esta, pensou com afeto, era seus Nova Iorque.
Com um pouco de pena, avanou para a relativa calma da Stima, logo se 
dirigiu ao centro da cidade. Tinha que retornar  ao, pensou. As semanas de invalidez 
a tinham feito sentir-se nervosa e intil. Dbil. Tinha rechaado a recomendao de 
passar outra semana longe, e tinha insistido em tomar o reconhecimento fsico.
E sabia que o tinha passado raspando.
Mas o tinha passado, e estava de volta no trabalho. Agora, se s pudesse 
convencer a sua comandante de relev-la do trabalho de escritrio, seria uma mulher 
feliz.
Quando seu rdio soou, sintonizou-a com o meio ouvido. No entrava em 
servio at dentro de trs horas.
Qualquer unidade nas cercanias, reporta-se um 1222 no 6843 da Stima 
Avenida, apartamento 18B. Nenhuma confirmao disponvel. Ver o homem no 
apartamento 2A. Qualquer unidade nas cercanias...
Eve abriu o canal antes de que Despacho pudesse repetir o sinal. 
Despacho, aqui Dallas, Tenente Eve. Estou a dois minutos dessa localizao 
na Stima Avenida. Estou respondendo.
Recebido, Dallas, Tenente Eve. Por favor, prova litogrfica sua posio ao 
chegar.
Afirmativo. Dallas fora.
aproximou-se do bordo da rua, e jogou uma olhada ao edifcio de ao cinza. 
Umas poucas luzes brilhavam tenuemente atravs das janelas, mas s viu escurido no 
piso dezoito. Um 1222 significava que tinha sido uma chamada annima informando de 
uma disputa domstica.
Eve saiu de seu veculo, e se passou uma mo ausente sobre o lado onde sua 
arma se assentava comodamente. No lhe importava comear o dia com um problema, 
mas no havia poli vivo ou morto que no temesse um domstico.
Parecia no haver nada que um marido, esposa, ou cnjuge sexual desfrutasse 
mais que se voltar para o pobre bastardo que tratava de lhes impedir de matar o um ao 
outro pelo dinheiro do aluguel.
O simples feito de haver-se devotado a tom-lo era um reflexo de seu 
descontente com suas tarefas atuais. 
Eve correu ligeiramente pela curta escada e procurou o homem do 2A.
Mostrou-lhe sua insgnia quando lhe falou atravs da mira de segurana, 
observando-a com seus pequenos olhos saltados quando abriu a porta apenas uma fresta. 
Voc informou do conflito?
Eu no fui. A polcia me chamou. Sou o encarregado. No sei nada.
Posso ver isso. Ele cheirava a lenis velhos e, inexplicavelmente, a 
queijo. Quer me deixar entrar no 18B?
Trouxe um cdigo professor, verdade?
Sim, claro. Avaliou-o rapidamente: baixo, fraco, fedorento, e assustado. 
O que pode me dizer dos ocupantes, antes de que entre?
S um. Mulher, sozinha. Divorciada ou algo. ocupa-se do seu.
No todos o fazem murmurou Eve. Tem seu nome?
Hawley. Marianna. Uns trinta ou trinta e cinco anos. Bonita, agradvel. 
esteve aqui aproximadamente seis anos. Nenhum problema. Olhe, no ouvi nada, no vi 
nada e no sei nada. Maldio, so cinco e trinta da manh. Se lhe tiver feito qualquer 
machuco  unidade, quero sab-lo. De outro modo, no  algo que me importe. 
Bem disse Eve quando a porta fez clique ao fechar-se em sua cara. 
Volta para seu buraco, pequeno inseto. Rodou os ombros uma vez, e logo cruzou o 
corredor para o elevador. Quando entrou, tirou seu comunicador: Dallas, Tenente 
Eve. Estou na localizao na Stima Avenida. O encarregado do edifcio se lavou as 
mos. Informarei depois de entrevistar ao Hawley, Marianna, residente do 18B.
Necessita reforos?
No neste momento. Dallas fora.
Guardou o comunicador em seu bolso enquanto saa ao vestbulo do dezoito. 
Uma rpida olhada para cima lhe mostrou cmaras de segurana no lugar. O corredor 
estava tranqilo como uma igreja. Pela localizao e estilo do edifcio, enquadrou a 
maior parte dos residentes como de pescoo branco, e ganhos mdios. A maioria no se 
moveria de suas camas at depois das sete. tomariam seu caf matutino, e sairiam 
disparados  parada do metro ou o aerobs. Os mais afortunados simplesmente se 
conectariam ao escritrio desde seu terminal caseiro.
Uns teriam meninos que enviar  escola. Outros beijariam a seus cnjuges ao 
despedir-se e esperariam a seus amantes.
Vistas ordinrias em um lugar ordinrio.
Folheou sua mente para perguntar-se se Roarke possua o maldito edifcio, mas 
apartou a idia e caminhou at o 18B.
A luz de segurana piscava livre. Desativado. Por instinto deu um passo ao 
lado da porta quando tocou o timbre. No podia ouvir seu eco amortecido e decidiu que 
a unidade estava tirada o som. O que fosse que tivesse acontecido dentro, permanecia 
dentro. Vagamente irritada, tirou seu cdigo professor e desbloqueou as fechaduras.
antes de entrar, chamou. Nada pior, refletiu, que assustar a algum sonolento 
civil e que lhe jogasse em cima com uma atordoante caseira ou uma faca de cozinha.
Sra. Hawley? Polcia. Temos um relatrio de problemas em sua unidade. 
Luzes             ordenou, e as de acima na rea de estar cintilaram acendendo-se.
Era bastante bonito de um modo tranqilo. Cores suaves, linhas simples. A tela 
visual estava programada com um velho vdeo. Duas pessoas incrivelmente atrativas 
rodavam nuas em uma cama pulverizada com ptalas de rosa e gemiam teatralmente.
Havia um prato de doces na mesita diante de um comprido e opaco sof verde. 
Estava cheio a transbordar de borrachas aucaradas. Velas chapeadas e vermelhas em 
seus suportes, agrupadas a um lado, e queimadas artisticamente para variar as alturas.
O quarto inteiro cheirava a arndano e pinheiro.
Viu de onde provinha o aroma de pinheiro. Uma pequena rvore, perfeitamente 
formado estava situado diante de uma janela, com as luzes festivas e os adornos de 
anjos de caramelo quebrados, e seus ramos quebrados.
Ao menos uma dzia de caixas envoltas alegremente estavam esmagadas 
debaixo dele.
Alcanou sua arma, tirou-a, e rodeou o quarto.
No havia nenhum outro assino bvio de violncia, no ali. O casal na tela 
visual alcanou simultaneamente o clmax com gemidos roucos, e selvagens e Eve a 
deixou atrs. Escutou atentamente.
Ouviu msica. Tranqila, alegre, e montona. No sabia a melodia, mas a 
reconheceu como uma das insidiosas cancioncillas de Natal que soavam em todas partes 
por semanas durante a temporada.
Varreu com sua arma o curto corredor. Duas portas, ambas as abertas. Em uma 
podia ver uma pia, um lavabo, e o bordo de uma tina, todos em branco brilhante. 
Mantendo as costas pega  parede, deslizou-se por volta da segunda porta, onde a 
msica soava sem cessar.
Cheirou-a, a morte fresca. To metlica como afrutada. Ao abrir a porta 
completamente, encontrou-a.
Entrou em quarto, girando  direita, logo  esquerda, com os olhos agudos, e os 
ouvidos alerta. Mas sabia que estava a ss com o que tinha sido Marianna Hawley. De 
todos os modos, comprovou o armrio, e detrs das cortinas; logo deixou o quarto para 
investigar pelo resto do apartamento antes de baixar o guarda.
S ento se aproximou da cama.
O do 2A tinha estado no correto, pensou. A mulher tinha sido bonita. No 
espantoso, nem muito bonito, mas sim uma mulher bonita com sedoso cabelo castanho e 
olhos profundamente verdes. A morte no a tinha privado disso, ainda.
Seus olhos estavam muito abertos e assustados, como os tinham 
freqentemente os mortos. Contra a lnguida palidez de suas bochechas tinha sido 
aplicado uma cor sutil. Suas pestanas estavam obscurecidas, e seus lbios pintados de 
uma festiva vermelha cereja. Um adorno tinha sido fixado em seu cabelo apenas em 
cima da orelha direita, uma pequena rvore brilhante com um ave dourada gordinha em 
um de seus ramos chapeados.
Teria estado nua de no ser por isso e pela brilhante grinalda chapeada que 
tinha sido artisticamente envolta ao redor de seu corpo. Eve se perguntou, enquanto 
estudava o machucado em carne viva ao redor de seu pescoo, se isso era o que tinha 
sido utilizado para estrangul-la.
Havia mais machucados nas bonecas, nos tornozelos, indicando que a vtima 
tinha estado atada, e que provavelmente tinha tido tempo para lutar.
Na unidade de entretenimento ao lado da cama, o cantor sugeriu que tivesse um 
Feliz Natal.
Suspirando, Eve tirou seu comunicador. 
Despacho,  Dallas, Tenente Eve. Tenho um homicdio.
* * * * *
Maldito modo de comear o dia a oficial Peabody sufocou um bocejo e 
estudou  vtima com olhos escuros de polcia. Apesar da hora ferozmente temprana, o 
uniforme do Peabody estava limpo e engomado, sua juba marrom escura sem piedade 
domada.
A nica coisa que indicava que tinha sido bruscamente despertada da cama era 
a marca do lenol em sua bochecha esquerda.
Maldito modo de terminar um murmurou Eve. O relatrio preliminar na 
cena indica que a morte ocorreu quase exatamente  meia-noite se apartou para deixar 
 equipe do escritrio do mdico forense verificar suas concluses. H indcios de 
que a causa de morte foi estrangulamento. A falta de feridas defensivas indica que a 
vtima no lutou at que esteve atada.
Brandamente, Eve levantou o tornozelo esquerdo da mulher morta e examinou 
a pele nua. 
As contuses vaginal e anal indicam que a agrediram sexualmente antes de 
mat-la. A unidade foi tirada o som. Ela poderia ter gritado at jogar os pulmes.
No vi nenhum sinal de entrada forada, nem nenhum sinal de luta na rea 
de estar, exceto a rvore de Natal. Isso me pareceu deliberado.
Eve afirmou com a cabea, lhe jogando um olhar enviesado ao Peabody. 
Bom olho. v ver o homem do 2A, Peabody, e consegue os discos de 
segurana deste piso. Vejamos quem vinho.
Em seguida.
Ponha um par de uniformizados a fazer averiguaes porta a porta 
acrescentou enquanto caminhava para o televiso-comunicador ao lado da cama. 
Algum que apague essa maldita msica.
No soa compenetrada com o esprito festivo Peabody oprimiu a tecla de 
apagado do sistema de som com um dedo limpo e selado. Senhor.
O Natal  uma dor no culo. Terminaram aqui? perguntou  equipe do 
mdico forense. Vamos lhe dar a volta antes de que a embolsem.
O sangue tinha encontrado seu nvel mais baixo, instalando-se nas ndegas e 
tornando as de um vermelho doentio. O intestino e a bexiga se esvaziaram, o refugo da 
morte. Atravs da capa selada em suas mos, Eve sentiu a textura cerosa da pele.
Isto parece afresco murmurou. Peabody, grava-o em vdeo antes de ir              
estudou a brilhante tatuagem no omoplata direito quando Peabody se moveu para 
grav-lo.
Meu Verdadeiro Amor Peabody franziu os lbios ante as letras vermelho 
brilhante que fluam na escritura passada de moda sobre a carne branca.
Parece-me temporal Eve se inclinou mais, at que seu nariz quase roou a 
curva do ombro e cheirou.  Recentemente aplicado. Comprovaremos onde se fez o 
trabalho.
Uma perdiz em uma pereira.
Eve se endireitou, e levantou uma sobrancelha para seu ajudante. 
O que?
Em seu cabelo, o alfinete em seu cabelo. Durante o primeiro dia de Natal. 
Como Eve seguiu olhando-a em branco, Peabody sacudiu sua cabea.  uma velha 
cano de Natal, Tenente. Os Doze Dias de Natal. O tipo lhe d cada dia algo a seu 
verdadeiro amor, comeando com uma perdiz em uma pereira o primeiro dia.
Que demnios se supe que faz algum com um pssaro em uma rvore? 
Que estpido presente mas uma suspeita nauseabunda se formou redemoinhos em seu 
ventre. Esperemos que esta fosse seu nico verdadeiro amor. me consiga essas 
gravaes e as ponha em uma bolsa de evidncia ordenou, logo girou uma vez mais 
para o comunicador ao lado da cama.
Enquanto o corpo era tirado do lugar, pediu todas as transmisses entrantes e 
salientes durante as vinte e quatro horas anteriores.
A primeira entrou justo passadas as dezoito horas... uma conversao alegre 
entre a vtima e sua me. Enquanto escutava, estudou a cara risonha da me, e pensou 
em como essa mesma cara se veria quando chamasse e lhe dissesse  mulher que sua 
filha estava morta.
A nica outra transmisso era uma saliente. Um tipo arrumado, refletiu Eve 
enquanto estudava a imagem na tela. Na metade dos trinta anos, sorriso rpido, olhos 
marrons expressivos. Jerry, chamou-o a vtima. Ou Jer. Muitos jogos sexuais, sedutores. 
Um amante ento. Talvez seu verdadeiro amor.
Tirou o disco, selou-o, e o guardou. Localizou a agenda, leva-enlace, e 
caderneta de direes da Marianna no escritrio sob a janela. Com uma rpida passada 
pelas entradas, encontrou um Jeremy Vandoren.
S ento se voltou para a cama. Os lenis manchados estavam empilhadas aos 
ps. A roupa da vtima que tinha sido cuidadosamente atalho e tiragem ao estou 
acostumado a foi embolsada como evidncia. O apartamento estava silencioso.
Ela o deixou entrar, refletiu Eve. Abriu-lhe a porta. Entrou aqui com ele 
voluntariamente, ou a submeteu primeiro? O relatrio de toxicologia lhe diria se havia 
algo indevido no sangue.
Uma vez que a teve no dormitrio, atou-a. Mos e ps, provavelmente 
enganchando as cordas ao redor do curto arremate dos postes em cada uma das quatro 
esquinas, estendendo-a para dar um banquete.
Logo lhe tinha talhado a roupa. Com cuidado, sem pressa. No tinha sido a 
raiva, a fria, nem sequer uma classe se desesperada para necessidade. Calculado, 
planejado, ordenado. Logo a tinha violado, havia-a sodomizado, porque podia. Ele tinha 
o poder.
Ela tinha lutado, tinha gritado, provavelmente tinha rogado. Ele tinha 
desfrutado disso, alimentou-se disso. Os violadores o faziam, pensou, e respirou 
profundamente vrias vezes, para controlar-se j que sua mente quis virar para seu pai.
Quando terminou, estrangulou-a, olhando-a, olhando enquanto seus olhos se 
inchavam. Logo lhe escovou o cabelo, pintou sua cara, e a cobriu com a festiva grinalda 
chapeada. Havia trazido o alfinete com ele, ou lhe tinha pertencido a ela? divertiu-se ela 
com a tatuagem, ou tinha decorado seu corpo ele mesmo?
moveu-se por volta do quarto de banho vizinho. O azulejo branco cintilava 
como o gelo, e havia um dbil aroma de desinfetante.
Ele tinha limpo quando terminou, decidiu. lavou-se, inclusive se arrumou, logo 
limpou e fumigou o quarto para tirar qualquer evidncia.
Bem, poria  equipe de cena do crime nisso em qualquer caso. Um piolhento 
cabelo pbico poderia pendur-lo.
Ela tinha tido uma me que a amou, pensou Eve. Uma que se riu com ela, 
fazendo planos para o dia festivo, falando de bolachas de acar.
Senhor? Tenente?
Eve jogou uma olhada sobre seu ombro, e viu o Peabody no centro do 
vestbulo. 
O que?
Tenho os discos de segurana. Dois uniformizados esto comeando com o 
porta a porta.
Bem Eve se passou as mos sobre a cara. vou selar o lugar, leva tudo  
Central. Tenho que informar aos familiares mais prximos se carregou ao ombro sua 
bolsa, e recolheu sua equipe de campo. Tem razo, Peabody.  um maldito modo de 
comear o dia.

Capitulo  2
Conseguiu o nmero de  conexo do noivo?
Sim, senhor. Jeremy Vandoren, vive na Segunda Avenida,  um executivo 
no Foster, Bride and Rumsey na Wall Street Peabody jogou uma olhada a sua 
caderneta enquanto transmitia o resto. Divorciado, atualmente solteiro, trinta e seis 
anos. E um espcime muito atrativo da espcie masculina. Senhor.
Hmm. Eve inseriu o disco de segurana em sua unidade de escritrio. 
vamos ver se o espcime muito atrativo chamou a sua noiva ontem  noite.
Preparo-te um pouco de caf, Tenente?
O que?
Preparo-te um pouco de caf?
Os olhos do Eve se entrecerraron quando explorou o vdeo. 
Se quiser caf, Peabody, s diga-o.
detrs das costas do Eve, Peabody ps os olhos em branco. 
Quero caf.
Ento te prepare um, e me prepare um enquanto est nisso. A vtima chegou 
a casa s dezesseis e quarenta e cinco. Pausa ordenou Eve e jogou um bom olhar a 
Marianna Hawley.
Arrumada, bonita, jovem, seu cabelo castanho brilhante coberto com uma 
boina vermelho forte que fazia jogo com seu formado redemoinhos casaco comprido e o 
brilho reluzente de suas botas.
Tinha estado s compras, comentou Peabody quando ps a taa de caf ao 
lado do cotovelo do Eve.
Sim. Bloomingdale'S. Seguir explorao disse Eve e viu quando 
Marianna trocou de lado os pacotes, e tirava seu carto chave. Movia a boca, notou Eve. 
Falando com ela mesma. No, compreendeu, Marianna cantava. Logo a mulher se jogou 
o cabelo para trs, trocou de lado os pacotes outra vez, entrou em apartamento, e fechou 
a porta.
A luz da fechadura piscou acesa.
Quando o disco seguiu, Eve viu outros inquilinos entrar e sair, sozinhos, em 
casais. Vistas ordinrias, seguindo adiante.
Ela ficou para jantar declarou Eve, olhando agora com sua imaginao, 
atravs da porta, dentro do apartamento.
Podia ver a Marianna circular pelos quartos, tendo posto as singelas calas 
nuticas e suter branco que mais tarde seria talhado de seu corpo.
Acendeu a tela de viso por companhia. Pendurou o brilhante casaco vermelho 
no armrio dianteiro, ps o chapu sobre a prateleira, e as botas no cho. Guardou os 
pacotes com as compras.
Era uma mulher ordenada a quem gostava das coisas bonitas, preparando-se 
para uma tarde tranqila em casa.
preparou-se ela mesma uma sopa aproximadamente s sete, segundo seu 
AutoChef Eve tamborilou suas unhas curtas, sem pintar no escritrio enquanto seguia 
a explorao. Sua me a chamou, logo ela chamou o noivo.
Enquanto estabelecia a margem de tempo em sua mente, viu as portas do 
elevador abrir-se. Suas sobrancelhas se elevaram, desaparecendo sob a franja sobre sua 
frente. 
Bom, ho, ho, ho, o que temos aqui?
Santa Claus sonriendo abertamente, Peabody se inclinou sobre o ombro do 
Eve. Trazendo presentes.
O homem vestido de vermelho e barba branca levava uma caixa grande envolta 
em papel prateado e ajustada com um elaborado lao em ouro e verde.
Manten a. Pausa. Ampliar o setor dez a cinqenta, aos trinta por cento.
A tela trocou, a seo que Eve designou se separou, logo apareceu. Aninhado 
no centro do extravagante lao havia uma rvore de prata com uma gordinha ave 
dourada.
Filho de puta. Filho de puta, essa  a coisa que estava em seu cabelo.
Mas... esse  Santa Claus.
te controle, Peabody. Continuar explorao. Ele vai para sua porta 
murmurou Eve, olhando como a alegre figura levava seu brilhante carrega ao 
apartamento da Marianna. Apertou o timbre com um dedo enluvado, esperou um 
momento, logo jogou para trs a cabea e riu. Quase imediatamente, Marianna abriu a 
porta, sua cara resplandeceu, e seus olhos brilharam de prazer.
Ela se jogou o cabelo para trs com uma mo, logo abriu a porta de par em par 
em convite.
Santa jogou uma olhada rpida sobre seu ombro, olhando diretamente para a 
cmara. Sorriu, e piscou os olhos.
Congelar imagem. O bastardo. Bastardo presunoso. Imprimir imagem 
ordenou, estudando a redonda cara rosada e seus brilhantes olhos azuis.  Sabia que 
visionaramos os discos, que o veramos ele. Desfruta-o.
disfarou-se como Santa Peabody seguia boquiaberta olhando a tela.  
horrvel.  simplesmente... absurdo.
O que? Se se tivesse disfarado como Sat teria sido mais apropriado?
Sim... no Peabody se encolheu de ombros, movendo seus ps.  s... 
caramba, isto  realmente doentio.
 tambm realmente inteligente. Com olhos apagados, Eve esperou 
enquanto a imagem se imprimia. Quem vai fechar lhe a porta na cara a Santa? 
Continuar explorao.
A porta se fechou detrs deles, e o vestbulo ficou vazio.
O cronometrador que corria perto da base da tela marcava 21:33.
De maneira que ele se tomou seu tempo, refletiu Eve, quase duas horas e meia. 
A corda que tinha utilizado para at-la, e algo que poderia ter necessitado, teria estado 
naquela grande caixa brilhante.
s onze, um casal saiu do elevador, rendo, um pouco bbados, agarrados do 
brao enquanto passavam pela porta da Marianna. Inconscientes do que acontecia 
dentro.
Medo e dor.
Assassinato.
A porta se abriu acontecida a meia-noite. O homem do traje vermelho saiu, 
ainda levando sua caixa chapeada, com um sorriso de par em par, quase feroz, e as 
bochechas rosadas. Uma vez mais olhou diretamente a cmara, e agora havia loucura 
brilhando intensamente em seus olhos.
Danava enquanto subia ao elevador.
Disco de cpia para o arquivo Hawley. Caso nmero 25176-H. Quantos dias 
de Natal disse que havia, Peabody? Na cano?
Doze Peabody acalmou sua garganta seca com caf. Doze dias.
Melhor averigemos se Hawley era seu verdadeiro amor, ou se ele tiver onze 
mais se levantou. vamos falar com o noivo.
* * * * *
Jeremy Vandoren trabalhava dentro de um pequeno cubculo em uma colmia 
de pequenos cubculos. Seu estreito cubculo tinha uma estao de trabalho apenas o 
suficientemente grande para acomodar seu computador, o comunicador e uma cadeira 
de trs rodas. Sujeito s dbeis paredes estavam os listrados de informe de aes, um 
horrio de teatro, um carto de Natal que representava a uma mulher muito bem dotada 
que levava flocos de neve estrategicamente colocados, e uma foto da Marianna Hawley.
Logo que levantou o olhar quando Eve entrou; levantou uma mo para que 
esperasse e seguiu trabalhando no teclado de seu computador manualmente, enquanto 
falava rapidamente por uns auriculares.
Comstat est em cinco e um oitavo, Kenmart baixou trs e trs quartos. No, 
as Indstrias Roarke s subiram seis pontos. Nossos analistas procuram algo para subir 
outros dois antes do final do dia.
Eve levantou uma sobrancelha e colocou suas mos nos bolsos de sua cala. 
Estava ali esperando para falar de um assassinato, e Roarke fazia milhes.
Isso era apenas estranho.
Feito Vandoren apertou outra tecla e teve um matagal de misteriosas 
figuras e smbolos nadando na tela. Lhe permitiu brincar outros trinta segundos, logo 
tirou a insgnia de seu bolso e a sustentou diante de sua cara.
Ele piscou duas vezes, logo girou e a enfocou. 
Tenho-o. J est posto. Totalmente. Obrigado com um sorriso perplexo, e 
levemente nervosa, Vandoren deixou o microfone com seus auriculares a um lado. 
Hum, Tenente, o que posso fazer por voc?
Jeremy Vandoren?
Sim seus olhos marrons profundos se deslizaram alm dela, posando-se no 
Peabody, logo voltaram para trs. Estou em problemas?
Fez voc algo ilegal, Sr. Vandoren?
No que possa recordar ele tentou sorrir outra vez, fazendo aparecer uma 
covinha na comissura de sua boca. No a menos que aquela barra de caramelo que 
roubei quando tinha oito anos haja tornado para me obcecar.
Conhece voc a Marianna Hawley?
Marianna, seguro. No me diga que Mari roubou uma barra de caramelo                 
logo repentinamente, como uma luz que se extinguia, o sorriso desapareceu. O que 
acontece? passou algo? Ela est bem?
levantou-se de sua cadeira, seus olhos esquadrinhando por cima do cubculo 
como se esperasse v-la.
Sr. Vandoren, sinto-o Eve nunca tinha encontrado um modo bom de 
transmitir as notcias, logo decidiu dizer-lhe rapidamente. A senhora Hawley est 
morta.
No, no o est. No disse ele outra vez, girando aqueles olhos escuros 
para o Eve. No o est. Isso  ridculo. Acabo de falar com ela ontem  noite. 
Encontraremo-nos para jantar s sete. Ela est bem. Voc cometeu um engano.
No h nenhum engano. Sinto-o repetiu quando ele s continuou olhando-
a fixamente. Marianna Hawley foi assassinada ontem  noite em seu apartamento.
Marianna? Assassinada? Ele seguiu sacudindo a cabea lentamente, como 
se as duas palavras fossem estranhas. Definitivamente  um engano. S um engano
. Girou ao redor, procurando seu comunicador no escritrio. A chamarei agora 
mesmo. Est no trabalho.
Sr. Vandoren Eve ps uma mo firme em seu ombro e o empurrou para a 
cadeira. No havia outro lugar para sentar-se, assim apoiou um quadril no escritrio 
assim suas caras poderiam estar mais niveladas. Ela foi identificada pelas impresses 
digitais e o DNA. Se voc pode dirigi-lo, eu gostaria que viesse comigo e fizesse uma 
confirmao visual.
Uma confirmao... Ele se levantou outra vez, lhe dando uma cotovelada 
no ombro ao Eve e fazendo que a ferida no completamente curada lhe doesse. Sim, 
irei com voc. Maldito se no irei. Porque no  ela. No  Marianna.
* * * * *
O necrotrio nunca era um lugar alegre. O fato que algum em um estado de 
nimo otimista ou macabro tivesse pendurado bolas vermelhas e verdes do teto e um 
feio oropel dourado ao redor das portas s conseguia acrescentar uma espcie de careta 
zombadora sobre a morte.
Eve estava de p na janela de inspeo, como tinha estado de p muitas vezes 
antes. E sentiu, como havia sentido muitas vezes antes, a brusca sacudida de estupor 
golpeando ao homem a seu lado quando viu a Marianna Hawley morta ao outro lado do 
vidro.
O lenol que lhe cobria o queixo teria sido posta depressa. Para ocultar aos 
amigos, famlia, e seres queridos a lamentvel nudez dos mortos, os cortes na carne 
deixados pela inciso em "E", o selo temporrio na impigem que dava a aquele corpo 
um nome e nmero.
No Em um gesto necessitado, Vandoren pressionou com ambas as mos 
a barreira. No, no, no, no pode ser verdade. Marianna.
Amigavelmente agora, Eve ps uma mo em seu brao. Ele tremia 
perigosamente, e as mos no vidro as tinha apertadas e dava golpes curtos, ligeiros.
S afirme com a cabea se pode identific-la como Marianna Hawley.
Ele afirmou com a cabea. Logo comeou a chorar.
Peabody, nos encontre um escritrio vazio. lhe consiga um pouco de gua 
inclusa enquanto Eve falava, encontrou-se engolida por ele, seus braos ao redor dela, 
sua cara pressionando seu ombro. Seu corpo dobrado pelo peso de sua pena.
Deixou-lhe abra-la, assinalando ao tcnico atrs do vidro que levantasse o 
protetor de privacidade.
Venha, Jerry, venha comigo agora passou um brao de ao redor dele para 
sustent-lo, pensando que preferia confrontar uma arma totalmente carregada que a um 
aflito sobrevivente. No havia nenhuma ajuda para os que ficavam. Nenhuma magia, 
nenhuma padre. Mas lhe murmurou enquanto o conduzia para baixo, pelo corredor 
ladrilhado para a porta onde Peabody estava de p.
Podemos usar esta disse Peabody silenciosamente. Trarei a gua.
Sinta-se depois de deix-lo em uma cadeira, Eve tirou um leno do bolso 
de seu casaco e o pressionou em sua mo. Sinto sua perda disse, como sempre 
fazia. E sentiu que no era suficiente, como sempre.
Marianna. Quem faria mal a Marianna? por que?
 meu trabalho averigu-lo. Averiguarei-o.
Algo no modo em que o disse lhe fez levantar o olhar para ela. Seus olhos 
estavam vermelhos e desolados. Com um esforo bvio suspirou profundamente. 
Eu... Ela era to especial procurou provas em seu bolso e tirou uma 
pequena caixa forrada de veludo. ia dar se o esta noite. Tinha planejado esperar at 
Vspera de natal, Marianna amava o Natal; mas eu no podia. Simplesmente no podia 
esperar.
Suas mos tremiam enquanto abria a caixa para lhe mostrar ao Eve o brilhante 
brilho do diamante do anel de compromisso. 
ia pedir lhe que se casasse comigo esta noite. Ela haveria dito sim. Amamo-
nos. Foi com cuidado fechou a caixa outra vez, e a guardou em seu bolso. Foi 
um roubo?
No acreditam isso. Quanto fazia que a conhecia?
Seis, quase sete meses ele olhou fixamente ao Peabody quando entrou e 
lhe tendeu um copo de gua. Obrigado tomou, mas no bebeu. Os seis meses 
mais felizes de minha vida.
Como a conheceu?
Pelo Personally Yours.  um servio de contatos.
Voc utiliza uma agncia de contatos? Isso causou ao Peabody algo mais 
que uma pequena surpresa. 
Ele encurvou os ombros, e suspirou. 
Foi um impulso. Passava a maior parte de meu tempo no trabalho e no saa 
muito. Divorciei-me faz um par de anos, e acredito que isso me ps nervoso com as 
mulheres. De todos os modos, nenhuma das mulheres que encontrei... Nenhuma fez 
clique. Vi um anncio na tela uma noite, e pensei, que demnios. No podia fazer mal.
Agora bebeu, um pequeno sorvo que fez trabalhar visivelmente a sua garganta 
enquanto tragava 
Marianna era terceira dos primeiros cinco intentos. Sa com as primeiras 
dois... a tomar uns goles, s bebemos. No passou nada. Mas quando encontrei a 
Marianna, tudo estava ali.
Ele fechou seus olhos, e lutou por serenar-se. 
Ela  to... maravilhosa. Tanta energia, entusiasmo. Amava seu trabalho, seu 
apartamento, gozava de seu grupo de teatro. Faz teatro comunitrio s vezes.
Eve notou o modo que ele trocava daqui para l, tempo passado e presente. Sua 
mente tratava de acostumar-se ao que era, mas no estava completamente preparado 
ainda.
Voc comeou a freqent-la apontou ela.
Sim. Tnhamos acordado nos encontrar para tomar uns goles. S beber... fora 
dos mbitos de cada um de ns. Terminamos por ir jantar, logo o caf. Conversar 
durante horas. Nenhum viu ningum mais depois dessa noite. Era o correto, para ambos.
Ela se sentiu do mesmo modo?
Sim. Nos tomamos com lentido. Uns poucos jantares, o teatro. Ambos 
amamos o teatro. Comeamos a passar as tardes do sbado juntos. Uma funo de tarde, 
um museu, ou s um passeio. Voltamos para sua cidade natal para que conhecesse sua 
famlia. Em quatro de julho. Levei-a a conhecer a minha. Minha me fez a comida.
Seus olhos se desfocaram quando contemplou algo que s ele podia ver.
Ela no via ningum mais durante esse perodo?
No. Fazamos um compromisso.
Sabe se algum a incomodava... um velho noivo, um antigo amante? Seu ex-
marido?
No, estou seguro de que me haveria isso dito. Falvamos todo o tempo. 
Dizamo-nos todo seus olhos se limparam, o marrom endurecendo-se como o 
cristal. por que me pergunta isso? Ela... Marianna... ele fez... OH Deus em seu 
joelho sua mo se apertou em um punho. Ele a violou primeiro, verdade? O bastardo 
de mierda a violou. Eu deveria ter estado com ela atirou o copo atravs do quarto, 
salpicando gua quando deu tombos a seus ps. Deveria ter estado com ela. Nunca 
teria passado se tivesse estado com ela.
Onde estava voc, Jerry?
O que?
Onde estava ontem  noite, entre as nove e trinta e a meia-noite?
Voc pensa que eu se calou, levantando uma mo, e fechando seus 
olhos. Trs vezes ele inalou, e exalou. Logo abriu seus olhos outra vez, e permaneceram 
limpos. Est bem. Voc precisa certificar-se que no fui eu e assim poder encontr-lo. 
Est bem.  por ela.
Assim  e estudando-o, Eve sentiu de novo uma aguda compaixo.  
por ela.
Eu estava em casa, em meu apartamento. Trabalhei um pouco, fiz algumas 
chamadas, umas pequenas compras de Natal via computador. Confirmei as 
reservaciones para o jantar de esta noite porque estava nervoso. Queria se 
esclareceu garganta. Queria que tudo fora perfeito. Logo chamei a minha me 
levantou as mos, esfregou-os com fora sobre sua cara. Tinha que dizer-lhe a 
algum. Ela estava emocionada, excitada. Estava louca pela Marianna. Penso que foi 
aproximadamente s dez e trinta. Voc pode comprovar meus registros do comunicador, 
meu computador, algo que precise fazer.
Bem, Jerry.
Tenho... Sua famlia, sabe?
Sim, falei com seus pais.
Preciso cham-los. Eles a querero de retorno em casa seus olhos se 
encheram outra vez, e ele seguiu olhando ao Eve enquanto as lgrimas corriam por suas 
bochechas. A levarei a casa.
Verei que seja liberada quanto antes. H algum a quem possamos chamar 
por voc?
No. Tenho que dizer-lhe a meus pais. Tenho que ir  girou para a porta, e 
falou sem olhar atrs. Encontre a quem fez isto. Encontre a quem lhe fez mal.
Farei-o. Jerry, uma ltima coisa.
esfregou-se sua cara secando-a e se voltou atrs. 
O que?
Tinha Marianna uma tatuagem?
Ele riu, um som curto e spero que pareceu ressonar por sua garganta. 
Marianna? No. Era antiquada, no usaria nem sequer um temporrio.
Est seguro disso?
Fomos amantes, Tenente. Estvamos apaixonados. Conhecia seu corpo, 
conhecia sua mente e seu corao.
Bem. Obrigado ela esperou at que ele teve sado, at que a porta fez 
clique silenciosamente detrs dele.  Impressione, Peabody?
O tipo tem o corao destroado.
De acordo. Mas a gente freqentemente mata aos que ama. Inclusive com os 
registros de seu comunicador, seu libi vai ser instvel.
Ele no se v como Santa Claus.
Eve sorriu um pouco. 
Asseguro-te que a pessoa que a matou tampouco. De outro modo no teria 
estado to feliz de posar para a cmara. Preenchendo-se, trocando a cor dos olhos, a 
maquiagem, a barba, e a peruca. Qualquer maldito corpo pode parecer-se com a Santa.
Mas no momento, ela seguiria o que lhe diziam as tripas. 
No  ele. vamos investigar onde trabalhava ela, encontra a seus amigos e 
inimigos.
* * * * *
Amigos, pensou Eve mais tarde, Marianna parecia ter um monto. Inimigos, 
nenhum.
O retrato que se estava formando era o de uma mulher feliz, socivel, a gosto 
em seu trabalho, prxima a sua famlia, mas que desfrutava de do ritmo e o entusiasmo 
da cidade.
Tinha um grupo grande de amigos, uma debilidade pelas compras, um amor 
profundo pelo teatro, e segundo todas as fontes tinha uma relao exclusiva e feliz com 
o Jeremy Vandoren.
Ela danava no ar.
Todos os que a conheciam a amavam.
Tinha um corao aberto, crdulo.
Enquanto conduzia a casa, deixou que as declaraes feitas por amigos e 
colegas de trabalho dessem volta por sua mente. Ningum criticou a Marianna. Nem 
uma vez ouviu um desses ladinos, e freqentemente automvel-congratulatrios 
comentrios que os vivos faziam dos mortos. 
Mas havia algum que pensava diferente, algum que a tinha matado framente, 
com cuidado, e, se o olhar naqueles olhos era alguma indicao, com uma espcie de 
regozijo.
Meu Verdadeiro Amor.
Sim, algum a tinha amado o bastante para mat-la. Eve sabia que essa classe 
de amor existia, crescia, e supurava. Ela tinha sido o recipiente dessa emoo violenta e 
torcida. E tinha sobrevivido, recordou-se, e tirou seu comunicador.
Tem j o relatrio de toxicologia do Hawley , Dickie?
A cara sofrida e fecha do chefe de laboratrio encheu a tela. 
Sabe que as coisas se entopem aqui durante as festas. Gente aplaudindo a 
gente a mo direita e sinistra, tcnicos vadiando por essa mierda de Natal e Hanukkah 
em lugar de fazer suas tarefas.
Sim, meu corao sangra por ti. Quero o relatrio de toxicologia.
Quero umas frias mas murmurando, moveu-se e comeou a procurar algo 
em seu computador. Estava sedado. Material sem receita mdica, bastante suave. 
Considerando seu peso, a dose no teria feito muito mais que atordo-la por dez, quinze 
minutos.
O tempo suficiente murmurou Eve.
H sinais de uma injeo, na parte superior do brao direito. Provavelmente 
se sentiu como se acabasse de tragar-se meia dzia do Zombies. Resultados: enjo, 
desorientao, possivelmente perdida temporal do sentido, e debilidade muscular.
Bem. Um pouco de smen?
No!, nem um pequeno soldado. Ele usou camisinha ou ao melhor o controle 
de natalidade dela os matou. Ainda temos que comprovar isso. O corpo foi orvalhado 
com desinfetante. H rastros disso em sua vagina, o qual tambm pode ter matado a 
alguns guerreiros. No conseguimos nada dela. OH... algo mais. Os cosmticos usados 
nela no so iguais aos que tinha no lugar. No terminamos com eles ainda, mas 
inicialmente indicam que so todos de ingredientes naturais, o que significa que custam 
caros.  provvel que fora ele quem os levasse.
me consiga marcas registrada logo que possa.  um bom princpio. Bom 
trabalho, Dickie.
Sim, sim. Felizes jodidas festas.
O mesmo para ti, imbecil murmurou depois de sair do sistema. E fazendo 
rodar um pouco seus ombros pela tenso, dirigiu-se atravs das portas de ferro para a 
casa.
Podia ver as luzes nas janelas resplandecendo na escurido do inverno, janelas 
altas, arqueadas em torres e torrecillas, e a larga extenso do piso principal.
Em casa, pensou. feito-se seu devido ao homem que a possua. O homem que a 
amava. O homem que tinha posto seu anel em seu dedo... como Jeremy tinha querido 
fazer com a Marianna.
Girou sua aliana de casamento com seu polegar quando estacionou seu carro 
diante da entrada principal.
Ela tinha sido tudo, havia dito Jerry. Inclusive um ano antes ela no o teria 
entendido. Agora o fez.
ficou onde estava um momento, e se passou ambas as mos por seu arbusto j 
desordenado de cabelo. A pena do homem se filtrou por ela. Era um engano; isso no 
ajudaria e possivelmente poderia dificultar a investigao. Tinha que deixar o de lado, 
para bloquear de sua mente a devastadora emoo que sentiu quando ele quase se 
derrubou em seus braos.
O amor no sempre ganhava, recordou. Mas a justia podia, se ela era o 
suficientemente boa. 
Saiu de seu carro, deixou-o onde estava, e caminhou para a porta principal. Ao 
minuto estava dentro, tirou-se sua jaqueta de couro e a atirou descuidadamente sobre o 
elegante pilar na curva de escada.
Summerset saiu das sombras e ficou de p, alto, ossudo, com seus olhos 
escuros e desaprobadores em sua cara plida. 
Tenente.
Deixe meu veculo exatamente onde est lhe disse e se moveu para a 
escada.
Ele inalou, uma audvel aspirao atravs de seu nariz. 
Tem vrias mensagens.
Podem esperar seguiu subindo e comeou a fantasiar com uma ducha 
quente, uma taa de vinho, e uma sesta de dez minutos.
Ele a chamou, mas j tinha deixado de escutar. 
me remoa disse distradamente, logo abriu a porta do dormitrio.
Tudo o que dentro dela se murchou, floresceu.
Roarke estava de p diante do armrio, nu at a cintura, os formosos msculos 
das costas ondulando sutilmente quando se moveu em busca de uma camisa limpa. 
Girou sua cabea, e todo o poder dessa cara a golpeou. A boca de poeta se curvou, e os 
ricos olhos azuis sorriram quando se tornou para trs sua gloriosa juba de cabelo negro 
grosso.
Ol, Tenente.
No pensei que estivesse de retorno at dentro de um par de horas mais.
Deixou a camisa a um lado. Ela no tinha estado dormindo bem, pensou. Podia 
ver a fadiga, as sombras. 
Fiz um bom tempo.
Sim, fez-o logo foi para ele, movendo-se rpido, quase muito rpido para 
ver o brilho de surpresa, e o profundo prazer em seus olhos. Seus braos estavam 
abertos para ela quando chegou ali.
Ela aspirou seu aroma, profundamente, subiu suas mos por suas costas, 
firmemente, logo girou sua cara para o cabelo dele e suspirou, uma vez.
Realmente sentiu saudades murmurou ele.
S espera um minuto, bem?
Tanto como queira.
Seu corpo se adequava ao dele; de algum jeito simplesmente encaixava como 
uma pea de quebra-cabeas o fazia com outra. Pensou no modo que Jeremy Vandoren 
lhe tinha mostrado o anel, o brilho prometedor dele.
Amo-te era uma comoo sentir lgrimas s que no estava acostumada, o 
esforo pelas deter. Sinto no lhe dizer isso mais freqentemente.
Ele havia sentido as lgrimas. Sua mo se deslizou at seu pescoo, esfregando 
brandamente a tenso que sentia atada ali. 
O que acontece, Eve?
No agora. Mais firme, retrocedeu, e emoldurou a cara dele com suas 
mos. Estou to feliz de que esteja aqui. Estou to feliz de que esteja em casa seus 
lbios se curvaram enquanto se inclinava e o beijava.
Calidez, bem-vinda, e trmulos brilhos de paixo que nunca pareciam 
totalmente saciados. E com isso, abraada a isso, ela podia deixar por um momento todo 
fora, exceto isto.
Estava-te trocando de roupa? perguntou contra sua boca.
Estava. Ummm. um pouco mais disso, ele murmurou e lhe mordiscou o 
lbio inferior at que ela tremeu.
Bem, penso que  uma perda de tempo. Para demonstr-lo, deslizou suas 
mos entre seus corpos e lhe desabotoou a cala.
Tem razo lhe tirou a pistolera do ombro e a apartou. Amo te desarmar, 
Tenente.
Com um movimento rpido que fez que ele arqueasse uma sobrancelha, deu-o 
volta e o teve pressionado contra a porta do armrio. 
No necessito uma arma para tomar, amigo.
Demonstra-o.
Ele j estava duro quando sua mo se curvou ao redor dele. O azul de seus 
olhos se fez mais profundo com escuras, e perigosas luzes titilando neles.
No estiveste usando suas luvas outra vez.
Ela sorriu, deslizando seus dedos frios acima e abaixo ao longo dele. 
 uma queixa?
No, absolutamente ofegava. De todas as mulheres, sabia que ela era quo 
nica podia deix-lo sem flego com to pouco esforo. Ele moveu suas mos at a taa 
de seus peitos, esfregou seus polegares brandamente sobre os mamilos antes de desatar 
os botes de sua camisa.
Queria-a baixo ele.
Vem a cama.
O que tem de mau aqui? Ela baixou sua cabea, mordeu-lhe o ombro. O 
que tem de mau agora?
Nada esta vez ele se moveu rpido, enganchando um de seus ps detrs 
dos dela para lhe fazer perder o equilbrio, caindo ento ao cho com ela, mas tenho 
em mente tomar eu a ti, em lugar de  inversa. 
Sua boca se agarrava a seu peito, chupando com fora. As palavras afogaram 
ao Eve na garganta, as imagens exploraram em seu crebro, e seus quadris se arquearam 
para ele.
Ele a conhecia melhor, pensava freqentemente, que ela mesma. Ela 
necessitava ardor, a potente corrente disso, para afogar o que fora que a estava 
afligindo. Ardor que ele podia lhe dar, e lhe daria prazer a ambos os onda detrs onda.
Estava magra. O peso que tinha perdido durante sua recuperao no sobrava a 
sua magra estrutura e ainda lhe faltava para voltar para seu peso normal. Mas sabia que 
ela no desejava gentis carcias nesse momento. Assim que a conduziu sem piedade, 
implacavelmente, at que o flego do Eve se tornou desigual e seu corao golpeou 
ruidosamente contra a inquisitiva boca e mos dele.
Ela se retorceu baixo ele, suas mos agarrando seu cabelo, seus peitos expostos 
com o diamante em forma de lgrima comprido que lhe tinha dado uma vez 
descansando no meio do vale entre eles.
Ele lambeu um caminho descendo por seu torso, sobre as costelas, ao longo de 
seu firme ventre plano, raspando seus dentes contra a linha estreita do quadril enquanto 
ela comeava a estremecer-se. Baixou-lhe mais as calas, expondo os suaves cachos 
entre suas coxas.
Quando passou sua lngua sobre ela, dentro dela, o orgasmo a golpeou como 
um raio. O sangue rugia sob sua pele, trazendo um rocio de suor  superfcie. Estava 
metade dentro, metade fora do armrio, rodeada pelo aroma dele, apanhada nele e na 
glria.
Sentiu que os dedos dele se enterravam em seus quadris, levantando-a, 
estendendo-a, tomando-a. Seu prprio gemido impotente ressonou quando a 
impulsionava para cima outra vez. E voou, no havia nada mais dentro dela, s a 
necessidade de aparearse.
apertou-se a ele, ofegando seu nome enquanto suas mos se deslizavam pelos 
ombros do Roarke, ao redor de suas costas, enquanto suas pernas se levantaram para 
enganchar-se ao redor de sua cintura.
deslizou-se dentro dela, uma suave carcia de volta a casa. Seu corpo se 
estremeceu uma vez quando ela se apertou ao redor dele, apanhando-o enquanto era 
apanhada. Esmagou sua boca contra a dela, nutrindo-se ali quando os quadris dela 
comearam a bombear.
Rpido e forte, com seus olhos o um no outro agora. Empurrar, sair, e 
empurrar, ofegando os dois. Mais perto, mais perto ainda com o firme golpe de carne 
contra carne. 
Ela viu seus olhos opacarse um instante antes de que ele chegasse  meta. O 
corpo dela fez erupo, desfeito sob dele. Quando ele baixou a cabea, pressionando 
contra a garganta dela, Eve girou uma vez mais a seu para seu cabelo. Uma vez mais 
aspirou seu aroma.
 bom estar em casa murmurou ele.
* * * * *
Eve teve sua ducha, sua taa de vinho, e logo o que considerava o cmulo da 
decadncia: comer na cama com seu marido.
me conte a respeito disso ele tinha esperado at que ela se relaxou, at que 
teve comido. Agora lhe serve outra taa de vinho e viu as sombras voltar para seus 
olhos.
No quero trazer meu trabalho a casa.
por que no? Sorriu, voltando a encher seu prprio copo. Eu o fao.
 diferente.
Eve passou um dedo sobre a leve covinha em seu queixo. Estamos os 
dois muito definidos pelo que fazemos para viver. Voc no... Voc no pode deixar seu 
trabalho fora da porta mais que eu.  parte de ti.
Ela se reclinou contra os travesseiros, olhando atravs da janela o escuro cu do 
inverno. E lhe disse.
Foi cruel explicou  larga. Mas no foi isso, realmente. Vi coisas mais 
cruis. Ela era inocente... havia algo a respeito de seu corpo, sua postura, a respeito de 
sua cara, no sei, mas tinha uma inocncia. Sei que no  realmente isso, tampouco. A 
inocncia freqentemente  destruda. Sei como ... no ser inocente; no recordo ter 
sido inocente. Mas sei o que  ser destruda.
Amaldioou pelo baixo e apartou o vinho.
Eve tomou sua mo, esperando at que o olhou. Uma violao e 
assassinato possivelmente no seja o melhor modo de retornar ao servio ativo.
Poderia hav-lo transferido lhe envergonhou admiti-lo, o suficiente para 
apartar o olhar outra vez. Se o tivesse sabido, no estou segura de si teria tomado a 
chamada.
Ainda pode transferi-lo a algum mais em sua diviso. Ningum te culparia 
por isso.
Eu me culparia. Agora a vi. Agora a conheo Eve fechou seus olhos, mas 
s por um momento. Agora ela  minha. No posso lhe voltar as costas a isso.
Eve se apartou o cabelo, e se ordenou concentrar-se. 
Parecia to surpreendida e feliz quando abriu a porta. Como uma menina. 
V, um presente. Sabe?
Sim.
A maneira em que o bastardo olhou a cmara antes de entrar. O grande 
sorriso, a piscada pouco cautelosa. E depois, fazendo seu baile de vitria no elevador.
Seus olhos se animaram enquanto falava, enquanto se endireitava na cama. No 
s eram os olhos de um policial agora, pensou Roarke. A no ser os de um anjo 
vingador.
No havia paixo, s puro prazer fechou seus olhos outra vez, recordando 
aquela imagem claramente, e quando os voltou a abrir, o fogo se incrementou, ardendo 
profundamente. Me fez sentir doente.
Molesta consiga mesma, tomou o vinho outra vez, bebendo a sorvos. 
Tive que dizer-lhe aos pais. Tive que ver suas caras quando o fiz. E 
Vandoren, lhe vendo fazer-se pedaos, tratando de entender que seu mundo acabava de 
desfazer-se. Ela era uma mulher agradvel, uma mulher simplesmente agradvel que era 
feliz em sua vida, comprometida, e abre a porta a algum que  simbolicamente uma 
figura de inocncia. Agora est morta.
Como ele a conhecia, tomou sua mo, desfazendo o punho. 
No te faz menos polcia o que te comova.
Se muitos deles lhe comovem os limites se alteram. Aproxima-te mais ao 
limite, ao momento em que sabe que no vais ser capaz de confrontar a outro morto.
Te ocorreu alguma vez tomar um descanso? Quando as sobrancelhas dela 
se uniram, s sorriu. No, claro que no. Confrontar o seguinte, Eve, porque isso  o 
que faz. Isso  quem .
Poderia estar confrontando outro mais logo do que eu gostaria de uniu 
seus dedos com os dele. Ela era o nico, Roarke? Seu verdadeiro amor? Ou h onze 
mais?

Capitulo 3
Eve rodeou a rea de estacionamento do centro comercial areo pela segunda 
vez. E apertou os dentes.
por que esta gente no est no trabalho? por que no tm vistas?
Para alguns disse Peabody solenemente comprar  sua vida.
Sim, sim Eve passou uma seo onde os carros estavam empilhados como 
fichas de pker, seis ao alto em suas ranhuras. te Agarre forou o volante, passando 
pelas pilhas, roando o bastante perto os pra-choque para fazer que Peabody fechasse 
os olhos. Voc sabe, pode comprar o que quiser em tela na intimidade de sua prpria 
casa. No entendo isto.
Comprar pela tela no te d a mesma excitao Peabody se sujeitou com 
uma mo ao salpicadero quando Eve avanou aos tombos para deter-se justo na sada de 
bombeiros fora do Bloomingdale's. No pode usar seus sentidos, ou seus cotovelos 
para apartar s pessoas de seu caminho. No h deporte em comprar pela tela.
Com um bufo, Eve conectou seu sinal "Em Servio" e saiu do carro. 
Imediatamente seus ouvidos foram agredidos com uma exploso de msica. Os canes 
de natal soavam, ao mximo, no ar. Decidiu que a gente corria para dentro, lista para 
comprar algo, s para evitar o rudo.
Embora a temperatura do ambiente, controlada por computador rondasse os 
vinte e dois graus, uma ligeira neve sinttica se formava redemoinhos na enorme 
cpula. As cristaleiras da loja estavam cheios de droides disfarados. Santas e elfos 
trabalhavam longe em uma oficina, uma rena voava ou danava nos terraos, pequenos 
meninos loiros com caras anglicas desembrulhavam brilhantes pacotes.
detrs de outra cristaleira, um adolescente, vestido  ltima moda com um traje 
de uma pea em negro e acima uma camisa aberta non a quadros, fazia crculos e 
girava no ar em seu novo Aeropatn Flyer 6000... O artigo popular desse ano. Ao apertar 
o boto ao lado da cristaleira se ouvia a gravao com sua voz excitada, que apregoava 
as opes do patim e suas virtudes, assim como seu preo e localizao na loja.
Eu gostaria de provar um dessas coisas disse Peabody para si enquanto 
seguia ao Eve pela porta.
No est um pouco velha para brinquedos?
Isso no  um brinquedo,  uma aventura disse Peabody, recitando a linha 
da etiqueta do aeropatn.
Terminemos com isto. dio estes stios.
Comporta-as se deslizaram brandamente ao abrir-se e os saudaram com uma 
alentadora promessa: Bem-vindos ao Bloomingdale'S. Voc  nosso cliente mais 
importante.
No interior, a msica seguia soando, mas em um volume mais baixo. Mas o 
nvel de voz se elevou, dzias de pessoas falando de uma vez, produzindo uma 
cacofonia de sons que se elevava e subia, ressonando no teto, onde os anjos se elevavam 
em elegantes crculos.
Era um palcio de consumo, onde se exibiam tentadoras mercadorias em doze 
reluzentes pisos.
Os droides e o pessoal se passeavam entre a multido modelando roupas, 
acessrios, e estilos de cabelo, e corpo, que podiam ser comprados nos sales. O mapa 
eletrnico imediatamente depois da porta estava preparado para dirigir a seus clientes 
para seu desejo mais fervente.
As instalaes para o cuidado profissional de meninos, mascotes e ancies 
estavam localizadas habilmente no nvel principal, para aqueles que no queriam fazer 
suas compras com um Menino, Fido ou Av sob os ps.
Minicarros para levar aos clientes, suas compras, ou ambos, estavam 
disponveis por uma reduzida tarifa. Havia disponveis preos por hora e por dia.
Um droide com o cabelo como chamejantes cordas serpenteantes, aproximou-
se com uma pequena garrafa de cristal.
Aparta essa coisa de mim ordenou Eve.
Eu quisesse um pouco gostosamente, Peabody inclinou para trs sua 
cabea para que o droide lhe orvalhasse algo de perfume no pescoo.
chama-se  Dou Me ronronou o droide. Use-o, e prepare-se para ser 
violada.
Hmm Peabody inclinou sua cabea para o Eve. O que pensa?
Eve farejou e sacudiu sua cabea. 
No  voc.
Poderia s-lo resmungou Peabody, caminhando pesadamente detrs dela.
Tratemos de nos manter enfocadas Eve tomou o brao do Peabody quando 
seu ajudante fez uma pausa em um mostrador de cosmticos, onde uma mulher estava 
sendo grafite com um dourado brilhante do pescoo para acima. Procuremos o 
departamento masculino, a ver se podemos averiguar quem atendeu ao Hawley 
anteontem. Ela usou crdito, assim devem ter sua direo.
Poderia terminar minhas compras de Natal em aproximadamente vinte 
minutos.
Terminar? Eve se voltou atrs enquanto caminhavam detrs da gente que 
subia.
Seguro, s consegui um par de pequenas coisas Peabody apertou seus 
lbios, logo se mordeu o interior de sua bochecha para conter o sorriso. No 
comeaste ainda, verdade?
estive pensando nisso.
O que comprou ao Roarke?
estive pensando nisso disse Eve outra vez e colocou suas mos nos bolsos.
Aqui tm roupa magnfica Peabody cabeceou para os droides de exibio 
enquanto giravam  esquerda para o local de Roupa Casual Masculina.
Ele j tem um armrio do tamanho de Maine cheio de roupa.
Compraste-lhe alguma vez algo?
Eve se encolheu de ombros defensivamente e endireitou suas costas. 
No sou sua me.
Peabody se deteve ante um droide que modelaba uma suave camisa de seda 
chapeada e cala negra de couro. 
veria-se bem com isto toquete a manga.  obvio, Roarke se veria bem 
com algo moveu suas sobrancelhas para o Eve. Os tipos realmente amam que uma 
mulher lhes compre roupa.
No sei comprar roupa para algum mais. Logo que sei compr-la para mim 
quando se encontrou tratando de imaginar a cara do Roarke e o corpo no lugar do 
droide,         soprou.  E no estamos aqui para fazer compras.
Franzindo o cenho, caminhou diretamente por volta da primeira caixa, logo 
colocou sua insgnia sob o nariz do empregado.
Ele se esclareceu garganta e se jogou seu comprido corto negro sobre o ombro. 
H algo que possa fazer por voc, agente?
Tenente. Tiveram uma clienta faz um par de dias, Marianna Hawley. Quero 
saber quem a atendeu.
Estou seguro que posso comprovar isso para voc seus olhos, de um 
dourado muito na moda, desviaram-se para a direita, e logo para a esquerda. Tenente, 
importaria-lhe guardar sua identificao, e possivelmente, uh, grampe-la jaqueta sobre 
sua arma? Acredito que nossos clientes estariam mais a gosto.
Sem dizer nada, Eve guardou sua placa em seu bolso, e logo tampou com sua 
jaqueta a arma.
Hawley disse ele, obviamente aliviado. Saberia voc se seus transaes 
foram feitos com efetivo, crdito, ou contas de loja?
Crdito. Ela comprou duas camisas masculinas, uma de seda e outra de 
algodo, um suter de cachemira e uma jaqueta.
Sim deixou de procurar em seu registro. O recordo. Eu mesmo a atendi. 
Uma morena atrativa de aproximadamente trinta anos. Selecionava presentes para seu 
companheiro. Ah... fechou os olhos camisas em talha trinta e nove, manga larga; 
suter e jaqueta, talha quarenta e dois.
Boa memria comentou Eve.
 meu trabalho disse ele, abrindo seus olhos para sorrir. Recordar aos 
clientes, seus gostos e necessidades. A senhora Hawley tinha um gosto excelente, e a 
previso de trazer consigo um holograma de carteira de seu jovem de modo que 
pudssemos programar uma carta de cor para ele.
Tratou ela com algum, alm de voc?
No neste departamento. Dava-lhe todo meu tempo e ateno.
Tem sua direo no registro?
Sim,  obvio. Lembrana que lhe ofereci lhe enviar suas compras, mas disse 
que queria as levar com ela. riu e disse que isso era aumentava a diverso. Desfrutou 
muito de sua experincia de compra seus olhos se nublaram. Tem ela alguma 
queixa?
No Eve o olhou aos olhos e soube em seu interior que perdia o tempo. 
Ela no tem nenhuma queixa. Notou voc a algum ao redor enquanto ela fazia suas 
compras, lhe falando, olhando-a?
No, embora estvamos do mais ocupados. OH, espero que no tenha sido 
acossada na rea de estacionamento. tivemos vrios incidentes nas ltimas semanas. 
No sei que  o que est mal com a gente.  Natal.
Um-hm. Vendem trajes da Santa?
Trajes da Santa? ele piscou. Sim, estariam em Temporada e Novidades, 
sexto piso.
Obrigado. Peabody, comprova-o ordenou Eve enquanto se afastava. 
Consegue nomes e direes de qualquer que comprasse ou alugasse um traje no ltimo 
ms. Baixo a Joalheria, verei se algum pode me dizer algo sobre o alfinete. me 
encontre ali.
Sim, senhor.
Conhecendo seu ajudante, Eve colocou uma mo em advertncia em seu brao. 
Em quinze minutos. Mais tempo, e arrebento a golpes at a sada do centro 
comercial.
Peabody moveu seus ombros quando Eve se afastou. 
 to estrita.
* * * * *
A necessidade de dar uma cotovelada para fazer um lugar no mostrador no 
terceiro piso no melhorou o humor do Eve. Sob o vidro havia um oceano de brilhantes 
acessrios para o corpo, desde pendentes a anis de mamilos. Ouro, lata, pedras de 
cores, elaboradas formas, diferentes texturas; todos competiam por ateno sob o vidro.
Roarke sempre lhe comprava os acessrios para adornar o pescoo e as orelhas. 
Ela no o fazia. Distradamente manuseou o diamante sob sua blusa. Mas ele parecia 
desfrutar vendo que usava as coisas que escolhia para ela.
Porque se estava ficando sem pacincia, e estava sendo rotundamente ignorada 
pelo pessoal que trabalhava no mostrador, simplesmente se inclinou e agarrou a um 
empregado pelo pescoo.
Senhora ultrajado, o empregado a fulminou com um novidadeiro 
fruncimiento de sobrancelhas azul.
Tenente corrigiu, tirando a placa com sua mo livre. Agora tem um 
minuto para mim?
 obvio retrocedeu, endireitou sua gravata chapeada, e magra como uma 
agulha. O que posso fazer por voc?
Vende algo como isto? abriu sua bolsa e tirou o broche selado.
No acredito que seja um nosso se inclinou at que seu olhar fixo ficou ao 
nvel do alfinete. Um trabalho muito bonito. Festivo retrocedeu. No podemos 
tom-lo como devoluo a menos que voc tenha um recibo. No o reconheo como de 
nossos estoque.
No estou tratando de devolv-lo. Tem alguma idia de onde poderia 
proceder?
Eu sugeriria que de uma loja especializada. O trabalho de artesanato parece 
ser muito fino. H seis joalheiros no centro comercial. Possivelmente um deles o 
reconhea.
Grandioso. Deixou-o cair de volta em sua bolsa e suspirou.
H algo mais que possa fazer por voc?
Eve moveu seus ps e explorou a exibio sob seu nariz. Um jogo de trs 
colares encadeados com pedras de cores discordantes do tamanho de seu polegar saltou 
 vista. Era ridiculamente chamativo, e arrematando o vulgar. E perfeito para o Mavis.
Isso disse e assinalou.
OH, gostaria de ver o Ornamento de Pescoo Pago. Muito exclusivo, 
muito...
No quero v-lo. Levarei-o. S envolva-o, e faa-o rpido.
J vejo. S seu treinamento evitou que a olhasse sem compreender. 
Como deseja pag-lo?
Peabody chegou quando Eve aceitava a festiva bolsa vermelha e chapeada. 
Foi s compras disse de modo acusador.
No, comprei. H uma diferena. O alfinete no saiu daqui. O tipo parecia 
conhecer sua mercadoria e foi bastante terminante. No quero esbanjar mais tempo aqui.
No parece que o desperdiou murmurou Peabody.
Procuraremos o alfinete pelo computador. Verei se Feeney teve tempo para 
fazer um rastreamento.
O que comprou?
S algo para o Mavis. Notou a panela do Peabody quando saram pelas 
portas. No se preocupe, Peabody, comprarei-te algo.
Srio? ficou de bom nimo imediatamente. J tenho seu presente. 
Envolto e tudo.
Presumida.
Animada agora, Peabody entrou no carro. 
Quer adivinhar o que ?
No.
Darei-te uma pista.
te comporte. Comea a introduzir os nomes que conseguiu dos trajes da 
Santa, v se conseguir com xito alguma pessoa com antecedentes.
Sim, senhor. Aonde nos dirigimos?
Ao Personally Yours jogou ao Peabody um olhar de soslaio. E 
tampouco comprar nada ali.
Desmancha-prazeres. Senhor acrescentou Peabody obedientemente e 
comeou a introduzir os nomes em sua unidade de mo.
* * * * *
No corao do centro da cidade, destacando sobre a Quinta Avenida em gentil 
mrmore negro, havia um palcio de prazer. O exterior era uma lana elegante rodeada 
nos pisos superiores de galerias douradas e escorregadores chapeados. Colunas 
completamente de vidro se deslizavam de cima abaixo nas quatro esquinas 
semicirculares.
Dentro havia sales para esculpir o corpo, de melhoramento do nimo, de 
orientao sexual. Sem deixar o local um cliente poderia ser gentil, tratado, moldado, 
remodelado, ou ser sexualmente satisfeito na maneira de sua eleio.
Vrios ginsios estavam providos com a equipe mais nova para aqueles que 
preferiam um pouco de "voc faa-o mesmo". Para aqueles que escolhiam um modo 
mais passivo para a boa forma fsica e a beleza, os assessores profissionais estavam 
disponveis para dirigir o laser e os tubos de tonificacin para liberar a um cliente desses 
fastidiosos quilogramas e centmetros extra.
Um piso estava dedicado ao mtodo holstico, que inclua tudo do equilbrio 
dos chakras a enemas de caf. Enquanto explorava essas peculiares ofertas, Eve no 
estava segura se rir ou impressionar-se.
Os banhos de lodo, esfregado-los com algas, as injees de placenta de ovelhas 
criadas em Alfa Seis, sesses de tranqilidade, viaje de realidade virtual, ajustes de 
viso, estiramentos faciais, energizantes, e transformaes... tudo podia ser feitos dentro 
do estabelecimento, com vrios pacotes em oferta.
Uma vez que seu corpo e mente eram aperfeioados, convidavam-lhe a 
explorar a possibilidade de encontrar ao companheiro correto para o novo voc com o 
pessoal treinado do Personally Yours.
Assina-a abrangia trs pisos do edifcio, com seu pessoal uniformizado em 
singelos trajes negros com pequenos coraes vermelhos bordados no peito. Com o 
atalho de beleza na soleira, as caras e os corpos atrativos, cada detalhe era uma parte do 
cdigo de beleza.
A rea de vestbulo era como um templo Grego, com pequenos lagos musicais 
que brilhavam com o brilho de peixes dourados, e colunas brancas de mrmore 
adornadas com videiras que separavam as reas. Os assentos eram a nvel do cho, 
cmodos e amplos. Um mostrador de recepo estava discretamente metido entre 
Palmas com forma de leque.
Necessito informao de um de seus clientes. Eve mostrou sua insgnia e 
viu os olhos da recepcionista piscar com nervosismo.
No nos permite dar informao de nenhum cliente a mulher se mordeu o 
lbio e passou seus dedos sobre o corao diminuto tatuado sob seu olho como uma 
bonita lgrima vermelha. Todos nossos servios so estritamente confidenciais. 
Garantimos proteger a privacidade de nossos clientes.
Um de seus clientes j no se preocupa mais por sua intimidade.  assunto 
policial. Posso ter uma ordem transmitida em aproximadamente cinco minutos, ou pode 
me dar o que necessito e evitar ter ao departamento de polcia revisando cada arquivo.
Se voc s esperar um momento a recepcionista indicou a rea de assentos 
mais prxima, chamarei o gerente.
Bem Eve se afastou enquanto a recepcionista ficava os auriculares.
Cheira grandioso aqui comentou Peabody. O edifcio inteiro cheira 
grandioso  inalou profundamente. Devem bombear algo atravs das sadas de ar. 
Agradvel e sedativo se sentou em uma das almofadas douradas perto de uma fonte 
que tilintava. Quero viver aqui.
Est alegremente irritante estes dias, Peabody.
As festas me pem assim. OH, olhe isso girou sua cabea, seus olhos se 
acenderam apreciativamente quando um homem de cabelo loiro passou como um raio 
pavoneando-se arrogantemente. Bem, por que um tipo como esse necessita uma 
agncia de contatos?
por que o faz  algum?  arrepiante.
No sei, para economizar-se tempo, preocupaes, desgaste Peabody se 
inclinou para olhar ao redor do Eve e manter ao homem  vista. Talvez deveria tent-
lo. Poderia ter sorte.
Ele no  seu tipo.
A cara do Peabody se nublou exatamente como quando Eve tinha rechaado o 
perfume.
Como ... eu gosto de olhar seu tipo.
Provavelmente, mas tenta ter uma conversao com ele Eve colocou as 
mos em seus bolsos e se balanou sobre seus tales. O tipo est apaixonado por si 
mesmo e acredita que cada mulher que consegue obter algo dele deve andar com olhos 
sonhadores justo como o est fazendo voc. Aborreceria a morte em dez minutos 
porque do nico do que falaria seria de si mesmo, de como se v, o que faz, e o que 
gosta. S seria seu ltimo acessrio.
Peabody o considerou, olhando como o dourado Adonis se apoiava no 
mostrador de recepo.
Bem, ento no nos incomodaremos em falar. S teremos sexo.
Ele seria um piolhento companheiro de cama.  No lhe importaria nada se 
tiver um orgasmo.
Tenho um s olhando-o mas suspirou quando ele tirou um pequeno 
espelho de prata e examinou sua cara com bvio agradar. Em momentos como este 
dio quando tem razo.
 Olhe isso disse Eve em voz baixa, esses dois so to deslumbrantes que 
necessito meus culos para o sol.
Ken e Barbie na cidade ante o olhar em branco do Eve, Peabody suspirou 
outra vez. Homem, no teve uma boneca Barbie. Que tipo de menina foi?
Nunca fui uma menina disse Eve simplesmente e se voltou para saudar o 
magnfico casal que avanava a seu encontro.
A mulher era de quadris magros e generosos peitos, como a moda atual exigia. 
Seu cabelo loiro prateado caa em cascata sobre seus ombros balanando-se atravs de 
seus peitos grandes e formosos enquanto caminhava. Sua cara era refinada e branca 
como o alabastro, com olhos fundos de um rico esmeralda rodeado por pestanas largas 
tintas para fazer jogo com essas pupilas parecidas com uma jia. Sua boca era 
voluptuosa e vermelha, curvada em um sorriso gentil de saudao.
Seu companheiro era igual de deslumbrante, um gmeo dela quanto a 
colorao, com seu cabelo como luz de lua penteado para trs em uma larga trana 
entrelaada com uma magra cinta dourada. Seus ombros eram largos, suas pernas 
largas.
A diferena do resto do pessoal, no foram vestidos de negro, mas sim luziam 
skinsuits brancos. A mulher havia drapeado habilmente um leno vermelho transparente 
sobre seus quadris.
Ela falou primeiro, com uma voz to suave e delicada como o leno.
Sou Piper, e este  meu scio, Rudy. O que podemos fazer por voc?
Necessito os dados de uma de seus clientes uma vez mais Eve tirou sua 
insgnia. Investigo um homicdio.
Um homicdio A mulher ficou uma mo no corao. Que terrvel. Um 
de nossos clientes? Rudy?
Indubitavelmente cooperaremos de qualquer modo que possamos disse ele 
em voz desce em um cremoso tom de bartono. Deveramos falar disto acima, em 
privado.
Ele fez um gesto para o transparente tubo de um elevador oculto por enormes 
azaleas brancas florescidas. 
Est segura que a vtima era um de nossos clientes?
Seu amante a conheceu por meio de seu servio Eve avanou diretamente 
para o centro do elevador e no fez caso da vista enquanto subiam. As alturas nunca lhe 
tinham gostado.
J vejo Piper suspirou. Temos uma excelente taxa de xitos em formar 
casais. Espero que no fosse uma briga de amantes que terminou em tragdia.
No determinamos isso.
No posso acreditar que pudesse ser assim. Investigamos com muito cuidado 
Rudy fez um gesto para a abertura do tubo quando o elevador se deteve.
Como?
Estamos relacionados com o ComTrack enquanto falava, escoltou-os por 
um corredor tranqilo como o de um hospital, branco com aquarelas suaves no Marcos 
dourados e Ramos de flores frescas em floreiros transparentes. Cada candidato  
posto no sistema. Olhamos sua histria matrimonial, valoraes crediticias, e 
antecedentes penais,  obvio. Nossos candidatos tambm devem realizar a prova padro 
de personalidade. Qualquer com tendncias violentas  rechaado. registram-se, 
analisam-se, e se emparelham as preferncias e os desejos sexuais.
Ele abriu a porta a um grande escritrio de um branco deslumbrante e um 
vermelho grito. A parede de cristal filtrava tanto contra a luz do sol como o rudo do 
trfico areo.
Qual  sua percentagem de desviados?
A boca perfeita do Piper se afinou.
No consideramos as preferncias sexuais pessoais como desviadas a menos 
que o companheiro ou os companheiros implicados se oponham.
Eve unicamente arqueou suas sobrancelhas. 
por que no usamos minha definio em troca? Escravido, 
sadomasoquismo? Tem aqui a algum que goste de embelezar a seu companheiro 
depois do sexo?
Rudy se esclareceu garganta e se moveu detrs de um amplo console branco.
Certamente alguns candidatos procuram o que poderamos chamar 
experincias sexuais aventureiras. Como pinjente, os candidatos com essas preferncias 
seriam emparelhados com candidatos de preferncias similares.
Com quem emparelhou voc a Marianna Hawley?
Marianna Hawley? jogou uma olhada ao Piper.
Sou melhor com as caras que com os nomes ela girou para a tela da parede 
quando Rudy introduziu o nome no computador. Segundos mais tarde, Marianna lhes 
sorria, seus olhos brilhantes e vivos.
Ah sim, a lembrana. Era encantadora. Sim, desfrutei muitssimo 
trabalhando com ela. Procurava um companheiro, algum divertido com quem pudesse 
desfrutar de da arte... no, no, era o teatro, acredito se deu um golpecito com sua 
unha perfeitamente formada no lbio inferior. Era uma romntica, melhor dizendo 
docemente chapada  antiga.
Pareceu compreender de repente, e a mo do Piper caiu fracamente a seu lado. 
Ela foi assassinada? OH, Rudy.
Sente-se, querida ele caminhou elegantemente ao redor do console para 
tomar sua mo, acarici-la e conduzi-la a um sof comprido com amaciadas almofadas 
de ar. Piper chega a envolver-se muito pessoalmente com nossos clientes disse ao 
Eve. Por isso  to maravilhosa em seu trabalho. preocupa-se.
 obvio que o fao, Rudy. 
Embora a voz dela era suave, os olhos dele se deslizaram rapidamente sobre 
sua cara e o que fora que viu lhe fez afirmar com a cabea. 
Sim, estou seguro que o faz e logo, dirigindo-se ao Eve: Voc suspeita 
de algum em nosso sistema, algum que ela poderia ter conhecido por nosso servio, 
matou-a.
Investigo. Necessito nomes.
lhe d algo que necessite, Rudy Piper se deu tapinhas com os dedos sob os 
olhos para secar suas lgrimas.
Eu gostaria, mas temos uma responsabilidade com nossos clientes. 
Garantimos a privacidade.
Marianna Hawley tinha direito  privacidade disse Eve secamente. 
Algum a violou, a sodomiz, e a estrangulou. Eu diria que fizeram muito mais que 
invadir sua privacidade. Duvido que qualquer de seus clientes desfrutasse participando 
dessa experincia.
Rudy respirou profundamente. Sua cara estava mais plida agora, se era 
possvel, de modo que seus olhos pareciam arder contra seu corpo branco lustroso. 
Confio em que voc ser discreta.
Voc pode confiar que serei magnnima disse Eve em troca e esperou que 
imprimisse a lista de pessoas.



Capitulo 4
Sarabeth Greenbalm no tinha um bom dia. Antes que nada, odiava trabalhar o 
turno da tarde no Sweet Spot. A clientela desde meio-dia at as cinco consistia 
principalmente em executivos Jnior em busca de um almoo comprido e prazeres 
baratos. Com nfase em barato. O trepador-na-escala-corporativa no tinha muito 
dinheiro para lhe jogar a uma nudista.
S gostavam de olhar estupidamente e assobiar.
Cinco horas de duro trabalho lhe tinham feito ganhar pouco menos de cem em 
dinheiro efetivo e crditos, e uma meia dzia de bbadas proposies.
Nenhuma das quais inclua matrimnio.
O matrimnio era o Santo Grial do Sarabeth.
No ia encontrar um marido rico no grupo da tarde de um clube de striptease, 
ainda em um clube de primeira classe como o Sweet Spot. Havia potencial nas horas da 
noite, quando os vice-presidentes e os presidentes se passeavam, trazendo para clientes 
importantes por uma ou duas horas de excitao. Ela podia fazer mil facilmente, e 
quando acrescentava algum baile no regao, dobrava isso. Mas o melhor eram os 
cartes de visita que recolhia.
cedo ou tarde um daqueles executivos corporativos, com seus sorrisos grandes, 
brancas, atrativas e mos perfeitamente manicuradas, ia pr um anel em seu dedo pelo 
privilgio de t-la.
Era todo parte do plano de carreira que tinha esboado com cuidado quando se 
transladou do Allentown, Pennsylvania, a Nova Iorque cinco anos atrs. Despir-se no 
Allentown tinha sido uma situao sem sada, ganhando s o bastante por semana para 
lhe impedir de converter-se em algum mais dormindo na rua. De todos os modos, o 
traslado a Nova Iorque tinha sido arriscado. Havia mais competncia por um mesmo 
dlar dedicado  recreao.
Competncia mais jovem.
O primeiro ano tinha trabalhado dois turnos, trs se ainda podia estar de p. 
Tinha trabalhado como uma itinerante, correndo de clube a clube e economizando o 
enorme quarenta por cento que ficavam os gerentes. Tinha sido um ano horrendo, mas 
tinha ganho suas economias.
O segundo ano se concentrou em conseguir um lugar regular em um clube de 
primeira classe. Tinha-lhe tomado quase todos os doze meses, mas tinha assegurado seu 
lugar no Sweet Spot. Durante seu terceiro ano se aberto passo  fora na cadeia 
alimentcia para passar a ser cabea de elenco, invirtiendo prudentemente seus lucros. E, 
admitia, tinha desperdiado quase seis meses considerando a oferta de coabitao do 
gorila  principal do clube.
Poderia hav-la aceito, alm disso, se ele no tivesse ido e conseguido que o 
cortassem em seis pedaos em uma briga no bar no que tinha um segundo emprego 
porque Sarabeth tinha insistido que necessitava uma conta bancria maior se queria que 
dormisse com ele em um acerto permanente.
Tinha decidido considerar o acontecido como um afortunado escapamento. 
Agora, bem entrado o quarto ano, ela tinha quarenta e trs anos e se ia ficando sem 
tempo.
No lhe importava danar nua. Demnios, era condenadamente boa bailarina e 
seu corpo -estudava-o quando se girava diante de seu espelho em seu dormitrio- era 
seu cupom de comida.
A natureza tinha sido generosa, dotando-a com peitos altos, e cheios que no 
tinham requerido aumento. at agora. Um torso comprido, pernas largas, um traseiro 
firme. Sim, tinha todas as armas necessrias.
Tinha tido que pr dinheiro em sua cara, e o considerou um bom investimento. 
Tinha nascido com lbios magros, um queixo curto, e uma frente tosca. Mas umas 
poucas viagens a um centro de realce de beleza tinham trocado isso. Agora sua boca era 
voluptuosa e amadurecida, seu queixo descaradamente bicudo, e sua frente alta e clara.
Sarabeth Greenbalm se via, em sua opinio, malditamente bem.
O problema era que ficavam menos de quinhentos, devia o aluguel, e um tipo 
muito entusiasta da multido do almoo tinha rasgado sua melhor tanga antes de que ela 
pudesse afastar-se.
Tinha dor de cabea, doam-lhe os ps, e seguia solteira.
Nunca deveria ter solto os trs mil para o Personally Yours. 
Retrospectivamente o que tinha parecido um investimento inteligente agora parecia um 
bom dinheiro atirado  boca-de-lobo. Os perdedores utilizavam agncias de contatos, 
pensou enquanto ficava uma curta bata prpura. E os perdedores atraam aos 
perdedores.
depois de encontrar-se com os dois primeiros homens de sua lista de 
candidatos, tinha ido diretamente  Quinta Avenida e tinha pedido que lhe devolvessem 
seu dinheiro. A loira reina de gelo no tinha sido to amistosa naquele momento, pensou 
Sarabeth agora. Nada de reembolsos, sob nenhuma circunstncia, de maneira nenhuma.
Com um filosfico encolhimento de ombros, Sarabeth caminhou do dormitrio 
 cozinha... um passeio curto em um apartamento apenas maior que o camarim 
compartilhado no Sweet Spot.
O dinheiro se foi, um fiasco. E uma lio tinha aprendido: Tinha que depender 
dela, e s dela.
Um golpe na porta interrompeu sua esperanada explorao das limitadas 
ofertas de seu AutoChef. Distradamente fechou sua bata, logo golpeou com um punho 
a parede. O casal do lado lutava como gatos e jodan como visons a maioria das noites. 
Seu golpe no trocaria o nvel do rudo nem um decibel, mas a fez sentir-se melhor.
Ps um desconfiado olho marrom na mira de segurana, logo sorriu 
abertamente como uma moa. Apressadamente soltou as fechaduras e abriu a porta de 
par em par.
Oua, Santa!
Os olhos dele brilharam alegremente. 
Feliz Natal, Sarabeth sacudiu a grande caixa chapeada que levava, e logo 
lhe fez uma piscada. foste boa?
* * * * *
O capito Ryan Feeney estava sentado ao final do escritrio do Eve e mascava 
amndoas aucaradas. via-se com a cara vagamente mal-humorada de um sabujo e um 
rgido arbusto de cabelo avermelhado orvalhada de magros e duros fios chapeados. 
Havia uma mancha em sua camisa enrugada -uma lembrana da sopa de favas que tinha 
comido no almoo- e um pequeno arranho em seu queixo onde se cortou barbeando-se 
essa manh.
Parecia inofensivo.
Eve teria atravessado qualquer porta com ele. E o tinha feito.
Tinha-a treinado, e lhe tinha ensinado. Agora, como capito da Diviso Policial 
Eletrnica, era um recurso inestimvel para ela.
Desejaria poder te dizer que a bagatela era nica em seu tipo ele mordeu 
outra amndoa. H ainda uma dzia de lojas na cidade que a vendem.
E quantas temos que rastrear?
Quarenta e nove delas foram vendidas nas sete ltimas semanas ele 
arranhou seu queixo, preocupado pela diminuta crosta. O alfinete custa ao redor de 
quinhentos. Quarenta e oito foram vendas a crdito, s um transao em efetivo.
Esse deveria ser ele.
Mais que provvel Feeney tirou seu livro de notas. O pagamento em 
efetivo foi em Sal's Gold and Silver na Quarenta e nove.
Comprovarei-o, obrigado.
De nada. Necessita algo mais? McNab  solcito e capaz.
McNab?
Gostou de trabalhar contigo. O moo  bom e agudo e lhe poderia atirar 
qualquer trabalho desagradvel.
Eve considerou o detetive jovem com seu guarda-roupa vistoso, mente aguda, e 
boca elegante. 
Tem ao Peabody na olhe.
No crie que Peabody pode dirigi-lo?
Eve franziu o cenho, golpeou ligeiramente os dedos uns contra outros e se 
encolheu de ombros.
Sim,  uma moa grande, e ele poderia me resultar til. Pu-me em contato 
com o ex-marido da vtima. mudou-se a Atlanta. Seu libi para o perodo em questo 
parece bastante slida, mas no seria mau comprov-lo. Ter que ver se reservou 
alguma viagem a Nova Iorque, ou se fez qualquer chamada  vtima.
McNab pode fazer isso dormido.
lhe diga que se mantenha acordado e o faa. Alcanou um disco, e o 
deu. Todos os dados que tenho do ex esto aqui. Verei os nomes dos emparelhados 
com ela no Personally Yours. Os passarei ao McNab depois de que lhes tenha jogado 
um olhar.
No entendo os stios como esse Feeney meneou a cabea. Em meus 
tempos um encontrava mulheres  antiga. Conhecia-as em um bar.
Eve arqueou uma sobrancelha. 
Assim foi como conheceu sua esposa?
Ele sorriu abertamente de repente. 
Resultou, verdade? Passarei- isto ao McNab disse quando se levantou. 
No est fora de horrio, Dallas?
Sim, um pouco. Acredito que verei os nomes antes de ir.
Faz o que queira! Eu estou fora comeou a caminhar para a porta, 
colocando sua bolsa de amndoas em seu bolso. OH, pensamos com muita iluso na 
festa de Natal.
Eve estava enfocada j em seu computador e apenas lhe deu uma olhada. 
Que festa?
Sua festa.
OH procurou em sua mente, encontrando-a em branco pelo que a festas se  
referia. Sim, grandioso.
Sabia algo a respeito disso, verdade?
Deveria e porque era Feeney, sorriu. S est em outro compartimento. 
Olhe, se vir o Peabody em Deteno, diz-lhe que est fora de servio.
Farei-o.
Festa, pensou com um suspiro. Cada vez que se dava a volta, Roarke dava uma 
festa ou a arrastava a uma. Quo seguinte veria seria ao Mavis tornando-se em cima seu 
para lhe arrumar o cabelo, a cara e o corpo, e fazer que se provasse um novo traje 
desenhado por seu amante Leonardo.
Se tinha que ir a uma maldita festa, por que no podia ir como era?
Porque era a esposa do Roarke, recordou-se. E como tal, esperava-se que 
assistisse a funes sociais vendo-se ligeiramente melhor que um policial com o 
assassinato em sua mente.
Mas isso era... cada vez que era. E isto era agora.
Computador, listar candidatos do Personally Yours para o Hawley, 
Marianna.
Trabalhando
Companheiro um de cinco... Dorian Marcell, solteiro, branco, masculino, 
idade trinta e dois.
Enquanto o computador listava as estatsticas do candidato, Eve estudou a 
imagem em tela. Uma cara atrativa... um olhar tmido. Ao Dorian gostava da arte, o 
teatro, e os vdeos antigos, afirmava ser um romntico de corao em busca de uma 
companheira para sua alma. Suas afeies eram a fotografia e o snowboard.
Nada especial sobre o Dorian, pensou, mas veriam o que tinha estado fazendo a 
noite da Marianna tinha sido assassinada.
Companheiro dois de cinco... Charles Monroe, solero, branco, masculino...
Sou, sou, um momento. Alto Com uma risada a meias Eve olhou 
atentamente a cara na tela. Bem, Charles, quem se imaginaria que te encontraria aqui.
Era uma elegante cara sorridente, e o recordou. Tinha conhecido ao Charles 
Monroe quase um ano atrs investigando outro assassinato... o caso que os tinha reunido 
ao Roarke e ela. Charles era um acompanhante profissional, atrevido e encantador. E o 
que, perguntou-se, fazia um endinheirado acompanhante autorizado em uma agncia de 
contatos?
Pescando, Charlie? Parece que voc e eu vamos ter que ter outra 
conversao. Computador, seguir com o terceiro candidato.
Companheiro trs de cinco, Jeremy Vandoren, divorciado...
Tenente.
Pausa. Sim? Jogou uma olhada sobre o Peabody quando se abateu na 
porta.
O capito Feeney disse que terminaste comigo por hoje.
Correto. S estou comprovando alguns nomes antes de ir.
Ele, uh, mencionou que foste utilizar ao McNab para um pouco de trabalho 
eletrnico.
Assim  Eve inclinou sua cabea, depois se tornou para trs em sua 
cadeira enquanto Peabody lutava por manter seu rosto inexpressivo. Tem algum 
problema com isso?
No  que... Dallas, realmente no o necessita. Ele  uma dor no culo.
Eve sorriu alegremente. 
No no meu. Acredito que ter que trabalhar para fazer seu culo um pouco 
mais resistente, Peabody. Mas te anime, far a maior parte do lhe encarrego na DDE. 
No estar por aqui muito tempo.
Encontrar um modo murmurou Peabody.  um presumido.
Ele faz um bom trabalho. E de todos os modos se interrompeu quando 
seu soou comunicador. Mierda, deveria ter sado daqui a tempo o tirou. Dallas.
Tenente a cara ampla e severo do comandante Whitney encheu a pequena 
tela.
Senhor.
Temos um homicdio que parece estar relacionado com o caso Hawley. 
uniformizou na cena neste momento. Quero-lhe como investigadora principal. 
Reprtese ao 23B da Cento e doze Oeste, apartamento 5D. Fique em contato comigo em 
meu escritrio depois de que tenha confirmado a situao.
Sim, senhor. Estou em caminho jogou uma olhada ao Peabody quando se 
levantou e agarrou sua jaqueta. Est de novo em servio.


* * * * *


O uniformizado que montava guarda na porta do Sarabeth tinha um olhar que 
dizia ao Eve que j tinha visto o que havia dentro, e que esperasse v-lo novamente.
Agente Carmichael comeou Eve, olhando sua placa. O que temos?
Mulher branca, quarenta e poucos, morta na cena. O apartamento est em 
nome do Sarabeth Greenbalm. Nenhum signo de entrada forada ou luta. No h vdeo 
de segurana no edifcio alm de na porta principal. Meu companheiro e eu estvamos 
em nosso percurso quando Despacho enviou a chamada s dezesseis e trinta e cinco. 
Um 1222 annimo reportado nesta direo. Respondemos, chegando s dezesseis e 
quarenta e dois. A porta de entrada e a porta da unidade informada no estavam 
asseguradas. Entramos e encontramos o cadver. Logo asseguramos a cena e alertamos 
a Despacho de uma morte suspeita nesta localizao.
Onde est seu companheiro, Carmichael?
Localizando ao encarregado do edifcio, senhor.
Bem. Mantenha este vestbulo vazio. Fique at que seja relevado.
Senhor Carmichael deslizou seus olhos sobre o Peabody quando 
passaram. Entre os uniformizados Peabody era considerada como a favorita de Dallas, 
com variados graus de inveja, ressentimento, e temor.
Sentindo uma combinao dos trs no Carmichael, Peabody quadrou seus 
ombros quando seguiu ao Eve pela porta.
Grabadora acesa, Peabody?
Sim, senhor.
Tenente Dallas e ajudante na cena no 23B da Rua Cento e doze Oeste, 
apartamento do Sarabeth Greenbalm. Enquanto falava, Eve tomou um pote de selador 
de sua equipe de campo e orvalhou suas mos e botas antes de dar-lhe ao Peabody. A 
vtima, ainda por ser identificada,  uma mulher branca.
aproximou-se do corpo. A rea do dormitrio era no mais que um nicho do 
quarto principal; a cama era do tipo de beliche estreito que podia ser pregada para 
proporcionar mais espao. Tinha uns singelos lenis brancos e uma manta marrom 
puda nos borde.
Ele tinha usado uma grinalda vermelha esta vez, envolvendo-a ao redor como 
uma jibia do pescoo ao tornozelo para que parecesse uma mmia festiva. Seu cabelo, 
de um tom violeta, que Eve imaginou que Mavis admiraria, tinha sido escovado com 
esmero e modelado em um penteado alto em forma de cone.
Seus lbios, inertes pela morte, tinham sido pintados de um prpura forte, suas 
bochechas de um rosa suave. A sombra dourada plida brilhante tinha sido aplicada com 
cuidado em suas plpebras at a linha da sobrancelha.
Enganchado  grinalda, justo no centro de sua garganta, havia um crculo verde 
brilhante. dentro dele duas aves, uma dourada, uma chapeada, aninhadas, pico a pico.
Trtolas, verdade? Eve estudou o broche. Procurei a cano. O segundo 
dia seu amor verdadeiro lhe d dois trtolas brandamente, Eve pressionou uma mo 
na grafite bochecha. Est fresca. Apostaria que no faz mais de uma hora que a 
matou.
Retrocedendo, tirou seu comunicador para ficar em contato com o Whitney e 
solicitar uma equipe de cena do crime.
* * * * *
Era quase a meia-noite quando chegou a casa. Seu ombro pulsava um pouco, 
mas podia ignor-lo. O que a zangou foi a debilidade, chegava muito rpida e intensa 
estes dias.
Sabia o que o hurgador de orifcios do Departamento diria sobre isso. Que no 
tinha tido suficiente tempo de recuperao. Tinha tido direito a outros dez dias de 
licena por leso. Sua completa volta ao dever tinha sido muito logo.
Como tendia a azedar seu humor pensar nisso, bloqueou-o.
Tinha esquecido comer, e ao minuto de entrar na clida casa a golpearam as 
primeiras pontadas de fome. S necessito um chocolate, disse-se, e passou suas mos 
por sua cara antes de girar ao exploratrio perto da porta.
Onde est Roarke?
Roarke est em seu escritrio.
 obvio, decidiu quando comeou a subir. O homem no parecia ter que dormir 
como um humano normal. Imaginou que se veria to afresco como quando o tinha 
deixado essa manh.
Ele tinha deixado a porta aberta, portanto s tomou uma olhada rpida 
confirmar suas suspeitas. Estava sentado no amplo e lustroso console, examinando telas, 
dando ordens atravs de seu enlace enquanto seu laser-fax trabalhava detrs dele.
E se via atrativo como o pecado.
Ela pensou que se podia pr suas mos em um chocolate, poderia ter a energia 
para saltar sobre ele.
Alguma vez o deixa? perguntou quando entrou no quarto.
Ele jogou uma olhada, sorriu e logo se voltou para seu enlace. 
Bem, John, v que essas modificaes sejam feitas. Revisaremo-lo mais 
detalladamente amanh cortou a transmisso.
No tinha que te deter comeou ela. S quis te avisar que estava em  
casa.
Entretinha-me enquanto te esperava ele inclinou sua cabea quando 
estudou sua cara. Se esqueceu comer, verdade?
Eu gostaria de uma barra de doce. Tem alguma?
Ele se levantou e se moveu atravs do brilhante cho para o AutoChef. 
Momentos mais tarde tirou um tigela verde grosso, com sopa fumegante.
Isso no  um chocolate.
Pode alimentar ao menino depois de que cuide da mulher ele ps a sopa 
em uma mesa, logo se serve um copo de brandy.
Ela avanou, cheirou a sopa. Quase babou. 
Cheira bastante bem decidiu e se sentou para devor-la. Voc comeu?                     
Perguntou com a boca enche, e quase gemeu de alegria quando ele ps um prato de 
po quente na mesa. Tem que deixar de me cuidar.
 um de meus pequenos prazeres se sentou a seu lado, bebendo a sorvos o 
brandy, olhando ao alimento quente pr cor em suas bochechas. E sim, comi...  mas 
no diria no a um pouco desse po.
Umm amavelmente, partiu uma parte na metade e o passou. Era algo 
caseiro, decidiu. Os dois compartilhando sopa e po depois de um comprido dia.
Justo como, pois, a gente normal.
Assim... Indstrias Roarke subiram, o que, oito pontos ontem?
Sua sobrancelha se elevou. 
Oito e trs quartos. desenvolveste um interesse pela Bolsa, Tenente?
Talvez s te vigio. Se as aes baixarem, deveria te descartar.
Tratarei esse ponto na seguinte junta de acionistas. Quer um pouco de vinho?
Poderia ser. Eu o trarei.
Sente-se e come. No terminei que te cuidar ainda se levantou e 
selecionou uma garrafa j aberta e esfriando-se no compartimento frio do gabinete.
Enquanto o servia, ela limpou o ltimo da sopa do tigela, logo que resistindo a 
lamb-lo. sentiu-se clida, tranqilizada. Em casa. 
Roarke, damos uma festa?
Suponho. Quando?
No sei quando uma linha se formou entre suas sobrancelhas quando 
elevou a vista para ele. Se soubesse quando, por que perguntaria? Feeney disse algo 
sobre nossa festa de Natal.
Em vinte e trs de dezembro. Sim, damos uma festa.
por que?
Querida Eve se inclinou e lhe beijou o cocuruto antes de sentar-se outra 
vez. Porque so as festas.
Como  que no me disse isso?
Acredito que o fiz.
No recordo.
Tem sua agenda perto?
Resmungando, tirou-a de seu bolso e introduziu a data. Ali, clara como o 
cristal, estava a informao, seguida de suas iniciais para indicar que ela o tinha 
registrado.
OH.
As rvores sero entreguas amanh.
rvores?
Sim. Teremos um formal no salo, e vrios na sala de baile acima. Mas 
pensei em ter um mais pequeno, e ntimo em nosso dormitrio. Decoraremos esse ns 
mesmos.
As sobrancelhas dela se elevaram de repente. 
Quer decorar uma rvore?
Sim.
No sei nada sobre isso. Nunca decorei uma rvore de Natal antes.
Nem eu, ou no durante anos. Ser nossa primeira rvore.
O calor que a alagou agora nada tinha que ver com a comida quente ou o vinho. 
Seus lbios se curvaram. 
Provavelmente faremos uma confuso.
Ele tomou a mo que lhe ofereceu. 
Sem dvida. Sente-se melhor?
Muito, sim.
Quer me contar o de esta noite?
Os dedos do Eve apertaram os seus. 
Sim liberou sua mo e se levantou, porque movendo-se pensaria mais 
claramente.
Ele cometeu outro comeou; mesmo modus operandi. As cmaras de 
segurana do exterior o gravaram. O traje da Santa, a grande caixa chapeada com o 
elaborado lao. Deixou um broche, duas aves em um crculo.
Trtolas.
Correto... ou bastante perto. No sei a que se parece uma maldita trtola. 
Nenhum signo de entrada forada, nem signo de luta. Imagino que o relatrio de 
toxicologia mostrar que estava sedada. Tinha sido imobilizada, provavelmente 
amordaada j que a unidade no era tirada o som. Havia algumas fibras em sua lngua 
e em sua boca, mas ele no as deixou j que a amordaou por detrs.
Sexualmente agredida?
Sim, igual  anterior. Havia uma tatuagem temporria afresco em seu peito 
direito. Meu Amor Verdadeiro. E ele a tinha envolto na grinalda vermelha, pintou sua 
cara, escovou seu cabelo. O quarto de banho era o lugar mais limpo do apartamento. 
Adivinho que o esfregou de cima abaixo ele mesmo depois que se limpou. S levava 
morta uma hora quando cheguei ali. A chamada annima entrou de um terminal de 
pagamento a meia quadra de sua casa.
Ele podia ver a frustrao trabalhando dentro dela. Levantando-se, tomou seu 
copo e o seu.
Quem era ela?
Uma nudista, bailarina de regao, trabalhava no Sweet Spot, um clube de 
primeira classe no Lado Oeste.
Sim, sei onde  quando ela se girou, com os olhos entrecerrados, lhe deu o 
vinho. E sim, resulta ser uma de minhas propriedades.
Realmente odeio quando passa isto quando ele s sorriu abertamente para 
ela, suspirou. De todos os modos, tinha o turno da tarde, saiu justo antes das cinco. 
Por isso podemos deduzir, foi diretamente a casa... inspecionou seu AutoChef s seis, 
aproximadamente no momento que a cmara exterior gravou ao bastardo entrando no 
edifcio.
Eve olhou fixamente seu vinho. 
Eu diria que tambm ela se perdeu a comida.
Ele trabalha rpido.
E contando com uma poca muito alegre para isso. Parece-me que quer 
cumprir com sua cota antes do Ano Novo. Tenho que revisar tudo o dela: seu 
comunicador, suas finanas, seus arquivos pessoais. Tenho que comprovar o broche. 
No chego a nenhuma parte com o traje da Santa ou a grinalda. Como diabos conecto a 
uma doce ajudante administrativa com uma bailarina de regao?
Conheo esse tom com isto ele se girou e se moveu para seu console. 
me Deixe ver o que podemos fazer.
No disse nada sobre ti fazendo averiguaes.
Ele jogou um rpido olhar em direo a ela.
Estava implcito. Qual era seu nome?
No estava implcito. Sarabeth, uma palavra, sem h intermdia, Greenbalm.                  
Avanou para ficar de p detrs dele e o console. Simplesmente deixava correr 
meus pensamentos em voz alta. A direo  23B Cento e doze Oeste.
Tenho-o. O que quer primeiro?
Posso examinar seu enlace pela manh. V pelo pessoal ou o financista.
O financista tomaria mais tempo, comecemos com isso.
Sem presumir advertiu Eve, logo riu quando ele enroscou uma mo ao 
redor de sua cintura e atirou dela contra seu flanco.
 obvio vou presumir. Sujeito, Sarabeth Greenbalm comeou, logo 
acariciou com o nariz a garganta da Eva, residente em Cento e doze Oeste sua mo 
se deslizou at seu peito, todos os arquivos financeiros, ltimos primeiro transaes.
Trabalhando...
Agora murmurou, e girou ao Eve at que seus corpos ficaram pegos. 
Deveria ter o tempo suficiente para... sua boca caiu, capturando profundamente a sua 
e enviando a de cabea em rpidos giros a algum lugar perto do teto.
 Dados completos.
Bem lhe mordiscou o lbio inferior. Possivelmente no exatamente 
suficiente tempo. Seus dados, Tenente.
Eve se esclareceu garganta, e suspirou. 
 bom suspirou outra vez. Quero dizer que  realmente bom.
Sei e devido a que ela estava s um pouco desequilibrada ainda, sentou-se, 
atirando dela at que caiu em seu regao.
Oua, estou aqui trabalhando.
Eu, tambm girando-a para pr a de frente, comeou a lhe mordiscar a 
nuca. Trabalharei nisto, voc trabalha nisso.
No posso enquanto est encurvou os ombros, sufocou uma sonrisita, e 
tratou de concentrar-se nos dados na tela. Seu gasto maior era o aluguel, seguido de 
roupa. Tinha a maior parte desses trajes etiquetados como vesturio profissional, pelos 
impostos. Detenha! deu-lhe uma palmada nos dedos geis que j tinham desabotoado 
sua blusa at o umbigo.
No necessita sua blusa para ler os dados disse ele razoavelmente, e 
comeou a desliz-la por seus ombros.
Olhe, amigo, ainda tenho posto minha arma, assim que se levantou de 
um salto, fazendo-o murmurar um juramento. Mierda, mierda. A est. Filho de puta. 
Ali est a conexo.
Resignado, abandonou seus pensamentos de seduzir a e voltou sua ateno  
tela.
Onde?
Ali. Trs mil ao Personally Yours por transao eletrnica, faz seis semanas.   
Seus olhos estavam ardentes agora, no com paixo, a no ser com energia, quando 
se girou para enfrent-lo. Ela e Hawley usaram a mesma agncia de contatos. No  
uma coincidncia.  uma conexo. Necessito seus contatos murmurou, logo, 
captando a pergunta do Roarke em seu olhar, meneou a cabea. No, faremo-lo do 
modo correto. Segundo as regras. Entrarei eu manh e os obterei.
No tomaria muito tempo conseguir acesso.
No  legal lutou por manter sua cara severo quando lhe lanou um   
sorriso. E no  seu trabalho. Mas o aprecio.
Quanto?
Ela deu um passo atrs, parou-se entre suas pernas, e o olhou. 
O suficiente para te deixar que termine de me cuidar se sentou, 
escarranchado sobre ele;   depois de que eu cuide de ti,  obvio.
Que tal fechou a mo em um punho sobre o cabelo dela e sussurrou 
sobre sua boca se nos cuidarmos o um ao outro?
 um trato.

 Capitulo 5
Instalada em seu escritrio com os dbeis raios do sol invernal entrando pela 
janela detrs dele, Eve organizou seus dados. Tinha a inteno de lhe entregar um 
relatrio a sua comandante no meio da amanh e tinha vrios impressos que queria 
preencher primeiro.
Computador acender. Detalhe os dados da agncia de contatos conhecida 
como Personally Yours localizada na Quinta Avenida em Nova Iorque.
Trabalhando... Personally Yours, fundada em 2052, quinta Localizao 
Avenida, poseda e operada pelo Rudy e Piper Hoffman.
Alto, Confirmar. O negcio  propriedade do Rudy e Piper Hoffman?
Afirmativo. Rudy e Piper Hoffman, gmeos, vinte e oito anos. Residncia 500 
da Quinta Avenida. Continuar explorao no Personally Yours?
No, busca e relatrio, dados completos dos donos.
Procurando...
Enquanto seu computador fazia malabares com seus chips, levantou-se 
procurar uma taa de caf. Gmeos, pensou quando o AutoChef concluiu seu pedido. 
Irmo e irm. Tinha-os etiquetado como amantes. E agora, voltando atrs, recordou o 
modo que se haviam meio doido, moveram-se juntos, quo olhadas intercambiaram; 
perguntou-se se tanto ela como o computador teriam razo.
Era um pensamento que no lhe sentou bem a seu estmago.
Pela extremidade do olho captou um movimento na porta contiga um instante 
antes de que Roarke terminasse de entrar.
bom dia. Est de novo em p cedo.
Quero terminar meu relatrio preliminar para o primeiro Whitney tomou 
seu caf do AutoChef, e se tornou atrs o cabelo. Quer uma taa?
Sim tomou a dela, sonriendo quando lhe olhou com o cenho franzido. 
Estarei em reunies a maior parte do dia.
Que novidade murmurou ela, e programou a unidade para uma segunda 
taa de caf.
Mas pode me contatar, se me necessitar.
Ela grunhiu, logo jogou uma olhada quando seu computador assinalou que a 
busca de dados estava completa. 
Bom. Est bem, tenho... chiou surpreendida quando ele agarrou o fronte 
de sua blusa e atirou. Oua, que... tenho os dados exclamou e empurrou a seu 
marido.
Eu gosto do modo que cheira pela manh se inclinou e cheirou seu cabelo 
enquanto falava.
 s sabo.
Sei.
te comporte mas maldio, seu sangue bulia e pulsava rapidamente. 
Tenho trabalho murmurou ainda quando seus braos o rodeavam.
Eu tambm. Te sinto falta de, Eve apartou sua taa a um lado para poder 
abra-la, s abra-la.
Suponho que ambos estivemos ocupados o ltimo par de semanas se 
sentia to bem apoiar-se contra ele e s estar assim. No posso deixar este caso agora.
No espero que o faa pelo prazer disso, esfregou sua bochecha contra a 
sua; no quereria que o fizesse mas o que o ltimo caso lhe tinha feito, era o que 
inquietava a mente e o corao do Roarke. Me contento te roubando um momento 
aqui e l se tornou para trs, beijou-a. Sempre tive boa mo para roubar... algo.
supe-se que no me tem isso que recordar e, sonriendo, emoldurou sua 
cara com suas mos.
Da entrada, Peabody os olhou. Era muito tarde para retroceder, e tambm 
muito logo para entrar. Embora s estivessem de p, as mos dele nos ombros do Eve, e 
as dela em suas bochechas, Peabody o encontrou um momento to ntimo que intuiu que 
tinha sua cara ruborizada e seu corao suspirando pela inveja.
Perplexa, fez a nica coisa em que pde pensar, fingiu, e tossiu ligeiramente 
envergonhada pela intromisso.
Roarke baixou suas mos dos braos do Eve, e sorriu para a entrada. 
bom dia, Peabody. Caf?
Um, sim. Obrigado. Uh faz bastante frio.
Srio? disse Roarke quando Eve retrocedeu para seu escritrio.
Sim, no se supunha que gelasse. Poderamos ter algumas rajadas de neve 
esta tarde.
O que , o Servio Meteorolgico Nacional? perguntou Eve, logo lhe 
jogou um bom olhar a seu ajudante. A cara do Peabody estava ruborizada, seus olhos 
suaves, e suas mos afanosamente jogavam com seus botes de cobre. O que passa?
Nada. Obrigado disse quando Roarke lhe trouxe uma taa de caf.
De nada. Deixarei-as trabalhar.
Quando avanou para a porta contiga e a fechou, Peabody suspirou. 
No sei como pode recordar seu nome quando lhe olhe do modo que o faz.
Se o esquecimento, ele me recorda isso.
Embora ouviu o humor sardnico na voz do Eve, Peabody se aproximou. 
Como ?
O que? jogando uma olhada, Eve captou a intensidade nos olhos de seu 
ajudante e se encolheu de ombros incmodamente. Peabody, temos trabalho aqui.
No  disso do que se trata? Interrompeu Peabody. Acaso no tem o que 
essas duas mulheres procuravam?
Eve abriu sua boca, logo a fechou outra vez. Jogou uma olhada para as portas 
comunicantes, viu que Roarke as tinha fechado, mas no as tinha encaixado os 
ferrolhos. 
 mais do que pensa que pode ser se ouviu dizer. Troca tudo, e 
determina tudo o que importa. Talvez nunca volte a ser a mesma, e talvez uma parte tua 
sempre tem medo do que aconteceria sim... mas ele sempre vai estar ali. Todo que tem 
que fazer  estender a mo, e ele vai estar ali.
Surpreendida de si mesmo, colocou as mos nos bolsos. 
Pode procurar nos dados extrados do sistema e extrair aqueles que faam 
jogo quanto a personalidade e estilos de vida? No sei. Mas temos a duas mulheres 
mortas que pensaram que valia um intento. Saca uma cadeira, Peabody, e vejamos o que 
obtemos.
Sim, senhor.
Faremos uma investigao completa do Jeremy Vandoren. Instintos  parte, 
temos que confirm-lo ou elimin-lo. Uma vez que tenhamos os dados completos dos 
cinco candidatos da lista do Hawley, faremos outra visita ao Personally Yours.
Detetive McNab, reportando-se.
Eve levantou o olhar e viu o Ian McNab entrar pavoneando-se no quarto. Tinha 
um grande e satisfeito sorriso em sua bonita cara, um colete at o joelho em fcsia 
grito sobre um macaco verde natalino, e uma cinta a raias de ambas as cores atando seu 
comprido e brilhante cabelo dourado.
Sentindo que Peabody ficava rgida como o haste de uma bandeira a seu lado, 
Eve quase suspirou.
Como est, McNab?
Bem, Tenente. Oua, Peabody piscou os olhos presumidamente, logo 
apoiou um quadril no escritrio. O capito Feeney disse que poderia me utilizar neste 
caso da Santa. Estou aqui para servir. H algo para comer?
Olhe o que h no AutoChef.
Magnfico. Trabalhar para ti, Dallas, tem suas vantagens ele meneou as 
sobrancelhas sugestivamente para o Peabody logo se moveu para procurar o caf da 
manh.
Se for usar a esse cabea de chorlito murmurou Peabody por que no 
pode trabalhar da DDE?
Porque eu gosto de te irritar, Peabody.  meu objetivo principal na vida. J 
que est aqui, McNab seguiu Eve pode assumir o controle das pesquisas.  Peabody 
e eu temos que sair.
Simplesmente coloca-os em fila disse ele, mordendo um enorme po-doce 
de arndano. E os voltearei um a um
Quando tiver terminado de te abarrotar disse Eve brandamente revisa os 
nomes do arquivo Hawley... todos os dados.
Fiz-o com o ex ontem  noite disse ele com a boca enche. No pude 
encontrar nada estranho em seu libi at agora.
Bem ela apreciou a rapidez, mas decidiu no mencion-lo e ter ao 
Peabody pondo m cara todo o dia. Te enviarei outra lista de fora... revisa esses 
nomes, logo faz uma comprovao cruzada entre as listas. lhe jogue um bom olhar aos 
gmeos Hoffman, Rudy e Piper. Quero algo que faa rudo. E revisa isto.
voltou-se para seu computador, abriu o arquivo de evidncia, e projetou um 
holograma do segundo broche. 
Quero saber quem fez esta pea, quantas foram fabricadas, onde foram 
vendidas, quantas foram vendidas, e a quem. Comprovao cruzada com o primeiro 
alfinete encontrado no corpo do Hawley. Tem-no, McNab?
Senhor tragou depressa, logo deu um toque de dedo a sua tmpora. 
Cada parte.
me consiga um nome que conecte com ambas as listas e a bagatela, e 
procurarei que tenha po-doces frescos cada manh pelo resto de sua vida.
Esse sim que  um incentivo ele moveu seus dedos. me Deixe nisso.
Vamos, Peabody Eve se levantou, agarrou sua bolsa. No incomode ao 
Roarke, McNab advertiu e encabeou a sada.
V-te bem, Cuerpazo disse McNab quando Peabody chegou  porta. Ela 
grunhiu, vaiou, pisou em forte, e o abandonou sentindo-se satisfeita.
A DDE est cheia de detetives com classe, j sabe se queixou Peabody 
enquanto baixavam. Como  que temos que agentar ao nico imbecil da diviso?
Pura sorte, suponho Eve desprendeu sua jaqueta do pilar da escada, e a 
ps enquanto saam. Cristo, est gelando aqui fora.
Realmente deveria ter uma jaqueta mais abrigada, Tenente.
Estou acostumada a esta mas se deslizou no carro rapidamente. Calor, 
por amor de Deus ordenou. Vinte e quatro graus.
Amo esta unidade Peabody se acurruc no assento. Todo funciona.
Sim. Mas carece de carter logo Eve olhou para baixo com prazer quando 
seu enlace assinalou um entrante. Agarra isto disse ao Peabody.  Tela entrante
ordenou enquanto conduzia atravs as portas.
Dallas? Dallas? Maldita seja a cara atrativa e irritada da reprter estrela da 
tela Nadine Furst alagou o monitor. Acabo de chamar a sua casa. Summerset disse 
que est caminho a algum stio. Responde o maldito enlace, por favor?
No acredito.
Maldio, essas unidades policiais que vocs dirigem nunca funcionam.
Peabody e Eve intercambiaram divertidos sorrisos enquanto Nadine seguia 
protestando.
Suponho que recebeu um soprou sobre o caso.
Seguro confirmou Eve. Agora quer me amassar por informao para 
sua edio de meia amanh, e ir como um sabujo detrs de mim para a edio do meio-
dia.
Dallas, necessito mais dados das mulheres que foram assassinadas. Esto 
unidos os casos? Venha j, Dallas, sou seu amiga. Tenho que subir meu ndice de 
audincia de meia amanh.
Voc o disse disse Eve complacentemente quando se meteu entre o 
trfico.
Por-te em contato, verdade? Podemos nos juntar. Estou com o fechamento 
aqui.
Meu corao sangra Eve bocejou quando Nadine se despediu.
Eu gosto dela comentou Peabody.
Tambm a mim.  imparcial, precisa, e boa no que faz. Mas isso no 
significa que vou perder tempo lhe aumentando o ndice de sintonia como uma imbecil. 
Se a evitar durante um par de dias, investigar-o por si mesmo. Vejamos o que pode nos 
dar em troca.
 ardilosa, Tenente. Eu gosto disso de ti. Mas sobre o McNab...
Vive com isso, Peabody sugeriu, e acelerou para um lugar no segundo 
nvel do estacionamento sobre a Quinta. 
No interior foi diretamente ao tubo, entrou, enganchou os polegares nos bolsos, 
e tolerou o passeio at o nvel do escritrio do Personally Yours.
Atendendo a recepo estava um jovem deus com ombros do tamanho de uma 
montanha, pele da cor do rico chocolate suo, e olhos como moedas de ouro antigas.
Deixa de tremer murmurou Eve, e Peabody s grunhiu em resposta.
Diga ao Rudy e Piper que a Tenente Dallas e seu ajudante esto aqui.
Tenente seu sorriso era sonhador e lnguido. O sinto, mas Rudy e Piper 
esto em consultas com clientes.
lhes diga que estou aqui repetiu Eve. E que tm outro cliente menos.
 obvio ele assinalou para a rea de espera  esquerda. Por favor fiquem 
cmodas. Senta-se livre de ordenar um refresco enquanto esperam.
No me faa esperar muito tempo.
Ele no o fez. Aos cinco minutos, e antes de que Peabody pudesse debilit-lo 
bastante para pedir um pouco chamado Espuma de Nata de Framboesa, tanto Rudy 
como Piper avanaram pela rea do vestbulo.
Vestiam de branco outra vez, tnicas at os tornozelos agora, com o Piper 
animando a  sua com uma banda azul de seda. Cada um tinha posto s um aro de ouro 
na orelha direita...  companheiro do outro.
O que fez que a pele do Eve se arrepiasse.
Tenente falou Rudy, mantendo uma mo no ombro do Piper. Estamos 
um pouco apurados esta manh. Temos um horrio muito apertado.
S se apertou mais. Quer fazer isto aqui, ou em privado?
Um dbil indcio de irritao oscilou nos olhos exticos do Rudy, mas 
gesticulou elegantemente para o vestbulo que conduzia a seus escritrios.
Sarabeth Greenbalm comeou Eve ao minuto que a porta se fechou em 
suas costas. Foi encontrada assassinada ontem. Era clienta dela.
OH Deus, OH meu Deus imediatamente Piper se desabou em uma ampla 
cadeira branca e cobriu sua cara com suas mos.
te tranqilize Rudy passou uma mo sobre o cabelo do Piper, acariciou-lhe 
a  nuca. Est segura que era uma clienta?
Sim. Quero seus contatos. Quem de vocs trabalhou com ela?
Eu teria que ter sido Piper deixou cair suas mos em seu regao. Os olhos 
verdes profundos brilharam com lgrimas, e sua boca de ouro plido tremeu. 
Trabalho com os candidatos femininos, Rudy com os masculinos, a menos que o 
solicitem de outro modo. Freqentemente encontramos que as pessoas discutem suas 
necessidades romnticas e sexuais mais comodamente falando com um membro do 
mesmo sexo.
Bem Eve manteve seus olhos na cara do Piper e tratou de no notar o 
modo que sua mo se estendeu at ser tragada por seu irmo.
A lembrana. Sarabeth. A lembrana porque esteve descontente com os dois 
primeiros candidatos. Queria um reembolso total.
Conseguiu-o?
Temos uma poltica firme contra reembolsos uma vez que o cliente comeou 
a explorar os candidatos Rudy deu  mo de sua irm um aperto para tranqiliz-la, 
logo avanou para seu console.
J vejo. Nenhum de vocs mencionou que eram os donos da companhia.
Voc no perguntou disse Rudy simplesmente enquanto extraa os dados 
que Eve tinha solicitado.
Quem alm de vocs dois teria acesso aos dados do cliente?
Temos trinta e seis assessores comeou Rudy. depois da investigao 
inicial, na qual Piper e eu intervimos pessoalmente, os candidatos so atribudos ao 
assessor que se advm a maior parte de suas necessidades. Nossos assessores so 
investigados, treinados, e certificados, Tenente.
Quero seus nomes, e seus dados completos.
Seus olhos se entrecerraron, parecendo cobrir-se de gelo. 
No posso estar de acordo com isto. Essa classe de invaso  intimidade de 
nosso pessoal  insultante.
Eve inclinou sua cabea. 
Peabody, solicite uma ordem, busca e expropriao de todos os arquivos de 
pessoal e listas de clientes, para o Personally Yours. Registre um relatrio nos casos 
Hawley e Greenbalm, e que a ordem seja notificada diretamente atravs de meu 
comunicador. E que seja rpido.
Em seguida, Tenente.
Rudy retorcendo suas mos, Piper se levantou.  necessrio?
Acredito que sim levantou uma mo, tomando a sua quando avanou para 
ele. Se nossos arquivos devem ser parte de uma investigao policial, quero que tudo 
seja documentado. Desculpo-me pelo que poderia parecer uma falta de cooperao e 
compaixo, Tenente Dallas, mas tenho muchsima gente que proteger.
Eu tambm quando o comunicador emitiu um sinal sonoro, Piper se 
sobressaltou.  me Perdoem Eve lhes voltou as costas e o tirou de seu bolso. 
Dallas.
Identificamos a maquiagem usada no Hawley Dickie franziu o cenho pela 
tela. A marca   Natural Perfection. Uma mierda cara, como pensei.
Bom trabalho, Dickie.
Sim, custou-me horas extras, e tenho que fazer as compras de Natal. O 
relatrio preliminar indica que o material no Greenbalm era da mesma marca. Tem que 
comprar essa mierda em sales ou um centro de realce. No pode consegui-lo em lojas 
regulares, nem sequer de alta qualidade, ou da tela.
Bom, isso o far mais fcil de rastrear. Quem o fabrica?
Seu cenho se transformou em uma ampla, malvado sorriso. 
Renaissance Beauty and Health, uma diviso do Kenbar, que  um ramo de 
Indstrias Roarke. No conhece tudo o que tem seu homem, Dallas?
Maldio foi tudo o que Eve disse, e cortou a transmisso antes de girar-
se. Algum dos sales neste edifcio vende produtos Natural Perfection?
Sim Piper se apoiou contra Rudy de uma maneira que fez o estmago do 
Eve desse um tombo. Essa linha  exibida no All Things Beautiful, no dcimo nvel.
Esto relacionados com o salo?
 um negcio separado, mas mantemos relaes com todos os sales e lojas 
do edifcio Rudy se moveu para o console, abriu um compartimento, e selecionou um 
brilhante folheto ilustrado com um disco anexo. Temos disponveis pacotes que 
incluem ateno em algum dos sales e certificados para presentes junto com consultas 
aqui disse quando ofereceu ao Eve o material.
All Things Beautiful continuou ele  o salo mais exclusivo do edifcio. 
Tambm oferecem pacotes que incluem uma consulta conosco em seu plano Dia de 
Diamante.
Que conveniente.
 um bom negcio foi a resposta do Rudy.
A autorizao se passou, Tenente Peabody guardou seu prprio 
comunicador outra vez. Processando a transmisso agora.
* * * * *
Entrega todos esses dados ao McNab ordenou Eve ao Peabody quando 
estavam no tubo outra vez.
Todos?
Eve no esbanjou muita compaixo apesar dos olhos aumentados, e 
sobressaltados do Peabody.
Todos. Comea com os candidatos do Greenbalm, logo lhe d o do pessoal. 
V dali  lista de clientes, um ano atrs. Pressinto que nosso homem apareceu faz 
bastante pouco.
vai tomar vinte ou trinta minutos.
Ento encontra um lugar tranqilo e comea. Me baixo aqui. me encontre no 
salo quando tiver terminado de transferir os dados.
Sim, senhor.
E te anime, Peabody. Fazer panelas no  atrativa.
No fao panelas disse Peabody com alguma dignidade. Chio. Como 
com meus dentes suspirou audiblemente quando o tubo se fechou outra vez.
O nvel de salo cheirava a bosques e prados. O sistema de som reproduzia 
msica suave, um tinido de liras e flautas. O estou acostumado a era um tapete com a 
cor e a consistncia de ptalas de rosa esmiuados. As paredes eram de um lnguido 
prateado, e empapadas com o fluxo gua que corria lentamente e se alimentava de um 
estreito canal que rodeava o piso inteiro. Cisnes do tamanho da palma da mo, em tons 
bolos, deslizavam-se sobre sua superfcie.
Havia seis sales em total, cada um com arcadas de vidro rodeadas de exticas 
videiras. Eve reconheceu a imitao de Casulo Imortal que tinha sido guiada para 
dispor-se em espiral em cima da magra curva dourada que rodeava a entrada do All 
Things Beautiful.
Imagine, pensou. Aquela flor em particular lhe tinha causado muitos problemas 
um tempo atrs.
Comporta-as se separaram correntemente quando se aproximou. No interior, a 
rea do vestbulo era ampla e suntuosa, com poltronas profundas e amaciadas em verdes 
plidos. Cada uma com seu prprio sistema de mini-tela e comunicao. As talhas e 
esculturas apresentavam nus em bronze.
Uns poucos droides foram daqui para l levando refrigrios, material de leitura, 
culos de realidade virtual e o que fora que os clientes pedissem para sua diverso 
enquanto eram polidos.
Duas das cadeiras estavam ocupadas por mulheres que conversavam 
distradamente e bebiam a sorvos algo que parecia espuma de mar enquanto esperavam 
seus tratamentos. Ambas levavam postas batas rosadas felpudas com o nome do salo 
discretamente gravado na lapela.
Posso ajud-la, senhora? a mulher detrs de um console em forma de Ou 
deu aos desbotados jeans do Eve, danificada-las botas, e desordenado cabelo um lento 
estudo, medindo-a com seus brilhantes olhos chapeados. Os olhos a avaliaram atravs 
das mechas em forma de "S" que serpenteavam por seu arbusto de cabelo magenta. 
Posso assumir que voc vem por nosso pacote Mulher Total? 
Eve sorriu agradavelmente. 
 uma indireta?
A mulher piscou com uma rajada de pestanas chapeadas. 
Perdo?
No importa, irm. Quero falar de sua linha Natural Perfection.
Sim,  obvio.  a melhor linha de cosmtica e realce que o dinheiro pode 
comprar. Estarei encantada de arrumar que um assessor fale com voc. Quer uma 
entrevista?
Sim Eve deixou cair sua insgnia sobre o console. Agora estaria bem.
No entendo.
Posso ver isso. me busque a quem quer que dirija este lugar.
me perdoe um momento a mulher se moveu em seu tamborete alto e falou 
brandamente por seu comunicador. Simon, poderia vir por favor?
Com seus polegares em seus bolsos dianteiros, Eve se balanou em seus tales 
e estudou as elegantes garrafas e tubos no mostrurio giratrio detrs do console. 
O que  todo isso?
Aromas personalizados. Introduzimos sua personalidade e rasgos fsicos em 
um programa e criamos uma fragrncia que  unicamente dela. A vasilha  de sua 
eleio. Cada um  nico em sua classe e, uma vez selecionado, nunca ser feito outra 
vez.
Interessante.
Constituem presentes muito especiais disse arqueando uma muito magro 
retrocede, mas so muito exclusivos e caros.
Srio? Irritada pelo sarcasmo, Eve lhe lanou uma fera olhar. Quero 
um.
Naturalmente a compra deve ser paga adiantado antes da programao.
Seriamente irritada, Eve imaginou agarrar um punhado desse cabelo rgido e 
veteado e golpear a perfeita cara zombadora firmemente contra o console. Deu um 
passo para diante, quando umas pegadas apressadas soaram detrs dela.
Yvette, qual  o problema? Estou arrasado l atrs.
Ela  o problema disse Yvette com um sorriso afiado.
 Eve girou e conseguiu uma completa vista do magnfico Simon.
Os olhos foram o primeiro que lhe chamou a ateno. Eram de um plido, 
quase translcido azul, emoldurados por escuras pestanas grosas e magras sobrancelhas 
de bano que alcanavam seu ponto mximo ao mdio. Seu cabelo era de um brilhante 
vermelho rubi, afastado de sua frente e tmporas e penteado para cair em uma cascata 
de cachos elsticos pelo meio de suas costas.
Sua pele tinha o brilho dourado que indicava ou uma herana multirracial ou 
uma tez tinta. Sua boca estava grafite de um bronze profundo, e montando ao longo de 
seu proeminente ma do rosto esquerdo tinha um unicrnio branco com corno de ouro 
e cascos.
Uma capa azul eltrico cobria seus ombros. Baixo ela tinha posto um skinsuit 
de cor amarela esverdeado e raias chapeadas com um profundo decote. Um matagal de 
cadeias de ouro deslumbravam contra seu impressionante peito. Inclinou sua cabea, 
fazendo danar seus compridos pendentes de oro em suas orelhas enquanto punha uma 
mo em seu magro quadril e estudava ao Eve.
E o que posso fazer por voc, corao?
Quero... 
Espere, espere! ele levantou ambas as mos, com as Palmas para fora, 
revelando uma cadeia de coraes e flores tatuada ali. Conheo essa cara. Com 
uma sacudida dramtica de sua cabea, rodeou ao Eve lhe lanando uma ligeira rajada 
de seu aroma.
Ameixas, pensou. O tipo cheirava a ameixas.
Os rostos seguiu ele enquanto os olhos do Eve se entreabriam so, 
depois de tudo, minha arte, meu negcio, minha mercadoria e ofcio. Vi o seu. Sim, em 
efeito, tenho-o feito.
Repentinamente, agarrou a cara do Eve entre suas mos e se inclinou at que 
ficaram quase nariz com nariz. 
voc olhe, amigo...
A esposa do Roarke! disse chiando, logo lhe plantou um beijo suculento e 
sonoro na boca, retrocedendo de um salto antes deque ela pudesse lhe lanar um 
impulsivo Essa murro  voc! Querida cantarolou ele, girando com as mos cruzadas 
em seu corao para a recepcionista. A esposa do Roarke est em nosso humilde 
salo.
A esposa do Roarke? Yvette se ruborizou furiosamente, logo perdeu toda 
a cor. V murmurou e pareceu doente.
Sinta-se, deve sentar-se e me dizer tudo o que deseja passou um brao ao 
redor dos ombros do Eve e comeou a lev-la para uma poltrona. Yvette, sei boa e 
cancela todas minhas consultas. Querida senhora, sou dele. Por onde comeamos?
Voc pode comear retrocedendo, sabicho se soltou de seu brao, e com 
um pouco de pena tirou sua insgnia em vez de sua arma. Estou aqui por um assunto 
policial.
OH, OH Deus meu Simon se aplaudiu as bochechas. Como poderia 
hav-lo esquecido? A esposa do Roarke  a melhor de Nova Iorque. me perdoe, 
corao.
Meu nome  Dallas, Tenente Dallas.
 obvio ento sorriu docemente. Perdoe, Tenente. Meu entusiasmo... 
Tendo a me emocionar. Vendo-a aqui, perdi a cabea, compreenda. Olhe, voc est em 
nossa lista dos dez desejos, junto com a Primeira Dama e Slinky LeMar, reina-a do 
vdeo acrescentou quando os olhos do Eve permaneceram entrecerrados.  uma 
associao excelente.
Correto. Necessito sua lista de clientes da linha Natural Perfection.
Nossa lista de clientes ps uma mo em seu corao outra vez, e se sentou. 
Tocou a tela de vdeo e cravou no menu. Um refrigerante de limo. Por favor, 
Tenente, permita que lhe oferea algo de beber.
Estou bem Mas porque se via humilde e no parecia planejar agarr-la 
outra vez, sentou-se frente a ele. Necessito a lista, Simon.
Est permitido perguntar por que?
Investigo um homicdio.
Um assassinato sussurrou, e se aproximou. Sei que  atroz, mas o 
encontro terrivelmente emocionante. Sou um vido admirador do misterioso e os vdeos 
policiais lhe ofereceu outra vez esse sorriso doce e, apesar de si mesmo, ela se 
apaziguou.
 um pouco diferente que um vdeo, Simon.
Sei, sei. Sou horroroso. Morboso. Mas no posso imaginar como uma linha 
de cosmticos e realce... seus olhos se abriram de par em par e brilharam. Veneno? 
Foi veneno? Algum acrescentou veneno aos tinturas labiais. A vtima se preparou para 
uma gloriosa noite na cidade... possivelmente usou Vermelho Radical, ou no, no, 
Bronze Sensacional, logo...
Controle-se, Simon.
Suas pestanas revoaram, ruborizou-se, logo riu calorosamente entre dentes.
Deveriam me surrar sem jogar uma olhada, agarrou um copo alto, magro 
de lquido amarelo plido que o droide levou at sua cadeira.  obvio, cooperaremos, 
Tenente, de qualquer forma que possamos. Eu deveria lhe advertir que nossa lista de 
clientes  bastante extensa. Se pudesse me dar produtos especficos, poderamos 
rebaix-la grandemente.
D-me completa isso no momento, logo verei o que posso fazer.
Como ordeno se levantou, fez uma reverncia, logo se deslizou detrs do 
console. Yvette, d  querida Tenente Dallas algumas mostra enquanto realizo esta 
pequena tarefa para ela.  um doce.
No necessito nenhuma amostra Eve logo que sorriu ao Yvette. Mas 
quero o perfume de que falvamos.
 obvio a recepcionista quase se ajoelhou aos ps do Eve. Seria para 
voc?
No,  um obsquio.
E um muito pessoal. Yvette tirou um computador pessoal de seu bolso. 
Homem ou mulher?
Mulher.
Poderia me dar trs de seus rasgos mais fortes de sua personalidade? Como 
valente, tmido ou romntico.
Inteligente disse, pensando na doutora Olhe. Compassiva. ntegra.
Muito bem. Agora algo do fsico?
De estatura medeia, magra, cabelo castanho, olhos azuis, compleio magra.
Est muito bem disse Yvette. Para um relatrio policial, pensou 
desgostada. De que tom marrom  seu cabelo? Como o leva?
Eve protestou entre dentes. Fazer compras natalinas era algo duro. Fazendo 
todo o possvel, concentrou-se e descreveu a melhor perfilista e psiquiatra da cidade.
Quando Peabody entrou, ela escolhia a vasilha e esperava que Simon trouxesse 
a cpia impressa e o disco.
Esteve s compras outra vez.
No, comprei outra vez.
Entregaramos isto em sua casa ou em seu escritrio, Tenente?
Em minha casa.
Quisesse-o envolto para presente?
Maldio. Sim, sim, envolva-o. Simon, e esses dados?
esto-se imprimindo, querida Tenente ele elevou a vista, sonriendo 
radiantemente. Estou to feliz por poder lhe ajudar neste assunto colocou os papis 
e o disco em uma bolsa de compras dourada. Acrescentei algumas mostra. Penso que 
as encontrar perfeitas. Naturalmente riu ante sua prpria brincadeira enquanto 
acontecia a bolsa ao Eve. Espero que me mantenha informado. Por favor, retorne 
sempre que quiser, em qualquer momento. Adoraria trabalhar em voc.
 
Capitulo 6
Um oceano humano alagava a Quinta Avenida. A gente pululava pelas 
caladas, deslizava-se, obstruam as intercesses e se aglomeravam ante as cristaleiras, 
todos apurados para entrar nas lojas e comprar.
Alguns, j carregados como mulas de carga com bolsas de compras, davam 
cotoveladas e empurravam entre as ondas de pedestres, lutando desesperadamente por 
conseguir um txi.
Os pequenos dirigveis publicitrios no cu animavam s massas para um 
frenesi de compras com anncios competidores de vendas e produtos sem os que 
nenhum consumidor poderia viver.
Esto todos loucos decidiu Eve enquanto contemplava uma pequena 
correria para um maxibs que se dirigia ao centro da cuidem. Todos.
Voc comprou algo faz vinte minutos.
De forma civilizada e digna.
Peabody se encolheu de ombros. 
Eu gosto das multides em Natais.
Ento estou a ponto de te fazer muito feliz. Saiamos.
Aqui?
Est to perto que para que vamos ir em veculo Eve colocou seu carro 
pela corrente de gente e avanou pouco a pouco at deter-se na Quinta e Cinqenta e  
um. O do joalheiro est s umas quadras mais abaixo. Faremos melhor tempo a p.
Peabody se preparou para sair, e alcanou as largas pernadas do Eve na 
esquina. O vento corria rua abaixo como um rio por um canho e ps a ponta de seu 
nariz rosado antes de que tivessem caminhado uma quadra.
dio esta mierda resmungou Eve. A metade desta gente nem sequer 
vive aqui. Chegam de todas malditas partes e voltam para obstruir as ruas cada maldito 
dezembro. 
E deixam cair uma boa tonelada de dinheiro em nossa economia.
Provocam atrasos, pequenos delitos, e acidentes de trfico. Tenta ir por volta 
dos subrbios s seis da tarde.  horrvel franzindo o cenho, caminhou atravs do 
vapor que despedia a carne que se assava em um assador guia de ruas na esquina.
Um grito a fez jogar uma olhada  esquerda a tempo de ver uma rixa. Levantou 
uma sobrancelha com sereno interesse enquanto um ladro guia de ruas em um 
aerodeslizador derrubava a um par de mulheres, arrebatava-lhes as bolsas que podia 
alcanar, agarrava ambos os moedeiros, e se afastava voando ao ras do cho por entre a 
multido.
Senhor?
Sim, tenho-o Eve notou o sorriso de triunfo do ladro quando ele se 
moveu atravs da multido, ganhando velocidade quando se separavam de seu caminho.
Ele se agachou, girou, evadiu-se e logo trocou de direo direito para o Eve. 
Seus olhos se encontraram durante um segundo breve, os dele brilhantes de entusiasmo, 
os dela precisos e equnimes. Eve girou e o deteve com um murro que o derrubou. 
Girou e lanou seu pequeno brao, com sua mo fortemente empunhada. De haver uma 
multido menos matizada, ela pensou que se deslocou ao menos uns trs metros. Em 
lugar disso, caiu em meio de um grupo de gente, de barriga para baixo e com os patins 
ainda zumbindo de cara ao cu.
O sangue saa a fervuras de seu nariz. Seus olhos ficaram em branco.
V se pode conseguir um poli que esteja fazendo sua ronda para que fique 
aqui e cuide deste imbecil Eve flexionou os dedos, fez girar seu ombro, logo 
distradamente ps o p sobre o estmago do ladro quando comeou a gemer e 
retorcer-se. Sabe o que, Peabody? Sinto-me muito melhor agora.
* * * * *
Mais tarde, Eve pensou que prender o ladro tinha sido o ponto alto de seu dia. 
No conseguiu nada do joalheiro. Nem ele nem seu arisco dependente recordaram algo 
sobre o cliente que tinha pago em dinheiro pelo alfinete da perdiz. Era Natal, queixou-se 
o joalheiro, enquanto seu vendedor registrava as vendas com a velocidade e a preciso 
de um droide contvel. Como se supunha recordaria um transao?
Eve sugeriu que o pensasse mais, e ficasse em contato com ela quando sua 
memria se limpasse. Logo terminou por comprar uma cadeia de cobre para brinca para 
o amante do Mavis, Leonardo... para desgosto do Peabody.
Agarra algum transporte, volta para a casa, e trabalha com o McNab.
por que melhor no me d um murro na cara?
Dirige-o, Peabody. Vou  Central. Terei que lhe dar ao Whitney um relatrio 
atualizado, e quero ver olhe, para que comece a fazer um perfil.
Talvez escolher mais presentes natalinos pelo caminho.
Eve se deteve ante seu veculo. 
Foi um sarcasmo?
No acredito. Foi muito direto para ser um sarcasmo.
Encontra uma coincidncia nessas listas, Peabody, ou comeamos a 
entrevistar coraes solitrios.
Eve deixou ao Peabody dando cotoveladas para abrir-se caminho por volta da 
Sexta e agarrar um maxibs para os subrbios. Tirou seu comunicador enquanto se 
dirigia em direo contrria, e acordou as duas reunies.
Revisou as chamadas entrantes, escutou a voz acossada do Nadine, e decidiu 
lhe dar  reprter uma oportunidade. 
Deixa de gemer, Nadine.
Dallas, Cristo, onde estiveste?
Mantendo a cidade segura para ti e os teus.
Olhe, tenho apenas o tempo suficiente para utilizar algo em meu relatrio do 
meio-dia. me d uma linha.
S prendi um assaltante na Quinta.
No  divertido, estou contra a parede. Qual  a conexo entre os dois 
assassinatos?
Quais dois assassinatos? Conseguimos muitos corpos nesta poca do ano. O 
Natal tira aquele louco esprito festivo.
Nadine grunhiu audiblemente. 
Hawley e Greenbalm. Venha, Dallas. Duas mulheres estranguladas. Isso foi 
tudo o que consegui.  a investigadora principal em ambos os casos. Ouvi que houve 
assalto sexual. Confirma-o?
O Departamento no confirmar ou negar nada neste momento.
Violao e sodomia.
Nenhum comentrio.
Maldio, por que essa atitude?
No tenho tempo nem de respirar agora mesmo. Trato de deter um assassino, 
Nadine, e pelo resto no me preocupa o ndice de audincia do Canal 75.
Pensei que fomos amigas.
Suponho que o somos, e devido a isso, quando tiver algo que facilitar, ter-o.
Os olhos do Nadine se iluminaram.
 Primeira, uma exclusiva?
No siga saturando meu enlace.
Em privado, Dallas. me deixe arrum-lo. Posso estar na Central de Polcia  
uma.
No. Avisarei-te quando e onde, mas no tenho tempo para ti hoje e o 
tempo, pensou, era o fator mais importante. Ningum sabia investigar to rpido ou to 
profundamente como Nadine Furst. No v ningum em particular estes dias, 
Nadine?
Ver algum... para me citar ou dormir com ele? No, no em particular.
Alguma vez o tentou com uma dessas agncias de contatos?
Por favor as pestanas do Nadine revoaram quando levantou sua mo para 
examinar sua manicura. Acredito que posso encontrar meus prprios homens.
S era um pensamento. ouvi que so populares Eve fez uma pausa e viu os 
olhos do Nadine estreitar-se e brilhar. Poderia querer tent-lo.
Sim, poderia fazer isso. Obrigado. Tenho que correr. Estou ao ar em cinco.
Uma coisa. Tenho que comprar um presente de Natal?
As sobrancelhas do Nadine se elevaram, seus lbios se curvaram em um amplo 
sorriso. 
Absolutamente.
Maldio, me temia franzindo isso o cenho, Eve cortou a transmisso e 
conduziu para a garagem da Central de Polcia.
Em caminho ao escritrio do Whitney, agarrou uma barra energtica e um tubo 
de uma Cauda Extra-Fasca de uma mquina vendedora. tragou-se a barra, bebeu-se o 
refresco, e como resultado caminhou para o escritrio do Whitney sentindo-se 
ligeiramente doente.
Qual  a situao, Tenente?
Tenho ao McNab da DDE trabalhando com meu ajudante no escritrio de 
minha casa, comandante. Temos as listas do Personally Yours de cada vtima. 
Esperamos conseguir uma conexo. Ainda trabalhamos nas jias que deixou nas 
vtimas, e temos a marca e a provvel fonte dos cosmticos que utilizou.
Ele assentiu. Whitney era um homem forte, de textura grande, afvel, tez 
escura e olhos cansados. Pela janela em suas costas, Eve podia ver a cidade... o 
constante fluxo de trfico areo ao redor dos edifcios; as pessoas circulando ao redor 
dos escritrios detrs de outras janelas. Sabia que se algum se aproximava at essa 
janela, podia olhar e ver a rua abaixo. Todas as pessoas apressando-se ao longe. Todas 
as vistas que necessitavam amparo.
como sempre, pensou que preferia seu escritrio estreito e sua vista limitada.
Sabe quantos turistas e consumidores de fora do estado vm  cidade 
semanas antes de Natal?
No, senhor.
O prefeito me deu o nmero estimado esta manh, quando chamou para me 
informar que a cidade no podia permitir um assassino mltiplo espantando os  dlares 
arrecadados nas festividades seu sorriso era afiado e sem senso de humor. Ele no 
pareceu, nesse ponto, estar muito preocupado pelas residentes da cidade violadas e 
estranguladas, mas sim pelos dolorosos efeitos secundrios que tais acontecimentos 
poderiam causar se os meios jogam com o ngulo de um Santa assassino.
Os meios no esto inteirados desse ngulo neste momento.
Quanto tempo temos antes de que se filtre? Whitney se tornou para trs, 
mantendo seus olhos impassveis no Eve.
Talvez um par de dias. O canal 75 j tem a informao de que so 
homicdios sexuais, mas seus dados so desiguais neste ponto.
vamos ver se podemos manter o desse modo. Quanto, antes de que ele 
ataque outra vez?
Esta noite. Amanh como mximo no h modo de det-lo, pensou, e viu, 
pela cara do Whitney, que ele entendia.
A agncia de contatos  a nica conexo que tem.
Sim, senhor. Neste momento. Nada indica que as vtimas se conhecessem. 
Viviam em partes diferentes da cidade, e se moviam em crculos muito diferentes. No 
eram de um mesmo tipo fsico.
Fez uma pausa, esperando, mas Whitney no disse nada. 
vou consultar com Olhe seguiu Eve. Mas em minha opinio, ele j 
estabeleceu uma pauta e uma meta. Quer doze em ou antes de fim de ano. Isso  menos 
de duas semanas, por isso se tem que mover rapidamente.
voc faa-o tambm.
Sim, senhor. A origem de suas vtimas tem que ser Personally Yours. 
localizamos os cosmticos utilizados nas vtimas. Os lugares de compra na cidade so 
bastante limitados. Temos os alfinetes que deixou em ambos os stios ento exalou. 
Sabia que poderamos rastrear os cosmticos; deixou os alfinetes deliberadamente. 
sente-se seguro de que h talher seus rastros. Se no encontrarmos uma coincidncia 
dentro das seguintes vinte e quatro horas, nossa melhor defesa poderiam ser os meios.
E lhes dizer o que? Se voc v a um homem gordo em um traje vermelho, 
chame  polcia? Ele se levantou de seu escritrio. Encontre uma coincidncia, 
Tenente. No quero doze corpos sob minha rvore este Natal.
Eve tirou seu comunicador quando abandonou o escritrio do Whitney. 
McNab, me faa feliz.
Fao todo o possvel, Tenente. Ele gesticulou com o que parecia ser uma 
poro de pizza de abacaxi. eliminei ao ex-marido da primeira vtima. Estava em um 
partido de bola com trs amigos a noite do assassinato. Peabody vai comprovar com os 
trs amigos, mas parece slido. Nenhum ingresso a Nova Iorque foi emitido a seu nome. 
Ele no esteve neste Costa em mais de dois anos.
A gente menos disse Eve enquanto subia a um escorregador. me D 
mais.
Nenhum dos nomes da lista do Hawley  igual a do Greenbalm, mas estou 
comprovando as impresses digitais e impresses vocais para me assegurar que no h 
armadilha nisso.
Bem pensado.
E duas da lista do Hawley parecem limpos at agora. Precisei investigar, mas 
esto absolvidos. Estou lhe entrando no Greenbalm agora.
te ocupe dos primeiro cosmticos se passou uma mo pelo cabelo 
enquanto se descia do escorregador e se escorria em um elevador. Deveria estar de 
volta dentro de duas horas.
Saiu do elevador, cruzou um pequeno vestbulo, e entrou nos escritrios de 
Olhe. No havia ningum na recepo, e a porta de Olhe estava aberta. Colocando sua 
cabea, viu olhe examinando o arquivo de um caso no vdeo e mordiscando um 
sanduche.
No freqentemente agarrava a Olhe por surpresa, refletiu Eve. Olhe era uma 
mulher que tinha visto quase tudo. Muito, pensava freqentemente, como quando 
proveio dela mesma.
No estava segura o que tinha feito que se formasse uma amizade entre elas. 
Respeitava as capacidades de Olhe... embora s vezes a faziam sentir-se incmoda.
Olhe era uma mulher pequena e de aparncia agradvel, com um sedoso cabelo 
negro que se balanava elegantemente ao redor de uma cara serena e atrativa. 
Habitualmente vestia finos trajes em cores suaves. Sups que Olhe representava todo 
que ela, Eve, pensava que uma senhora deveria ser: independente, discretamente 
elegante, bem falada.
Tratar com deficientes mentais, tendncias violentas, e os pervertidos habituais 
nunca pareciam agitar a serenidade de Olhe ou sua compaixo. Seus perfis dos loucos e 
assassinos eram inestimveis para o Departamento de Polcia e Segurana de Nova 
Iorque.
Eve vacilou na porta s o tempo suficiente para que Olhe pudesse v-la. A 
psiquiatra girou sua cabea, e seus olhos azuis se animaram quando encontraram ao 
Eve.
No pensei interromper. Seu ajudante no est em seu posto.
Est almoando. Entra, fecha a porta. Esperava-te.
Eve olhou seu sanduche. 
Estou interrompendo seu descanso.
Policiais e doutores. Tomamos nossos descansos quando podemos. Quer 
comer algo?
No, obrigado a barra energtica no lhe tinha sentado bem, o que lhe fez 
perguntar-se quanto faria desde que a mquina vendedora tinha sido abastecida. 
Apesar da resposta negativa do Eve, Olhe se levantou e pediu ch ao AutoChef. 
Era um ritual com o que Eve tinha aprendido a viver. Ela daria uns sorvos  poo que 
saberia ligeiramente a flores, mas que no gostava.
examinei os dados que pde me enviar, e as cpias de seus informe do caso. 
Terei-te um perfil completo e escrito manh.
O que pode me dar hoje?
Provavelmente pouco que no tenha deduzido por ti mesma Olhe se 
reclinou em uma cadeira azul similar s do salo do Simon.
A cara do Eve, notou, estava muito plida, muito magra. Olhe no a tinha visto 
desde sua volta ao trabalho, e seu olho clnico diagnosticou que a volta tinha sido 
apressado.
Mas se guardou essa opinio para si mesmo.
A pessoa que buscas  provavelmente um homem entre os trinta e os 
cinqenta e cinco anos comeou.  controlado, calculador, e organizado. Desfruta 
com a exposio pblica e sente que merece ser o foco de ateno. Pode ter tido 
algumas aspiraes para a interpretao ou uma rea parecida.
Posou para a cmara, jogou com ela.
Exatamente Olhe assentiu, agradada. Ele empregou vesturio e 
acessrios no s, em minha opinio, como ferramentas e disfarces, mas sim por um 
talento natural para isso, e pela ironia. 
Pergunto-me se ele vir sua crueldade como ironia.
Olhe tomou flego, trocou de posio as pernas e bebeu seu ch a sorvos. Se 
tivesse acreditado que Eve realmente beberia a taa que lhe tinha dado, lhe teria 
acrescentado algumas vitaminas. E seguiu:
 possvel.  uma posta em cena, um espetculo. Ele desfruta muitssimo 
desse aspecto. A preparao, os detalhes.  um covarde, mas um meticuloso.
Todos eles so covardes declarou Eve e Olhe inclinou sua cabea.
Sim, voc o veria desse modo, porque para ti tomar uma vida  s 
justificvel em defesa de outra. Para ti assassinar  a ltima covardia. Mas neste caso, 
diria que ele reconhece seus prprios medos. Droga a suas vtimas rapidamente, no 
para lhes economizar dor, a no ser para evitar que lutem e possivelmente o superem 
fisicamente. Precisa montar a cena. Pe-as na cama, imobiliza-as antes de lhes cortar a 
roupa. No as nua com raiva, e se assegura que estejam atadas antes de dar o seguinte 
passo. Agora esto indefesas, agora so delas.
Logo as viola.
Sim, enquanto esto atadas. Nuas e indefesas. Se estivessem livres o 
rechaariam. Sabe isso. foi rechaado. Mas agora pode fazer quanto deseja. Necessita-as 
acordadas e conscientes para que possam v-lo, e assim saber que ele tem o poder, ao 
ponto que elas lutem mas no possam escapar.
As palavras, as imagens, revolveram o j inquieto estmago do Eve. As 
lembranas danavam muito perto da superfcie. 
A violao sempre  sobre o poder.
Sim como Olhe compreendia, quis estender a mo e tomar a do Eve. E 
porque entendia, no o fez. As estrangula porque isso  pessoal, uma extenso do ato 
sexual. Mos na garganta.  ntimo.
Olhe sorriu um pouco. 
Quanto disto tinha concludo j?
No importa. Confirma minhas hipteses.
Bem ento. A grinalda acrescentada. Acessrios outra vez, espetculo, 
ironia. So presentes para si mesmo. O tema do Natal pode ter algum significado 
pessoal, ou pode ser simplesmente o simbolismo.
E a destruio da rvore da Marianna Hawley e seus adornos? Quando 
Olhe s levantou uma sobrancelha, Eve se encolheu de ombros. Rompendo o smbolo 
das festas na rvore, erradica a pureza nos adornos de anjo.
Isso o satisfaria.
Os alfinetes e tatuagens.
 um romntico.
Um romntico?
Sim,  muito romntico. As marca como seu amor, deixa-lhes um smbolo, e 
se toma um tempo e esforo para as fazer formosas antes das abandonar. Algo menos 
que isso as faria um obsquio indigno.
Conhecia-as?
Sim, eu diria que o fez. Se elas o conheciam  outra coisa. Mas as conhecia, 
tinha-as observado. Escolheu-as e pelo prazo de tempo que as teve, foram seu amor 
verdadeiro. Ele no mutila acrescentou, inclinando-se para frente. As decora, 
enaltece. Artisticamente, possivelmente at meigamente. Mas quando termina, 
terminou-se. Rocia o corpo com desinfetante, apagando-se. lava-se, frico, apagando 
as dele. E quando parte, est radiante de alegria. ganhou. E  o momento de preparar-se 
para a seguinte.
Hawley e Greenbalm no eram iguais, nem fisicamente, nem em seus estilos 
de vida, seus hbitos, ou seu trabalho.
Mas tinham uma coisa em comum intercalou Olhe. Ambas estiveram, 
em algum momento, o bastante sozinhas, o bastante necessitadas, o bastante 
interessadas, para pagar  por ajuda para encontrar um companheiro.
Seu amor verdadeiro Eve deixou seu ch sem tocar a um lado. 
Obrigado.
Espero que esteja bem consciente de que se esforava por poder levantar-
se e ir-se, Olhe no se moveu. Totalmente reposta de suas feridas.
Estou bem.
No, pensou Olhe, no completamente bem. 
S tomou quanto, duas ou trs semanas para te repor de suas graves feridas.
Estou melhor trabalhando.
Sim, sei que pensa que sim Olhe sorriu outra vez. Est preparada para 
as festas?
Eve no se retorceu em sua cadeira, mas quis faz-lo. 
comprei um par de presentes.
Deve ser difcil encontrar algo para o Roarke.
Me vais dizer isso.
Estou segura que encontrar algo perfeito. Ningum o conhece melhor que 
voc.
s vezes o fao, s vezes no e porque no estava concentrada, falou sem   
pensar.  Ele entra em todo este assunto do Natal. Festas e rvores. S pensei que nos 
daramos algo o um ao outro e preparado.
Nenhum de vocs tem lembranas de sua infncia aos que toda pessoa tem 
direito de antecipao e maravilha, de manhs de Natal com bonitas caixas 
empilhadas sob a rvore. Eu diria que Roarke tem a inteno de comear a criar essas 
lembranas, para vocs dois. Conhecendo-o acrescentou com uma risadano sero 
comuns.
Acredito que pediu um pequeno bosque de rvores.
te permita uma possibilidade dessa antecipao e maravilha, como um 
presente para vocs dois.
Com o Roarke um no tem opo Ela se levantou. Avaliao o tempo, 
doutora Olhe.
Uma ltima coisa, Eve Olhe se levantou tambm. Ele no  perigoso 
neste ponto para ningum mais que para a pessoa em que est enfocado. No matar 
indiscriminadamente ou sem objetivo e planejamento. Mas no posso dizer quando 
poderia trocar isso, ou o que poderia provocar uma mudana na pauta.
Tenho algumas ideia sobre isso. Estarei em contato.
* * * * *
Peabody e McNab discutiam quando entrou em seu escritrio. Estavam 
sentados um ao lado do outro ante sua estao de trabalho grunhindo-se como um par de 
bulldogs brigando pelo mesmo osso. Habitualmente isso poderia ter divertido ao Eve, 
mas nesse momento s era uma molstia mais.
Cortem-na espetou e teve a ambos lhe emprestando ateno com caras 
sombrias e ressentidas. Relatrio.
Quando ambos comearam a falar com mesmo tempo, Eve se enfureceu por 
aproximadamente cinco segundos, logo ensinou os dentes. Isso os calou a ambos. 
Peabody?
Arriscando um olhar satisfeito de soslaio a seu Nmesis, Peabody comeou. 
Temos trs correspondncias com os cosmticos. Duas da lista do Hawley e 
um do Greenbalm. Todos compraram os elementos, da maquiagem at o tintura. O 
segundo da lista do Hawley comprou lpis para sobrancelhas e olhos e duas cores 
labiais. Identificamos o que se utilizou na boca do Greenbalm.  Coral do Cupido. Os 
trs compraram esse tom.
H um problema McNab levantou um dedo como um professor que detm 
um estudante muito entusiasta. Tanto a cor Coral do Cupido como o Marrom 
Almscar, para pestanas, so rotineiramente jogo de dados como amostras. De fato 
assinalou para a mesa onde as amostras que lhe tinham dado ao Eve estavam 
alinhadas tm ambos aqui.
No podemos rastrear cada estpida amostra disse Peabody com um fio 
perigoso em sua voz. Temos trs nomes, e um lugar para comear.
A sombra para olhos Bruma sobre Londres usada no Hawley  um dos 
produtos mais custosos e no se reparte como mostra. S se consegue por separado ou 
quando compra o pacote de luxo completo. Seguindo o rastro da sombra, estaremos 
mais perto do branco.
E talvez o filho de cadela "levantou" a sombra enquanto comprava o resto 
das coisas Peabody se girou por volta do McNab. Agora quer rastrear a cada ladro 
na cidade?
 o nico produto que no pudemos rastrear at agora.  por isso que temos 
que encontr-lo.
Eles estavam nariz com nariz quando Eve avanou e lhes deu um empurro. 
Ao prximo que fale, tiro-o do caso. Ambos tm razo. Entrevistaremos 
estes trs, e procuraremos a porcaria para os olhos. Peabody, consegue os nomes, baixa 
a meu veculo, e me espere.
Peabody no falou, no quando sua coluna estava rgida como uma vara e seus 
olhos acesos podiam dizer muito. Ao momento que ela saiu, McNab colocou suas mos 
nos bolsos. Mas quando abriu a boca, captou o brilho de advertncia que Eve lhe 
lanou, e a fechou outra vez.
Investiga Personally Yours outra vez, clientes e pessoal, investiga quem dali 
comprou essa porcaria, e v quantos mais dos produtos utilizados nas vtimas pode 
conectar arqueou as sobrancelhas. Dava sim, senhor, Tenente Dallas.
Ele suspirou. 
Sim, senhor, Tenente Dallas.
Bem. Enquanto est nisso, McNab, olhe se pode te introduzir na conta de 
crdito do Piper e Rudy. Averigua que marca de realces usam esperou, ainda com as 
sobrancelhas em alto. Uma coisa que no era McNab era ser lento.
Sim, senhor, Tenente Dallas.
E deixa de pr m cara ordenou quando saiu a pernadas.
Mulheres murmurou McNab para si; logo captou um movimento pelo 
bordo do olho. Distinguiu ao Roarke na porta aberta entre os escritrios, sonrindole 
abertamente.
Criaturas maravilhosas, verdade? Roarke entrou.
No de onde estou parado.
OH, mas ser um heri, j ver, se pode conectar seu produto com o nome 
correto Ele olhou por cima, explorando as listas e documentos que ambos sabiam 
eram assunto oficial, e no de sua incumbncia. Tenho uma hora ou dois livres. Quer 
um pouco de ajuda?
Bem, eu McNab jogou uma olhada para a porta.
No se preocupe pela Tenente Roarke fez seu gosto e se sentou ante o 
computador. Posso dirigi-la.
* * * * *
Donnie Ray Michael tinha posto um andrajoso penhoar marrom e um anel de 
prata no nariz com uma esmeralda polida. Seus olhos eram de um avel nublado, seu 
cabelo da cor da manteiga, e seu flego feroz.
Estudou a insgnia do Eve, expulsando o ar em um bocejo que quase a atirou ao 
piso, logo se arranhou a axila.
O que?
Donnie Ray? Tem um minuto?
Sim, tenho muitos minutos, por que?
Direi-lhe depois de que entremos, e faa gargarejos com um galo ou dois de 
enxge bocal.
OH se ruborizou ligeiramente e retrocedeu. Estava dormido. No 
esperava convidados. Ou policiais. Mas as fez entrar, e logo desapareceu por um 
curto vestbulo.
O lugar estava to ordenado como uma pocilga mdio, com roupa, vasilhas de 
comida para levar vazios e semivacos, cinzeiros transbordando-se, e uma pilha de 
discos de computador regados sobre o piso. No rinco ao lado de um pudo sof havia 
um suporte de livro e um saxofone brilhantemente gentil. 
Eve percebeu no ar um trasfondo de cebolas ranosas e o espiono de um ilegal 
que habitualmente se consumia fumando. 
Se decidirmos que necessitamos uma ordem de registro disse Eve ao 
Peabody temos uma causa provvel.
Qual? Suspeita de refugos txicos?
A Eve apartou com a ponta do pie o que poderia ter sido roupa interior. 
Ele esteve fumando Zoner, provavelmente como sedativo antes de dormir. Logo que 
pode cheir-lo.
Peabody cheirou. 
S cheiro suor e cebolas.
Est ali.
Donnie Ray retornou, seus olhos levemente mais limpos, sua cara vermelha e 
mida de um rpido remojn. 
Lamento a confuso. Faz um ano que no tenho droide. Do que se trata?
Conhece voc a Marianna Hawley?
Marianna? sua frente se enrugou ao pensar. No sei. Devo?
Voc a contatou atravs do Personally Yours.
OH, a sesso de entrevistas ele se separou de uma patada a roupa, logo se 
deixou cair em uma cadeira. Sim, fiz um intento uns meses atrs. Eu estava em uma 
seca sorriu um pouco, logo se encolheu de ombros. Marianna. Era uma ruiva alta... 
no, essa era Tanya. Passamo-lo bastante bem, mas se transladou ao Alburquerque Por 
Deus bendito. O que pode encontrar ali?
Marianna, Donnie Ray. Moria, magra. Olhos verdes.
Sim, sim, agora a lembrana. Doce. No fizemos clique, muito como, pois 
uma irm. Ela veio ao clube onde tocava e me ouviu, tomamos um par de bebidas. E?
Voc alguma vez olhe a tela, l o peridico?
No quando tenho uma atuao estvel. Estou contratado por um grupo no 
centro da cuidem no Imprio. Estou fazendo o turno de dez a quatro as ltimas trs 
semanas.
Sete noites?
No, cinco. Quando se atua sete noites, perde-se o entusiasmo.
E a noite da tera-feira?
Estou livre na tera-feira. As segundas-feiras e as teras-feiras so tranqilos 
seus olhos se enfocaram agora e comearam a ficar cautelosos. O que acontece?
Marianna Hawley foi assassinada na tera-feira de noite. Tem um libi para 
na tera-feira das nove  meia-noite?
OH, mierda. Mierda. Assassinada. Doce Jesus se levantou, tropeando 
com o lixo enquanto se passeava. Homem, que terrvel. Ela era um amor.
Quis voc que fora seu amor? Seu amor verdadeiro.
Ele deixou de passear-se. Eve encontrou interessante que no parecesse 
assustado ou zangado. Parecia causar pena. 
Olhe, tomei um par de bebidas com ela uma noite. um pouco de 
conversao, tentei convenc-la para que nos dssemos um queda inofensivo, mas no 
estava nisso. Eu gostava. No posso ajud-la a voc, mas ela eu gostava.
Ele passou seus dedos por seus olhos, logo para trs sobre seu cabelo outra vez. 
Foi, maldio, faz seis meses, talvez mais. No a vi aps. O que lhe 
aconteceu?
A noite da tera-feira, Donnie Ray.
na tera-feira? esfregou-se a cara com suas mos. No sei. Maldio, 
quem recorda? Provavelmente estive em alguns clubes, algo bbado. me deixe pensar 
um minuto.
Ele fechou os olhos, sufocou um par de suspiros. 
na tera-feira me deixei cair pelo Crazy Charlie's e ouvi uma banda nova.
Foi com algum?
Alguns de ns comeamos juntos. No sei quem terminou no Crazy. Estava 
bastante arruinado para ento.
me diga, Donnie Ray, para que comprou voc a linha de produtos Natural 
Perfection? Voc no parece do tipo que se pinta.
O que? Ele pareceu desconcertado, logo se deixo cair na cadeira outra 
vez. Que demnios  Natural Perfection?
Voc deveria sab-lo. Gastou mais de duas mil na linha. Cosmticos, Donnie 
Ray. Realce.
Cosmticos. Ele passou suas mos por seu cabelo at que se levantou em 
gordurentas pontas. OH mierda, sim. O material de cores chamativas. O aniversrio 
de minha me. Comprei-lhe o jogo.
Gastou dois grandes no aniversrio de sua me? Com bvia duvida em 
seus olhos Eve olhou ao redor do espao obstaculizado e desordenado. 
Minha me  a melhor. O velho nos expulsou quando era um menino. Ela 
trabalhou como trs ces para manter um teto sobre minha cabea, e para pagar lies 
de msica             cabeceou para o saxofone. Ganho um bom monto de dinheiro. 
Malditamente bom. Agora ajudo a pagar o teto sobre sua cabea, em Connecticut. Uma 
casa decente em uma vizinhana decente. Isto gesticulou para abranger o quarto, 
isto maldito se me importar. Logo que estou aqui, s para cair rendido.
E se chamar a sua me agora mesmo, e lhe pergunto o que lhe deu seu moo 
Donnie Ray para seu ltimo aniversrio?
Seguro sem vacilar assinalou com o polegar para o comunicador em uma 
mesa junto  parede. Seu nmero est programado. S me faa um favor, bem? No 
lhe diga que  polcia. Ela se preocupa. Diga que faz um estudo ou algo.
Peabody, desfaa-se da jaqueta do uniforme e chame  mame do Donnie 
Ray Eve se moveu fora do alcance de transmisso e se sentou no brao de uma 
cadeira. Rudy no Personally Yours fez seu perfil?
No, bem, eu falei primeiro com ele. Queria me formar uma impresso. 
Como uma audio. Logo um idiota fez a consulta. O que gosta de fazer para entreter-
se, seus sonhos, qual  sua cor favorita. Tambm lhe fazem uma prova fsica, para 
assegurar-se que est limpo.
Eles no encontraram rastros do Zoner.
Ele teve a graa de parecer envergonhado.
No. Estava limpo.
Arrumado que sua me quereria que ficasse desse modo.
A Sra. Michael recebeu uma linha completa de Cosmticos e Realces 
Natural Perfection de seu filho em seu aniversrio Peabody se voltou a pr a jaqueta 
do uniforme, logo lanou ao Donnie Ray um sorriso. Est realmente feliz com o 
presente.
 bonita, verdade?
Sim.
 a melhor.
Isso  o que ela disse de voc lhe disse Peabody.
Consegui-lhe uns pendentes de diamante para Natal. Vale, em realidade so 
s lascas, mas consegui um bom preo. Ele observava ao Peabody com interesse 
agora, havendo-a visto sem a rgida jaqueta. Voc alguma vez se deixa cair pelo 
Imprio?
No at agora.
Deveria passar. Realmente tocamos.
Talvez o faa mas captou o olhar srio do Eve e se esclareceu garganta. 
Obrigado por sua cooperao, Sr. Michael.
lhe faa a sua me um favor disse Eve quando se dirigiam para a porta. 
Tire este monto de lixo e deixe o Zoner.
Sim, seguro e Donnie Ray lanou ao Peabody uma provocadora piscada 
antes de fechar a porta.
 imprprio paquerar com os suspeitos, oficial Peabody.
Ele no  realmente um suspeito Peabody jogou uma olhada sobre seu 
ombro. E era realmente bonito.
Ele  um suspeito at que confirmemos seu libi. E  um porco.
Mas um porco realmente bonito. Senhor.
Temos duas entrevistas mais que realizar, Peabody. Trata de controlar seus 
hormnios.
Fao-o, Dallas, fao-o suspirou quando subiu ao carro. Mas  to 
agradvel quando elas me controlam.

Capitulo 7
Passar a maior parte do dia fazendo entrevistas sem encontrar uma s fresta no 
caso no ps ao Eve do melhor dos humores. Descobrir que McNab tinha deixado de 
trabalhar e se foi quando voltou para seu escritrio escureceu seu humor um pouco 
mais.
Considerou afortunado para seu futuro bem-estar que lhe tivesse deixado um 
estpido, e um bom bocado.

Tenente. Sa s dezesseis e quarenta e cinco. Lista de nomes e produtos sob 
arquivo de caso, subttulo E de Provas Dois-A. O casal poderia lhe interessar. Tive xito 
tanto no Piper como no Rudy com a sombra para olhos, outro no Piper com o labial. A 
propsito, os dois nadam em crditos. No que cheguem a competir com o Roarke, mas 
no sofrem. Interessante tambm, todos seu ativos so mantidos conjuntamente, at o 
ltimo centavo. Relatrio tambm em arquivo.

Todos seu ativos mantidos conjuntamente, refletiu Eve. Sua impresso tinha 
sido que Rudy dirigia o negcio de cabo a rabo. Sempre era Rudy o que tinha tomado as 
decises, ido ao console quando ela tinha estado ali.
E como resultado dirigia o dinheiro, tambm.
Tinha o controle, decidiu Eve. Tinha o poder.
E a oportunidade, o acesso.

Outro xito com a sombra para olhos seguiu a voz do McNab. Duas com a 
cor labial, com o Charles Monroe em ambos. Ele me passou no primeiro repasse porque 
ps outro nome por engano no comprovante para o boletim de notcias de novos 
produtos e ofertas especiais. Perfil do Monroe includo.

Eve franziu o cenho quando terminou o estpido. Seus instintos poderiam ter 
estado conduzindo-a para o Rudy, mas parecia que teria que lhe fazer ao Charles 
Monroe uma visita.
Jogando uma olhada, viu que a luz sobre a porta que comunicava com o 
escritrio do Roarke estava acesa. Se estava ocupado, era um momento to bom como 
qualquer para comprovar um assunto mais pessoal.
moveu-se silenciosamente, usando a escada em vez do elevador, pendente do 
Summerset quando entrou rapidamente  biblioteca.
As paredes do quarto de dois nveis estavam forradas com livros. Sempre a 
desconcertava que um homem que podia comprar um pequeno planeta com o estalo de 
um dedo preferisse o peso e o vulto de um livro em vez da convenincia da leitura em 
tela.
Um de seus caprichos, sups, embora podia apreciar o rico aroma do couro das 
encadernaes, o aspecto lustroso dos lombos enquanto caminhava ao longo das 
prateleiras de mogno escuros.
Havia duas reas de cmodos assentos, muito couro nos sofs profundos de 
madeira lustrosa e cadeiras de cor borgoa, jias de cores em telas de vidro dos 
abajures, o brilho do bronze, o brilho da madeira antiga em gabinetes profusamente 
esculpidos por artesos de outro sculo. 
As cortinas estavam abertas de noite ao redor de um amplo assento junto  
janela revestido com almofadas grossas em tons que recolhiam os mltiplos matizes dos 
abajures. Tapetes enormes e antigos com modelos intrincados sobre um fundo borgoa 
se estendiam sobre os tablones castanhos amplos e brilhantes do piso.
Sabia que um sistema informtico de completo alcance multitareas estava 
escondido atrs do gabinete antigo. Mas tudo  vista do quarto falava de antigidade e 
riqueza, e de um gosto por ambos.
No vinha aqui freqentemente, mas sabia que Roarke sim. Ela podia encontr-
lo sentado em uma das poltronas de couro pela tarde, suas pernas largas estiradas, um 
brandy e um livro em suas mos. A leitura o relaxava, havia-lhe dito. E ela sabia que era 
uma habilidade que se ensinou ele mesmo quando era um moo nos bairros baixos do 
Dubln e tinha encontrado uma cpia andrajosa do Yeats em um beco.
Cruzou para o gabinete e abriu as suntuosas portas com incrustaes de 
lapislzuli e malaquita. 
Acender ordenou e jogou uma olhada cautelosa sobre seu ombro. 
Procurar em biblioteca, todas as sees, pelo Yeats.
Yeats, Elizabeth; Yeats, William Butler?
Suas sobrancelhas se uniram, e se passou a mo pelo cabelo.
Como diabos sei?  um poeta irlands.
Yeats, William Butler, confirmado. Procurando em biblioteca As 
Vagabundagens do Oisin, Seo D, prateleira cinco. A Condessa do Cathleen, Seo 
D...
Esperar se beliscou a ponte do nariz. Mudana de busca. me diga quais 
livros deste tio no esto na biblioteca.
Ajustando... Procurando
Ele provavelmente tinha cada maldita coisa de todos os modos. Uma idia 
estpida, decidiu, e colocou as mos nos bolsos.
Tenente.
Quase saltou em suas botas. Volteou e olhou fixamente ao Summerset. 
O que? Maldita seja, dio quando faz isso.
Ele simplesmente seguiu observando-a tranqilamente. Sabia que ela odiava 
que a agarrasse despreparada. Era um dos motivos pelo que desfrutava fazendo-o. 
Posso lhe ajudar a encontrar um livro... embora no me tinha dado conta que 
lia algo alm de informe e um ocasional disco de comportamento aberrante.
Olhe, amigo, tenho perfeito direito a estar aqui o que no explicava por 
que ser encontrada na biblioteca a fez sentir-se como um delator. E no necessito sua 
ajuda.
Todos os trabalhos do autor, Yeats, William Butler, esto includos na 
biblioteca. Requer voc as localizaes e os ttulos? 
No, maldio. Sabia.
Yeats, Tenente? curioso, Summerset se moveu pelo quarto, seguido de 
perto pelo Galahad, que se aproximou do Eve, cruzando-se entre suas pernas, logo a 
abandonou para saltar ao assento junto  janela e olhar fixamente na noite como se esta 
o possusse.
E o que?
Ele s arqueou suas sobrancelhas. 
Havia algo em particular no que estava interessada, uma coleo, um poema 
em particular?
O que  voc, a polcia de biblioteca?
Esses livros so muito valiosos disse ele com tranqilidade. Muitos so 
primeiras edies e bastante estranhos. Voc encontrar todo o trabalho do Yeats na 
biblioteca de disco tambm. Esse mtodo, estou seguro, satisfaria-lhe mais.
No quero ler a maldita coisa. S quis ver se havia algo que ele no tinha, o 
qual  estpido porque tem cada maldita coisa, agora que demnios se supe que vou 
fazer?
A respeito do que?
Natal, imbecil enfurecida, voltou-se para o computador. Desconectar.
Summerset apertou seus lbios e seguiu a linha do pensamento. 
Voc desejava comprar um volume do Yeats para o Roarke como presente 
de Natal.
Essa era a idia, a qual acaba de ficar fora.
Tenente disse quando ela comeava a sair.
O que?
lhe incomodava quando ela fazia ou dizia algo que o emocionava. Mas no 
podia ser ajudado a respeito. E lhe devia por arriscar-se, e quase perder sua vida por 
salv-lo. Aquele simples feito, Summerset sabia, os fazia sentir-se incmodos. 
Possivelmente podia igualar a balana, um pouco.
Ele no possui, ainda, a primeira edio do Crepsculo Celta.
O insurgente resplendor se desvaneceu, embora seguia havendo uma certa 
suspicacia. 
O que  isso?
 uma coleo de prosa.
Deste tipo Yeats?
Sim.
Uma parte dela, uma parte pequena e desagradvel, queria encolher-se de 
ombros e afastar-se. Mas colocou suas mos nos bolsos e se deteve. 
A busca disse que ele tinha tudo.
Ele possui o livro, mas no uma primeira edio. Yeats  em particular 
importante para o Roarke. Imagino que voc sabe isso. Tenho uma conexo com um 
distribuidor de livros estranhos no Dubln. Poderia contat-lo e ver se se pode adquirir.
Comprar disse Eve firmemente. No roubar logo que sorriu quando 
Summerset aties sua coluna. Sei algo sobre suas conexes. Faremo-lo legalmente.
Nunca o pensei de outro modo. Mas no sair barato foi seu turno de 
sorrir, apenas. E, sem dvida, haver uma sobrecarga para assegurar sua compra a 
tempo para os Natais, j que esperou at ltima hora.
Ela no se estremeceu, mas quis faz-lo. 
Se sua conexo pode encontr-lo, quero-o logo, porque no podia 
imaginar um modo de evit-lo, encolheu-se de ombros. Obrigado.
Ele afirmou rigidamente com a cabea, e esperou at que ela saiu do quarto 
para sorrir abertamente.
Isto, pensou Eve, era o que estar apaixonada-lhe fazia. Ter que cooperar com a 
molstia maior de sua vida. E, pensou cidamente quando tomou o elevador ao 
dormitrio, se o fraco filho de cadela realmente o levava a cabo, o deveria.
Isso era mortificante.
Logo as portas de elevador se abriram, e a estava Roarke com meia sorriso em 
sua cara de anjo cansado, seus olhos incrivelmente azuis brilhando com prazer.
O que era uma pequena mortificao?
No sabia que j estava em casa.
Sim, estava... fazendo outra coisa inclinou sua cabea. Conhecia esse 
olhar. por que parece to satisfeito?
Ele tomou sua mo, fez-a entrar no quarto. 
O que pensa? perguntou e fez um gesto.
Centrado na janela no profundo nicho da janela no lado oposto da plataforma 
levantada que sustentava a cama havia uma rvore. Seus ramos se desdobravam em 
leque dentro do quarto e se elevavam at que a ponta quase atravessava o cu raso como 
uma lana. 
Ela piscou. 
 grande.
Obviamente no viu o que est na rea de estar. Tem duas vezes este alto.
Cautelosa, aproximou-se. Tinha que ter uns trs metros. Se caa enquanto 
dormiam, refletiu, cairia como uma pedra sobre a cama e os cravaria como formigas. 
Espero que seja seguro. Cheirou. Cheira como um bosque aqui dentro. 
Suponho que vamos pendurar os adornos.
Esse  o plano deslizou os braos ao redor de sua cintura, e a apertou 
contra ele. Me ocuparei das luzes mais tarde.
Voc o far?
 um trabalho para homens lhe disse e mordiscou seu pescoo.
Quem o diz?
Mulheres que atravs dos tempos foram o bastante sensveis para no querer 
ocupar-se disso. Est fora de servio, Tenente?
Pensei em procurar um pouco de comida, logo fazer algumas buscas de 
probabilidades a boca dele foi para seu lbulo. Pensou que ele podia fazer as coisas 
mais interessantes a um lbulo. E quero ver se Olhe enviou seu perfil.
Seus olhos estavam j mdio fechados enquanto inclinava sua cabea para lhe 
dar um acesso mais completo ao flanco de seu pescoo. Quando as mos dele se 
deslizaram para a taa de seus peitos, sua mente estava maravilhosamente brumosa.
Logo tenho um relatrio que escrever e arquivar os polegares do Roarke 
vibraram sobre seus mamilos e enviaram um raio de calor rectamente para seu ventre.
Mas provavelmente tenho uma hora de sobra murmurou ela, e girando-se, 
colocou suas mos em seu cabelo e atirou sua boca para a sua.
Um som de prazer brotou da garganta dele e suas mos se deslizaram para 
baixo pelas costas dela.
Vem comigo.
Onde?
Ele mordeu seu lbio inferior. 
Em qualquer lugar que eu te leve.
Rodeando-a, ele a dirigiu novamente para do elevador. 
Sala hologrfica ordenou, logo a apoiou na esquina e cortou sua pergunta 
com um beijo comprido, que deixou sua mente intumescida.
Algo mau com o dormitrio? perguntou quando pde respirar outra vez.
Tenho algo mais em mente mantendo seus olhos nos seus, ele a tirou. 
Ativar programa.
O quarto grande, vazio, com suas paredes refletidas, negras e rgidas, brilhou; 
logo trocou. Ela cheirou a primeira fumaa, fragrante, ligeiramente afrutado, logo a 
flores pecaminosamente fragrantes. As luzes se atenuaram e titilaram. As imagens se 
formaram.
Um fogo chispava em uma grande chamin de pedra. Uma janela larga como 
um lago com uma vista de montanhas azul ao e neve profunda, ligeira que brilhava 
glacialmente  luz da lua. Urnas de cobre martelado cheias do Ramos de flores em tons 
brancos e ferrugentos. Velas, centenas de velas, brancas como a neve, acesas e piscando 
em candelabros de cobre polidos.
Sob seus ps o estou acostumado a refletido se converteu em madeira, escura, 
quase negra, com um suave brilho.
O que dominava o quarto era uma cama enorme com cabeceira e pilares 
formados de curvas e laos complicados de metal magro, brilhante. Estendido sobre ela 
havia um cobertor dourado, suave, que parecia o suficientemente grosso para afogar-se 
nele, e dzias de travesseiros em matizes de pedras preciosas.
Pulverizados em cima, havia ptalas brancas.
V! ela olhou para a janela outra vez. A vista, aqueles picos muito altos, o 
branco sem fim, fez algo estranho a sua garganta. O que ?
Uma simulao dos Alpes suos um de seus maiores prazeres era ver sua 
reao a algo novo. A cautela inicial da polcia, o lento florescimento do prazer que 
nascia na mulher. Nunca pude te levar ali, em realidade. Um chal hologrfico  a 
seguinte melhor costure.
Girando, recolheu uma bata que estava em cima de uma cadeira. 
por que no te pe isto?
Ela tomou, franziu o cenho. 
O que ?
Uma bata.
Lhe lanou um suave olhar. 
Sei isso. Quis dizer do que parece?  visom?
Marta cibelina ele avanou. por que no te ajudo?
Est de humor, verdade? murmurou quando ele comeou a lhe desabotoar 
a blusa.
As mos de lhe roaram os ombros nus quando deixou a um lado a blusa dela. 
Parece que sim. De humor para seduzir a minha esposa. Lentamente.
A necessidade j estava acesa, estendida. 
No necessito seduo, Roarke.
Ele ps seus lbios em seu ombro. 
Sei. Sente-se ele a ajudou, assim poderia lhe tirar suas botas. Logo, pondo 
suas mos nos braos da cadeira, inclinou-se e tomou sua boca outra vez.
S boca a boca, quente e suave, um deslizamento habilmente sensvel de lbios 
e lngua, uma suave raspagem habilmente de dentes. Seus msculos tremeram, logo se 
afrouxaram. O sentir sua rendio era sua prpria seduo.
Levantando-a, desabotoou-lhe a cala. 
Nunca deixo de te desejar seus dedos roaram seus quadris; a cala caiu a 
seus ps. Meu amor por ti nunca alcana seu ponto mximo. Sempre h mais.
Comovida, apoiou-se contra ele, com a cara sepultada em seu cabelo. 
Nada  o mesmo para mim desde ti.
Abraou-a um momento, pelo simples prazer disso. Logo, agachando-se, 
levantou a bata e cobriu a pele suave sobre seus ombros. 
Para ambos.
Tomou e a levou a cama.
E ela estendeu seus braos para ele.
Sabia como seria. lhe esmaguem, inquietante. Glorioso. Ansiava cada pequena 
sensao que ele podia lhe brindar, ansiava senti-lo contra ela da mesma maneira que 
ansiava o ar ou a gua. 
Sem pensar nisso, e incapaz de sobreviver sem isso.
No havia nada que no pudesse dar, ou tomar, quando seus corpos se uniram. 
Afundada profundamente no colcho de plumas encontrou sua boca com impacincia, 
deleitando-se no lento ardor de seu sangue. Suspirando, atirou de sua camisa, lhe 
ajudando a apart-la para assim poder estar pele com pele.
A larga e deliciosa penetrao. Um lento impulso, um gemido baixo. A seda 
das ptalas, o cetim do cobertor, o ondulao de msculos sob suas mos... tudo 
enredado em uma mescla extica de texturas.
O rpido batimento do corao do corao. Um tremor delicioso, um suspiro 
suave. A piscada da luz da vela, o rocio da lua, a luz trmula do fogo que trocava a um 
resplendor suntuoso.
Saboreou e foi saboreada. Acariciou e foi acariciada. Estimulou e foi 
estimulada. E tremendo subiu a larga curva de um topo to suave como a prata polida.
Ele sentiu sua excitao, seu estremecimento, logo seu lento deslizamento para 
baixo outra vez. Seus membros se enredaram quando rodaram pela cama, tocando-se 
outra vez, ajustando seus corpos. Ele podia ver as luzes oscilando sobre sua cara, seu 
cabelo, em seus olhos, como de um rico conhaque. Olhos que ele podia ver tornar-se 
frgeis quando investiu, centmetro a centmetro, para esse topo outra vez.
Suas mos, fortes, capazes, e maravilhosamente familiares, moveram-se sobre 
ele, um aperto, uma carcia. Quedos sons de prazer brotaram da garganta dela, 
suspiraram dentro da boca do Roarke, sussurraram sobre sua pele.
A respirao dele comeou a acelerar-se, e a necessidade se converteu em um 
trovo em seu sangue. O ardor se tornou em fogo e o fogo em um brilho perigoso.
Logo ela se elevou sobre ele, seu corpo magro e prateado na mudana de luz e 
sombra. O gemido do Eve foi comprido, um som rouco de luxria quando baixou, 
encerrou-o, recolheu-o dentro. Quando os dedos se afundaram em seus quadris, ela se 
arqueou para trs em uma curva reluzente, balanando-se, balanando-se, com seus 
olhos marrn-dourados entrecerrados, sua respirao saindo agitada por seus lbios 
entreabiertos.
Ela se apertou ao redor dele quando o orgasmo a transpassou, logo se enroscou 
ao redor dele quando ele se elevou, quando sua boca agarrou avidamente seu peito.
Perdido agora, capturado, ele a empurrou para trs, at que ambos, a mente e o 
corpo do Eve, giraram. E ele a conduziu, um impulso selvagem atrs de outro, com uma 
repentina cobia martilleante que rasgou o ltimo controle dela. Os dedos do Eve se 
apertaram ao redor dos tubos magros e curvos da cabeceira, agarrando-os com fora 
como se se ancorasse, um grito do prazer se estrangulou em sua garganta quando lhe 
empurrou os joelhos para trs para ir mais profundo.
Quando seu corpo fez erupo baixo ele, a boca do Roarke se abateu sobre a 
sua. E ele se deixou ir.
Ela estava coberta com ptalas e nada mais. Aqueles msculos magros, 
disciplinados estavam to lassos como cera derretida fragantemente sob as velas 
brancas.
Quando a respirao dela se normalizou, Roarke mordiscou seu ombro, logo se 
levantou para procurar sua bata e a cobriu com ela.
Sua resposta foi um grunhido.
Divertido e agradado por que isso fosse o melhor que ela pudesse fazer, ele se 
transladou  esquina longnqua do quarto e ordenou que a tina de hidromasaje se 
enchesse a trinta e oito graus. Fez estalar a cortia em uma garrafa de champanha, 
meteu-a em um cubo com gelo, logo levantou seu dbil algema da cama.
No estava dormida disse rapidamente e pelo tom mau pronunciado com 
que o disse, isso era realmente o que tinha estado fazendo.
Culpar-me pela manh se te deixo dormir e no faz sua busca de 
probabilidades. Com isto, meteu-a na quente, e borbulhante gua.
Ela uivou uma vez, logo gemeu com total, e sensual prazer. 
OH Deus. Quero viver aqui, aqui mesmo nesta tina, durante 
aproximadamente uma semana.
Faz os acertos para te afastar algum tempo e iremos aos verdadeiros Alpes e 
pode te colocar em uma tina at que te converta em uma grande e enrugada passa.
Era exatamente o que queria... levar-lhe para que se aliviasse e recuperasse 
completamente. E se imaginou que tinha tanta possibilidade de faz-lo como de 
convencer a de beijar ao Summerset na boca.
A imagem disso o fez sorrir.
Uma piada? perguntou perezosamente.
OH, seria um encantador lhe deu uma taa e, tomando a sua, uniu-se a ela.
Tenho que voltar para trabalho.
Sei ele soltou um comprido suspiro. Dez minutos.
A combinao de gua quente e champanha gelado se sentia muito boa para 
negar-se. 
Sabe, antes de te conhecer, meus descansos estavam acostumados a consistir 
em uma taa de caf mau Y... uma taa de caf mau decidiu ela.
Sei, e ainda o so muito freqentemente. Este disse ele e se afundou um 
pouco mais profundo  um modo muito melhor de recarregar-se.
Difcil de discutir. Ela levantou sua perna, examinou seus dedos do p por 
nenhuma razo em particular. No acredito que v me dar muito tempo, Roarke. Ele 
trabalha com uma data limite.
Quanto tem?
No suficiente. No o suficiente.
Obter mais. Nunca conheci um policial melhor. E tive mais que o que me 
corresponde.
Ela franziu o cenho ante sua taa. 
No est furioso, ainda. No  por af de lucro. No , por isso posso 
perceber, por vingana. Seria mais fcil de rastrear se tivesse um motivo.
Amor. Amor verdadeiro.
Ela amaldioou brandamente. 
Meu amor verdadeiro. Mas no pode ter doze amores verdadeiros.
 racional. Crie que um homem no pode amar a mais de uma mulher com 
igual grau de ardor. Mas ele pode.
Certamente se seu corao est em seu pnis.
Com um sorriso, Roarke abriu um olho. 
Querida Eve, freqentemente  impossvel separar os dois. Para alguns 
acrescentou, desconfiando do rpido brilho em seu olhar a atrao fsica, pelo 
general, precede s mais elevadas emoes. O que no pode deixar de considerar  que 
ele poderia muito bem acreditar que cada uma delas  o amor de sua vida. E se elas no 
estiveram de acordo, do nico modo que ele pde as convencer  tomando suas vidas.
Considerei-o. Mas no  suficiente para me fazer um quadro completo. Ele 
ama o que no pode ter, e o que no pode ter o destri sacudiu seu ombro. Odeio 
todo esse maldito simbolismo. Desordena as coisas.
Tem que lhe dar pontos por sua teatral exibio.
Sim, e conto com isso para que faa um pouco equivocado. Quando o fizer, 
colocarei ao velho e alegre So Nicols em uma jaula. J  a hora anunciou, e se 
levantou da gua.
Acabava de agarrar uma toalha de uma prateleira morna quando ouviu o bip 
surdo em seu comunicador. 
Mierda gotejando, lanou-se atravs do quarto para agarrar rapidamente 
sua cala e tir-lo do bolso.
Bloquear vdeo resmungou. Dallas.
Despacho, Dallas. Tenente Eve.  OEL em 432 Houston. Apartamento 6E. 
Reprtese  cena imediatamente como investigadora principal. 
Despacho se passou uma mo por seu cabelo mido. Recebido. Fique 
em contato com o Peabody, oficial Delia como ajudante.
Afirmativo. Despacho fora.
OEL? Roarke tomou a bata para cobri-la com ela outra vez.
Occiso no lugar apartou a toalha, agachou-se, e agarrou a cala. Diabos, 
maldita seja,  o apartamento do Donnie Ray. Acabo de entrevist-lo hoje.
* * * * *
Donnie Ray tinha amado a sua me. Foi a primeira coisa que Eve pensou 
quando o viu.
Estava na cama, talher com uma grinalda verde que cintilava com fascas 
douradas. Seu cabelo gordurento tinha sido penteado com cuidado para que flura contra 
o travesseiro. Seus olhos estavam fechados de modo que as pestanas, alargadas e tintas 
de um dourado profundo, antiquado, roavam suas bochechas. Seus lbios combinavam 
com o tom perfeitamente. ao redor de sua boneca direita, sobre a pele nua e rasgada, 
havia um bracelete grosa de ouro martelado com trs bonitas aves gravadas.
Trs aves que chamam disse Peabody detrs dela. Mierda, Dallas.
Ele trocou os sexos, mas conserva o patro a voz do Eve era plaina 
quando se apartou de modo que o corpo ficasse completamente  vista para o registro. 
Tem uma tatuagem, e provveis signos de abuso sexual. A soga marcou as mos e os 
ps, como nas vtimas anteriores. Necessitamos os discos de segurana do vestbulo e 
do exterior do edifcio.
Era um tipo agradvel murmurou Peabody.
Agora  um tipo morto. vamos trabalhar.
Peabody ficou rgida, movendo ligeiramente os ombros, que ficaram direitos 
como uma regra.
Sim, senhor.
Encontraram a tatuagem em sua ndega esquerda. Se isso e os claros signos de 
sodomia a afetaram, Eve no o demonstrou. Fez o preliminar, assegurou a cena, 
ordenou o interrogatrio inicial porta a porta, e fez embolsar o corpo para o transporte.
Comprovaremos seu comunicador disse ao Peabody. Consegue sua 
agenda, qualquer dado que possa encontrar do Personally Yours. Quero a  equipe de 
cena do crime aqui dentro esta noite.
Avanou pelo curto corredor ao quarto de banho, empurrou a porta aberta. As 
paredes, o cho, e os acessrios brilhavam como o sol. 
Podemos assumir que nosso homem limpou isto. Donnie Ray no se 
preocupou muito pela limpeza estando a um passo da santidade.  
Ele no merecia morrer deste modo.
Ningum merece morrer deste modo Eve retrocedeu, e girou. Voc 
gostava dele. A mim tambm. Agora te controle, porque isso agora no faz uma maldita 
coisa por ele. foi-se, e temos que usar o que encontrarmos aqui para nos ajudar a chegar 
ao nmero quatro antes de que percamos a outro.
Sei isso. Mas no posso menos que lament-lo. Jesus, Dallas, estvamos aqui 
dentro brincando com ele faz umas horas. No posso menos que lament-lo repetiu 
em um sussurro furioso. No me pareo com ti.
Pensa que lhe importaria uma maldita coisa o que o esteja sentindo? Ele quer 
justia, no pena, nem sequer compaixo retrocedeu para a rea de estar, separando-
se de uma patada copos e sapatos dispersos para descarregar um pouco de sua 
frustrao.
Pensa que lhe preocuparia que esteja furiosa? girou, com olhos que 
ardiam. Estar furiosa no faz nada por ele, e nubla meu julgamento. O que me 
passou? Que demnios falhou? Ele deixa todo isso aqui, diante de minha cara. O filho 
de puta.
Peabody no disse nada durante um momento. No era, pensou, a primeira vez 
que tinha confundido o frio profissionalismo do Eve com uma carncia de corao. 
depois de todos os meses que tinham trabalhado juntas, compreendeu que deveria 
conhec-la melhor. Suspirou profundamente.
Talvez ele nos d muito, e isso dispersa nosso foco.
Os olhos do Eve se entrecerraron, e os punhos que tinha apertado em seus 
bolsos se relaxaram. 
Isso  bom. Isso  muito bom. Muitos ngulos, muitos dados. Temos que 
escolher um canal e fazer uma aproximao. Comea aqui a busca, Peabody ordenou 
quando tirou seu comunicador. vai ser uma larga noite.
* * * * *
Chegou a casa s quatro da manh em busca do melhor, no da cafena 
artificial do caf da Central. Seus olhos se sentiam pegajosos, seu estmago vazio, mas 
pensou que sua mente estava ainda bastante aguda para fazer o trabalho.
De todos os modos, sobressaltou-se e se levou uma mo a sua arma quando 
Roarke entrou em seu escritrio uns passos detrs dela.
Que demnios faz levantado? perguntou.
Eu poderia te perguntar o mesmo, Tenente.
Estou trabalhando.
Ele levantou uma sobrancelha e tomou seu queixo com sua mo para estudar 
sua cara. 
Trabalhando muito corrigiu ele.
Fiquei sem caf verdadeiro em meu AutoChef, tive que beber essas guas 
residuais que preparam na Central. Um par de goles de bom material e estarei bem.
Dormindo um par de horas, estar melhor.
Embora isso a tentasse, no deu seu brao a torcer. 
Tenho uma reunio s oito. Tenho que me preparar.
Eve lhe lanou um olhar de advertncia quando resistiu, logo com calma 
ps suas mos em seus ombros. No vou interferir com seu trabalho. Mas te 
recordarei que no o far bem se est ficando dormida de p.
Posso tomar um estimulante.
Voc? E ele sorriu quando o disse, fazendo que os lbios dela se 
crispassem.
Deverei tomar drogas aprovadas pelo departamento antes de que isto 
termine. Ele no me d tempo, Roarke.
me deixe te ajudar.
No posso te utilizar cada vez que fica difcil.
por que? Suas mos comearam a esfregar a tenso de seus ombros. 
Porque no estou na lista aprovada pelo departamento?
Essa seria uma razo a massagem nos ombros a relaxava muito. Sentia 
que sua mente ia  deriva, e no era capaz de concentrar-se com claridade outra vez. 
Tomarei uma sesta de duas horas. Duas horas para me preparar deveriam ser suficientes. 
Mas me atirarei aqui.
Boa idia foi bastante simples dirigi-la para a cadeira de sonho. Seus ossos 
pareciam borracha. Ele se deslizou a seu lado, e pediu que a cadeira se reclinasse 
completamente.
Deveria te deitar murmurou ela, mas girou seu corpo para o seu.
Prefiro dormir com minha esposa quando a oportunidade se apresenta.
Duas horas... Acredito que tenho um ngulo.
Duas horas acordou ele, e fechou os olhos quando a sentiu relaxar-se.
 
Capitulo 8
H algo que devo te dizer Roarke esperou at que Eve tragou a ltima 
omelete de ovos, e lhe sorriu enquanto tomava seu caf sobre os produtos de beleza 
Natural Perfection.
Ela s o contemplou enquanto tragava. 
Poses a companhia.
 uma linha de uma companhia que  parte de uma organizao que  um 
ramo de Indstrias Roarke sorriu outra vez enquanto bebia a sorvos seu caf. De 
modo o que, em poucas palavras, sim.
J sabia se encolheu de ombros, sentindo um pouco de satisfao ao ver 
suas sobrancelhas levantadas descuidadamente. Realmente pensei que possivelmente 
poderia ter um caso sem que esteja conectado.
Realmente tem que terminar com isso, querida. E j que efetivamente a 
possuo seguiu quando lhe ensinou os dentes deveria ser capaz de te ajudar a 
rastrear os produtos usados nas vtimas.
S tropeamos ali se separou da pequena mesa e caminhou para seu 
escritrio. Lgicamente, os produtos foram comprados no lugar onde as vtimas 
foram escolhidas. Continuando essa hiptese, posso rebaixar gradualmente as opes a 
uma curta lista. Esses realces so obscenamente caros.
Obtm pelo que pagamentos disse Roarke simplesmente.
Um lpis labial a duzentos crditos pelo amor de Deus lhe lanou um 
olhar com os olhos entrecerrados. Deveria estar envergonhado.
No ponho o preo agora lhe sorriu abertamente. S dirijo os 
benefcios.
Um par de horas de sonho e uma comida quente a tinham recarregado, notou 
ele. No estava plida agora, ou completamente sonolenta. levantou-se, avanando para 
roar com seus polegares as sombras dbeis sob seus olhos. 
Queria te sentar em um reunio com a junta diretiva para um ajuste de 
preos?
OH, OH quando ele ps os lbios sobre os seus, lutou por manter sua 
prudncia. Parte, tenho que me concentrar.
Em um minuto ele a beijou outra vez, fazendo-a suspirar. por que no 
me conta? Ajudar-te pensar em voz alta.
Ela suspirou outra vez, apoiou-se durante um momento, e logo se tornou para 
trs. 
H uma aberrao nisto porque est utilizando algo que simboliza a 
esperana e a inocncia. O moo de ontem  noite... maldio, era inofensivo.
Outros eram mulheres. O que te diz isso?
Que  bissexual. Que sua idia do amor verdadeiro cruza os gneros. A 
vtima masculina foi violada, igual s mulheres: atou-o, marcou e pintou como a elas 
depois de que teve terminado.
Ela se afastou recolhendo distradamente seu caf para beber. 
Encontra-os no Personally Yours, obviamente explorando seus vdeos e 
dados pessoais. Poderia haver-se chamado com as mulheres, mas no com o Donnie 
Ray. Donnie era heterossexual. A mudana me faz pensar que no conheceu a nenhuma 
das vtimas cara a cara, ao menos no em um sentido romntico.  todo fantasia.
Escolhe a pessoas que vivem sozinhas.
 um covarde. No deseja uma verdadeira confrontao. Narcotiza-os, 
imobiliza-os.  a nica maneira em que pode estar seguro de que ter o poder, o 
controle.
Seus pensamentos voltaram atrs e novamente ao Rudy. Deixando o caf outra 
vez, passou-se uma mo pelo cabelo. 
 inteligente, e obsessivo. At  previsvel em vrios nveis. Assim  como o 
agarrarei.
Disse que tinha um ngulo.
Sim, um par deles. Para indag-los necessito a autorizao do chefe. Tenho 
que esquivar ao Nadine um momento. No posso lhe dar o do traje da Santa. Teramos 
s pessoas surrando a cada Santa que houvesse em cada loja e esquinas da cidade.  
Tenho uma imagem, murmurou Roarke. Santa Assassino Srie 
Estrangula Solteiros... Detalhe ao meio dia. Nadine adoraria esse avano.
No o ter. No at que no tenha outra opo. Entretenho-me conduzindo-a 
para a conexo com o Personally Yours. Manter-a longe e conseguir que fale qualquer 
pessoa que tenha usado o servio. E Rudy e Piper gritaro que  perseguio seu 
sorriso se alargou, lenta e malvadamente. O valeria. Par de pomposos droides... 
preciso sacudi-los.
Voc no gosta.
Do-me calafrios. Sei que se follan o um ao outro. Morboso.
No o passa?
So irmo e irm. Gmeos.
OH, j vejo por mundano que fora, Roarke se encontrou refletindo a 
reao de sua Isso esposa  muito... pouco sedutor.
Sim o pensar nisso lhe arruinou o apetite e teve que apartar o prato de 
excepcionais croissant a um lado. Ele dirige o espetculo, e a ela. Agora mesmo, est 
no mais alto de minha lista. Tem acesso a cada arquivo dos clientes e, se posso 
confirmar o incesto, acrescentamos uma tendncia para o comportamento sexual 
anormal. Necessito a algum dentro suspirou profundamente quando ouviu as pisadas 
pelo vestbulo. E ali est ela agora.
Tanto Eve como Roarke giraram quando Peabody entrou. Ela olhou de um ao 
outro, rodou os ombros como se se sacudisse algo vagamente incmodo.
Algo mau?
No, entra Eve sacudiu um polegar para uma cadeira. Comecemos.
Caf? ofereceu Roarke. Ele j tinha entendido o que Eve tinha em memore 
para seu ajudante.
Sim, obrigado. McNab no est aqui ainda?
No. Informarei-te primeiro Eve lanou ao Roarke um olhar, esperando.
Justo me ia tirar de no meio aconteceu com Peabody uma taa, girou e 
beijou a sua esposa apesar de -ou possivelmente devido a- o fato que lhe franzisse o 
cenho, logo caminhou para o escritrio contiga e fechou a porta.
Sempre se v assim pela manh? quis saber Peabody.
Sempre se v assim, ponto.
Peabody suspirou profundamente. 
Est segura de que  humano?
No sempre Eve apoiou um quadril na esquina de seu escritrio e estudou 
ao Peabody com cuidado. De maneira que... quer conhecer alguns tipos?
N?
Quer alargar seu crculo social, e conhecer alguns homens que compartilhem 
interesses similares?
Segura que Eve brincava, Peabody sorriu abertamente. 
No  por isso o que me fiz polcia?
Os policiais so muito maus companheiros de vida. O que necessita, 
Peabody,  um servio como Personally Yours.
Bebendo a sorvos o caf, Peabody sacudiu sua cabea. 
Nop. Estive em uma agncia de contatos uns anos atrs, imediatamente 
depois de que me troquei de cidade. Muito controlado. Eu gosto de me levantar 
estranhos em bares quando Eve s seguiu contemplando-a, Peabody devagar baixou 
sua taa. OH disse quando a compreenso a golpeou. OH.
Teria que fal-lo com o Whitney. No posso pr a um uniformizado 
encoberto sem a autorizao do comandante. E antes de que esteja de acordo, quero que 
de verdade saiba no que te est colocando.
Encoberto apesar de que tinha sido polcia o tempo suficiente para sab-lo 
bem, a frase evocou imagens de excitao e encanto.
Saca as estrelas de seus olhos, Peabody. Cristo Eve se endireitou, passou-
se ambas as mos pelo cabelo. Falo de pr seu culo na linha de fogo, te usando como 
ceva, e sorri como sim acabasse de te dar um presente.
Crie que sou o suficiente boa para faz-lo. Confia em mim para dirigi-lo.  
um presente bastante bom.
Acredito que  suficientemente boa disse Eve, deixando cair seus 
braos, acredito que pode dirigi-lo porque sabe como seguir as ordens exatamente. E 
isso  o que espero. Seguimento das ordens ao p da letra. Nenhuma fanfarronice. Se o 
arrumar, e posso conseguir estirar o oramento de mierda o bastante para os honorrios 
do consultor desse lugar, entrar.
E Rudy e Piper? No esto na lista de suspeitos, e me viram.
Eles viram um uniforme. A gente assim no disposta ateno a quem o tem 
posto. Conseguiremos ao Mavis e Gorjeia para te polir.
Grandioso.
te controle, Peabody. Trabalharemos em uma coberta, uma identidade. 
repassei os vdeos das vtimas e dados pessoais. Selecionaremos as similitudes e 
trabalharemos em seu perfil. A idia  te adaptar.
Isso  uma estupidez.
McNab estava de p na entrada. Sua cara to furiosa que seus olhos brilhavam, 
sua boca apertada firmemente, e suas mos empunhadas aos lados. 
 uma maldita estupidez.
Detetive disse Eve brandamente. Sua opinio  apontada.
vais esporear a como a uma lombriga em um anzol e deix-la cair na poa? 
Maldio, Dallas. Ela no est treinada para trabalho encoberto.
te ocupe de seus prprios assuntos disse Peabody enquanto se levantava
.  Sei me dirigir.
No sabe nada sobre o trabalho encoberto McNab entrou em pernadas, 
girando sobre seus tales de modo que ficaram nariz com nariz.  uma maldita 
ajudante, um interruptor, o mais prximo a um droide.
Eve viu o concentrado brilho nos olhos do Peabody e conseguiu meter-se entre 
eles antes de que o punho de seu ajudante conectasse com o nariz do McNab. 
Suficiente. Sua opinio  apontada, McNab; agora te cale.
O filho de cadela no vai ficar de p ali, me chamar um droide e ficar assim.
traga-lhe isso Peabody advertiu Eve, e sente-se. Ambos sentem-se de 
uma jodida vez e tratem de recordar quem est a cargo, antes de que coloque aos duas 
uma queixa. Quo ltimo necessito neste caso  um par de exaltados. Se no poderem 
controlar-se, esto fora.
No necessitamos um Detetive de Bancos de dados resmungou Peabody.
Necessitamos o que eu diga que necessitamos. E necessitamos informao 
de dentro e isca de peixe. Isca de peixe acrescentou, movendo seus olhos para olh-
los cara a cara de ambos os sexos. Est preparado, McNab?
Espera um minuto. Espera Peabody se levantou de sua cadeira outra vez, 
to agitada como Eve jamais a tinha visto. Quer que v, tambm? Comigo?
Sim, estou preparado McNab sorriu framente ao Peabody enquanto dava 
seu acordo. Seria o modo perfeito de vigi-la... e mant-la fora de problemas.
* * * * *
Isto ser magnfico! Mavis Freestone bailote ao redor do escritrio do 
Eve com suas botas at a coxa. O material era suave e cmodo, moldando suas pernas e 
as luzindo enquanto se equilibrava em seus saltos vermelho brilhante de trs polegadas. 
Os saltos combinavam com o apertado vestido que logo que chegava  parte alta das 
botas.
Seu cabelo era do tom exato do Natal, um vermelho brilhante, e caa em cachos 
parecidos com uma medusa em seus ombros. Tinha uma minscula tatuagem em forma 
de corao acima de sua sobrancelha esquerda.
Est na lista de nomes de pagamento departamental Eve sabia que o aviso 
de que isto era um assunto oficial era intil. Mas se sentiu obrigada a exterioriz-lo 
quando Mavis sorriu ao Peabody com seus olhos verdes pasto recm entoados.
Mierda desses pagamentos foi Gorjeia. A esteticista rodeou ao Peabody 
como um escultor faria com um pedao defeituoso de mrmore... com interesse, 
precauo, e dbil menosprezo.
Gorjeia levava postos hoje anis de sobrancelha, um fato que fez ao Eve 
estremecer-se quando olhou os aros de ouro diminutos fixados  linha externa. Seu 
cabelo, um profundo prpura, alisado em um cone alto de p. Sua eleio de roupa era 
um macaco negro algo conservador com o toque festivo, de Santas nus, danando sobre 
cada peito.
E este, pensou Eve quando se pressionou os olhos com os dedos, este era o par 
com que tinha convencido ao Whitney sobre o oramento na conta do caso.
Quero mant-lo singelo, disse-lhes. S quero que no parea um 
policial.
O que pensa, Gorjeia? Mavis se inclinou sobre o ombro do Peabody, 
atirando de seus prprios cachos, logo os ps sobre as bochechas do Peabody. Esta 
cor fica bem nela. Festivo, correto? Tempo de frias. E espera a ver o guarda-roupa que 
consegui que Leonardo nos emprestasse. Ela saltou para trs, sonriendo. H um 
skinsuit transparente que  realmente para ti, Peabody.
Skinsuit Peabody empalideceu, pensando em aumentos. Tenente.
Singelo, disse Eve outra vez, lista para abandonar a seu ajudante.
O que usa em sua pele? Perguntou Gorjeia, tomando firmemente o queixo 
do Peabody. Papel de lixa?
Um...
Tem poros como crateras lunares aqui, amiga. Necessita um tratamento 
facial completo. Comeo com um policial.
OH Deus. Assustada, Peabody tratou de liberar de uma sacudida seu 
queixo. Escuta..
Essas tetas so tuas ou realadas?
Minhas. Imediatamente, Peabody cruzou seus braos sobre seu peito e 
agarrou seus prprios peitos antes de que Gorjeia pudesse. So meus. Estou realmente 
feliz com eles.
So boas tetas. Bem, te dispa. vou jogar um olhar a elas, e ao resto de ti.
me despir? Peabody girou sua cabea at que seus olhos aterrorizados 
encontraram os do Eve. Dallas, Tenente. Senhor?
Disse que poderia dirigir o trabalho encoberto, Peabody. depois de um 
estremecimento pormenorizado, girou e comeou a sair. Tem duas horas com ela.
Necessito trs, disse Gorjeia. No apresso minha arte.
Tem dois. Eve fechou firmemente a porta fazendo ao Peabody 
sobressaltar-se e soltar um chiado.
Parecia o melhor para todos, pensou Eve, se permanecia o mais longe possvel 
do que acontecia com seu ajudante. Decidiu visitar um velho amigo.
Charles Monroe era um acompanhante autorizado, to elegante e atrativo como 
uma prostituta quando Eve o tinha encontrado, dentro ou fora do trabalho. Tinha-lhe 
ajudado uma vez com um caso... e logo lhe tinha devotado seus servios grtis.
Ela tinha tomado a ajuda, e cortesmente tinha rechaado a oferta.
Agora pressionou o timbre de seu elegante apartamento em um caro e central 
edifcio da cidade. Um edifcio que Roarke possua, pensou fazendo girar seus olhos.
Quando o raio de segurana ficou verde, levantou uma sobrancelha, apontando 
a vista na mira e sustentando sua insgnia se por acaso Charles a tivesse esquecido.
Quando abriu a porta, demonstrou que no teria que haver-se preocupado por 
sua memria.
Tenente Acar a agarrou despreparada com um forte abrao e um rpido 
beijo, algo muito ntimo.
te aparte amigo.
Alguma vez consegui beijar  noiva fez uma piscada, um homem bonito 
com olhos sonolentos e uma cara elegante. Como se sente o estar casada com o 
homem mais rico do universo?
Ele me mantm com caf.
Charles inclinou sua cabea, estudou-a. 
Est apaixonada por ele, profundamente. Bem,  bom para ti. Vejo-os os 
duas em tela de vez em quando. Em algum acontecimento ostentoso. Perguntei-me 
como estava. Agora o vejo, e tenho que assumir que no est aqui pela oferta que te fiz 
uns meses atrs.
Tenho que falar contigo.
Bem, entra ele retrocedeu. Tinha posto um traje negro de uma pea que 
luzia um corpo muito bem formado. Quer uma bebida? Duvido que minha mescla de 
caf se compare com a que Roarke pode te subministrar. Que tal um tubo do Pepsi?
Sim, bem.
Recordou sua cozinha. Ordenada, espartana, absolutamente limpa. Muito como 
seu arrendatrio. Tomou assento enquanto ele tomava dois tubos do gabinete frio e 
vertia cada um em um alto copo transparente. Dobrou os tubos, deslizou-os na ranhura 
de reciclagem, logo se sentou frente a ela.
Eu beberia pelos velhos tempos, Dallas, mas... eles emprestam.
Sim. Bem, tenho algo sobre os novos tempos para ti, Charles. Eles tambm 
emprestam. por que usa um bem-sucedido acompanhante profissional uma agncia de 
contatos? antes de que me responda seguiu, levantando seu copo, informarei-te que 
o uso de tais servios para solicitudes profissionais  ilegal.
Ele se ruborizou. Ela no o teria acreditado possvel, mas sua cara forte e 
formosa se ruborizou profundamente e deixou cair seu olhar em seu copo.
Jesus, sabe tudo?
Se soubesse tudo, saberia a resposta. por que no me d isso voc?
 privado protestou ele.
No estaria aqui se o fora. por que foste ao Personally Yours para conselho?
Porque quero uma mulher em minha vida explorou. Levantou sua cabea, 
e agora seus olhos estavam escuros e zangados. Uma verdadeira mulher, no uma que 
me compra, bem? Quero uma maldita relao, o que tem que mau com isso? Em minha 
linha de trabalho, isso no acontece. A gente faz o que lhe pagam por fazer, e um o faz 
bem. Eu gosto de meu trabalho, mas quero uma vida pessoal. No h nada ilegal em 
desejar uma vida pessoal.
No ela disse devagar, no o h.
Assim menti sobre o que fao no formulrio moveu seus ombros 
agitadamente. No quis que me emparelhassem com a classe de mulher que 
conseguiria alguma emoo lasciva citando-se com um acompanhante profissional. vais 
deter me por mentir em uns malditos contatos por vdeo?
No e lamentou, sinceramente, hav-lo envergonhado. Te 
emparelharam com uma mulher. Marianna Hawley. Recorda-a?
Marianna ele lutou por recuperar a calma, bebeu um comprido gole da 
bebida geada. Recordo seu vdeo. Uma mulher atrativa, doce. Pu-me em contato com 
ela, mas j tinha encontrado a algum agora sorriu, encolheu-se de ombros outra 
vez. Precisamente minha sorte. Era exatamente do tipo que procurava.
Alguma vez a conheceu?
No. Sa com as outras quatro de minha primeira lista de contatos. Tive xito 
com uma delas. Vimo-nos durante umas poucas semanas suspirou. Decidi se ia 
seguir adiante, tinha que lhe dizer o que realmente fazia. E terminou ele, brindando 
para o Eve com seu copo foi o fim.
Sinto muito.
Oua, h mais de onde ela veio mas seu arrogante sorriso no alcanou 
seus olhos. Que mal que Roarke te deixasse fora de carreira.
Charles, Marianna est morta.
O que?
No viu as notcias ultimamente?
No. No estive olhando a tela. Morta? Naquele momento seus olhos se 
entrecerraron, enfocando-se no Eve. Assassinada. No estaria aqui se tivesse morrido 
tranqilamente dormindo. Ela foi assassinada. Sou um suspeito?
Sim, -o disse, porque gostava do bastante para ser direta com ele. 
Quererei te fazer um interrogatrio formal, s para mant-lo todo oficial. Mas me diga 
agora, tem libi para a noite da tera-feira ltima, para na quarta-feira, e a noite 
passada?
Contemplou-a por muito tempo, s a olhou fixamente com os olhos nublados 
pelo horror.
Como faz o que faz? perguntou ele. Dia detrs dia?
Ela o olhou aos olhos com equanimidade. 
Eu poderia te perguntar a mesma coisa, Charles. Assim no entremos na 
eleio de carreira. Tem libi?
Ele apartou a olhasse, afastando-se da mesa. 
Procurarei minha agenda.
Deixou-lhe ir, sabendo em seu interior que podia confiar em este. No era um 
homem que tinha um assassinato dentro dele.
Voltou trazendo um pequeno e elegante livro de entrevistas. Abrindo-o, 
procurou as datas pelas que ela tinha perguntado. 
na tera-feira, tive uma de noite completa. Clienta regular. Pode ser 
verificado. Ontem  noite tive um teatro, jantar tardio, e seduo aqui. A clienta partiu 
s duas e trinta da manh. Obtive trinta minutos extras com ela. E uma generosa gorjeta. 
na quarta-feira estava em casa, sozinho.
Lhe deslizou o livro atravs da mesa. 
Toma os nomes, comprova-o.
Ela no disse nada, simplesmente copiou os nomes e direes em sua prpria 
agenda. 
Sarabeth Greenbalm, Donnie Ray Michael disse ela logo. O um ou o 
outro lhe soam?
No.
Ela o olhou ento, fixamente. 
Nunca te vi usar realces. por que comprou o tintura labial e a sombra para 
olhos da linha Natural Perfection no All Things Beautiful?
Tintura labial? Ele pareceu em branco durante um momento, logo sacudiu 
sua cabea. OH, recolhi-os para a mulher que via. Ela me pediu que lhe conseguisse 
um par de coisas j que eu ia ao salo de estilizao que vinha com meu pacote.
Obviamente confundido, ele sorriu um pouco. 
E por que, Tenente Acar, deveria preocupar-se se comprei o tintura labial?
S outro detalhe, Charles. Voc me fez um favor uma vez, assim que te fao 
um. Trs pessoas que usaram os servios do Personally Yours esto mortas, 
assassinadas da mesma maneira e pela mesma mo.
Trs? Deus.
Em menos de uma semana. No vou te dar muitos detalhes, e o que te d no 
pode transmitir-se a ningum.  minha opinio que ele usa os dados do Personally 
Yours para selecionar a suas vtimas.
Ele matou a trs mulheres em menos de uma semana.
No Eve suavizou seu olhar. A ltima vtima foi um homem. Vigia seus 
passos, Charles.
Quando ele entendeu, o fio de ressentimento se desvaneceu. 
Pensa que poderia ser um objetivo?
Acredito que qualquer no banco de dados do Personally Yours poderia ser 
um objetivo. Neste ponto me concentro na lista de contatos das vtimas. Digo-te que no 
deixe entrar em ningum em seu apartamento que no conhea. A ningum 
suspirou. Ele se disfara como Papai Noel e leva uma grande caixa envolta para 
presente.
O que? Ele baixou o copo que acabava de levantar.  uma brincadeira?
Trs pessoas esto mortas. No  muito gracioso. Ele obtm que o deixem 
entrar, droga-os, ata-os, e os mata.
Jesus. Ele se passou as mos sobre a cara.  estranho.
Se este tipo vier a sua porta, manten a salvo e me chame. Detenlo sim pode, 
se no, deixe ir. Sob nenhuma circunstncia, abra sua porta. Ele  preparado, e  letal.
No abrirei a porta. A mulher que via, a da agncia, tenho que lhe dizer.
Tenho sua lista contatos. Eu o direi. Preciso manter isto fora dos meios 
enquanto possa.
A imprensa no obter a histria deste solitrio acompanhante profissional, 
muito obrigado fez uma careta. Pode se localiz-la em seguida, a D-la McMullen? 
Ela vive sozinha, e ... ingnua. Se Santa lhe golpeasse, abriria a porta e lhe ofereceria 
leite e bolachas.
Sonha como uma mulher agradvel.
Sim agora seus olhos eram tristes. O .
irei ver a Eve se levantou. Talvez deveria cham-la outra vez.
No serviria de nada se levantou e fabricou um sorriso. Mas te assegure 
de me avisar se decide plantar ao Roarke, Tenente Acar. Minha oferta  por tempo 
indefinido.
* * * * *
O corao, pensou Eve enquanto conduzia, era um msculo estranho e 
freqentemente esgotado portanto trabalho. Era difcil relacionar a um sofisticado e 
afvel acompanhante autorizado, com a mulher serena, intelectual, que acabava de 
deixar. Mas, a menos que seus instintos fossem desencaminhados, D-la McMullen e 
Charles Monroe estavam meio apaixonados.
S que no sabiam o que fazer com isso.
Nesse ponto, tinham sua completa compaixo. A metade do tempo, no sabia o 
que fazer com os sentimentos impossveis que tinha para seu prprio marido.
Fez trs paradas mais caminho a seu escritrio, entrevistando a pessoas nas 
listas de contatos, lhes dando uma advertncia e instrues bsicas e especficas que 
tinha escrito e tinha aprovado o comandante.
Se Donnie Ray tivesse sido advertido, pensou, ainda poderia estar vivo.
Quem era o seguinte na linha? Algum com quem tinha falado, ou algum que 
lhe tinha faltado? Por causa disto, acelerou e atravessou soprando os portes da casa. 
Queria que Peabody e McNab se inscrevessem no Personally Yours e pusessem seus 
perfis dentro antes do trmino da jornada trabalhista.
Viu o veculo do Feeney estacionado diante da casa. V-lo-a encheu de 
esperana de que sua campanha para acrescent-lo  equipe investigadora tivesse sido 
bem-sucedida. Com o Feeney e McNab fazendo o trabalho eletrnico, estaria livre para 
percorrer as ruas.
dirigiu-se diretamente para seu escritrio, estremecendo-se quando ouviu a 
rajada de msica, se podia chamar-se o msica, esgotando o ar dos vestbulos.
Mavis tinha um de seu vdeo clipes em tela. Cantava consigo mesma, gritando 
um poema lrico que parecia ter algo que ver com o arrancamiento de sua alma pelo 
amor. Feeney estava sentado atrs do escritrio do Eve, com aspecto estupefato e 
ligeiramente desesperado. Roarke estava de p detrs de uma cadeira, com aspecto 
completamente cmodo e cortesmente atento.
Sabendo que suas possibilidades de ser ouvida por sobre o alvoroo era nula, 
esperou at que as ltimas notas soaram e Mavis, ruborizada pelo esforo e o prazer, riu 
bobamente e fez uma reverncia.
Quis que visse o projeto de gravao em seguida, disse ao Roarke.
Parece um ganhador.
De verdade? Obviamente encantada, Mavis o investiu, lanou seus braos 
ao redor de seu pescoo, e o apertou. Logo que posso acreditar que realmente esteja 
acontecendo. Eu, gravando um disco para a melhor companhia de gravao do planeta.
vais fazer ganhar muito dinheiro. Ele beijou sua frente.
Quero que funcione. Realmente quero que funcione. Quando viu o Eve, 
Mavis sorriu abertamente. Oua! Agarrou alguma parte?
O final. Foi grandioso. E porque era Mavis, realmente o pensava. 
Feeney, est de servio?
Oficialmente adjudicado. reclinou-se em sua cadeira. McNab est 
fazendo sua consulta preliminar no Personally Yours. Perfilamo-lo como um mecnico 
de computadores para uma das companhias do Roarke. Seus dados foram introduzidos, 
e sua nova identidade est no lugar.
A companhia do Roarke?
Parecia lgico. Feeney lhe sorriu abertamente. Adquire influncias, 
utiliza-as. Aprecio sua ajuda, moo.
Quando quiser lhe disse Roarke, logo sorriu a sua esposa. Tomamos 
alguns atalhos j que estava um pouco apurada. Peabody se perfilou como um guarda de 
segurana em um de meus edifcios. Feeney pensou que seria mais singelo manter os 
perfis com algo de acordo  verdade.
OH sim, mantenhamo-lo singelo. Mas suspirando, afirmou com a 
cabea. Bastante bom. Poses a metade da maldita cidade de todos os modos, e 
ningum averiguaria, ou encontraria algum buraco em seus arquivos de pessoal se 
colocar sua mo nisso.
Exatamente.
Onde est Peabody?
Gorjeia justo est terminando com ela.
Necessito-a agora. Tem que voltar a terminar aqui, para pr seus dados no 
sistema e conseguir uma consulta. via-se bem, Por Deus. Quanto tempo toma poli-la e 
lhe pr algum traje de rua?
Gorjeia tinha algumas ideia de filme, assegurou-lhe Mavis com tal 
entusiasmo que o sangue do Eve se esfriou. Espera a que a veja. OH sim, Gorjeia 
quer que tome uma sesso antes de sua festa. Quer que esteja glamorosa para ela, j que 
so dias de festejos.
Eve simplesmente grunhiu. No tinha nenhuma inteno de estar glamorosa, 
nem agora nem nunca.
Seguro, bem. Onde demnios Sua voz se deteve quando as ouviu 
chegando. Girou para a porta e piscou. ficou boquiaberta. 
Tenho que dizer, anunciou Gorjeia, que sou boa.
Peabody soprou, ruborizada, logo sorriu tentativamente.
Bem, crie que passarei a prova?
Seu cabelo de corte tigela tinha sido abrilhantado e cavado em um halo escuro. 
Sua cara resplandecia com a profunda cor pintada ao redor de seus olhos para acentuar 
sua forma e tamanho, e seus lbios foram tintos com um suave coral rosado.
Seu corpo, que parecia to robusto em uniforme, adquiriu curvas mais 
exuberantes e femininas em um arrebatador vestido at o tornozelo de um profundo 
verde pinheiro. Um enredo de cadeias em matizes de pedras preciosas envolvia seu 
pescoo. Aparecendo entre seu envoltrio havia uma tatuagem pequena e nostlgica, de 
uma fada alada dourada.
Peabody tinha selecionado a tatuagem ela mesma depois de que Gorjeia a tinha 
apanhado no esprito das roupas. No se tinha estremecido quando as mos rpidas, 
capazes tinham cavado seu peito esquerdo para aplicar o temporal. Para ento j tinha 
comeado a desfrutar da sensao de ser transformada.
Mas agora, quando Eve a contemplava fixamente, Peabody comeou a mover 
seus ps... talheres com saltos muito finos que faziam jogo com as asas de sua tatuagem 
mstica. 
No funcionou?
Seguro como o inferno que no parece um policial, decidiu Eve.
V-te formosa. Divertido com a reao de sua esposa, Roarke avanou e 
tomou ambas as mos do Peabody: Absolutamente deliciosa. Enquanto falava, 
beijou seus dedos e fez que o suscetvel corao do Peabody trastabillara.
Sim, realmente? Latido.
Esquece-o, Peabody. Feeney, tem vinte minutos para lhe informar de seu 
perfil. Peabody, onde est seu atordoante, seu comunicador?
Aqui. Ainda ruborizada, colocou uma mo em um bolso escondido no 
quadril do vestido. Prtico, n!?
No vai a remplazar os uniformize, disse Eve, logo assinalou uma 
cadeira. Tem que te aprender os dados que Feeney vai te dar de cor. Grava-os. Pode 
repeti-los pelo caminho. No podemos nos permitir nenhum engano. Quero-te dentro 
antes de final do dia, e com uma lista de contatos para amanh.
Sim, senhor. Mas Peabody acariciou o material do vestido meigamente 
quando avanou para sentar-se com o Feeney.
Voc  a seguinte, disse Gorjeia, levantando uma mo rapidamente, e 
passando-a pelo cabelo do Eve.
No tenho tempo para um tratamento. Sustentou Eve. Alm disso, 
acaba de fazer me faz isso umas semanas.
Se no te fizer tratamentos regulares, arruna meu trabalho. Tem que fazer-se 
tempo antes da festa, ou no sou responsvel por como se vejo, advertiu Gorjeia ao 
Roarke.
Ela se far o tempo. E para aplac-la, tomou seu brao, dirigindo-a para 
fora enquanto que elogiava seu brilhantismo com o Peabody. 

Capitulo 9
O descobrir ao Nadine Furst limando-se perezosamente suas unhas em seu 
escritrio no era a bem-vinda que Eve esperava encontrar quando chegou  Central de 
Polcia.
te levante de minha cadeira.
Nadine s sorriu docemente, colocou a lima de unhas em sua enorme bolsa 
colorida com bezerros, e descruz suas pernas. 
Ol, Dallas. Que bom verte. Passas muito trabalhando no escritrio de sua 
casa estes dias? No te posso culpar. Enquanto se levantava, Nadine passou os olhos 
de gato agudo sobre o quarto estreito, srdido, e poeirento. Este lugar  um lixeiro.
Sem dizer nada, Eve partiu diretamente a seu computador, comprovou a ltima 
entrada no sistema, logo fez o mesmo com seu comunicador.
No toquei nada. Nadine acrescentou apenas o suficiente insulto a sua voz 
para que Eve estivesse segura que a reprter o tinha considerado.
Estou ocupada, Nadine. No tenho tempo para os meios. V em perseguio 
de uma caminhonete tecnomdica ou acossa a um dos droides em Recepo.
Poderia querer te fazer tempo. Ainda sonriendo, Nadine se moveu  nica 
outra cadeira no escritrio e delicadamente cruzou suas pernas outra vez. A menos 
que queira que saia ao ar com o que tenho.
Eve sacudiu um ombro, e encontrou que seus msculos se esticaram quando se 
sentou, estirou suas prprias pernas cobertas pelos jeans, e cruzou suas danificadas 
botas nos tornozelos. 
O que conseguiu, Nadine?
Solteiros em busca de romance encontram uma morte violenta. Personally 
Yours: agncia de contatos ou lista da morte? A melhor Tenente de homicdios, Eve 
Dallas, investigando.
Nadine olhou a cara do Eve enquanto falava. Tinha-lhe dado totalmente, mas 
embora os olhos do Eve no vacilaram, Nadine estava segura em seu interior de ter sua 
completa ateno.
No quer que comece com um comentrio do oficial que dirige a  
investigao em curso? 
A investigao prossegue. Uma equipe especial foi formado. O DPSNY 
persegue toda evidncia.
Nadine se inclinou para frente, colocando uma mo em sua bolsa para acender 
seu grabadora. 
Ento confirma que os assassinatos esto relacionados.
No confirmo nada com seu grabadora acesa.
A irritao vacilou sobre a cara bonita, e triangular do Nadine. 
me d algo para avanar.
Apaga a grabadora, ponha a sobre meu escritrio  vista, e te darei algo. 
Confiscarei-a e algo que tenha nessa mala que arrasta por todos lados. As grabadoras 
no esto permitidas em reas oficiais da Central de Polcia sem autorizao.
Cristo,  estrita. Zangada, Nadine tirou a mini, deixou-a cair no escritrio, 
logo apartou sua bolsa. Confidencialmente? 
Confidencialmente. devido a que Nadine havia dito as palavras, Eve 
assentiu. Nadine poderia ser irritante, tenaz, e uma dor no culo pelo general, mas tinha 
integridade. No havia nenhuma necessidade de procurar na bolsa por outra grabadora.
Os homicdios sob minha investigao foram cometidos pela mesma pessoa. 
Personally Yours parece ser a fonte das vtimas. Pode sair ao ar com isso.
A agncia de contatos. Todos os rastros de molstia desapareceram 
quando Nadine sorriu. A sutil indireta do Eve lhe tinha dado um leve empurro na 
investigao de cada agncia de contatos da cidade. Seria capaz de relacionar os dados e 
desenvolver seu relatrio corretamente com o rpido movimento de um par de botes.
Assim .
O que pode me dar?
A maior parte de minhas notas esto na unidade de meu escritrio.
Mas Nadine tirou seu ordenador de mo e recuperou informao. 
J tem todo o habitual: donos, tempo no negcio, requisitos. Eles fazem 
alguns anncios custosos em nossa estao. Gastando... dois milhes em ano passado 
em anncios em tela. Nossos controles de crdito mostraram que podem permitir-lhe  
menos de dez por cento de seus ganhos brutos.
O romance  proveitoso.
Pode jur-lo. Fiz uma pesquisa informal na estao. Aproximadamente 
quinze por cento dos chefes e da equipe utilizaram seus servios. Informar ao pblico 
tem um grave efeito na vida pessoal, acrescentou ela ligeiramente.
Algum que voc goste de utiliza Personally Yours?
Provavelmente. Nadine inclinou sua cabea. Eu gosto de muita gente, 
sou do tipo amistoso, socivel. Deveria me preocupar com eles?
Trs vtimas utilizaram a agncia de contatos, dois se conheceram 
causalmente atravs dela. Ainda no encontramos nenhuma outra conexo entre eles.
Ento... seu indivduo pesca coraes solitrios. E isso era uma tremenda 
primicia, decidiu Nadine, j Armando a notcia em sua cabea.
Suspeitamos que Personally Yours  sua fonte. Eve queria recalcar essa 
parte. No tinha a inteno de lhe dar ao Nadine muito mais. A equipe especial, 
formado hoje, persegue todas as linhas da investigao.
Resultados?
Esto sendo comprovados. No te darei dados concretos disso, Nadine.
Suspeitos? disse tenazmente.
Os interrogatrios esto em curso.
Motivo?
Eve considerou um momento. 
So homicdios sexuais.
OH. Bem, isso calaria. Tem um assassino bissexual? Uma das vtimas era 
masculina, duas femininas.
No posso confirmar ou negar as preferncias sexuais do assassino. 
Pensou no Donnie Ray, e a culpa estalou ao longo de seu estmago. As vtimas 
admitiram ao assassino em suas casas. No houve signos de entrada forada em nenhum 
caso.
Eles lhe abriram a porta? Conheciam-no?
Pensavam que sim. Pode lhe aconselhar a sua audincia que pense duas 
vezes antes de lhe abrir a porta a algum que no conhecem pessoalmente. No posso te 
dar mais sem comprometer a investigao.
matou trs vezes em menos de uma semana. Tem pressa.
Tem um programa, disse Eve. Isto no  para o ar. Tem uma lista, um 
patro, e  assim como o apanharemos.
me d um rpido um a um, Dallas. Posso ter uma cmara em aqui em dez 
minutos.
No. No ainda, acrescentou antes de que Nadine teimasse com isso. 
obtiveste mais do que dei a qualquer. Toma-o e agradece-o. Darei-te um um a um sim e 
quando possa. Eu estaria mais inclinada sim, depois de que abandone ao Piper e Rudy, 
diz-me o que obteve.
Nadine arqueou uma sobrancelha. 
Retribuio. Bem. Dirijo-me a agora. Uma vez que eu Se calou, sua 
boca se abriu de par em par quando Peabody se precipitou pela porta.
Dallas, no acreditaria... Ol, Nadine.
 voc, Peabody?
Embora Peabody lutou por manter um ar causal, seus lbios sorriram. 
Sim, acabo de me fazer um pequeno trabalho.
Um pequeno. V-te fabulosa.  aquele um dos desenhos do Leonardo?  s 
absolutamente magnfico. levantou-se, rodeando ao Peabody.
Sim,  um dele. Realmente funciona, verdade?
Peabody, est para matar. Renda-se, Nadine retrocedeu. Logo seu sorriso 
se afiou; seus olhos se entrecerraron. Deixa a seu ajudante vestir-se de ornamento em 
meio de uma investigao de assassinato? Comeou, girando para o Eve. No 
acredito. Diria que o que temos aqui,  uma coberta muito hbil. Provando as 
maravilhas das entrevistas por computador, Peabody?
Fecha a porta, Peabody. Ante a terminante ordem do Eve, Peabody 
avanou um pouco e fechou a porta detrs de si. Nadine, se isto te escapa, golpearei-
te. Verei que no haja polcia aqui em Central que te diga o dia da semana, muito menos 
uma primicia. Logo me porei desagradvel.
O ardiloso sorriso de raposa do Nadine desapareceu. Seus olhos se 
obscureceram e nublaram. 
Crie que trairia sua investigao? O que passaria dados que poderiam pr ao 
Peabody em um apuro? Vete ao diabo, Dallas. Agarrou sua bolsa e se voltou para a 
porta. Mas Eve foi mais rpida.
Pus seu culo na linha de fogo. Furiosa consigo mesma, Eve agarrou a 
bolsa das mos do Nadine e o lanou. Fiz a chamada, e se algo enguio,  minha 
culpa.
Dallas...
te cale, disse bruscamente ao Peabody. Se isso danificar seus 
sentimentos por saber quo longe chegaria para proteger sua coberta e este caso, pois o 
lamento.
Bem. Nadine respirou profundo e controlou seu prprio carter. Era 
estranho para ela descobrir inclusive uma sombra de medo nos olhos do Eve. Bem, 
repetiu. Mas deveria recordar que Peabody  meu amiga. E voc tambm.
inclinou-se para recolher sua bolsa, e o levou a ombro. 
Bonito cabelo, Peabody, disse antes de abrir a porta e sair.
Cadela foi todo o Eve pde pensar em dizer. Girando, caminhou para a 
pequena janela e olhou fixamente o srdido trfico areo.
Posso dirigir isto, Dallas.
Eve olhou fixamente um aerobs que esquivava ferozmente um pequeno 
dirigvel publicitrio em seu espao areo. 
No te teria posto se no pensasse que pode dirigi-lo. Mas o fato  que sou 
eu quem te ps. E no tem nenhuma experincia trabalhando de incgnito.
Voc me d a possibilidade de consegui-lo. Quero ser detetive. No 
conseguirei o grau sem trabalho encoberto em meu expediente. Sabe isso.
Sim. Eve colocou suas mos em seus bolsos traseiros. Sei.
Uh... Sei que meu culo  um pouco maior do que deveria ser, embora 
trabalho nisso, mas sei cobri-lo.
Com meia sorriso, Eve se deu volta. 
Seu culo est muito bem, Peabody. por que no se sinta sobre ele e me d 
seu relatrio?
Foi grandioso. Sonriendo agora, Peabody se deixou cair em uma cadeira
. Quero dizer um sonho. No se deram conta que era a polcia que tinha estado ali faz 
apenas um par de dias. Consegui tratamento real. Ela revoou suas pestanas recm 
obscurecidas e alargadas.
Eve inclinou sua cabea. 
Se j se controlou, oficial, eu gostaria de seu relatrio.
Senhor. Peabody se endireitou na cadeira, tranqila. Como ordenou, 
reportei-me na posio assinalada, e solicitei uma consulta. depois de uma breve 
entrevista fui escoltada a um salo onde Piper continuou a entrevista pessoalmente. Os 
dados que ofereci foram registrados em seu computador pessoal. Ofereceram-me um 
refresco. Uma piscada rpida de diverso se acendeu em seus olhos. Aceitei, 
acreditando estar no papel. Dallas, eles tm chocolate quente. Quero dizer genuno, e 
bolachas de acar. Uso Natal. Comi trs renas antes de me dar conta.
Segue assim e necessitar um toldo para cobrir seu culo.
Sim. Mas Peabody suspirou recordando. Indiquei que queria proceder 
imediatamente. Deixe-lhe ver que no queria estar sozinha durante as festas. Ela foi 
muito simptica, encantadora. Posso ver por que a gente que entra ali confia nela para se 
localiz-los. Quis fazer acontecer com um assessor, mas me plantei. Disse-lhe que me 
sentia to cmoda com ela, e que esse processo era algo embaraoso para mim. Ofereci 
pagar mais, se era necessrio, para que se ocupasse de mim.
Bem pensado.
Foi muito doce. Tocou minha mo. Fez-me o vdeo ela mesma, at me 
treinou um pouco. Rudy entrou para o final porque ela tinha que ir a uma reunio. No 
me reconheceu tampouco. Paquerou comigo.
De que modo?
De um modo mecnico. Era s parte do trabalho, se me perguntar. 
Aprovando sorrisos, cumpridos, tomar a mo. No  meu tipo, acrescentou, mas 
brinquei com ele. Ele me ofereceu outro chocolate quente, mas consegui resistir. 
Tambm consegui uma visita do lugar, mostraram-me uma rea do clube que tm onde 
os contatos podem encontrar-se se se sentem incmodos a respeito de encontrar-se fora. 
Muito de bom gosto, inclinando-se para o elegante. Tm uma pequena cafeteria, 
tambm, para os mesmos propsitos.  informal. Havia vrios casais encontrando-se ali. 
Enrugou seu nariz. Vi o McNab passar a prova, tambm.
Ento estamos dentro, e na lista. E sua lista de contatos?
Posso ingressar amanh pela manh. Eles preferem que algum v em pessoa 
mas bem que fazer os acertos para uma transmisso para uma primeira entrevista. 
Investigaram-me aproximadamente uma hora. Os novos dados do Roarke se 
mantiveram firme, e pelo que pude ver, realmente procuram. Se eu entrasse de verdade, 
sentiria-me segura.
Bem, consegue a lista de partidas, segue a rotina. Mas estabelece que te 
encontrasse com eles fora. Considerou-o um momento. Usaremos um dos stios do 
Roarke... clube ou bar de tamanho mdio. Poremos a um casal de policiais no interior. 
Terei que ficar fora. Se Rudy ou Piper esto nisto, reconheceriam-me. Conseguiremos 
um veculo de vigilncia. Quero que consiga ao menos dois, aspira a trs, para te reunir 
com eles manh de noite. No podemos nos sentar neste.
Jogou uma olhada a seu relgio, tamborilou com seus dedos.
v procurar uma sala de conferncias vazia. Necessito que venham McNab e 
Feeney para uma atualizao. Quero que tudo v como a seda.
Se McNab se meter comigo, esmago-o.
Espera a que o caso esteja fechado, aconselhou Eve. Logo esmaga-o.
* * * * *
Ela podia ver as luzes do extremo da larga curva ao minuto de entrar pelas 
portas. Ao princpio, Eve se perguntou se a casa ardia, estava to iluminada e brilhante. 
Quando se aproximou mais, viu o contorno de uma rvore na ampla janela do salo 
dianteiro. Estava vivo com a luz branca, brilhando e resplandecendo, faiscando 
enquanto os pequenos ramos acesos estavam abarrotadas com bolas brilhantes 
vermelhas e verdes.
Deslumbrada, estacionou seu carro e correu pelos degraus. Dirigindo-se 
diretamente ao salo, deteve-se sob a arcada e olhou fixamente. A rvore tinha que ser 
de seis metros de alto, e ao menos um metro vinte de largura. Milhas de grinalda 
chapeada foram postas engenhosamente para fixar as centenares de bolas coloridas. Em 
cima, quase roando o teto, havia uma estrela de cristal, cada ponta palpitando com uma 
luz. Debaixo uma manta branca que substitua a neve. Ela no podia comear a contar 
os presentes elegantemente envoltos empilhados ali.
Jesus, Roarke.
Formoso, verdade?
Ele entrou silenciosamente detrs dela, fazendo que se sobressaltasse antes de 
dar-se volta sacudindo a cabea para ele 
Onde infernos o conseguiu?
Oregon. Tem como base uma raiz tratada. Doaremo-lo a um parque depois 
de Ano Novo. Passou um brao ao redor de sua cintura. Os, deveria dizer.
Os? Tem mais destes?
H um um pouco maior que este na sala de baile.
maior? conseguiu dizer.
Outro nas habitaes do Summerset, e o que est em nosso dormitrio. 
Pensei que decoraramos esse esta noite.
Tomar dias decorar um destes.
S tomou quatro horas decorar este  equipe que aluguei. E riu. O nosso 
 mais manejvel. Girou sua cabea para posar seus lbios sobre sua frente. Preciso 
compartilhar isto contigo.
No sei fazer nada disto.
Tentaremo-lo.
Ela olhou para trs a rvore e por sua vida que no podia determinar por que a 
ps nervosa.
Tenho trabalho, comeou, e se teria afastado. Mas ele se moveu, ps suas 
mos em seus ombros, e esperou at que seus olhos encontraram os seus.
No tenho inteno de interferir com seu trabalho, Eve, mas temos direito a 
uma vida. Nossa vida. Quero uma tarde com minha esposa.
Ela juntou as sobrancelhas. 
Sabe que dio quando diz "minha esposa" nesse tom.
por que crie que o fao? riu quando ela tratou de afastar suas mos. Te 
tenho, Tenente, e te conservarei. Sabendo quo rapidamente ela poderia responder 
com um movimento, levantou-a. te Acostume a isso, aconselhou-lhe.
vais fazer me encolerizar.
Bom, ento teremos primeiro sexo.  uma aventura fazer o amor contigo 
quando est zangada comigo.
No quero ter sexo. Possivelmente poderia querer, pensou com irritao, 
se ele no estivesse to malditamente satisfeito sobre isso.
OH, um desafio e uma aventura. Acabo de obter algo melhor.
Baixa me, burro, ou terei que te fazer danifico.
E agora ameaa. Definitivamente me estou excitando.
Ela resistiu rir. E quando ele entrou no dormitrio, estava fortalecida e lista 
para um combate. Mais tarde, pensaria que Roarke conhecia sua forma de pensar muito 
bem.
Deixou-a cair na cama, logo se mergulhou antes de que ela pudesse tomar uma 
postura ofensiva. Com uma emano lhe sujeitou as bonecas e ps suas mos por acima de 
sua cabea.
Lanou-lhe um olhar arejado, com os olhos entrecerrados.
No lhe farei isso fcil, amigo.
Deus, espero que no.
Ela fez uma tesoura com suas pernas, sujeitou-as fortemente ao redor da cintura 
do Roarke, e as engenhou para corcovear at que rodaram. Galahad, que tinha estado 
desfrutando de uma sesta no travesseiro, lanou um vaio feroz e saltou longe.
Agora o tem feito. Grunhiu Eve quando ele rodou em cima dela outra 
vez. Incomodou ao gato.
lhe deixe encontrar sua prpria mulher, murmurou Roarke, logo esmagou 
com sua boca a do Eve.
Sentiu os rpidos batimentos do corao em suas bonecas, golpeando com 
fora, sentiu que o corpo sob seu se estremecia da cabea aos ps, mas ela no cedeu, 
no estava preparada, pensou. Havia momentos, sabia, em que ao Eve gostava de uma 
luta violenta, rpida.
Por Deus, estava de humor para uma ele mesmo.
Mordeu seu lbio inferior, triunfante pelo gemido que ela no pde dissimular 
completamente. Com sua mo livre liberou o arns com sua arma, tirando-o por seu 
ombro. Logo, porque podia, porque o calor j emanava dela em ondas, enganchou uma 
mo na abertura de sua blusa e a rasgou pelo centro.
Agora o corpo dela se estirava para o seu, exigente, audaz, ainda quando ela se 
retorcia baixo ele em uma tentativa de evadir ou tomar o controle.
Cristo, quero-te. Nunca  suficiente. Sua boca se prendeu firmemente de 
seu peito.
No, nunca era suficiente, foi o ltimo pensamento claro do Eve. Gritou, seu 
corpo forte dobrando-se quando esses apertes e puxes ferozes em seu peito vibraram 
atravs dela como uma msica selvagem com um furioso batimento do corao.
O calor parecia rugir desde seu centro.
Liberada, suas mos se arrastaram por sua camisa, rasgando a seda at que 
encontrou a carne com seus dedos, com sua boca, com seus dentes.
Rodando outra vez, tironearon a roupa, atormentaram a pele com dentadas 
ambiciosas e fortes movimentos. Quando saiu a encontr-lo, fechando seu punho a seu 
redor, estava duro como o ferro e suave como a seda.
Agora, agora, agora. Ela arqueou seus quadris, e se correu violentamente 
no instante que se introduziu nela.
Ele se manteve ali, sepultado profundamente, ofegando enquanto piscava para 
esclarecer sua viso e olh-la. O fogo que ardia no lar atravs do quarto lanava brilhos 
de luz e sombras sobre sua cara, cintilava em seu cabelo e titilava em seus olhos, que se 
tinham escurecido e nublado com o que se davam o um ao outro.
Sou eu quem te agrada. Ele retrocedeu e empurrou outra vez. Sempre. 
moveu-se, levantou seus quadris com suas mos. Estala outra vez, exigiu e 
comeou a arras-la com largas e fortes investidas.
Ela se agarrou com suas mos  roupa de cama como se se ancorasse. Na 
penumbra podia v-lo sobre ela, o brilho de seu cabelo escuro, olhos muito azuis para 
ser verdadeiros, msculos lisos, pele dourada plida e orvalhada com suor.
A necessidade se elevou como uma inundao, e o prazer a esmagou. Sua viso 
se nublou, convertendo-o em uma sombra, dourada nos borde. ouviu-se gemer seu nome 
quando seu corpo estalou.
E outra vez. Ele baixou, tomando sua boca com a sua, unindo seus dedos 
com os seus, golpeando seu corpo com o sua. Outra vez, exigiu, quando seu sangue 
se desencadeou. Comigo.
E foi "Eve" tudo o que disse, s "Eve", quando se derramou nela.
* * * * *
Perdeu a noo do tempo enquanto estava baixo ele, a luz danando no teto. 
perguntou-se vagamente se podia ser normal necessitar tanto a algum, amar at o ponto 
da dor.
Logo ele girou sua cabea, seu cabelo roando sua bochecha, seus lbios 
acariciando sua garganta. E ela se perguntou por que deveria preocupar-se.
Espero que esteja satisfeita. Seu murmrio no foi to insolente como ela 
tinha esperado que fora, e se encontrou acariciando uma mo sob suas costas.
Mmmm. Pareo est-lo. Ele acariciou com sua boca sua garganta outra 
vez antes de levantar a cabea e olh-la. Parece ser mtuo.
Deixei-te ganhar.
OH, sei.
O brilho em seus olhos a fez grunhir.
Baixa lhe,  pesado.
Bom. Agradou-a, ento a agarrou outra vez. Tomemos banho, logo 
podemos decorar a rvore.
por que essa obsesso que tem com as rvores?
No adornei um em anos... no desde o Dubln quando vivia com o 
Summerset. Quero ver se ainda posso faz-lo. Caminhou para a ducha com ela, e lhe 
cobriu fortemente com uma mo a boca, sabendo sua preferncia incompreensvel pelas 
duchas frite.
gua a trinta e sete graus.
Muito quente, resmungou ele contra sua mo.
Vive com isso. E suspirou larga e profundamente quando a gua quente 
comeou a pulsar de todas as direes. OH sim, assim est bem.
Quinze minutos mais tarde caminhou para o tubo secante com seus msculos 
relaxados e flexveis, sua mente clara e em guarda.
Roarke se secava as costas... outro de seus hbitos que no podia entender. por 
que perder o tempo esfregando-se com algodo quando uma volta rpida no tubo 
secante o fazia? Avanou para tomar sua bata quando notou que no era a que tinha 
deixado pendurada ali essa manh.
O que  isto? Ela desprendeu o comprido corrente escarlate.
Cachemira. Voc gostar.
Compraste-me um milho de batas. No vejo Mas sua voz se apagou 
quando se deslizou nela . OH. Odiava quando se perdia em um pouco to 
superficial como as texturas. Mas esta era suave como uma nuvem, quente como um 
abrao.  bastante agradvel.
Ele sorriu abertamente, grampeando uma bata negra do mesmo material.
V-te bem. Venha, pode me contar do caso enquanto me ocupo das luzes.
Peabody e McNab esto dentro. Tero suas listas de contatos pela manh.  
Entrou novamente no dormitrio, e notou o cubo de prata com champanha; uma 
bandeja de prata com canaps esperava. Que demnios, decidiu, e se encheu sua boca 
de algo glorioso enquanto servia duas taas. Suas cobertas passaram a investigao.
 obvio. De uma caixa grande, Roarke tomou uma larga fileira de luzes 
diminutas.
No seja presumido, ainda temos muito que fazer. Nadine estava em meu 
escritrio quando passar por Central, acrescentou, e ps o champanha do Roarke na 
mesa perto da cama. Conseguiu dar uma olhada ao Peabody assim tive que lhe dar 
mais do que quis. Confidencialmente.
Nadine  um desses estranhos reprteres nos que pode confiar. Roarke 
estudou a rvore, as luzes, e decidiu mergulhar-se diretamente nele. No filtrar 
dados confidenciais.
Sim, sei. Metemo-nos nisso um pouco. Franzindo o cenho, rodeou a 
rvore enquanto Roarke trabalhava. No tinha nem idia se ele sabia o que fazia. Se 
Piper e Rudy no me tivessem visto, faria o trabalho encoberto eu mesma.
Roarke levantou uma sobrancelha quando assegurou a primeira rstia e tirou 
outra. 
Eu poderia ter uma pequena objeo a que minha esposa se citasse com 
homens estranhos.
Ela voltou para a bandeja, tomou outro bonito canap ao azar. 
No teria dormido com nenhum deles... a no ser que o trabalho o 
requeresse.          Sorriu-lhe burlonamente. E teria pensado em ti todo o tempo.
No teria tomado muito tempo... j que teria talhado suas bolas e lhe teria 
dado isso.
Ele seguiu trespassando luzes enquanto ela se afogava com sua taa. 
Jesus, Roarke, s brinco.
Mmm-hmm. Eu, tambm, querida. me d outra fileira dessas.
Nada segura dele, Eve tirou outra corda de luzes.
Quantas destas vais usar?
Tantas como necessito.
J. Suspirou. O que quis dizer... antes...  era que eu teria feito o trabalho 
encoberto porque Peabody est verde.
Peabody teve uma boa formao. Deveria confiar nela. E em ti.
McNab ainda esperneia por isso.
Est coado por ela.
Ele sem dvida... O que?
Est coado por ela. Retrocedeu, franzindo os lbios. Acender a rvore,                  
ordenou, logo afirmou com a cabea, satisfeito quando os diminutos pontos 
diamantados piscaram. Sim, assim est bem.
O que quer dizer com coado? O que est interessado nela? McNab? De 
maneira nenhuma.
Ele no est seguro que goste, mas se sente atrado. Querendo ver seu 
trabalho desde outro ngulo, Roarke avanou, recolheu sua taa, e bebeu a sorvos 
enquanto o estudava. O decoraremos depois.
Ele a irrita como o demnio.
Acredito que sentiu o mesmo por mim ao princpio. Fez um brinde para 
sua esposa ante o brilho das luzes do fogo e a rvore. E olhe onde terminamos.
Eve o contemplou durante uns dez segundos, logo se sentou torpemente ao lado 
da cama. 
OH Cristo, isto  perfeito. Isto  simplesmente perfeito. No posso os ter aos 
dois trabalhando juntos se houver algo assim entre eles. Posso tratar com a irritao; 
com a mierda sexual, no.
s vezes tem que deixar ir a seus meninos, querida. Abriu outra caixa, 
escolheu um antigo anjo de porcelana. Voc pe o primeiro. Ser nossa pequena 
tradio.
Eve o contemplou. 
Se algo acontecer com ela...
No deixar que lhe acontea nada.
No. Suspirou, e se levantou. No, no vou fazer o. vou necessitar sua 
ajuda.
Ele estendeu a mo, acariciou com a gema do dedo a covinha de seu queixo. 
Tem-na.
Ela se deu volta, escolheu seu ramo, e pendurou o anjo.
Amo-te. Adivinho que isto ser nossa pequena tradio, tambm.
 meu favorita.
* * * * *
Tarde, muito tarde, quando as luzes de rvore estavam desconectadas e o fogo 
estava baixo, Eve no podia dormir. Estava ele a, agora? Emitiria um sinal sonoro seu 
comunicador, anunciando outro corpo, outra alma perdida porque estava muitos passos 
atrs? A quem amava ele agora?

Capitulo 10
A neve comeou a cair do cu ao amanhecer. No uma neve bonita de carto de 
natal, a no ser agulhas magras, que assobiavam grosseiramente quando golpeavam o 
pavimento. Quando Eve se instalou seu escritrio na Central de Polcia, havia uma feia 
capa escorregadia e cinza sobre as ruas, caladas e escorregadores da cidade, que 
manteria certamente aos tcnicos mdicos e os policiais de trfico ocupados.
Fora de sua janela, dois helicpteros meteorolgicos de canais rivais se batiam 
em duelo em uma guerra por passar as ms notcias aos espectadores e informar dos 
ltimos choques ou quedas de pedestres.
Tudo o que tinham que fazer, pensou Eve malhumoradamente, era abrir suas 
prprias jodidas leva e olhar eles mesmos.
ia ser um dia horrvel.
lhe dando as costas  vista desde sua janela, introduziu dados em seu 
computador com pouca esperana de conseguir uma relao decente de probabilidade.
Computador, programa de probabilidade. Usando dados conhecidos, analisar 
e calcular. Lista por ordem de probabilidade de nomes mais plausveis para ser 
escolhidos como objetivos pelo assassino de Amor Verdadeiro.
Trabalhando...
Sim, faz isso, murmurou. Enquanto sua mquina gemia e dava tombos, 
tomou cpias das fotos confiscadas do Personally Yours e, levantando-se, fixou-as a um 
tabuleiro sobre seu escritrio.
Marianna Hawley, Sarabeth Greenbalm, Donnie Ray Michael. Caras que 
sorriam com esperana. Oferecendo seu melhor perfil. Solitrios em busca de amor.
A recepcionista, a bailarina, e um saxofonista. Estilos de vidas diferentes, 
objetivos diferentes, necessidades diferentes. Que mais tinham em comum? O que lhe 
escapava, que os unia com um assassino?
O que lhes viu ele quando os olhou para sentir-se atrado e furioso? Gente 
comum, vivendo vistas comuns.
Percentagens de probabilidade similares para todos os sujeitos.
Eve jogou uma olhada a sua mquina e grunhiu. 
Ao inferno com isso. Tem que haver algo.
Dados insuficientes para anlise adicional. O patro atual  aleatrio.
Como diabos se supe que protegerei a duas mil pessoas, por amor de Deus?             
Fechou seus olhos, e controlou seu carter. Computador, eliminar todos quo 
sujeitos vivam com um membro de sua famlia ou companheiro. Cotejar os restantes.
Trabalhando... Tarefa completa.
Bem. Esfregando-os olhos, afirmou com a cabea. As trs vtimas tinham 
sido brancas, pensou. Elimine todos os sujeitos no caucsicos. Cotejar de novo os 
restantes.
Trabalhando... Tarefa completa.
Nmero restante?
Seiscentos e vinte e quatro sujeitos restantes...
Mierda. Retrocedeu para estudar as fotos. Elimine todos os sujeitos de 
mais de quarenta e cinco e menos de vinte e um anos.
Trabalhando... Tarefa completa.
Bem, bem. Comeou a passear-se enquanto o estudava atentamente. 
Agarrando sua cpia impressa do arquivo, estendeu os papis. Novatos                             
murmurou.  Todos eram novatos. Elimine todos os sujeitos com mais de uma 
consulta no Personally Yours. Cotejar restantes.
Trabalhando...
Esta vez quando a mquina se entupiu e sacudiu Eve lhe deu um golpe 
impaciente com a palma de sua mo.
Pedao de mierda, murmurou, e apertou os dentes quando a mquina 
gemeu outra vez.
Tarefa... completa.
No comece a balbuciar. Nmero restante?
Duzentos e seis nomes restantes.
Melhor. muito melhor. Imprimir nova lista.
Enquanto a mquina mastigava e cuspia dados, girou para seu comunicador e 
ficou em contato com o EDD. 
Feeney, tenho mais de duzentos nomes. Preciso comprov-los. Pode faz-lo? 
Ver quantos deixaram a cidade, quantos se emparelharam ou casaram, morreram 
dormindo, ou esto de frias no Planeta Disney?
envia-me isso 
Obrigado. Levantou o olhar quando ouviu uma profuso de assobios e 
assobios proveniente dos detetives.   uma prioridade, disse-lhe e saiu do sistema 
enquanto Peabody entrava emocionada e inquieta.
Jesus, a gente pensaria que esses imbecis no me tinham visto sem uniforme 
antes. Henderson ofereceu deixar a sua esposa e meninos durante um fim de semana 
para ir-se comigo a Barbados.
Mas, pelo brilho de seus olhos, Peabody no parecia estar muita desgostada 
pela reao.
Eve franziu o cenho. A cara de seu ajudante estava maquiada e resplandecente, 
seu cabelo cavado. Suas pernas luziam uma saia curta, estreita e botas com saltos finos, 
ambas da cor das framboesas amadurecidas.
Como diabos caminha com esse conjunto? quis saber Eve.
Pratiquei.
Eve inalou profundamente, logo soltou o ar.
Sente-se, repassemos o plano.
Bem, mas toma um par de minutos me sentar com esta saia. Cautelosa, 
Peabody apoiou uma mo no bordo do escritrio e comeou a sentar-se.
Como demnios vais fazer se tiver que te agachar ou te sentar  rpido?
S um segundo. Inspirou, estremeceu-se um pouco. Est um pouco 
apertada na cintura, disse quando se sentou.
Deveria ter pensado em seus rgos internos antes de te colocar nessa coisa. 
Tem uma hora antes de ir ao Personally Yours. Quero-te A...
Que demnios faz vestida assim? McNab se deteve na entrada, seus olhos 
lhe saram das orbitas enquanto olhava as largas pernas do Peabody.
Meu trabalho, disse ela com um ofego.
S est pedindo que lhe volteiem. Dallas, faz que fique algo mais de roupa.
No sou assessor de moda, McNab. E se o fora Eve se tomou o tempo 
para estudar sua solta cala rajada vermelho e branco e seu pulver de pescoo alto 
amarelo manteiga... poderia ter algo que dizer sobre suas opes de guarda-roupa.
Peabody riu disimuladamente, Eve entrecerr seus olhos. 
Agora, meninos, recordem que trabalhamos em homicdios mltiplos neste 
momento. Se no poderem ser amigos, temo que terei que limitar seu tempo de recreio 
esta tarde.
Peabody imediatamente quadrou seus ombros, e embora deslizou um olhar 
zombador para o McNab, foi o bastante sbia para no dizer nada.
Peabody, quero que convena ao Piper de que se pegue a ti atravs de toda a 
assessoria. McNab, toma ao Rudy. Uma vez que tenham as listas de contatos, 
investigaro pelas reas de venda ao pblico. Faam-se notar.
Temos um oramento para compras? Quis saber McNab, e ante o olhar 
fixo do Eve, encolheu-se de ombros e colocou suas mos nos amplos bolsos de sua 
cala. Daria uma melhor impresso se comprssemos algumas costure. Dar adulao 
aos vendedores.
Tm duzentos crditos cada um dos recursos departamentais. No se 
preocupem. McNab, sabemos que Donnie Ray usou o salo para comprar realces para 
sua me. te assegure de passar tempo ali.
Ele poderia empregar um ms, disse Peabody para si, logo curvou seus 
lbios inocentemente quando Eve a olhou carrancuda.
Peabody, Hawley usou crditos no salo e no Desirable Woman, o local de 
lingerie no piso de acima. Comprova-o.
Sim, senhor.
Ambos tero que relacionar-se com tantos nomes de suas listas de contatos 
como  possvel. Estabelecer encontros. Quero que isto comece esta noite. esto-se 
fazendo acertos para usar o Nova Clube na Cinqenta e trs. Quanto mais cedo 
comecemos na tarde, mais avanaremos. Tentem a primeira entrevista s quatro... logo 
agenden as demais com uma hora de diferena. Faam entrar em tantos como podem. 
No sabemos se ele deu um golpe ontem  noite. Podemos ter sido afortunados. Mas ele 
no esperar.
Jogou uma olhada s fotos outra vez. 
Teremos policiais dentro. Feeney e eu estaremos na rua, em constante 
contato. Ambos usaro microfones. Nenhum de vocs deve partir com ningum. Se 
tiverem que ir ao banho, fazem gestos e um policial de dentro vai com vocs.
No  seu patro golpear em um lugar pblico, indicou Peabody.
No excluo possibilidades com minha gente. Sigam os passos, sem 
separaes, ou esto fora. Enviem ao Feeney e a mim as listas de contatos logo que as 
tenham. Se qualquer membro do pessoal no Personally Yours ou de qualquer das lojas 
relacionadas mostra interesse por sair com vocs, fazem um relatrio. Perguntas?
Eve levantou suas sobrancelhas quando ambos sacudiram suas cabeas. 
Ento comecemos.
No sorriu abertamente quando Peabody se levantou, com certa dificuldade, da 
cadeira. Mas quis faz-lo. McNab ps os olhos em branco e mostrou seus dentes quando 
ela partiu diante dele e do escritrio.
Est verde, disse ao Eve.
 boa, respondeu Eve.
Talvez, mas mantenho meus olhos nela.
Posso ver isso, murmurou quando ele saiu a pernadas.
Retornou outra vez s fotos. Obcecavam-na aquelas trs caras. O que lhes 
tinham feito se arrastava lentamente dentro dela e se negava a sair.
Muito perto, recordou-se. Muito enfocado no que e no bastante em por que.
Fechou seus olhos um momento, esfregou-os como se assim pudesse apagar as 
imagens de suas prprias lembranas.
por que esses trs? perguntou-se outra vez e se aproximou para estudar a cara 
alegremente sorridente da Marianna Hawley.
Empregado de escritrio profissional, refletiu, provando o mesmo sistema que 
tinha utilizado para selecionar o perfume de Olhe. Confivel, antiquada, romntica. 
Bonita de forma andina, de uma maneira agradvel. Estreitas relaes familiares. 
Interessada no teatro. Uma mulher ordenada que desfrutava de coisas belas a seu redor.
Enganchando seus polegares em seu bolso, girou seu olhar para o Sarabeth 
Greenbalm. A nudista. Uma pessoa solitria que era cuidadosa com o dinheiro e 
colecionava cartes de visita. Confivel, tambm, em sua carreira escolhida. Vivia 
frugalmente, guardando seu salrio ntido e calculado suas gorjetas. Nenhuma afeio 
conhecida, nem amigos ou conexes familiares.
E Donnie Ray, refletiu, o moo que amava a sua me e tocava o saxofone. 
Vivia como um porco e tinha um sorriso de anjo. Aspirava um pouco do Zoner, mas 
nunca faltou a uma atuao.
E de repente o teve, contemplando as caras das trs vtimas que nunca se 
encontraram.
O teatro.
Sim! Computador, abrir Personally Yours, dados do Hawley, Marianna; 
Greenbalm, Sarabeth; Michael, Donnie Ray. Colunas em tela, detalhar profisses e 
pasatiempos/intereses.
Trabalhando... Em tela, sujeitos solicitados. Hawley, Marianna, ajudante 
administrativo, no Foster-Brinke. Passatempos e interesses, teatro. Membro da 
Comunidade de Atores do lado do Oeste. Outros interesses...
Deter, seguir com o sujeito seguinte.
Greenbalm, Sarabeth, bailarina...
Deter. E Donnie Ray, saxofonista. tomou um minuto, processando-o em 
sua prpria mente. Computador, explorao de probabilidade de que o assassino 
tenha selecionado aos atuais sujeitos devido a conexo ou interesses mtuos como teatro 
e entretenimento.
Trabalhando... Com dados padres, o ndice de probabilidade  noventa e trs 
ponto dois por cento.
Bom, malditamente bom. E bufando, respondeu o bip de seu 
comunicador. Dallas.
Despacho, Dallas, Tenente Eve. Ver casal no 341 E dezoito Oeste, unidade 
3. Possvel tentativa de assalto. Probabilidade de que se trate de um incidente ligado a 
investigaes atuais de homicdio, noventa e oito ponto oito por cento.
Eve j se levantou e agarrado sua jaqueta. 
Em caminho, Dallas.
* * * * *
Era apenas inslito. A mulher era diminuta, to delicada como as fadas 
que danavam na pequena rvore de cristal branco centrado na ampla janela do velho 
desvo restaurado. Jacko se toma muito a peito algumas costure.
Sei o que sei. Esse tipo estranho se bancar esperto, Cissy.
Jacko franziu o cenho quando passou seu brao ao redor do ombro da mulher. 
Ele teria feito quatro elas, pensou Eve. Devia medir ao redor de 1,90 e pesar 115 
quilogramas. Uma compleio de jogador de bola, uma cara tosca como uma montanha 
de rocha. Cicatrizes profundas na mandbula e sobre a sobrancelha direita. 
Ela era plida como um raio de lua, ele escuro como a meia-noite. Sua mo 
grande tragava a sua.
O desvo tinha sido dividido em trs reas principais. Eve conseguiu espionar o 
mobilirio do dormitrio atravs da curvada abertura nas paredes de vidro cor pssego. 
A cama era enorme e estava desfeita.
Na rea de estar um sof comprido em forma de Ou poderia ter a vinte pessoas 
comodamente sentadas. Jacko ocupava o espao de trs.
Por isso podia ver, revelava dinheiro fcil, gosto feminino, e comodidade 
masculina.
S me diga o que aconteceu.
O dissemos  polcia ontem  noite. Cissy sorriu, mas seus olhos estavam 
sombreados com bvia molstia. Jacko insistiu em cham-los. S foi uma travessura 
tola.
Maldito se o era. Olhe. Ele se inclinou para frente, fechado-los cachos em 
seu couro cabeludo se balanaram um pouco. Este tipo se aproxima da porta, vestido 
como Papai Noel, levando uma grande caixa toda envolta e posta fitas. Faz o ho-ho, o 
tpico Feliz Natal.
A antecipao se retorceu no ventre do Eve, mas falou com tranqilidade.
Quem abriu a porta?
Eu o fiz. Cissy moveu suas mos. Meu papai vive em Wisconsin. Ele 
usualmente me envia um pouco divertido para Natal se no poder ir para as festas. No 
posso tomar tempo este ano, ento pensei que ele tinha solicitado que Santa passasse. 
Ainda penso...
Aquele tipo no vinha de parte seu papai, disse Jacko apagado. Ela ia 
deixar o entrar. Estava na cozinha. Ouvi suas risadas, e a voz desse tipo...
Jacko  muito ciumento para seu prprio bem. Isso deteriora nossa relao.
Bobagens, Cissy. No pode dizer o que um tipo far at que tenha sua mo 
em cima de sua saia. Jesus. Obviamente aborrecido, Jacko ofegou. Ele se movia 
para ela quando sa.
Movendo-se? repetiu Eve enquanto Cissy ps m cara.
Sim, eu podia v-lo. Ele se moveu, ps esse sorriso grande, esse fulgor em 
seus olhos.
O brilho, resmungou Cissy. Se supe que os olhos da Santa cintilam por 
amor de Deus, Jacko.
Seguro como o inferno que deixaram de fulgurar quando me viu. ficou como 
esttua, s ali, me olhando boquiaberto. Soltou um assustado ho-ho dele, digo-lhe. Logo 
se Quito do meio como um jodido coelho.
Voc lhe gritou.
No at depois de que ele comeou a correr. Jacko levantou suas enormes 
mos frustrado. Sim correto, maldito a no ser gritei ento, e sa detrs dele. Teria 
tido seu traseiro, tambm, se Cissy no se ps em meu caminho. Mas quando me tirei 
isso e sa  rua, foi-se.
O uniformizado que tomou a chamada inicial se levou os discos de 
segurana?
Sim, disse que era rotineiro.
Assim . Como soava ele?
Como soava? piscou Cissy.
Sua voz. me diga como era sua voz.
Um... Era alegre.
Jesus, Cissy, prticas sendo estpida? Chateia-me, disse Jacko ao Eve 
enquanto Cissy, obviamente insultada, levantou-se de um salto e foi fazendo 
dramalhes (Eve no podia pensar em nenhuma outra palavra para isso) para a 
cozinha. Voc sabe, esse falso falatrio. Profundo, estrondoso. Ele disse algo como 
"foste uma menina boa? Tenho algo para ti. S para ti". Ento sa e ele pareceu que se 
tragou uma truta viva.
Voc no o reconheceu? Perguntou Eve ao Cissy. No havia nada a 
respeito dele, sob o traje, sob a maquiagem, que lhe parecesse familiar? Nada a respeito 
de sua voz, a forma como se movia?
No. Ela retrocedeu, ignorando rigidamente ao Jacko e bebendo a sorvos 
um copo cheio da gua refrigerante. Mas s foram um par de minutos.
vou fazer que examine os discos, olhe-os quando os ampliarmos e 
melhoremos. Se houver algo familiar, quero sab-lo.
No  muito problema para um pouco to tolo?
No penso isso. Quanto tempo viveram vocs juntos?
s vezes sim, s vezes no, h um par de anos.
Muito de "s vezes no" ultimamente, resmungou Jacko.
Se no fosse to possessivo, se no agarrasse a murros com cada homem que 
me olhe de soslaio,  comeou Cissy.
Cissy? Eve levantou uma mo, esperando acautelar uma disputa 
domstica. O que faz voc para viver?
Eu, sou atriz... ensino interpretao quando no posso conseguir um papel.
A est, refletiu Eve.
 fabulosa. Com orgulho bvio e desavergonhado, Jacko sorriu 
abertamente ao Cissy. Ensaia para uma pea no Off-Broadway agora mesmo.
No muito longe de ali disse Cissy, mas se moveu de novo para o Jacko 
com um sorriso e se sentou a seu lado outra vez.
vai ser um xito enorme. Ele beijou uma de suas bonitas mos. Cissy 
deixou fora a outras vinte mulheres nas provas. Esta ser uma grande oportunidade.
Assegurarei-me de v-lo. Cissy, usou os servios do Personally Yours?
Pois Seu olhar se deslizou ao longe. No
Cissy. Eve ps tudo o de polcia em sua voz, seus olhos, e se inclinou para 
frente. Sabe voc a pena por mentir durante uma entrevista?
Bom, pelo amor de Deus, no sei por que vai ser assunto dele.
O que  Personally Yours? quis saber Jacko.
Uma agncia de contatos por computador.
OH, por Cristo, Cissy! Por Cristo. Furioso, Jacko se levantou do sof, 
movendo e agitando adornos enquanto caminhava energicamente ao redor da sala de 
estar. Que demnios passa contigo?
Separamo-nos! Repentinamente a pequena fada conseguiu lhe gritar ao 
gigante. Estava zangada contigo. Pensei que isso seria divertido. Que te ensinaria 
uma lio, tolo. Tenho perfeito direito de ver quem queira quando queira enquanto no 
coabitemos.
Pensa outra vez, doura. Ele se balanou para trs, com os olhos negros 
brilhantes.
V, v? Cissy apontou um dedo para ele enquanto apelava ao Eve. Toda a 
suave paquera em seus olhos se tornou Isto dureza  o que agentei.
vocs acalmem-se dois. Sentem-se, ordenou Eve. Quando fez sua 
consulta, Cissy?
Faz aproximadamente seis semanas, resmungou. Sa com um par de 
tipos...
Que tipos? exigiu Jacko.
Um par de tipos, repetiu, ignorando-o. Ento Jacko voltou. Trouxe-me 
flores. Pensamentos. Eu cedi. Mas estou considerando essa deciso.
Aquela deciso poderia ter salvado sua vida, disse Eve.
O que quer dizer? Por instinto Cissy se aproximou do Jacko, cujo brao 
voltou a situar-se ao redor dela.
O incidente de ontem  noite tem a mesma pauta que uma srie de 
homicdios. Nos outros casos, as vtimas viviam sozinhas. Eve olhou ao Jacko. 
Felizmente para voc, no o faz.
OH Deus, mas... Jacko.
No se preocupe, nenm, no se preocupe. Estou aqui. Ele quase a dobrou 
em seu regao quando contemplou ao Eve. Eu sabia que o tipo era mau. O que segue?
Direi-lhe o que possa. Logo necessito que vocs vo  Central de Polcia, 
examinem o disco, faam outro relatrio, e me diga tudo o que possa recordar, Cissy, 
sobre sua experincia no Personally Yours.
* * * * *
As testemunhas esto proporcionando  investigao sua completa 
cooperao.             Eve estava de p no escritrio do Comandante Whitney. Muito 
tensa para sentar-se, logo que resistiu passear-se enquanto lhe dava seu relatrio.
A mulher est conmocionada, no pode nos dar muito para continuar. O 
homem a mantm de uma pea. Nada sobre o perpetrador lhes  familiar tampouco. 
entrevistei a ambos os contatos do Cissy Peterman. Ambos tm libi para ao menos um 
dos assassinatos. Penso que esto limpos.
Com os lbios apertados, Whitney afirmou com a cabea e comeou a estudar a 
cpia impressa do relatrio do Eve.
Jacko Gonzales? O Jacko Gonzales? O nmero vinte e seis dos Brawlers?
Ele joga profissionalmente, sim, senhor.
Perfeito, demnios. Whitney enrugou sua frente em um de seus sorrisos 
estranhos.Eu no diria que ele joga; mas bem  um assassino no campo. Marcou trs 
tantos em seu ltimo jogo e tirou de cima dois bloqueios defensivos.
Ele esclareceu sua garganta quando Eve s o olhou.
Meu neto  um grande fantico.
Sim, senhor.
M sorte que Gonzales no conseguisse pr suas mos nesse tipo. Ele no 
estaria caminhando, o prometo.
Obtive essa impresso, Comandante.
A sra. Peterman  uma mulher afortunada.
Sim, senhor. Ele prximo poderia no s-lo. Este desbaratou seu programa. 
Est obrigado a atacar outra vez. Esta noite. Enviei isto  doutora Olhe. Sua opinio  
que ele est enfurecido, emocionalmente desesperado. Para mim significa que ele 
poderia ser negligente tambm. McNab e Peabody tm trs encontros cada um 
estabelecido para esta noite. Tudo est em seu lugar ali. Tenho suas listas e informe.
Ela vacilou, logo decidiu dizer o que tinha em mente.
Comandante, o que estaremos fazendo esta noite  um passo necessrio. Mas 
ele vai estar a fora enquanto estamos nessa vigilncia. vai mover se.
A menos que tenha uma bola de cristal, Dallas, tem que seguir esses passos.
Tenho uma lista de mais de duzentas vtimas possveis. Acredito que 
encontrei outra conexo, o teatro, que pode rebaixar esse nmero. Espero que com os 
novos dados Feeney possa nos conseguir uma lista mais curta de possveis brancos. As 
vtimas potenciais tm que ser protegidas.
Como? Whitney estendeu suas mos. Voc sabe to bem como eu que o 
departamento no dispe de tantos oficiais.
Mas se ele a reduz...  
Embora ele a reduzira a uma quarta parte, no posso faz-lo.  
Uma dessas pessoas vai morrer esta noite. Ela se adiantou. Tm que ser 
advertidos. Se formos aos meios, fazendo circular uma alerta, quem quer que ele tenha 
eleito possivelmente no abra a maldita porta.
Se formos aos meios, disse Whitney com tranqilidade, desataremos o 
pnico. Quantos Santas que tocam seus sinos nas esquinas por caridade sero agredidos 
como resultado? Ou mortos. Voc no pode ficar no lugar da vtima aqui, Dallas. E,             
acrescentou antes de que ela pudesse falar, se formos aos meios, arriscamo-nos a 
amedront-lo. Se ele se esconder, poderamos no encontr-lo nunca. Trs pessoas esto 
mortas, e merecem algo melhor. 
Ele tinha razo, mas sab-lo no a fez sentir-se melhor.
Se Feeney rebaixar a lista a um nmero factvel, podemos nos pr em 
contato com cada nome. Reunirei uma equipe para fazer as chamadas.
Isso se filtrar, Tenente, e estaremos novamente provocando pnico.
No podemos simplesmente deix-los expostos dessa maneira. O prximo 
que mate ser nossa culpa. Minha culpa, pensou, mas sabia que era melhor no diz-
lo. Se no fazermos nada para pr sobre aviso  vtima, ser nossa culpa. Ele sabe que 
temos seu patro. Sabe que obtivemos um nmero de possveis brancos. E sabe que no 
podemos fazer nada a no ser malabarismo com os nomes e esperar a que d outro 
golpe. Ele o ama. Atuou para a cmara de segurana do Peterman. Estava parado no 
maldito vestbulo e posou. Se Gonzales tivesse estado fazendo gols ontem  noite, ela 
estaria morta. So quatro em uma semana, e isso  malditamente muito.   
Ele a escutou at o final, com tranqilidade e decidido.
 muito fcil de onde voc est parada, Tenente. Talvez no o pense assim, 
mas  muito mais fcil nesse lado do escritrio. No posso lhe dar o que quer. No 
posso lhe permitir parar-se diante de cada vtima e receber o golpe da mesma forma que 
esteve parada diante do homem do Roarke faz umas semanas.
Isto no tem nada que ver com isso. Combatendo seu lhe frustrem ira, 
apertou os dentes. Aquele incidente est fechado, Comandante. E minha investigao 
atual est contra a parede. A informao j se est filtrando aos meios. Se outro morrer, 
isto vai explorar em nossas caras.
Os olhos do Whitney se esfriaram.
Quanto facilitou ao Furst?
No mais do que tinha, e a maior parte confidencialmente. Ela se conter. 
Mas no  o nico reprter com um bom nariz, e no muitos tm sua integridade.
Tratarei este assunto com o Chefe.  o mais que posso fazer. Voc me 
consegue a lista modificada do Feeney, e pedirei contatos individuais. No posso 
autorizar o oramento para essa classe de operao, Dallas. Est fora de meu controle.
Ele se reclinou, estudando-a.
Encontre algo esta noite nessa vigilncia. Conclua isto.  
* * * * *
Eve encontrou ao Feeney rastreando no monitor de seu escritrio.
Bom,  economizou-me uma viagem ao EDD.
Ouvi que tinha ao Jacko Gonzales aqui. Jogou uma olhada tristemente 
sobre seu ombro. Suponho que j se foi, n!?
Conseguirei-te seu holograma assinado, Por Deus.
Sim? Aprecio-o.
Necessito-te para estabelecer estes nomes e dados. Tirou uma cpia de um 
disco. Minha mquina gagueja outra vez e me ocupa um tempo terrivelmente largo. 
Necessito que diminua o nmero provvel de vtimas tanto como seja possvel. Abriu 
uma gaveta, registrando-o e no fazendo caso da vaga dor de cabea detrs de seus 
olhos. S quero os primeiros cinqenta, de acordo? Posso obter que Whitney fique 
em contato com cinqenta. Que Deus ajude a outros. Onde demnios est minha 
maldita barra de chocolate?
Eu no tomei. Feeney empurrou sua bolsa de nozes. McNab estava 
aqui.  um conhecido ladro de barras de chocolate.
Filho de cadela. Desesperada-se por combustvel, agarrou a bolsa do 
Feeney e tragou um punhado de nozes. Tenho o disco de segurana do Peterman 
melhorado e ampliado, mas deduzo que pode faz-lo melhor. Quero o quadro de quando 
ele  mais ele mesmo... quando gira para correr. Pode ver o pnico.
Ela teclou o AutoChef com a esperana de que o caf lavasse as nozes.
Tenho fotos das listas de contatos, e do pessoal do Personally Yours. 
Consegue a equipe para investig-los, v quantas poderiam coincidir com os rasgos 
faciais dele, de olhos, essa classe de coisas. Inclusive com realces, algo tem que 
aparecer. A maior parte de sua boca est oculta pela barba.
Podemos encontrar os rasgos mais provveis se tivermos uma imagem 
suficientemente boa.
Sim. A textura no vai ajudar, mas a altura deveria. V quo perto pode 
calcular a altura. Pelas imagens aparentemente ele no levava elevadores, por isso penso 
que poderamos nos aproximar. As luvas ocultam a forma de suas mos.
Tragou o caf, entrecerrando os olhos.
Orelhas, ela disse repentinamente. Se incomodou ele em trocar a forma 
de suas orelhas? Quantas das fotos as mostram?
Ela saltou para sua mquina, abriu o programa, o arquivo, as imagens
Mierda, nada, nada, nada. Aqui! Esquadrinhando encontrou uma vista 
lateral. Essa  boa, condenadamente boa. Pode trabalhar com ela?
Feeney mordiscou, considerando-o. 
Sim, talvez. O chapu cobre a parte superior da orelha, mas talvez. Boa 
indicao, Dallas. me teria passado. Trabalharemos rasgo por rasgo, verei que salta. No 
vai ser rpido. Algo to complexo vai tomar dias. Talvez uma semana.
Necessito a cara do bastardo. Ela fechou seus olhos, concentrando-se. 
Voltaremos atrs, trabalhemos o ngulo da joalheria outra vez, o desinfetante, os 
cosmticos, as tatuagens desenhadas  mo. Talvez possamos encontrar algo ali.
Dallas, as duas terceiras partes dos sales e clubes na cidade tm artistas de 
tatuagem  mo elevada.
E talvez um deles conhece esse desenho. Soprou ela. Temos duas horas 
antes de nos encontrar em Nova. Faamos o que possamos.

Capitulo 11
A nica coisa que realmente indignava ao Peabody era que McNab estava em 
sua lista de contatos. No importava que o mais provvel fosse devido a seu perfil e o 
seu tinham sido trocados para encaixar com os das vtimas.
Isso francamente a irritava.  
No gostava de trabalhar com ele, com sua roupa ridcula, seus sorrisos 
presumidos, e atitude de sabicho, mas se figurou que estava pega a ele tanto como Eve 
acreditasse uma vantagem.
No havia ningum na fora a quem Peabody admirasse tanto como ao Eve 
Dallas, mas resolveu que at o mais inteligente dos policiais inteligentes podia cometer 
um engano. o do Eve, em opinio do Peabody, era McNab.
Podia v-lo atravs do pequeno e elegante bar. Ele e a loira de mais de um 
metro oitenta com que se citou estavam diretamente em sua linha de viso. Um 
movimento deliberado por parte do McNab, imaginou, s para incomod-la enquanto 
trabalhavam.
Se ele no tivesse estado ali, poderia ter sido capaz de desfrutar da atmosfera 
silenciosamente elegante. O bar tinha mesas chapeadas bastante bonitas, cabines de 
intimidade cor azul clara, e brilhantes reprodues de cenas das ruas de Nova Iorque 
decorando as clidas paredes amarelas.
Elegante, pensou, jogando uma olhada a reluzente e larga barra, com espelhos 
brilhantes e garons vestidos de smoking. Mas a gente devia esperar classe de algo que 
pertencia ao Roarke.
A cadeira acolchoada onde se sentava estava  desenhada para a comodidade; 
bebida-las eram gloriosas. A mesa estava equipada com centenas de selees musicais e 
de vdeo e aparelhos de surdez individuais se um cliente queria entretenimento enquanto 
ele ou ela esperavam a um amigo ou desfrutavam de uma bebida tranqila, solitria.
Peabody estava profundamente tentada a provar os auriculares, j que seu 
primeiro encontro era um aborrecimento feroz. O nome do tipo era Oscar e era um 
professor especialista em mecnica de telas do lar. at agora, ele tinha estado sobre tudo 
interessado em tragar destripadores e falar pestes de seu recente ex-algema.  
Ela era, disse ao Peabody, uma cadela que no o apoiava, uma rameira 
egocntrica que era frgida na cama. depois de quinze minutos, Peabody estava 
totalmente do lado da mulher.
De todos os modos, jogou jogo, sonriendo e conversando enquanto eliminava 
ao Oscar de suas listas mentais de suspeitos. O tipo tinha um problema srio com o 
lcool, e seu o homem que procuravam era muito preparado para perder o tempo com as 
impressionantes ressacas que produziam uns poucos destripadores.
Ao outro lado do salo, McNab lanou uma gargalhada que correu ao longo 
dos terminais nervosos do Peabody como uma navalha de barbear desafilada. Enquanto 
que Oscar tragava o ltimo de seu terceiro destripador, jogou uma olhada, e captou o 
rpido movimento de sobrancelhas que lhe fez McNab.
Fez-a querer fazer algo tranqilo e amadurecido. Como lhe tirar a lngua.
Com grande alvio, despediu-se do Oscar, fazendo vagos projetos de juntar-se 
outra vez.
Quando enfaixam destripadores com gelo no inferno, resmungou e se 
estremeceu quando ouviu a voz do Eve em seu auricular.
te controle, Peabody.
Senhor. Peabody vaiou a palavra, cobrindo-o seu murmrio levantando 
seu intacto bombardeiro. Suspirou, notando por sua unidade de boneca que tinha dez 
minutos antes do seguintes encontro.
Maldio!
Peabody se sacudiu quando a voz do Eve explorou em seu ouvido.
Senhor? disse outra vez, afogando-se.
Que demnios faz ele aqui? Maldita seja!
Surpreendida, deslizou uma mo para baixo onde sua arma estava acomodada 
dentro de sua bota esquerda, inspecionando o lugar. E se encontrou sonriendo 
ampliamente quando entrou Roarke.
Bom, esse sim que  um partido feito no cu, murmurou Peabody. por 
que no posso conseguir um desses?
No fale com ele, ordenou Eve em um estalo. No o conhece.
Bem, s o olharei fixamente e babarei, como toda mulher neste lugar.
Sufocou uma risita ante a fileira de grunhidos e maldies do Eve, e quando o 
casal na mesa posterior lhe jogou uma olhada, Peabody esclareceu sua garganta, 
levantou sua bebida outra vez, e se recostou para admirar ao marido de sua Tenente.
Ele caminhou ao longo da barra, e os donos de cantina ficaram firmes como 
soldados desfilando ante seu general. Passou por uma mesa para falar brevemente com 
um casal. reclinou-se para roar com seus lbios a bochecha da mulher, logo se moveu 
para o final da barra para pr uma mo amistosa no ombro de um homem.
Peabody se perguntou se ele se moveria to maravilhosamente na cama, logo se 
ruborizou. Era uma maldita boa coisa, decidiu, que o cabo no transmitisse seus 
pensamentos  caminhonete de vigilncia.
* * * * *
Fora, Eve franziu o cenho ante a tela que projetava a imagem da micro-cmara 
no boto da camisa do Peabody. Olhou ao Roarke caminhando pelo salo, muito casual, 
muito cmodo, e jurou faz-lo p  primeira oportunidade.
Ele no tem nada que fazer em uma operao, disse ao Feeney.
 seu local. Feeney inclinou seus ombros, uma defesa automtica frente a 
uma rixa matrimonial.
Correto, ele deveu comprovar os nveis de licor na barra. Joder. passou-se 
ambas as mos por seu cabelo, logo fez uns sons baixos, selvagens em sua garganta 
quando viu o Roarke perambular para a mesa do Peabody.
Desfrutando de sua bebida, senhorita?
Um, sim, eu... Mierda, Roarke foi o melhor que Peabody pde fazer.
Ele s sorriu, inclinando-se.
lhe diga a sua Tenente que deixe de me amaldioar. No me cruzarei em seu 
caminho.
Os olhos do Peabody se moveram nervosamente quando a voz do Eve explorou 
em seu ouvido.
Uh, ela sugere que tire seu traseiro de sonho daqui. Vai a, isto, a te dar 
uma patada mais tarde.
Estarei-o esperando. Ainda sonriendo, elevou os dedos do Peabody, e os 
beijou. Te v fabulosa, disse-lhe, logo se afastou enquanto as equipes na 
caminhonete mostravam um ponto agudo em sua tenso arterial e a freqncia de seu 
pulso.
te controle, Peabody, advertiu Eve.
No posso controlar uma reao fsica involuntria a estmulos exteriores            
suspirou Peabody. Indubitavelmente tem um traseiro de sonho. Respetuosamente, 
senhor.
Contato Dois se aproxima. te prepare, Peabody.
Estou preparada.
Jogou uma olhada para a porta, com seu sorriso amistoso preparado. Um dos benefcios 
da operao, por isso a ela se referia, acabava de entrar. Recordou-o de sua primeira 
visita ao Personally Yours. O Deus bronzeado que tinha atrado sua ateno... logo a de 
si mesmo ao dirigi-la para seu espelho de bolso.
Ele ia ser um prazer para a vista durante a seguinte hora.
parou-se na porta, com a cabea levantada, movendo-se de perfil pelo quarto 
enquanto escrutinava as mesas. Seus olhos, de um dourado avermelhado que para jogo 
com seu cabelo, piscaram, logo se fixou no Peabody. Sua boca se curvou quando deu 
uma rpida e perita sacudida a sua cabea para fazer que seu cabelo flura. Cruzou 
diretamente para sua mesa.
Voc deve ser Delilah.
Sim. Grande voz, pensou com um suspiro interior. Melhor em pessoa que 
em seu perfil de vdeo. E voc  Brent.
Ao outro lado do salo foi o turno do McNab para franzir o cenho. O 
emperiquitado homem do Peabody era completamente de plstico, decidiu, com uma 
capa grosa de aerossol brilhante. Provavelmente justo o tipo dela.
O imbecil tinha sua cara reconstruda, decidiu McNab. O corpo, tambm. 
Duvidou que houvesse uma s polegada no homem pela que no tivesse pago.
E s olhe! S olhe a maneira em que lhe faz zalameras, pensou McNab com 
uma ira, mesclada de uma fera dose de cimes. A mulher virtualmente babava com cada 
palavra que o tipo deixava cair por seus lbios realados com colgeno.
As mulheres eram to deplorablemente predecibles.
Seu olhar se deslizou sobre o Roarke quando se deteve ante sua mesa. 
Ela se v especialmente atrativa esta noite, verdade?
A maior parte dos tipos o encontram atrativo quando uma mulher tem a 
metade das tetas fora da blusa.
Roarke sorriu, divertido. Os olhos do McNab ardiam e seus dedos 
tamborilavam rpidos e zangados contra a superfcie da mesa. 
Mas obviamente voc est por cima de tais coisas.
Desejaria estar em cima deles, resmungou McNab quando Roarke voltou 
para circular. Essas so umas tetas superiores.
Aparta seus olhos das tetas do Peabody, ordenou Seu Eve segundo contato 
est na porta.
Sim. McNab jogou uma olhada a uma diminuta ruiva em um skinsuit 
adornado com lentejoulas. Estou nisso.
dentro da caminhonete, Eve olhou carrancuda a tela.
Me os o expediente do tipo que est com o Peabody, Feeney? Algo sobre ele 
me escapa.
Brent Holloway, modelo comercial. Trabalha para Marketing Cliburn-Willis. 
Trinta e oito anos, duas vezes divorciado, sem meninos.
Modelo? Seus olhos se entrecerraron. Em tela?  um tipo de 
entretenimento, correto? 
Mierda. No olhaste muita tela comercial ultimamente. No h nada 
entretido sobre esses anncios, sim me pergunta. Ele  originrio do Morristown, Nova 
Pulver. Residente de Nova Iorque desde 2049. Direo atual: Central Park Oeste. 
Ganhos meios de oitenta e cinco mil ao ano. No tem antecedentes... nenhum arresto. 
Conseguiu uma montanha de multas de trfico.
Vimo-lo -Peabody e eu- no Personally Yours em nossa primeira visita ali. 
Quantas consultas teve ele?
Este  seu quarto grupo de contatos este ano.
Bem, por que um tipo de aparncia agradvel, que tem crditos, uma carreira 
dinmica, e uma situao acomodada, faz-se um viciado de contatos? Quatro grupos de 
contatos em um ano, cinco contatos por grupo. So vinte mulheres, e no lhe resulta. O 
que tem que mau com ele, Feeney?
Feeney apertou seus lbios e estudou a tela.
Em minha opinio ele parece um bastardo presunoso.
Sim, mas muitas mulheres no se preocupam por isso.  atrativo e rico. Algo 
deve ter resultado mau. Tamborilou seus dedos pelo estreito console. No saltou 
nenhuma queixa ao servio?
No! Sua folha ali est poda, tambm.
H algo, disse outra vez um instante antes de ver seu ajudante tornando-se 
para trs e lanando um punho diretamente no perfeito nariz do Brent Holloway. 
Jesucristo. Jesus, viu isso?
A rompeu, disse Feeney tranqilamente quando estudou o jorro rpido de 
sangue. Um bom golpe curto.
Que demnios pensava ela? Que inferno acontece? Peabody, perdeste a 
cabea?
O filho de cadela me colocou mo sob a mesa. Ruborizada e furiosa, 
Peabody estava de p, movendo as mos. O bastardo me falava da nova obra no 
Universo e me agarrou a entrepierna. Pervertido. Voc pervertido, acordada.
McNab, maldita seja fique onde est! Gritou Eve quando McNab se 
levantou com olhos assassinos. Maldio fique onde est, ou estar fora.  uma 
ordem. Uma maldita ordem! te controle. Peabody, por amor de Deus, deixa a esse tipo.
Enquanto Eve se apartava o cabelo de sua cara, Peabody arrastou ao Holloway 
levantando-o e o golpeou outra vez. Teria ido por um terceiro golpe, embora os 
dourados olhos dele seu tivessem posto em branco, se Roarke no tivesse avanado 
entre a excitada multido e tivesse atirado ao Holloway para trs.
Importunava-a este homem, senhorita? Com tranqilidade, Roarke tirou o 
Holloway fora de seu alcance, mantendo seus olhos ao mesmo nvel dos olhos 
brilhantes do Peabody. O sinto terrivelmente. Eu me ocuparei. Por favor, me deixe 
lhe conseguir outra bebida. Com uma mo no Holloway, levantou o copo do Peabody 
com sua mo livre, e o cheirou. Um Bombardeiro, sozinho, ordenou e trs garons 
se precipitaram a obedecer enquanto arrastava ao Holloway agora lutando para a porta.
Com exceo de seus jodidas mos de mim. Essa cadela me rompeu o nariz. 
Minha cara  minha vida, pelo amor de Deus. Cadela estpida. Demandarei a essa 
estpida. Denunciarei-a...  
Ao momento de sair, Roarke o atirou de repente contra o lado do edifcio. A 
cabea do Holloway golpeou a parede com um som evocador s Pelotas de pool quando 
estalam ao romper.
Os olhos dourados rodaram para trs pela segunda vez.
me deixe lhe dar uma pista: Este  meu local. Roarke acentuou a 
informao golpeando a cabea do Holloway contra os tijolos outra vez, enquanto, na 
caminhonete, Eve s podia olhar e amaldioar. Ningum lhe coloca mo a uma 
mulher em meu local e se afasta em suas prprias pernas. A menos que voc queira 
tratar de arrastar-se com sua fofa verga em sua mo, comear a mover-se agora e 
agradecer ao Jesus que s seu nariz esteja rota.
A cadela o pediu.
OH, agora sim, dizer isso foi um pouco errado. Completamente.
Seu acento irlands aparece quando est zangado. Escuta a melodia, disse 
Feeney sentimentalmente enquanto Eve s continuava fazendo sons violentos em sua 
garganta.
Com o que poderia ter sido um suspiro, Roarke cravou um punho no estmago 
do Holloway, habilmente lhe deu um joelhada nas bolas, e o deixou cair.
Lanou uma olhada para a caminhonete com o que certamente era um sorriso 
rpido e malvado, logo retornou dentro.
Um bom trabalho feito, decidiu Feeney. 
vamos chamar uma patrulha para que recolha a esse estpido bastardo e o 
levem a um centro mdico. Eve se esfregou os olhos. vai ver-se maravilhoso no 
relatrio. McNab, Peabody, mantenham suas posies. No rompam -repito- no 
rompam sua coberta. Cristo. Quando este pequeno espetculo termine, informem em 
meu escritrio, logo podemos tratar de salvar algo.
* * * * *
Eram logo que passadas as nove, e Eve se passeava em seu escritrio. Ningum 
falava. Conheciam-na bem. Mas Roarke deu ao ombro do Peabody um consolador 
aperto.
Conseguimos seis encontros entre vocs dois, assim que algo  algo. Os 
ltimos dois, um por cada um de vocs, esto programados para amanh a meio-dia. 
Peabody, informar este incidente... com seu contato nmero dois ao Piper pela manh. 
Chateia-a. Quero ver como o dirigem. Sua folha com eles est poda at agora. Temos 
gravaes de todos seus encontros, mas quero que vocs dois faam relatrios 
individuais. Quando terminarmos o interrogatrio esta noite, iro-se a casa e ficaro ali, 
mantendo seus comunicadores abertos todo o tempo. Tanto Feeney como eu os 
fiscalizaremos.
Sim, senhor. Tenente. Fortalecida, Peabody ficou de p. Tragou com 
fora, mas conservou seu queixo levantado. Peo perdo por meu arrebatamento 
durante a operao. Compreendo que minha conduta poderia comprometer a 
investigao.
Ao inferno com isso! McNab saltou de sua cadeira. Deveria lhe haver 
quebrado suas malditas pernas. O filho de puta merecia...
McNab, disse Eve brandamente.
Maldio, Dallas. O bastardo conseguiu o que merecia. Deveramos...
Detetive McNab. Eve separou as palavras e avanou at ficar frente a  
ele. No acredito que sua opinio neste assunto fora solicitada. Voc est agora fora 
de servio. V-se a casa e acalme-se. Verei-lhe em meu escritrio na Central s, ah, 
nove.
Esperou enquanto ele lutava entre o treinamento e o instinto. Ao final girou 
furioso e saiu sem dizer nada mais.
Roarke, Feeney, dariam-me um momento com meu ajudante?
 obvio, disse Feeney em voz baixa, mais que feliz de abandonar o 
lugar. Tem um irlands, Roarke? foi um comprido dia.
Acredito que podemos te encontrar um copo. Ele lanou ao Eve um olhar 
suave antes de conduzir ao Feeney fora do quarto.
Sinta-se, Peabody.
Senhor. Peabody sacudiu sua cabea. A defraudei. Prometi-lhe que 
poderia com isso e com as responsabilidades que me deu. Logo o danifiquei ao primeiro 
imprevisto. Compreendo que tem todo o direito e razo de me apartar da investigao, 
ao menos do trabalho encoberto, mas eu gostaria de solicitar respetuosamente outra 
oportunidade.
Eve no disse nada, deixando que Peabody terminasse. Seu ajudante estava 
ainda plida, mas suas mos estavam firmes, e seus ombros retos. 
No acredito ter mencionado a inteno de apart-la do trabalho encoberto, 
Oficial. Mas sim lhe disse que se sentasse. Sente-se, Peabody, disse de forma mais 
gentil, logo girou para procurar uma garrafa de vinho. 
Entendo que quando se est encoberta se tem que manter sua coberta, e tratar 
com o inesperado sem descontrolar-se.
No te vi romper sua coberta, s o nariz desse imbecil.
No pensei, s reagi. Deduzo que durante essa classe de trabalho se tem que 
pensar sempre.
Peabody, at um companheiro autorizado tem o direito de protestar se algum 
imbecil agarra seu entrepierna em um lugar pblico. Toma, bebe.
Ele me manuseou. Sua mo tremeu quando Eve lhe entregou o copo. S 
estvamos ali conversando e de repente me manuseou. Sei que paquerava, e lhe deixei 
lhe dar um bom olhar a minhas tetas, assim possivelmente o mereci...  
Detenha. Eve se controlou o suficiente para pr suas mos sobre os 
ombros do Peabody e empurr-la para uma cadeira. No o merecia, e me enfurece te 
ouvir dizer que o pensa. O filho de cadela no tinha nenhum direito de te tocar desse 
modo. Ningum tem direito a te forar desse modo.  
te dominar, atar suas mos, te forar enquanto roga que se detenha. E isso di, 
di, di.
Nauseia-as se elevaram, quase afogando-a, at que girou, ps suas mos em seu 
escritrio, e se ordenou respirar.
No agora, murmurou ela. Por amor de Deus.
Dallas?
No  nada. Mas teve que ficar quieta, com as mos apertadas, outro 
momento. Sinto te haver posto nessa posio. Eu sabia que havia algo mau nele.
Peabody levantou seu copo com ambas as mos. Ainda podia sentir o agudo e 
repentino golpe dos dedos do Holloway manuseando-a.
Ele passou sua investigao.
E agora sabemos que sua investigao no  to boa como reclamam. Ela 
suspirou profundamente e, mais estvel, voltou-se. Quero que golpeie ao Piper com 
isto pela manh, em pessoa. Entra, e exige v-la. um pouco de histeria no faria mal; 
pode ameaar demandando-os ou ir  imprensa. Quero que lhes explore na cara. vamos 
ver que sacudimos. Pode faz-lo?
Sim. Horrorizada por estar ao bordo das lgrimas, Peabody soprou. 
Sim, por como me sinto, ser fcil.
Mantn seu comunicador aberto. No podemos utilizar nada no interior, mas 
te quero em constante contato. Pode atrasar seu relatrio de esta noite at manh pela 
tarde. Farei que Feeney te leve a casa, bem?
Sim.
Eve esperou um momento. 
Peabody?
Senhor?
Maldito bom murro. A prxima vez, entretanto, lhe d um golpe na virilha. 
Querer incapacit-lo completamente, no s chate-lo.
Peabody soltou um comprido suspiro, logo sorriu pela metade. 
Sim, senhor.
* * * * *
Como desejava uma posio de autoridade, Eve se sentou detrs de seu 
escritrio e esperou ao Roarke. Sabia que ele acompanharia ao Feeney e Peabody  
sada, provavelmente adicionando umas quantas carcias de consolo ao Peabody. O que 
faria que a pobre mulher tivesse sonhos molhados, erticos se Eve conhecia seu 
ajudante.
Melhor, pensou, que horrveis pesadelos a respeito de lhe colocar emano e 
impotncia. 
Mas como, compreendeu, era parte de seu problema com este caso. Homicdios 
sexuais, escravido, a alegre crueldade em nome do amor. Muito perto dele. Muito perto 
do passado do qual passou a maior parte de sua vida fugindo.
Agora a golpeava na cara. Cada vez que olhou a uma vtima, via-se si mesmo.
E o odiou.
J passou, ordenou-se. E terminou.
Quando Roarke entrou, examinou-o e manteve seus olhos nele enquanto 
cruzava o quarto. Serve duas taas do vinho que ela tinha tirado para o Peabody, ps 
uma em seu escritrio, logo tomou a dele e se sentou na cadeira frente dele.
Ele bebeu a sorvos, tirou um de seus cada vez mais estranhos cigarros, e o 
acendeu. 
Bem, disse e o deixou nisso.
Que demnios pensou que fazia?
Ele aspirou, exalou-o em uma corrente magra, e fragrante.
Em que assunto?
No te faa o lindo comigo, Roarke.
Mas o fao to bem. Fcil, Tenente. Levantou seu copo em saudao 
quando ela grunhiu deso em sua garganta. No infringi sua operao.
O ponto  que no tinha nada que fazer perto da cena.
me perdoe, mas possuo a cena. Havia arrogncia em seu tom agora, e 
desafio. Freqentemente passo por minhas propriedades. Mantm aos empregados em 
seus postos.
Roarke...
Eve, este caso te afoga. Crie que no posso v-lo? Sua serenidade se 
gretou s o suficiente para levantar-se e ficar a passear.
Feeney estava no correto, pensou fugazmente, o Irlands lhe saa quando estava 
zangado.
Perturba seu sonho... o pouco que te permite. Obceca seus olhos. Sei pelo 
que est passando. Ele se voltou, com o gnio vivo nesses olhos maravilhosamente 
azuis. Cristo, admiro-te. Mas no pode esperar que me  parte e finja que no vejo, 
no entendo, e no faa o que possa para aliviar o que te acontece.
No  sobre mim. No pode ser sobre mim.  sobre as trs pessoas mortas.
Eles tambm lhe obcecam. Cruzou para o escritrio e se sentou na esquina 
perto dela. Por isso  a melhor polcia que conheci em minha vida. No so nomes e 
nmeros para ti. So pessoas. E tem o dom -ou a maldio- de ser capaz de imaginar 
muito bem o que eles viram, sentiram e suplicaram em seus ltimos minutos de vida. 
No me apartarei.
inclinou-se para frente, com um rpido movimento que a agarrou indefesa, 
agarrou seu queixo. 
Maldio. No me separarei do que  ou o que faz. Aceitar-me Eve, cada 
parte to completamente como eu te aceitou.
Ela se sentiu muito melhor, absorvendo suas palavras, procurando seus olhos. 
Nunca podia resistir s coisas que encontrava em seus olhos. 
O inverno passado, ela comeou devagar, irrompeu em minha vida. No 
te pedi. No te quis.
Sua sobrancelha se arqueou, um irritado desafio. 
Graas a Deus que maldito o que te importou um cominho o que pedi ou o 
que pensei que queria, ela murmurou e viu o gesto de desafio trocar a um sorriso.
No te pedi tampouco. Aghra.
Meu amor. Ela sabia o que isso significava, em sua lngua natal, e no podia 
deixar de abrir seu corao. A ele.
Aps  estranho que tenha tido um caso no que no te tenha enredado. No 
queria que seguisse desse modo. Usei-te quando era conveniente. Isso me incomoda.
me agrada.
Sei Suspirou e, levantando uma mo, rapidamente fechou seus dedos em 
sua boneca. Seu batimento do corao ali, era forte e estvel. Te aproxima muito a 
partes de mim que no quero olhar, e logo no tenho outra opo, salvo as olhar.
As miras com ou sem mim, Eve. Mas talvez comigo no lhe faro tanto 
dano. Miro para trs, ele disse e a surpreendeu o bastante para que seus olhos 
piscassem, mantendo-os ali. E  mais fcil, esses momentos so mais fceis estando a 
seu lado. No pode me questionar, no pode esperar que no esteja a seu lado quando 
esses momentos rodeiam.  
Ela se levantou, levando-se seu vinho e afastando-se dele. Ele tinha razo, 
pensou. O que muito freqentemente via como dependncia deveria hav-lo tomado 
como comunicao.
E ela podia dizer-lhe 
Sei o que sentiram. Sei pelo que aconteceram... o medo, a dor, a humilhao. 
O que aconteceu a cada um deles enquanto estavam indefesos, nus e ele os violava. Sei 
o que sentiram seus corpos, e suas mentes. No quero recordar o que se sente ser 
atacado dessa maneira. Violado, assaltado. Mas o fao. Logo me toca.
Ela se voltou, compreendendo que nunca em realidade o tinha crdulo.
Logo me toca, Roarke, e j no o fao. No o sinto, nem o recordo.  to 
simples.  unicamente... voc.
Amo-te, murmurou ele. Muitssimo.
E agora est aqui quando deveria estar de retorno a seus negcios fora do 
planeta. Sacudiu sua cabea antes de que ele pudesse falar, poderia lhe dar uma 
pequena desculpa, mas o conhecia bem. Estava ali esta noite, sabendo que estaria 
furiosa, porque pensou que poderia haver uma possibilidade de que te necessitasse. 
Agora mesmo est aqui preparado para discutir comigo s para afastar de meu memore 
o que me est rasgando. Conheo-te, maldita seja. Sou polcia. Sou boa em conhecer s 
pessoas.
Ele s sorriu. 
Apanhado. E o que?
Y... obrigado. Mas estive no trabalho onze anos at agora e posso me dirigir. 
Por outra parte... Estudou seu vinho, logo tomou um comprido trago. Seguro que 
me senti feliz ao verte golpear a esse bocn miservel que atacou ao Peabody. Tive que 
ficar sentada nessa jodida caminhonete. No podia me arriscar a sair para lubrific-lo no 
pavimento eu mesma e tamp-lo a golpes. Assim que me senti bastante bem ao verte 
faz-lo por mim.
OH, isso foi completamente para meu prazer. Ela est bem?
Estar-o. Ele a sacudiu... a parte humana. Tomar uma ducha quente, um 
sedativo se for inteligente, e dormir. A parte polcia a manter.  uma boa polcia.
 uma das melhores graas a ti.
No, no me atribua isso.  o que  por si mesmo. Incmoda com aquele 
tema, lanou-lhe um frio olhar.Arrumado que a abraou, acariciou-lhe o cabelo, e lhe 
deu um beijo de boa noite.
Aquela sobrancelha pomposa se levantou outra vez. 
E sim o fiz?
Seu pequeno corao tambm palpita de mais, o que no  muito aceitvel. 
Ela sente algo por ti. 
Srio? Ele sorriu ampliamente. O que... interessante.
No jogue com meu ajudante. Preciso-a concentrada.
E porque no te concentra s um pouco, e vejo se posso fazer que seu 
corao palpite?
Ela se passou a lngua por seus dentes. 
No sei. Tenho muito em minha mente. Poderia ser muito trabalho.
Desfruto de meu trabalho. Com seus olhos nos seu, apagou seu cigarro, e 
baixou seu copo. E sou condenadamente bom nisso.
* * * * *
Estava de barriga para cima na cama, nua e ainda excitada, quando a chamada 
entrou. Indicou grunhindo, bloquear vdeo, e respondeu. Trinta segundos mais tarde, 
levantava-se e procurava sua roupa. A chamada tinha sido a resposta a uma chamada 
annima por uma disputa domstica. A direo lhe era muito familiar.
 a casa do Holloway. No  um 1222. Ele est morto. Seguiu o patro.
Irei contigo. Roarke j estava fora da cama e procurando sua cala.
Ela comeou a protestar, logo se encolheu de ombros. 
Bem. Tenho que se localizar ao Peabody, e ela possivelmente no o dirija 
bem. Conto contigo para sacudi-la porque vou ter que ser dura com ela para mant-la 
em linha.  
No invejo seu trabalho, Tenente, disse Roarke enquanto se vestia na 
escurido.
Agora mesmo, eu tampouco. Tirou seu comunicador e chamou o Peabody.

Capitulo 12
Brent Holloway tinha vivido bem, e tinha morrido mau. O mobilirio de seu 
apartamento falava de um homem que se conduzia de ambas as formas e com 
comodidade. Um sof comprido dominava a rea de estar e harmonizava com 
almofadas negras triangulares que pareciam suaves ao tato. Uma tela de viso estava 
cavada no teto. Em um gabinete, com a forma de uma mulher bem dotada do pescoo ao 
joelho, havia uma extensa coleo de discos de pornografia, uns legais, e outros 
pirateados.
Uma barra chapeada se estendia de um extremo a outro de uma parede usando-
se de bar, e abastecida de licor  e drogas ilegais trocas.
A cozinha era totalmente automatizada, austera, e parecia ter sido usada 
raramente. Havia um escritrio com um sistema de computador de alta qualidade, um 
holo fono e um quarto de jogos equipado com Realidade Virtual e um tubo de humor. 
Um criado droide estava parado na esquina, apagado e com o olhar em branco.
Holloway estava na sute principal, deitado sobre uma cama de gua, pacote 
com uma deslumbrante grinalda chapeada e olhando fixa e cegamente seu prprio 
reflexo no brilhante dossel. A tatuagem tinha sido pintado sob seu ventre, e quatro aves 
gordinhas penduravam da apertada cadeia ao redor de seu pescoo.
Parece que esteve em um centro mdico, comentou Eve. Seu nariz logo 
que estava um pouco torcida. Qualquer contuso que poderia ter tido foi coberta 
expertamente com cosmticos.
Roarke estava afastado, sabendo que no lhe estava permitido entrar no quarto. 
Tinha-a visto trabalhar antes. Competente, meticulosa, com uma gentileza sob seus 
movimentos profissionais quando assistia aos mortos.
Contemplou-a fazer o exame prtico padro para estabelecer o momento da 
morte, registrando-o ela mesma at que Peabody e os tcnicos da cena do crime 
chegassem.
H sinais de ligadura, em ambas as bonecas, ambos os tornozelos indicam 
que a vtima foi imobilizada antes de morrer. A morte ocorreu s vinte e trs quinze. A 
contuso na garganta indica que a causa de morte provavelmente foi estrangulamento.
Ela levantou o olhar quando soou o timbre.
Deixarei-a entrar, disse Roarke.
Bem. Roarke? Vacilou s um momento. Ele estava a, depois de tudo, e 
era competente. Pode reativar ao droide? Evitar as ordens programadas?
Acredito que poderia dirigi-lo.
Sim. Havia muito pouco que ele no soubesse fazer para sortear os 
sistemas de segurana. Lanou-lhe uma lata de Selador. te Cubra as mos. No posso 
ter seus rastros nele.
Lhe lanou  lata um suave olhar de averso, mas a levou com ele.
Retornou ao corpo, para seguir fazendo seu trabalho. Podia ouvir a dbil 
conversao no outro quarto enquanto Roarke falava com o Peabody. Movendo-se para 
a porta, esperou.
Peabody estava de volta em uniforme, seu grabadora fixada  lapela, seu cabelo 
ferozmente alisado para baixo em sua habitual juba ao redor de sua cara. E sua cara 
estava plida, seus olhos horrorizados.
OH mierda, Dallas.
me diga se no poder tratar com isto. Tenho que sab-lo agora antes de que 
entre.
Ela se tinha perguntado o mesmo repetidas vezes desde que tinha recebido a 
chamada. Como ainda no estava segura da resposta, manteve seus olhos no Eve. 
 meu trabalho dirigi-lo. Sei isso.
Eu te digo qual  seu trabalho. H um droide. Pode trabalhar nisso. Pode 
comprovar os comunicadores, os discos de segurana. Pode comear o porta a porta.
Era fora. odiou-se por querer tom-lo, por desejar fazer tudo menos entrar no 
quarto. 
Prefiro trabalhar na cena. Senhor.
Eve estudou seu rosto um momento mais, e logo afirmou com a cabea. 
Acende seu gravador. Girou e retornou ao lado da cama. A vtima  
Holloway, Brent, identidade estabelecida pelo oficial investigador. Preliminar no corpo 
registrado por Dallas, Tenente Eve. Registro subseqente com o Peabody, oficial Delia. 
Momento e causa aparente de morte estabelecida.
O estmago do Peabody se agitou quando se obrigou a estudar o corpo. 
 justo como outros.
Aparentemente. A agresso sexual ainda no foi estabelecida,  vtima no 
lhe confirmou drogas. A pele exposta mostra signos de desinfetante. Ainda posso 
cheir-lo.
Ela tomou um visor de sua equipe de campo, acomodou-o sobre sua cabea, e 
ajustou o poder nos oculares. 
Os tcnicos da cena do crime chegam tarde, grunhiu. Luzes, ordenou, 
e os raios dos focos programados na cama se apagaram.
Sim, ele foi orvalhado. Os traos da tatuagem coincidem com os das vtimas 
anteriores.  malditamente bom  mo elevada, acrescentou, com seu nariz quase 
toda pressionada em cima do ventre do Holloway. O que temos aqui? me d as 
pinzas, Peabody. Encontrei um cabelo ou fibra.
Sem olhar para trs, Eve levantou uma mo, e sentiu o pequeno instrumento 
metlico quando Peabody o passou.
 branco, no parece artificial. Sustentando o fio magro, estudou-o pelo 
visor ampliado. Tem vrios destes. Necessito uma bolsa. Inclusive enquanto o 
dizia, Peabody j lhe oferecia uma. Adivinharia que se soltou da barba da Santa, e 
esta vez no foi cuidadoso limpando depois.
Com cuidado Eve arrancou os fios brancos do corpo, e os empacotou.
Acaba de cometer seu primeiro engano. Toma o visor. Eve o tirou. 
Comprova o quarto de banho, cada esquina. Tira o desge e empacota os contedos. 
Quero tudo. Acender luzes, acrescentou. Perder ao Cissy ontem  noite o sacudiu, 
Peabody. faz-se descuidado.
* * * * *
Quando Eve entregou o quarto  equipe de cena do crime, tinha encontrado 
mais de uma dzia de cabelos, e minuciosos rastros de fibra. Seus olhos estavam 
sombrios e resolvidos quando encontrou ao Roarke com o droide no quarto de jogos.
Conseguiu-o?
 obvio. Acomodado na cadeira adaptvel de corpo, gesticulou para o 
droide. Rodney, ela  a Tenente Dallas.
Tenente. O droide era pequeno e rechoncho, com uma cara fecha e uma 
voz entrecortada. Obviamente Holloway no tinha querido competncia, nem sequer em 
seu eletrnico.
A que hora foi desligado esta noite?
s dez e trs, pouco depois de que o Sr. Holloway voltasse para ltima 
hora. Ele prefere que eu permanea longe a menos que requeira meus servios.
Ele no os requereu esta noite.
Pelo visto no.
Teve algum convidado entre o momento que voltou e voc foi desligado?
No. Sim posso dizer, que o Sr. Holloway no parecia estar de humor para 
companhia essa tarde.
Como assim?
Parecia aborrecido, reclamou o droide, logo curvou seus lbios.
Rodney, esta  uma investigao policial. requer-se que responda a todas 
minhas perguntas.
No entendo. Houve um roubo com invaso de moradia?
No, seu patro est morto. Veio algum  porta antes de que Holloway 
voltasse?
Compreendo. Rodney se tomou um momento, como se ajustasse seus 
circuitos s notcias. No, no teve convidados essa tarde. O Sr. Holloway tinha um 
compromisso fora. Voltou para casa s nove e cinqenta. Estava zangado. Amaldioou-
me. Notei que tinha algumas contunda faciais e lhe perguntei se podia ajud-lo. Sugeriu 
que me jodiera, o que  uma funo que no estou programado para executar. Ordenou 
que me fora ao diabo, o que no era possvel, logo revogou essa ordem com uma de 
entrar neste quarto e me desconectar de noite. Fui programado para me acender s sete 
da manh
Pela extremidade, Eve podia ver o Roarke sorrir abertamente. Ignorou-o. 
Seu patro tem drogas ilegais e materiais pornogrficos dentro do lugar.
No estou programado para fazer comentrios a respeito desses assuntos.
Entreteve ele aqui a companheiros sexuais?
Sim.
Masculino ou feminino?
Ambos, em ocasies ao mesmo tempo.
Procuro um homem, de aproximadamente 1, 82 cm. Acredito que tem as 
mos, e os dedos largos. Provavelmente caucsico. De mais de trinta, mas 
possivelmente no mais de cinqenta. Tem algum talento artstico, e interesse no teatro.
Sinto muito. Rodney inclinou sua cabea cortesmente. So dados 
insuficientes.
E me diz isso, resmungou Eve.
* * * * *
Eve esperou at que o corpo foi empacotado e tirado. 
H mais neste tipo do que temos no registro, disse ao Roarke. Olhe 
aqui, pode-se ver. Tinha dinheiro, e gostava de gast-lo em sua cara e corpo. Gostava de 
olhar-se. Seu olhar explorou o quarto, notando espelhos em quase cada superfcie. 
Ele utiliza uma agncia de contatos, reclamando ser heterossexual, mas seu droide diz 
que era bissexual. A agncia de contatos investiga melhor que a Diviso de Controle de 
Candidatos de Washington do Este, mas ele os evade. Manuseia ao Peabody em seu 
primeiro encontro. Se o fez uma vez, deve-o ter feito antes, mas passa inadvertido.
Perambulou pela sala de estar enquanto Roarke permanecia em silncio. No 
lhe pedia nada, sabia. Usava-o como um rebote para seus pensamentos. 
Talvez estava relacionado com o Rudy ou Piper. Um amante. Ou ajudava a 
financiar o lugar, ou sabia algo deles assim que o deixavam escapulir-se. Este tipo no 
era um corao solitrio, era um pervertido. Tinham que sab-lo. Ao menos um deles 
teve que sab-lo.
Ela se deteve no gabinete, agora vazio dos discos j recolhidos como provas. 
Alguns desses eram trabalhos caseiros. Pergunto a quem encontraremos 
fazendo porcarias com o Holloway.
Olhou detrs do Roarke. Estavam sozinhos nesse momento, mas Peabody 
estaria de volta dentro de pouco. Lutou com a lei, logo pensou em quatro bolsas de 
corpos. 
Tenho que ir com este. No sei quando estarei em casa.
Como ele a conhecia muito bem, aproximou-se, e ps uma mo em sua 
bochecha. 
me quer pedir isso ou que s o faa e lhe diga isso depois de que o tenha 
feito?
Ela suspirou. 
Pedirei-lhe isso. Colocou suas mos nos bolsos enquanto o fazia. Pode 
aprofundar sob a superfcie do que Holloway ps no registro e averiguar em horas o que 
ao Feeney tomaria dias. Ele no pode tomar atalhos como voc. No tenho dias. No 
quero que este bastardo me d outro corpo para ser empacotado.
Chamarei-te quando tiver algo.
Ele o fazia facilmente, e isso s a fez sentir-se pior. 
Enviarei-te seu arquivo quando entre a Central, comeou ela, logo apertou 
a boca quando ele sorriu.
No h nenhuma razo para que perca tempo quando posso consegui-lo por 
mim mesmo. Inclinando-se, beijou-a. Desfruto te ajudando.
S voc gosta de chatear ao CompuGuard e correr programas ilegais.
H um benefcio acrescentado. Ps suas mos em seus tensos ombros, e os 
esfregou brandamente. Se trabalhar at que te caia de bruces, inquietarei-me.
Ainda estou de p. Necessito o carro e no tenho tempo para te levar a casa.
Acredito que poderei chegar. Beijou-a outra vez antes de caminhar para a 
porta. OH, a propsito, Tenente, tem uma entrevista com Gorjeia esta tarde s seis. 
Ela e Mavis viro a casa.
OH, por amor de Deus.
Entreterei-as se chegar um pouco tarde. Ignorando sua sucessiva 
maldio, foi.
Ela terminou com um suspiro, logo juntou sua equipe de campo, chamou o 
Peabody, e selou a cena. 
Quero levar o cabelo e a fibra ao laboratrio e lhe colocar pressa ao estpido 
do Dick, disse quando subiram a seu veculo. Apressaremos ao Mdico Forense, 
tambm, embora no acredito que averigemos nada na autpsia que no saibamos j.
* * * * *
Lanou um olhar de soslaio a seu ajudante enquanto conduzia. 
vai ser um comprido dia, Peabody. Possivelmente queira tomar um aprovado 
para dirigi-lo. Pode requisitar algum Todo-alerta. 
Estou bem.
Necessito-te acordada. Quero que te troque e esteja lista s nove. Tem que 
levar a cabo seu papel com o Piper. Atrasaremos fazer pblico o nome do Holloway  o 
maior tempo possvel.
Sei o que fazer. Peabody olhou fixamente a janela, para a escura noite. 
Havia um solitrio assador guia de ruas na esquina da Novena, com seu operador 
esquentando-se no vapor de sua churrasqueira.
No me arrependo de lhe haver quebrado seu maldito nariz, disse 
repentinamente. Pensei que o faria. Quando o vi ali, e vi o que lhe tinham feito, 
pensei que o lamentaria.
Uma coisa no tem nada que ver com a outra.
Pensei que o faria, que deveria faz-lo. Tive medo de entrar naquele quarto. 
Mas uma vez que estive ali, trabalhando, no senti todas as coisas que pensei que 
sentiria.
 polcia. Uma boa.
No quero ser da classe que deixa de sentir. Girou a cabea, e estudou o 
perfil do Eve. Voc no o . Para ti no so s restos, so pessoas. No quero deixar 
de recordar que so pessoas.
Eve jogou uma olhada  direita e  esquerda quando se aproximou de uma luz 
vermelha, logo vendo seu caminho espaoso, acelerou.
No trabalharia comigo sim pensasse isso de ti.
Peabody tomou um comprido e  lento flego e sentiu que seu estmago se 
assentava. 
Obrigado.
J que est agradecida, ponha em contato com o estpido do Dick. lhe diga 
que quero seu fraco culo no laboratrio dentro de uma hora.
Peabody fez uma careta, e se moveu em seu assento. 
No sei se estiver to agradecida.
Faz a chamada, Peabody. Se ele se negar, assumirei o controle e o subornarei 
com uma das caixas de cerveja irlandesa do Roarke. Dickie sente debilidade por ela.
* * * * *
Tomou duas caixas e a ameaa de lhe atar a lngua ao redor de seu pescoo, 
embora fossem as trs da manh. Dickie estava com sua bata de laboratrio e j 
comprovava o cabelo e as fibras.
Eve se passeou pelo laboratrio, ladrando por seu comunicador quando o 
ajudante do mdico forense reclamou uma ponte de frias em autpsias.
Olhe, pequeno parasita, posso chamar o Comandante Whitney e te fritar o 
culo. Isto  Prioridade Um. Quer que deixe cair a quo mdios minha investigao foi 
atrasada porque um assistente do mdico forense quis ler seus cartes de Natal em vez 
de fazer um corte?
Venha, Dallas, trabalho o dobro. Tenho cadveres empilhados como tijolos 
nas gavetas.
Ponha meu tijolo sobre a mesa e ten o relatrio para as seis ou vou para l e 
te mostro como se sente um corte no Y.
Ela cortou a transmisso e girou. 
me agrade, Dickie.
No me pressione, Dallas. No me assusta. E no vejo nenhuma Prioridade 
Um etiquetada nestas provas.
Haver por nove. Ela avanou e deu a seu cabelo um rpido empurro. 
No tive meu maldito caf, Dickie. No querer te pr difcil comigo.
Santo Deus!, te consiga um ento. detrs de suas pequenos lentes, seus 
olhos eram to grandes como um mocho. Trabalho com o maldito material, ou no? 
Qu-lo rpido ou o quer bem feito?
Quero-o de ambas as formas. Como estava se desesperada, avanou e 
agarrou uma taa do lodo do laboratrio que pretendia passar por caf e se obrigou a 
trag-lo.
O cabelo  humano, mencionou ele. Tratado com um fixador de salo e 
um desinfetante de ervas.
Isto animou ao Eve o suficiente para beber mais caf enquanto cruzava para 
ele.
Que tipo de fixador, e para que serve?
Para conservar a cor e a textura. Conserva o branco sem ficar amarelo e 
rgido. Duas de suas amostras tm um pouco de cola em um extremo. Estes cabelos 
vieram provavelmente de uma peruca. Uma boa, e cara.  cabelo humano verdadeiro, e 
isso a faz de primeira qualidade. Terei que trabalhar mais para etiquetar a cola. 
Possivelmente possa te conseguir a marca registrada do fixador depois de algumas 
prova mais.
E as fibras, e o material que Peabody obteve do desge?
No o tenho feito ainda. Jesus, no sou um droide.
Bem. Ela pressionou os dedos em seus olhos. Tenho que ir ao depsito 
de cadveres, e me assegurar de que Holloway j est na mesa. Dickie. Ps uma mo 
em seu ombro. Ele era uma dor no culo, mas era o melhor. Necessito tudo o que 
possa me conseguir, e o necessito rpido. Este tipo matou a quatro, e j est procurando 
o nmero cinco.
Maldio, conseguiria-lhe isso muito mais rpido se deixasse de respirar em 
minha nuca.
Parto-me. Peabody.
Senhor. Peabody se sacudiu de sua cabeada em uma cadeira do 
laboratrio e piscou cegamente.
Movemo-nos, disse Eve breve. Dickie, conto contigo.
Sim, sim. Sabe, acredito que no recebi o convite a sua maravilhosa festa de 
amanh de noite. Sorriu escassamente. Provavelmente se perdeu.
Assegurarei-me de encontr-la. depois de que me d o que necessito.
Obter-o. Contente, voltou-se e se inclinou para seguir trabalhando.
Pequeno bastardo avaro. Toma. Empurrou o caf na mo do Peabody 
enquanto se dirigiam a retirar o carro. Bebe isto. Far que desperte ou que lhe mate.
Eve acossou ao assistente do mdico forense at que teve confirmado a causa 
de morte. Esteve parada sobre seu ombro at que lhe fez a prova de toxicologia e lhe 
informasse do tranqilizador sem receita mdica no organismo do Holloway.
De volta na Central mandou ao Peabody  rea apertada usualmente conhecida 
como "ltimo remdio". Consistia em um quarto escuro com trs beliches de dois 
nveis.
Enquanto seu ajudante dormia, acomodou-se em seu escritrio e escreveu os 
informe. Transmitiu as cpias necessrias, e se abasteceu de combustvel com mais caf 
e o que poderia ter sido um pozinho de arndano da mquina vendedora.
Seguia sendo um tmido amanhecer quando seu comunicador emitiu um sinal 
sonoro e a imagem do Roarke alagou sua tela.
Tenente, v-te bastante plida.
Estou o bastante firme.
Tenho algo para ti.
Seu corao pulsou uma vez. Ele sabia que no podia dizer nada mais em uma 
chamada registrada. 
vou tratar de me aproximar de casa dentro de pouco. Peabody estar 
dormindo um par de horas mais.
Voc tambm tem que dormir.
Sim. J tenho feito tudo o que pude aqui. Vou indo.
Esperarei-te levantado.
Cortou a chamada, e deixou uma breve nota para o Peabody, se por acaso 
despertava antes de que voltasse. Uma vez em seu carro, saiu, e chamou outra vez ao 
laboratrio.
Tem-me algo mais?
Jesus,  implacvel. etiquetei sua fibra.  uma mescla de polister sinttico, 
que se vende com o nome do Wulstrong. L simulada, usualmente em casacos e 
suteres. Esta foi tinta de vermelho.
Como um traje da Santa?
Sim, mas no como os trajes dos que tocam sinos. Esses pobres bastardos 
no podem permitir-se esta classe de peso e qualidade. Esta  uma mierda boa, o melhor 
depois da l verdadeira. Os fabricantes afirmam que  melhor... mais morna, mais 
durvel, e blah, blah, blah. Essas so tolices, no  melhor que a genuna. Mas  boa, e 
cara. Igual ao cabelo. Seu tipo no est preocupado por gastar uns crditos.
Bem. Bom trabalho, Dickie.
Encontrou meu convite, Dallas?
Sim, ficou deso de meu escritrio.
Essas coisas passam.
me consiga os resultados do material do desge, Dickie, e lhe enviarei isso.
Ela olhou o cortejo do amanhecer com o cu do Este quando girou para a casa.
* * * * *
Sabia onde encontrar ao Roarke. Em um quarto que no deveria ter existido, 
dirigindo uma equipe sobre o qual no deveria saber. Ignorou sua reao instintiva, a 
reao de polcia, quando se aproximou do quarto e ps sua palma na placa.
Dallas, Tenente Eve.
Sua palma... e seu registro de voz foram analisados rapidamente, e lhe permitiu 
entrar.
Ele tinha deixado as cortinas abertas revelando a ampla janela. O vidro em si 
mesmo era tratado. Ningum poderia ver para dentro. O quarto era grande, o cho de 
um mrmore de sonho, as paredes acentuadas com obras de arte... mas a maior parte 
dominada por vrias telas.
Todas exceto uma tela estavam em branco. Nessa, Roarke dirigia informe de 
aes enquanto estava sentado detrs do console em forma de Ou, brincando com um 
computador no registrado.
 mais rpido do que me figurei.
No havia muitas capas que passar. Gesticulou para uma cadeira a seu 
lado. Sente-se, Eve.
Eram o bastante magras para que eu pudesse as passar? Posso dizer que as 
encontrei por mim mesma sem falsificar meu relatrio?
Sua polcia, pensou Roarke carinhosamente, sempre se preocuparia com tais 
detalhes.
S sim soubesse por onde olhar, e que procurar... suponho que sim, 
considerando outro dia ou dois. Sente-se, repetiu, e esta vez tomou sua mo e a atirou 
na cadeira.
Ele se tinha pacote o cabelo... o que sempre a fazia querer soltar o da magra 
cinta de couro. subiu-se as mangas de seu suter negro. encontrou-se olhando suas 
mos, pensando em suas mos. Mos magnficas, elegantes. Compreendeu que ia  
deriva e se controlou.
Quando piscou para esclarecer sua viso, sua cara estava perto, e uma dessas 
mos magnficas e elegantes sustentava seu queixo, acariciando com seu polegar a 
covinha em seu centro.
Quase te desaba, verdade?
Eu estava s... pensando.
Estraga. Pensando. vou fazer um trato contigo, Tenente. Darei-te o que 
encontrei sim, em troca, est hoje aqui s seis. Tomar um descanso...
Oua, no negocio por informao.
Sim, sim quer a informao. Posso apag-la. Estendeu a mo e a deixou 
cernerse sobre alguns mandos que ela no podia identificar. Estar aqui, tomar um 
descanso,  repetiu, e deixar que  Gorjeia te d um tratamento completo.
No tenho tempo para um estpido corte de cabelo.
No era em um acerto de cabelo no que ele pensava, a no ser na massagem de 
corpo e o programa de relaxao que ia ordenar. 
Esse  o trato. Toma ou o deixa.
Tenho quatro discos de assassinato em meu escritrio.
Neste momento, importa-me um apito sim tem quatrocentos. Qualquer que 
sejam suas prioridades, acontece que voc  a minha. Esse  meu preo. Quer os dados?
 to mau como o estpido do Dick.
Perdo?
Ela soltou uma risada ante o insulto em sua voz, logo se esfregou a cara. 
Realmente odiava quando ele tinha razo. Estava que jogava fumaa. 
Bem, tomarei o trato. O que encontrou?
Ele a olhou carrancudo um momento, logo deixou cair sua mo e girou para a 
parede de telas. 
Guardar dados em tela quatro, e apagar tela. Arquivo do Holloway, em todas 
as telas. Nosso amigo aqui teve uma custosa mudana de identidade faz quatro anos. 
Seu nome de nascimento ...
John B. Boyd. Mierda. Ela se levantou e se aproximou mais s telas para 
ler o primeiro de vrios informe policiais. Delinqente sexual, cargo de violao. 
Detido por vtima. Culpado por violncia sexual, condenado. Seis meses de tratamento 
siquitrico e servio comunitrio. Bobagens. Posse de equipe sexual ilegal, deixado em 
liberdade. Tratamento voluntrio por obsesses sexuais. Tratamento completo, arquivos 
selados. Maldio. Este tipo foi apressado e o sistema lhe deixou escapulir-se.
Tinha dinheiro, indicou Roarke.  fcil comprar sua sada da priso por 
cargos sexuais. Se escabull de uma condenao, logo terminou sodomizado e 
estrangulado. Ironia, Eve, ou justia?  
Ele deveria ter sido julgado nos tribunais, estalou ela. Me importa um 
apito a ironia. Personally Yours o teria encontrado durante sua investigao?
Teria. Ele moveu seus ombros. Depende de quo profundo vo, mas 
como pinjente, isto estava s umas capas abaixo. Qualquer empregado de segurana o 
teria feito saltar. Selar os registros s o protege de um empregado padro ou de crdito.
Conseguiu seu relatrio financeiro?
 obvio. Capital financista, tela seis. Pode ver que ele ganhava muito com 
seu trabalho. Tinha a um agente de bolsa bastante bom que investiu bem. Gostava de 
gastar, mas tinha para gastar. H, entretanto, vrios depsitos razoavelmente bons alm 
de seus honorrios de modelaje ou dividendos de investimento. Dez mil em intervalos 
de trs meses por um perodo de dois anos.
Sim. Outra vez, ela se aproximou mais  tela. Os vejo.  capaz de 
localiz-los?
Pergunto-me por que agento certos insultos. S suspirou quando ela se  
volteou e lhe franziu o cenho. Sem dvida. Foram transferncias eletrnicas, passadas 
por uma variedade de fontes em um intento decente de ocultar a fonte original. 
Entretanto, todas ricocheteiam em uma localizao.
Ela afirmou com a cabea. 
Personally Yours.
 uma excelente detetive.
Assim que os chantageava. Ou a um deles. Tem as iniciais do nome que 
autoriza a transferncia?
A conta est baixo ambos os nomes. Poderia ter sido Piper ou Rudy. Sua 
conta utiliza uma contra-senha mas bem que uma assinatura.
Bem, isso me proporciona o suficiente para traz-los para Entrevista e 
cozinh-los um momento. Suspirou profundamente. vou deixar que Peabody prove 
com eles primeiro, que os sacuda. Depois os trarei.
S te assegure de estar em casa s seis.
Impaciente, girou-se de novo para ele. A manh rompia, e a luz se deslizava 
atravs do vidro tratado e acentuava suas bochechas plidas e olhos sombreados.
Fiz o trato. Manterei-o.
 obvio que o far. Embora ele tivesse que ir  Central de Polcia e 
procur-la pessoalmente.



Capitulo 13
Eve decidiu que a melhor estratgia era golpear a seus brancos com fora e 
rapidamente enquanto estavam agitados. Se Peabody o fazia bem, Rudy e Piper estariam 
agitados, trabalhando freneticamente para evitar a m publicidade e o eventual pleito de 
um cliente horrorizado.
E quando Peabody se fora, pensou, entraria.
s nove e trinta estava no salo, mostrando o retrato do Holloway ao 
empregado de recepo. Se tudo fosse conforme o calculado, terminaria quando 
Peabody entrasse e lhe fizesse um gesto.
Seguro, conheo sr. Holloway. Tem um habitual uma vez por semana, e um 
fixo mensal.
Uma vez por semana para que?
Penteado, facial, manicura, massagem, e aromaterapia. Yvette, amistosa e 
til agora, inclinou-se sobre o mostrador e soltou um pequeno suspiro quando estudou o 
retrato do Holloway outra vez. Este tipo obteve um corpo de revista, e sabe manter. 
Uma vez ao ms recebe os trabalhos, um dia completo de tratamentos.
O mesmo assessor?
OH seguro, ele no se atenderia com ningum alm do Simon. Faz uns 
meses, Simon se tirou frias. O Sr. Holloway armou uma boa aqui mesmo na rea de 
recepo. Demo-lhe uma volta livre no tubo de humor e Ou de luxo para seren-lo.
Ou de luxo?
Ou para orgasmos, carinho. Quarto de intimidade, com opo de Realidade 
Virtual, holo, ou companheiro autorizado droide. No temos companheiros autorizados 
humanos, mas sim todas as alternativas. O de luxo custa quinhentos, mas o valeu para 
esfri-lo. A gente tem que manter felizes a seus clientes habituais. Um cliente como 
Holloway deixa cair como cinco mil por ms, sem contar as compras de produtos.
E h nada como um Orgasmo de luxo para manter ao cliente satisfeito.
Voc o disse. Sorriu, agradecida porque Eve no parecia lhe guardar 
rancor. assim, fez algo?
Poderia dizer-se isso. Mas no o far outra vez. Est Simon perto?
Est atrs no Estudo Trs. Voc no pretender ir ali, tentou quando Eve 
girou.
Sim.
Eve caminhou por um curto vestbulo e portas de cristal transparentes gravadas 
com silhuetas de perfeitas formas humanas.
Havia vozes e msica suave, sons de gua salpicando melodiosamente, gorjeio 
de aves, e sopro de brisas. Podia cheirar a eucalipto, rosas, e almscar.
Havia portas cor bolo a ambos os lados. Por uma aberta pde ver uma larga 
mesa acolchoada e uma complicado equipe, tubos, espelhos, uma pequena estao de 
computador. Todo o qual lhe recordou incmodamente a um centro mdico.
Enquanto seguia baixando, outra porta se abriu e saiu um assessor em uniforme 
branco conduzindo a uma mulher coberta da cabea aos ps com uma mescla verde para 
outra rea.
Estudo Trs?
Corredor  esquerda, a porta est sinalizada.
Estraga. Eve olhou enquanto o assessor se separou de seu cliente, lhe 
dizendo que dez minutos no Quarto de Deserto a fariam uma mulher nova.
Tomou toda sua fora de vontade no estremecer-se.
Quando o corredor se dividiu, viu uma larga e borbulhante tina de relaxao 
emoldurada com rvores de cerejeira em miniatura. Trs mulheres j se relaxavam nele, 
com os peitos meneando-se alegremente entre as borbulhas da rosada  superfcie.
Outra mulher estava tombada sozinha, inundada at o queixo em um espesso 
fluido verde de um tubo sensorial. Apenas mais  frente, no que Eve sups era a rea de 
imerso, havia uma piscina estreita chamada Mergulho, onde a gua bruscamente azul 
era mantida em uma temperatura de pouco mais de 2 graus C. Inclusive olh-la fez que 
seus dente tagarelassem.
Girou  esquerda. depois de um golpe rpido ao ovo de natal na porta azul 
sinalizada Trs, entrou. Foi uma comoo quem esteve mais surpreso, sim ela mesma, 
Simon, ou McNab, quem se reclinava em uma cadeira de relaxao com a cara coberta 
do que parecia ser barro negro.
Esta  uma rea de tratamento. Agitando suas mos, Simon se lanou para 
lhe bloquear o caminho. No se permite entrar enquanto consulto. Fora, fora, fora.
Tenho que falar com voc. S tomar um par de minutos.
Estou trabalhando aqui. Simon estendeu suas mos, lhe enviando umas 
poucas borbulhas de barro.
Dois minutos, disse e teve que controlar-se para no rir quando McNab 
dramaticamente ps os olhos em branco detrs do Simon.
Fora, fora, ele disse outra vez, agarrando uma toalha. me Perdoe, 
disse ao McNab. Sua mscara tem que fixar-se em todo caso. Por favor, s relaxe-se, 
e deixe que sua mente descanse. Ser s um momento.
No h problema, grunhiu McNab.
No, no, shh! Com um sorriso benigno, Simon lhe golpeou ligeiramente 
seus lbios com um dedo. Nada de falar. Deixe a sua cara relaxar-se completamente, 
e esvazie sua mente. Este  seu tempo. Agora, fechamento seus olhos, imagine todas as 
impurezas fluindo para o exterior. Estarei justo fora.
Seu sorriso desapareceu ao momento de fechar a porta e olhar ao Eve. 
No a terei perturbando a meus clientes.
Sinto muito. Mas um de seus clientes realmente foi perturbado ontem  
noite. Ele no vir mais para seu tratamento mensal.
Do que fala voc?
Holloway. Brent Holloway. Est morto.
Morto? Brent? Simon se recostou contra a brilhante parede e se 
pressionou o corao com a mo no completamente limpa. Mas o vi s faz uns dias. 
Deve haver um engano.
Vi-o esta manh, em uma mesa no depsito de cadveres. No h nenhum 
engano.
No posso... respirar. Com uma revoada, Simon correu pelo corredor. Eve 
o encontrou em uma rea de espera felpuda, desabado em um sof de seda, com a 
cabea entre seus joelhos.
No sabia que era prximo a voc.
Sou seu... era seu assessor. Ningum, nem sequer um cnjuge,  mais ntimo.
Ela tratou de pensar na intimidade com Gorjeia e teve que controlar outro 
estremecimento. 
Sinto sua perda, Simon. Quer algo? gua?
Sim, no. OH, querido Deus. Ele levantou sua cabea e estendeu uma mo 
tremente para fazer que a tela de refresco aparecesse na mesa a seu lado. Sua cara estava 
de uma cor cinza doentia e emoldurada pelo vermelho brilhante de seu cabelo. 
Necessito um tranqilizador. Camomila, fria. Logo se reclinou, fechando seus 
olhos. Como passou?
Estamos investigando. me fale sobre ele, me diga com quem estava envolto.
Era um homem muito exigente. Respeitei isso. Sabia exatamente como 
queria ver-se, e estava consagrado  manuteno de sua cara, e seu corpo. OH Deus. 
Agarrou o copo alto, magro do servidor droide que ao momento se escabull. O sinto 
querida. S me d um momento.
Ele bebeu profundamente, tomando lentos flegos, inclusive entre sorvos. um 
pouco da cor que lhe tinha ido de sua cara voltou. 
Nunca perdeu uma entrevista, e me enviou muitas referncias. Ele apreciava 
meu trabalho.
relacionou-se ele com algum daqui de forma pessoal? Estilistas, assessores, 
outros clientes?
No se permite a nosso pessoal citar-se com a clientela. Quanto a outros 
clientes, no o recordo mencionando a nenhum. Desfrutava das mulheres. Tinha uma 
vida sexual variada e satisfatria.
Lhe disse sobre isso?
O que se fala entre o assessor e o cliente  absolutamente sagrado. Simon 
bebeu um gole, logo apartou seu copo vazio.
Ia por homens, tambm?
A boca do Simon se apertou. 
Ele nunca mencionou algum interesse pelas relaes do mesmo sexo. No 
me sinto cmodo com estas perguntas, Tenente.
Holloway no est agora certamente cmodo tampouco. Esperou um 
momento, viu a pausa do Simon, capt-lo, e logo afirmar com a cabea.
Tem razo.  obvio que tem razo. Sinto muito.  s a comoo.
Algum de seus empregados masculinos se interessou por ele, um interesse 
romntico ou sexual?
No. Ao menos... Sinceramente nunca notei nenhum sinal ou vibraes, se 
me entender. Tal comportamento  profundamente desalentado aqui. Somos 
profissionais.
Correto. Quem de seu pessoal faz tatuagens  mo elevada?
Ele suspirou larga e fortemente. 
Temos a vrios assessores que so excelentes artistas de corpo  mo 
elevada.
Nomes, Simon.
Pergunte ao Yvette no escritrio. Lhe dar o que necessite. Devo retornar 
com meu cliente. Pressionou seus dedos em seus olhos. No posso permitir que 
meus sentimentos pessoais interfiram com meu trabalho. Tenente Simon deixou 
cair suas mos em seu regao, e seus olhos estavam escuros e midos. Brent no 
tinha famlia. Que acontecer com seu... O que lhe passar?
A cidade se far cargo, se no haver ningum.
No, no seria correto. Apertou seus lbios, logo se levantou. Eu 
gostaria de fazer os acertos se me permitirem isso. Seria o ltimo que poderia fazer por 
ele.
Podemo-lo fazer dessa maneira. Voc ter que ir ao depsito de cadveres, e 
completar a papelada.
OH Sua boca tremeu, mas suspirou e afirmou com a cabea. Sim, 
farei-o.
Avisarei-lhes para que o esperem. Como ele parecia to devastado, 
acrescentou: No ter que v-lo, Simon. J temos feito uma identificao. Voc s 
faa a solicitude, e eles liberaro o corpo a qualquer funerria ou centro comemorativo 
que voc escolha.
OH. Suspirou aliviado. Obrigado. Meu cliente me espera, disse sem 
entusiasmo. Ele no esteve cuidando sua pele. Por sorte,  jovem, assim posso fazer 
muito para ajud-lo.  nossa obrigao apresentar um aspecto atrativo. A beleza sossega 
a alma.
Sim. v cuidar de seu cliente, Simon. Estarei em contato.
dirigia-se justo para a sada para procurar o listrado de nomes do Yvette 
quando entrou Peabody. via-se plida e com os olhos afundados. Mas lanou ao Eve 
uma inclinao rpida antes de girar para a recepcionista.
Tenho uma nota do Personally Yours, comeou ela. Para o Plano do Dia 
de Diamante.
OH,  o melhor que temos. Disse-lhe Yvette. E, carinho, parece 
esgotada.  justo o que necessita. Fixaremo-lhe uma entrevista.
Obrigado. Ela se afastou, aparentemente para estudar o gabinete 
transparente cheio de vistosas garrafas que garantiam a beleza e a vitalidade com seu 
uso regular. Em um rpido sussurro, deu ao Eve seu relatrio.
Eles se agitaram, mas tentaram cobri-lo. Trataram de me convencer de que o 
tinha interpretado mau. Lanou um grunhido. Tentaram o estilo de apaziguar ao 
cliente, como estava programado. Prometeram examinar o assunto imediatamente, e me 
ofereceram uma segunda consulta grtis e este acerto aqui. Vi o folheto. O Dia de 
Diamante custa cinco mil. No os deixe livrar-se. Disse-lhes que ia tomar me um dia 
para me tranqilizar antes de falar com meu advogado.
Bom trabalho. Fala com tantos assessores como pode enquanto lhe esfregam 
e polem. Saca o nome do Holloway. Quero reaes, intrigas, opinies. te assegure de 
pr alguns assessores masculinos.
Algo pelo trabalho, senhor.
Sra. Peabody?
Peabody girou, e pensou que sua boca devia ter cansado at seus sapatos 
quando contemplou ao perfeito Deus dourado. 
Sou uh... Sim?
Sou Anton. Assistirei-lhe com sua desintoxicao de ervas. Gostaria de vir 
comigo agora?
OH sim. Peabody conseguiu cruzar um brilhante olhar com o Eve antes de 
que Anton tomasse sua mo e brandamente a levasse.
Esperando o melhor, Eve colocou o listrado em sua bolsa e se dirigiu ao nvel 
de escritrios do Personally Yours.
Rudy e Piper no esto disponveis, anunciou a recepcionista com uma 
voz o bastante cortante para deter o Eve.
OH, querero estar disponveis. Golpeou sua insgnia no mostrador. 
Confie em mim.
Sou consciente de quem  voc, Tenente. Rudy e Piper no esto disponveis. Sim 
quer consertar uma entrevista, estarei feliz de programar-lhe 
Eve se afirmou amigavelmente no mostrador. 
Alguma vez ouviu o trmino obstruo da justia?
Os olhos da mulher titubearam. 
S fao meu trabalho.
Aqui est o que temos. Voc me limpa o caminho para seus chefes neste 
momento, ou a levo a Central de Polcia e a acuso de obstruo, por entorpecer a um 
oficial, e por ser basicamente estpida. Tem dez segundos para decidir como quer faz-
lo.
me perdoe. A mulher girou, acendeu seu aparelho de surdez, e murmurou 
nele rapidamente. Sua cara estava rgida quando se volteou. Pode entrar diretamente, 
Tenente.
Bem, no era uma eleio to difcil, verdade? colocando a insgnia em 
seu bolso, saiu a pernadas pelas portas de vidro, e encontrou ao Rudy e Piper na entrada 
de seu escritrio.
Era necessrio intimidar a nosso recepcionista? perguntou Rudy.
Sim. Tm uma boa razo para querer me esquivar esta manh?
Estamos muito ocupados.
Esto a ponto de voltar-se mais ocupados. Tero que vir comigo.
Ir com voc? Piper ps uma mo no brao do Rudy. por que? Onde?
 Central de Polcia. Brent Holloway foi assassinado ontem  noite, e temos 
muito do que falar.
Assassinado? Piper se balanou e poderia ter cansado se o brao do Rudy 
no se moveu para sustent-la. OH Deus. OH querido Deus. Como outros? Foi como 
outros? Rudy.
No fale. Ele aproximou mais a sua irm enquanto seus olhos sustentaram 
os do Eve. No  necessrio ir  Central.
Bem,  a onde discrepamos. Sua opo  ir voluntariamente, ou chamou uns 
uniformizados  e os escoltamos.
Provavelmente voc no tem nenhum motivo para nos deter nenhum de ns.
Voc no est sendo detido ou acusado neste momento. Mas  requerido, 
urgentemente, para uma entrevista formal.
Com o Piper tremendo contra ele, Rudy soltou um paciente suspiro. 
Porei-me em contato com nossos advogados.
Pode faz-lo da Central.
* * * * *
Bem, manteremo-los separados, disse Eve ao Feeney enquanto estudavam 
ao Piper atravs do vidro. Piper estava sentada na pequena mesa no quarto de Entrevista 
A, balanando-se enquanto um dos advogados lhe sussurrava. Poderamos trabalh-
los juntos, mas acredito que podemos obter mais informao se cada um de ns toma a 
um. Qual quer, a ela ou ao Rudy?
Feeney o considerou, com os lbios apertados. 
Comearei com ele. Digo que os separemos, desequilibraremo-los uma vez 
que se acostumem ao ritmo. Se qualquer se descontrolar o suficiente, ento entramos os 
dois.
Bastante bom. reportou-se McNab?
Apenas. Est a ponto de terminar no salo. Chegar e ter seu relatrio antes 
de que terminemos aqui.
lhe diga que esteja preparado. Se obtivermos o necessrio, poderemos ser 
capazes de fazer malabares com uma autorizao para seu sistema informtico. Se ele 
consegue trabalhar em sua mquina, possivelmente desenterre algo.
De outro modo, pensou, ia ter que lhe pedir ao Roarke que fizesse magia outra 
vez.
me chame quando quiser trocar, disse ao Feeney.
O mesmo vai para ti.
Eve abriu a porta do quarto de entrevistas e entrou. O advogado imediatamente 
se levantou, inflou seu peito, e entrou na cano e o baile esperado.
Tenente, isto  um ultraje. Meu cliente est transtornada, e emocionalmente 
consternada. Voc no tem nenhuma causa para exigir esta entrevista neste momento.
Voc quer dificult-lo, conseguir uma ordem judicial. Registro aceso. Dallas, 
Tenente Eve, VO 5347BQ, entrevistador. Sujeito Piper Hoffman. Data e hora de 
incio. O entrevistador solicitou representao. O advogado est presente. esto-se 
registrando estes procedimentos. Ao Sujeito Hoffman lhe tem lido o Miranda revisado. 
Entende voc seus direitos e obrigaes, Sra. Hoffman?
Piper olhou a seu advogado, e esperou que afirmasse com a cabea
Sim.
Conhecia o Brent Holloway?
Ela afirmou com a cabea.
Fiquei no registro que a entrevistada respondeu afirmativamente. Ele era um 
cliente de seu servio, Personally Yours.
Sim.
Por aquele servio, voc emparelhou ao defunto com clientes femininos.
Esse ... esse  o objetivo, reunir a casais com interesses comuns e objetivos, 
para lhes proporcionar uma oportunidade de encontrar e explorar relaes.
Relaes romnticas e/ou sexuais?
O tom das relaes est  altura de cada casal ou cliente individual.
E esses clientes so investigados antes de que sua solicitude seja aceita, antes 
de que paguem os honorrios, e que sejam postos em qualquer lista de contatos.
Investigados com cuidado. Piper pareceu suspirar de alivio pelo rumo do 
interrogatrio. endireitou-se um pouco, tornando-se para trs seu cabelo prateado com 
seus largos dedos.  nossa responsabilidade ver que nossa clientela encontra certos 
padres.
Incluem aqueles padres a delinqentes sexuais? Delinqentes sexuais 
condenados?
Certamente no. Ela se endireitou, com a cabea levantada, e a boca firme.
 a poltica de sua companhia?
Uma poltica muito firme.
Mas voc fez uma exceo com o Brent Holloway.
Eu as mos que Piper tinha dobrado com esmero as apertou na mesa at 
que seus ndulos ficaram brancos. No sei que Sua voz se serenou, e olhou 
impotentemente a seu advogado.
Meu cliente explicou a poltica de sua companhia nesta rea, Tenente. Por 
favor siga.
Brent Holloway foi condenado por violncia sexual, acusado mais de uma 
vez por assalto sexual, perseguio, e corrupo. Eve falou energicamente enquanto 
Piper perdia cada ona de cor em suas bochechas. Voc estabeleceu para o registro 
que sua clientela  escolhida com cuidado, explicou sua poltica nessa rea. Pergunto-
lhe por que eximiu ao Holloway dessa poltica.
Ns... eu... no o fizemos. Comeou a torcer suas mos, e um pouco 
parecido ao temor alagou seus olhos. No temos nenhum registro dessa informao 
sobre o Brent Holloway.
Talvez voc reconhece o nome do John B. Boyd. Como seus olhos 
estavam enfocados na cara do Piper, ela o viu. Viu a piscada de reconhecimento, e a 
sombra de culpa. Seu sistema  o melhor em sua linha. Assim me disse isso. Seria sua 
responsabilidade fazer uma busca dessa classe de informao em um candidato. Sua 
companhia  irresponsvel ou incompetente, Sra. Hoffman?
Eu no gosto do tom dessa pergunta, protestou o advogado.
Fica observado para pelo registro. Sua resposta, Piper?
No sei o que aconteceu. Ela respirou rapidamente agora, e cruzou ambas 
as mos sobre seus formosos peitos. No sei.
Sim, pensou Eve. Sim, fez-o, e ele te assustou terrivelmente.
Quatro clientes de seu servio esto mortos. Quatro. Cada um deles foi a 
voc, e cada um deles foi aterrorizado, violado, e estrangulado.
 uma terrvel coincidncia, terrvel. Mas s uma coincidncia. Piper 
comeou a tremer, ofegando com pequenas flegos forados. Rudy o disse.
Voc no crie isso. Disse-lhe Eve brandamente quando se inclinou 
aproximando-se. Voc no crie nem por um momento. Eles esto mortos. 
Brutalmente, ps quatro fotos na mesa. As fotos das cenas dos crmenes eram vvidas e 
cruis. Estes no parecem coincidncias, verdade?
OH Deus. OH Deus. Ela se cobriu a cara com as mos. No, no, no. 
Me vou adoecer.
Isso foi desnecessrio. Soltou o advogado ruborizado pela fria.
O assassinato  desnecessrio, retrocedeu Eve e se moveu. Darei a seu 
cliente uns minutos para restabelecer-se. Registro, apagar. girou-se e saiu.
Enquanto olhava pelo vidro, chamou o comunicador do Feeney.
Tenho-a no bordo, disse quando ele respondeu. Voc pode pression-la. 
Eu entraria ligeiro, pormenorizado, seria seu tio.
Sempre consegue ser o poli mau, queixou-se Feeney.
Sou melhor nisso. Acaricia sua mo, logo lhe pergunte por que pagavam ao 
Holloway. No cheguei ali ainda.
Bem. Rudy est fechado. Tem uma atitude fastidiosa sim me pergunta. 
Pequeno idiota arrogante.
Bem. Estou de humor para chutar a algum idiota. J que estava ali, 
colocou a mo na bolsa de nozes do Feeney e agarrou um punhado. Ela afirma que 
no sabiam sobre o expediente do Holloway. Minta, mas isso possivelmente nos faa 
entrar em seu sistema. Tentarei uma autorizao antes de sacudir ao Rudy.
tomou tempo para isso e para um rpido caf antes de entrar em Entrevista B.
Registro aceso, ordenou. Entrevista prossegue com Dallas, Tenente 
Eve. Iniciar hora e data.
sentou-se, sorriu ao Rudy e ao advogado a seu lado. 
Bem, moos, comecemos.
Ela o dirigiu atravs de uma pauta similar a que tinha usado com o Piper. Em 
vez de empalidecer e tremer, Rudy pareceu ficar mais arrogante, mais inacessvel.
Eu gostaria de ver minha irm, disse ele repentinamente, interrompendo 
seu ritmo.
Sua irm est sendo entrevistada.
 delicada. Suas emoes esto muito perto da superfcie. Este assunto to 
feio a danificar.
Tenho a quatro pessoas muito mais danificadas, sabicho. Est preocupado 
pelo que Piper possa dizer ali dentro? Falei com ela s um pouco. O instinto a fez 
inclinar-se, encolhendo um ombro. Ela no o est suportando muito bem. Far-o 
melhor uma vez que voc esclarea coisas.
Eve olhou sua mo empunhada e se perguntou o que Olhe concluiria sobre seu 
potencial de violncia.
Deveriam lhe permitir descansar. Ele mordeu as palavras, com seus olhos 
verdes exticos como um gato. lhe Dar um tranqilizar-se e lhe dar tempo para 
serenar-se.
No somos generosos com as pausas por aqui. E ela tem a seu advogado, 
igual a voc tem o seu. Adivinho que so bastante prximos, sendo gmeos.
Naturalmente.
Alguma vez mostrou Holloway certa inclinao para ela?
A boca do Rudy se apertou. 
 obvio que no.
Em voc talvez?
No. Agarrou seu copo de gua com uma mo firme.
por que lhe pagava?
A gua se derramou para o bordo antes de que ele o baixasse apressadamente. 
No sei de que fala.
Pagamentos regulares, dez mil cada um, durante um perodo de dois anos. O 
que sabia de voc, Rudy?
Com seus olhos tempestuosos, ele girou para seu advogado. 
Eles no tm nenhum direito a acessar a meus arquivos financeiros, verdade?
Indubitavelmente no. O advogado nivelou seus ombros, enganchando 
uma mo presuntuosamente em sua lapela, onde penduravam modernos medalhes. 
Tenente, se voc procurou dados lhes financiar de meu cliente sem causa provvel e 
autorizao apropriada...
isso pinjente? Eve s sorriu. No tenho que explicar como obtive certa 
informao pertencente a este homicdio. Voc no encontrar uma busca departamental 
de dados financeiros. Mas lhe pagou, no, Rudy? balanou-se para trs, golpeando 
baixo e rapidamente. Lhe pagou uma e outra vez, e permitiu que o chantageasse para 
p-lo nas listas de contatos quando voc sabia que ele era um desviado sexual. A 
quantos clientes teve que aplacar, pagar, ou intimidar para lhe guardar as costas?
No sei de que fala. Mas agora sua mo no estava completamente estvel 
quando agarrou a gua. Sua pele branca como o leite comeou a avermelhar devido ao 
sobressalto.
Eve sabia se lhe tivesse tido no polgrafo, o grfico teria tratado de saltar fora 
da tela.
Sim, sabe. E arrumado que no me seria muito difcil desenterrar a um par de 
clientes deles que Holloway tenha atacado em um daqueles interessantes, e afveis 
encontros que voc recomenda. Uma vez que o faa, posso acus-los a voc e a sua irm 
por perseguio, fraude, e cmplice de vrios tipos de delitos sexuais. Lanou-lhe um 
olhar. E seu advogado sabe que ao menos posso relacion-los com algum deles, e no 
tomar muito tempo enviar seu negcio  boca-de-lobo, pr sua cara, e a do Piper, em 
cada tela da cidade para as notcias de ltima hora.
No podemos ser considerados responsveis. Ela no pode ser considerada 
responsvel pelo que esse... esse desviado fez.
Rudy. O advogado levantou uma mo, logo a colocou em seu ombro. 
Eu gostaria de conferenciar com meu cliente um momento, Tenente.
No h problema. Apagar registro. Tm cinco minutos, advertiu-lhes e os 
deixou em paz.
Com seus olhos neles atravs do vidro, tirou seu comunicador. 
McNab.
Enquanto esperava a resposta, balanou-se em seus tales, julgando a 
linguagem corporal dentro do quarto. Rudy tinha seus braos cruzados, seus dedos 
enterrados em seus bceps. O advogado estava inclinado, falando rpido.
McNab. Dirijo-me para l, Dallas.
Ento retorna. Estou conseguindo uma autorizao para nos introduzir no 
sistema do Personally Yours. Espera-a.
Posso tomar um seis-e oito? Agarrar um pouco de almoo?
Passa por um assador guia de ruas de volta. Quero-te no lugar ao momento 
que entre a autorizao. Ela ouviu seu suspiro e sorriu escassamente. Como foi o 
facial, McNab?
Grandioso. Consegui ter minhas bochechas como o traseiro de um beb. E vi 
o Peabody nua. Bem, em sua major parte. Estava coberta de uma mierda verde, mas 
consegui a imagem.
S tira a imagem de sua mente e te prepare a escavar.
Posso fazer ambos. Tremenda imagem. Est terrivelmente zangada, tambm.
Eve fez todo o possvel para no lhe sorrir, e o desconectou antes de perder a 
batalha.
 o momento, amigo, murmurou e retornou a Entrevista. depois de voltar 
a conectar o registro, sentou-se, e levantou uma sobrancelha. s vezes o silncio 
funcionava melhor com um sujeito que o sacudi-lo.
Meu cliente deseja fazer uma declarao.
Para isso  o que estamos aqui. Ento, o que tem que me dizer, Rudy?
Brent Holloway extorquia dinheiro de minha companhia, atravs de  mim. 
Fiz todo o possvel por proteger a meus clientes, mas me chantageava e parte do que 
exigia era consultas regulares e contatos. Ele era, em minha opinio, difcil e irritante, 
mas no perigoso para as mulheres com as que o emparelhamos.
 sua opinio profissional?
Sim, assim . Aconselhamos a todos nossos clientes que se renan com seus 
contatos em um lugar pblico. Qualquer que depois tenha mimado em reunir-se com ele 
em privado tomava sua prpria deciso. Todos os clientes assinam uma renncia.
J, ento voc se figura que isso cobre seu traseiro, eticamente falando. 
Estou bastante segura que os tribunais podem ter uma perspectiva diferente. Mas 
cheguemos ao primeiro fundo. O que sabia ele de voc?
No  relevante.
OH sim, -o.
trata-se de minha vida pessoal.
Isto se trata de homicdio, Rudy. Mas se no me querer dizer isso voltarei e 
falarei com sua irm. Comeou a levantar-se, mas Rudy levantou a mo rapidamente 
e a agarrou por brao.
Deixe-a em paz. Ela  delicada.
Um de vocs ter que falar comigo.  sua eleio.
Seus dedos apertaram seu brao com fora antes de que a liberasse e se 
recostasse.
Piper e eu temos uma relao nica e especial. Somos gmeos. Estamos 
unidos. Manteve os olhos a seu nvel. Somos casais.
Voc e sua irm tm uma relao sexual.
Voc no  ningum para julgar, estalou. Tampouco espero que entenda 
o vnculo entre ns. Ningum pode. E embora o que temos no seja estritamente ilegal, 
a sociedade o desaprova.
O incesto no  uma palavra bonita, Rudy. A imagem de seu pai, com sua 
cara vermelha pelo esforo, e seus olhos cruis determinados, cintilou em sua mente. 
Sob a mesa empunhou suas mos e forou  imagem, e s nauseia, de volta atrs.
Somos casal, disse ele outra vez. A maior parte de nossas vidas nos 
negamos a atuar da forma que sentiam nossos coraes. Tratamos de estar com outra 
gente, viver vistas separadas. E fomos miserveis. supe-se que temos que nos sentir 
infelizes, fracassados, porque pessoas como voc dizem que  perverso?
No importa o que eu diga, ou pense. Como o averiguou Holloway?
Estava nas Antilhas. Piper e eu nos tnhamos ido de frias. Tnhamos tomado 
cuidado. Somos discretos. Entendemos que perderamos clientes sim se soubesse. 
Partimos a um lugar onde pudssemos passar um pouco de tempos sozinhos, juntos, e 
livres para estar juntos abertamente como qualquer outro casal o faz. Holloway estava 
ali. Ele no nos conhecia, nem ns a ele. Tnhamo-nos registrado baixo nomeie 
diferentes.
Ele fez uma pausa, e bebeu um sorvo de gua. 
Uns meses depois veio a nos consultar. Foi s... o destino. Inclusive nem 
sequer o reconheci ao princpio. Mas depois de sua investigao, quando seus dados 
apareceram e rechaamos sua solicitude, ele nos recordou onde nos tnhamos 
encontrado, e como.
Rudy olhou fixamente sua gua, e trocou o copo de mo. 
Ele foi muito claro quanto a como funcionaria, e sobre o que queria. Piper se 
desmoronou, ficou aterrorizada. Ns acreditam absolutamente no servio que 
proporcionamos. Voc v, sabemos o que significa estar unidos com algum que enche 
sua vida, que faz a diferena. Dedicam-nos a ajudar a outros a encontrar o que temos.
Sua dedicao lhe ganhou uma bonita e avultada carteira.
Ter ganhos no nega o valor do servio. Voc vive bem, Tenente, disse ele 
filosoficamente. Anula isso o valor de seu matrimnio?
Vendo o desse modo, ela se disse, mas s levantou suas sobrancelhas.
Falamos sobre voc e de como se relacionou com o Holloway.
Quis enfrent-lo, mas ela no podia. Fechou seus olhos. Ele conseguiu 
encontr-la sozinha, e amea-la. At tratou de for-la A...
Ele abriu seus olhos outra vez, e eles transbordavam de fria.
Perseguiu-a. os de sua classe querem o que pertence a outros. Assim 
pagamos, fizemos tudo o que exigiu. Apesar de que sim ele entrava e a agarrava 
sozinha, poderia hav-la meio doido.
Voc deve hav-lo odiado por isso.
Sim. Sim, odiei-o. Por tudo, mas sobre tudo por isso.
O bastante para mat-lo, Rudy?
Sim, disse sem levantar a voz, antes de que seu advogado pudesse det-
lo. Sim, o bastante para mat-lo. 



Capitulo 14
No temos bastante para acus-lo.
Sabia. Maldio, sabia, mas Eve se disps a lutar com a ajudante do fiscal de 
todos os modos.
Ele teve os meios, a oportunidade, e Deus sabe que tinha um motivo contra 
Holloway. Teve acesso aos realces usados nas quatro vtimas, seguiu antes de que a 
ajudante do fiscal Rollins pudesse falar. Os conhecia todos.
Nem sequer tem um caso circunstancial decente contra ele. Carla Rollins 
se manteve firme. Logo que media 1,60 cm., apesar dos muito altos saltos que 
habitualmente levava postos. Seus olhos eram da cor das amoras, exticamente 
inclinados em uma cara redonda. Sua ctis era cremosa e lisa,  sua figura bem formada, 
e seu cabelo murcho, cor bano, chegava-lhe exatamente uma polegada em cima de seus 
magros ombros.
Ela se via, e soava como uma profissional de uma creche, e tinha um corao 
to resistente como uma rocha lunar. Gostava de ganhar, e no via uma vitria em 
Estado v/s Hoffman.
Quer que o solte para que tenha suas mos na garganta da prxima vtima?
O que seria prtico, disse Rollins regularmente. Salvo isso, me consiga 
uma confisso.
Eve se passeou pelo escritrio do Whitney. 
No posso te conseguir uma confisso sim o soltamos.
at agora de tudo o que  culpado  de gozar com sua irm, disse Rollins 
com sua voz suave, e doce. E pagamento de chantagem. Talvez poderamos cozinh-
lo por associao ilegal e no autorizada, j que conhecia as predilees do Holloway, 
mas isso  uma demora. No posso te dar assassinato, Dallas, sem mais prova ou uma 
confisso.
Ento preciso trabalh-lo mais.
Seu advogado pediu ao juiz uma suspenso. No podemos ret-lo mais 
tempo o dia de hoje, acrescentou quando Eve bufou. Pode agarr-lo outra vez 
amanh, depois das doze horas.
Quero que leve um bracelete.
Esta vez Rollins suspirou. 
Dallas, no tenho motivo para ordenar que Hoffman leve um bracelete de 
segurana neste momento. Neste ponto  s um suspeito, e nem sequer um slido. Ele 
tem direito, conforme  lei, a sua intimidade e liberdade de movimento.
Cristo, me d algo. Eve se passou ambas as mos pelo cabelo. Seus olhos 
lhe ardiam por falta de sonho, e seu estmago com pura cafena. Sua ferida que ainda 
estava sanando lhe pulsava. O quero identificado e perfilado. Quero que Olhe o faa.
Ter que ser voluntrio. Rollins levantou uma delicada mo antes de que 
Eve pudesse amaldio-la. Estava acostumada a que os policiais a amaldioaram, e no 
a incomodava especialmente. Mas estava pensando, e no queria que a interrompesse. 
Possivelmente seja capaz de convencer a seu advogado de que  por seu exclusivo 
interesse. A cooperao nesta rea influiria no escritrio do fiscal para no seguir com 
os cargos de associao.
Satisfeita com a idia, Rollins se levantou. 
Comenta-o com Olhe, e verei o que posso fazer. Mas solta-o, Dallas, em 
menos de uma hora.
Whitney esperou at que Rollins saiu, logo se moveu em sua cadeira. 
Sinta-se, Tenente.
Comandante...
Sinta-se, repetiu e assinalou com o dedo a cadeira em frente de seu 
escritrio. Estou preocupado, comeou quando ela tomou assento.
Necessito mais tempo para pression-lo. McNab est trabalhando no sistema 
do Personally Yours. Poderamos ter algo por volta do final do dia.
Voc me preocupa, Tenente. reclinou-se quando Eve franziu o cenho. 
esteve neste caso quase vinte e quatro horas ao dia por mais de uma semana.
Igual ao assassino.
 improvvel que o assassino tambm se esteja repondo de graves lese 
recebidas cumprindo seu dever.
Meu exame mdico est bem. Ela ouviu o fio de ressentimento em sua 
prpria voz e respirou para serenar-se. Se no podia controlar-se com o Whitney, s 
demonstraria seu ponto. Sua preocupao  apreciada, senhor, mas desnecessria.
 assim? Ele arqueou suas sobrancelhas quando seus penetrantes olhos 
estudaram sua cara. Plida, sombreada, ao bordo do esgotamento, era sua preocupada 
opinio. Ento est disposta a baixar  clnica e tomar um fsico?
O ressentimento voltou, vibrando sob os dedos com os que lutou para no 
empunh-los. 
 uma ordem, Comandante Whitney?
Ele poderia faz-lo assim. 
Darei-lhe uma opo, Dallas. Tome o fsico, cumpra com os resultados, ou 
saia de servio at as nove de amanh.
No considero essas opes viveis neste momento.
Ou o um ou o outro, ou a saco do caso.
Ela quase saltou da cadeira. Ele viu que se esticava, endireitava, e logo tremia. 
Mas ficou em seu assento. A cor se precipitou em sua cara, mas no por muito tempo. 
Ele assassinou quatro vezes, e sou quo nica est perto de conhec-lo. Sim 
voc me tira, perderemos tempo. E perderemos pessoas.
 sua eleio, Dallas. V-se a casa, disse ele de forma mais suave. 
Consiga uma comida decente e durma algo.
E enquanto fao isso, Rudy est livre.
No posso det-lo, no posso lhe pr um bracelete. Mas isso no significa 
que no possa pr a algum que o vigie. Agora Whitney sorriu um pouco. Estar 
vigiado. E amanh, sustentaremos uma roda de imprensa. Voc solicitou que se 
realizasse, Dallas. O prefeito e o chefe expor a parte mais pesada, mas voc se levar as 
crticas.
Posso dirigi-lo.
Sei. Liberaremos tantos detalhes como podemos para alertar ao pblico. 
Ele levantou sua mo, e se esfregou a nuca. "Paz na Terra, boa vontade para os 
homens". Soltou uma risada curta. V-se a casa, Dallas. Precisasse estar como 
nova manh.
foi porque as alternativas eram absurdas. No podia abandonar o caso, e no 
podia arriscar-se a um fsico departamental. Independentemente do que dissesse em voz 
alta, suspeitava que no o passaria  nesse momento.
Doa-lhe por toda parte, o suficiente para se dar conta de que ia ter que tomar 
um descanso e um analgsico para que lhe passasse. Pior, no podia concentrar-se 
completamente, nem sequer agora que estava no carro caminho a casa. Sua cabea 
insistia em flutuar para algum stio em cima de seus ombros.
Quando quase se chocou com um assador guia de ruas ao dar a volta no 
Madison, trocou o mando do automvel e deixou que o programa a guiasse atravs do 
trfico.
Bem, talvez necessitava uma sesta e um pouco de combustvel. Mas estar fora 
de servio no significava que no podia dirigir algumas exploraes e buscas mais; no 
significava que no podia trabalhar em seu prprio escritrio.
Necessitava mais caf e algo slido em seu estmago, isso era tudo.
Estava a ponto de ficar dormida quando o carro se deslizou pelas portas e o 
meio-fio para a casa.
As luzes nas janelas brilhavam contra a noite e fizeram esclarecer seus olhos. 
Sua cabea palpitava como um dos nmeros mais entusiastas do Mavis. Seu ombro 
pulsava.
Quando saiu do carro, suas pernas as sentia gomosas e distanciadas. Como se 
sentia dbil, estava de mau humor quando entrou pela magnfica porta principal.
E a estava Summerset.
Seus j convidados chegaram, informou .lhe esperam faz vinte minutos.
me beije o culo foi sua melhor sugesto enquanto se tirava a jaqueta e a 
propsito a deixava cair sobre o pilar da escada.
A perspectiva no me atrai. em que pese a isso, me d um momento, 
Tenente. Ele simplesmente se deteve diante dela antes de que pudesse subir.
A vida  muito curta para desperdiar um momento com voc. Com exceo 
de se de meu caminho ou o tirarei.
via-se doente, pensou ele, e sua ameaa carecia de sua mordida habitual. 
O livro que solicitou para o Roarke foi localizado, disse rigidamente, mas 
seus olhos se entrecerraron enquanto estudava sua cara.
OH. Ela ps uma mo no pilar da escada enquanto tratava de penetrar a 
nvoa em seu crebro para pensar. Sim. Est bem.
Ordeno que seja enviado?
Sim, sim. Essa  a idia.
Voc ter que transferir o valor, mais os gastos de envio  conta do buscador 
do livro. Como o me conhece, esteve de acordo em lhe enviar o artigo imediatamente e 
confia em que voc transferir os recursos apropriados dentro de vinte e quatro horas. 
Anotei os detalhes em sua agenda eletrnica.
J, perfeito. Ocuparei-me disso. Teve que tragar o orgulho. Obrigado. 
girou-se para a escada e olhou para cima. Pensou que era como subir uma montanha, 
mas no podia tragar-se outro gole de orgulho e tomar o elevador enquanto ele a olhava.
De nada, murmurou ele, logo se afastou para a tela interior enquanto ela 
subia os degraus. Roarke, a Tenente est em casa e vai para cima. Vacilou, logo 
suspirou. Parece doente.
Ela ia tomar uma ducha quente, combustvel, e trabalhar. Sups que com os 
dados que tinha poderia dirigir ao menos uma busca de probabilidade do Rudy. Se isso 
fizesse clique, possivelmente poderia pressionar a ajudante do fiscal para que lhe 
pusesse um bracelete de vigilncia.
Mas quando entrou no dormitrio, Roarke j estava esperando-a.
Chega tarde.
Ganhou o trfico, disse enquanto se desabotoava o arns.
te dispa.
Ela sabia que estava aturdida, mas estava bastante segura de que isto era algo 
anormal.
Bem,  na verdade romntico, Roarke, mas...
te dispa, disse outra vez e agarrou uma bata. te Ponha isto. Gorjeia te 
est esperando na habitao da piscina.
OH pelo amor de Deus. Ela se passou as mos pelo cabelo. Me vejo de 
humor para uma maldita sesso de beleza?
No, v-te de humor para uma maldita sesso de hospital. Controlando seu 
carter, atirou-lhe a bata. te Cuide aqui, ou  aonde vai parar.
Seus olhos estavam escuros e perigosos. 
No me pressione.  meu marido, no meu vigilante.
Um maldito vigilante  justo o que necessita. Agarrou-a do brao e, 
porque seus reflexos eram lentos, empurrou-a em uma cadeira. No te levante, 
advertiu com uma voz que bulia com uma fria logo que reprimida. Ou te atarei.
Ela se agarrou ao brao da cadeira, com os dedos enterrados enquanto ele 
cruzava com passo majestoso para o AutoChef. 
Que infernos te passa?
Voc. Olhaste-te ultimamente? Est investigando corpos que tm mais cor 
que voc neste momento. Tem olheiras o bastante grosas sob seus olhos para esconder-
se dentro. E est adolorida. Isso era o que o tinha descontrolado. Crie que no 
posso not-lo?
Ele voltou com um copo alto cheio de um lquido mbar. 
Bebe-o.
No me dar um tranqilizador.
Posso fazer lhe tragar isso. Tenho-o feito antes. Ele se inclinou at que 
suas caras se juntaram, e a clera amarga em seus olhos a fez querer afastar-se. No 
te deixarei adoecer. Beber isto, Eve, e far o que te digo, ou o farei eu. Maldita seja, 
ambos sabemos que est muito cansada para me deter.
Lhe arrebatou o copo, e embora pensou que sentiria uma grande satisfao se o 
atirava atravs do quarto, no pensou que estaria em condies de tratar com as 
conseqncias. Seus olhos o queimavam por sobre o bordo do copo quando o tirou de 
um gole.
Preparado. Est feliz agora?
Ter algo slido mais tarde. Ele se agachou para lhe tirar as botas.
Posso me despir.
te cale, Eve.
Pelo bem de sua imagem, tratou de atirar para liberar o p, mas ele 
simplesmente a agarrou e lhe tirou a bota. 
Quero uma ducha e uma comida, e quero que me deixe em paz.
Lhe tirou a outra bota, logo comeou com os botes de sua blusa.
Ouviu-me? Pinjente que me deixe em paz. O fato de poder ouvir o mau 
humor em sua prpria voz s lhe acrescentou angstia  ao esgotamento.
No nesta ou qualquer outra vida.
Eu no gosto que me cuidem. Irrita-me.
Ento vais estar irritada por um comprido momento.
estive irritada desde que te conheci. Ela fechou seus olhos depois disso, 
mas acreditou ver um gesto satisfeito ao redor de sua boca.
Ele a despiu rpida e eficientemente, logo lhe ps a bata. A frouxido de seus 
msculos lhe disse que o analgsico que lhe tinha acrescentado  bebida nutritiva que 
lhe tinha dado, j estava funcionando. O suave tranqilizador que lhe tinha agregado 
no deveria ter feito mais que relax-la, mas em seu estado atual imaginou que a 
deixaria inconciente dentro de pouco. 
Tudo para melhor.
Apesar disso lhe lanou uns quantos palmetazos quando a levantou. 
No me carregue.
Lamento me repetir, mas te cale, Eve. Caminhou para o elevador e entrou 
com ela.
No quero me sentir como um beb. Sua cabea se bamboleou uma vez, 
um comprido e ligeira sacudida de cabea, que a obrigou a deix-la cair em seu 
ombro. Que demnios havia nessa bebida?
Um monto de coisas. S te relaxe.
Sabe que dio os tranqilizadores.
Sei. Ele girou sua cabea, posou seus lbios sobre seu cabelo. Pode te 
zangar por isso amanh.
Farei-o. Sim te deixo me controlar, acostumar-te. vou deitar me por um 
minuto.
Assim . Ele sentiu que sua cabea caa para trs, e o brao ao redor de 
seu pescoo se deslizou e balanou quando saiu na habitao da piscina.
Mavis correu sob as folhas de uma palmeira. 
Jesus, Roarke, est ferida?
Dava-lhe um tranqilizador. Ele se moveu entre abundantes floresa e 
novelo, rodeou as guas brilhantes da piscina, e ps a sua esposa na mesa larga, 
acolchoada que Gorjeia j tinha disposto.
Homem, estar realmente furiosa quando despertar.
J me imagino. Brandamente, apartou o desordenado cabelo do Eve. 
No est to teimosa agora, verdade, Tenente? inclinou-se e a beijou brandamente 
nos lbios. No se preocupe do penteado, Gorjeia. Ela necessita uma terapia de 
relaxao.
Posso faz-lo. Gorjeia, vestida em um skinsuit cor carne com um avental 
prpura brilhante, esfregou-se as mos. Mas j que est dormida, por que no lhe fao 
tambm os trabalhos? Sempre se queixa pelos tratamentos. Neste momento est 
agradvel e tranqila.
Roarke levantou uma sobrancelha ante o brilhante olhar da mulher, e ps uma 
mo protetora no ombro do Eve. 
Manten simples. Logo recordando com quem tratava, esclareceu-se 
garganta. No tinha nenhum inconveniente em enfrentar-se  ira de sua esposa, mas no 
por ser uma vtima passiva com seu cabelo tingida cor rosa. por que no nos peo um 
pouco de comida? Ficarei s um momento. 
* * * * *
Ela ouviu vozes e risadas. Tudo to distante e nublado. Uma parte de sua mente 
sabia que estava dopada pela droga. Roarke o pagaria por isso.
Desejou que ele a abraasse outra vez, s abraar a dessa maneira que fazia que 
tudo dentro dela se expandisse e arrebentasse.
Algum lhe esfregava as costas, seus ombros. O gemido de prazer ficou 
apanhado em sua mente, mas foi baixo e comprido.
Cheirou-o, apenas um sopro filtrando do aroma do Roarke.
Logo gua quente borbulhando e formando redemoinhos-se a seu redor. 
Flutuava, ingrvida, sem conscincia, como um feto na matriz. Ia a deriva, sem parar, 
sentindo nada mais que paz.
Um brilho de calor em seu ombro. Um choque. Algum gemia dentro de sua 
cabea. Logo um lquido afresco, afresco sobre o calor, calmante como um beijo.
E caiu outra vez, deslizando-se para baixo e abaixo at que se balanou no 
fundo suave e se curvou ali, dormindo profundamente.
* * * * *
Quando despertou, estava escuro. Desorientada, e ainda deitada, refletiu 
enquanto bufava. Estava morna, nua, e confundida, estirada completamente sobre seu 
estmago sob o volumoso edredom.
Estava em casa e na cama, compreendeu, pois as ltimas horas de sua vida se 
deslizavam dentro e fora de foco. Tratando de esclarecer-se, girou, e suas pernas se 
enredaram com o Roarke.
Est acordada?
Sua voz soou alerta... uma pequena habilidade dela que a irritava 
freqentemente. 
Que...
 quase de amanh.
Ela estava em efeito morna, e nua, com sua pele suave como ptalas midas 
graas a Gorjeia, e cheirava como suco fresco de pssegos de estufa.
Como se sente?
No estava completamente segura. Tudo nela estava to frouxo e suave. 
Estou bem, disse automaticamente.
Bom. Ento est lista para a fase final de seu programa de relaxao.
Sua boca tomou a sua, suave e provocadora, sua lngua deslizando-se e 
enredando-se. Sua mente, que acabava de comear a limpar-se, nublou-se outra vez. 
Esta vez com pura e s luxria.
Espera. No estou...
me deixe te provar. Sua boca desceu por sua garganta para mordiscar e 
devastar. te Tocar. Sua mo se deslizou at seu quadril, logo para baixo, e lhe 
separou as pernas. Est preparada.
Quando a investiu, devagar, j estava quente e lista.
Ela no podia ver. A luz antes do amanhecer parecia tinta. Ele era uma sombra 
que se movia sobre ela, uma fora estvel, e gloriosa que se movia dentro dela. Ela se 
estrelou com o primeiro pico antes de poder encontrar o ritmo.
Com golpes largos, lentos, e tortuosos, ele lhes deu prazer a ambos. Sua 
respirao se espessou para emparelhar a sua, seus quadris se levantaram e caram at 
que seus ritmos se igualaram. Logo quando suas bocas se encontraram, tragaram-se os 
gemidos o um ao outro.
As ondas quentes, suaves de estremecimentos a embalaram, logo a dispersou 
para cima e sobre cristas sedosas. Quando sentiu seu corpo esticar-se, rodeou-o, 
abraando-a, lhe dando a bem-vinda a esse impulso final que os levou a ambos a 
alcanar o clmax.
Ele sepultou sua cara em seu cabelo e ofegou.
Sente-se melhor. Ele murmurou, seu flego acariciando sua pele e 
fazendo-a sorrir.
Ento sua mente se limpou.
Maldito.
Uh-OH. Rendo-se entre dentes, ele rodou, levando-a com ele at que seu 
corpo se estendeu sobre o seu.
Crie que  gracioso. Ela o afastou de um empurro, apartando o cabelo 
enquanto se sentava. Crie que  uma brincadeira? Forou-me, e me intimidou para 
que tomasse um tranqilizador.
No teria podido te intimidar para nada se no tivesse estado a ponto de cair. 
Ele se sentou tambm. Luzes, acender dez por cento. Ante sua ordem o quarto se 
encheu de um suave brilho. Te v bem, disse depois de estudar um momento sua 
furiosa -e descansada- cara. Apesar de seu gosto pessoal um pouco exagerado, 
Gorjeia sabe o que te convm.
A maneira em que sua boca caiu aberta e seus olhos se abriram como pratos fez 
ao Roarke rugir de risada. 
Permitiu que trabalhasse em mim enquanto estava inconciente? Voc sdico, 
traidor filho de cadela. Poderia ter saltado sobre ele, mas j saltava da cama para o 
espelho.
O ver que parecia normal, da mesma maneira em que se via cada manh no foi 
suficiente para controlar seu carter.
Deveria coloc-los aos duas em uma jaula por isso.
Mavis tambm tomou parte, disse ele alegremente. Ela no se moveu to 
rpida ou facilmente em vrios dias, advertiu. E seus olhos estavam livres de sombras
. OH, e Summerset.
Agora ela no teve outra opo que sentar-se. cambaleou-se de retorno  cama 
e caiu no bordo.
Summerset. Chiou horrorizada.
Ele trabalhou em seu ombro depois de que te fiz um rpido exame. Os 
msculos se inflamaram. por que diabos no tomou medidas normais para tratar com a 
molstia?
Summerset era todo que podia dizer.
Ele teve formao mdica, como sabe. Simplesmente te tratou o ombro. 
Como se sente?
Possivelmente estava livre da dor pela primeira vez em dias. Possivelmente seu 
corpo inteiro se sentia maravilhosamente enrgico e fresco, mas isso no fazia que os 
mtodos do Roarke fossem passveis.
levantou-se da cama, agarrou a bata que estava sobre uma cadeira, e a ps.
vou chutar te o culo.
Bem. levantou-se satisfeito e procurou uma bata para ele. Ser um 
espetculo mais justo que o de ontem  noite. Quer ir por mim aqui, ou abaixo no 
ginsio?
antes de que a ltima palavra sasse de sua boca, ela saltou. Entrou por abaixo. 
Ele teve tempo de comear um piv, mas no complet-lo, e terminou convexo na 
cama, com sua esposa em cima, e com seu joelho plantado firme, e alarmantemente, 
entre suas pernas.
OH, diria que est de volta, Tenente.
Seguro maldita seja. Deveria te sacudir as bolas at suas orelhas, tipo 
preparado.
Bem, ao menos as utilizamos por ltima vez. Sorriu e se arriscou a um 
grave dano. Logo se endireitou e passou os dedos sobre sua bochecha. Distraiu-a apenas 
o suficiente para lhe permitir retificar seu movimento. Atirou-a e a sujeitou.
Agora, escuta. Seu sorriso tinha desaparecido. Cada vez que seja 
necessrio o voltarei a fazer. Sempre que for necessrio o farei. No tem porqu te 
gostar de, mas maldio, ter que viver com isso. 
Ele se apartou, afastando suas bolas quando viu seus olhos entrecerrados com 
determinao. Logo soltou um suspiro e colocou as mos em seus bolsos. 
Maldita seja. Amo-te.
Ela se tinha equilibrado para saltar. Aquelas duas frases, sortes com frustrao 
e cansao por partes iguais, cravaram-se diretamente em seu corao. Ele estava ali de 
p, com seu cabelo revolto pelo sonho, o sexo e a luta, com seus olhos profundamente 
azuis cheios de preocupao e amor.
Tudo dentro dela trocou, logo se assentou em uma pauta que sups estava 
predestinada.
Sei. Sinto muito. Tinha razo. passou-se os dedos pelo cabelo, e se 
distraiu o suficiente para no ver a piscada de surpresa em sua cara. Eu no gosto de 
seus mtodos, mas tinha razo. Estava-me forando muito antes de estar aos cem por 
cento. estiveste me dizendo que me relaxe durante dias, e no quis te ouvir.
por que?
Estava assustada. Era difcil admiti-lo, inclusive ao homem que sabia que 
podia lhe revelar todos seus segredos.
Assustada? Avanou para ela, sentou-se, e tomou sua mo. Do que?
De que no fora capaz de voltar, de retornar. Que no fosse o bastante forte, 
ou bastante aguda para voltar para trabalho. E sim no podia... Fechou seus olhos. 
Tenho que ser polcia. Tenho que faz-lo. Se no poder... perderei-me.
Poderia hav-lo falado comigo.
Nem sequer o admiti eu mesma. esfregou-se os olhos, irritada por estar a 
ponto de chorar. Desde que voltei, estive fazendo em sua major parte papelada, cita 
ao tribunal. Este  meu primeiro homicdio desde que terminei a permisso de 
incapacidade. Se no poder dirigi-lo...
Faz-o.
Whitney enviou a casa ontem  noite... isso ou me tirava do caso. Chego aqui 
e voc me ameaa me fazendo tragar drogas.
J. Deu a sua mo um aperto pormenorizado. Foi um mau momento. 
Mas acredito que em ambos os casos, foi o desejo de que voc descansasse, antes que 
uma crtica a suas capacidades.
Ele tomou seu queixo com sua mo, esfregando seu polegar sobre sua covinha. 
Eve, h momentos em que  assombrosamente inconsciente de ti mesma. 
Pressiona-te muito em cada caso. A nica diferena com este  que estava fisicamente 
fraco em primeiro lugar.  a mesma polcia que quando te conheci o inverno passado. E 
de vez em quando  um pensamento aterrador.
Sim, conto com isso. Ela estudou suas mos unidas. Mas no sou a 
mesma pessoa que era o inverno passado. Com seus dedos unidos, levantou sua 
cabea, e o olhou aos olhos. No quero s-lo. Eu gosto quem sou agora. Quem sou 
agora.
Bem. Ele se inclinou para beij-la. Porque estamos unidos.
Ela colocou uma mo em seu cabelo para aprofundar o beijo. 
Resulta ser um trato bastante bom. Mas... Mordiscou brandamente seu 
lbio inferior, e logo o mordeu o bastante forte para faz-lo gemer de surpresa e dor. 
Se alguma outra vez deixar ao Summerset me pr as mos em cima enquanto esteja 
inconsciente... levantou-se, respirou profundamente, e decidiu que se sentia 
incrvel. Te deixarei calvo enquanto dorme. Tenho fome, disse sbitamente. 
Quer tomar o caf da manh?
Ele o considerou durante um momento, enquanto o fazia se passou uma mo 
sobre seu comprido corto negro. Tinha, por sorte, um sonho muito ligeiro. 
Sim. Poderia comer algo.

Capitulo 15
Armada com os resultados da explorao de probabilidade do Rudy, Eve se 
passeava fora do escritrio da doutora Olhe. Necessitava o peso do perfil de Olhe para 
empurrar o de volta a interrogatrio e, com esperana, a uma cela.
O tempo passava. Com ou sem vigilncia, esperava que ele procurasse o 
nmero cinco essa noite.
Sabe ela que estou aqui fora? reclamou Eve a assistente de Olhe.
Bem acostumada aos policiais impaciente, a mulher no se incomodou em 
apartar a vista de seu prprio trabalho. 
Est em uma sesso. Estar com voc quanto antes.
Saturada com nova energia, Eve se passeou at a parede longnqua e observou 
com suspicacia uma relaxante aquarela de alguma cidade da costa. Retrocedeu e olhou 
com cenho franzido o AutoChef. Sabia que no estava abastecido de caf. Olhe preferia 
que seus pacientes e amigos bebessem algo relaxante ou ch.
Ao momento em que a porta de Olhe se abriu, Eve girou e avanou 
rapidamente. 
Doutora Olhe... deteve-se quando viu o Nadine Furst.
A reprter se ruborizou, logo endireitou seus ombros e se encontrou 
abruptamente com o cintilou zangado do Eve.
Se comear a me rondar e pressionar a meu perfilista por dados, vais 
encontrar te sem uma fonte departamental, e com uma acusao, amiga.
Estou aqui por um assunto pessoal, disse Nadine rigidamente.
te guarde as estupidezes para seu auditrio.
Pinjente que estou aqui por um assunto pessoal. Nadine levantou uma mo 
antes de que Olhe pudesse interferir. A Doutora Olhe me aconselhou depois do 
incidente... da primavera passada. Manteve-lhe isso viva, Dallas, mas ela me manteve 
s. de vez em quando necessito um pouco de ajuda, isso  tudo. Agora se te separa de 
meu maldito caminho...
Sinto muito. Eve no estava segura sim estava mais surpreendida ou 
envergonhada, mas nenhuma das duas emoes lhe sentou bem. Fui brusca contigo. 
Sei o que  ter ms lembranas. Sinto muito, Nadine.
Sim, est bem. Ela sacudiu um ombro, e se apartou rapidamente. Seus 
saltos tamborilaram no mosaico, e o som ressonou enquanto se afastava.
Por favor entra, Eve. Olhe, cuidadosamente com sua cara em branco, 
retrocedeu, logo fechou a porta detrs do Eve.
Bem, explorei e no deveria hav-lo feito. meteu-se as mos nos bolsos 
para no as retorcer sob o ar de censura que Olhe criava com seu olhar reservada. Ela 
esteve me incomodando sobre este caso, e estabelecemos uma roda de imprensa em um 
par de horas. Acreditei que tentava cortar algumas reas.
Tem dificuldade para confiar, inclusive depois de que um grau de confiana 
foi estabelecido. Olhe se sentou, e se alisou a saia. Foi tambm rpida com uma 
desculpa que te saiu do corao. Voc , e sempre ser, um estudo de contradies, Eve.
No estou aqui por um assunto pessoal. O tom do Eve foi terminante e 
desdenhoso, mas jogou um olhar para a porta com preocupao em seus olhos. Est 
bem?
Nadine  uma mulher forte e decidida... rasgos que voc deveria reconhecer. 
No posso falar disso contigo, Eve.  privilgio.
Certamente. Suspirou. Est zangada comigo neste momento. Falarei em 
privado com ela e a tranqilizarei outra vez.
Ela valora sua amizade. No s a informao que lhe d. vais sentar te? No 
tenho a inteno de te exortar.
Eve fez uma careta, logo se esclareceu garganta e lhe tendeu o arquivo que 
levava. 
Tenho a explorao de probabilidade do Rudy. Com dados atuais ele tem 
oitenta e seis, vrgula seis por cento.  o bastante alto para det-lo outra vez, mas posso 
esprem-lo um pouco mais depois de que voc o entreviste. Rollins lhe disse ao 
advogado do Rudy que tinha que vir.
Sim, tenho-o programado para esta tarde j que o assinalou como Prioridade 
Um.
Tenho que conhecer sua mente, seu potencial de violncia, assim posso 
encerr-lo o tempo suficiente para desenterrar as provas. No acredito que ele v 
desmoronar se, ou faa um trato. Sim a irm sabe algo, posso trabalh-la. Ela ceder 
finalmente.
Darei-te o que possa, logo que possa. Entendo a presso sob a que voc e sua 
equipe esto. Entretanto, acrescentou, inclinando sua cabea, tem bom aspecto. 
Descansado. A ltima vez que te vi fiquei um pouco preocupada. Ainda penso que 
voltou totalmente para trabalho mais logo do que era sensato.
Voc e todos outros. Logo se encolheu de ombros. Me sinto bem. 
Melhor. Tive uma sesso de terapia de relaxao de alto nvel ontem  noite, e dormi 
aproximadamente dez horas.
Srio? Os lbios de Olhe se curvaram. E como fez Roarke para obt-lo?
Drogou-me. Ante a alegre gargalhada de Olhe, Eve franziu o cenho. Me 
figurei que estaria de seu lado.
OH, por completo. Quo bem se satisfazem o um ao outro, Eve.  um prazer 
olhar o que cresce entre vocs. Tenho vontades de v-los ambos os esta noite.
A festa, claro. Estupendo, pensou com irritao, mas sua boca se curvou 
quando Olhe riu outra vez. me Consiga o perfil, e talvez estarei de humor para festas.
* * * * *
Mas no o estava quando entrou em seu escritrio e encontrou ao McNab 
revolvendo em seu escritrio.
J no mantenho mais ali meu esconderijo de doces, listillo.
Ele se endireitou to rpido que se golpeou o quadril contra a gaveta, e o 
empurrou apertando-os dedos. Seu gemido aflito elevou grandemente o humor do Eve.
Jesus, Dallas. Pondo m cara, chupou-se os palpitantes dedos. Poderia 
me fazer p tambm j que me assustou at a morte.
Deveria te golpear. Roubar barras de chocolate a um oficial superior no  
um assunto pequeno, McNab. Necessito minha cota de doces.
Seja  seja. Suspirando arrependido, sorriu e tirou sua cadeira de escritrio 
para ela. Te v bem esta manh, Dallas.
No seja lisonjeador, McNab.  pattico. deixou-se cair em sua cadeira e 
estirou suas pernas, golpeando as botas contra a parede. Sim quer ganhar pontos, me 
d algumas notcias.
Verifiquei o financista, e encontrei oito queixa apresentadas contra Holloway 
sepultadas no arquivo JA.
JA?
Jodido arquivo, disse ele com um sorriso rpido.  onde colocam as 
coisas estranhas e outro tipo de mierda com a que no tm a inteno de tratar. Mas 
deram a oito mulheres extras grtis, igual  o Peabody. Tratamentos de salo ou listas de 
contatos grtis, e crdito nas boutiques.
Quem o autorizou?
Ambos, depende o que. Ela sabia o que acontecia, em todo caso. Obtive suas 
iniciais em trs das queixa.
Bem, isso pe ao Piper dentro, mas no nos faz ganhar um prmio. Posso 
us-lo para pression-la um pouco.
H algo um pouco mais interessante, disse-lhe ele e se sentou no bordo de 
seu escritrio.
Eve o observou amenazadoramente. 
O bastante interessante para no chutar seu culo de meu escritrio?
Bem, averigemo-lo. Encontrei um estpido do Donnie Ray, datado faz seis 
meses e atualizado em primeiro de dezembro.
Eve sentiu um pequeno comicho sob seu corao. 
Que tipo de estpido?
Do Rudy ao pessoal consultor. Donnie Ray no devia ser passado ao Piper. 
Rudy faria sua consulta pessoalmente, ou os fiscalizaria. A atualizao era um pequeno 
puxo de orelhas, repetindo o aviso original e repreendendo a algum tolo que no 
protegeu uma chamada.
Isso  bastante interessante. Assim que ele no quis ao Donnie Ray farejando 
ao redor do Piper. Posso aproveit-lo. Algo nas outras duas vtimas?
No saltou nada.
Ela tamborilou com os dedos no escritrio. 
Mdico? Tratamentos mentais ou fsicos?
Ambos se esterilizaram. McNab se retorceu no escritrio quando 
imaginou a lngua fria do laser em suas prprios genitlias. Eles optaram por sair do 
mercado reprodutivo aproximadamente cinco anos atrs.
Segue.
Piper teve trabalhos regulares de terapia, sesses semanais no Inner Balano, 
segundo os registros que tm no arquivo. O ano passado, esteve um ms em um desses 
retiros na Optima II. ouvi que fazem assentamentos, dormem em tubos de humor, e 
comem s macarro de gro.
Que grupo. E ele?
Nada.
Bem, ele vai conseguir um pouco de terapia esta tarde. Bom trabalho, 
McNab. Olhou ao Peabody quando entrou. Boa sincronizao. Ambos procurem 
aquela ltima pea de joalheria. Quero saber onde comprou essas quatro aves cantoras. 
Ele se descuidou um pouco na cena; talvez se equivocou com o colar, tambm.
Peabody afanosamente evitou olhar ao McNab. 
Mas, senhor...
vou pressionar ao Piper, assim no posso te levar comigo. Se deixarem o 
edifcio, qualquer de vocs dois, partem juntos. levantou-se. Se ele no escolheu j 
ao nmero cinco, est-o procurando. Quero a ambos onde possa localiz-los.
te relaxe, Cuerpazo, burlou-se McNab enquanto Eve saa. Sou um 
profissional.
me remoa.
Embora Eve conseguiu agentar um sorriso pelo uso de seu ajudante de sua 
prpria resposta padro s molstias, no o fez completamente quando o alegre McNab 
disse: 
Onde?
* * * * *
A cronometragem do Eve foi bem calculado. Se o advogado do Rudy tivesse 
um pouco de crebro, teria a seu cliente encerrado em algum quarto repassando as 
prximas provas. Ela tinha, decidiu, ao menos uma hora para sacudir ao Piper antes de 
ter que retornar  Central para a roda de imprensa.
Esta vez, a recepcionista no se incomodou em det-la, mas sim simplesmente 
a fez passar.
Tenente. Plida, e com os olhos afundados, Piper estava parada na porta 
de seu escritrio. Meu advogado me informou que no tenho nenhuma obrigao de 
falar com voc, e me aconselhou contra isso a menos que seja uma entrevista formal 
com meu advogado presente.
Pode fazer o dessa forma, Piper. Podemos ir agora mesmo, ou ficar aqui, nos 
pr cmodas, e pode me dizer por que Rudy no quis que tratasse com o Donnie Ray 
Michael.
No foi nada. A angstia brilhou em sua voz enquanto unia suas mos. 
No foi nada absolutamente. Voc no pode encontrar nada mau nisso.
Est bem. Ento porqu no me explica isso para que assim possamos 
descart-lo?
Sem esperar um convite, Eve entrou no quarto e tomou uma cadeira. Esperou, 
sem dizer nada, e deixou que a pequena e bvia luta na cara do Piper finalizasse.
Foi s porque Donnie Ray estava um pouco apaixonado por mim. Isso  
tudo. No foi nada.  No tem importncia.
Ento para que os estpido de pessoal?
Foi s uma precauo. Para evitar qualquer... desgosto.
H freqentemente desgostos?
No! Piper fechou a porta e entrou precipitadamente com as bochechas 
ruborizadas. O cabelo prateado caa por suas costas, deixando sua cara sem emoldurar, 
acrescentando um contraste entre sofisticao e fragilidade.
No, absolutamente. Estamos dedicados a ajudar s pessoas a encontrar 
satisfao, companheirismo, romance, e freqentemente matrimnio. Tenente... 
Inclinou suas mos, e se retorceu os dedos. Poderia lhe mostrar dzias de notas de 
clientes satisfeitos. De pessoas s que ajudamos a encontrar o um ao outro. Amor, amor 
verdadeiro, significativo.
Eve manteve seus olhos nivelados. 
Acredita no amor verdadeiro, Piper?
Absolutamente, totalmente.
O que faria por seu amor verdadeiro, para proteg-lo?
Algo que tivesse que fazer.
me fale sobre o Donnie Ray.
Ele me convidou a sair algumas vezes. Quis que o ouvisse tocar. Suspirou, 
e logo pareceu fundir-se na cadeira. Era s um moo, Tenente. No... No se 
comportava como Holloway. Mas Rudy sentiu, corretamente, que a fim de cumprir 
nossa obrigao com ele como cliente, seria melhor que no tivesse contato comigo.
Gostou de ouvir tocar ao Donnie Ray?
Um sorriso se insinuou ao redor de sua boca. 
Poderia hav-lo desfrutado, se isso tivesse sido tudo. Mas estava claro que 
ele tinha esperanas de algo mais. No quis danificar seus sentimentos. No posso 
suportar danificar um corao.
E o seu? Como sente sua relao com seu irmo em seu corao?
No posso... no discutirei isso com voc. Ela se sentou rectamente outra 
vez, e dobrou suas mos.
Quem tomou a deciso de que se esterilizasse, Piper?
Voc vai muito longe.
Eu? Voc tem vinte e oito anos. Pressionou porque tinha visto os lbios do 
Piper tremer. E descartou qualquer possibilidade de ter meninos porque no pode 
arriscar-se a conceber um com seu prprio irmo. esteve em terapia durante anos. foi 
separada de desenvolver uma relao com outro homem. Oculta a relao que tem, e 
pagou a um chantagista para assegurar que seguisse oculta porque o incesto  um 
segredo escuro e vergonhoso.
Voc possivelmente no pode entend-lo.
OH sim, sim que posso. Mas ela tinha sido forada, recordou-se. Tinha 
sido uma menina. No tinha tido outra opo. Sei com o que voc vive.
Amo-o! Se isso estiver mau, se for vergonhoso, se for desprezvel, isso no 
troca nada. Ele  minha vida.
Ento do que tem medo? Eve se inclinou. por que est to assustada e o 
protege ainda quando se pergunta sim  um assassino? Algo pelo amor verdadeiro? 
Voc deixou que Holloway explorasse a seus clientes, e isso lhe faz igual a um 
alcoviteiro com uma puta no autorizada.
No, fizemos todo o possvel por lhe encontrar mulheres afins.
E quando no o fez, e elas se queixaram, pagou-lhes, concluiu Eve.  o 
que voc quis fazer, ou foi Rudy?
Foi um assunto de negcios. Rudy entende o negcio melhor que eu.
 assim como vive com isso? Ou talvez nenhum de vocs podia viver mais 
com isso. Estava com voc a noite que Donnie Ray foi assassinado? Pode me olhar e 
jurar que ele esteve com voc toda essa noite?
Rudy no poderia machucar a ningum. No poderia.
Voc est to segura, to segura, que arriscar outra morte? Se no esta 
noite, ento amanh.
Quem quer que est matando a essa gente  um doente...  depravado, cruel, 
e doente. Se pensasse que poderia ser Rudy, no poderia viver. Formamos parte um do 
outro, assim estaria em mim do modo que est nele. Eu no poderia viver. cobriu-se a 
cara com suas mos. No posso suportar mais isto. No falarei mais com voc. Se 
acusar ao Rudy, acusa-me , e no falarei com voc.
Eve se levantou, mas se deteve na cadeira por um momento.
Voc no  a metade de um tudo, Piper, independentemente do que lhe haja 
dito. Se quiser uma sada, conheo algum que pode ajud-la.
Embora sentia que era uma tentativa intil, tomou um de seus prprios cartes 
e anotou o nome da doutora Olhe e o nmero na parte posterior. Deixou-o no brao da 
cadeira e se afastou.
* * * * *
Suas emoes estavam agitadas quando entrou em seu carro. tomou um 
momento para as controlar, logo jogou uma olhada a sua unidade de boneca. No muito 
tempo, refletiu, mas suficiente
Usou seu leva enlace pessoal em vez da unidade de seu carro e chamou o 
Nadine.
O que quer, Dallas? Estou sob presso aqui. A roda de imprensa  em uma 
hora.
me encontre no D e D, traz sua equipe. Em quinze minutos.
No posso...
Sim, pode. Eve cortou a transmisso e conduziu para o centro da cuidem.
Tinha escolhido o Clube Down and Dirty em parte por nostalgia, e em parte 
porque seria o bastante privado uma tarde entre semana. E o proprietrio era um amigo 
que veria que no a incomodassem.
O que est fazendo aqui, moa branca? Crack, com seu 1, 98 cm., sorriu-
lhe. Sua cara era spera e fecha, seu couro cabeludo estava recentemente barbeado e 
brilhantemente engordurado como um espelho. Levava um colete de plumas de pavo, 
umas calas de couros to ajustados que se perguntou se suas bolas no estariam 
machucadas, e botas at a tbia em vermelha cereja.
Tenho uma entrevista, disse-lhe e fez uma rpida explorao do clube. 
Estava principalmente vazio, alm das seis bailarinas que atuavam sua rotina no cenrio 
e os dispersos clientes que -sendo o que eram- marcaram-na como polcia no tempo que 
tomaria escolher um bolso de um turista em Teme Square.
Ela imaginou que vrias onas de ilegais nadariam dentro de pouco nos esgotos 
de Nova Iorque.
Trar mais policiais a meu local? Ele jogou uma olhada quando dois 
fracos distribuidores foram direto para o banho. O negcio de algum vai sofrer esta 
noite.
No estou aqui para uma deteno. Estou esperando  imprensa. Tem um 
quarto de intimidade que possamos usar?
Conseguiu que Nadine viesse? Na atualidade, ela  distinguida. Usa o quarto 
trs, doura. Vigiarei por ti um momento.
Obrigado. Jogou uma olhada sobre seu ombro quando se abriu a porta, 
deixando entrar a luz do sol, ao Nadine, e um operador de cmara. No tomar muito 
tempo.
Eve assinalou por volta do quarto e ps-se a andar a pernadas sem esperar o 
assentimento do Nadine.
Freqenta uns stios interessantes, Dallas. Enrugando seu nariz, Nadine 
contemplou as paredes manchadas e a cama enrugada... o nico mvel do que o quarto 
podia alardear.
Voc gostou de muito o lugar, segundo lembrana. O suficiente para te 
despir e danar no cenrio.
Estava incapacitada mentalmente nesse ento, disse Nadine com um 
pouco de dignidade quando seu operador riu disimuladamente. te Cale, Mike.
Tem cinco minutos. Eve se sentou a um lado da cama. Pode me sacudir 
com perguntas ou te dou uma declarao direta. No vou te dar mais que o que 
liberaremos na roda de imprensa, mas o ter uns bons vinte minutos antes que algum 
mais. Tambm te dou luz verde para usar os dados j falados.
por que?
Porque, disse Eve silenciosamente, somos amigas.
Sal um momento, Mike. Nadine esperou at que ele terminou de queixar-
se e teve fechado a porta detrs sim. No quero nenhum favor por compaixo.
O qual no . Voc manteve o trato, retendo a informao at que eu a 
elucidei. Estou me protegendo as costas. Isso  profissional. Confio em ti para relatar a 
verdade. Isso  profissional. Eu gosto, ainda quando  irritante. Isso  pessoal. Agora, 
quer a entrevista ou no?
O sorriso do Nadine floresceu lentamente. 
Sim, quero-a. Eu gosto, Dallas, e  sempre irritante.
me d um rpido resumo do averiguou do Rudy e Piper.
Fascinante, absolutamente. Eles podem soltar a linha da companhia como 
campees. Cada boto que empurrei, voltou com uma reao perfeita. Bem programado.
Quem  o responsvel?
OH, ele. Sem dvida.  um pouco protetor com ela para ser um irmo, se me 
perguntar. E  surpreendentemente arrepiante o modo que se vestem iguais, at sua 
tintura de lbio. Mas isso  talvez algo de gmeos.
Entrevistou a algum do pessoal?
Seguro, escolhi a uns poucos assessores ao azar. Tm uma operao muito 
hbil ali.
Intriga sobre os donos?
S louvores. No pude encontrar nenhuma s orao rancorosa. Ela 
arqueou Isso sobrancelha  o que buscas?
Estou procurando um assassino, disse Eve rotundamente. Comecemos.
Perfeito. Nadine retrocedeu, golpeou com seus ndulos a porta para avisar 
ao Mike. Declarao direta com perguntas de seguimento.
O um ou o outro.
No seja to fastidiosa. Comea com a declarao. Nadine jogou uma 
olhada  cama, calculando os mltiplos fluidos corporais que poderiam ter alojados ali, 
e optou por ficar de p.
* * * * *
Uma hora mais tarde, Eve escutou ao Chefe de Polcia e Segurana Tibble 
fazendo uma declarao quase idntica a que lhe tinha dado ao Nadine. Ele tinha um 
estilo mais impressionante, refletiu, tiritando um pouco pelo frio, pois tinha decidido dar 
a declarao nos degraus da Tower, onde seus escritrios atravessavam a cpula do 
edifcio.
O trfico areo tinha sido trocado de rota para o acontecimento de trinta 
minutos de modo que s a multido e os helicpteros de trfico perturbavam o cu no 
alto.
Estava segura de que ele j sabia que tinha passado os dados. Lhe poderia 
baixar as fumaas por isso, mas como no tinha sido oficialmente proibida a preced-lo 
com uma declarao, seria uma perdida de tempo.
Eve sabia que Tibble raramente se perdia algo.
Respeitava-o, e o respeitou mais quando conseguiu dar uma declarao 
completa retendo valiosas partes de provas que necessitariam para o processo.
Quando a multido de reprteres comeou a lanar perguntas, ele levantou 
ambas as mos. 
Passarei as perguntas ao oficial investigador primrio, a Tenente Eve Dallas.
Ele girou, e logo se inclinou em seu ouvido. 
Cinco minutos, e no lhes d mais do que j tm. A prxima vez, Dallas, 
fique um maldito casaco.
Ela se acurruc em sua jaqueta e avanou.
voc tem algum suspeito?
Eve no suspirou, mas quis faz-lo. Odiava confrontar aos meios. 
Interrogamos a vrios indivduos em relao a estes casos.
Foram sexualmente agredidas as vtimas?
Os casos esto sendo dirigidos como homicdios sexuais.
Como esto relacionados? As vtimas se conheciam?
No sou livre de discutir essa rea de investigao neste momento. Ela 
levantou uma mo para cortar o vicioso bombardeio. Estamos, entretanto, tratando os 
casos como relacionados. Como o Chefe Tibble declarou, a investigao, at agora, 
aponta a um solo assassino.
Santa Claus vem  cidade, gritou algum cmico, e provocou uma quebra 
de onda de risada na multido.
Sim, faa uma piada disso. O gnio lhe esquentou o sangue e a fez 
esquecer que suas mos se congelavam.  bastante fcil quando no viu o que ele 
deixa. Quando no teve que lhe dizer a suas mes e amigos que a pessoa que amavam 
est morta.
A multido caiu o suficiente para que ela ouvisse o estalar dos sinais de 
multiplicao dos helicpteros acima. 
Imagino que a pessoa responsvel por esta desgraa, destas mortes, sentir-
se feliz de animar aos meios. Sigam adiante e lhe dem o que ele quer. Faam que o 
assassinato das quatro pessoas parea algo insignificante e corriqueiro, e convertam-no 
em uma estrela. Mas dentro da Central de Polcia sabemos como  ele. Ele  pattico, 
inclusive mais pattico que voc. No tenho nada mais que dizer.
Ela se deu a volta, sem fazer caso dos gritos, e quase se chocou com o Tibble.
Entrei um momento, Tenente. Tomou seu brao, conduzindo-a 
rapidamente por entre os guardas e pelas portas reforadas. Bem feito, disse 
brevemente. E agora que terminamos com este desagradvel espetculo, tenho que 
jogar  poltica com o prefeito. v fazer seu trabalho, Dallas, e me consiga a esse filho 
de cadela.
Sim, senhor.
E consiga algumas luvas, por amor de Deus, acrescentou enquanto se 
afastava com passo majestoso.
Eve colocou uma mo em seu bolso para esquent-la, e tirou seu comunicador 
com a outra. Tentou com Olhe primeiro, e lhe disseram que a doutora ainda estava em 
provas. Depois chamou o Peabody.
Arrojou algo o colar?
Encontramos um possvel. Baubles and Bangles na Quinta. Seu joalheiro 
desenhou e fez o colar. Foi um artigo... por encargo. Agora esto comprovando os 
arquivos, mas a vendedora disse que acreditava que recordava ao cliente porque foi 
pessoalmente a recolh-lo. Tm cmaras de segurana.
me encontre ali. Vou em caminho.
Tenente?
Ela jogou uma olhada aos olhos fundos do Jerry Vandoren. 
Jerry, o que faz voc aqui?
Ouvi sobre a roda de imprensa. Quis... Ele levantou suas mos, e em 
seguida as deixou cair inutilmente. Quis ouvir o que voc tinha que dizer. E a escutei. 
Quero lhe agradecer...
Ele se tranqilizou outra vez, olhando ao redor como se tivesse girado por uma 
esquina e se encontrasse em outro planeta.
Jerry. Tomou seu brao, afastando-o antes de que os reprteres cheirassem 
carne fresca e lhe jogassem em cima. Deveria ir-se a casa.
No posso dormir. No posso comer. Sonho com ela cada noite. Quando 
sonho Marianna no est morta. Ele esboou um flego estremecedor. Logo me 
acordado, e no est. Todos dizem que necessito orientao para a dor. No quero ser 
aconselhado sobre minha dor, Tenente Dallas. No quero deixar de sentir o que sinto 
por ela.
Estava fora de seu elemento, ela pensou, um homem brutalmente desesperado a 
contemplava por uma resposta. Mas no podia afastar-se. 
Ela no quereria que voc seguisse sofrendo. Amava-o muito para isso.
Mas quando deixar de doer, ela realmente se foi. Fechou seus olhos, logo 
os abriu. Quis... s quis lhe dizer que apreciei o que disse. Que no os deixasse 
converter isto em uma brincadeira. Sei que o deter. A splica nadou em seus olhos
. Voc o deter, verdade?
Sim. vou deter o. Venha comigo. Brandamente, conduziu-o para uma 
sada lateral. vou conseguir lhe um txi. Onde disse que vivia sua me?
Minha me?
Sim. v ver sua me, Jerry. Fique com ela um tempo.
Ele piscou ante a luz do sol enquanto saam. 
 quase Natal.
Sim. Fez gestos a um uniformizado apoiado em sua patrulha. Uma melhor 
aposta, decidiu, que um txi. Passei o Natal com sua famlia, Jerry. Marianna quereria 
que o fizesse.
* * * * *
Eve teve que afastar ao Jerry Vandoren e sua pena de sua mente e concentrar-se 
no seguinte passo. depois de lutar contra o trnsito, estacionou-se ilegalmente diante da 
loja de joalheria, trocou o sinal de servio a ativo, e logo arremeteu atravs da multido 
que abarrotava a calada.
Imaginou que era a classe de lugar que Roarke poderia percorrer, olhar um 
brilhante, e deixar cair algumas centenas de milhares.
A loja era toda de cor rosa e dourado, como o interior de uma concha marinha. 
A msica, de uma variedade tranqila, e profunda que a fez pensar no Iglesias, soava 
discretamente no ar.
As flores eram frescas, o tapete grosa, e o guarda na porta estava 
prudentemente armado.
Quando lanou a sua jaqueta e botas um olhar de desdm, mostrou-lhe sua 
placa. Deu-lhe um pequeno puxo de satisfao ver desaparecer o desprezo.
Passou frente a ele, e suas botas ressonaram silenciosas no tapete rosado. Um 
rpido escrutnio mostrou a uma mulher envolta em milhas de visom sentada em uma 
chaise densamente acolchoada, discutindo sobre diamantes ou rubis; a um homem alto 
de cabelo prateado com um casaco dobrado com esmero sobre seu brao, examinando 
atentamente unidades de boneca de ouro; dois guardas mais; e uma loira renda-se 
bobamente e circulando em uma farra de compras com um homem gordo o bastante 
velho para ser seu av. Ele obviamente tinha mais dinheiro que sentido comum.
Etiquetou as cmaras de segurana, eram um pequeno dispositivo metido 
dentro de uma moldura esculpida que emoldurava um teto com decorativos painis 
afundados. Uma fluida escada caracol se acotovelava  direita. Ou sim a senhora estava 
muito cansada de conduzir libras de ouro e pedras, era bem-vindos a usar o brilhante 
elevador de cobre.
S o peso do diamante entre seus peitos acautelou ao Eve de burlar-se. Era 
levemente embaraoso saber que Roarke poderia comprar tudo no lugar, e o edifcio no 
que estava agasalhado.
aproximou-se de um mostrador de cristal biselado onde os braceletes 
carregados com gemas de cores estavam engenhosamente envoltas, e foi avaliada pelo 
vendedor atrs do mostrador que no pareceu particularmente comovido ao v-la. Ele 
estava to brilhante como seus artigos, mas sua boca estava apertada, seus olhos 
aborrecidos, e sua voz, quando falou, destilava sarcasmo.
Posso ajud-la, senhora?
Sim, preciso ver o gerente.
Ele bufou, inclinando sua cabea de modo que as luzes brilhassem em seu 
cabelo dourado. 
Tem algum problema?
Isso depende de quo rpido chama ao gerente.
Agora sua boca saltou como se algo no completamente afresco tivesse 
aterrissado em sua lngua. 
Um momento. E por favor, no toque a vitrine. Acaba de ser limpeza.
Pequeno bastardo, pensou Eve brandamente. Conseguiu pr uma meia dzia de 
impresses digitais sobre o cristal brilhante quando ele voltou com uma moria magra, e 
atrativa.
Boa tarde. Sou a Sra. Kates, a gerente. Posso lhe ajudar?
Tenente Dallas, NYPSD. Como o sorriso da mulher era muito mais morna 
que a de seu empregado, Eve sustentou sua insgnia ao nvel do mostrador e a bloqueou 
 clientela com suas costas. Meu ajudante chamou mais cedo respeito a um colar.
Sim, falei com ela. Falamos em meu escritrio?
Bem. Jogou uma olhada ao redor quando Peabody e McNab entraram. 
No dizendo nada, assinalou-lhes que a seguissem.
Lembrana o colar claramente, comeou Kates enquanto os conduzia a um 
escritrio pequeno, e feminina. Gesticulou por volta de duas cadeiras de respaldo alto 
antes de tomar assento detrs de seu escritrio. Meu marido o desenhou, por encargo. 
No fui capaz de localiz-lo, sinto muito, mas acredito que posso lhe dar qualquer 
informao que voc necessite.
voc tem a papelada?
Sim. Procurei o disco e lhe imprimi uma cpia. Eficazmente, abriu um 
arquivo, comprovou os contedos, e logo a passou ao Eve. O colar foi feito em ouro 
de quatorze quilates, a cadeia entrelaada, a gargantilha larga, e com quatro aves 
gordinhas. Uma pea encantadora.
No tinha parecido to encantadora, refletiu Eve, envolta ao redor do pescoo 
machucado do Holloway.
Nicholas Claus. Ela murmurou, lendo o nome do cliente.  
Sups que ele tinha pensado nisso como uma ironia.
Conseguiu voc sua  identificao?
No foi necessrio. O cliente pagou em dinheiro efetivo, um depsito de 
vinte por cento ao encarreg-la, o resto ao finalizar.
Kates dobrou suas mos. 
Reconheo-a, Tenente. Devo assumir que este colar  parte de uma 
investigao de homicdio?
Pode assumi-lo. Este Claus, veio pessoalmente?
Sim, trs vezes que recorde. Kates levantou suas mos dobradas, tocou sua 
boca com os dedos, logo as baixou outra vez. Lhe falei eu mesma em sua primeira 
visita. Sobre a altura medeia, suponho, possivelmente um pouco mais alto. Esbelto, mas 
no magro. Elegante, disse depois de pensar um momento. Muito bem apresentado. 
Cabelo escuro, bastante largo, com raias chapeadas. Recordo-o como muito elegante, 
muito corts, e muito especfico sobre suas necessidades.
me diga como era sua voz.
Sua voz? Kates piscou um momento. Eu... Culto, diria. Levemente 
acentuado. Europeu, suponho. Tranqilo. Estou segura que o reconheceria outra vez. 
Lembro-me de ter tomado uma chamada dele e saber quem era ao momento de falar.
Ele se apresentou?
Um par de vezes, acredito, para comprovar o progresso do colar.
vou necessitar seus discos de segurana, e seus registros do comunicador.
Os conseguirei. levantou-se imediatamente. Pode tomar um pouco de 
tempo.
McNab, lhe d uma mo  Sra. Kates.
Senhor.
Ele teve que saber que o comprovaramos, disse Eve ao Peabody quando 
ficaram sozinhas. Deixou o colar na cena, e ele mesmo o encarregou. Teve que saber 
que o rastrearamos at aqui.
Talvez no pensou que nos moveramos to rpido, ou que Kates teria uma 
memria to boa.
No. Insatisfeita, Eve se levantou. Sabia. Estamos justo onde ele quer 
que estejamos.  outro espetculo. Desempenhou um papel aqui, e no se parece com o 
homem que vamos ver nesses discos mais do que se parece com a Santa Claus.
Ela se passeou at a porta, logo retornou outra vez. 
Acessrios diferentes, disfarce diferente, cenrio diferente, mas s  seu 
espetculo. Ele se cobriu as costas, Peabody, mas no  to preparado como pensa que 
. As impresses de voz dos registros do comunicador vo afund-lo.

Capitulo 16
Jesus, Dallas. Feeney encolheu o ombro quando ela se inclinou sobre 
ele. Deixa de respirar em minha nuca.
Sinto muito. tornou-se para trs uma pequena polegada. Quanto tempo 
leva programar a impresso nesta coisa?
O dobro se no deixar de te queixar.
Bem, bem. Ela se tornou atrs, espreitando pela janela da sala de 
conferncias. Cai aguanieve, disse mais para si mesmo que para ele. O trfico 
vai estar terrvel mais tarde.
O trfico sempre  terrvel nesta poca do ano. Muitos malditos turistas. 
Tratei de fazer umas pequenas compras ontem  noite. Minha esposa quer um suter. As 
pessoas esto como lobos sobre um cervo morto ali fora. No volto.
Comprar por vdeo  mais fcil.
Sim, mas se entopem os circuitos de mierda. Todos, inclusive sua primo 
tratam de adquirir ofertas. Sim no subo com uma dzia de caixas bonitas sob a rvore 
para ela, me comprido a um esconderijo at a primavera.
Uma dzia? Bruscamente horrorizada, balanou-se ao redor. Tem que 
comprar mais de um?
Homem, Dallas, voc est verde na rea do matrimnio. Grunhiu, 
trabalhando manualmente na programao. Um presente no significa nada. 
Quantidade, amiga. Pensa em quantidade.
Grandioso, fabuloso. Estou afundada.
Ficam um par de dias. E aqui estamos.
Seu dilema sobre as compras se afastou de sua mente quando se precipitou para 
trs. 
Executa-o.
Estou nisso. Aqui est nosso homem no comunicador.
Est o Sr. ou a Sra. Kates disponvel?
Recortei as outras vozes. Essas so suas pausas, explicou Feeney.
bom dia, Sra. Kates.  Nicholas Claus. Perguntava-me como est progredindo 
o trabalho sobre meu colar.
Posso executar o resto, mas isto  bastante para uma conexo.
O acento  vago, refletiu Eve. No ps muito dele.  preparado. 
Introduziu ao Rudy ali?
Sim. Esta  da cinta de entrevista. S dele.
Aconselhamos que todos nossos clientes se renan com seus contatos em um 
lugar pblico. Qualquer que consentisse em reunir-se em privado posteriormente a 
isso, tomavam sua prpria deciso.
Agora conseguimos as impresses. Este beb calcula tudo: tom, inflexo, 
ritmo, qualidade tonal. Maldito se importar se disfarar sua voz.  to confivel como 
as impresses digitais e o DNA. No pode falsific-lo. Mover Sujeito A, enxertar o 
estilo, em tela e em udio.
Trabalhando...
Eve escutou a chamada do comunicador, olhou as linhas de cor passar roando 
e saltar ao longo da tela. 
Divide a tela, lhe disse, ponha a informao da entrevista sob a outra.
S espera. Feeney ordenou a funo, logo apertou os lbios. Tm um 
problema aqui.
O que? O que tem que mau?
Obter as impresses em tela, ordenou, logo suspirou quando os pontos e 
os vales se uniram. Eles no emparelham, Dallas. Nem sequer esto perto. Tem duas 
vozes diferentes aqui.
Mierda. Ela se passou os dedos pelo cabelo. Como podia v-lo por si 
mesmo, seu estmago comeou a arder. me Deixe pensar. Bem, e se ele usou um 
distorsionador durante a chamada do comunicador?
Ele poderia suj-lo um pouco, mas ainda conseguiria pontos iguais. o melhor 
que posso fazer  dirigir uma explorao, uma busca de qualquer disfarce eletrnico, e 
limp-lo se o encontro. Mas vi bastante destes para saber quando vejo dois tipos 
diferentes.
Ele suspirou e lhe lanou um de seus olhares tristes. 
Sinto muito, Dallas. Isto demora as coisas. 
Sim. esfregou-se os olhos. Dirigir a explorao de todos os modos, 
Feeney? Que tal os rasgos a rasgos do vdeo?
Isso vem... lento. Posso comparar a forma da orelha do Rudy, e a forma do 
olho.
Vejamos aquele caminho, tambm. vou comprovar com Olhe, verei se o 
perfil j parece.
Para economizar tempo, Eve chamou o escritrio de Olhe. A doutora se foi 
pelo dia, mas um relatrio preliminar tinha sido irradiado ao comunicador do escritrio 
do Eve. Ela se encaminhou, tratando de apartar as impresses de voz enquanto saa.
O tipo era ardiloso, refletiu. Talvez se tinha imaginado em uma anlise de 
impresso de voz. antecipou-se e encontrado uma maneira de burl-lo. E se tivesse feito 
que algum mais chamasse o joalheiro?
estava-se espraiando, confessou. Mas no era impossvel.
Ouviu o que teria jurado era uma risita tola, e entrou em seu escritrio para ver 
o Peabody conversando amavelmente com o Charles Monroe.
Peabody?
Senhor. Peabody saltou imediatamente de p e ateno. Charles, OH, o 
Sr. Monroe tem algo... desejava...
Retenha seus hormnios, Oficial. Charles?
Dallas. Ele sorriu, levantando-se de seu assento no brao de uma pattica 
cadeira. Seu ajudante me fez companhia, de um modo encantador, enquanto te 
esperasse.
O arrumado. O que acontece?
Poderia no ser nada, mas Se encolheu de ombros. Uma das mulheres 
de minha lista de contatos me chamou faz um par de horas. Parece que sua entrevista 
para um passeio no interior este fim de semana a plantou. Ela pensou que eu gostaria de 
substitui-lo, embora realmente no conectamos antes.
Isso  fascinante, Charles. Impaciente por seguir com seu trabalho, Eve se 
deixou cair em uma cadeira. Mas no me sinto qualificada para te aconselhar sobre 
sua vida social.
Posso dirigi-la sozinho. Para demonstr-lo, piscou os olhos ao Peabody e a 
fez ruborizar-se de prazer. Joguei com a idia de aceitar, mas sabendo como podem ir 
as coisas, liguei com ela um momento para conseguir uma impresso.
H um ponto nisto?
Ele se inclinou para frente. 
Eu gosto de meu momento no sol, Tenente Acar. Ambos ignoraram o 
ofegou de surpresa do Peabody ante o trmino. Ela comeou a desafogar-se. Tinha 
tido uma grande briga com o tipo que tinha estado vendo. Verteu toda a mierda em 
mim. Agarrou-o enganando-a com alguma ruiva. Ento me disse que ele pensou que 
podia compens-lo fazendo que Santa lhe levasse um presente ontem  noite.
Eve se incorporou lentamente, e agora concentrou sua ateno. 
Segue.
Pensei que o faria. Com satisfao, Charles se tornou para trs. Disse 
que o timbre soou aproximadamente s dez ontem  noite, e quando olhou para fora 
havia um Santa com uma grande caixa chapeada. Ele sacudiu sua cabea. Tenho 
que te dizer, que com o que sabia, meu corao quase se deteve. Mas ela divagava sobre 
como no lhe deu ao bastardo embusteiro a satisfao de lhe abrir a porta. No quis seu 
lamentvel obsquio de maquiagem.
Ela no o deixou entrar, murmurou Eve.
E me figuro que por isso estava viva para me chamar e desafogar-se.
E sabe o que faz ela para viver?
 bailarina. Bal.
Sim, isso concorda, murmurou Eve. Necessito um nome e direo. 
Peabody?
Preparado.
Cheryl Zapatta, vive na Vinte e oito Oeste.  tudo o que sei.
Encontraremo-la.
Olhe, no sei se fiz o correto, mas o disse. Sua entrevista com o Nadine Furst 
acabava de sair, assim deduzi que podia. Disse-lhe que acendesse sua tela, e a pus ao 
tanto. Suspirou. Se aterrou. Muitssimo. Disse que se iria. No sei se a localizar 
por um tempo.
Se se afastou, podemos conseguir uma ordem para entrar e procurar. Fez o 
correto, Charles, disse Eve depois de um momento. Se ela no tivesse ouvido o 
relatrio, poderia ter trocado de idia e lhe haver aberto a porta a prxima vez. 
Avaliao que viesse.
Algo por ti, Tenente Acar. Ele se levantou. Pode me avisar o que 
acontece?
Olhe sua tela, aconselhou Eve.
Sim. Uh, importaria-lhe me mostrar a sada, Oficial? Lanou- um sorriso 
assassino ao Peabody. Estou um pouco perdido.
Seguro. Tenente?
Vo. Eve os despediu, logo se mergulhou no relatrio de Olhe. Absorvida 
e frustrada, no advertiu que tomou ao Peabody vinte minutos lhe mostrar ao Charles a 
opo de escorregador ou elevador para as pessoas.
Ela descartou ao filho de cadela. Eve se recostou, esfregando-a cara com 
as mos quando Peabody voltou. No tenho nada que lhe pendurar.
Rudy?
Seu ndice de personalidade no encaixa com o perfil. Sua capacidade para a 
violncia fsica corre deso na escala. Ele  desviado, inteligente, obsessivo, possessivo, 
e sexualmente limitado, mas em opinio da doutora, no  nosso homem. Maldio. Sim 
seu advogado consegue uma cpia disto, no serei capaz de tocar ao pequeno miservel.
Ainda o encontra suspeito? 
No sei como o vejo. Tratou de manter sua cabea e seu carter 
cometido. Voltemos e comecemos de novo. Desde o comeo. Interrogaremos de 
novo, comeando com a primeira vtima.
 * * * *
s oito e quarenta e cinco, Eve subiu os degraus. J estava molesta quando 
Summerset a tinha saudado no vestbulo com seu irritante olhar fixo e lhe comentou que 
tinha exatamente quinze minutos para ficar apresentvel antes de que os convidados 
comeassem a chegar.
No a ajudou correr para o dormitrio e encontrar ao Roarke tomado banho e 
vestido. 
Farei-o, ela soltou e se lanou para o banho.
 uma festa, querida, no uma prova de resistncia. Ele perambulou detrs 
dela, principalmente pelo prazer de v-la nua. Tome seu tempo.
Sim, para chegar tarde e lhe dar a esse cara de culo outra razo para queixar-
se de mim. Ducha, por completo, 37 C. 
No necessita a aprovao do Summerset. reclinou-se ociosamente contra 
a parede para olh-la. Ela tomou banho como para quase tudo: rpida e eficazmente, 
sem desperdiar tempo ou movimentos. Em qualquer caso, a gente tradicionalmente 
chega tarde a assuntos como este.
S estou um pouco atrasada. Protestou quando o xampu entrou em seus 
olhos e lhe picou. Perdi a meu principal suspeito, e comeo desde o comeo. Saiu, 
deu um passo para o tubo secante, e logo se deteve. Mierda, quando se supe que 
tenho que me pr esta mescla no cabelo, quando est molhado ou seco?
Tendo uma idia bastante boa referente a qual mescla se referia, Roarke tirou 
um tubo da prateleira e verteu um pouco em sua palma. 
Aqui, me permita.
O modo em que suas mos se moveram por seu cabelo a fez querer ronronar, 
mas o observou com os olhos entrecerrados. 
No faa o parvo comigo, companheiro. No tenho tempo para ti.
No tenho ideia o que quer dizer. Deleitando-se, escolheu outro tubo e 
verteu uma quantidade generosa de loo corporal em suas mos. S te ajudo a te 
preparar,                     comeou quando deslizou suas mos escorregadias sobre seus 
ombros, e seus peitos. J que parece esgotada.
Olhe... Ento fechou seus olhos e suspirou quando suas mos se 
deslizaram abaixo a sua cintura, deslizando-se sobre seu traseiro. Acredito que te 
saltou um lugar.
Descuidado de mim. Ele baixou sua cabea, cheirou sua garganta. E 
mordeu. Desejas estar muita, muito atrasada?
Sim. Mas no vou faz-lo. meneou-se afastando-se e saltou no tubo 
secante. Mas no esquea onde ficou.
Uma lstima que no chegasse faz vinte minutos. Decidindo que o olhar 
dela no ia ajudar a seu sangue a esfriar-se, entrou no dormitrio.
Logo que tive a porcaria em minha cabea o suficiente. Saiu rapidamente 
do tubo e se lanou para o espelho sem incomodar-se em ficar uma bata. O que se 
supe que tenha posto com algo como isto?
Tenho-o.
Ela deixou de usar torpemente sua tintura de pestanas e franziu o cenho. 
Escolho sua roupa?
Eve, por favor.
Ela teve que rir. 
Bem, um mau exemplo, mas no tenho tempo para pensar em outro.                               
Solucionando o problema do penteado passando seus dedos energicamente por como 
o tinha, avanou para o dormitrio para ver o Roarke estudar o que sups que algumas 
pessoas chamariam um vestido.
Sal daqui. No me porei isso.
Mavis o trouxe a outra noite. Leonardo o desenhou para ti. Ficar muito 
bem.
Ela olhou com cenho franzido as fludos tecidos chapeados unidas aos lados 
por magros suspensrios brilhantes. Os suspensrios se repetiam nos ombros, 
afianando uma queda de tecido no fronte e muito, muito mais abaixo nas costas.
por que melhor no vou nua e economia tempo?
V como fica.
O que me porei debaixo?
Ele colocou sua lngua em sua bochecha. 
Voc.
Jesucristo. Com pouca pacincia, avanou, e o ps.
O material era suave como uma cascata e se ajustava como um amante, as 
sedutoras aberturas laterais expor sua pele suave e suas curvas magras.
Querida Eve. Ele tomou sua mo, girando-a para acariciar com sua boca a 
palma em um dos gestos com os ele estava acostumado a converter suas pernas em 
massa. s vezes me deixa sem respirao. Agora,  um desses momentos.
Ele tomou um par de pendentes em forma de gotas de diamantes do penteadeira 
e os entregou.
Estes j eram meus, ou o que?
Agora ele sorriu abertamente. 
Tiveste-os durante meses. No mais presentes at Natal.
Ela tomou, e decidiu tom-lo filosoficamente quando ele selecionou seus 
sapatos. 
No h lugar nesta costure para guardar meu comunicador. Espero uma 
chamada.
Aqui. Ofereceu-lhe uma bolsa de noite ridiculamente pequena que para 
jogo com os sapatos.
Algo mais?
Est perfeita. Sorriu quando ouviu o sinal sonoro que assinalava que o 
primeiro carro chegava  porta. E a tempo. Baixemos para que possa luzir a minha 
esposa.
No sou um caniche, murmurou e o fez rir.
 * * * *
depois de uma hora, a casa estava lotada de gente, msica e luz. Examinando a 
sala de baile, Eve s podia estar agradecida porque Roarke nunca esperou que ela 
participasse dos preparativos.
Haviam enormes mesas que gemiam sob as fontes de prata com mantimentos: 
presunto da Virginia, pato polido da Frana, uma excepcional carne de vaca de 
Montana; lagostas, salmo, ostras colhidas dos ricos criaderos no Silas I; uma srie de 
verduras frescas escolhidas s essa manh e habilmente dispostas em figuras. As 
sobremesas que tentariam a um detento poltico a uma greve de fome rodeavam a uma 
torta com forma de rvore de trs ps, pecadoramente deliciosa e lhe penduravam 
reluzentes decoraes de mazapn.
perguntou-se porque ainda podia maravilhar-se do que o homem com o que se 
casou podia conjurar.
Um pinheiro muito alto decorado com milhares de luzes brancas e estrelas 
chapeadas estava erguido ao final da sala de baile. As janelas do cho ao teto no 
mostravam a suja aguanieve que caa sobre a cidade, a no ser um holograma de uma 
cena de sonho, onde os casais patinavam em um lago prateado e os pequenos 
competiam baixando uma suave custa em trens vermelhos brilhantes.
Tais detalhes, pensou, eram completamente do Roarke.
Oua, amor. Est completamente s neste palcio?
Ela arqueou uma sobrancelha quando sentiu a mo em seu traseiro e girou sua 
cabea devagar para contemplar ao McNab.
Ele ficou vermelho, logo branco, logo vermelho outra vez. 
Cristo! Tenente. Senhor.
Sua mo est em meu traseiro, McNab. No acredito que deseje que esteja 
ali.
Ele a apartou como se se queimasse. 
Deus. Homem. Mierda. me perdoe. No te reconheci. Quero dizer... Ele 
apertou a mo que esperava sinceramente que lhe permitisse conservar em seu bolso. 
Eu no sabia que foi voc. Pensei... Olhe... As palavras lhe falharam.
Acredito que o Detetive McNab trata de desculpar-se, Eve. Roarke se 
aproximou ao lado deles e, porque era muito para resistir, olhou fixa e duramente os 
olhos aterrados do McNab. No era assim, Ian?
Sim. Isso...
E se acreditasse que ele estava a par de que era seu traseiro o que acariciava, 
teria que mat-lo. Aqui mesmo. Roarke estendeu a mo e estalou as cordas do 
chamativo lao vermelho do McNab. Agora mesmo.
OH, o teria feito eu mesma, disse Eve com secura. Se v como se 
necessitasse uma bebida, Detetive.
Sim, senhor. Fao-o.
Roarke, por que no cuida dele? Olhe acaba de entrar. Quero falar com ela.
Encantado. Roarke passou um brao ao redor do ombro do McNab e o 
apertou s um pouco mais forte do que a comodidade permitia.
Tomou mais tempo do que ao Eve gostou de atravessar o quarto. Assombrou-a 
quanto queria falar a gente nas festas. E sobre nada em particular. Isso a atrasou o 
bastante, mas distinguiu ao Peabody, vendo-se muito diferente a Peabody de sempre 
com umas arrebatadoras calas douradas de noite e uma jaqueta curta sem mangas. Seu 
brao nu estava enganchado comodamente no Charles Monroe. 
Olhe, concluiu Eve, podia esperar. 
Peabody.
Dallas. Wow, o lugar se v maravilhoso.
Sim. Eve trocou seu olhar e a fixou no Charles com olhos indignados. 
Monroe.
Tem uma casa fabulosa. Tenente.
No recordo seu nome na lista de convidados.
Peabody ruborizada, ficou rgida. 
O convite dizia que eu era livre de trazer uma entrevista.
Isso o que ? Perguntou, mantendo seus olhos no Charles. Uma 
entrevista?
Sim. Ele baixou sua voz quando uma piscada de dor nublou seus olhos. 
Delia  consciente de minha profisso.
D-lhe o desconto padro de polcia?
Dallas. Horrorizada, Peabody se adiantou.
Est bem. Charles a jogou para trs. Estou em meu prprio tempo, Dallas, e 
esperava passar uma noite interessante com uma mulher atrativa de cuja companhia 
desfruto. Se quiser que me parta,  sua casa, diga-me isso 
Ela  uma moa grande.
Sim, -o, murmurou Peabody. S um segundo, Charles, acrescentou, 
logo agarrou o brao do Eve e a apartou.
Oua!
No, voc oua. A fria borbulhou em sua voz quando Peabody encerrou 
ao Eve em uma esquina. No tenho que te informar de meu tempo pessoal ou de 
minhas relaes, e no tem nenhum direito de me envergonhar.
Espera um minuto...
No terminei. Mais tarde, Peabody recordaria o olhar de muda estupefao 
na cara do Eve, mas nesse momento estava muito exaltada para v-lo ou reagir. O que 
fao fora de servio no tem nada que ver com o trabalho. Se quero danar em uma 
mesa em meu tempo pessoal,  meu assunto. Se quero pagar seis acompanhantes 
autorizados para joderme os domingos,  meu assunto. E se quero ter uma entrevista 
civilizada com um homem interessante, atrativo que pela razo que seja quer ter uma 
comigo,  meu assunto.
Eu s estava...
No terminei, disse Peabody entre dentes. No trabalho, voc manda. 
Mas  a onde isso termina. Se no me quiser aqui com o Charles, ento nos partiremos.
Quando Peabody girou, Eve a agarrou pela boneca. 
No quero que te parta. Sua voz estava tranqila, controlada, e rgida 
como uma tabela fossilizada. me Perdoe por me colocar em sua vida pessoal. Espero 
que isto no danifique sua noite. me perdoe.
Doda, incrivelmente doda, afastou-se. Seu estmago ainda estava revolto 
quando se encontrou com Olhe. 
No quero te apartar da festa, mas quereria uns minutos. Em privado.
 obvio. Preocupada com seus olhos velados e suas bochechas plidas, 
Olhe estendeu a mo. O que acontece, Eve?
Em privado, repetiu, e se ordenou sepultar seus sentimentos enquanto lhe 
mostrava o caminho. Podemos falar na biblioteca.
OH. Ao momento de entrar, Olhe apertou suas mos completamente 
agradada. O que quarto to maravilhoso. OH, que autnticos tesouros. No 
suficientes pessoas apreciam a sensao e o aroma de um verdadeiro livro em suas mos 
muito tempo. O prazer de acomodar-se em uma cadeira com o calor de um em vez da 
fria eficcia de um disco.
Roarke o faz com livros, disse Eve simplesmente e fechou a porta. As 
provas sobre o Rudy. Questiono-me algumas de suas concluses.
Sim, pensei que poderia faz-lo. Olhe se passeou, admirando, logo se 
sentou em uma elegante cadeira de couro, alisando a saia de seu curto vestido rosa de 
coquetel. Ele no  seu assassino, Eve, tampouco  o monstro que voc quer que seja.
No tem nada que ver com o que quero.
Sua relao com sua irm te incomoda em um nvel profundo e pessoal. Ela 
no se parece com ti, entretanto; no  uma menina, no est indefesa, e embora acredite 
realmente que ele tem uma disposio doentia de controle sobre ela, no est sendo 
forada.
Ele a usa.
Sim, e ela a ele.  recproco. Estou de acordo em que ele  obsessivo com o 
que lhe pertence.  sexualmente imaturo. A mesma coisa que o elimina de suas listas, 
Eve,  o fato que ele crie fortemente que  impotente com qualquer, menos sua irm.
Chantageavam-no e o chantagista est morto. Um cliente se apaixonou por 
sua irm; e aquele cliente est morto.
Sim, e confesso que com essa evidncia estava preparada para encontr-lo 
capaz desses assassinatos. Ele no o . Tem certo potencial para a violncia fsica. 
Quando o provocam, quando  ameaado. Mas  um brilho,  imediato. No est em seu 
temperamento planejar, organizar, e executar a classe de assassinatos com os que 
trficos.
Ento s o soltamos? Eve se afastou. O deixamos ir?
O incesto  ilegal, mas tem que provar-se que  imposto. Este no  o caso. 
Entendo sua necessidade de castig-lo, e, em sua mente, liberar a sua irm de seu 
controle.
No  sobre mim.
OH, sei, Eve. Porque lhe doa o corao olh-la, levantou-se para tomar a 
mo do Eve e deter seu agitado passeio. No siga te castigando.
Concentrei-me nele devido a isso. Sei que o fiz. Repentinamente cansada, 
afundou-se abaixo ao lado de Olhe. E porque o fiz, poderia ter perdido algo, algum 
detalhe, que teria conduzido ao assassino.
Atuou de forma muito lgica, deu passos muito concretos. Ele teve que ser 
eliminado da lista.
Mas me demorei muito tempo em faz-lo. E cada vez que minha intuio me 
disse que apontava ao homem incorreto, ignorei-a. Porque segui me vendo. Eu olhava e 
pensava, retrocedendo em minha mente, pensava, que poderia ser eu. Se no tivesse 
matado ao filho de cadela, poderia ser eu.
Ela ps sua cabea em suas mos, logo as passou por seu cabelo. 
Cristo, cometo enganos. Maldio, por todos lados. 
Como?
No tem objeto entrar nisso.
Olhe simplesmente acariciou o cabelo do Eve. 
Como?
Parece que nem sequer posso dirigir umas festividades absolutamente 
ordinrias. S o pensar em tratar de entender que fazer, que comprar, como atuar faz 
que me aduela o estmago.
OH, Eve. Renda-se ligeiramente, Olhe sacudiu sua cabea. O Natal faz 
que quase todos se voltem mdios loucos com apenas esses problemas.  absolutamente 
normal.
No para mim, no o . Antes nunca tive que me preocupar por isso. No 
tinha tantas pessoas em minha vida.
Agora o faz. Olhe sorriu, e sentiu prazer acariciando o cabelo do Eve outra  
vez. De quem quer te desfazer?
Acredito que acabo de jogar ao Peabody. Desgostada, Eve se levantou 
outra        vez. Veio com um companheiro autorizado. OH, ele  em princpio 
aceitvel, mas  um maldito puto, atrativo, elegante, e divertido.
Isso te incomoda, sugeriu Olhe, voc gosta dele em um nvel e o 
despreza pelo que faz para viver.
No se trata de mim.  sobre o Peabody. Ele diz que quer uma verdadeira 
relao, e ela tem estrelas em seus olhos por ele e est furiosa comigo porque pinjente 
algo sobre ele.
A vida  difcil, Eve, e temo que te criaste uma vida, com todos os conflitos 
e problemas e com os sentimentos feridos que implica. Se est zangada contigo,  
porque no h ningum que admire ou respeite mais.
OH, Cristo.
Ser querido  uma pesada responsabilidade. Arrumar sua discusso com ela, 
porque ela te importa.
Estou-me sentindo terrivelmente curvada pela gente que me importa.
A tela da casa no quarto piscou acesa. A cara cansada do Summerset a encheu. 
Tenente, seus convidados perguntam por voc.
Jdete. Ela sorriu escassamente quando Olhe se tragou uma risada. Ao 
menos  uma pessoa pela que no tenho que me preocupar com lhe importar. Mas no 
deveria te haver quebrado a noite.
No o fez. Desfruto falando contigo.
Bem... Eve comeou a colocar as mos em seus bolsos, recordou que no 
tinha nenhum, e suspirou. Te incomodaria se te deixo por um minuto? H algo que 
quero ir procurar a meu escritrio.
Claro. Posso olhar os livros?
Seguro, te sirva. No querendo perder tempo em sair e baixar a escada, 
meteu-se no elevador. Esteve de volta em menos de trs minutos, mas Olhe j estava 
acomodada em uma cadeira com um livro.
Jane Eyre. Ela suspirou quando o ps apartou. No o tenho lido desde 
que era uma moa.  to maravilhosamente romntico.
Pode tom-lo emprestado se quiser. Roarke no teria nenhum inconveniente.
Tenho minha prpria cpia. S no me tomei o tempo. Mas obrigado.
Quis te dar isto.  um par de dias antes, mas... possivelmente no te veja. 
Sentindo-se ridiculamente torpe, ofereceu-lhe a caixa elegantemente envolta.
OH, que doce. Com bvio agradar, Olhe rodeou a caixa em suas mos. 
Posso abri-lo agora?
Seguro, disso se trata, verdade? Ela moveu seus ps, logo ps os olhos em 
branco quando Olhe com delicadeza desatou a cinta e separou cuidadosamente as 
esquinas do papel.
Volta para minha famlia louca, tambm, disse com um sorriso. Mas 
no posso romp-lo; logo amontoou o papel e a cinta como um rato de pacote. Tenho 
um armrio cheio deles que constantemente esquecimento reutilizar. Mas... 
Emudeceu quando abriu a tampa e encontrou a garrafa de perfume dentro. V!,  
maravilhoso, Eve. Fez gravar meu nome nela.
 um tipo de perfume personalizado. D-lhe ao tipo os rasgos fsicos e de 
personalidade, depois ele cria um perfume individual.
Charlotte, murmurou Olhe. No estava segura de si sabia meu nome.
Acredito que o ouvi em alguma parte.
Olhe piscou umas lgrimas sentimentais. 
 maravilhosamente considerado. Deixou a garrafa e se girou para rodear 
ao Eve em um abrao. Obrigado.
Cheia de afeto, e vergonha, Eve se deixou abraar. 
Me alegro que voc goste. Sou bastante nova nesta classe de coisas.
Fez-o muito bem. Retrocedeu, mas agarrou a cara do Eve em suas  
mos. Estou to afeioada contigo. Agora preciso ir ao asseio a me retocar porque 
outra de minhas tradies de Natal  chorar um pouco sobre meus presentes. Sei onde , 
acrescentou, acariciando as bochechas do Eve brandamente. v danar com seu 
marido e bebe um pouco de champanha. O mundo exterior ainda estar ali amanh.
Tenho que det-lo.
E o far. Mas esta noite, necessita sua vida. v procurar ao Roarke e apanha-
o.

Capitulo 17
Eve fez o que a doutora lhe ordenou. No era um castigo to mau, decidiu, 
sentindo-se um pouco enjoada, balanando-se nos braos do Roarke em alguma classe 
de msica sonhadora por um quarto cheio de cor, aroma e luz.
Posso viver com isso, murmurou.
Hmm?
Ela sorriu quando seus lbios roaram seu ouvido. 
Posso viver com isso, repetiu, retirando-o suficiente para olhar sua cara. 
Todas as coisas do Roarke.
Bem. Suas mos acariciaram suas costas, logo abaixo outra vez.  bom 
sab-lo.
Voc conseguiu um punhado inteiro de coisas, Roarke.
Sei, em efeito, tenho realmente um punhado inteiro de coisas. E uma 
esposa, pensou com um brilho divertido em seus olhos, que estava um pouco bbada.
s vezes  misterioso. Mas no agora. Agora  bastante agradvel.                              
Suspirando, esfregou sua bochecha contra a seu. Que tipo de msica  esta?
Voc gosta?
Sim,  sexy.
Do sculo vinte, principalmente de 1940. chamava-se a Big Band.  um 
holograma da cinta do Soldado Dorsey que faz este pequeno nmero. "Serenata  luz da 
lua".
Faz um milho de anos disso.
Quase.
Como conhece todas essas coisas de todas formas?
Talvez nasci fora de meu tempo.
Ela suspirou em seus braos quando a msica aumentou. 
No, escolheu seu tempo justo no momento correto. Inclinou sua cabea 
em seu ombro para assim poder observar o quarto. Todos parecem felizes. Feeney 
dana com sua esposa. Mavis est sentada no regao do Leonardo na esquina a com 
Olhe e seu marido. Todos sorriem. McNab acossa a toda mulher no quarto, e dirige ao 
Peabody seu peludo globo ocular enquanto bebe seu usque escocs.
Ociosamente, Roarke jogou uma olhada, e levantou uma sobrancelha. 
Gorjeia o tem agora. Jesus, comer-se vivo a esse moo.
Ele no parece preocupado por isso. inclinou-se para trs novamente.  
uma festa agradvel.
A msica trocou, um ritmo rpido, vigoroso. A boca do Eve se abriu de par em 
par. 
Mierda Santa, olhe a esse estpido do Dick. O que faz?
Sonriendo abertamente, Roarke passou uma mo ao redor da cintura do Eve, 
girando, e ficando quadril com quadril. 
Acredito que se chama jitterbug. 
Atordoada, olhou ao chefe de laboratrio arrastar ao Nadine Furst ao redor do 
quarto, girando-a, e atirando a de volta. 
Sim, posso ver por que. Nunca posso conseguir que se mova assim de rpido 
no laboratrio. Sou! Seus olhos se abriram de par em par quando Dickie levantou o 
Nadine por suas pernas. Nadine soltou um estalo de risada quando seus ps golpearam o 
cho outra vez, e a multido rugiu com aprovao.
Eve se encontrou sonriendo abertamente, inclinando-se amorosamente contra 
Roarke. 
Parece divertido.
Quer tent-lo?
OH no. Mas riu e comeou a marcar o ritmo com o p. S me basta 
olhando.
No  magnfico? Mavis apareceu, atirando ao Leonardo detrs dela. 
Quem tivesse pensado que Nadine podia mover-se assim?  uma festa genial, Roarke. 
Excelente.
Obrigado. V-te alegre, Mavis.
Sim. Chamamo-lo minha indumentria alegre. riu e fez um rpido giro 
para luzir partes de tecidos multicoloridos que revoavam do peito ao tornozelo. O 
movimento as separou, revelando brilhos de pele que tinha sido polvilhada com p 
dourado e para jogo com seu cabelo, que caa em um coque selvagem.
Leonardo pensou que o teu deveria ser mais elegante, disse ao Eve.
Ningum luz meus desenhos to bem como voc e Mavis. Muito alto 
sobre eles, Leonardo lhes sorriu com seu magnfico sorriso. Feliz Natal, Dallas. 
inclinou-se para beijar sua bochecha. Temos algo para ti, para os dois. S uma 
lembrana.
Ele tomou um pacote de atrs de suas costas e o ps nas mos do Eve.
Mavis e eu temos nosso primeiro Natal juntos, obrigado em grande parte 
para ti.          Assinalou com seus dourados olhos nublados.
Como no podia pensar em que dizer, Eve pus o pacote em uma das mesas de 
banquete e comeou a desembrulh-lo.
Dentro havia uma caixa de madeira esculpida e polida, com brilhantes 
dobradias de cobre. 
 formoso.
Abre-o, apontou Mavis, sem deixar de mover-se. lhes diga o que 
significa, Leonardo.
A madeira  para a amizade, o metal para o amor. Esperou at que Eve 
abriu a tampa para revelar os dois compartimentos forrados de seda. Uma parte  para 
suas lembranas, outro para seus desejos.
Ele pensou nisso. Mavis apertou a ampla mo do Leonardo. No  
magnfico?
Sim. Eve conseguiu afirmar com a cabea.  grandioso, realmente 
grandioso.
Compreendendo a sua esposa, Roarke lhe ps uma mo em seu ombro, logo 
avanou para estender a outra para o Leonardo. 
 um presente encantador. Perfeito. Obrigado. E com um sorriso beijou ao 
Mavis. Aos dois.
Agora podem pedir um desejo, juntos em Vspera de natal. Encantada, 
Mavis lanou seus braos ao redor do Eve, abraando-a com fora, logo se balanou de 
retorno para o Leonardo. vamos danar.
vou pr me sensvel, murmurou Eve quando seus amigos partiram.
 a temporada para faz-lo. Ele levantou seu queixo, e sorriu ante seus 
olhos midos. Amo verte emocionada.
Cheia de emoo, passou uma mo ao redor de sua nuca e atraiu sua boca para 
a sua. Um beijo comprido, quente que apaziguou mas bem que excitou.
Ela sorria enquanto retrocedia. 
 a primeira lembrana para nossa caixa.
Tenente.
Eve girou, esclarecendo-a garganta quando contemplou ao Whitney. A 
vergonha revoou quando pensou nele a tinha pego com os olhos midos e sua boca 
ainda suave devido ao Roarke. 
Senhor.
Sinto interromper. Brindou ao Roarke um olhar cheia de desculpas. 
Acabo de receber a mensagem de que Piper Hoffman foi atacada.
A polcia retornou novamente a tomar seu lugar. 
Tem sua localizao?
Est caminho ao Hayes Memorial Hospital. desconhece-se sua condio 
neste momento. H algum lugar privado onde possa lhe informar a voc e sua equipe os 
detalhes conhecidos?
Meu escritrio.
Levarei a comandante, disse Roarke. Procura a sua gente.
 * * * *
Ela foi atacada na residncia em cima de Personally Yours, comeou 
Whitney. Por hbito, colocou-se atrs do escritrio, mas no se sentou. Nesse 
momento, acredita-se que estava sozinha. O uniformizado que notificou relata que ao 
parecer seu irmo passeava durante o assalto. O atacante fugiu.
A testemunha foi capaz de fazer uma identificao? perguntou Eve.
No at agora. Ele est no hospital com sua irm. A cena foi assegurada. 
ordenei que os uniformizados a deixem tal qual e esperem sua chegada.
Levarei ao Feeney. Iremos ao primeiro hospital. Captou o rpido 
sobressalto de desconcerto do Peabody, mas manteve seus olhos no Whitney. No 
quero romper a coberta do Peabody e McNab neste momento. Prefiro que permaneam 
aqui, em contato, at que me translade  cena.
 sua chamada, disse Whitney simplesmente, e isso quis dizer que estava 
de acordo.  
Temos testemunhas esta vez, e ele est fugindo. Est assustado. No pode 
estar seguro de se teve xito. E, se Piper permanecer viva, esta  sua terceira falha. 
Ela girou para sua equipe. Tenho que me trocar esta coisa. Feeney, estarei abaixo em 
cinco minutos. Peabody, contata com o hospital e v o que pode averiguar do estado da 
vtima. McNab, farei que um uniformizado te traga os discos de segurana. Quero-os 
cotejados antes de que voltemos.
Dallas, disse Whitney enquanto avanava a pernadas para o elevador, 
encerre a esse bastardo.
Um dia destes, disse Feeney enquanto caminhavam pelo corredor do 
hospital, deixarei de ir a uma de suas festas com minha esposa
te anime, Feeney. Possivelmente possamos agarrar uma fresta para fech-lo e 
te dar um feliz e acolhedor Natal.
Sim, claro. Algum gemeu detrs de uma porta aberta quando passaram, e 
Feeney encurvou seus ombros. H muitos corpos quebrados por aqui para me fazer 
sentir bem. Pelo modo em que esto os caminhos esta noite, estiveram conduzindo 
acidentados de trfico provavelmente toda a noite.
Que alegre pensamento. A est Rudy. Falarei com ele. V se pode encontrar 
ao mdico encarregado e nova informao.
Um olhar ao homem desabado em uma cadeira com a cabea entre suas mos e 
Feeney no pde ter estado mais feliz de ir a outra parte. 
 todo teu, moa.
separaram-se, com o Eve indo diretamente para frente, detendo-se frente Rudy.
Ele baixou suas mos devagar, contemplando suas primeiro botas, logo 
gradualmente levantando uma cara dominada por seus olhos desolados. 
Ele a violou. Violou-a e machucou. Amarrou-a. Ouvi seu pranto. Ouvi seus 
rogos e pranto.
Eve se sentou a seu lado. 
Quem era ele?
No sei. No o vi. Acredito... ele deve me haver ouvido entrar. Deve me 
haver ouvido. Entrei correndo no dormitrio, e a vi. OH Deus, OH Deus, OH Deus.
Detenha-se. junto com a ordem, tomou suas bonecas para afastar suas 
mos de sua cara outra vez. Isto no lhe ajudar. Entrou e a ouviu. Onde tinha ido 
voc?
De compras. Estava fazendo compras de Natal. Uma s lgrima se 
deslizou de seu olho e deso por sua bochecha. Ela tinha visto uma escultura, uma 
fada em um lago. Deixou pistas ao redor do apartamento. Um pequeno desenho, a 
direo da galeria. Tudo foi to confuso que no tinha tido tempo para compr-la at 
esta noite. Nunca deveria hav-la deixado sozinha.
Podia comprovar a galeria, o tempo, e assegurar-se, pensou Eve. Assegurar-se 
que o homem que tinha mandado ao Piper ao hospital no estava sentado a seu lado. Ela 
sabia, sabia perfeitamente que no devia permitir entrar em ningum. por que teria 
deixado entrar em seu atacante?
Estava assegurada a porta quando voltou?
Sim. Introduzi o cdigo. Nesse momento ouvi seu pranto, gritos. Corri 
dentro. Seu flego se enganchou. Fechou seus olhos, e apertou as mos. A vi na 
cama. Estava nua, suas mos e ps atados. Acredito... no estou seguro... mas acredito 
que vi algo pelo bordo do olho. Um movimento. Ou talvez s o senti. Logo algum me 
empurrou, e ca. Minha cabea.
Distradamente ele elevou uma mo ao lado de sua cabea. 
Golpeei-me com algo, a plataforma da cama? No sei. Pude ter estado 
inconciente alguns segundos. No pde ter sido mais porque o ouvi escapar. No o 
persegui. Deveria hav-lo feito mas estava deitada ali, e no podia pensar em nada alm 
dela. J no chorava. Acreditei... Acreditei que estava morta.
Chamou voc ao tcnicos mdicos, uma ambulncia?
Desatei-a primeiro, cobri-a. Tinha que faz-lo. No podia ficar aquieto... 
Logo chamei. No podia despert-la. No podia. Nunca despertou. E agora no me 
deixam v-la.
Esta vez quando ele se cobriu a cara com suas mos, Eve lhe deixou chorar. 
Divisando ao Feeney, levantou-se e o encontrou a metade de caminho.
Est em vrgula, comeou ele. Os doutores deduzem que  uma severo 
comoo mas bem que algo fsico. Foi violada, e sodomizada. Bonecas e tornozelos 
lesados. Um par de contuses. Fizeram-lhe um exame de toxicologia. Estava sedada... a 
mesma mierda sem receita mdica. A tatuagem est em sua coxa direita.
Conseguiram um diagnstico?
Dizem que no podem fazer nada. Muita farsa mdica, mas basicamente, a 
moa se fechou. Voltar quando e sim quer faz-lo.
Bem, somos inteis aqui. Ponhamos um uniformizado em sua porta, e outro 
ao irmo.
Ainda suspeitas dele, Dallas?
Jogou uma olhada para trs, vendo-o soluar. Surpreendeu-a sentir compaixo. 
No, mas lhe poremos um de todos os modos.
Tirou seu comunicador, e despachou as ordens enquanto se dirigiam para o 
elevador.
Bastante destroado est o tipo, comentou Feeney. Me pergunto se 
chorar por sua irm, ou seu amante.
Sim,  um bom mistrio. Ela caminhou para o elevador e solicitou o nvel 
da rua. Ento, como soube nosso homem que estaria sozinha esta noite? No o teria 
tentado se tivesse pensado que Rudy estava com ela. No  seu estilo. Sabia que estava 
sozinha.
Foi algum que conhecia. Poderia ter estado vigiando o lugar. Ter chamado e 
comprovado.
Sim, conhecia-a. A ambos. E no acredito que ela fosse um de seus amores 
verdadeiros.          Saiu ao vestbulo, e girou para as portas. Ela rompe a pauta. 
Piper no est em nenhuma das listas de contatos. Foi por ela para nos manter enfocados 
no Rudy. Agora est jogando comigo.
Fez uma pausa enquanto subiam ao carro, e tomou o volante. 
Sabe que tivemos ao Rudy em Entrevista, que o prefiro a ele pelos 
assassinatos. Ele tem um par que arrumar de todos os modos, j que falhou com o Cissy 
e a bailarina de bal.  o suficiente preparado para saber que se chegar ao Piper, vamos 
suspeitar do Rudy outra vez. Ainda segue. No foi por amor, foi por segurana.
Feeney se reclinou, colocando a mo em seu bolso para procurar sua bolsa de 
nozes antes de recordar que sua esposa no o deixou lev-la  festa. Soprou furioso uma 
vez. 
Ele a conhece, e ela o conhece. Talvez assim  como entrou.
No lhe teria aberto a porta a um desconhecido, e seguro como o inferno que 
menos lhe teria aberto a um tipo em traje da Santa. Necessitamos ao McNab para 
comprovar esses discos.
Sabe o que penso, Dallas. No acredito que encontremos algum disco.
 * * * *
 Feeney deu no branco. O uniformizado na cena informou que as cmaras de 
segurana tinham sido desconectadas do controle principal s nove e cinqenta.
Nenhum signo de entrada forada, disse Eve depois de examinar as 
fechaduras manuais e as de cdigo. Ela vai  porta, olhe fora, e v uma cara familiar. 
Abre imediatamente. No encontraremos nenhum disco de segurana no interior 
tampouco.
Ela circulou pelo apartamento. Uma rvore branca adornada com grinaldas de 
cristal e bolas estava erguido diante das janelas que davam  Quinta. Havia pilhas de 
presentes lindamente envoltos baixo ele e s uma pomba branca onde os conservadores 
teriam posto uma estrela ou um anjo.
Havia bolsas de compras dispersas justo dentro da porta para o primeiro arco 
da direita do quarto principal. Ela podia ver o Rudy entrar, ouvir sua irm, e deixar cair 
as bolsas ao correr. Seguindo o rastro, cruzou a suave atapeta branca e se moveu por 
uma segunda rea de assentos instalada para ver a tela.
Mais branco. Elegantes sela de tecido bege, mesas com superfcies lustrosas em 
tons marfim. Xcaras e vasilhas claras cheias de flores brancas.
Era, pensou Eve, como passear em uma nuvem.
Sufocante.
Mais  frente da rea de estar havia um quarto de sade, equipado com uma 
tina de relaxao no cho, pesos areos, um tubo de humor, e uma roda para caminhar 
multinivel.
Os dormitrios esto ao final, indicou ela. Inclusive correndo tomaria 
ao Rudy vrios segundos entrar da porta principal.
Ela se voltou para um dormitrio grande. A tela de intimidade estava se 
localizada sobre a janela, permitindo entrar de noite, e no deixando acontecer olhos 
curiosos.
Ao longo de uma parede havia um enorme mostrador branco onde centenas de 
coloridas garrafas, potes e tubos estavam postos em ordem. Reina-a dos armrios, 
refletiu Eve, explorando o espelho triplo e o anel de luzes. Duas cadeiras acolchoadas, 
notou, lado a lado.
Eles inclusive se maquiavam juntos.
A cama tinha forma de corao, o que a fez querer fazer girar os olhos. Tubos 
de cromo em sentido vertical a emolduravam como o polido em um lado de um bolo. As 
cordas penduravam dos quatro pontos.
No se levou seus brinquedos com ele. Eve se agachou para examinar a 
caixa chapeada aberta no estou acostumado a. Temos toda aula de delcias, Feeney. 
Aqui est a seringa de injeo de presso. Golpeou-a levemente com um dedo 
selado. Se usa nas tatuagens, e esta  bastante especial.
Havia uma caixa dentro da caixa. Era de imitao em madeira, 
aproximadamente de 60 cm. de comprimento. Quando abriu a tampa, apareceram trs 
nveis. Equipada ordenadamente com realces Natural Perfection.
No sei muito sobre esta classe de mierda, mas no parecem os produtos de 
um cidado qualquer. Parecem os de um profissional.
Ho, ho, ho. Feeney se inclinou e recolheu uma barba branca como a 
neve. Talvez veio vestido para a festa depois de tudo.
Digo que ele a sedou, e logo se disfarou. Hbito. Eve se apoiou em seus 
tales. Ele entra, e a seda. Uma vez que a tem aqui, a amarra, e se toma o tempo para 
embelezar-se. Faz-lhe a tatuagem, dispe sua cara da maneira que gosta, todo o tempo 
guardando cuidadosamente seus instrumentos. Nenhuma confuso. Quando ela se 
recupera o bastante para saber o que segue...
Com os olhos entreabridos, Eve contemplou a cama, e transladou a cena em 
sua mente.
Ela acordada. Est desorientada, aturdida. Luta. Sabe quem . Isso a 
impressiona, aterroriza-a, porque sabe o que ele vai fazer lhe. Talvez lhe fala enquanto 
curta sua roupa.
Parece que isto era uma bata. Feeney levantou tiras ordenadas de um 
material branco transparente.
Sim, est em casa, cmoda, para passar a noite. Est talvez emocionada ao 
saber que seu irmo est fora comprando seus presentes. Est nua agora, aterrorizada, 
olhando para cima essa cara que ela conhece. No quer acreditar o que acontece. Nunca 
deseja acredit-lo.
Mas aconteceu, pensou quando um suor mido brotou de sua pele. No podia 
det-lo.
Lhe tira a roupa. Arrumado que as dobra com cuidado. tira-se a barba, 
tambm. No tem necessidade de disfarces com ela.
Logo veria sua cara, torcida, com seus olhos ardentes.
Est excitado agora. Sem dvida consegue um orgasmo ao saber que ela 
sabe quem  ele. No necessita ou quer o disfarce. Talvez pensa que a ama depois de 
tudo nesse momento. Pertence-lhe. Est indefesa. Tem o poder. Mais poder porque ela o 
chama por seu nome quando lhe roga que se detenha. Mas ele no se detm. No se 
deter. Ele s segue forando-a. Rasgando-a, forando-a.
Oua, oua. Comovido, Feeney se agachou, e ps as mos nos ombros do 
Eve. Seus olhos se nublaram, sua respirao se pesou e desigual. Vamos, moa.
Sinto muito. Ela fechou seus olhos.
Est bem. Acariciou-a torpemente. Sabia o que lhe tinha acontecido 
quando era menina, porque Roarke o havia dito. Mas no estava seguro se Eve estava 
consciente de que sabia. O melhor, figurou-se, para ambos, era fingir que no sabia. 
s vezes te aproxima muito, isso  tudo.
Sim. Ela teve que esfreg-la boca com o dorso da mo. Podia cheirar o 
horrvel fedor do sexo antigo, do suor. E, pensou, de impotente terror feminino.
Quer, uh, um pouco de gua ou algo.
No, estou bem. Eu s... dio os crmenes sexuais como este. Empacotemos 
isto e terminemos. Pode que tenhamos sorte e recolhamos algumas impressione. Mais 
estvel, ficou de p. Logo veremos o que possam encontrar os da equipe de cena do 
crime. Espera. Repentinamente, ps sua mo no brao do Feeney. Falta algo.
O que?
Cinco,  o cinco... o que ? Fez malabares com a cano em sua mente. 
Onde esto os cinco anis de ouro?
Fizeram um registro minucioso, por cada stio, mas no encontraram nada que 
encaixasse com a pauta de jias deixadas na cena. O sangue do Eve se congelou.
O levou com ele. Ainda necessita o nmero cinco. Mas no tem seus 
utenslios. vou comprovar o salo abaixo, ver se ele irrompeu ali. Pode terminar aqui e 
chamar o equipe de cena do crime?
Sim. Cuida suas costas Dallas.
Ele se foi, Feeney. Est de volta em seu buraco.
Mas tomou cuidado enquanto baixava ao nvel da loja. No pde ver signos de 
entrada forada nas elegantes leva do salo. Mais  frente do cristal, estava escuro.
Seguindo seu instinto, usou seu cdigo professor para destravar as fechaduras. 
E tirou sua arma.
Acender luzes, ordenou, logo piscou ante a repentina luz deslumbrante.
Quando seus olhos se adaptaram viu a gaveta do dinheiro em efectivo/crdito 
atrs do mostrador de recepo aberto. E vazio.
OH sim, deteve-te brevemente.
Primeiro estudou o quarto, com os olhos e a arma, logo avanou para as 
vitrines. O vidro estava inteiro, e no pde localizar nenhum espao entre as linhas 
ordenadas de produtos. Movendo-se para a esquerda, avanou por volta dos quartos de 
tratamento.
Todos estavam vazios, e cirurgicamente ordenados.
Decodificou outra porta e entrou no salo do pessoal e a rea de armrios. 
Estava, como o resto do salo, escrupulosamente limpo. Quase de uma forma obsessiva, 
decidiu quando seu sangue comeou a zumbir.
Investigou os armrios, desejando ter a habilidade do Roarke com as 
fechaduras manuais. Seu cdigo professor no lhe serviria nos compartimentos. 
Necessitaria uma autorizao para isso.
O quarto seguinte era o de armazenagem. E aqui a rigorosa ordem estava 
quebrada. As caixas de produtos estavam volteadas, as garrafas e os tubos dispersos.  
Imaginou que ele se precipitou dentro, desesperado por substituir seus fornecimentos, 
furioso por ter entrado em pnico e hav-los deixado acima.
Ele tinha destroado as caixas, agarrando suas eleies, colocando-os em uma 
bolsa, ou outra caixa.
Rapidamente agora, saiu para comprovar a estao de cada consultor. S a 
gente foi meio doido, as gavetas no mostrador branco brilhante atirados para fora, e 
saqueados. Uma gota grosa de lquido de alguma classe tinha sido derramada de uma 
garrafa e caiu para estender-se e solidificar-se.
Embora j sabia, se atuvo  rotina e procurou a licena do estilista. Quando a 
encontrou, estudou a foto.
No manteve sua rea limpa esta vez, Simon? E tenho seu culo.
Tirou seu comunicador, avanando a pernadas rapidamente para as portas para 
assegurar a cena.
Despacho, Dallas, Tenente Eve, todas os unidades requeridas no Lastrobe, 
Simon, ltima direo conhecida 4530 Este Sessenta e trs, unidade 35. O sujeito pode 
estar armado e ser perigoso. A foto atual ser transmitida imediatamente. Deter este 
indivduo, suspeito de homicdio sexual, mltiplo, primeiro grau.
Despacho. Reconhecido e autorizado.
Feeney. Eve o chamou por seu comunicador enquanto fechava com chave 
de novo as portas e tirava uma etiqueta de cena do crime de sua equipe. Assegura l 
encima. Chama o Peabody para que se ocupe da equipe de cena do crime. Temos que 
nos mover.
* * * * *
Nosso tipo  um pintor de caras. Jesus. Feeney sacudiu sua cabea com 
repugnncia enquanto Eve conduzia para o este como uma bala. No que se est 
convertendo o mundo, Dallas? Por Deus.
Sim, ele pintou suas caras, seus corpos, jogou com seus cabelos, escutou as 
histrias de suas vidas, apaixonou-se, e os matou por isso.
Crie que ele trabalhou com todos eles nesse salo?
Talvez, mas se no, viu-os. Escolheu-os. Poderia ter tido acesso aos dados 
das listas de contatos com bastante facilidade, e fazer-se com eles.
No explica o fetiche Natalino.
Isso surgir uma vez que o tenhamos. Ela gritou ao deter-se, penetrando 
detrs de duas patrulhas que j bloqueavam a rua. Sua insgnia estava em sua mo 
quando saltou. Esteve voc acima? gritou por entre o vento e aguanieve.
Sim, senhor. O sujeito no abriu a porta. Os homens esto apostados ali, e na 
sada posterior. As janelas esto escuras. No se destacou nenhum movimento.
Feeney? A autorizao para entrar no chegou ainda?
Ainda estou esperando-a.
Entramos. Ao inferno com ela. Comeou a subir, passando pelas portas 
implacavelmente.
Danificar o caso entrando sem uma autorizao, recordou-lhe, queixando 
um pouco quando ela comeou a subir pela escada em vez de esperar o elevador.
Poderia encontrar a porta aberta. Lanou-lhe um olhar perigoso sobre seu 
ombro quando ele se precipitou detrs dela. Ou no poderia?
Mierda, Dallas. me d cinco minutos. Pressionarei por que apurem a 
autorizao.
Ele soprava um pouco quando alcanaram o terceiro piso, e sua cara enrugada 
estava brilhantemente rosada. Mas passou por diante dela e se deteve diante da porta 35. 
S espera, maldio. Faamo-lo limpamente. Sabe que est infringindo-o.
Ela quis discutir, quis a satisfao fsica completa de chutar a porta e entrar. 
Porque era pessoal, pensou, o certo era que sentia seus prprios ossos vibrando contra 
seus tensos msculos.
Queria pr suas mos nele, que sentisse o medo, a impotncia e a dor. Queria-
o, compreendeu com uma dolorosa sacudida, muito.
Conforme. Com esforo, controlou-se. Quando atravessarmos a porta, 
se o encontrarmos, voc o detm, Feeney.
Moa,  sua deteno.
Voc o deter. No posso te prometer que ser limpo se o fizer.
Ele estudou sua cara, viu a tenso, e afirmou com a cabea. 
Deterei-o por ti, Dallas. Tirou seu comunicador quando emitiu um sinal 
sonoro. Aqui est nossa autorizao. Estamos preparados para nos mover. Prefere 
acima ou abaixo?
Seus lbios se curvaram, sem humor. 
Voc sempre queria acima nos velhos tempos.
Ainda o fao. Tenho feridas sob os joelhos. Giraram como um, respirando 
profundamente, logo aoitando com fora a porta. Quando as dobradias arrebentaram, 
ela baixou, agachando-se sob o brao do Feeney, com a arma fora.
Protegendo-se cada um as costas, fizeram um varrido completo do quarto, 
fracamente iluminado pela esteira das luzes.
Ordenado como uma igreja, sussurrou Feeney. Cheira como um 
hospital.
 o desinfetante. Ordenarei as luzes. Tomarei a esquerda.
V.
Acender luzes, ordenou, logo se moveu para a esquerda. Simon?  a 
polcia. Estamos armados e autorizados. Todas as sadas esto bloqueadas. Gesticulou 
para uma porta, recebeu uma adiante com a sacudida de cabea do Feeney.
Encaminhando-se com seu laser, moveu-se, empurrando a porta com seu 
cotovelo de modo que saltasse contra a parede.
Ele esteve aqui, disse ao Feeney, explorando o quarto desordenado. 
Recolheu o que pde. foi-se. 
Capitulo 18
Aqui est o que temos, comeou Eve uma vez que sua equipe se 
reagrupou em seu escritrio. Ele  bom com os disfarces. Podemos dar sua foto aos 
meios, e permitir que a passem cada meia hora, mas no se parecer com seu retrato. 
Suspeitamos que tem bastante dinheiro em efetivo, crditos soltos, ou diversas 
identificaes para viajar livremente. Publicaremos psteres, mas as probabilidades de 
encontrar o dessa maneira  mnima.
esfregou-se seus cansados olhos e colocou mais cafena em seu corpo. 
Quero que Olhe o veja, mas acredito que o que tenha sido interrompido esta 
noite, depois da violao, antes de sua satisfao, far-o frustrar-se sexualmente, ao 
bordo, desenquadrado.  um indivduo obsessivamente ordenado, mas deixou sua zona 
de trabalho e seu lar voltado para reverso em sua pressa por encontrar o que necessitava 
e ir-se.
Tenente. Embora no levantou a mo para chamar sua ateno, Peabody 
sentiu como sim deveria faz-lo feito. Era de polcia a polcia e nada mais quando Eve a 
olhou. Pensa que est ainda na cidade?
Os dados que fomos capazes de reunir at agora indicam que nasceu e 
cresceu aqui. viveu aqui toda sua vida e  improvvel que procure segurana em outra 
parte. O capito Feeney e McNab seguiro procurando em seus dados pessoais, mas no 
momento assumimos que ainda est na rea.
No possui transporte, interps Feeney. Nunca tomou um exame de 
conduzir. Tem que depender do pblico para mover-se.
E o transporte pblico, dentro, fora, e ao redor da cidade, est no uso 
mximo neste momento. Esse foi McNab, quem logo que olhou para cima desde seu 
trabalho no computador. A nica maneira em que poderia sair da cidade se no ter 
reservaciones feitas seria que lhe brotassem asas e voasse.
De acordo. Acrescentado a isso, os outros objetivos em sua agenda esto 
aqui. Todas as vtimas anteriores foram que a cidade. Assustado ou no, vai ver-se 
obrigado a ir pelo nmero cinco. As Festas Natalinas so seu detonador.
Eve se moveu para a tela da parede. 
Executar Disco de Evidncia, Simon, 1-H, ordenou que. Confiscamos 
dzias de videodiscos com temas festivos de seu apartamento, seguiu quando o 
primeiro cintilou na tela.  material antigo. Alguma filme do sculo vinte...
 "Uma Vida Maravilhosa", disse Roarke da entrada. Jimmy Stewart, 
Donna Reed. S sorriu agradavelmente ante o cenho franzido do Eve. Interrompo?
 um assunto policial, disse-lhe Eve. Diabos, no dorme 
absolutamente?
Ignorando-a, Roarke entrou e se sentou no brao da cadeira do Peabody. 
tiveram uma larga noite. Posso lhes pedir algo de comer?
Roarke...
Homem, eu poderia comer, disse McNab sobre as objees do Eve.
H outros vdeos parecidos, perseguiu ela, girando-se para a tela enquanto 
Roarke se levantava e entrava na rea da cozinha. Ele os colecionou, e discos de 
impresso como Ao Christmas Carol. Alm disso, encontramos um grande 
fornecimento de pornografia, tanto em impresso como em vdeo, que seguem o tema. 
Executar Disco de Evidncia, Simon, 68-a. Por exemplo, disse com secura quando a 
tela detrs dela se completo.
Roarke retrocedeu bem a tempo para ver uma mulher, tendo posto somente a 
gargalhada de uma rena e um ltego de roupa, ronronando "S me chamam Bailarina", 
enquanto tomava o pnis da Santa em sua boca.
Agora, isso  entretenimento, comentou ele.
H uma dzia mais de esses, outra dzia de filmes ilegais para ofegar, 
tambm clssicas, que no so exatamente alegres. Mas este  o ganhador. Executar 
Disco de Evidncia, Simon, 72.
Ela lanou um olhar ao Roarke, logo se afastou.
Na tela Marianna Hawley lutava contra suas ataduras. Sua cabea aoitava 
freneticamente de direita a esquerda. Chorava. Simon apareceu  vista, ainda tendo 
posto seu traje vermelho e a barba.
Ele irrompeu para a cmara, logo sorriu  mulher na cama. 
foste travessa ou boa, pequena?
Fica tranqila, pequena. O aroma de caramelos em seu flego com o licor 
baixo ele. Papai vai te dar um presente.
A voz entrou em sua mente, como um sussurro em sua orelha. Mas Eve forou 
a suas mos a estabilizar-se e manteve seus olhos na tela.
OH, penso que foste travessa, muito, muito travessa, mas vou te dar algo 
bom de todos os modos.
Ele se voltou para a cmara, fazendo um elegante desentupa. Deixou a peruca e 
a barba no lugar quando comeou a acariciar-se.
 o primeiro dia de Natal. Meu verdadeiro amor.
Ele a violou. Foi rpido e brutal. Enquanto seus gritos ressonavam pelo quarto, 
Eve agarrou seu caf. Por amargo e asqueroso que o sentiu descer por sua garganta, o 
tragou.
A sodomiz. E ela deixou de gritar e s gemeu como um menino.
Seus olhos estavam frgeis quando terminou, o ritmo de seu peito bem 
recuperado. Tomou algo de sua caixa de realces, e o tragou.
Acreditam que ele ingere uma mescla de ervas e substncias qumicas, em 
parte Extica, para manter uma ereo. A voz do Eve era plaina, e seus olhos 
permaneceram na tela. Era, para ela, uma responsabilidade para os mortos e um desafio 
para si mesmo. Olharia, veria. E sobreviveria.
Marianna no lutou na seguinte violao. partiu-se, Eve sabia. Longe onde j 
no poderia lhe doer mais. Profundamente em seu interior onde estava completamente 
s na escurido.
No lutou quando Simon comeou a chorar, e a amaldio-la como a uma puta, 
rodeando a bonita grinalda ao redor de seu pescoo e de um puxo esticando-a at que 
se rompeu e foi obrigado a usar suas mos.
OH doce Jesus. O sussurro afogado do McNab estava cheio de horror e 
compaixo. No  suficiente?
Agora ele a adorna, perseguiu Eve com o mesmo tom de voz vazio. 
Embeleza sua cara, penteia seu cabelo, e a cobre com a grinalda. Podem ver quando ele 
a emprega a, que a tatuagem j est no lugar. Permite que a cmara se atrase nela. Ele 
quer isso. Quer ser capaz de v-lo repetidas vezes quando estiver sozinho. Ver como a 
deixou. Como a criou.
A tela ficou em branco.
No necessitou um recorde de limpeza. Este disco durou trinta e trs minutos 
e doze segundos.  quanto tomou levar a cabo essa seo de seu objetivo. H outros 
discos dos assassinatos subseqentes. Todos seguem a mesma pauta.  uma criatura de 
hbito e disciplina. Encontrar um lugar cmodo na cidade que ele conhece para 
recuperar-se, e esconder-se. No ir por um sof, a no ser a um bom hotel, ou outro 
apartamento.
Reservar uma habitao nesta poca do ano no ser fcil, interps 
Feeney.
No, mas  onde comearemos a olhar. Comearemos nos subrbios. 
Perguntaremos a seus amigos e colegas de trabalho quando abrirem o negcio amanh. 
Poderamos conseguir algo sobre aonde iria. Peabody, encontrar-me no salo s nove, 
em uniforme.
Sim, senhor.
o melhor que podemos fazer  dormir algo, por isso fica da noite.
Dallas, poderia estar com isto por outra hora. Se pudesse dormir aqui, 
poderia conseguir uma lista cedo pela manh.
Bem, McNab. Deixa de trabalhar no momento.
Estou de acordo. Feeney se levantou. Te levarei a casa, Peabody.
No jogue com meus brinquedos, McNab, acrescentou Eve quando saiu
. Me ponho realmente mal-humorada.
Necessita um incentivo para dormir esta noite. Roarke tomou seu brao 
quando comearam a avanar para o dormitrio.
No comece.
No precisa sonhar esta noite. Tem que te desconectar durante umas horas, 
se no por ti, por aquela mulher que vimos ser tratada brutalmente.
Posso fazer meu trabalho. Comeou a despir-se ao momento de entrar, 
tirando-a roupa com pressa. Necessitava uma ducha, com a gua brutalmente quente 
para esfregar o fedor da pele.
Deixou sua roupa amontoada no cho, entrou em pernadas diretamente no 
banheiro, e pediu a gua abrasadora.
Ele s a esperou. Ela, estava ao tanto, teria que lutar contra isso primeiro. 
Inclusive lutar contra ele e sua oferta de desafogo. Aquela coberta Espinosa, resistente 
era s um dos aspectos dela que lhe fascinavam.
E ele sabia, como se tivesse estado dentro de sua cabea, dentro de seu corao, 
por isso tinha passado ao ver esse disco.
Assim quando saiu, atada como um fardo em uma bata, seus olhos muito 
escuros, suas bochechas muito plidas, simplesmente abriu seus braos e a abraou.
OH Deus, Deus! Ela se aferrou, seus dedos movendo-se por suas costas. 
Podia cheir-lo em mim. Podia cheir-lo.
Destroou-o v-la quebrar-se, sentir seus estremecimentos e o tremor de seu 
corao contra o seu. 
Ele no pode te tocar outra vez.
Ele me toca. Sepultou sua cara em seu ombro, encheu-se com o aroma 
dele. Cada vez que entra em minha cabea me toca. No posso det-lo.
Eu posso. Tomou, e se sentou na cama para embal-la. No pense mais 
esta noite, Eve. S me abrace.
Posso fazer meu trabalho.
Sei. Mas a que preo? perguntou-se e a balanou como um menino.
No quero drogas. S a ti. Voc  suficiente.
Ento dorme. Deixe ir. Girou sua cabea para lhe beijar o cabelo. E 
dorme.
No v. Se acurruc contra ele e suspirou uma vez, larga e       
profundamente. Te necessito. Muito.
No muito. No pode ser muito.
Ela poria uma lembrana em sua caixa, pensou. Agora ele ps um desejo ali. 
Uma noite, ou as poucas horas que ficassem, que dormisse em paz.
Logo a abraou at que ela se evadiu em um sonho sem sonhos.
E a mantinha abraada ainda quando ela despertou.
Estavam abraados o um ao outro, sua cabea recostada na curva de seu ombro. 
Em algum momento durante a noite ele se despiu e se acomodaram na cama.
ficou imvel um momento, estudando sua cara. Parecia incrivelmente 
magnfico sob a luz suave. Linhas fortes, pestanas largas, grosas, e a boca de um poeta 
sonhador. Desejava acariciar seu cabelo, completamente sedoso, mas seus braos 
estavam capturados.
Beijou-o em vez disso, brandamente, tanto para lhe agradecer para despert-lo-
o suficiente para que a deixasse mover-se. Mas seu abraou s se apertou.
Mmm. Outro minuto.
Suas sobrancelhas se arquearam. Sua voz era espessa, pausada, e seus olhos se 
mantiveram fechados. 
Est cansado.
Deus, sim.
Ela apertou seus lbios. 
Nunca est cansado.
Estou-o agora. te deite.
Sorriu sofocadamente agora, com um bordo sonolento e irritado em seu tom. 
Fica na cama um momento.
Maldita seja.
Tenho que me levantar. Ela moveu um brao para livrar-se e acariciou 
ligeiramente seu cabelo. Volta a dormir.
Fao-o sim te cala.
Ela riu, logo se deslizou livre. 
Roarke?
OH Cristo! Ele rodou em defesa e sepultou sua cara no travesseiro. O 
que?
Amo-te.
Ele girou sua cabea, seus olhos pesados entreabiertos com um brilho 
preguioso que lhe fez fluir ardor, pensou, essa era sua magia. Que lhe pudesse faz-la 
ter saudades o sexo depois do que tinha visto, e o que tinha experiente.
Bem, ento, volta aqui. Provavelmente posso conseguir me manter acordado 
o suficiente.
Mais tarde.
Sua resposta foi um grunhido quando ele empurrou sua cara de volta ao 
travesseiro.
Decidindo no tom-lo do modo equivocado, vestiu-se, ordenou caf, e se atou 
o arns com sua arma. Ele no tinha movido nem um msculo quando deixou o quarto.
Decidiu olhar ao primeiro McNab e o encontrou convexo em sua cadeira de 
sonho com o Galahad descansando sobre sua cabea como brincalhonas gordas. Ambos 
roncavam.
Ao aproximar-se, o gato abriu um olho, lanou-lhe um olhar aborrecido, logo 
lhe ofereceu um miado irritado.
McNab. Quando no conseguiu nenhuma resposta dele, Eve ps os olhos 
em branco e lhe deu um ligeiro golpe em seu ombro. Ele s soprou e girou sua cabea.
O leve movimento fez que o gato se inclina mais abaixo. Galahad respondeu 
enterrando suas garras. McNab soprou outra vez e sorriu com satisfao em seu sonho. 
Tome cuidado com as unhas, carinho.
Jesus. Eve lhe deu um golpe mais forte. Nenhum doente sexual dorme 
em minha cadeira, amigo.
N!? Vem, beb. Seus olhos se abriram, frgeis e pesados, logo enfocou 
a cara do Eve. Uh, Dallas, o que? Onde? Levantou uma mo para o peso em seu 
ombro e a fechou sobre a cabea do Galahad. Quem?
Esqueceu o por que, mas no me pergunte. Atira-o.
Sim, sim. Homem. Girou sua cabea outra vez e se encontrou olho com 
olho com         o Galahad.   seu gato?
Ele vive aqui. Est o suficientemente acordado para me dar uma atualizao?
Claro, seguro. Lutando por sentar-se, passou-se a lngua ao redor de seus 
dentes. Caf. Por favor.
Como compartilhava o vcio, foi o bastante pormenorizada para entrar na 
cozinha e ordenar uma taa grande, forte e negro.
O gato estava em seu regao quando voltou, amassando as coxas do McNab e 
olhando-o como se o homem tivesse a audcia de protestar. McNab tomou a taa com 
ambas as mos e se tragou a metade do contedo.
Bem, wow. Sonhei que estava fora do planeta em alguma ilha de recurso e 
fabricao com uma mutante incrivelmente construda com corto em vez de pele. 
Observou ao Galahad outra vez e sorriu. Jesus.
No quero saber sobre suas fantasias lascivas. O que conseguiste?
Correto. Comprovei todos os hotis de alta qualidade na cidade. Nenhum 
homem s reservou um quarto ontem  noite. Verifiquei os de nvel mdio, com os 
mesmos resultados. Consegui seus dados pessoais. O disco est em seu escritrio, 
marcado.
Ela se aproximou para recolh-lo e o guardou em sua bolsa. 
me d os pontos sobressalentes.
Nosso homem tem quarenta e sete anos, nascido aqui em Nova Iorque. Seus 
pais se divorciaram quando tinha doze anos. A me tinha a custdia. Bocejou at que 
sua mandbula estalou. O sinto. Ela nunca voltou a casar-se. Trabalho como atriz, 
sobre tudo produes de pouca categoria. Ela tem uma histria de enfermidade mental. 
Passou-a dentro e fora de residncias de loucos...  em sua major parte depresso. Eles 
no deram com a causa porque se matou o ano passado. Adivinha quando?
Natal.
Deu no branco. Simon obteve uma boa educao, dobro especialidade. 
Teatro e cosmetologa. Tem ttulo de ambos. Fez algumas intervenes como produtor 
de maquiagem. Assumiu o controle do salo faz dois anos. Nunca se casou, enterrou-se 
compartilhando a vida com sua me.
Fez uma pausa para beber ruidosamente mais caf. 
No est pobre de crditos, mas os tratamentos de sua me tiraram grandes 
partes de suas contas. No tem antecedentes penais. Nada alm de exames padres e 
verificaes fsicas, e nenhum tratamento mental.
Cpia os dados pessoais para Olhe, logo v o que possa desenterrar do pai. 
Cobre as contas de hotel. Ele teve que ir a algum stio.
Posso tomar o caf da manh?
J sabe onde est a cozinha. Estarei fora. Manten atualizada.
Seguro. Uh, Dallas, voc e Peabody esto bem?
Eve arqueou as sobrancelhas. 
por que no deveramos est-lo?
S me pareceu que estava um pouco se separada de ti.
Manten atualizada, repetiu, e o deixou bebendo caf, arranhando as 
orelhas do gato, e desconcertado.
* * * * *
Eve decidiu que seu ajudante tinha dormido ou em uma tabela ou havia posto 
extra amido em sua uniforme. Peabody estava rgida e frgil como uma torrada 
queimada.
Mas foi pontual. Trocando cabeadas mas bem que palavras, entraram juntas 
no salo. Yvette j estava detrs de seu mostrador, afanosamente conectando o horrio 
do dia.
Voc est conseguindo ser uma regular, disse ao Eve. Deveria me 
deixar lhe dar uma manicura ou algo.
Tem um quarto de tratamento vazio?
Tenho um par, mas nenhum assessor livre at as duas.
Tome-se cinco, Yvette.
Perdo?
Minutos. Tenho que falar com voc. Usaremos um desses quartos vazios.
Estou realmente ocupada.
Aqui ou na Central de Polcia. Vamos.
OH, por amor de Deus. Com um aborrecimento irritado, Yvette empurrou 
seu tamborete. me Deixe estabelecer um droide de reserva. Ns no gostamos de usar 
droides. No so como o pessoal.
Ela se escabull girando na esquina e decodificou um gabinete alto. O droide 
dentro estava maravilhosamente arrumado e penteado, equipado em um elegante 
skinsuit cor bolo a jogo com sua pele dourada profunda e cabelo vermelho aceso. 
Quando Yvette inicializou, o droide abriu seus grandes olhos azuis de beb, piscou com 
suas pestanas grosas, pesadas, e sorriu.
Posso lhe ajudar?
Assuma o mostrador de recepo.
Estou feliz de ajud-la. Voc se v encantada hoje.
Bem. Obviamente zangada, Yvette se girou. Ela diria isso embora 
tivesse a cara coberta de verrugas. Esse  o problema com os droides. Espero que 
possamos fazer isto rpido, acrescentou, esclarecendo enquanto caminhava de 
retorno. Ao Simon no gosta que deixamos nossos lugares exceto em pausas 
previstas.
Ele no vai ser um problema. Eve entrou no quarto de tratamento e 
desejou que no recordasse a um quarto de autpsia. Quando foi a ltima vez que 
falou com o Simon?
Ontem. J que estava ali, Yvette recolheu uma luva de massagem, o ps, e 
o usou. Cantarolou baixo enquanto o passava sobre seu pescoo e ombros. Ele tinha 
que trocar um peito s quatro, termino s seis. Se voc o necessitar, estar aqui em 
qualquer momento. O fato , que se supunha que ele abriria. Os dias antes de Natal 
estamos cheios de entrevistas.
Eu no o esperaria hoje.
Yvette piscou e a luva de massagem tremeu quando sua mo se sacudiu.
Aconteceu- algo mau ao Simon? Sofreu um acidente?
Algo mau com o Simon, mas no, no sofreu um acidente. Atacou ao Piper 
Hoffman ontem  noite.
Atacar? Simon? Yvette borbulhou uma risada. Voc est perdendo o 
tempo, Tenente.
matou a quatro pessoas, violou e assassinou a quatro pessoas, e quase fez o 
mesmo ao Piper ontem  noite. Ele escapou. Onde iria?
equivoca-se. A mo do Yvette tremeu quando se arrancou a luva. Tem 
que estar equivocada. Simon  aprazvel e doce. No poderia fazer machuco a ningum.
Quanto o conheceu voc?
Eu... Faz um par de anos, desde que assumiu o controle do salo. Voc tem 
que estar equivocada. Yvette levantou as mos, logo as pressionou em suas 
bochechas. Piper? Disse que atacou ao Piper? Est gravemente ferida? Onde est?
Est em vrgula, no hospital. Simon foi interrompido antes de que tivesse 
terminado com ela, e escapou. Voltou para seu apartamento, mas no est ali agora. 
Onde iria?
No sei. No posso acreditar isto. Est segura?
Eve manteve seus olhos nivelados e frios. 
Estou segura.
Mas ele adorava ao Piper. Era seu assessor, o seu e do Rudy. Ele fez todo 
seu trabalho. Chamava-os os Anjos Gmeos.
Quem mais  prximo a ele? A quem lhe falava sobre sua vida pessoal? Sua 
me?
Sua me? Ela morreu o ano passado. Ficou devastado. Ela sofreu um 
acidente e morreu.
Lhe disse que sofreu um acidente?
Sim, deprimiu-se ou algo, na banheira. afogou-se. Foi horrvel. Eram 
realmente unidos.
Lhe falou sobre ela?
Sim, trabalhamos juntos, passamos muitas horas aqui. Somos amigos. 
Seus olhos se nublaram. No posso acreditar o que voc me diz.
Deveria acredit-lo, por sua prpria segurana. Onde iria ele, Yvette? Se est 
assustado, se no poder ir a casa. Se tiver que esconder-se em algum stio.
No sei. Sua vida estava aqui. O salo, sobre tudo depois de que perdeu a sua 
me. No acredito que tivesse mais famlia. Seu pai morreu quando era menino. Ele no 
me chamou. Juro que ele no o fez.
Se o fizer, quero que voc fique em contato comigo imediatamente. No se 
arrisque com ele. No se rena a ss com ele. No abra a porta se for a sua casa. Tenho 
que entrar em seu armrio, e entrevistar ao resto do pessoal.
Bem. Arrumarei-o. Ele no esteve atuando estranho nem nada. Yvette 
arrojou uma lgrima de suas pestanas quando se levantou. Ele estava cheio de 
entusiasmo pelo Natal.  realmente sentimental, sabe. E o ano passado, a perda de sua 
me ps uma nuvem durante as festas para ele.
Sim, pois ele o est compensando esta vez. Eve andou pelo quarto de 
pessoal, e jogou uma olhada brevemente a um robusto assessor que se tirava de um gole 
uma nutri-bebida verde de hortel.
Ele trocou o cdigo, murmurou Yvette. O tem bloqueado. No posso 
abri-lo sem seu novo cdigo.
Quem  responsvel aqui sim ele est fora?
Yvette apagou um flego. 
Seria eu.
Eve tirou sua arma, inclinou sua cabea. 
Isto o abrir, mas voc tem que me dar o consentimento para a entrada 
forada.
Yvette simplesmente fechou seus olhos. 
Siga adiante.
Gravou-o, Peabody?
Sim, senhor.
Eve ajustou a olhe, apontou, e disparou  fechadura. A arma deu uma rajada 
amortecida, e jogou fascas. Logo o metal se separou e se estrelou no cho.
Jesus, Yvette, que demnios?
 assunto policial, Stevie. Ela agitou uma mo para o boquiaberto 
assessor. Tem um brilho s nove e trinta. Continua e te ocupe disso.
Simon vai se zangar, disse ele com uma sacudida de cabea quando 
deixou o quarto.
Dando um passo ao lado do Peabody para assim poder conseguir um ngulo 
reto na gravao, Eve tocou com um dedo o bracelete. 
Mierda. Ela se estremeceu e se chupou a gema do dedo. Muito quente.
Tenta com isto. Peabody lhe deu um leno dobrado com esmero de seu 
bolso. Seus olhos se encontraram brevemente.
Obrigado. Usando o tecido, Eve cobriu o bracelete e abriu a porta do 
armrio. Santa teve pressa, murmurou.
O traje vermelho estava enrolado e arrojado no armrio. As botas negras altas, 
e brilhantes estavam em cima. Inclinando-se, Eve tirou uma lata de Selador de sua 
bolsa, cobriu suas mos. 
Vejamos que mais temos.
Havia duas latas de desinfetante, meia caixa de sabo herbrio, tubos de nata 
protetora, um aparelho sem receita mdica que prometia destruir grmenes com ondas 
sonoras de alta freqncia. Encontrou outra caixa de trabalho de tatuagem junto com 
palmilhas para vrios desenhos complicados.
Isto o afunda. Eve tirou uma folha magra com letras estilizadas:

MEU VERDADEIRO AMOR

Empacota tudo, Peabody, e h os acertos para um recolhimento. Quero tudo 
isto no laboratrio dentro de uma hora. Estarei naquele quarto de tratamento fazendo as 
entrevistas.
No conseguiu nada mais do pessoal. Simon tinha sido amado e apreciado por 
sua gente. Eve ouviu palavras como compassivo, generoso, pormenorizado. E pensou 
no horror e a dor nos olhos da Marianna Hawley.
A viagem ao hospital para comprovar o estado do Piper foi feito em silncio. 
Embora o controle do clima do novo veculo bombeasse um agradvel calor, o ar 
parecia muito frio.
Bem, pensou Eve. Muito bem. Se Peabody queria andar ao redor com um pau 
no culo era seu problema. No afetaria o trabalho.
Chama o McNab. Eve caminhou para o elevador, olhando fixamente para 
frente. V se tiver obtido mais localizaes possveis do Simon. Logo v se Olhe 
conseguiu os dados pessoais.
Sim, senhor.
me chame senhor outra vez nesse tom mucosa, e vou surrar te com um 
cinturo.            Com isto Eve se afastou para o elevador e deixou ao Peabody 
franzindo o cenho detrs dele.
Estado do Piper, disse Eve e aplaudiu sua insgnia no mostrador da 
estao de enfermeiras.
A paciente Piper est sedada.
O que quer dizer com que est sedada? Saiu do vrgula?
A enfermeira levava posta uma tnica vistosa lotada por flores da primavera e 
uma expresso acossada. 
A Paciente Piper recuperou o conhecimento faz aproximadamente vinte 
minutos.
por que no ficaram em contato comigo? supe-se que estava famoso em seu 
grfico.
Estava, Tenente. Mas a paciente recuperou o conhecimento com seus 
pulmes em alto. Estava incoerente, histrica e violenta. Fomos obrigados a imobiliz-la 
e sed-la por recomendao do mdico encarregado e com a aprovao do familiar mais 
prximo.
Onde est o familiar mais prximo agora?
Est no quarto com ela, onde esteve toda a noite.
Chame pelo alto-falante ao mdico encarregado. Traga-o aqui. Girando os 
tales, Eve cruzou de um limiar o corredor e entrou no quarto do Piper.
Ela parecia dormir como uma fada. Plida, loira e bonita. Havia sombras 
delicadas sob seus olhos e um dbil rubor rosado pela medicao remontava seus mas 
do rosto.
A uma curta distncia da cama, os monitores piscavam. O quarto em si mesmo 
estava adornado como o salo de uma sute de um hotel elegante. Quo pacientes 
tinham os meios podiam permitir-se curar-se com classe e comodidade.
A primeira lembrana do Eve de um tratamento mdico tinha sido um quarto 
horrvel e estreito, alinhado com camas horrorosas, e estreitas onde as mulheres e as 
moas gemiam de dor ou misria. As paredes eram cinzas, as janelas negras, e o ar 
denso com o fedor da urina.
Tinha tido oito anos, tinha estado destroada e sozinha, sem nem sequer a 
lembrana de seu prprio nome para consol-la.
Mas Piper no despertaria com igual desconforto. Seu irmo estava sentado ao 
lado da cama, sustentando sua mo, brandamente, como se fosse romper se como o 
cristal magro com a presso equivocada.
Estava tranqilo e quantidades de flores, em cestas, em fontes, em montes, e  
floreiros transbordados. Msica, algo aprazvel com cordas, soava silenciosamente.
Despertou gritando. Ele no levantou a vista, mas sim manteve seus olhos 
angustiados na cara de sua irm. me Gritando que a ajudasse. Fez uns sons que nem 
sequer soavam como humanos.
Ele levantou essa mo larga, estreitou-a e a esfregou brandamente sobre sua 
bochecha.
Mas no me reconheceu; golpeou-me, e s enfermeiras. No sabia quem era 
eu, nem onde estava. Pensou que estava ainda... Pensou que ele estava ainda com ela.
Disse algo, Rudy? Disse seu nome?
Ela o gritou. Sua cara pareceu ter perdido sua presena assim como sua 
cor quando levantou a cabea. Estava sem vida, plido. Ela disse seu nome. "OH 
Deus por favor", disse ela, "Simon, no. No o faa, no o faa, no o faa". 
Repetidas vezes, uma e outra vez.
A compaixo, por ambos, oprimiu seu corao. 
Rudy, tenho que falar com ela.
Tem que dormir. Tem que esquecer. Ele levantou sua outra mo e 
acariciou o cabelo do Piper. Quando estiver melhor, quando for capaz, me vou levar 
isso A algum lugar quente, ensolarado e cheio de flores. Ela se aliviar ali, longe de 
tudo isto. Sei o que voc pensa de mim, de ns. No me preocupa.
No importa o que pense de voc. Ela  o que importa. aproximou-se, de 
modo que pudessem estar um frente ao outro a ambos os lados da cama. No se 
aliviaria mais facilmente, Rudy, sabendo que o homem que lhe fez isto est encerrado? 
Tenho que falar com ela.
No pode obrig-la a falar disso. Voc no pode entender o que sentir, o 
que  para ela.
Posso entend-lo. Sei pelo que passou. Sei exatamente pelo que passou, 
disse Eve, marcando suas palavras enquanto Rudy estudava sua cara. No lhe farei 
mal. Quero encerrar a esse homem, Rudy, antes de que lhe faa o que fez a ela, ou algo 
pior, a algum mais.
Tenho que estar aqui, disse ele depois de um comprido momento. Ela 
me necessitar aqui... e ao doutor. O doutor tem que ficar. Se se alterar muito, quero que 
a sede outra vez.
Bem. Mas tem que me deixar fazer meu trabalho.
Ele afirmou com a cabea, e voltou seus olhos para a cara do Piper. 
Ela... Quanto tempo... Se voc souber como  para ela, quanto tempo tomar 
esquecer?
OH Jesus.
Nunca o esquecer, disse Eve rotundamente. S viver com isso.

Capitulo 19
Isto despertar gradualmente. O doutor era jovem, com olhos que ainda 
tinham a compaixo e a lealdade de sua arte. Acrescentou a medicao intravenosa ele 
mesmo antes de ordenar a fastidiosa tarefa a algum ajudante mdico ou enfermeira. 
vou mant-la sedada um par de nveis de modo que no se agite muito.
Necessito-a coerente, disse-lhe Eve, e ele estalou aqueles suaves olhos 
marrons sobre sua cara.
Sei o que necessita, Tenente. Geralmente no consentiria em deter a sedao 
de uma mulher na condio da paciente Piper. Mas entendo a necessidade neste caso. 
Agora voc entenda, ela precisa seguir estando to tranqila como  possvel.
Ele emprestou sua ateno aos monitores mantendo seus dedos na boneca do 
Piper. 
Est estvel, disse ele, logo olhou para trs ao Eve. A recuperao, tanto 
fsica como emocionalmente, de um trauma desta classe,  um difcil processo.
Voc alguma vez esteve nas salas de violao no Alphabet City?
No h nenhuma sala de violao naquela rea.
Havia at faz aproximadamente cinco anos, at que reestruturaram as 
exigncias de licena e honorrios padres dos Companheiros Autorizados da rua. Nas 
salas em sua major parte havia putas guias de ruas, sobre tudo jovens, tambm. Os 
moos e as moas recm chegados do campo os quais no sabiam dirigir a seus clientes 
se estimulavam com o Zeus ou Extica. Trabalhei nesse setor durante seis miserveis 
meses. Sei o que fao aqui.
O doutor afirmou com a cabea, levantando a plpebra de seu paciente. 
Est voltando em si. Rudy, permita que ela o veja primeiro. lhe fale, 
tranqilize-a. Mantenha sua voz tranqila e acalmada.
Piper. Rudy ps um arremedo de sorriso quando se inclinou na cama. 
Querida, sou Rudy. Est bem. Est comigo. Est completamente segura. Est comigo. 
Pode me ouvir?
Rudy? Ela pronunciou mal a palavra, mantendo seus olhos fechados, mas 
girando sua cara para o som de sua voz. Rudy, o que aconteceu? O que aconteceu? 
Onde estava?
Estou aqui agora mesmo. Uma lgrima caiu por sua bochecha. Estarei 
aqui mesmo.
Simon, ele me machucou. No posso me mover.
Ele se foi. Est segura.
Piper. Eve pde ler o pnico sob o brilho de medicao em seus olhos 
quando piscou para Me abri-los recorda?
A polcia. A Tenente. Voc quis que dissesse coisas ms sobre o Rudy.
No, s quero que me diga a verdade. Rudy est aqui mesmo. Ele vai ficar 
aqui mesmo enquanto voc fala comigo. me diga o que lhe aconteceu. me fale sobre o 
Simon.
Simon. As luzes nos monitores se elevaram. Onde est?
No est aqui. No pode lhe fazer danifico agora. Brandamente, Eve 
tomou agitada mo do Piper que ondeava como se rechaasse um golpe. Nunca 
voltar a machuc-la. Manterei-o muito longe de voc, mas tem que me ajudar. Tem 
que me dizer o que ele fez.
Ele veio  porta. Seus olhos se fecharam, e Eve podia ver o rpido 
movimento detrs das delicadas plpebras. Me pus feliz de v-lo. Eu tinha seu 
presente de Natal, e ele tinha uma grande caixa chapeada. Um presente. Pensei, Simon 
nos trouxe um presente ao Rudy e a mim. Disse-lhe, Rudy no est. Ele sabia... No, 
voc no est completamente sozinha, est comigo. Ele me sorriu Y... ps sua mo 
sobre meu ombro.
Enjoada, ela murmurou. Eu estava to enjoada, e no podia ver muito 
bem. Tenho que me deitar, sinto-me to estranha. Ouo-o, ouo-o me falando, mas no 
o entendo. No posso me mover, no pode abrir os olhos. No posso pensar.
Pode recordar algo do que ele disse naquele momento? Algo?
Eu era formosa. Ele sabia me fazer mais formosa. Algo frio em minha perna, 
fazendo ccegas minha coxa, e me fala. Ele me ama, s a mim. Amor verdadeiro, quer 
que eu seja seu amor verdadeiro. Eu no o era, mas poderia s-lo. Os outros no 
importam. S eu. Segue falando, mas no posso lhe responder. Todos os outros amores 
esto mortos porque no eram verdadeiros. No eram puros, inocentes. No! 
Repentinamente atirou sua mo do Eve e tentou rodar para o lado.
Est bem. Est a salvo. Sei que a machucou, Piper. Sei quanto dano lhe fez, e 
que estava aterrorizada. Mas no tem que ter medo agora. Firmemente agora, Eve 
tomou sua mo. me Olhe, me fale. No deixarei que a machuque outra vez.
Ele me atou. As lgrimas correram por sua cara. Me atou na cama. 
Tirou-me a roupa. Pedi-lhe que no o fizesse. Ele era meu amigo. disfarou-se. 
Horrvel. Havia uma cmara e ele posou e sorriu e me disse que eu tinha sido uma moa 
m. Seus olhos, havia algo perverso com seus olhos. Eu gritava, mas ningum podia me 
ouvir. Onde est Rudy?
Estou aqui. Ele afogou as palavras, pressionou seus lbios em sua frente, 
suas tmporas. Estou aqui.
Fez-me coisas. Violou-me, e doeu tanto. Disse que eu era uma puta. A maior 
parte das mulheres eram putas, atrizes que fingiam ser diferentes, mas s eram putas. E 
a maior parte dos homens s as usavam, logo as deixavam. Eu era uma puta e ele podia 
fazer o que quisesse. E o fez, seguiu me machucando. Rudy, segui rogando que o 
detivesse. Faz-o deter-se!
Rudy chegou, disse-lhe Eve. Rudy chegou e o deteve.
Rudy chegou?
Sim, lhe ouviu, chegou e a cuidou.
Ele se deteve. Sim, ele se deteve. Ela fechou seus olhos outra vez. 
Havia gritos, rudos e algum que chorava, com muita fora. Chorava por sua me. No 
recordo mais.
Bem. Voc o fez bem.
Voc no deixar que ele volte? Seus dedos apertaram ao Eve. No 
deixar que me encontre?
No, no lhe deixarei voltar.
Ele ps seu corpo sobre mim, recordou Piper. Me orvalhou algo por 
toda parte.            mordeu-se o lbio. Em mim. Seu corpo, tinha sido depilado. 
Estava imberbe. Tem uma tatuagem em seu quadril.
Isso era novo, refletiu Eve. Ele no tinha tido nenhuma tatuagem nos vdeos 
que ela tinha investigado. 
Recorda como era?
Dizia, "Meu Amor Verdadeiro". Me mostrou isso, quis que eu o visse. Disse 
que era novo, permanente, no um temporrio. Porque estava cansado de ser temporrio 
com todos os que ele amou. E eu chorava, lhe dizendo que nunca o tinha machucado. 
Ento ele chorou, tambm. Disse que ele sabia, que estava arrependido. Que no sabia 
que mais fazer.
Pode recordar algo mais?
Disse que eu sempre o amaria, porque ele seria meu ltimo. E que sempre 
me recordaria, porque eu tinha sido seu amiga. Velado-o se limpou de seus olhos. 
Agora s pareciam cansados. ia matar me. J no era Simon, Tenente. O homem que 
me fez isto, no o conhecia.  transformou-se em algum mais nesse quarto. E penso que 
isso o assustou quase tanto como me assustou .
Voc no tem que estar assustada agora. O prometo. Retrocedendo, Eve 
olhou ao Rudy. Saiamos um minuto e deixe que o doutor examine a sua irm.
Voltarei em seguida. Ele pressionou seus lbios nos ndulos do Piper. 
Estarei justo fora da porta. No quero deix-la, disse-lhe logo que a porta se fechou 
detrs deles.
Ela vai ter que falar com algum.
J falou o bastante. Disse-lhe tudo, por amor de Deus...
Necessitar orientao, interrompeu Eve. Necessitar tratamento. 
Levar-lhe no vai ajudar a lhe fazer frente. Dava-lhe um carto faz um par de dias, una 
minha com um nome e nmero no reverso. Fique em contato com a doutora Olhe, Rudy. 
Deixe que ajude a sua irm.
Ele abriu a boca, logo a fechou outra vez e pareceu fazer um esforo para 
controlar-se. 
Voc foi muito amvel com ela ali dentro, Tenente. Muito suave. E ouvindo-
a descrever o que lhe passou, entendo por que voc no foi, nem amvel, nem suave 
comigo quando acreditou que eu era responsvel por... o que aconteceu a outros. Estou-
lhe agradecido.
me pode agradecer isso quando o tiver apanhado. Ela se balanou para trs 
em seus tales. Voc o conhece bastante bem, verdade?
Pensei que o fazia.
Aonde iria ele? Existe algum lugar, uma pessoa?
Eu haveria dito que ele tinha recorrido ao Piper ou a mim. Passamos muito 
tempo na companhia do outro, profissional e pessoalmente. Fechou os olhos. O que 
explica como foi capaz de ter acesso s listas de contatos. Nenhuma pessoa na 
organizao o tivesse questionado. Se lhe houvesse dito isso, se lhe tivesse aberto as 
portas livremente em vez de tratar de me proteger a mim e a meu negcio, poderia ter 
prevenido isto.
Justifique-se agora. me conte sobre ele, sobre sua me.
Ela se suicid. No sei se algum est informado disso, mas eu sim.                                     
Distradamente, Rudy se beliscou a ponte do nariz. Estava transtornado uma noite e 
me disse isso. Era uma mulher doente, mentalmente instvel. Culpou a seu pai. 
divorciaram-se quando Simon era um menino e sua me nunca o superou. Estava segura 
que seu marido voltaria um dia.
Era seu verdadeiro amor?
OH Deus. Agora se cobriu a cara. Sim, sim, suponho. Era uma atriz, 
no uma particularmente bem-sucedida, mas Simon pensava que era maravilhosa, 
impressionante. Adorava-a. Mas freqentemente estava triste por seu comportamento. 
deslizava-se em depresses e havia homens. Utilizava aos homens para fortalecer seu 
nimo. Ele era o mais tolerante dos homens, mas nessa rea, era muito fechado de 
mente. Era sua me e no tinha nenhum direito de entregar-se sexualmente. S me falou 
sobre isso uma vez, pouco depois de sua morte quando estava aturdido pela pena. Ela se 
enforcou. Encontrou-a a manh de Natal.
* * * * *
 uma conexo perfeita. Peabody estava sentada rigidamente no assento 
de passageiros enquanto Eve lutava contra o trnsito. Ele tem um complexo com sua 
me, e a substitui, castigando-a, amando-a, cada vez que escolhe a uma vtima. Os dois 
homens representam a seu pai, ou suas prprias preferncias sexuais dominantes.
Obrigado pelo boletim, disse Eve com secura, logo golpeou o volante com 
a palma de sua mo quando ficou bloqueada outra vez por todos os lados. Este 
maldito Natal de mierda! No  de sentir saudades que os hospitais e as clnicas mentais 
faam grandes negcios em dezembro.
 Vspera de Natal.
Sei que demnios de dia , maldita seja. Reteve os mandos em ascenso 
vertical, virou bruscamente para a esquerda, e passou como um raio atravs dos terraos 
e os carros detidos.
Uh, o maxibus.
Tenho olhos. Eve passou roando o nibus por uma pequena polegada.
Aquele Txi Rpido vai ao Peabody se afirmou e fechou seus olhos quando 
o txi, obviamente do mesmo humor que Eve, lanou-se para cima fora da linha do 
trfico.
Eve amaldioou, desviou o pra-choque amolgado, arrancou, e prendeu a sereia 
ao mximo. 
Aterrissa, estpido filho de cadela. inclinou-se, rodeou, e colocou seu 
carro de modo que oscilasse metade na rua, metade na calada diante de uma massa de 
pedestres irritados.
Saiu de repente e avanou com passo majestoso para o txi. O condutor saiu de 
repente e andou com passo majestoso para ela. Peabody poderia lhe haver dito que se 
ele queria ir nariz com nariz com um poli, tinha escolhido mau.
Mas, pensou, enquanto saa e dava cotoveladas por entre a multido, talvez lhe 
chutar o culo a um taxista poria ao Eve de melhor humor.
Fiz gestos. Tenho direito a uma ascenso vertical quo mesmo voc. No 
tinha suas luzes ou sereia acesas, verdade? A cidade vai pagar por aquele batente, 
correto? Vocs os policiais no possuem o caminho. No vou tirar os crditos de meu 
bolso pelo dano, irm.
Irm?
Peabody realmente se estremeceu pelo cortante tom frio do Eve. detrs das 
costas do Eve sacudiu sua cabea com compaixo pelo condutor e tirou seu computador 
pessoal para a infrao.
me deixe lhe dizer algo, irmo. A primeira coisa que vai fazer  dar um 
passo atrs de minha cara antes de que eu lhe encerre por assalto a um oficial.
Oua, nunca lhe pus as mos em cima...
Pinjente retroceder. Vejamos a que velocidade pode assumir a posio.
Jesus,  s um pra-choque amolgado.
Quer resistir?
No. Resmungando, girou-se, estendeu suas pernas e ps suas mos no 
teto de seu txi. Homem,  Vspera de Natal. nos permitamos acabar com isto aqui. O 
que opina?
Eu diria que voc deveria aprender a ter um pouco de respeito pelos 
policiais.
Senhora, minha primo  polcia na quarta.
Com os dentes apertados, Eve tirou de repente sua insgnia e a pegou em sua 
cara. 
Veja isto. Isto diz Tenente, no irmana, nem senhora. Voc poderia me dizer 
quem  sua primo polcia na quarta.
Brinkleman, ele resmungou. Sargento Brinkleman.
Voc lhe diz ao Sargento Brinkleman da quarta que fique em contato com 
Dallas, Homicdios, Central de Polcia, e lhe conta por que sua primo  um indesejvel. 
Se ele explicar este fator a minha satisfao, no lhe retirarei sua licena e no 
reportarei o fato que voc amolgou um veculo oficial no trfico areo. Entendeu isso?
Sim, entendi-o. Tenente.
Agora, v-se rapidamente daqui.
Castigado, o condutor se escabull envergonhado em seu veculo, encurvou-se, 
e esperou pacientemente por uma interrupo no trfico. Como seu gnio ainda estava 
em ebulio, Eve girou e cravou um dedo no Peabody.
E voc, sim quer seguir te deslocando comigo hoje, te tire o pau do culo.
Respetuosamente, Tenente, eu estava inconsciente de ter qualquer objeto 
estranho naquela regio.
Sua tentativa de humor no  apreciada neste momento, Oficial Peabody. Se 
voc estiver descontente de sua posio como meu ajudante, pode solicitar a 
reasignacin.
O corao do Peabody se entupiu em sua garganta. 
No quero a reasignacin. Senhor, no estou descontentado em minha 
posio.
Logo que agentando um grito, Eve girou afastando-se e cruzou por entre o 
trfico de pedestres, ganhou uns poucos machucados e comentrios grosseiros, logo 
retornou. 
Voc segue. Segue utilizando esse tom de academia comigo, vamos terminar 
isto.
Acaba de me ameaar me desprezando.
No o fiz. Ofereci-te a opo de te atribuir a outra parte.
A voz do Peabody vacilou, assim que se controlou. 
Senti, e ainda sinto, que ultrapassou os limites ontem  noite em referncia a 
minha relao com o Charles Monroe.
Sim, deixou-o claro.
Foi inadequado que meu oficial superior criticasse minha opo de 
acompanhante. Era um assunto pessoal, Y...
Maldita seja, era pessoal. Os olhos do Eve se obscureceram, mas no, 
notou Peabody com indignao, ou clera. Ali havia dor. Eu no falava como seu 
oficial superior ontem  noite. Nunca considerei que lhe falava com meu ajudante. 
Pensei que lhe falava com uma amiga.
Peabody se encheu de vergonha dos dedos dos ps at o cocuruto. 
Dallas...
Uma amiga, ela disparou, quem olhava mdio derretida a um 
Companheiro Autorizado. Um Companheiro Autorizado que era um suspeito em uma 
investigao em curso.
Mas Charles...
Deso na lista, estalou Eve, mas ainda nela, porque tinha sido 
emparelhado com uma vtima e com uma das tentativas.
Nunca creste que Charles fora o assassino.
No, acreditei que era Rudy, e me equivoquei. Poderia me haver equivocado 
sobre o Charles Monroe, tambm. E a possibilidade a rasgou. Leva o veculo de 
volta  Central. Ponha ao dia ao Capito Feeney e  Comandante Whitney com os 
ltimos dados com respeito a nosso caso atual. lhes informe que permanecerei fora.
Mas...
Leva o maldito veculo  Central, estalou Eve.  uma ordem de um 
oficial superior a seu ajudante. Girou e cruzou caminhando por entre a multido. Esta 
vez no voltou.
OH mierda. Peabody se desabou no teto do carro, ignorando as mal-
humoradas buzinas, a exploso de insidiosa msica festiva que emanava de uma 
cristaleira ao outro lado da calada repleta. Peabody,  uma idiota.
Sorveu, colocou a mo em seu bolso para tirar seu leno, logo recordou que 
Eve no o havia devolvido. Passando o reverso da mo sob o nariz, subiu ao carro e se 
disps a cumprir as ordens.
* * * * *
Quando Eve alcanou a esquina da Quarenta e um, acalmou-se o suficiente 
para compreender que no ia caminhar outras trinta quadras ao laboratrio para meter-se 
com o Dickie.
Uma olhada para a multido lotada e apertada, e sobre as pessoas nos 
escorregadores a convenceu de que no estava a ponto de ir por essa rota, tampouco.
Uma nova onda de pedestres a agarrou totalmente pelas costas e a varreu outra 
meia quadra antes de que pudesse conseguir defender-se e arremeter para limpar seu 
caminho. afogou-se pelo vapor de um posto mvel de comida que fazia laboriosos 
negcios com ces de soja assados  churrasqueira, piscou as lgrimas que ficavam em 
seus olhos, e tirou sua insgnia.
Saiu do meio-fio da calada, arriscou sua vida e seus membros avanando 
diretamente na trajetria de um txi que se aproximava, logo aplaudiu sua insgnia no 
pra-brisa.
Subindo, tratou de esfregar a tenso dos ltimos minutos em sua cara, logo 
deixou cair as mos em seu regao e encontrou os olhos miserveis do condutor no 
espelho.
Reconhecendo ao Detetive Brinkleman, o primo da quarta, soltou uma curta 
gargalhada. 
Acaba de encontr-lo, verdade?
Este foi um dia de mierda totalmente, resmungou ele.
dio o Natal.
No estou muito afeioado com ela eu mesmo neste momento.
me deixe na Dezoito. Seguirei de ali.
Poderia caminhar e chegar mais rpido.
Ela lanou outro olhar  calada lotada. 
Cruzamento e lance se. Est autorizado, dirigirei-o com Trfico.
Voc  o chefe, Tenente.
Ele saiu como um raio, e Eve fechou seus olhos, admitindo que a dor de cabea 
que subia por suas tmporas no ia desaparecer evidentemente sem tragar umas 
substncias qumicas.
Tem alguma queixa pelo do pra-choque? lhe perguntou.
Com a maneira em que estas unidades so golpeadas? Nah. Ele girou em 
um ngulo na esquina da Dezoito. Eu no lhe faltaria o respeito, Tenente. Este trfico 
festivo, pode te fazer incomodo.
Sim. Tirou uns crditos, deixou-os cair na ranhura de pagamento. Nem 
sequer o chamaremos.
Aprecio-o. De todos os modos, Muito Feliz Natal.
Sua risada era um pouco mais solta quando ela saiu. 
O mesmo para voc.
O trfico de pedestres era ligeiro no setor que albergava o laboratrio criminal, 
depsito de cadveres e os tribunais. No um inferno de lugar para comprar, refletiu 
quando cruzou pela metade da quadra.
voltou-se para o feio edifcio que tinha sido alguma viso de um idiota 
arquiteto relacionado com a economia de alta tecnologia, cruzou o vazio vestbulo, e 
passou pelo arco de segurana.
O droide de servio a saudou com a cabea quando ps a palma na placa, 
recitou seu nome, fila, cdigo, e destino. J livre, tomou o escorregador para baixo, e 
franziu o cenho quando viu os vestbulos e escritrios vazios. Em meio da tarde, em 
meio da semana, pensou. Onde infernos estavam todos?
desceu-se no laboratrio. E encontrou uma tremenda festa
A msica soava sobre a risada selvagem. Algum lhe deu um copo com um 
fluido verde suspeito nadando dentro, em sua mo. Uma mulher que no tinha posto 
nada mais que uma bata de laboratrio e micro-culos danava pelo lugar. Eve 
conseguiu lhe agarrar a manga da bata e a girou.
Onde est Dickie?
OH, por algum lugar. Tenho que me conseguir um reposto.
Toma. Eve empurrou o copo em sua mo e avanou por entre os corpos e 
a equipe. Divisou ao Dickie sentado acima de uma mesa de amostras com sua mo em 
cima da saia de uma tcnica bebida.
Ao menos Eve assumiu que a tecnloga estava bebida. Como mais poderia 
agentar esses dedos magros entre suas pernas?
Oua, Dallas, te una  festa. No  to elegante como sua pequena reunio, 
mas o tentamos.
Onde infernos esto meus informe? Onde esto meus resultados? Que 
mierda acontece aqui?
Oua,  Vspera de Natal. te anime.
Levantou a mo, agarrou-o pelo fronte da camisa, e o atirou da mesa. 
Tenho quatro corpos e uma mulher no hospital. No me jodas me dizendo 
que me anime, pequeno vesgo filho de cadela. Quero meus resultados das provas.
O laboratrio fecha s dois em ponto a Vspera de Natal. Ele tratou de 
empurrar sua mo, mas no a moveu.  oficial. So depois das trs, bonita.
Por amor de Deus, ele est a fora. Viu o que fez a aquela gente? Quer que te 
mostre os malditos vdeos que tomou enquanto o fazia? Quer despertar amanh pela 
manh e averiguar que o fez outra vez porque voc no pde fazer o trabalho? Pode te 
tragar seu ganso de Natal com isso?
Maldio, Dallas. No consegui quase nada novo de todos os modos. me 
solte.              Com surpreendente dignidade, alisou sua camisa quando ela o 
liberou. Jogaremos um olhar no laboratrio do lado. No h razo para danificaros 
bons momentos a todos.
Ele serpenteou por entre a multido e abriu a porta de um quarto ao lado. 
Jesus, Feinstein, no pode fornicar aqui dentro. Faz-o no armazm como 
todos outros.
Eve se pressionou os olhos com os dedos enquanto um casal copulando 
afanosamente se separou, e balbuciou enquanto agarravam sua roupa desprezada. Todos 
estavam loucos nesta poca do ano? Eve se perguntou quando se foram rendo 
bobamente como bobos.
Mesclamos uma tremenda beberagem, explicou Dickie. Todo legal, mas 
 um ponche com verdadeira fora. deixou-se cair na estao de computador e 
chamou o arquivo.
Conseguimos suas impresses esta vez, mas j sabe isso. Nenhum problema 
com a identificao. O mesmo desinfetante encontrado na cena. Os realces deixados 
atrs so iguais aos usados nas vtimas prvias. O traje e a mierda que tinha enviado so 
exatas s fibras j identificadas. Conseguiu a seu indivduo, Dallas. Isto vai aos 
tribunais, ele est preparado.
E o varrido? Necessito algo para encontr-lo, Dickie.
O varrido da cena no encontrou nada que voc no esperaria. o de seu 
alojamento? No obtivemos muito. Este tipo  um fantico da limpeza. Tudo foi limpo, 
esfregado e aspirado. Mas havia fibras outra vez... a jogo com lhe traga, um par de 
cabelos perdidos que so exatos com os do ltimo assassinato e a barba que deixou na 
cena ontem  noite. Encontra-o, e o apanha, consegui-te o suficiente para te ajudar a 
encerr-lo em uma cela.  tudo o que posso te dar.
Bem. Necessito que me envie isto a minha unidade na Central. Com copia ao 
Feeney.
J que ambos sabiam que ele j deveria hav-lo feito assim, Dickie s sacudiu 
um ombro.
Sinto te haver afastado da diverso e os jogos.
A cidade vai enterrar se em vida em uma hora ou dois de todos os modos, 
Dallas. A gente necessita suas frias. Tm direito.
Sim. Tenho a uma mulher que passar seu Natal em uma cama de hospital. 
Ela tem direito, tambm.
Saiu para deixar que o ar frio esclarecesse sua cabea, lamentando no ter 
pensado em lhe pedir ao Dickie algo o bastante potente para bloquear o rudo surdo 
detrs de seus olhos. A luz j se ia, compreendeu. Estas eram as noites largas, do escuro 
ms de dezembro onde a luz do dia logo que aparecia na terra antes de afastar-se outra 
vez.
Tirou seu leva-enlace e chamou casa. 
Est trabalhando, disse quando Roarke respondeu sua linha privada e viu 
que o fax de laser detrs dele arrojando papis.
S um pouco mais.
Tenho um par de coisas mais que fazer. No acredito que esteja em casa por 
um par de horas de todos os modos.
Ele podia ver a dor de cabea em seus olhos. 
Onde vai?
Quero fazer um seguimento no apartamento do Simon. Nunca fiz uma busca 
pessoalmente. Talvez a equipe perdeu algo. Preciso olhar, Roarke.
Sei.
Escuta, enviei ao Peabody longe com meu veculo. O apartamento est mais 
perto de casa. Pode enviar um carro ou algo a essa direo?
 obvio.
Obrigado. Voltarei a chamar quando estiver ali, e te avisarei quando for a 
casa.
H o que tenha que fazer, mas toma um medicamento para essa dor de 
cabea, Eve.
Ela sorriu um pouco. 
No tenho nenhum. Bebamos muito vinho depois de que chegue a casa, 
bom? E faamos o amor como animais.
Bem, eu tinha planejado uma noite tranqila de xadrez nvel trs, mas se isso 
 o que realmente quer fazer...
sentia-se terrivelmente bem, pensou Eve quando cortou a transmisso, para rir 
realmente.
Assim no deveria hav-la surpreso encontrar no s o carro, mas tambm ao 
Roarke ali quando chegou ao edifcio do Simon. 
Poderia hav-lo enviado com um droide.
Pensou que o faria?
No. passou-se uma mo em seu cabelo. E no acredito que vs 
consentir em me esperar no carro at que termine ali tampouco.
V como de bem nos conhecemos o um ao outro. Ele colocou a mo no 
bolso de seu elegante casaco, tirou uma pequena caixa esmaltada, e apartou uma plula 
azul diminuta. Abre.
Quando ela franziu o cenho e apertou seus lbios em uma linha no 
cooperativa, ele s levantou uma sobrancelha. 
 um simples medicamento, Eve. Pensar mais claramente sem essa dor de 
cabea.
Nenhuma substncia estranha?
Nenhuma. Abre. Tomou seu queixo quando ela abriu a boca, logo usou 
sua mo para fech-la outra vez depois de que teve deixado cair a plula em sua 
lngua. lhe Traga isso como uma boa garota.
me remoa.
Querida, no pensei em nada mais em todo o dia. Traje sua equipe de campo 
de reserva.
Bem, um de ns pensa claramente. Obrigado, disse quando ele saiu do 
carro. O tenho pego, acrescentou enquanto entravam no edifcio. Prova fsicas, 
testemunha ocular, motivao, oportunidade, os trabalhos.
Pode acrescentar ao caso, o fato que o realce que deixou no apartamento do 
Piper Hoffman  de uma classe nica. Ele o pediu por encargo. Roarke passou uma 
mo sobre a nuca do Eve, esfregando-a para ajudar um pouco ao medicamento. 
Minha companhia oferece essa opo a cosmetlogos autorizados.
Grandioso. Agora tudo o que tenho que fazer  encontr-lo.
Ele no esteve em nenhum hotel. Roarke lhe sorriu. McNab esteve 
muito ocupado. Nenhum hotel, e nenhum alojamento privado... ao menos aos que pde 
ter acesso durante um dia onde ningum quer trabalhar.
diga-me isso . Estive em uma orgia no laboratrio.
E no fomos convidados.  insultante.
Tenho o pressentimento de que um convite poderia ter includo o gosto 
estranho de ver o imbecil do Dick nu. Tirou seu cdigo professor e evitou o selo 
policial e o bloqueou na porta 35. Isso  algo que realmente no quero durante o 
Natal. Tem que te selar se entrar.
Roarke jogou uma olhada  lata com um forte suspiro. 
No pode o departamento usar algo com um aroma mais agradvel? Mas 
cobriu suas mos, seus sapatos, logo esperou que Eve fizesse o mesmo.
Registro aceso. Dallas, Tenente Eve entrando na residncia pessoal do 
sujeito Simon, em vinte e quatro de dezembro, s dezesseis e doze. O oficial 
investigador acompanhado pelo Roarke, civil, em qualidade de ajudante temporal.
Entrou, demandou as luzes, logo simplesmente ficou de p e estudou o quarto. 
No estava to completamente ordenado agora. A equipe de Casos em Srie tinha feito 
seu trabalho e tinha deixado um fino brilho nas superfcies para verificar provas de 
rastros e impresses. Os da equipe forense tinham movido o mobilirio desconjurado, as 
almofadas estavam ao reverso, tiraram os quadros das paredes. O comunicador tinha 
sido desligado e recolhido.
J que est aqui, disse ao Roarke, bisbilhota pelos arredores. Se 
descobrir algo, me chame. Trabalharei o dormitrio.
Ela logo que tinha comeado com o armrio quando Roarke entrou, 
sustentando um disco entre seu polegar e ndice. 
Encontrei isto, Tenente.
Onde infernos encontrou isso? Eles deveriam ter varrido todos os discos de 
provas.
Ajuda de festas, o que pode fazer? Estava oculto dentro de um marco de 
holograma... assumo que a mulher no holo era sua me. Parecia um lugar sentimental 
onde esconder coisas.
No tenho nada para verific-lo. Eles se levaram toda a eletrnica. Terei que 
entrar Y...
Sua voz se deteve quando Roarke tirou uma caixa negra magra de seu bolso, 
girou a tampa, e a abriu para revelar uma pequena tela. 
Um brinquedo novo, disse quando lhe olhou carrancuda. No fomos 
capazes de tirar todos os insetos para o mercado Natalino. Estar preparado para as 
vendas o Dia do Presidente.
 seguro? No posso danificar o disco.
Refiz esta unidade pessoalmente.  uma pequena jia. Ele escorregou o 
disco em uma ranhura, e levantou uma sobrancelha outra vez. O fao?
Sim, vejamos o que temos.

Capitulo 20
Era um jornal de vdeo incoerente e bastante triste. Um ano na vida de um 
homem quando sua vida se rompia em pedaos e comeava a desaparecer e a afastar-se 
do essencial.
Eve sups que Olhe o teria chamado um grito de socorro.
Ele se referia a sua me uma dzia de vezes ou mais. Seu verdadeiro amor, a 
quem ele canonizava em uma entrada e insultava na seguinte.
Era uma Santa. Era uma puta.
Uma coisa do que Eve estava segura ao final, era que ela tinha sido uma carga, 
uma que Simon nunca tinha esquivado, e nunca entendeu.
Cada Natal ela havia tornado a guardar e  envolver o bracelete de  ouro que 
tinha comprado para seu marido, gravada com as palavras "Meu Verdadeiro Amor", e a 
colocava sob a rvore para o homem que a tinha abandonado a ela e a seu jovem filho. 
E cada Natal lhe havia dito a seu filho que seu pai estaria ali na manh de Natal.
Durante muito tempo, ele acreditou.
Durante muito mais tempo, ele permitiu que ela acreditasse.
Ento durante a Vspera de natal do ano anterior, enfastiado, e aborrecido pelos 
homens que ela deixava que a utilizassem, tinha quebrado a caixa e tinha destrudo sua 
iluso.
E ela se enforcou com a bonita grinalda que seu filho tinha colocado ao redor 
da rvore.
No  um relato particularmente alegre, murmurou Roarke. Pobre 
infeliz.
Uma pssima infncia no  desculpa para violar e assassinar.
No, no o . Mas  um motivo. Criamos nosso prprio caminho, Eve, uma 
eleio conduz a outra.
E somos responsveis pelas eleies que fazemos. Tirou uma bolsa de 
provas e a abriu. depois de um momento, Roarke expulsou o disco e o deixou cair 
dentro.
Tirando seu comunicador, Eve chamou o McNab.
No tive sorte em encontrar seu esconderijo, Dallas. Localizei ao pai. Ele se 
transladou  Estao Elo faz quase trinta anos. Conseguiu uma segunda esposa, dois 
meninos, netos. Tenho os dados se quer contat-lo.
Do que serve? murmurou. Tenho um jornal de vdeo da casa do Simon. 
Os tcnicos da cena do crime e os da equipe forense o passaram por cima. Transmitirei-
o  Diviso Policial Eletrnica. Entra e arquiva-o, Far-o McNab? Logo est fora de 
servio. lhe comunique o mesmo estado ao Peabody. Ambos estaro em guarda 
enquanto o sujeito esteja em liberdade.
Afirmativo. Oua, aparecer algum dia, Dallas. Ento o teremos.
Exato. v pendurar sua meia trs-quartos, McNab. Esperemos que todos 
consigamos o que desejamos para Natal. Dallas fora.
Roarke olhou seu comunicador de bolso. 
 muito dura contigo mesma, Eve.
Ele ter que mover-se esta noite. Precisar mover-se. E  o nico que sabe 
onde. E quem. girou-se ao armrio. Tem suas roupas organizadas... cor, tecido.  
inclusive mais obsessivo a respeito dela que voc.
No vejo nada obsessivo com a organizao de seu guarda-roupa.
Sim, sobre tudo se voc possuir duzentas camisas de seda negras. No 
quereria tirar o equivocado e dar um ps de faux ao te vestir.
Assumo que isso significa que no me comprou uma camisa de seda negra 
para Natal.
Ela jogou uma olhada sobre seu ombro, e fez uma careta. 
Sou da classe dos inteis para as compras. No entendi de que se tratava at 
que Feeney me indicou que se supe que algum compra em grandes quantidades para 
um cnjuge. Acabo se soubesse.
Ele colocou sua lngua em sua bochecha. 
 uma indireta?
No, voc  muito bom com os enigmas. Olhou para trs do armrio. 
Aqui h um enigma. Tem camisas e calas aqui, brancos at nata e da cor que seja esse.
Eu diria que  um marrom cinzento.
Bem. Logo vm os azuis, e verdes. Todos pendurados em ordem. Agora h 
um espao, logo encontramos marrons, e cores do cinza ao negro. Que cor supe que 
falta?
A melhor conjetura  o vermelho.
Correto. No h nada vermelho aqui dentro. Talvez s usava o vermelho 
para ocasies especiais. Tinha um traje de reposto, e o levou com ele. Algo mais que os 
da equipe forense no se expuseram. O resto dos smbolos. Seis pssaros sobre tudo, 
etctera. Ele os tem, tambm. Estar preparado para o espetculo. Mas onde escondeu 
todo isso? Onde o escondeu, e a si mesmo?
Ela rodeou o quarto. 
No pode voltar para c. Sabe isso. arriscou-se ao retornar porque o 
necessitava para terminar, e no pode terminar sem seus utenslios, seu disfarce, e seus 
acessrios. Mas  muito preparado, muito organizado, muito eglatra para no ter tido 
um lugar onde ir.
Sua vida estava aqui, com sua me e suas lembranas, indicou Roarke. 
E estava seu trabalho.
Ela fechou os olhos quando isso a alcanou. 
Deus, voltou para edifcio. Est naquele edifcio.
Ento vamos busc-lo.
 * * * *
Conduzir pelas ruas era perigoso, o caminho estava talher com magros 
emplastros gelados, mas a massa de pedestres tinha sido rebaixada gradualmente a uma 
pequena quantidade. A gente se precipitava sobre a calada, apressando-se para chegar a 
casa junto a sua famlia, amigos. Poucos eram quem desesperados por um presente de 
ltima hora freqentavam o punhado de lojas e armazns ainda abertos.
As luzes cintilavam e mostravam frios atoleiros brilhantes. Eve olhou uma 
cerca publicitria animada da Santa voando em seu tren e desejando um Feliz Natal a 
todos.
E comeou a cair geada.
Perfeito.
Quando Roarke freou, ela saiu rapidamente, tirou seu cdigo professor, e logo 
vacilou. depois de um breve debate interno, inclinou-se e tirou a arma de seu pistolera 
do tornozelo. 
Toma minha arma de reposto. No caso de.
Caminharam pelo frio para o brilho das luzes de segurana.
H gente dentro e fora do salo, as lojas, os clubes de sade todo o dia. 
Necessita intimidade. Provavelmente h algumas escritrios vazios, e podemos as 
checar para no perder tempo, mas pressinto que ele usaria o apartamento do Piper. 
Sabe que ela est no hospital e que Rudy no a abandonaria, nem sequer para voltar 
aqui. Teria sido seguro e tranqilo. No h razo para que a polcia retorne depois do 
varrido.
Ela oprimiu o controle do elevador, e jurou. 
Desligado.
Quer que lhe ative isso, Tenente?
No te faa o preparado.
Tomarei isso como um sim. Apartou a arma e tirou uma pequena equipe 
de instrumentos. S tomar um momento. Tirou a placa de controle, estalou umas 
chaves na placa me com seus dedos rpidos, hbeis. Houve um discreto zumbido, logo 
se acendeu a luz sobre as portas de vidro.
Um trabalho hbil... para um homem de negcios.
Obrigado. Ele gesticulou, logo a seguiu ao elevador. Apartamento do 
Hoffman.
Sinto muito. Esse piso  s acessvel com um cdigo chave ou autorizao.
Eve ensinou os dentes, e comeou a procurar seu cdigo professor outra vez, 
mas Roarke j estava abrindo os controles. 
 mais rpido de este modo, disse, e com esmero anulou o bloqueio.
O elevador se elevou, suave, rpido e tranqilo. Quando comeou a reduzir a 
marcha, Eve se moveu, pondo seu corpo entre o Roarke e a porta.
Ele entrecerr seus olhos detrs dela, esperando. Quando as comporta se 
abriram, apartou-a com fora, girou, e varreu o vestbulo com sua arma.
Jamais faa isso outra vez. Ela protestou, saindo de um salto para cobrir 
suas costas.
Jamais volte a te utilizar de escudo para mim. Eu diria que estamos claros. 
Preparada para a porta?
Ela ainda tremia pelo ultraje. Algo mais para tratar mais tarde, decidiu. 
Vou abaixo, murmurou ela, evitando as fechaduras. Assim  o modo 
que eu gosto.
Bem. s trs ento. Um, dois. Golpearam a porta, brandamente como em 
um programa de treinamento.
Dentro as luzes brilhavam, e o sistema de gravao tinha sido aceso para 
escutar alegres melodias Natalinas. Embora as telas de intimidade tinham sido corridas 
e pressionadas sobre as janelas, a rvore de natal brilhava diante do vidro.
Ela assinalou para a esquerda. Caminho ao dormitrio notou pequenas coisas. 
As manchas e a sujeira que o varrido teria deixado tinham sido limpas. O ar cheirava a 
flores e desinfetante.
Havia uma neblina dbil de vapor sobre o jacuzzi. A gua ainda estava quente.
O dormitrio estava arrumado, a cama feita, e a sujeira aspirada.
Eve atirou o cobertor, e jurou sob seu flego. 
Ps lenis limpa. O bastardo dormiu na cama onde a violou. Com um cs 
de fria ao longo de seu estmago, abriu de um puxo o armrio. Ali entre os estilos 
soltos que Rudy e Piper preferiam, vrias camisas e calas foram cuidadosamente 
penduradas.
sente-se como em casa. Ela se agachou e abriu a elegante mala negra que 
estava no cho do armrio. O resto de seus acessrios. Com seu corao pulsando 
fortemente, procurou entre as jias, murmurando os nmeros e o poema. Esto os 
doze... este broche de cabelo com uma dzia de tipos tocando o tambor. Esto todos 
aqui exceto o nmero cinco. O levou com ele. levantou-se. Ele se deu um 
agradvel banho para relaxar-se, ficou o traje, recolheu seus instrumentos, e saiu. E 
planeja voltar.
assim, esperamos.
Ela quis estar de acordo. Da mesma forma quis poder ficar e confessar que 
queria ser ela a que o apanhasse, olh-lo  cara quando o fizesse. Para conhecer o que a 
tinha perturbado, e a essa parte de si mesmo que encarava seus pesadelos.
Chamarei. Teremos a alguns parasitas trabalhando esta noite. Necessitarei 
homens no edifcio, no interior. Tomar uma hora mais ou menos instal-los. Logo 
iremos a casa.
Voc no deseja lhe transferir o caso a outra pessoa, Eve.
No, no o fao. Talvez por isso preciso faz-lo. Y... volteou-se para ele, 
pensando nas palavras de Olhe. Tenho direito  vida que comecei a me forjar. 
Contigo.
Ento h as chamadas. Ele avanou para lhe acariciar a bochecha. E 
vamos a casa.
* * * * *
Peabody arquivou a ltima papelada, soltou um comprido suspiro 
autocompasivo, e nesse momento vislumbrou ao McNab na porta
O que?
S passava. Disse-te que Dallas assinalou que estava fora de servio.
Estou livre quando meus informe esto terminados e arquivados.
Ele sorriu brandamente quando sua mquina relatou o arquivo completo. 
Ento adivinho que est livre. Entrevista quente com o Sr. Muita Lbia?
 realmente ignorante, McNab. Peabody se separou do escritrio. No 
passa Vspera de natal com um tipo com o que s te citaste uma vez. Alm disso, 
pensou, Charles j tinha sido reservado para a noite.
Sua famlia no  de por aqui, verdade?
No. Entrenindose, e desejando que ele partisse, moveu-se ao redor do 
escritrio.
No podia ir casa por Natal?
No este ano.
Eu tampouco. Este caso desgastou minha vida social. No tenho nenhum 
plano, tampouco. Colocou seus polegares em seus bolsos. O que diz, Peabody, 
quer fazer um alto, uma trgua pelo Natal?
No estou em guerra contigo. Girou para agarrar seu casaco do uniforme 
de um gancho.
V-te um pouco desanimada.
foi um comprido dia.
Bem, se no ir passar a Vspera de natal com o Sr. Muita Lbia, por que no 
a passas em companhia de um poli?  uma m noite para estar sozinho. Comprarei-te 
uma bebida, algo de jantar.
Ela manteve a cabea baixa enquanto se grampeava o casaco. Vspera de natal 
sozinha, ou um par de horas com o McNab. Nenhuma era muito atraente, mas decidiu 
que estar sozinha era pior. 
Eu no gosto do suficiente para que me compre o jantar. Elevou a vista, e 
se encolheu de ombros. Dividimos a conta.
Trato feito.
* * * * *
Ela no esperou divertir-se, mas depois um par de So Nick Especiais, decidiu 
que no se sentia triste. Ao menos conversar sobre o trabalho era um modo de matar 
umas horas.
Escolheu uns bocados de frango que sabia foram-se diretamente a seu traseiro. 
Sua dieta poderia ir-se ao diabo. 
Como pode comer assim? Perguntou ao McNab, olhando-o com dio e 
inveja quando atacou uma pizza de dobro casca com todos seus ingredientes. por que 
no est gordo como um porco?
Metabolismo, disse com a boca enche. O meu sempre est ativo. Quer?
Ela sabia bem. Lutar contra a gordura era uma batalha pessoal constante. Mas 
tomou meia fatia e se deleitou com ela.
Voc e Dallas arrumaram as coisas?
Peabody tragou com fora e o fulminou com o olhar. 
Ela te falou disso?
Oua, sou detetive. Noto a mierda.
As duas bebidas lhe tinham solto a lngua s o suficiente. 
Est realmente zangada comigo.
Danificou-o?
Acredito. Com ela, disse Peabody, franzindo o cenho. Mas depois o 
danifiquei muito mais. No sei se possa voltar a arrum-lo.
Sim tem a algum que iria ao parapeito por ti e voc o danifica, resolve. Em 
minha famlia gritamos, logo pensamos, e ento pedimos perdo.
No  uma famlia.
Ele riu. 
Maldito sim no o . E sorriu. Te comer todos esses bocados?
Ela sentiu que algo se soltava ao redor de seu corao. O homem poderia ser 
uma dor no culo, pensou, mas quando tinha razo, tinha razo. 
Trocarei-te seis bocados por outra fatia de pizza.
* * * * *
Eve fez um esforo por afastar a operao de vigilncia de sua mente. Tinha 
bons oficiais, com experincia no lugar, exploraes eletrnicas estabelecidas em um 
rdio de quatro quadras. Ao momento que Simon entrasse no permetro, seria vigiado.
No podia perguntar-se, no podia perguntar, no podia pensar onde estava, o 
que fazia. Se algum mais morria. Estava fora de seu controle.
antes de que a noite acabasse, teriam-no. Seu caso era slido, e ele entraria em 
uma jaula. Nunca sairia. Tinha que ser suficiente.
Disse algo sobre o vinho.
Sim, fiz-o. Era mais fcil sorrir do que tinha esperado. Era  mais singelo 
tomar o copo que Roarke lhe oferecia.
E fazer o amor como animais.
Lembrana sugerir isso.
Era inclusive mais simples deixar de lado o vinho e assalt-lo.
* * * * *
Peabody ficou fora mais tempo do que tinha querido, e se tinha divertido mais 
do que tinha imaginado.  obvio, pensou, enquanto subia as escadas para seu 
apartamento, era provavelmente resultado do licor e no da companhia.
Embora, podia admiti-lo, McNab no tinha sido to odioso como de costume.
Agora que estava alegremente bebida, pensou que gostaria de envolver-se em 
sua andrajosa bata, acender sua rvore, e enroscar-se na cama para olhar algum 
delicioso especial de Natal na tela. A meia-noite, chamaria a seus pais e todos ficariam 
tenros e sentimentais.
Tinha resultado ser uma Vspera de natal medeia decente depois de tudo.
Girou no alto da escada e, cantarolando um pouco, avanou para sua porta.
Santa Claus apareceu da esquina com sua grande caixa chapeada na mo, e a 
olhou zangado. 
Ol, pequena! Chega tarde. Tive medo de no poder te dar seu presente de 
Natal.
OH, pensou Peabody. OH, mierda. Tinha uma frao de segundo para decidir. 
Correr ou ficar quieta. Seu atordoante estava guardado dentro de seu casaco, e seu 
casaco estava grampeado. Mas o comunicador estava no bolso, ao alcance.
Optou por ficar quieta. Esforando-se por sorrir, deslizou sua mo no bolso, e 
acendeu a unidade. 
Wow, Santa Claus. Nunca esperei chocar contigo aqui mesmo diante da 
porta de meu apartamento. me trazendo presentes, alm disso. Nem sequer tenho uma 
chamin.
Ele jogou sua cabea para trs e riu.
* * * * *
Eve gemeu, girou-se, e estirou. Nunca tinham chegado  cama, mas sim se 
tinham despido o um ao outro no cho. sentia-se machucada, consumida, e fabulosa.
Esteve bastante bem para comear.
Ao lado seu Roarke riu entre dentes e deslizou uma gema sob seu peito quente, 
mido. 
Justo estava pensando o mesmo. Mas quero meu presente de Natal.
No foi isso? Mas riu, incorporou-se, e se passou as mos sobre o 
cabelo. Mas no prximo ano...
interrompeu-se quando ouviu a voz do Peabody sair do monto de roupa 
desprezada.
Wow, Santa Claus. Nunca esperei chocar contigo aqui mesmo diante da porta 
de meu apartamento.
OH meu Deus. OH Deus. Ela j estava de p, revolvendo a roupa, ficando 
a cala. Chama-os, chama-os. Um oficial necessita ajuda. OH Jesus, Roarke.
Ele ficou as calas com uma mo e tirou seu leva-enlace com a outra. 
nos movamos. Vamos. Chamaremos pelo caminho.
* * * * *
estive te esperando, disse Simon. Com um pouco muito especial.
Entreten, demora o, atrasa-o. 
D-me uma pista?
Algo que algum que te ama escolheu s para ti. Avanou para ela, e ela 
manteve o sorriso em seu lugar enquanto freneticamente abria os botes de seu casaco.
Sim? Quem me ama?
Santa te ama, Delia. Bela Delia.
Viu que levantava sua mo, e vislumbrou a seringa de injeo em sua palma. 
Girando, levantou o cotovelo para bloque-lo, lutando por atravessar a rgida l por sua 
arma.
Travessa! Respirou com dificuldade quando a lanou contra a parede. Ela 
respondeu com um golpe de reverso, mas s expulsou a caixa. E agora sua mo armada 
ficou apanhada entre seu corpo e a parede.
me solte, filho de puta. girou-se, e chutou para trs at enganchar o p ao 
redor de seu tornozelo, amaldioando-se por permitir-se aquela ltima bebida. Sentiu a 
rpida espetada da seringa de injeo contra seu pescoo justo quando ele caa detrs 
dela.
Maldio, OH maldio, soltou, quando se afastou dois passos e tropeou, 
logo s se deslizou derrotada sob a parede.
Olhe o que tem feito. S olhe. Ele a arreganhou enquanto abria sua bolsa, 
procurando seu carto chave. Poderia ter quebrado algo. Me vou zangar muito se 
tiver quebrado alguma de minhas coisas. Agora, se uma moa boa e vamos dentro.
Ele a levantou primeiro, conduzindo-a para a porta, onde soltou as fechaduras, 
e logo simplesmente a deixou cair.
Ela sentiu o golpe, mas distante, como se seu corpo estivesse cheio de espuma. 
Sua mente gritava que se movesse, a mensagem era to forte que se imaginou deixando-
se levar, mas no podia sentir suas pernas.
Fracamente, ouviu que ele entrava e fechava a porta. 
Agora, vamos levar te a cama. Temos muito que fazer.  quase Natal, sabe. 
 meu amor, murmurou-lhe e a levou a dormitrio como se ela fosse uma boneca.
* * * * *
Importa-me uma mierda que as equipes de vo e as unidades disponveis 
sejam mnimas, gritou Eve para o enlace. A oficial Peabody foi reduzida! Est 
reduzida, maldito.
A blasfmia  inaceitvel neste canal, Dallas, Tenente Eve. Esta ofensa estar 
no registro. As unidades esto sendo enviadas. Tempo Estimado de Chegada doze 
minutos.
Ela no tem doze minutos. Se estiver ferida, filho de puta, entrarei 
pessoalmente e arrancarei cada um de seus circuitos.
Golpeou com o punho o enlace. 
Droides, pem malditos droides em Despacho, em cada escritrio, em cada 
lugar, porque  Natal. Jesus, Roarke, no pode conseguir que esta coisa v um pouco 
mais rpido?
Ele j estava sobre cento e dez, estalando entre a horrvel cortina de geada. Mas 
acelerou.
Quase chegamos, Eve. Chegaremos a tempo.
Ela sofria uma agonia inexprimvel escutando a voz do Simon por seu 
comunicador. Poderia imagin-lo muito claramente em sua mente.
Ele assegurava as ataduras, cortando com cuidado sua roupa.
A boca do Eve se secou.
Orvalhando-a, dentro e fora, assim estaria poda e perfeita.
Estava fora do carro antes de que Roarke tivesse freado totalmente para deter-
se. Suas botas patinaram, escorregaram, logo se estabilizou e voou para a porta. Como 
suas mos no estavam firmes, tomou dois intentos evitar as fechaduras.
Quando subiu pelas escadas, Roarke estava a seu lado.
E agora por fim, na distncia, chegou o chiado das sereias.
Eve escorregou o professor pela ranhura e empurrou a porta aberta.
Polcia! Com a arma na mo, arremeteu no dormitrio.
Os olhos do Peabody estavam abertos completamente e desorientados. Nua e 
atada, tremia violentamente pelo ar frio que entrava pela janela aberta.
Ele saiu, desceu pela escada de incndios. Escapou. Estou bem.
Eve vacilou por um segundo logo se mergulhou pela janela. 
Fica com ela, gritou ao Roarke.
No, no. Sacudindo sua cabea freneticamente, Peabody atirou apesar 
das ataduras. Ela o matar, Roarke. Pensa mat-lo. Trata de det-la.
Resiste. Agarrou a manta do cho, atirou-a sobre ela, logo saiu a janela 
detrs de sua esposa.


* * * * *


Seus tornozelos gemiam quando saltou os dois ltimos degraus ao cho, e seus 
ps se deslizaram sob o cho escorregadio. Caiu com fora em um joelho, logo se 
levantou rapidamente. Podia v-lo, dirigindo-se para o este correndo inestablemente, 
seu traje vermelho brilhante como uma baliza.
Polcia! Detenha-se onde est. Mas j o perseguia, sabendo que gastava 
saliva com a ordem.
Havia milhares abelhas zumbindo em sua cabea, milhares delas ferroando em 
sua pele. Em seu ventre havia uma bola de dio to dura e dolorosa que ardia. 
Deliberadamente, guardou-se a arma na cintura de suas calas. Queria destro-lo com 
suas prprias mos.
Saltou para ele como um tigre caando, enviando sua cara e ventre patinando 
sobre o pavimento.
Agarrou-o, golpeou-o, mas no podia senti-lo. Amaldioou-o entre ofegos 
bruscos, e ansiosos, mas no podia ouvi-lo.
Logo o arrastou por suas costas e sua arma estava em sua mo. Em sua 
garganta.
Eve. Roarke ficou quieto onde estava, a um p de distncia, e manteve sua 
voz tranqila.
Disse-te que ficasse com ela. Manten fora disto. Ela olhou fixamente a lhe 
sangrem e chorosa cara sob a sua. E Deus lhe ajudasse, podia ver seu pai.
Sua arma estava em atordoamento completo... no fatal. A menos que a 
pressionasse diretamente em uma artria. Empurrou-a mais forte contra sua garganta. E 
queria faz-lo, ansiava-o.
Golpeaste-o. Detiveste-o. Sofrendo com ela, Roarke se aproximou, ficou 
em cuclillas, e a olhou os olhos. Dar o seguinte passo, no  seu estilo. No  quem .
Seu dedo tremeu no gatilho. Pequenos projteis de gelo ressonaram e se 
romperam contra o cho, cravando sua pele. 
Poderia s-lo.
No. Lhe aconteceu uma mo brandamente sobre seu cabelo. No mais.
No. Ela se estremeceu, trocou sua arma. No mais.
Enquanto o homem sob seu chorava por sua me, ela se levantou. No 
pavimento, Simon se enrolou como uma bola. Lgrimas quentes rodavam atravs das 
alegres cores com os que tinha pintado sua cara.
E o fazia ver lastimoso.
Esgotado, pensou Eve. Destrudo... Acabado
Necessito que traga para um par de uniformizados at para c, disse ao 
Roarke. No tenho minhas algemas.
Tenho as minhas. Feeney cruzou com esforo o pavimento. Eu ainda 
tinha meu comunicador sintonizado com o dela e McNab. O moo e eu chegamos justo 
detrs de vocs. Sustentou-lhe o olhar por um momento. Bom trabalho, Dallas. 
Encerrarei-o por ti. Deve ir ver seu ajudante.
Sim, bem. limpou-se o sangue de sua cara, insegura de se era do Simon ou 
seu. Obrigado, Feeney.
Roarke passou o brao ao redor de seu ombro. Nenhum deles se deteve por um 
casaco. Sua camisa estava empapada, e ela j comeava a tremer. 
Por fora ou acima?
Vamos. Ela jogou uma olhada aos degraus de ferro em cima de sua 
cabea.  mais rpido. me D um empurro e te atirarei depois.
Ele cavou suas mos, e a impulsionou quando ps sua bota nelas, logo olhou 
quando saltou agilmente na plataforma. 
Esperarei-te adiante, lhe disse. Querer um pouco de tempo com ela.
Sim. ficou ali, ajoelhada ao vento. Seu nariz comeava a gotejar, pelo frio, 
e pela tormenta de emoes que ainda se batia dentro de si mesmo. No podia faz-
lo, Roarke. Perguntei-me se poderia. Tive medo de poder. Mas quando isso ocorreu, no 
pude.
Sei. cresceste a seu prprio modo, Eve. elevou-se e apertou a mo que lhe 
tendia. V dentro, est fria. Estarei no carro.
Tinha sido mais fcil, compreendeu Eve, sair pela janela que entrar por ela. 
Tomou um par de flegos tonificantes, logo subiu  janela e sacudiu sua perna sobre o 
batente.
Peabody estava sentada na cama, envolta em uma manta com o brao do plido 
McNab ao redor dela.
Ela est bem, disse ele rapidamente. Ele no obteve... S est 
conmocionada. Disse a quo uniformizados permanecessem fora.
Est bem. Aqui temos tudo sob controle, McNab. Vete a casa, descansa.
Eu... Posso dormir no sof se quiser, disse ele ao Peabody.
No. Obrigado. Srio. Estou bem.
S vou a Ele no tinha uma pista do que fazer ou como faz-lo e se 
levantou torpemente. Devo fazer um relatrio pela manh, para terminar isto?
Um dia depois  bastante logo. Tome seu Natal. Ganhou.
Ele dirigiu um sorriso rpido ao Eve. 
Sim, acredito que o fizemos. Verei-te em um par de dias.
Foi verdadeiramente encantador. Peabody soltou um suspiro quando 
deixou o quarto. No deixou passar a ningum, soltou-me e apenas me deixou me 
sentar. Fechou a janela porque tinha frio. To frio. Deus. cobriu-se a cara com as 
mos.
Quer que te leve a um Centro Mdico?
No, estou bem. um pouco enjoada ainda. Pior, acredito, por haver tomado 
umas bebidas antes de chegar a casa. Apanhou-o, verdade?
Sim, apanhei-o.
Peabody deixou cair suas mos. Lutou por manter sua cara sem expresso e 
tranqila, mas seus olhos eram duros. 
Est vivo?
Sim.
Bom. Pensei...
Tambm eu. No o fiz.
Repentinamente as lgrimas fluram e se transbordaram. 
OH homem. Mierda. Aqui vem.
Bem, deixa que saiam. Eve se sentou, passou seus braos ao redor do 
Peabody e a abraou enquanto chorava.
Estava to assustada, to assustada. No esperava que ele fora forte. No 
podia me fazer com minha arma.
Deveria ter deslocado.
Teria-o feito voc? Ela inspirou temblorosamente, e o deixou sair. Ambas 
sabiam a resposta. Eu sabia que viria a me ajudar. Mas quando voltei em mim, e 
estava aqui... No pensei que chegaria a tempo.
Fez-o bem. Demorou-o e atrasou o tempo suficiente. Eve quis retardar-se, 
e aferrar-se fortemente ao Peabody. Em troca se levantou. Quer um tranqilizador ou 
algo? Pode tomar um indutor do sonho.  o nico usado sem prescrio.
No, acredito que no. O lcool e os sedativos so uma mescla bastante 
malote sem exced-lo com um tranqilizador.
Suspenderei aos uniformizados folgazes. Quer que chame a algum para 
que fique contigo?
No. A distncia se formava, notou Peabody. Polegada a polegada. 
Dallas, sinto muito. o de ontem  noite.
Este no  o momento apropriado para discuti-lo.
Peabody apertou a mandbula, logo abriu e fechou a manta. 
No estou em uniforme, assim no falo como a ajudante do oficial superior. 
Isso significa maldita seja que posso dizer o que quiser. Eu no gostei das coisas que 
disse. Ainda eu no gosto. Mas me alegro que te importasse o suficiente para que me 
dissesse isso. No sinto te haver respondido, mas sim sinto no hav-lo visto como a 
preocupao de uma amiga.
Eve esperou um momento. 
Bem, mas se alguma vez aluga doze companheiros autorizados para joder at 
ficar cega, quero detalhes.
Peabody sorveu, e dirigiu um sorriso aquoso. 
 s uma pequena minha fantasia. Atualmente no ganho o suficiente para 
me permitir doze de uma vez. Mas tinha outra pequena fantasia que se realizou esta 
noite. Roarke me viu nua.
Cristo, Peabody. Com um sorriso tremente, Eve atirou dela para 
aproxim-la outra vez. Esta vez, aferrou-se. Estamos bem.


* * * * *


Ela parecia to estvel, pensou Roarke quando a viu sair a pernadas do edifcio. 
To responsvel e em controle enquanto estava erguida no vento enrgico sem nada 
sobre sua blusa mida e transmitia ordens aos uniformizados na porta.
Havia sangre em suas mos. Duvidou que ela soubesse.
E uma onda de amor o golpeou como um murro quando se passou uma 
daquelas mos manchadas por seu cabelo e avanou para o carro.
Quer ficar com ela?
Eve se acomodou no calor do carro. 
Ela est bem.  boa poli.
Igual a voc. inclinou-se, olhou-a de frente, e ps seus lbios sobre os 
seus, em um beijo suave, doce, e comovedor.
Seus olhos abertos brilharam, e ps uma mo sobre a sua. 
Que horas so?
Quase meia-noite.
Bem. H isso outra vez. Ela pegou sua boca na sua, acomodou-se, e 
suspirou. 
H uma lembrana para a caixa... e uma tradio. Feliz Natal.








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